Ouro Preto e Mariana unidas pela literatura

Os ares de Ouro Preto já transmitem poesia com a realização do Fórum das Letras e Fórum das Letrinhas. A programação do primeiro, que enaltece a “poesia como antídoto”, será realizada a partir deste domingo, dia 19/11, até o dia 26/11. Mas a programação infantil do Fórum das Letrinhas já começou e segue até o dia 25/11.

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No ano em que se completam 115 anos de nascimento e três décadas da morte de Carlos Drummond de Andrade, o Fórum das Letras se volta para a obra deste que é um dos maiores poetas brasileiros. Autor, entre muitas outras, de pérolas como “Estampas de Vila Rica” e “Morte das Casas de Ouro Preto”, presentes em Claro Enigma, que evocam sua passagem pela cidade, e do livro “Sentimento do Mundo”, tema desta edição.

“Esse livro tem uma atualidade impressionante nos tempos que correm, no Brasil e no mundo. O que é o ‘sentimento do mundo”, na visão do poeta? Penso que é a dor provocada por uma certa impotência diante das mazelas da humanidade. Contudo, os homens podem se unir para reinventar o futuro, a poesia pode ser o antídoto contra a descrença, o individualismo, a ganância e o ódio. É essa esperança que rege o Fórum das Letras”, afirma Guiomar de Grammont, coordenadora e curadora do evento.Drummond é o grande homenageado do evento.

A homenagem ao poeta contará com a presença do cenógrafo Pedro Drummond, neto do poeta. Ele participará do debate “Vem, Carlos, ser gauche na vida!”, com o escritor Humberto Werneck, que vem se dedicando à biografia do mineiro, a ser lançada em 2018, mediado por Edmilson Caminha. Este também será o nome da exposição montada a partir da parceria cultural com o Sesc, que prepara ainda outras novidades para este ano. Já a trajetória do poeta será lembrada no debate “Sentimento do Mundo – A obra de Carlos Drummond de Andrade”, com a presença do poeta brasileiro Antonio Carlos Secchin, do português Arnaldo Saraiva e do ensaísta Murilo Marcondes de Moura.

O Fórum das Letras acontece entre os dias 19 e 26 de novembro e, pela primeira vez, se estenderá para a vizinha Mariana. A programação do evento está neste link http://www.forumdasletras.com.br/programacao

O Fórum das Letrinhas coordenado pela curadora Tereza Gabarra.

O Fórum das Letrinhas é coordenado pela curadora Tereza Gabarra

As Letrinhas

Essa semana começou o Fórum das Letrinhas coordenado pela curadora Tereza Gabarra. A iniciativa voltada para o público infantojuvenil está beneficiando 1.200 alunos de 22 escolas da rede pública de ensino, com idade a partir de seis anos, além da participação de 350 educadores da comunidade.

“A realização deste encontro foi possível pela união de forças e objetivos entre o Fórum das Letras – Fórum das Letrinhas, a Fundação de Arte de Ouro Preto (FAOP), a Secretaria Municipal de Educação de Ouro Preto (SME) e a Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP)”, explica a co-curadora, Tereza Gabarra.

A programação do Fórum das Letrinhas incluirá ainda atividades voltadas para as crianças e adolescentes. As ações serão realizadas de 21 a 25 de novembro e, na próxima semana, falaremos mais a respeito dela. A programação completa está no link http://forumdasletras.com.br/forum-das-letrinhas

O livro de CS Lewis dedicado a Tolkien

Conheça mais sobre a obra “Cartas de um diabo a seu aprendiz”. Essa é uma leitura indispensável para os fãs de Tolkien, autor de “O senhor dos anéis”; Lewis, de “As crônicas de Nárnia”, e os estudiosos da religião cristã.

view.aspxÉ de conhecimento de todos os admiradores de Tolkien, que o autor tinha uma forte amizade com o companheiro e também mentor C.S. Lewis. O próprio Tolkien o adjetiva como um “grande amigo”, um “fã fiel”, um “admirador”, “infatigável homem”, e um “velho amigo”.

Além dessa amizade, Jack (o apelido de Lewis) foi uma das poucas pessoas que tiveram acesso aos manuscritos de “Silmarillion” e tomou conhecimento de “O Senhor dos Anéis” durante seu processo de escrita. Ambos frequentavam o mesmo grupo de amigos, conhecidos como Inklings, que se reuniam com frequência em Oxford. Além disso, Tolkien teve participação ativa na conversão de Lewis ao cristianismo e seu mundo de fantasia influenciou a criação de “As crônicas de Nárnia”.

Em um texto muito polêmico para a época, C.S. Lewis dedicou o livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz” para o companheiro. Tolkien, por acaso, ficou sabendo que o livro era dedicado a ele pelos jornais. Entre muitas pesquisas feitas por biógrafos, há uma concordância de que o tema do livro “Cartas de um diabo a seu aprendiz” não tenha agradado Tolkien.

Em especial, o aspecto religioso da obra, na qual muitos historiadores e estudiosos do autor apontam que o descontentamento foi o fato de Lewis ter utilizado de questões religiosas sérias, ante a visão do autor de O Hobbit, que indicou que assuntos sérios assim não deveriam ser feitos de piada. Mais tarde, Lewis enviou um exemplar a Tolkien, com o seguinte escrito: “Em pagamento simbólico de uma grande dívida”. (Informações retiradas do site Tolkienbrasil.com).

Irônica, astuta, irreverente. Assim pode ser descrita esta obra-prima de C.S. Lewis dedicada a seu amigo J.R.R. Tolkien. Um clássico da literatura cristã, este retrato satírico da vida humana, feito pelo ponto de vista do diabo, tem divertido milhões de leitores desde sua primeira publicação, na década de 1940; agora com novo projeto gráfico, tradução atual e capa dura.

“Cartas de um diabo a seu aprendiz” é a correspondência ao mesmo tempo cômica, séria e original entre um diabo e seu sobrinho aprendiz. Revelando uma personalidade mais espirituosa, Lewis apresenta nesta obra a mais envolvente narrativa já escrita sobre tentações — e a superação delas.

Lançamento: Thomas Nelson Brasil, 224 páginas, R$ 34,90.

Semana do Festival Literário de Araxá

Focado no tema: “Língua, Leitura e Utopia”, o Festival traz para o circuito mineiro de literatura, de 15 a 19/11, em Araxá, vários autores de renome nacional e internacional, inclusive escritores da literatura lusófona, para discutir leitura, literatura e educação. Para 2017, o Fliaraxá mantém o objetivo de contemplar uma programação que espelhe a vocação cultural e artística dos araxaenses, despertando em crianças e jovens o interesse pelos livros e o prazer pela leitura. O evento conta com oficinas, lançamento de livros, sessão de autógrafos, teatro, painéis, saraus, contação de histórias, música, exposição e a grande novidade: o “Diálogos em Espiral”, que pretende desconstruir o velho modelo de debates e mesas, onde o público interage com os autores com mais dinamismo.

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Uma mistura de linguagens, arte e conhecimento irá movimentar Araxá entre os dias 15 e 19 de novembro, palco da sexta edição do Fliaraxá (Festival Literário de Araxá). Com programação variada, que inclui oficinas, lançamento de livros, sessão de autógrafos, teatro, painéis, saraus, contação de histórias, música, exposição e a grande novidade: o “Diálogos em Espiral”, que pretende desconstruir o velho modelo de debates e mesas, onde o público interage com os autores com mais dinamismo. O tema, “Língua, Leitura e Utopia” será o grande eixo de conteúdo onde “a utopia entra como reflexo das possibilidade de transformação social e cultural que o País e o mundo necessitam”, afirma o curador e criador do Festival, Afonso Borges. Pela primeira vez, o evento vai acontecer no Tauá Grande Hotel de Araxá.

O VI Fliaraxá contará com a presença de nomes importantes da literatura lusófona, entre eles, Mia Couto, José Luís Peixoto e Ondjaki.

Nessa edição, o autor homenageado será o moçambicano Mia Couto, que terá uma noite especial no sábado (18/11) debatendo o tema: “Língua, Literatura e Utopia” ao lado da atriz Bruna Lombardi. O patrono será o português José Saramago (In Memorian), Prêmio Nobel de Literatura, em 1998, permissão concedida pela primeira vez em festivais literários pelo mundo. “Teremos uma exposição do livro “O Lagarto”, de Saramago, que foi ilustrado pelo mais importante gravurista e cordelista vivo, o pernambucano J. Borges. Ela faz parte da mostra “Saramago Criança”, um projeto educativo inédito que está sendo produzido pela comunidade estudantil de Araxá.

“O VI Fliaraxá irá consolidar a importância do evento no cenário literário e cultural do Brasil. A proposta é transformar a cidade, durante estes cinco dias, na capital da lusofonia, onde serão acolhidos escritores, atores, músicos e estudiosos da nossa língua. Tudo isso, numa grande sinergia com autores brasileiros que também estarão na programação tanto adulta, quanto infantil”, explica Afonso Borges.

Afonso Borges, o grande 'maestro' do Fliaraxá

Afonso Borges, o grande ‘maestro’ do Fliaraxá

Entre os nomes nacionais presentes estarão: Zuenir Ventura, J. Borges, Bruna Lombardi, Carlos Herculano Lopes, Luiz Ruffato, Ana Maria Gonçalves, Ana Paula Maia, Andrea Zamorano, Carlos Marcelo, Cristovão Tezza, Isabela Noronha, Lucrecia Zappi, Daniella Zupo, Marcia Tiburi, Paulo Scott, Roberto Lima, Pedro Muriel, Jose Luis Goldfarb, Claudia Giannetti, Sergio Abranches, Sergio Rodrigues e José Santos. No festival, o público também vai conferir os “Delírios Utópicos” de Cláudio Prado.

Além deles, o público infanto-juvenil contará com uma programação exclusiva, com a presença dos mascotes do Fliaraxá: Tamanduel e Lobato, e dos autores Alexandre de Sousa (português), Beto Junqueyra, Bianca Santana, Carlos Seabra (luso-brasileiro), Fernanda Takai, Eloar Guazzelli, Jô Oliveira, José Santos, Leo Cunha, Lucrécia Leite, Marco Haurélio, Marlette Menezes, Paula Pimenta, Salatiel Silva, Selma Maria, Silvio Costta e Tiago de Melo Andrade.

Outra novidade desta edição é o “Espaço Araxá Terra das Letras”, que terá como patrono o escritor Dirceu Ferreira. Nele, haverá uma programação especial com autores e intelectuais da cidade, como Luiz Humberto França, Canarinho, Leila Ferreira, Rafael Nolli, Cassio Amaral, Mara Senna, Heleno Alvares, Rodrigo Feres, Dirceu Ferreira, Marlette Menezes, Wagner Matias, Joubert Amaral, Liria Porto, Paulo Henrique Bragança, Lucas Matheus de Souza, César Campos, Vinicius Silva, Glaura Teixeira Nogueira Lima, Annette Akel, Bruno Riffel, João Batista Sena da Costa, José Otávio Lemos e seu filho Pedro, Grupo Fratelo, Fernanda de Oliveira, Augusto Rodrigues, Pedro Gontijo, Fernando Braga, Eduardo Maia, Glayer França Jordão e Armando de Angelis. Além disso, nesse ano, o Fliaraxá terá um espaço de gastronomia.

Durante o festival, o público também poderá participar das oficinas. No escopo estão: Oficina de Prosa, conduzida por Isabela Noronha; Oficina de Brinquedos, organizada pelo Museu dos Brinquedos; e a Oficina Desenhanças – desenho e histórias em quadrinhos, realizada por Eloar Guazzelli. Além delas, terá, ainda, oficina de Micronarrativas (Haicais e microcontos), ministrada por Carlos Seabra; Oficina de Escrita Criativa, conduzida por Marcia Tiburi e Oficina de Criação, ensinada por Paulo Scott.

Na programação também tem espetáculo teatral. A grande atração é “Uma Ilíada”, com atuação e direção de Bruce Gomlevsky. Sozinho em cena, ele revive a tradição dos antigos contadores de histórias em texto que narra a Guerra de Tróia. A montagem é uma adaptação do texto AnIliad, da diretora e do ator americanos Lisa Peterson e Denis O’Hare. O texto original é considerado uma das mais importantes obras literárias mundiais e a “obra fundadora” da literatura ocidental. O espetáculo acontece no Cine Teatro Tiradentes, em Araxá, no dia 17 de novembro. A entrada é gratuita e a retirada de ingressos deve ser feita no credenciamento interno do Fliaraxá, próximo à Sala Minas Gerais, um hora antes da sessão. A classificação é 12 anos.

Nessa edição, o autor homenageado será o moçambicano Mia Couto

Nessa edição, o autor homenageado será o moçambicano Mia Couto

O VI Fliaraxá dará continuidade às linhas traçadas com sucesso em sua quinta edição: forte presença nas escolas, professores e pais, com interlocução junto ao poder público, na área de educação; uma grande livraria que venderá livros a preços reduzidos; o concurso que nesta edição passa a se chamar Prêmio de Redação Maria Amália Dumont “Literatura Nas Escolas”; programação específica e dirigida às crianças e adolescentes para explicar a importância da Lusofonia; e exposição sobre o livro “O Lagarto”, ilustrado pelo gravurista pernambucano J. Borges.

O Fliaraxá é apresentado pelo Ministério da Cultura e Circuito CBMM de Cultura. Todas as atividades têm acesso livre graças à Lei Rouanet (Lei Federal de Incentivo à Cultura), com o apoio cultural do Itaú e da Fundação Roberto Marinho. A realização é da Associação Cultural Sempre Um Papo.

Anos anteriores

O Fliaraxá é realizado no município mineiro, desde 2012. A primeira edição teve como tema “Juventude e Experiência” com a presença de 25 autores, reunindo 6 mil pessoas. Em 2013, com o tema “A Viagem na Literatura”, a segunda edição recebeu 44 autores e público de 8 mil pessoas. O terceiro evento, em 2014, com o tema “Leitura para um Mundo Melhor” somou 11 mil pessoas e presença de 39 autores. Em 2015, em sua quarta edição, o tema foi “Imagina o Livro. Imagina a Cidade”, contou com 60 autores e 15 mil expectadores. E, ano passado, na quinta edição, 16.732 mil pessoas participaram do festival, além de 70 convidados. Mais de 100 mil livros foram comercializados na livraria do Fliaraxá, durante os dias do evento, nestas cinco edições. Desde a primeira edição, é realizado um concurso que premia, em dinheiro, as cinco melhores redações de alunos das escolas da cidade, denominado Prêmio de Redação Maria Amália Dumont.

VI Festival Literário de Araxá – Fliaraxá

Data: 15 a 19 de novembro – quarta-feira a domingo – ENTRADA GRATUITA

Local: Tauá Grande Hotel de Araxá – Barreiro – Araxá/MG

Informações: www.fliaraxa.com.br

Redes sociais: Facebook, Instagram e Twitter em /fliaraxá

Como incentivar uma criança a ler?

Christine Castilho Fontelles *

 

Do útero da mãe para o útero da palavra!

É bom lembrar que saber ler não é uma opção na nossa espécie. Ler é uma condição para fazer parte da vida em sociedade.

Saber ler não é instinto. Curiosidade é, em qualquer espécie animal. Movidos pela curiosidade podemos ser levados a ler. E escrever para narrar nossas descobertas.

E para o que não há receita, a “receita” é: ler para crianças desde sempre, por afeto e por direito.

Isto porque, no caso da nossa espécie, mundos inteirinhos são narrados ou inventados pela palavra, sendo que desde o dia em que há uns 6 mil anos atrás os sumérios organizaram tudinho na chamada escrita cuneiforme, nos tornamos a única espécie viva na Terra a seguir pensando, imaginando e escrevendo, e lendo, e pensando, e escrevendo num ciclo sem fim. De histórias de ninar à teoria das espécies passando por romances, nanotecnologia e bibliografias históricas, seja para tratar de revoluções, criar e partilhar utopias nós escrevemos e, para saber o que está escrito, lemos.

Nascidos para ler

A construção da linguagem se inicia no útero materno, como comprovam vários estudos de neurociência. A leitura de literatura é aliada da infância e da trajetória do comportamento leitor, escritor, do ser pensante, crítico, criativo, generoso, humano.

O poeta disse: “saímos do útero materno para ingressar no útero da palavra”. Somos primeiro leitores de ouvir e pouco a pouco nos tornamos leitores de ler.

Logo, os pais devem começar a ler literatura para as crianças desde o dia em que suspeitam que estão “grávidos”. Ou seja: em todo pré-natal a literatura deveria ser recomendada como alimento nutricional da nossa humanidade comum.

A infância deve ser povoada de palavras melódicas e significativas, em grau e quantidade muito superiores às palavras funcionárias, do estilo senta, levanta, coma, durma, quieta!

Inserida na cultura escrita antes de entrar na escola com experiências positivas, lúdicas, interativas, com ofertas de leituras diversificadas para fantasiar, inventar e se expressar será seu “passaporte” no processo de inserção na cultura escrita: seu passaporte para qualquer lugar do mundo.

Então, “toda” é a resposta para a pergunta “qual a importância da leitura literária na formação da criança”.

Um bom caminho seria considerarmos o exemplo do Chile, onde a convicção a cerca da importância e da potência da leitura de literatura integra a política pública nacional de apoio integral à infância.

O programa Chile Crece Contigo preconiza e oferta de livros de literatura às crianças atendidas pela rede pública de saúde.

Como incentivar uma criança a ler? Lendo com e para elas, falando de leituras e criando rotinas prazerosas para esses momentos. Ter um ambiente familiar que incentive leituras será essencial para a formação de um leitor. Com o tempo, aprenderá a recorrer às leituras para dar conta das mais diversas demandas: aprofundar-se sobre um tema, deslocar-se do real, habitar um livro por prazer serão um costume natural.

Os pais que não são alfabetizados ou plenamente alfabetizados também podem incentivar o comportamento leitor dos filhos. Podem folhear juntos um livro ilustrado, podem levar os filhos às bibliotecas e às livrarias… Podem folhear os livros junto com seus filhos e se estes já souberem ler podem pedir que leiam em voz alta para eles…todas estas e outras formas de interação com leituras são fundamentais e enormemente valiosas para a formação leitora, e escritora, das crianças.

E para o que não há receita, a “receita” é: ler para crianças desde sempre, por afeto e por direito.

Fonte: Rede Peteca

* Christine Castilho Fontelles é cientista social formada pela PUC/SP com MBA em marketing pela FIA/FEA/USP. É conselheira do Movimento por um Brasil Literário e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), além de fundadora da Centhral do Brasil, consultoria de projetos de educação para a leitura e escrita. Coordena também a campanha Eu Quero Minha Biblioteca.

“Para Francisco”

imagemNa segunda-feira, dia 13/11, à noite, a publicitária Cris Guerra estará no DiamondMall, na Livraria Saraiva, para lançar uma edição ampliada do livro “Para Francisco”, que foi sucesso de vendas em 2008. A obra conta do recomeço da autora logo após perder o marido Guilherme, em janeiro de 2007, vítima de uma morte súbita. Na época, ela estava grávida de sete meses e decidiu escrever cartas para apresentar ao filho um pouco do pai que ele nunca pode conhecer.

As cartas foram reunidas no livro que ajudou Cris a celebrar o nascimento do filho em meio à morte do marido. “Eu era a mãe mais feliz. Eu era mulher mais triste – uma dor que parecia fadada a nunca mais terminar. Escrever foi minha máscara de oxigênio”, conta Cris.

A edição ampliada, pela Editora Arx, vem com novas cartas emocionantes e as curiosas “Francisquices”, momentos divertidos do seu filho de 10 anos. O livro é como uma máquina do tempo, que permite ao pequeno passar momentos com o pai que lhe falta fisicamente. Apesar da tristeza da perda, não é uma obra sem alegrias. É uma reflexão revigorante sobre a vida.

O êxito editorial foi, além do reinício da vida pessoal, uma porta de entrada de Cris Guerra no mundo da escrita e que já rendeu quatro livros, entre eles, o best-seller “Moda Intuitiva” – resultado do blog “Hoje Vou Assim”. O blog foi também uma forma de recomeçar a vida por meio do corpo, sendo pioneiro da febre do look do dia no Brasil e uma inspiração para centenas de blogs de moda. Agora, as palavras da talentosa mãe vão para as telas de cinema. “Para Francisco” vai virar um filme, com a atriz Débora Falabella fazendo o papel de Cris.

A autora Cris Guerra com seu filho Francisco - Foto: Divulgação

A autora Cris Guerra com seu filho Francisco – Foto: Divulgação

A Incrível Máquina de Livros

Até o dia 10 desse mês, São Paulo recebe a Incrível Máquina de Livros com o objetivo de promover o incentivo à leitura em crianças, jovens e adultos.

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Em parceria com a Câmara Brasileira do Livro (CBL) estão sendo realizadas várias atividades com a Incrível Máquina de Livros, desde ontem até o dia 10. Nestes dias, das 10h às 19h, quem levar um livro novo ou usado em boas condições, poderá trocar gratuitamente por outro exemplar, como um toque de mágica.

Promovida pela Infinito Cultural, a ação tem como objetivo incentivar a leitura em todos os públicos, clássicos da literatura, livros finalistas do prêmio Jabuti (doados pela CBL, parceira do projeto), livros infantis e adultos, dos mais diversos gêneros – serão mais de 5 mil livros inicialmente – estarão dentro da Incrível Máquina para serem trocados, de uma forma simples e lúdica.

Para se ter uma ideia, alguns títulos que estarão na Incrível Máquina: O pequeno Príncipe; O Diário de Anne Frank; Dom Casmurro; Amora; As mentiras que as mulheres contam; Marcelo, Marmelo, Martelo; Harry Potter; Origem; O mundo dos livros; A droga da obediência; Rita Lee: Uma Autobiografia; Onde está a Bruxa; Dragões do Mundo; A confraria do medo; O ensandecido; A Divina jogada; Poemas – Marios de Sá; Quem é ela; Pai não fui eu; O menino misterioso; Simbá o Marujo e Uma breve historia da Humanidade, entre muitos outros, divididos em conteúdos infantis e adultos (com um botão para cada um, respectivamente).

Após esta passagem, a Incrível Máquina de Livros segue para São Bernardo do Campo, Itu e Salto, com ações até 2 de dezembro.

Local de São Paulo: Praça Dom José Gaspar – R. Dr. Bráulio Gomes – República (atrás da Biblioteca Mario de Andrade)

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Carpinejar lança coleção de poemas em BH

O livro “Liberdade na vida é ter um amor para se prender” reúne 80 frases impressas, tal como foram concebidas, com a letra do poeta, em uma edição colorida com páginas descartáveis. Sessão de autógrafos será no dia 7/11, na Saraiva do Diamond Mall em Belo Horizonte.9788581743592 3D

A coleção de guardanapos do poeta Fabrício Carpinejar ganha as páginas de um livro pela primeira vez em “Liberdade na vida é ter um amor para se prender”, que lança pela editora Belas Letras no dia 7/11, a partir das 19h, na Saraiva do Shopping Diamond Mall em Belo Horizonte. A publicação reúne oitenta frases escritas à mão e impressas tal qual como foram concebidas em uma edição multicolorida, que não é apenas um livro, mas também um presente, com páginas destacáveis, que podem ser compartilhadas com outras pessoas, coladas na parede ou o que mais a criatividade do leitor permitir.

Juntas, as frases contam uma história, da turbulência e dos revezes dos relacionamentos à busca pela felicidade, com as cores e as palavras que só a caneta de Carpinejar é capaz de revelar.

Manto dos poetas e dos músicos – como define o autor, nas primeiras páginas do livro – o guardanapo é o papel mais apressado, mais à mão para anotar uma ideia ou memorizar uma rima.

Fabrício Carpinejar - Foto Rodrigo Rocha/Divulgação

Fabrício Carpinejar – Foto Rodrigo Rocha/Divulgação

“Em seu uso, existe uma transgressão, a própria negação de sua utilidade: serve para limpar a boca, só que é redirecionado para resgatar uma frase do alto teor alcoólico e dos riscos de esquecimento da ressaca. Há um paradoxo delicioso em mudar a sua necessidade, pois o guardanapo é destinado ao descarte e acaba servindo para imortalizar instantes imprecisos da língua e declarações ansiosas de paixão. Trata- se de uma trapaça intelectual: o que era para ser fugaz permanece. A eternidade é enganada. O que era para ser amassado e posto fora fica guardado como uma prova de que a noite não foi uma invenção, muito menos os amores”, escreve.

“Liberdade na vida é ter um amor para se prender”, 80 páginas, chega às principais livrarias do país ao preço de R$ 34,00. Também é possível adquirir pelo site da editora, na pré-venda: https://belasletras.com.br/produto/liberdade-na-vida-e-ter-um-amor-para-se-prender/.

Fabrício Carpinejar é poeta, jornalista, cronista e um dos escritores brasileiros mais premiados de sua geração. Recebeu, entre outros, os prêmios Fernando Pessoa, Cecília Meireles, Olavo Bilac e o Jabuti. Publicou mais de vinte livros, além de escrever para jornais e participar do programa de TV Encontro com Fátima Bernardes. Amor à moda antiga é seu primeiro livro pela Belas Letras.

“Planeta Azul”

Alunos e professores do ensino fundamental 1 e das séries iniciais do fundamental 2 vêm adotando a revista de histórias em quadrinhos “Planeta Azul” como incentivo à leitura e formação das crianças especialmente nos temas sobre meio ambiente, cidadania, alimentação saudável e convivência.

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Embora com circulação ainda restrita, a revista em HQ “Planeta Azul”, editada pela Fundação Mokiti Okada, em São Paulo, torna as crianças protagonistas, pois são os alunos que enviam para a redação os temas e histórias por elas vividas para serem transformadas nas futuras edições.

“O projeto ‘Planeta Azul’ atua como recurso paradidático ao complementar o trabalho pedagógico. O professor recebe uma cartilha, que serve de ponto de apoio com sugestões de abordagens, atividades e reflexões a serem trabalhadas em salas de aula”, informa a Fundação.

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Além das HQ, cada edição ainda insere situações para uma ação educacional: a Campanha do Obrigado, que estimula o leitor a receber o maior número possível de agradecimentos (obrigados) diariamente. Essa iniciativa torna a criança atenta às possibilidades de práticas de cortesia.

São oito edições anuais, distribuição nacional, com vendas virtuais no link loja.fmo.org.br no valor de R$ 5,00 cada. No caso das escolas, professores devem fazer contato por email para solicitação das edições e participação no projeto: contato@planetaazul.com.br

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“Imagine”

Canção eternizada por John Lennon ganha adaptação para livro infantil no Brasil pela V&R Editoras. O lançamento mundial tem prefácio assinado por Yoko Ono Lennon, ilustrações de Jean Jullien e tradução de Marina Colasanti.

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A jornada de uma pomba disseminando mensagens de paz para outros tantos pássaros é o mote da história que fala de tolerância, fraternidade e atitudes para um mundo melhor, levando a letra da canção composta por John Lennon às crianças. Por meio de ilustrações cedidas pelo francês Jean Jullien, alusivas às frases da música composta em 1971 (letra da qual Yoko Ono Lennon, viúva do músico, foi declarada coautora), o pombo convida outros pássaros a imaginar um mundo com igualdade entre os povos. Como parte de uma campanha global, o lançamento no Brasil é pela V&R Editoras.

Por aqui, “Imagine” tem a participação da escritora Marina Colasanti, poetisa que completa 80 anos e que traduziu a versão brasileira como parte das celebrações de seu aniversário. Por ocasião do Dia Internacional da Paz, comemorado em 21 de setembro, houve o lançamento mundial do projeto idealizado por Yoko Ono Lennon, um modo de perpetuar o propósito pacificador do ex-Beatle.

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Em parceria exclusiva, “Imagine” se tornou oficialmente o hino da Anistia Internacional, entidade escolhida por Yoko para receber os direitos autorais da obra. “Todos nós queremos ser felizes e nos sentir seguros. E todos podemos fazer nossa parte para tornar o mundo um lugar melhor. Devemos sempre trazer amor no coração e cuidar um do outro. Devemos sempre compartilhar o que temos e defender aqueles que não recebem tratamento justo”, declara Yoko Ono Lennon no prefácio.

No livro infantil, uma pomba urbana, e não aquela tradicional, branquinha e pouco comum, “Imagine” compartilha sua mensagem de paz e contagia outras espécies com lições de boas condutas em benefício de todos. São cenas retratando situações comuns, em que a pomba leva ramos de oliveira por vários ambientes e sempre reverte em comunhão de ideias. E nas mãos dos pequenos leitores, “Imagine”, o livro, tem a missão de incutir o lema de Lennon na formação de novas pessoas, na busca de tornar o mundo “verdadeiramente como um só”.

“Imagine” está sendo é lançado simultaneamente em 15 idiomas. A obra foi elaborada em parceria com a Anistia Internacional e terá todos os royalties revertidos para a instituição. A campanha mundial de divulgação do “Imagine” será feita em parceria com os escritórios regionais da Anistia Internacional e os perfis nas redes sociais de John Lennon, Yoko Ono Lennon e o ilustrador Jean Jullien. O grupo V&R Editoras publicará a obra em toda a América Latina. Ao final, a obra traz a letra original da música, facilitando o aprendizado.

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Os autores

John Lennon nasceu em 9 de outubro de 1940, em Liverpool, na Inglaterra. Conheceu Paul McCartney em 1957 e o convidou para formar com ele um grupo musical. Nascia, então, a banda que impactou o cenário musical, como nenhuma outra tinha feito antes, The Beatles. Mas Lennon deixou os Beatles em 1969, e depois lançou alguns álbuns em parceria com sua esposa, Yoko Ono. Um dos álbuns mais celebrados de John Lennon, Imagine, foi lançado em 1971, nos Estados Unidos. O lançamento no Reino Unido aconteceu no dia 8 de outubro seguinte. A música título do álbum, “Imagine” se tornou a marca registada de Lennon e foi escrita como um pedido pela paz mundial.

Jean Jullien nasceu em 14 de março de 1984, em Cholet, na França. É ilustrador formado em Design Gráfico pela Universidade de Quimper. Desde os 20 anos, Jean vive em Londres. Sua produção transita entre a ilustração, a fotografia, passando pela produção de vídeos, figurinos, instalações, cartazes, buscando sempre estruturar seu trabalho de forma coerente, porém eclética. Em novembro de 2015, ele foi responsável por criar o símbolo Peace for Paris – uma variação do tradicional símbolo da paz – em memória aos mortos e feridos nos ataques terroristas. O símbolo se tornou um viral pelo mundo todo.

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A tradutora Marina Colasanti nasceu em 1937 na cidade de Asmara, capital da Eritreia. É casada com o também escritor Affonso Romano de Sant’Anna e tem duas filhas, Fabiana e Alessandra Colasanti. É uma das mais premiadas escritoras brasileiras, detentora de vários prêmios Jabutis, do Grande Prêmio da Crítica da APCA, do Melhor Livro do Ana da Câmara Brasileira do Livro, do prêmio da Biblioteca Nacional para poesia, de dois prêmios latino-americanos e é hors-concours da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

V&R Editoras

Em 1995, duas editoras argentinas, Trini Vergara e Lidia María Riba, iniciaram o projeto de criar uma editora independente para ingressar em um mercado onde atuavam empresas poderosas e globais. A palavra de ordem era especialização. A ideia: o livro-presente. Em 1996, com o projeto cuidadosamente estudado, são lançados os primeiros exemplares na Argentina. Toda a experiência profissional das editoras foi posta a serviço para criar um conceito especial de livro: aquele que expressasse o que uma pessoa gostaria de dizer a outra, nas diversas ocasiões, tanto as mais comuns como as mais íntimas e delicadas. Títulos que expressassem sentimentos para a família ou para os amigos, e também, por exemplo, para agradecer a um médico ou felicitar uma mulher executiva.

Em 1998 a V&R Editoras chega ao Brasil e aos poucos se consolida no País. Em seguida, a V&R passa a apostar também na literatura infanto-juvenil e, aos poucos, amplia sua área de atuação. O best-seller Diário de um Banana chega ao Brasil na V&R e já está em seu 11º. título. Atualmente, a V&R Editoras divide seu catálogo em: livro-presente, infanto-juvenil, gastronomia, new adult, e mandalas, além do recente e já bem-sucedido selo young adult, Plataforma21.

Assista o booktrailer: https://youtu.be/Y3LWXiWDWqw

 

Halloween é culpado pelo ostracismo do folclore brasileiro?

HappyHalloween

Hiran Murbach *

Com a aproximação do dia 31 de outubro, popularmente conhecido no Brasil como Dia das Bruxas, uma discussão recente volta à pauta, dividindo as pessoas em dois grupos: os que gostam do Halloween e os que são contra esta festa e defendem o nosso folclore. Tal discussão apenas acabou ganhando força porque, de alguns anos para cá, o Halloween foi se solidificando como uma data presente no nosso calendário, visto que diversas festas e eventos, os quais as pessoas vão fantasiadas, ocorrem neste período para celebrar o tão famoso Dia das Bruxas.

HalloweenMas, para poder entrar nessa discussão, precisamos entender o que realmente é o Halloween. Resumindo, é uma festa de origem celta, que começou bem antes de Cristo, e que era o dia em que os mortos voltavam para o mundo dos vivos. Com a propagação do Cristianismo, esta data foi absorvida pela Igreja e adaptada para o nosso calendário. Assim, o dia 1º de novembro virou o Dia de Todos os Santos e o dia 2º, Dia de Finados.

Como o Dia de Todos os Santos tinha uma grande importância para a Igreja Católica, na sua véspera era realizada uma vigília, que recebeu na Escócia o nome de All Hallows’ Eve. Com o transcorrer dos séculos e da colonização da América, esta data sofreu novas influências, gerando no México o Dia dos Mortos, que é a mistura de uma celebração indígena com a católica e o Halloween, que foi trazido pelos imigrantes bretões para os Estados Unidos, inspirados no nome escocês da vigília do Dia de Todos os Santos.

Todas as datas celebradas se modificam com o tempo e com isso o Halloween perdeu seu conceito religioso, passando a ser uma festa à fantasia a qual as crianças pedem doces na rua. Em um mundo globalizado – com grande influência norte-americana – foi questão de tempo o Halloween desembarcar no Brasil.

HalloweenDecorationAssim, com as crianças e adultos começando a se vestir com as fantasias de seres da mitologia anglo-saxônica, começamos a nos questionar porque não se vestir como as criaturas da nossa mitologia. Contudo esta discussão, por mais importância que tenha, é confrontada em dois pontos.

O primeiro é que o Halloween em nada tem a ver com o folclore, a não ser o fato de que ambos são manifestações culturais. As primeiras fantasias desta festa foram inspiradas em criaturas ligadas ao tema da morte, por causa dos mortos que voltavam para o mundo dos vivos um dia por ano. Não precisamos, como muitos defendem, criar o Dia do Saci na mesma data do Halloween. Basta que tenhamos conhecimento que o dia 22 de agosto já é o Dia do Folclore e que passemos a valorizar esta data.

O segundo ponto é que chega a ser estranho criticar o Halloween quando temos uma festa tipicamente brasileira, que dura quase uma semana, em que todas as pessoas se fantasiam, chamada Carnaval. Neste exato ponto vale uma pergunta: quem critica o Halloween por usar fantasias de mitos estrangeiros já se fantasiou – ou viu alguém fantasiado – de alguma criatura do folclore brasileiro no Carnaval? Pois é, nem eu.

Desta forma, o esquecimento a respeito do nosso folclore data de muito antes da popularização das festas de Halloween no Brasil. O folclore brasileiro vem sendo afastado para um plano inferior há muito tempo, apesar de termos mitos e histórias muito bem construídos e que teriam muito espaço no mundo atual. Assim, deveríamos criticar menos os mitos estrangeiros e aproveitar esse interesse das crianças e jovens por eles para apresentar-lhes os nossos. Apostos que eles iriam adorar!

(*) Autor do livro “Quase Esquecidos – Eles ainda estão entre nós”, Editora Soul, à venda no site http://www.hemurbach.com.br/quase-esquecidos/