A preferência pelos audiolivros

A tecnologia tem vindo a alterar inúmeros hábitos a nível de lazer e educacional também. Que implicações trazem tais alterações?

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Áudio Companhia: o selo dos audiobooks da Companhia das Letras

O Grupo Companhia das Letras acaba de lançar o seu selo Áudio Companhia, dando início à comercialização de títulos de seu catálogo em audiobook. A publicação selecionada para a estreia é 21 lições para o século 21, de Yuval Noah Harari, autor que já vendeu mais de 12 milhões de cópias no mundo, e tem narração de Sérgio Meneguello. Pela primeira vez no Brasil, um lançamento é publicado ao mesmo tempo nos três formatos: livro físico, e-book e audiobook.

A edição em áudio está sendo comercializada por R$ 39,90 e está disponível para compra com exclusividade no Google Play Store e Google Play Livros, a livraria on-line do Google, para dispositivos Android e também web. O livro também pode ser reproduzido em iPhones e iPads pelo aplicativo para iOS. A compra, porém, deve ser feita pelo computador ou dispositivo Android.

Penetração da tecnologia

Matéria publicada recentemente em “Notícias do mundo” mostra que, segundo a revista “Forbes, 37% da população a nível mundial admite optar por livros em áudio por ser uma forma mais prática que permite acompanhar a literatura ao mesmo tempo em que pratica outras atividades como treinar ou passear o cão.

É o avanço da tecnologia a substituir as formas mais tradicionais com o intuito de facilitar ou evitar a ‘perda de tempo’. Mas numa altura em se vive em constante agitação e todo o tempo parece ser pouco para o que se pretende fazer, que repercussões surgem a nível da saúde?

Se se apontar aspetos como enriquecimento intelectual, satisfação emocional e entretenimento, então, sim, pode-se dizer que a alternativa é igualmente benéfica. Contudo, vale a pena esclarecer que, com um livro em áudio, mais facilmente o indivíduo se distrai com outras coisas e mais dificilmente retém a informação principalmente se os livros em questão forem de temas mais densos.

Embora existam ainda poucos estudos sobre o tema, especialistas apontam que ler e escrever são atividades bastante semelhantes em termos de vantagem para as capacidades cognitivas do ser humano; enquanto ouvir não se equipara a tais atividades. A forma como cada indivíduo interpreta e retém a informação retida, seja lida ou ouvida, dependerá da sua capacidade de concentração e foco. Quando tais níveis são elevados, será mais fácil equiparar os dois tipos de livros.

Por outro lado, quem tem dificuldades de concentração, sentirá mais dificuldade com livros áudio, pois a tendência para realizar outras tarefas será, obviamente, maior. Ainda assim, muitos são os especialistas que defendem que tais são atividades incomparáveis. “ouvir um podcast é bom, mas não pode ser comparado ao prazer de ler um livro”, lê-se na Forbes.

Resgate de uma história literária

Clube do Livro (Clis) faz um ano e visita a Casa da Árvore de Belo Horizonte.

 

2 - CópiaNo dia 24 de setembro de 2017, a biblioteca instalada na Casa da Árvore, na Avenida Silva Lobo, em Belo Horizonte, pegava fogo. O incêndio causou consternação, pois o empréstimo de livros por moradores de rua que ocupavam o local teve reconhecimento nacional. O acontecimento será lembrado no dia 21 de setembro próximo, Dia da Árvore, com um evento de contação de história do Clube do Livro Infantil Solidário (CLIS) e distribuição de livros para alunos da Escola Municipal Magalhães Drummond.

Da árvore que ali existia nada resta, mas o espaço foi agora transformado em uma biblioteca a céu aberto, onde quem atende é o antigo morador de rua Kingler Douglas Rodrigues. O evento no Dia da Árvore vai lembrar também o primeiro aniversário do CLIS e o local foi escolhido para levar às crianças o livro “As Árvores Invisíveis”, de Leida Reis, que traz uma cena em que o personagem Sebastião sofre com a destruição da casa-biblioteca. A partir da consternação do menino, ele passa a enxergar as árvores da cidade que, até então, não passavam de “criaturas estranhas” no ambiente urbano.

Em duas sessões, para alunos da manhã e da tarde, os contadores de história Simone Santos e Bernardo Lucas vão apresentar a história do livro, que traz temas atuais, como o problema da arborização nas grandes cidades. A necessidade de enxergar o que está ao redor a partir de outras perspectivas motivou a história. “Todos nós estamos cegos para muitas coisas bem próximas”, diz a autora Leida Reis. Em razão disso, a festa ocorrerá no local da Casa da Árvore, cujo incêndio coincidentemente também completa 1 ano e onde hoje funciona uma biblioteca.

1Criado em setembro de 2017 pela Páginas Editora, o clube do livro CLIS é um projeto que promove eventos mensais com contação de histórias e entrega de livros infantis de qualidade a crianças de abrigos, creches e instituições de apoio a meninas e meninos em situação de vulnerabilidade social. Os livros entregues, da própria editora e de outras, passam por rigorosa seleção de qualidade. Nos eventos também são distribuídos lanches e material escolar.

 Nota: Em março deste ano, a Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) começou as intervenções no local onde houve o incêndio da Casa da Árvore. Segundo o órgão, foram investidos R$ 55 mil. Além das estruturas para os livros, já instaladas, ainda serão plantadas mudas de árvores e grama.

Homenagem à Casa da Árvore 

Data: 21/09/2018

Sessões de contação de história: às 9:30 e às 13:30

Local: Biblioteca Casa da Árvore, localizada na confluência entre Av. Silva Lobo e Av. Barão Homem de Melo.

Livro para presidente

Paulo Tedesco *

O articulista fala sobre a importância de se investir na educação e, claro, nos livros.

E chegamos à reta final das eleições de amplo alcance no Brasil. Elegeremos deputados estaduais, governadores, deputados federais, senadores e o presidente da República. Isso num país continental feito o nosso, que sem dúvida nos torna uma das maiores democracias do mundo, e possivelmente única, nesta dimensão, com voto direto e por via eletrônica. Logo, preciso reconhecer que não é pouco, não é nada pouco.

Pois nessas eleições o que está em jogo, além do tradicional e necessário rodízio de nomes no poder, ou melhor, nos poderes, além da manutenção da periodicidade como marco democrático, está o debate de fundo sobre a importância do estado, do aparelho estatal e burocrático para o país.

Sim, é fácil se enganar… Mas o que realmente importa e o que realmente vem como moldura principal do debate, afinal, queremos um estado mínimo para alguns e máximo para outros ou queremos um estado mais atuante e promotor da economia que beneficie uma ampla maioria?

Está provado que o tal estado mínimo dos neoliberais é uma falácia, das grandes, pois traduz estado mínimo para os pobres e trabalhadores que terão de pagar mais e mais por saúde, educação, e na mesma página um estado máximo para financiar aventuras comerciais e financeiras de poucos milhardários e oligarquias midiáticas e comerciais.

O Estado atuante, por sua vez, também é alvo de debates, não havendo um consenso sobre ele, porém, sua necessidade e importância para um país que vivenciou um golpe de estado e viu os números sociais piorarem como nunca antes, mostra que não há outra saída a não ser defender a importância de um aparelho público que defenda e invista enormemente onde de fato se faz a diferença: saúde, educação, cobrança de impostos atrasados e taxação verdadeira de grandes fortunas.

Certo. E o que tudo isso tem a ver com o livro? Qual linha de defesa do livro nesse debate?

É bom lembrar que muitas das maiores economias capitalistas do ocidente são também grandes investidoras de capital público no mundo do livro, pensando sempre na defesa da sua cultura e promoção da ciência e educação, o Brasil, portanto, não pode, nem deve ser diferente.

E não são políticas de renúncia fiscal e doação financeira para projetos estranhos o assunto da presença do estado, o que importa, nesse  2018, é se o Brasil ainda conseguirá voltar a incentivar a leitura e o ensino através da aposta no seu setor editorial e livreiro (bibliotecário, por consequência) ou se seguirá pelo caminho non sense adotado pelo atual governo fantoche que prefere investir e proteger capital financeiro ao invés de políticas públicas consistentes e consequentes.

*  Escritor e consultor em projetos editoriais.

Publicado originariamente no Publishnews.

Prêmio IPL Retratos da Leitura abre inscrições

Podem concorrer ao prêmio do Instituto Pró-Livro (IPL) projetos de fomento à leitura nas seguintes categorias: Bibliotecas públicas e comunitárias, Cadeia produtiva do livro, Mídia e Organizações da Sociedade Civil (OSCs). Para a edição de 2018, as inscrições vão de 27 de agosto a 27 de setembro. 

 3º Prêmio IPL

Estão abertas as inscrições para o 3º Prêmio IPL – Retratos da Leitura, organizado pelo Instituto Pró-Livro (www.prolivro.org.br) que, entre tantas iniciativas de fomento à leitura, realiza a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, maior e mais completo estudo sobre o comportamento leitor do brasileiro. Motivado pela missão de transformar o Brasil em um país de leitores e pelo compromisso de investir em ações para melhorar os indicadores de leitura revelados pela pesquisa, o IPL lançou em 2017 a Plataforma Pró-Livro, com o objetivo de mapear, valorizar e difundir as iniciativas de incentivo à leitura que acontecem nos diversos rincões pelo Brasil afora. O Prêmio, lançado com a Plataforma, veio para coroar os melhores projetos, homenagear e estimular o intercâmbio de experiências promovidas por tantas entidades. “O prêmio visa incentivar e dar visibilidade às iniciativas exitosas e fazer do Brasil um país de leitores”, conclui Luís Antonio Torelli, presidente do Instituto Pró-Livro.  

Em duas edições, o prêmio já contemplou 24 projetos de diversos Estados brasileiros. Para 2018, o IPL espera ampliar esses números. No ano passado. foram contemplados projetos como:

A Literatura no Cárcere – A formação do eu

Tô na rede Pará – Instituto de Políticas Relacionais – São Paulo/SP

Programa Prazer em ler – RNBC – Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias- Salvador/BA

Ler é legal – Ministério Público do Distrito Federal e Territórios – Brasília/ DF

A menina que indica livros – São Paulo/ SP

Quarta Capa – PUC TV Minas

“O prêmio é um reconhecimento do nosso trabalho, que é de extrema importância para as bibliotecas comunitárias de todo o Brasil, e só de concorrer já é uma tremenda vitória para o projeto para que possamos lutar ainda mais para que as bibliotecas comunitárias sejam reconhecidas”, destaca Rodrigo Rocha Pita, gestor da rede nacional de bibliotecas comunitárias. Já Fausto Rodrigues de Lima, do projetor Ler é Legal, afirma que o prêmio é um incentivo e uma amostra para que a leitura também seja também uma fonte de lazer entre as pessoas. 

Para a edição de 2018, as inscrições vão de 27 de agosto a 27 de setembro. Vale lembrar que, as inscrições e o cadastro de projetos devem ser realizadas na Plataforma Pró-Livro (www.plataforma.prolivro.org.br). Antes da inscrição, é importante verificar se o projeto atende ao regulamento da terceira edição. Projetos já cadastrados na Plataforma, não estão automaticamente inscritos. Será necessário fazer a inscrição para concorrer ao prêmio. Para cadastrar seu projeto, se inscrever no Prêmio, ou atualizar o projeto cadastrado, acesse a Plataforma Pró-Livro, leia o regulamento e siga as orientações. 

Como no ano anterior, serão escolhidos projetos em quatro categorias: Empresas da cadeia produtiva do livro; Organizações Sociais; Mídias; Bibliotecas públicas e comunitárias. Uma equipe de especialistas fará uma seleção prévia dos finalistas e uma comissão de jurados elegerá três vencedores para cada uma das categorias. A entrega da terceira edição do prêmio ocorrerá em dezembro de 2018. 

Além de ser um reservatório de projetos de incentivo à leitura, a Plataforma Pró-Livro também possibilita o intercâmbio de informações, pois oferece espaço para fóruns de discussões, acervo digital de estudos, teses, publicações e artigos voltados à leitura, alimentado pelos próprios usuários e também pela curadoria do IPL. Além de poder usufruir de notícias sobre o setor, acerca do prêmio e sobre outras iniciativas da área de promoção de leitura, formação leitora e acesso ao livro. “Acreditamos que conseguimos criar uma ferramenta colaborativa que tem muito potencial para estimular conexões e fomentar novas iniciativas. O intuito é o de ampliar o intercâmbio e a propagação dessas experiências; oferecer curadoria para aqueles que buscam implantar ou qualificar seus projetos, além de dar maior visibilidade a essas ações. Continuamos na torcida para que investidores sociais descubram esse mapeamento como um repertório de boas práticas a serem patrocinadas e o selo que recebem os projetos finalistas”, finaliza Zoara Failla, coordenadora da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil e gerente executiva do Instituto Pró-Livro.  

O IPL como Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP) sem fins lucrativos, criado e mantido pelas entidades do livro _ Abrelivros, Câmara Brasileira do Livro e Sindicato Nacional dos Editores de Livros _ com a missão de  transformar o Brasil em um país de leitores, tem como objetivo promover pesquisas  e ações de fomento à leitura. Realiza periodicamente a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, maior e mais completo estudo sobre o comportamento leitor do brasileiro, para avaliar impactos e orientar ações e políticas públicas do livro e da leitura, visando melhorar os indicadores de leitura e o acesso ao livro. Também é responsável pelo Prêmio IPL – Retratos da Leitura, que busca reconhecer e homenagear organizações que desenvolvem práticas de incentivo à leitura e, deste modo, promover e difundir experiências para que ganhem amplitude e investimentos, orientem políticas públicas e inspirem outras iniciativas pelo Brasil. Estas ações foram todas mapeadas na Plataforma Pró-Livro (www.plataformaprolivro.org.br). O IPL também conta com outra ação importante – uma plataforma digital colaborativa que reúne informações dessas práticas ao redor do país, divulga e incentiva a conexão entre essas experiências.

“Lagartas e borboletas”

Um livro infantojuvenil que trata sobre a entrada na adolescência.

 

450xN“Lagartas e borboletas”  é o mais recente livro da escritora Ana Rapha Nunes, que se dedica a obras infantojuvenis. A personagem principal dessa história é Lara, uma menina de doze anos que vê o seu mundo se transformar com a entrada na adolescência, precisando aprender a conviver com tantas mudanças repentinas em sua vida.  

Lara vivencia a separação dos pais, as transformações no corpo, as dificuldades escolares, a nova casa e tantas outras mudanças que bagunçam os seus sentimentos, causando inseguranças, medos, dúvidas. Mas uma viagem inesperada para a casa da avó, que a princípio parece mais um problema, pode tornar-se um momento de descobertas e aprendizagem. 

O livro aproxima as crianças e os jovens dessa realidade, mostrando o quão naturais são as mudanças ao longo da vida. A entrada na adolescência pode não ser nada fácil, mas é também um período repleto de agradáveis descobertas, que se tornarão doces lembranças na fase adulta.    

 “Lagartas e borboletas” (Editora Franco, 72 páginas, R$ 37,00) tem capa e ilustrações assinadas por Amanda Freitas.  

A autora Ana Rapha Nunes nasceu no Rio de Janeiro em 1981 e mudou-se ainda na infância para Curitiba, onde vive até hoje. Desde pequena, alimenta a paixão pelos livros, o que a levou a cursar Letras, atuando como professora do Ensino Básico e Universitário por mais de dez anos. A autora lançou seu primeiro livro em fins de 2015. Pouco depois, começou a se dedicar integralmente à Literatura. O seu livro Mariana – obra que retrata a tragédia ocorrida na cidade mineira pela perspectiva de uma menina de doze anos – está na 7ª edição em dois anos. Ana Rapha visita várias escolas do país, falando sobre a importância da leitura literária para a formação das crianças e dos jovens.

Quem quiser conhecer mais sobre a autora e sua obra pode acessar  o link www.anaraphanunes.com.br

Outra polêmica com livro infantil

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A página “Mãe que lê”, do Facebook, na quinta-feira dessa semana, publicou um post que trouxe para o debate social o livro “O menino que espiava pra dentro”, de Ana Maria Machado, Global Editora. A publicação foi motivada pela mensagem de uma mãe, do Recife, que viralizou no WhatsApp, com a alegação de que a história fez o seu filho pensar em suicídio. A criança perguntou para essa mãe “se era verdade que se ele engasgasse com uma maçã e ficasse sem respirar, ele conseguiria ir até o encontro do seu mundo da imaginação”… A mensagem assustou dezenas de outras mães e, por isso, foi analisada por “Mãe que lê”.

Ao mesmo tempo o fato deixou perplexos outros que militam na literatura infantil e, por isso, conhecem e reconhecem a obra impecável da autora, que entre tantos outros méritos foi presidente da Academia Brasileira de Letras. Através das redes sociais, também se manifestaram a Global Editora, responsável pela obra, e a Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) _ ambas através do Facebook _ assim como a especialista mineira em literatura infantil e narradora de histórias, Sandra Franco Bittencourt, via Instagram. Ontem, o jornal O Globo noticiou sobre a polêmica e também ouviu a escritora Ana Maria Machado.

O blog publica os pontos de vista de cada um dos acima citados e, desta forma, acredita que esclarece pais e educadores sobre a qualidade da obra.

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Mãe que lê

“Precisamos falar de maçãs. Se você é mãe provavelmente recebeu uma mensagem ontem ou hoje sobre o livro “O menino que espiava pra dentro” da escritora Ana Maria Machado. Eu recebi e fiquei triste ao ver a facilidade como algo pode ser tirado de contexto, distorcido e, mesmo sendo tão absurdo, gerar uma comoção tão grande. Eu consigo me solidarizar com a mãe, pelo susto que tomou com a pergunta do pequeno, pelo medo de que ele se engasgasse de verdade com uma maçã. Mas não posso concordar com a mensagem que ela passou e com os ataques que a literatura infantil tem recebido atualmente com a constante pressão para que os livros para crianças sejam o mais literais possíveis, como se isso garantisse ‘segurança’.

Ana Maria Machado é uma grande autora e nunca ‘nas entrelinhas ensinaria o suicídio às crianças’, como acusa a mãe da mensagem de WhatsApp. Afirmo isso com certeza por conhecer a sua belíssima obra e sua trajetória. Ela não merece esse ataque. Gostaria de refletir sobre alguns pontos:
– É importante ler antes.
– É importante ler junto.
– É importante ampliar o repertório.
– É importante saber ler entrelinhas, relacionar histórias, compreender sentidos.
– É importante ouvir o que os filhos entenderam das histórias.
– É importante conversar sobre o que lemos e sobre a vida.
– É importante pensar antes de compartilhar.
– É importante conhecer antes de julgar.
– É importante respeitar o outro e não acusar de algo tão grave.
Ana Maria Machado publicou esse livro em 1983 e até onde eu pesquisei não há registros de engasgos de maçãs ou suicídios relacionados a ele. Me desculpem, mas eu não podia ficar com isso engasgado. De todo modo, lembrem de ensinar aos filhos o que fazer caso se engasguem com maçãs, pipoca e injustiças.

PS- Esse não é meu livro favorito da Ana Maria Machado, devo ser sincera. Eu não tenho em casa, li certa feita na livraria e escolhi levar outros. Mas fiz questão de reler antes de escrever aqui e, de verdade, não o considero perigoso. Se uma criança consegue ler essa obra sozinha, confio que já tenha repertório suficiente para compreender a relação com a Branca de Neve. Se não, é uma excelente oportunidade para conversar”.

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Global Editora

“A Global Editora tem recebido algumas manifestações sobre a obra “O menino que espiava pra dentro”, de Ana Maria Machado. As mensagens acusam o livro de incitar o suicídio entre as crianças. Precisamente, trata-se do texto da página 23, em que o menino come uma maçã para ingressar no mundo dos sonhos – um processo poético para a criança entrar no mundo da imaginação.

Esclarecemos que as referências à maçã e ao fuso são alusões às histórias da Branca de Neve ou da Bela Adormecida e constituem parte integrante do universo da história, sustentando o argumento de que imaginar pode ser muito bom, mas a realidade externa se impõe. Conversar com os outros (como a mãe) é fundamental, e a afetividade que nos faz felizes está ligada a seres vivos e reais.

O livro foi publicado em 1983 e até o momento não havia despertado nada de negativo nessa área. Inclusive, trata-se de uma obra adotada em diversas escolas brasileiras.

Ana Maria Machado é considerada pela crítica como uma das mais versáteis e completas escritoras brasileiras contemporâneas, com mais de 100 livros publicados no Brasil e em mais de 17 países, somando mais de 20 milhões de exemplares vendidos. O seu carinho e cuidado com a educação de nossas crianças e a formação de leitores sempre foi sua prioridade. Portanto, em momento algum, escreveria algo que pudesse prejudicá-las. Todo o nosso apoio e carinho à Ana Maria Machado!”

A Fundação

Ana Maria Machado na foto de Bruno Veiga / Divulgação publicada junto com a matéria de O Globo

Ana Maria Machado na foto de Bruno Veiga/Divulgação publicada junto com a matéria de O Globo

“A FNLIJ ou Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil endossa, com ênfase, a declaração da Global Editora sobre o livro “O menino que espiava pra dentro”, de Ana Maria Machado. Ana Maria é uma de nossas maiores autoras, vencedora do Prêmio Hans Christian Andersen do IBBY e do Prêmio Ibero-Americano de Literatura Infantil e Juvenil da Fundação SM e referência na literatura para crianças e jovens no Brasil e no mundo”.

Fala de uma especialista

A gerente da Trupe Maria Farinha e especialista em literatura infantil, Sandra Franco Bittencourt, afirmou que:

“O livro, já com 35 anos, não incita a nada. Só o tratamento que estão lhe dando hoje é que incita a muitas ações: a de repensarmos a que estamos dando ouvidos e corda, a tomar cuidado com esses pequenos comentários. Olhares e leitura que tomam corpo e se tornam na cova para enterrar mais um livro de qualidade, enquanto muita porcaria higienizada e politicamente correta alcança nossos filhos/alunos e a eles é oferecida e consumida sem frutos, sem graça, sem glória, sem entrega, sem movimento.

35 anos de vida… Quantas crianças pensaram em prender a respiração, parar de respirar, como quem engasga com maçã, para ir pro mundo da imaginação? Cuidado Branca de Neve…”

O Globo

O caderno de Cultura do jornal O Globo, do dia 6 de setembro, trouxe matéria de Paula Autran sobre a polêmica, onde a autora Ana Maria Machado se manifestou:

“Estou chocada! Foi como se uma bigorna caísse na minha cabeça — disse a autora, ao tomar conhecimento da polêmica. — Até peguei o livro para reler, pensando que pudesse ter alguma frase infeliz. Mas que nada. É apenas a história de um menino cheio de imaginação que precisava de um amigo, e acaba ganhando um cachorro”. Leia mais: https://oglobo.globo.com/cultura/foi-como-uma-bigorna-na-cabeca-diz-ana-maria-machado-23047123#ixzz5QRzxbd00

Agora, está nas mãos dos professores

A imagem mostra os livros de Alexandre Rampazzo selecionados pelo PLND 2018

A imagem mostra os livros de Alexandre Rampazzo selecionados pelo PLND 2018

No dia 2 de setembro, saiu o resultado do PNLD (Programa Nacional do Livro e do Material Didático) e Literário. Foram selecionados 97 títulos didáticos, que servirão de base para as escolhas dos livros a serem adotados por escolas públicas de todo o país. E 704 obras literárias, que serão distribuídas a alunos da Educação Infantil, dos anos iniciais do Ensino Fundamental e do Ensino Médio. Cabe às escolas, agora, escolherem os livros com os quais os professores desejam trabalhar em 2019.

O PNLD é destinado a avaliar e a oferecer obras didáticas, pedagógicas e literárias, entre outros materiais de apoio à prática educativa, de forma sistemática, regular e gratuita, às escolas públicas de educação básica das redes federal, estaduais, municipais e distrital e também às instituições de educação infantil comunitárias, confessionais ou filantrópicas sem fins lucrativos e conveniadas com o poder público.

Esse programa distribui, em todas as escolas públicas da educação básica, livros didáticos e acervos de obras literárias, obras complementares e dicionários para uso do professor e do aluno em sala de aula. A cada ano, o programa atende a uma parte da educação básica: educação infantil, anos iniciais e anos finais do ensino fundamental e ensino médio. A cada três ou quatro anos, governo federal repõe as obras faltantes nas escolas, renovando todo o conjunto dos livros, de forma a atualizar os conteúdos.

As escolas terão duas semanas para avaliar o material aprovado nas diferentes disciplinas e escolher as coleções que mais se adaptam ao seu contexto. No caso das obras literárias, Clique aqui para ter acesso à lista das obras selecionadas.

Depoimentos colhidos em rede social

Alexandre Rampazzo, escritor e ilustrador – “Isso faz a roda girar em vários sentidos: produção dos autores, das editoras, mercado gráfico e principalmente o livro de literatura chegando aos leitores da rede pública. Agora são os professores da rede de escolas públicas que escolhem os livros que querem receber. Um caminho pra termos uma variada produção, chegando nas bibliotecas de todo país e principalmente, nas mãos dos alunos leitores”.

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Fabrício Valério, escritor – “Muito feliz com os selecionados no PNLD 2018. Espero que os professores e as professoras gostem deles tanto quanto eu gosto. Já é uma vitória, de todo modo. Viva!”

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Stella Maris Rezende, escritora – “A coragem das coisas simples’ e ‘As gêmeas da família’ foram aprovados no PNLD literário 2018. Agora é torcer para que sejam escolhidos pelos professores. Ou seja, a luta pela leitura literária continua. A luta pela arte, esse fascinante exercício de liberdade. Quem censura a arte tem medo das perguntas e das inquietações. No fundo, tem medo de si mesmo”…

Exposição “Pintando gatos”

Artistas plásticos, ilustradores e cartunistas estão encantando os amantes dos felinos e ajudando bichanos carentes.

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Os gatos são pura inspiração! É o que se poderá comprovar na Exposição “Pintando Gatos”, até 16 de setembro, na Cobasi Villa-Lobos, e de 17 a 30/9, na Cobasi da Rua Augusta, em São Paulo. A mostra reúne obras de mais de 50 artistas plásticos, ilustradores e cartunistas renomados. Os trabalhos estarão à venda para ajudar a ONG Amanimal (https://www.amanimal-ong.com), que tem sob seus cuidados mais de 200 gatinhos, vários deles abandonados e com idade avançada, com sérios problemas de saúde e deficiências físicas.

O time de talentosos artistas que mergulhou no fantástico e sedutor universo felino inclui: Mauricio de Sousa, Laerte, Marcelo Lopes, Clovis Vieira, João Alves, Lézio Júnior, Fernando Rodrigues, Junior Nascimento, Moacyr Torres, Jal Lovetro, Vicky Von Dorff e Priscila Vieira, dentre outros.

image001Mauricio de Sousa, inclusive, é um confesso apaixonado por animais, por isso, na exposição, estarão presentes desenhos do Bidu e do Mingau, personagens das consagradas histórias da Turma da Mônica. Também terá um cenário criado para sessão de selfies. A título de curiosidade: dois cães da família do artista frequentam diariamente os Estúdios Mauricio de Sousa.

O artista plástico João Alves estará na abertura da exposição retratando a gatinha Ághata Borralheira, protagonista do livro “Ághata Borralheira & Amigos Tocando Corações”. Ela ganhou uma homenagem na mostra devido ao seu carisma e missão: chamar a atenção para o encanto dos gatos pretos que, infelizmente, ainda são os mais abandonados nas ruas e esquecidos nos abrigos.

editadoA homenagem à Ághata Borralheira inclui ainda exposição de fotos e respectivo figurino de seu livro, além da exibição de alguns de seus filminhos que fizeram grande sucesso no facebook que leva seu nome.

Além desse rico cenário de cor e criatividade, os visitantes da exposição poderão conhecer, por meio de vídeo, os gatinhos da Amanimal que estão para adoção. A renda arrecadada com a venda das obras contribuirá para a construção de um abrigo com toda a estrutura necessária para dar qualidade de vida a tantos bichanos vítimas de maus-tratos e abandono que a fundadora da ONG, Doroti Bottoni, vem acolhendo ao longo da vida.

 

 

Vamos ouvir histórias !

Cia Arte de Compartilhar Histórias participa do projeto “Era Uma Vez”

thumbnail_Era uma Vez_ foto Athos Martins

A Cia Arte de Compartilhar Histórias participa do projeto “Era Uma Vez – Oficina de Contação de Histórias” no próximo domingo (2 de setembro), no Minas Shopping, em Belo Horizonte, à Avenida Cristiano Machado, 4000 no bairro União. A apresentação será a partir das 14h, no Piso 1, em frente à Livraria Leitura. Composta pelo contador de histórias Mário Alves e a cantora, compositora e multi-instrumentista Andressa Versi, a dupla vai apresentar “O alvo” e “O bicho mais poderoso”. O projeto é fruto da parceria do Instituto Gil Nogueira (IGN) com o Minas Shopping para incentivar a leitura.

Na oficina, as crianças e seus pais ou responsáveis podem interagir com os contadores e compartilhar momentos de muita diversão. Toda a programação é gratuita, mas as vagas são limitadas. Outras informações no site www.minasshopping.com.br e pelo telefone (31) 3429-3500.

“O alvo” mostra uma cidadezinha da Polônia do século 19, em que há um velho professor que ajuda as pessoas contando histórias. O que mais intrigava a todos é que ele sempre encontrava a história certa, para a pessoa certa, no momento certo. Um dia, um de seus alunos lhe pergunta como ele conseguia acertar tanto. É claro que o velho professor responde contando outra história.

O bicho mais poderoso narra a história de um gato muito curioso que resolve sair pelo mundo para descobrir qual é o animal que possui mais poder. De origem africana, a história é encantada com números de mágica, malabarismo, canções e objetos inusitados. E assim, brincando, se descobre que o maior poder é o da a capacidade de imaginar.

Mário Alves é pós-graduado em História pela UFMG e formado em contação de histórias pelo Instituto Cultural Aletria. Em 2013 criou a Arte de Compartilhar Histórias, empresa especializada no desenvolvimento de pessoas, líderes e equipes a partir de linguagens artísticas. Andressa Versi é cantora e compositora multi instrumentalista e musicoterapeuta formada pela UFMG. Desde 2013 se apresenta em vários palcos de Minas e do Brasil.

O Instituto Gil Nogueira é uma ONG qualificada pelo Ministério da Justiça como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Foi constituída, em 2006, com o objetivo de reduzir o analfabetismo funcional por meio da leitura, desenvolvendo ações junto à sociedade, como o projeto “Ler é Viver”, que já beneficiou mais de 57 mil crianças do ensino fundamental da rede pública de ensino do Estado de Minas Gerais. Ao longo dos seus 12 anos, mais de 1 milhão de livros foram lidos e interpretados em 55 escolas.

 “O Patinho Feio” volta ao palco com cenário e figurino renovados

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Tem novidade no palco do Teatro do Clubinho, no Londrina Norte Shopping, em setembro. O espetáculo “O Patinho Feio”, que foi encenado em novembro do ano passado no mesmo espaço, ganhou cenário e figurino novos e promete mexer com a emoção das crianças de todas as idades. A clássica história do filhote rejeitado pelos animais da floresta por ser diferente de outros patinhos será a atração no shopping londrinense até o final de setembro, sempre aos sábados e domingos, em sessões às 16h e 18h.

Em sua saga, o patinho acaba encontrando sua verdadeira essência, descobrindo que na verdade não é um pato e sim um cisne. Mais atual do que nunca, a fábula do dinamarquês Hans Christian Andersen trata de inúmeros problemas morais de forma divertida e lúdica, criando forte identificação com as crianças.
A peça, encenada pelos artistas da Companhia Curumim Açú e com produção da Atmosfera Eventos, é exclusiva do Teatro do Clubinho. A cada mês, um novo clássico mundial é levado ao palco do Shopping.

Os espetáculos apresentados no “Teatro do Clubinho”do Londrina Norte Shopping custam R$ 15 para crianças de 0 a 4 anos (elas devem estar acompanhadas de um adulto, que não precisa comprar ingresso). Pessoas com necessidades especiais também podem estar acompanhadas de um responsável ao custo único de R$ 15. Crianças acima de 5 anos pagam R$ 15. Os ingressos podem ser adquiridos no site sympla.com.br/teatrodoclubinho ou na bilheteria do teatro, a partir das 14h nos dias das apresentações.

Os esclarecimentos da editora

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Através do seu blog, a editora Companhia das Letras, publica hoje um texto para esclarecer a respeito do livro “Aparelho sexual e Cia” lançado em 2007 pelo selo juvenil do grupo editorial. O livro é da autoria de Zep, pseudônimo do suíço Phillipe Chappuis, com ilustrações de Hélène Bruller, e foi mostrado na última terça-feira, 28/8, no Jornal Nacional pelo candidato à Presidência do Brasil, Jair Bolsonaro (PSL).

O fato acendeu grande curiosidade em torno da obra pela recusa do editor William Bonner em deixar o candidato mostrar o livro no horário do jornal e deixou dúvidas _ tanto sobre os motivos do candidato querer mostrar o livro e se merecia mesmo ser rejeitado pelo jornalista _ o que a editora está esclarecendo no link que deixamos ao alcance do leitor caso ele se interesse por conhecer o livro e tirar suas próprias conclusões a respeito da polêmica: http://www.blogdacompanhia.com.br/conteudos/visualizar/Quem-tem-medo-de-falar-sobre-sexo