Leitura na era digital

Janaína Spolidorio *

 

Embora saibamos o quanto é importante ler e levantemos estandartes fortes estimulando os pais a incentivarem a leitura e também os professores a usarem mais em sala de aula, na verdade, ela permanece uma espécie de incógnita na educação tanto domiciliar quanto escolar.

A leitura fica ali, escondida no cérebro, e é difícil de avaliar. A leitura em voz alta não é a mesma leitura que temos em silêncio. O nível de entendimento é diferente, porque cada tipo de leitura (e não há apenas essas duas, há muito mais! )precisa de um treinamento diferente.

Não é porque uma pessoa esteja alfabetizada, que ela saiba ler. Ler envolve muito mais do que codificar. Precisa de memória de trabalho, atenção, conhecimentos prévios, vocabulário e uma lista tão extensa de requisitos, que daria vários capítulos de escrita.

A leitura é algo abstrato e pessoal. Só conseguimos avaliar o que podemos observar e ela fica ali, escondidinha. Poucos são os professores e pais que conseguem desvendá-la com sinais que a criança dá, porque ainda não temos instrumentos próprios para estimular a leitura ou mesmo para avaliá-la. Isso, porque pouco se estuda sobre ela na área da educação.

No ano 2007, a pesquisadora Maryanne Wolf lançou seu livro sobre história e ciência por trás do cérebro que lê. Quando o fez, olhou ao seu redor e notou que algo faltou em sua edição. O mundo estava ficando cada vez mais digital, mas ela não tinha considerado o impacto do digital na leitura e uma nova jornada começou para ela.

Atualmente, M. Wolf é uma das poucas especialistas no assunto de leitura que merecem a leitura. E não é porque o seja, que a leitura de seus livros é fácil! Ela entra fundo no assunto, inclusive do ponto de vista neurológico. Sua nova jornada para pesquisar sobre a leitura na era digital levou quase uma década e finalmente, em 2018, ela lançou seu livro sobre o assunto, que agora recebe traduções em vários idiomas, inclusive para o português.

O livro “O cérebro no mundo digital” (original “Reader, come home”: The Reading Brain in a Digital World) traz assuntos muitíssimo pertinentes como o que acontecerá com a geração nascida imersa em um mundo digital, o quanto a criança pode ser exposta aos aparelhos e o impacto do tempo que ela fica, o que muda na educação e muito mais. Destaque para o capítulo seis, que fala sobre o uso de aparelhos desde quando somos bebês até os cinco anos de idade e o que muda no cérebro por causa desta exposição ao eletrônico.

É uma obra de dois Cs: completa e complexa. Traz estudos que ela fez e considerações e exemplos pessoais bem interessantes e vale muito a leitura de quem se interessa pelo assunto.

Só para entender melhor, cada leitor é próprio e único. Quando uma pessoa lê, ela desenvolve circuitos novos de leitura em seu cérebro, que mexem com elementos como a multitarefa, a rapidez na leitura e o lidar com as distrações. Os aparelhos interferem no modo como a leitura era processada até antes de seus estímulos e, em um adulto, o efeito é diferente das crianças.

No período de infância, até os cinco ou seis anos, a criança sempre viveu em dois mundos: um real e um imaginário. Atualmente, ela lida com um terceiro mundo, que é o digital.

Segundo estudos, o uso de aparelhos em excesso pode interferir em um ou dois mundos da criança. O mais preocupante, do ponto de vista leitor, é que o uso exagerado de telas tenha o poder de inibir o desejo natural das crianças de explorar o mundo ao seu redor.

O mais preocupante em tudo isso, é que cria nelas um tipo diferente de aborrecimento que elas não tinham antes da era digital. Este novo aborrecimento, ainda em fase de pesquisas, por ser tão recente, inibe algo importante e que faz parte de nossa humanidade: a criatividade.

Criança que não brinca explorando mundos imaginários tem sua capacidade de criar comprometida. Nos aparelhos tudo já está pronto. Dá ideias às crianças sim, mas de modo superficial e o digital não é real: nem sempre aplicável à realidade.

A capacidade de criar impacta em várias áreas, mas no caso da leitura, ajuda com a profundidade. Há níveis dentro da leitura que são adquiridos ao longo da vida. Parte deles se dá devido ao poder que temos no cérebro de imaginar. O imaginar permite ir além do que se lê e criar estratégias leitoras como a inferência, por exemplo.

Segundo Maryanne Wolf, ainda há a necessidade de usar os livros impressos com os pequenos, porque eles causam experiências táteis importantes e que irão contribuir para eles como futuros leitores. Não é questão de tirar o aparelho dos pequenos, mas sim de saber dosar. Durante várias vezes no livro ela afirma que não é contra o uso das telas, mas é preciso saber as consequências e ter consciência do quanto pode prejudicar ou ajudar.

No Brasil temos dificuldades imensas já com a leitura impressa. Devemos nos voltar mais para a questão leitora, agregando também conhecimentos sobre a leitura na era digital, mas com moderação! A leitura digital engloba habilidades diferentes da analógica e, portanto, irá precisar de novas estratégias de intervenção das escolas. Esta é uma questão nossa, porque cada idioma tem suas necessidades e particularidades, inclusive, no quesito leitura.

Questões sobre como a leitura digital influencia na leitura analógica ou até na forma biológica de processar a leitura, sobre como estimular e avaliar a leitura nas escolas, sobre como balancear leituras de modo saudável para o cérebro leitor são importantes para desenvolver bons trabalhos em sala de aula. Também para um começo de questionamento das famílias sobre o quanto a criança fica exposta ao digital.

A leitura é uma espécie de ferramenta que desenvolvemos ao longo dos séculos entre os humanos. Embora pouco explorada, pode ter sua capacidade muito ampliada, inclusive, com o estímulo digital. O livro de Maryanne Wolf nos norteia para o assunto e traz, com certeza, questões que antes não eram consideradas.

Nos resta, agora, começar a virar o olhar mais para a leitura de nossas pequenas futuras grandes pessoas, em processo de aprendizagem em aula, e além de incentivar, pensar também na qualidade de estímulos que estão recebendo e o quanto estamos contribuindo para sua formação real.

Decodificar não é ler, passar os olhos não é entender. Antes pensávamos em letramento, que é a capacidade de ler interpretando socialmente os textos e imagens. Hoje, talvez, tenhamos um neologismo para esta capacidade, que é o biletramento, ou seja, a capacidade de ler analógica e digitalmente textos e imagens.

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*   Pedagoga.

O artigo foi baseado no livro “O cérebro no mundo digital” da pesquisadora Maryanne Wolf, Editora Contexto

“Era uma vez”

Neste domingo, 19/5, o Projeto de contação de histórias, que busca incentivar a leitura entre as crianças, vai apresentar uma fábula de Rubem Alves.

Foto/Divulgação: Athos Martins

Foto/Divulgação: Athos Martins

O projeto “Era Uma Vez – Oficina de Contação de Histórias”, realizado todos os domingos no Minas Shopping, vai apresentar, no dia 19 de maio, as histórias “A menina e o pássaro encantado” e “O Palhaço”. O público irá conferir uma apresentação recheada de musicalidade, além de brincadeiras e contos cheios de confusões e surpresas, com o contador de histórias Mário Alves e a cantora, compositora e multi-instrumentista Andressa Versi, ambos da Cia Arte de Compartilhar Histórias.

A contação é fruto da parceria entre o Minas Shopping e o Instituto Gil Nogueira (IGN) para incentivar a leitura, em um mundo que se torna cada vez mais digital. A dupla irá se reunir com as crianças e seus responsáveis a partir das 14h, no Piso 1, em frente à Leitura. Toda a programação é gratuita, mas as vagas são limitadas.

“A menina e o pássaro” narra a história de uma menina que tinha como seu melhor amigo um pássaro, que era livre, e justamente por ser livre ela não sabia quando ele voltaria novamente. A menina sentia muita falta do amigo e, à medida que sua saudade aumentava, ele ficava cada vez mais encantado. A cada retorno do pássaro ele trazia uma porção de histórias. O conto, que foi a primeira história infantil escrita por Rubem Alves, fala sobre emoções e momentos presentes na vida de todas as pessoas.

Já a segunda história, “O Palhaço”, narra a trajetória de um palhaço que não gostava do próprio nariz até que um dia ele descobre o país da Narizolândia. Na apresentação do conto, a dupla traz uma contação recheada de musicalidade, em que as crianças são envolvidas no universo mágico do circo. Ao mesmo tempo em que se divertem, os pequenos também aprendem, e isso tudo com o acompanhamento dos pais ou responsáveis.

Minas Shopping – Avenida Cristiano Machado, 4000 – União – Belo Horizonte

Telefone: (31) 3429-3500 – Site: www.minasshopping.com.br

A hora e vez do Jabuti

Estão abertas as inscrições abertas para a 61ª edição do mais tradicional e prestigiado prêmio literário do Brasil.

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Até o dia 28 de junho, editores e autores brasileiros poderão inscrever suas obras na 61ª edição do Prêmio Jabuti. Realizado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL), o Jabuti confere aos vencedores o reconhecimento da comunidade intelectual brasileira, do mercado editorial e principalmente dos leitores. Serão 19 categorias e um vencedor do Livro do Ano.
Nesta edição, os quatro eixos permanecem organizados em: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação. Algumas atualizações foram realizadas para que o Prêmio seja cada vez mais abrangente e alinhado ao leitor e ao mercado:

  • As categorias Infantil e Juvenil foram separadas.
    • Livros de documentário e reportagem passam a ser inscritos junto à categoria Biografia, e não mais na de Humanidades.
    • A categoria Tradução, alocada no eixo Literatura em 2018, a partir desta edição passa para o eixo Livro.
    • A categoria que foi lançada como Formação de Novos Leitores ganha novo nome, a partir desta edição, Fomento à Leitura, para abranger projetos que vão além formação, mas para todas as atividades de promoção da Leitura.
    • Coletâneas compostas por textos não inéditos só poderão ser inscritas nas categorias que compõem os eixos Livro – Capa, Ilustração, Impressão, Projeto Gráfico e Tradução – e Inovação – Fomento à Leitura e Livro Brasileiro Publicado no Exterior.
    • Outra novidade é que o Prêmio Jabuti passa a ter duas listas fases de finalistas. Na primeira, serão divulgados pela CBL os dez finalistas para cada uma das 19 categorias. Em um segundo momento, a CBL fará o anúncio dos cinco finalistas.
    • Os primeiros colocados em cada categoria, como ocorre desde o ano passado, serão revelados somente no dia da cerimônia de premiação. Apenas a auditoria Ecovis Pemon terá acesso aos resultados.

A estrutura de eixos e suas categorias para este ano

Eixo Literatura (sete categorias): Conto; Crônica; HQ; Infantil; Juvenil; Poesia e Romance.
Eixo Ensaios (cinco categorias): Artes; Biografia, Documentário e Reportagem; Ciências; Economia Criativa e Humanidades;
Eixo Livro (cinco categorias): Capa; Ilustração; Impressão; Projeto Gráfico e Tradução;
Eixo Inovação (duas categorias): Fomento à Leitura e Livro Brasileiro Publicado no Exterior.

O vencedor do Livro do Ano do Prêmio Jabuti 2019 será escolhido entre as obras vencedoras dos eixos Literatura e Ensaios.
O formato de envio para obras concorrentes nas categorias dos eixos Literatura e Ensaios permanece em arquivo PDF. Apenas para o eixo Livro, será necessário o envio de exemplares físicos, conforme instruções descritas no Regulamento.

Valor das inscrições para obras individuais

• R$ 285,00 para associados da CBL;
• R$ 327,00 para autor independente, ou seja, autor (Pessoa Física) que se autopublica e não está abrigado por nenhum selo de editora ou quaisquer Pessoas Jurídicas;
• R$ 370,00 para associados de entidades congêneres;
• R$ 430,00 para não associados.
Valor das inscrições para coleções:
• R$ 440,00 para associados da CBL;
• R$ 457,00 para autor independente;
• R$ 475,00 para associados de entidades congêneres;
• R$ 515,00 para não associados.

Premiações

Cada um dos autores e editoras vencedoras recebem a estatueta do Prêmio Jabuti.
Ao autor, caberá também uma premiação em dinheiro:
Vencedor de cada uma das 19 categorias: R$ 5.000 (Cinco Mil Reais)
Vencedor do Livro do Ano: R$ 100.000,00 (Cem Mil Reais).
“Entendemos que o prêmio pode ampliar o seu alcance sempre, como um farol sobre a melhor literatura produzida no país e ter reforçado seu caráter de mediador, de fomentador da leitura, nos mais diversos aspectos, gêneros e gostos. Quis formar um conselho de editores que se complementam nas múltiplas experiências: acadêmica, literária, infantil, juvenil, em tradução e edição dos gêneros que compõem o escopo editorial do Prêmio”, comenta Pedro Almeida, Curador do Prêmio Jabuti.

Ao lado de Almeida, fazem parte do Conselho Curador do Jabuti 2019
Camile Mendrot (AB Aeterno Produção Editorial)
Mariana Mendes (Canal Bondelê)
Cassius Medauar (Editor -Editora JBC)
Marcos Marcionilo (Sócio e Publisher da Parábola Editorial)

Indicação de Jurados

O mercado editorial e os leitores podem fazer indicações ou se candidatar para integrar o júri de cada categoria da premiação. O Conselho Curador será responsável pela verificação, seleção e complementação do corpo de jurados. O corpo de jurados terá 57 integrantes, sendo três para cada categoria. Cada jurado deverá escolher 13 obras e terá dois meses para análise e atribuição das notas. O período de Consulta Pública para indicação de jurados é de 16 de maio a 16 de junho.

Como concorrer

Poderão concorrer ao Prêmio Jabuti obras inéditas com ISBN e Ficha Catalográfica, impressas ou digitais, publicadas em língua portuguesa no Brasil, em primeira edição, entre 1o de janeiro e 31 de dezembro de 2018.

Na categoria Fomento à Leitura, podem ser inscritas iniciativas realizadas por pessoa física ou jurídica. O período da ação a ser analisado pelos jurados será de 1o de janeiro e 31 de dezembro de 2018.

A autoria da obra deverá ser de autor(es) brasileiro(s) nato(s), naturalizado(s), ou estrangeiro(s) com residência permanente no País.
Coletâneas compostas por textos não inéditos só poderão ser inscritas nas categorias que compõem os eixos Livro e Inovação.
As inscrições vão de 16 de maio a 28 de junho de 2019 e podem ser feitas por meio do site www.premiojabuti.org.br

www.premiojabuti.com.br (onde está disposto o regulamento completo da premiação).

 

Homenagem ao clássico autor infantil Dr. Seuss

O “Family Day 2019”, da escola canadense Maple Bear, em Belo Horizonte, terá como tema “Celebrating Dr. Seuss”. Para o dia serão realizadas diversas oficinas, leituras dinâmicas e exposição dos trabalhos dos alunos para os visitantes. A comemoração visa estreitar os laços com a família e trabalhar a imaginação e a criatividade com o suporte das obras de Theodor Seuss Geisel.

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No “Family Day 2019”, a Maple Bear Canadian School homenageia um dos mais importantes autores infantis do mundo com o tema “Celebrating Dr. Seuss”. O evento, destinado a alunos e seus familiares, acontece no dia 18 de maio, nas três unidades de Belo Horizonte e Nova Lima e tem como objetivo trazer a família para dentro do ambiente escolar de modo dinâmico, abordando o universo mágico da literatura e personagens de Dr. Seuss.

O autor norte-americano Theodor Seuss Geisel, ou simplesmente Dr. Suess, como é conhecido, lançou mais de 50 livros infantis, sendo reconhecido no mundo todo pelas rimas criativas e engraçadas. No Brasil, seus livros mais conhecidos ganharam o coração das crianças e as prateleiras das bibliotecas. Os mais conhecidos são “Horton choca o ovo”, “Como o Grinch roubou o Natal” e “O Gatola da cartola”, três obras que foram adaptadas ao cinema, ganhando uma popularidade ainda maior.

Com oficinas diversas, leituras dinâmicas e exposição dos trabalhos dos alunos aos visitantes, o Family Day é uma oportunidade para que os pais conheçam um pouco mais do dia-a-dia das crianças, da metodologia canadense perpetuada pela Maple Bear e do trabalho do escritor. “A família e a escola formam uma equipe. Deste modo, através do Family Day temos a oportunidade de passsar o trabalho de um autor tão influente, que trouxe muita diversão e conhecimento para os nossos alunos, além de conseguir levar um pouco dessa magia para as famílias também” explica a coordenadora Marina Muzzi.

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A Maple Bear despontou no cenário mineiro há pouco mais de uma década e já se consolidou como uma das melhores escolas do estado, com duas unidades em Belo Horizonte, uma no Santa Lúcia e outra no Gutierrez, além de uma em Nova Lima, no Alphaville – Lagoa dos Ingleses. A escola adota a metodologia canadense, referência em todo o mundo, e oferece a educação trilíngue, na qual as crianças são alfabetizadas em duas línguas, o português e o inglês, e, a partir do sexto ano, também têm aulas de francês, como terceiro idioma. A Maple Bear segue o calendário brasileiro e os programas educacionais brasileiro e canadense, contemplando todos os conteúdos programáticos da educação brasileira até o 9º ano do ensino fundamental.

Endereços da escola em Belo Horizonte

Unidade Santa Lúcia: Rua Dr. Armando Duarte, 61

Unidade Infantil Cônego Rocha – Rua Cônego Rocha, 197 – Gutierrez

Unidade Alphaville Lagoa dos Ingleses – Av. Regent, 400 – Nova Lima (foto)

“O livro acolhe, abriga e ensina”

Terceira fase da campanha conta com apoio de livraria e instituições de ensino de Belo Horizonte. Ação de arrecadação de livros para instituições e entidades já distribuiu mais de 390 mil exemplares no estado e vai até o dia 31 de maio.

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Fotos: Divulgação SetraBH

Fotos: Divulgação SetraBH

A campanha “O livro acolhe, abriga e ensina”, promovida pelo Setra BH (Sindicato das Empresas de Transporte e Passageiros de Beagá), está em sua terceira etapa de recolhimento de doações em 2019. O objetivo é arrecadar livros para implantação de bibliotecas comunitárias na capital mineira. Nesta nova fase, que vai até o dia 31 de maio, a ação tem um grande apoio da Livraria Leitura, que disponibiliza caixas da campanha para receber as doações em todas as lojas da rede em Belo Horizonte e na região metropolitana. Importante ponto para recolhimento de livros, a livraria recebe todos os dias amantes da leitura e, com isso, dissemina a proposta da campanha a essas pessoas que, além de adquirir seus novos livros, podem doar a quem não tem fácil acesso a eles.

Além do apoio da Leitura e da população, diversas instituições de ensino da capital como o Colégio Santo Agostinho, Colégio Magnum Cidade Nova, Faculdade Pitágoras – Unidades Antônio Carlos e Venda Nova e Universidade FUMEC também estão colaborando. Todas elas já estão fazendo a captação das doações de livros com a comunidade escolar: pais, alunos e professores. A ideia é inspirar o corpo docente das escolas a desenvolver um trabalho de conscientização social com os alunos e familiares, para que compartilhem o acesso aos livros com outras crianças que não têm a mesma facilidade.

O recolhimento dos livros na capital continua sendo realizado por meio do Sistema de Transporte Coletivo por Ônibus de Belo Horizonte para a coleta dos livros doados pela população, utilizando sua frota de quase 3 mil ônibus, estações do sistema BRT Move e BHBus, garagens das empresas e da sede do SetraBH, da mesma forma que ocorreu nas outras fases em 2016, 2017 e 2018.

Nas outras fases, a campanha “O livro acolhe, abriga e ensina” já arrecadou mais de 390 mil livros entre obras literárias, didáticas e religiosas, que foram entregues à 620 entidades e instituições cadastradas, beneficiando assim mais de 235 mil pessoas. O SetraBH disponibiliza link para que os doadores da campanha e a população possam acompanhar os resultados: www.olivroacolhe.com.br

Pesquisa: para que biblioteca nas escolas?

O Instituto Pró-Livro (IPL) lançou a pesquisa “Retratos da leitura – Bibliotecas escolares” na sede do Insper, em São Paulo, em 23 de abril, Dia Mundial do Livro. Levantamento contou com a participação de gestores, professores e bibliotecários de quase 500 escolas públicas do Brasil para analisar o impacto das bibliotecas nas aprendizagens dos alunos. Com o estudo, o IPL visa oferecer indicadores para avaliar o impacto de bibliotecas escolares e espaços de leitura na aprendizagem dos alunos, se garantidas determinadas condições de funcionamento. Leia abaixo os relatos sobre a pesquisa.

 

Primeira parte

A apresentação inicial foi feita por Zoara Failla, coordenadora do Instituto Pró-Livro (foto), que abordou em sua fala os principais dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil e do Censo, todos eles relativos a bibliotecas escolares.

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Para que biblioteca nas escolas? Sim! É uma pergunta provocativa. Mas, talvez, tenhamos que revisitar as perguntas e as respostas relacionadas a esse assunto. O receio é que alguém responda que precisamos de quadras de futebol, fanfarras/bandas e laboratórios de química, e não de bibliotecas. Nada contra os laboratórios de química, as quadras e as bandas ou fanfarras, mas e os livros? Onde ficam? Pior será ouvir como resposta: para que livros se temos a internet?

Sim! A alegação é provocativa, mas também serve para revisitarmos nosso discurso. Talvez seja tão óbvio para nós sua importância que descuidamos dos argumentos para sua defesa.Talvez, uma visita ao significado e às representações que temos sobre as bibliotecas possam renovar nossas teses ou trazer outras ainda mais contundentes.

Mas o presente nos chama: um programa de distribuição de livros para bibliotecas (PNBE) foi interrompido, em 2015, sob a alegação de que os livros ficam em caixas e que não são lidos… Isso significa que as obras literárias não chegaram até as silenciosas bibliotecas? Ou será que as bibliotecas não “chegaram” às escolas?

Números do Censo Escolar do MEC, de 2017, nos dizem que 61% das escolas públicas do ensino básico (88,3 mil instituições), não têm bibliotecas ou salas de leitura instaladas. Será que isso explica por que os livros ficam nas caixas? Provavelmente, sim! Mas não deixa claro se eles teriam sido lidos se estivessem fora delas. Essa questão envolve outras condições que necessitam ser avaliadas.

A pesquisa Retratos da Leitura – Biblioteca escolar, lançada pelo Instituo Pró-Livro, no dia mundial do livro (23 de abril), não pretende responder a essa última questão, por enquanto. Mas teve como motivação descobrir se, quando instaladas, bibliotecas ou salas de leitura, são importantes para a aprendizagem ou a performance dos alunos. Tudo isso, claro, se garantidas determinadas condições de uso e de funcionamento desses espaços.

Vou responder à primeira questão: para que bibliotecas nas escolas? E, ainda, para que livros?

E responder com muita precisão ao correlacionar dados da pesquisa com indicadores de avaliação do SAEB (Sistema de Avaliação da Educação Básica) e do IDEB (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica).

A pesquisa foi encomendada pelo Instituto Pró-Livro, que está interessado em responder a essas questões  e motivado, também, pela meta do Plano Nacional de Educação 2014-2024 (PNE), que estabelece a universalização das bibliotecas, em todas as escolas de ensino básico, até 2024 e pela Lei nº 12.244, de 2010, que prevê a universalização das bibliotecas escolares, até 2020.

O levantamento foi aplicado em quase 500 escolas, em 17 estados brasileiros, e respondida pelo dirigente, um professor de português e o responsável pela biblioteca ou sala de leitura da escola.

Com um questionário de mais de 60 questões, a OPE Sociais foi a campo para fazer as entrevistas nas escolas, no segundo semestre de 2018. O objetivo era conhecer, segundo a avaliação ou a percepção dos entrevistados, como as bibliotecas e salas de leitura estão instaladas e funcionando em escolas públicas do ensino básico com alunos do 5o ano do ensino fundamental 1.

A amostra foi definida por pesquisadores do Insper, que selecionaram escolas com bibliotecas ou salas de leitura onde os alunos conseguiram as melhores notas em português na Prova Brasil (2015).

Sim, foram escolhidas as melhores e com bibliotecas/salas de leitura, pois queríamos saber se essa condição poderia explicar o melhor resultado nas provas em português. Foi uma análise complexa, entregue aos pesquisadores do Insper, que conseguiram fazer essa correlação.

Eles também identificaram a situação socioeconômica dos alunos dessas escolas para verificar se a situação de vulnerabilidade das escolas criam alguma variação no impacto dos atributos da biblioteca nos resultados das avaliações. (Zoara Failla , Coordenadora da pesquisa Retratos da Leitura e do Instituto Pró-Livro).

Segunda parte

Sergio Firpo, (foto), que comandou a equipe do Insper envolvida na análise dos dados levantados pela pesquisa de campo realizada pela OPE Sociais, interpretou alguns dados preliminares do novo estudo: a Retratos da Leitura em Bibliotecas Escolares. Ele destaca as principais descobertas e conclusões do estudo.

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Encontramos uma relação positiva entre existência de bibliotecas escolares (ou salas de leitura) e o desempenho escolar em português e matemática no 5o ano do ensino fundamental. Essa relação é mais forte quanto mais vulnerável é condição socioeconômica da criança. Essa evidência, obtida por meio de dados secundários, nos levou a buscar entender quais aspectos da biblioteca estariam mais fortemente correlacionados com desempenho escolar. Investigamos, por meio de uma pesquisa nas escolas, como as condições de funcionamento, de espaço físico, de atendimento, do acervo, de integração com currículo e do uso de tecnologias se relacionam com desempenho escolar.

Se compararmos a pior com a melhor escola com relação ao funcionamento da biblioteca, o desempenho em português aumenta 5 pontos na escala SAEB, o que equivale a meio ano de aprendizado entre o 5º e 9º anos.

A escola com melhor avaliação do espaço físico da biblioteca tem um IDEB 0,2 maior que a escola com pior espaço físico. Para efeito de magnitude, observa-se que o Brasil inteiro cresceu 0,3 ponto no IDEB entre 2015 e 2017. A mesma magnitude de correlação tem o indicador de uso da biblioteca, sendo que para as escolas mais vulneráveis, a correlação chega a 0,5 ponto no IDEB.

O resultado sugere que a presença de um responsável qualificado que cuide da biblioteca e participe de atividades pedagógicas é relevante no aprendizado. A magnitude do efeito em desempenho em português é de 4 pontos (SAEB), ou um terço de um ano de aprendizado entre o 5º e 9º anos. A relação é ainda mais forte nas escolas mais vulneráveis: 16 pontos (SAEB).

A presença de um professor que se envolva em atividades de pesquisa e leitura, e incentive os alunos a frequentarem a biblioteca aumenta o desempenho em português em até 7 pontos na escala SAEB, o que representa 63% de um ano de aprendizado. Também existe uma correlação alta e positiva do indicador com o IDEB, equivalente a duas vezes o que o Brasil cresceu em termos de IDEB de 2015 a 2017.

O indicador de acervo tem correlação positiva com desempenho (apesar de alguns casos estatisticamente não significantes) nas três medidas testadas.

  •     Em português: 6 pontos
  •     Em matemática: 10 pontos
  •     No IDEB: 0,4 pontos

O indicador de recursos eletrônicos (incluindo computador; tablet e internet) tem correlação positiva e significante de 9 pontos (SAEB) em português, 10 pontos em Matemática e 0,4 ponto no IDEB.

O indicador de coesão entre as avaliações dos atores (diretor, responsável pela biblioteca, e professor) sugere que estes concordam em grande parte em suas avaliações sobre as bibliotecas. Quando diretor e professor avaliam a atuação do professor em relação à biblioteca essa correlação, embora positiva, não é expressiva.

Quais pontos merecem destaque?

Encontramos relações positivas entre diferentes indicadores da qualidade das bibliotecas escolares com desempenho dos alunos em português e em matemática. Em todos os indicadores de qualidade temos forte e positiva associação com o IDEB. Vale a pena ressaltar que para escolas mais vulneráveis essas associações são ainda mais fortes.

Qual a importância da pesquisa no atual cenário da educação nacional?

A pesquisa sobre bibliotecas escolares, tanto no Brasil quanto internacionalmente, ainda tem poucos resultados consistentes. Neste estudo, contribuímos com mais elementos para esta literatura. Em termos de políticas públicas, não se pode estabelecer um efeito causal, porém, as correlações positivas recorrentes podem fornecer alguma intuição de que a presença de bibliotecas, por mecanismos que merecem ser mais bem estudados, pode estar ajudando aos alunos com desempenho e aprovação.

Neste estudo, a associação dos indicadores da biblioteca com desempenho escolar foi geralmente de maior magnitude nas escolas mais vulneráveis do que nas escolas menos vulneráveis. É difícil estabelecer o motivo, no entanto, esse efeito pode significar que nestas escolas um pequeno investimento em bibliotecas e livros podem significar um maior retorno em desempenho. (Sergio Firpo comandou a equipe que realizou a pesquisa Retratos da Leitura – Bibliotecas Escolares).

Leitura de qualidade é questão de treino

Conheça a história de João e Beatriz, que são crianças apaixonadas pelos livros, e confira as orientações de profissionais do colégio Bernoulli para a construção do hábito da leitura em crianças e adolescentes.

João Leão Araújo, aluno do Colégio Bernoulli, a irmã e os livros- Foto: Divulgação

João Leão Araújo, aluno do Colégio Bernoulli, a irmã e os livros- Foto: Divulgação

Em tempos de muitas distrações com jogos, games e redes sociais, o hábito da leitura vai ficando cada vez mais para segundo plano ou nem chega a ser construído na vida de crianças e jovens estudantes. Tem sido cada vez mais comum as pessoas dedicarem boa parte do tempo livre interagindo com celular ou tablet ao invés de livros. Não é o caso de João Leão de Araújo, 8 anos.

Apesar de gostar de ficar no computador, o aluno do 3º ano do Ensino Fundamental I do Colégio Bernoulli, de Belo Horizonte, é apaixonado por leitura e gosta de ficar o tempo livre estimulando a imaginação. João adora ler livros divertidos e que tenham uma moral da história ao fundo. Ele diz ter a coleção completa de O Diário de um Banana, do Capitão Cueca; tem vários exemplares da Turma da Mônica Jovem e da Marvel e adora livros que ensinam a montar Lego.

“Agora estou lendo, à noite, o livro Emocionário, que é como se fosse um dicionário de emoções. Eu adoro ler, mas no começo eu não gostava muito, porque eu achava que nunca ia conseguir. Eu lia pausadamente e em voz alta, mas com o tempo, passei a ler silenciosamente e com mais confiança. Brinco que agora meus pais até me pedem para eu parar de ler”, afirma.

A mãe de João, Fabiana Araújo, também é apaixonada por leitura e diz que lê para o filho desde quando ele era bebê. Fabiana repete a receita com a caçula, de 6 anos. “A gente sempre leu para eles. Temos muitos livros em casa e sempre compramos novos títulos. Uma vez fizemos uma feirinha de troca de livros com os amigos da turma do João e eles adoraram”, relata.

Beatriz Veronesi Boerger, 7 anos: “Gosto de ler porque dá para imaginar e descobrir mais coisas novas”- Foto: Divulgaação

Beatriz Veronesi Boerger, 7 anos: “Gosto de ler porque dá para imaginar e descobrir coisas novas”- Foto: Divulgação

Outra aluna do mesmo colégio, apaixonada por leitura, é Beatriz Veronesi Boerger, 7 anos, do 2º ano do Ensino Fundamental I. “Gosto de ler porque dá para imaginar e descobrir mais coisas novas”, conta. Renata Veronesi, mãe de Beatriz, lê para a filha todos as noites antes dela dormir.

“Tento trazer o livro como uma coisa prazerosa. Brincamos que vamos ler todos os livros da biblioteca da escola. Como ela ainda não tem muito dever de casa, dá para ler um livro todos os dias. Às vezes, lemos o mesmo duas ou três vezes seguidas. Esse é o momento que encontramos para ficarmos juntas e é quando uso a minha criatividade, apago a luz do quarto dela e ligo a lanterna do celular para contar as histórias e encenar as situações para ficar mais divertido”, descreve Renata.

Opinião dos especialistas

Para a professora de Português do colégio e pré-vestibular Bernoulli, Allana Matar, o hábito da leitura dos pais influencia diretamente na vida dos filhos. “Sabemos que as crianças e os adolescentes de hoje têm um ritmo puxado, mas o hábito da leitura é uma questão de treino e a escola e os pais têm um papel importante nesse aspecto. Como a criança vai desenvolver esse hábito se ela só vê os pais no celular?”

“Definir um momento de leitura em casa é muito bom para envolver os filhos. Por exemplo: fazer um momento aos domingos pela manhã em que todo mundo em casa vai ler, cada um o seu livro, jornal ou revista. E depois trocas as impressões. É muito divertido e funciona”, recomenda a professora.

Ela ainda lembra que o livro não pode ser tido como barganha ou punição. “Se você ler esse livro, eu vou ao parque com você. Já que você ficou uma hora no tablet, vai ter que ficar uma hora lendo. No início, essa troca pode até funcionar, mas não se sustenta. Os pais precisam criar metas realistas com os filhos e não adianta achar que eles vão encostar o celular e ficar só lendo. Deve haver um equilíbrio das duas partes”, afirma Allana.

Para o diretor Pedagógico Executivo do grupo Bernoulli Educação, Marcos Raggazzi, o processo de leitura é um dos mais complexos realizados pelo cérebro.

“Esse processo é fundamental para o desenvolvimento de conexões entre os neurônios, conexões muito específicas. O ato da leitura é algo imprescindível para o desenvolvimento de uma das habilidades mais requeridas no século 21, que é a criatividade. Quando uma criança desenvolve a leitura, ela imagina cenários, personagens, estabelece a capacidade de se colocar no mundo e no lugar do outro ou em um cenário específico. E ao imaginar, ao criar, ao ser transportado para outros lugares e outras realidades, o leitor então desenvolve essa capacidade de criar”, explica o especialista em psicanálise da criança e do adolescente, tecnologia educacional e neurociências.

“Bíblia do aprendiz”

Editora Paulus lança livro católico voltado para a catequese  infantil.

 

biblia_do_aprendiz_2Com linguagem simples e textos curtos, “Bíblia do aprendiz” traz 20 histórias bíblicas: desde a criação do mundo, passando pelo milagre do mar vermelho, até a morte e ressureição de Jesus. Os textos são de B. A. Jones e as ilustrações de CharleLiynch.

“No começo, Deus fez todas as coisas a partir do nada. Ele expulsou a escuridão criando a luz. Ele fez a terra e os céus, água e solo. Plantas brotaram do chão, enquanto pequenas e grandes criaturas se moviam em toda parte. Havia peixes no mar e pássaros no céu. Deus, então, criou Adão e Eva à sua imagem e semelhança. Por seis dias Deus trabalhou, no sétimo dia ele descansou. Por seu poder, todos as coisas foram feitas”.

É assim que o autor inicia a Bíblia voltada às crianças. Além das ilustrações que podem chamar a atenção dos pequenos, o livro vem com uma pequena alça, podendo carregá-lo facilmente.

As crianças poderão conhecer as seguintes histórias: Deus criou o mundo; A arca de Noé; A promessa de Deus a Abraão; José entende o sonho do faraó; Moisés e a princesa; O milagre no mar vermelho; Davi e Golias; Ester, a valente; Daniel e os leões; Jonas e o peixe grande; Jesus nasceu; Casamento em Caná; O buraco no telhado; Pão e peixe; Jesus acalma a tempestade; Jesus e as crianças; Acorde, garotinha; O pequeno homem na árvore; Jesus morre na cruz e Jesus vive.

O livro tem 40 páginas e custa R$ 30,00.

“Chuva de bruxa”

Bruxinhas se unem para salvar os bichinhos da floresta num livro infantil escrito pela contadora de histórias Luzimara Brandt.

 

thumbnail_1556116869930000_1646414968Quando a seca aperta, o que será que os bichinhos da floresta fazem? Como eles conseguem água? Você já pensou sobre isso? E já pensou que eles podem, de repente, receber a ajuda extra de… bruxinhas?

Pois é, um trio de bruxinhas se mobilizou para socorrer esses bichinhos na história contada por Luzimara Brandt, em “Chuva de bruxa”, livro que será lançado pela Páginas Editora, no dia 4 de maio, das 9h às 12h, no Sesc Palladium, em Belo Horizonte.

Luzimara, que é bióloga e contadora de histórias, baseou-se em parlendas (versos rimados e com temas infantis) que ela ouvia na infância, para escrever “Chuva de bruxa”. Por isso, o livro é todo em forma de versos rimados, muito próximos da linguagem oral. O recurso também facilita a memorização e é preferido pelas crianças.

O livro é ricamente ilustrado por Mariana Tavares, que traduz em imagens o reino dos animais da floresta e também a fantasia que permeia tudo o que envolve a palavra ‘bruxa’. Tem caldeirão, lua cheia, verruga, vassoura e tudo o mais…

Além de ser um livro que explora a linguagem e a imaginação, “Chuva de bruxa” traz importante mensagem ambiental sobre o quanto os seres vivos precisam e dependem da água para se manterem em equilíbrio e darem continuidade ao planeta Terra.

Informações: Páginas Editora – (31) 3412-5669

Importância da leitura para a criança *

mom reading to baby

O contato com os textos literários constitui a primeira aproximação de bebês e crianças muito pequenas com os textos narrativos mais complexos. Neste primeiro momento, o mais importante é o contato com a língua, com a sonoridade, sua musicalidade e a riqueza da construção de nossa linguagem verbal. Todas as crianças, sem exceção, gostam de ouvir histórias lidas por outras pessoas, porque fica mais fácil entrar na história ouvindo a leitura do livro do que lendo sozinhas.

Por outro lado, a leitura em voz alta implica em transmitir as imagens da história e a emoção da pessoa que lê. Por esse motivo, pode ser dito que a hora de leitura em voz alta de um livro é um momento para a despertar a imaginação, para vivenciar a tranquilidade e uma excelente oportunidade para estreitar vínculos interpessoais tanto para as crianças que não sabem ler como para as que já começaram sozinhas na leitura.

Além do desenvolvimento motor, a criança deve ser instigada à capacidade cognitiva, ou seja, a capacidade de interpretar os estímulos do ambiente para tomada de decisões. Por isso, é importante introduzir a leitura logo cedo.

É nesta fase que os livros tornam-se fortes aliados dos pequenos, ajudando-os a perceber a realidade que os cercam, ter contato com diversas experiências, aprender vocabulários e a ativar a imaginação. Nesse primeiro período, devido a criança ainda não ser capaz de entender o que está escrito, é necessário realizar a leitura passiva, ou seja, em voz alta. Dessa forma, os adultos irão intermediar o acesso dos pequenos aos livros por meio da fala, do diálogo, da interação e atividades lúdicas. Então conversem bastante, eles irão adorar.

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Para tanto, é interessante separar um momento e espaço para leitura.

O local deve ser silencioso, confortável e sem muitos objetos que possam tirar a atenção, principalmente quando se trata de bebês.

Esse tempo deve ser divertido e instigante para a criança, ela está conhecendo o mundo por meio das palavras.

Por isso, tenha cuidado para a “leitura” não se tornar “obrigação”, caso contrário, não lhe despertará o gosto pelos livros.

Faça do momento uma oportunidade para intensificar a relação da família com o pequeno. Aproveite para estimular o convívio social.

E se lembre de escolher materiais ilustrativos e descritivos. Deixe a criança tocar e apreciar o material, a fim dela se familiarizar com o livro.

Estimule sensações e demonstre entusiasmo com a leitura.

A contação de história é um momento de lazer, então crie vozes para os personagens e o narrador.

Father reading to baby on sofa

 Mais dicas

Confira algumas dicas simples que poderão contribuir para tornar a prática de ler para uma criança uma atividade agradável:

  1. Procure ler com frequência para a criança em casa;
  2. Estimule brincadeiras sobre o livro lido, como desenhar a cena que mais gostou ou utilizar bonecos para reproduzir a história;
  3. Utilize a história do livro para associar à vivência da criança, durante um passeio ao parque ou chamando a atenção para algo que apareceu no livro, como uma flor, ou um trem, para incentivar uma conversa sobre o assunto e explorar o conhecimento que adquirido pelo aluno com aquela leitura;
  4. Não force a criança a ler. Mesmo quando ele já está conhecendo algumas palavras é importante cultivar o momento da leitura com as crianças;
  5. Escolha livros com um conteúdo pelo qual as crianças se interessem, para proporcionar um momento prazeroso em família.

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A especialista  (veja abaixo *) ainda ressalta que é normal a criança pedir para os pais lerem o mesmo exemplar mais de uma vez.

O fato das crianças desejarem que o mesmo livro seja relido várias vezes é porque se sentem felizes e desejam vivenciar repetidamente a mesma experiência.

Reler para a criança faz com que o cérebro dela trabalhe ativamente e assimile o vocabulário mais facilmente.

*  As dicas foram preparadas por Mariana Bruno Chaves formada em Letras pela Universidade de São Paulo com pós-graduação em Arte-educação e Psicopedagogia e diversos cursos na área de Educação. Também é especializada em Literatura infantojuvenil e é responsável pelo desenvolvimento de material didático de Língua Pátria do Kumon.