“A história do esquilo Nutkin”

Clássico da literatura infantil inglesa foi escrito e ilustrado por Beatrix Potter há mais de cem anos. Edições Barbatana lança no Brasil.

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Passados 150 anos de seu nascimento, “Beatrix Potter é uma das vozes mais originais da literatura infantil, tendo realizado uma ruptura revolucionária ao tratar seus leitores sem condescendência nem qualquer vestígio de tatibitate ou concessão ao meloso”, como afirma a escritora Ana Maria Machado em seu livro Como e por que ler os clássicos universais desde cedo (Objetiva, 2002).

Como diz a importante escritora brasileira, “os animais na obra de Beatrix Potter são bem diferentes. Não são humanizados, embora vistam roupas. Mas comportam-se o tempo todo como os bichos que realmente são: a raposa quer comer a pata, o esquilo esquece onde enterrou as nozes para o inverno, o sapo que vai pescar quase é comido por um peixe grande, o coelho invade uma horta para roubar cenoura e por pouco não leva uma surra ou é apanhado para ir para a panela.

O que encanta é justamente a ironia divertida que perpassa as histórias, obtida com esse contraste entre as encantadoras aquarelas da autora que pontuam quase cada frase (em livrinhos pequenos que cabem nas mãos infantis) e a absoluta recusa de qualquer sentimentalismo.

Ler suas perturbadoras e atemporais histórias hoje, tão relevantes quanto quando as escreveu, há mais de cem anos, é um raro e prazeroso presente. Tão imenso quanto apreciar suas lindas e detalhadas pinturas.

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O esquilo

Era uma vez um esquilinho travesso, de nome Nutkin, seu irmão Twinkleberry e um grupo de esquilos vermelhos que precisava negociar com a coruja Velha Brown a permissão para coletar nozes em sua ilha. Tudo ia bem até que Nutkin começou a provocar a coruja “com vara curta”…

Além de “A história do esquilo Nutkin”, Edições Barbatana lançou também outro clássicos de autoria de Beatrix Potter:  “A história de Pedro Coelho”. Para adquirir o livro consulte o site www.edicoesbarbatana.com.br

Nesta edição de 64 páginas, o livro é publicado do modo como a autora o imaginou, com as aquarelas em página inteira dialogando pausadamente com os textos, em formato pequeno para caber nas mãos das crianças — o que por si só é uma novidade, porque não há atualmente edições brasileiras com esta característica fundamental.

A publicação de “A história do esquilo Nutkin”, obra até então inédita no Brasil, marca também a celebração dos 150 anos de nascimento de Beatrix Potter.

Voltado a crianças em fase de alfabetização ou já alfabetizadas, entre 5 e 7 anos, o que não impede que a leitura também seja divertida e recomendada para crianças menores, que realizem a leitura dos textos e imagens compartilhada com um adulto. Ou mesmo para nós, que somos bem maiores.

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A autora

Helen Beatrix Potter nasceu em nasceu em South Kensington, Middlesex (hoje Grande Londres), em 28 de julho de 1866, e morreu em 22 de dezembro de 1943, em Sawrey, Lancashire (hoje Cúmbria), também na Inglaterra.

Seu primeiro livro, “A história de Pedro Coelho”, foi publicado em 1902 pela editora britânica Frederick Warne & Co., após várias tentativas frustradas por diversas editoras da Inglaterra, tornando-se rapidamente um estrondoso sucesso, ao qual se seguiram mais de 20 livros que se tornariam clássicos da literatura infantil inglesa, como “A história do esquilo Nutkin”, de 1903.

Além de “A história do esquilo Nutkin”, Edições Barbatana lançou também outro clássicos de autoria de Beatrix Potter:  “A história de Pedro Coelho”. Para adquirir o livro, que custa R$ 30,00, consulte o site www.edicoesbarbatana.com.br

Setor editorial teve queda real de 5,2% em 2016

Editoras acumulam um recuo superior a 17% em dois anos consecutivos afetados pela crise econômica no país.

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Em 2016, o setor editorial brasileiro produziu 427,2 milhões de exemplares, vendeu 385,1 milhões e faturou R$ 5,27 bilhões. É o que mostra a nova edição da Pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (FIPE), a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Comparado a 2015, o faturamento total das editoras no ano passado apresentou crescimento nominal de 0,74%, o que significa um decréscimo real de 5,2%, levando em conta a variação do IPCA de 6,3% no período.

Apesar de menos acentuada que no ano anterior – quando alcançou a marca dos 12,6% negativos -, a queda em 2016 traz consequências expressivas para a indústria do livro que, em dois anos, acumulou uma redução de mais de 17% em termos reais.
Neste cenário, pesou o desempenho do segmento mercado, cujo faturamento de R$ 3,8 bilhões representou uma queda nominal de 3,3%. O número implica um recuo acentuado das vendas de livros específicas para o mercado nos dois últimos anos: considerando as performances consecutivas de 2015 e 2016, a queda real acumulada em valor é superior a 20%.

No caso das vendas para o governo, os números se mostram positivos tanto em termos de faturamento (R$ 1,4 bilhões, com aumento de 13,8%) quanto em número de exemplares vendidos, que cresceu 16,5% em 2016, indo para 156,8 milhões.

Voltando a analisar o faturamento com as vendas ao mercado, os subsetores de CTP (Científicos, Técnicos e Profissionais) e de Obras Gerais foram os que mais encolheram. Impactadas pela crise econômica nacional, as editoras de CTP tiveram uma queda nominal de 10,5% (e real de 15,85%) em valor, seguidas pelas editoras de Obras Gerais, que faturaram 4,8% a menos em termos nominais. O subsetor de Religiosos, que havia se mantido estável em 2015, também sofreu redução em valor (4,6%, nominal) no ano passado.

Na contramão dos índices negativos, aparece o subsetor de Didáticos, que, no mercado, ascendeu 3,7% (nominal) em faturamento, indo para R$1,4 bilhões.

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Produção

O total de exemplares produzidos caiu 4,4% em 2016.
Quanto à tiragem de obras lançadas, houve redução de 8,57% em 2016 (80.026.152 novos exemplares produzidos). Os subsetores de Obras Gerais e de Científicos, Técnicos e Profissionais (CTP) foram os mais contidos na produção total de exemplares (novos ISBN + reimpressões) no ano passado, reduzindo suas tiragens em 9,6% e 7,58%, respectivamente, em comparação a 2015. A pesquisa indica, ainda, que foram editados 51,8 mil títulos em 2016, dos quais 17,37 mil são novos.

Áreas temáticas

Entre as 24 áreas temáticas que o estudo abrange, estão em primeiro lugar as obras classificadas como Didáticas, com participação de 48,48% no total de exemplares produzidos em 2016. Na sequência, vêm os exemplares de Religião (20,79%), Literatura adulta (7,71%), Autoajuda (4,78%), Literatura Infantil (3,89%) e Literatura Juvenil (2,39%). Nesta lista, chama atenção o aumento da participação dos livros do gênero Biografia (1,2%), que tiveram um crescimento de 22,5% em exemplares produzidos em 2016 (5,14 milhões), e também a queda expressiva dos títulos de Medicina, Farmácia, Saúde Pública e Higiene, com redução de 4,3 milhões de exemplares produzidos em 2016 e uma participação de 0,93%.

Como o livro chega ao mercado

Com 119,4 milhões de exemplares vendidos (52,73% do total comercializado no mercado, excluindo-se governo), as livrarias se mantiveram como o principal canal de venda das editoras. Os distribuidores representaram a venda de 39 milhões de livros, o equivalente a 17,22%. O segmento porta a porta teve participação de 8,18%, com 18,5 milhões de livros. Já as livrarias exclusivamente virtuais apresentaram um crescimento em sua participação nas vendas em 2016, subindo de 1,97% para 2,43%, o que significa 5,5 milhões de exemplares vendidos.

A comercialização em igrejas e templos (4,88%), supermercados (3,44%) e escolas (2,5%) também tem relevância. A venda direta nos sites das editoras segue modesta, com participação de apenas 0,73% do total.

Produção digital

Pela primeira vez desde 2014, quando passaram a integrar a pesquisa, os dados referentes à produção de conteúdo digital das editoras não entrarão na edição. Os números sobre a produção de e-books no país ganham em 2017 um diagnóstico exclusivo – o Censo do Livro Digital, estudo inédito que realizará o mapeamento da produção digital brasileira.

Com apresentação prevista para o segundo semestre, o Censo do Livro Digital é mais uma parceria entre o Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL) e a Câmara Brasileira do Livro (CBL), com realização da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicos (Fipe/USP).

Confira aqui a pesquisa.

Como fazer 28% dos brasileiros gostarem de ler

Para formar novos leitores, é preciso não apenas incentivo, mas exemplo dentro de casa, diz especialista.

Segundo dados do Instituto Pró-Livro (IPL/2016), a leitura é um hábito de 56% da população brasileira. E o número parece não ter evoluído nos últimos anos: eram 55% em 2007 e 50% em 2011.  Para ser considerado um leitor, pela metodologia do estudo, é necessário ter lido ao menos um livro nos últimos três meses.

imagem_release_919275Segundo o gerente editorial da Editora Positivo, Júlio Röcker Neto _ FOTO _ para formar leitores é essencial entender o perfil de leitura do brasileiro e compreender quais são seus hábitos, para focar na criação de livros que se adequem à demanda dos cidadãos. Isso porque, enquanto 43% dos entrevistados alegaram falta de tempo para leitura, outros 28% (num universo de 5 mil pessoas), declararam – simplesmente – que não gostavam de ler. Ainda segundo a pesquisa, 42% dos entrevistados disseram ler a Bíblia, seguidos por livros religiosos, contos e romances (todos com 22%). Já os livros didáticos aparecem como leitura frequente de 16% dos entrevistados, enquanto os infantis de 15% do público.

“Fazer com que estes 28% desenvolvam o prazer pela leitura é um grande desafio para o país. Quanto mais cedo as pessoas criarem o prazer pela literatura, mais chances terão de se tornar um leitor assíduo e um cidadão mais crítico”, defende o especialista. Entre os benefícios da leitura, Röcker Neto cita o aprimoramento do vocabulário, a dinamização do raciocínio e da interpretação, além da aquisição de conhecimento e informação. “Ler, antes de tudo, é uma operação de percepção, em que estão envolvidos muitos processos: neurofisiológico, cognitivo, afetivo, argumentativo, simbólico (não necessariamente nessa ordem) – daí a complexidade e abrangência do conceito de leitura”, complementa.

Exemplo

Graduado em Letras, especialista em Leitura e Múltiplas Linguagens, e mestre em Literatura, Röcker Neto observa que um dos primeiros passos na formação de leitores é promover o acesso ao livro e estimular a leitura por meio do exemplo. “Facilite o acesso, levando os pequenos na biblioteca ou na livraria e deixe com que escolham o livro que desejam ler ou que querem que você leia para eles. Não se preocupe com o tema. A literatura é um espaço de fantasia, de liberdade, de imaginação. Leia para os pequenos, dê o exemplo em casa, e deixe que eles, mesmo que não alfabetizados, leiam para você, aproveitando para conversar sobre o tema e as ideias que surgem a respeito”, sugere.

Segundo o especialista, também é importante chamar a atenção para as imagens que estão nas obras, uma vez que, muitas vezes, sozinhas, elas contam uma outra história, estimulando a criatividade. Ele observa que, para criar o hábito, vale a pena desligar a televisão dez minutos mais cedo e ir para o quarto ler com as crianças, antes de dormir: “esse momento pode se tornar um tempo de convivência maravilhoso entre pais e filhos”, ressalta.

Para auxiliar aqueles que desejam compreender mais sobre a leitura e as diversas fases das crianças e jovens nesse universo, Röcker Neto apresenta uma sugestão de leitura para cada etapa de desenvolvimento:

Fases da formação do leitor

imagem_release_919504Pré-Leitor (entre 2 a 5 anos): Fase dos primeiros contatos da criança com os livros antes da alfabetização, quando o objeto livro e as imagens em situação começam a ser descobertas.  Sugestão de leitura: “O Encontro”, de Michele Iacoca (Ed. Positivo, R$ 39,80) – narrativa visual mostra o desenrolar de uma situação intrigante por meio do deslocamento de um personagem não identificado por diversos ambientes de uma casa. É um livro que exige a participação ativa da criança.

 

imagem_release_919510Leitor Iniciante (dos 6 aos 7 anos): Fase da aprendizagem da leitura; início do processo de socialização e de racionalização da realidade com que a criança entra em contato. Sugestão de leitura: “O leão e o pássaro”, de Marianne Dubuc (Ed. Positivo, R$ 44,30) – num dia de outono, o leão encontra perto de casa um pássaro machucado. Começa assim uma amizade. Um texto delicado, em que os ritmos da natureza e as estações do ano moldam o curso da vida e impregnam a relação desses dois seres.

imagem_release_919512Leitor em processo (8 aos 9 anos): Fase do domínio relativo do mecanismo da leitura e de agudização do interesse pelo conhecimento das coisas, com o pensamento lógico se organizando em formas concretas que permitem as operações mentais. Sugestão de leitura: “Visita à baleia”, de Paulo Venturelli (Ed. Positivo, R$ 39,80) – texto emocionante, em que os desejos e as dúvidas de um menino afloram por entre as frestas da imaginação.

imagem_release_919513Leitor Fluente (dos 10 aos 11 anos): Fase de consolidação do domínio da leitura e da compreensão do mundo expresso no livro. Sugestão de leitura: “Marcéu”, de Marcos Bagno (Ed. Positivo, R$ 44,30) –  com beleza e sensibilidade trata da relação de dois irmãos. O mais novo, que tem um contato íntimo com a natureza, morre em uma enchente. O mais velho, com a trágica experiência, amplia e aprofunda sua visão de mundo e de si mesmo.

imagem_release_919520Leitor Crítico (entre 12 e 13 anos): Fase de total domínio da leitura, da linguagem escrita, capacidade de reflexão em maior profundidade, podendo ir mais fundo no texto e atingir a visão de mundo ali presente. Sugestão de leitura: “Apenas Tiago”, de Caio Riter (Ed. Positivo, R$ 44,30) – Tiago é um jovem que foi abandonado pelos pais, vive com uma tia e é levado por más companhias. Trama envolvente à medida que propõe uma reflexão sobre quem realmente somos em situações adversas.

As bibliotecas comunitárias

Quando uma criança lê seus olhos dão vida a cada personagem, suas mãos deslizam suavemente por cada página e seu coração palpita a cada mudança na história. 

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De acordo com Mara Esteves, integrante da Brechoteca Biblioteca Popular e da Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias (RNBC), é importante estreitar os laços entre as crianças e o livro, ainda mais na infância, momento em que a visão sobre mundo é formada por meio de diversas interações seja nas relações familiares, no ambiente escolar e também com a literatura ou a contação de histórias.

“A leitura literária deve ser estimulada constantemente para que as crianças possam alimentar a sua imaginação, refletir e ampliar a sua percepção de mundo. Por isso, as bibliotecas da Rede Nacional atuam na formação de leitores e no incentivo à leitura na infância, com mediação de leitura, promoção do livro, um acervo literário de qualidade e espaços aconchegantes. Afinal é na infância que encontramos um período do desenvolvimento humano mais propício para a construção da cidadania, da formação de bons hábitos e da construção da identidade” afirmou Mara.

A Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias

Criada em 2015, a Rede Nacional está presente no país conta atualmente com 11 Redes Locais e 115 Bibliotecas Comunitárias localizadas nos estados do Pará, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Bahia, Minas Gerais, São Paulo, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro com o compromisso de crescer, articulando mais bibliotecas comunitárias para integrar a Rede Nacional e fortalecer o movimento de luta pela garantia do direito à leitura, ao livro, à literatura e às bibliotecas.

A Rede atua para promover ações de incentivo à leitura e à literatura como um direito humano, democratizar o acesso às bibliotecas e à cultura literária. A RNBC também se articula para a manutenção, o reconhecimento e a sustentabilidade de bibliotecas comunitárias, influenciar e construir políticas públicas do livro e da leitura no Brasil. O Instituto C&A oferece apoio técnico e financeiro à Rede Nacional de Bibliotecas Comunitárias.

A perspectiva da leitura como um direito humano e a importância da biblioteca comunitária como espaço privilegiado de garantia desse direito são a base do trabalho de formação de leitores e de incidência política das redes de bibliotecas comunitárias que integram a rede. O compromisso é de crescer, articulando mais bibliotecas comunitárias que desejem se integrar para fortalecer esse movimento de luta pela garantia do direito à leitura, ao livro, à literatura e à biblioteca.

Link: rnbc.org.br

‘Não leem livros, mas blogs. Não faz mal, interessa é que leem’

Apaixonada por livros, Cristina Puig (na foto abaixo) é co-fundadora da plataforma espanhola Boolino, um site que nasceu com o intuito de promover a leitura entre os mais novos. Defende que os pais devem dar o exemplo e ler para os filhos logo desde os primeiros meses de vida. Diz que aprender a ler é muito difícil, mas concentrar-se na leitura de um livro é ainda mais difícil. Foi uma das oradoras convidadas do 2º Congreso Internacional de Comprensión Lectora Infantil y Primaria, que decorreu durante o mês de março, em Espanha.

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Numa entrevista a Joana Capucho, do dn.pt, Cristina Puig explica por que as crianças leem pouco: “Temos de pensar de acordo com as idades. Quando falamos das crianças, de zero aos 6 anos, são os pais que leem. Não leem pouco, quem lê pouco são os pais. Nessa fase, as crianças adoram os livros, portanto, é um questão de passar mais tempo com eles. Dos 8 aos 12 anos, precisam de encontrar livros que gostem ou desejem ler. A leitura não é fácil, portanto, é preciso insistir, acompanhar as crianças, sentarmo-nos com elas a ler. Ler não é fácil, por isso é que muitas deixam de o fazer. A partir dos 12 anos, os adolescentes leem se os amigos à sua volta também o fizerem. Às vezes não leem livros, mas blogs. Se isto está mal? Não, o que interessa é que leem”.

No 2º Congreso Internacional de Comprensión Lectora Infantil y Primaria, Cristina falou sobre a mudança de hábitos nas crianças com apenas 10 minutos de leitura por dia. Mas, como é que isso se consegue? E ela respondeu: “Desde que nascem, começando com 10 minutos de leitura por dia. Mais tarde com 15 minutos e depois com tardes inteiras. Trata-se de adquirir o hábito de leitura. Ler é uma habilidade que se adquire e um hábito que se fomenta a cada dia. Aprender a ler é muito difícil, mas aprender a concentrar-se na leitura de um livro é ainda mais difícil”.

Cristina Puig também ressaltou que “ler ativa várias áreas cerebrais: a dos símbolos, a da matemática, a das emoções, a da consciência crítica… Não podemos não ler, não é uma opção. Segundo ela, o primeiro contacto com os livros deve surgir “desde sempre”. “Mas principalmente quando as crianças começam a manipular objetos com as mãos”. Para incutir o hábito da leitura nos mais novos, é importante que os pais também leiam com os filhos junto aos filhos, comprar livros… Os professores fazem esse trabalho, mas é em casa que este se torna mais importante. Se os pais não leem, os filhos também não vão ler, mesmo que os professores os tenham ensinado”.

A plataforma de leitura Boolino

Cristina Puig explicou que a criação do site Boolino veio da necessidade de, enquanto mãe, de saber que livros deveria comprar para os meus filhos. “A Boolino é o BookAdvisor de crianças e jovens leitores. Dependendo da idade das crianças e do seu comportamento, recomendamos os melhores livros. Além disso, temos planos de leitura para crianças de zero aos 8 anos e dos 8 aos 12 anos, que fomentam a leitura em casa, com ferramentas e jogos”.

Com essa experiência, ela recomenda o seguinte na hora de escolher e comprar um livro: “O melhor é ouvir os conselhos dos melhores especialistas, como livreiros e bibliotecários, e ouvir muitos, porque há certamente muitas propostas que não conhece e que vai adorar”.

Concluindo sua explanação, Cristina opina sobre como tem evoluído a relação das crianças e jovens com os livros nas últimas décadas. “As crianças têm muitas distrações e outras atividades de lazer, mas a leitura mantém, no entanto, um lugar importante na vida dos mais novos. Embora tenham que estudar muito e façam muitas atividades extracurriculares ainda se sentem atraídos pelos livros, desde que os vejam.

Quadrinhos são a novidade do Jabuti

Câmara Brasileira do Livro anuncia novidades para o 59º Prêmio Jabuti com duas novas categorias para este ano.
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A Câmara Brasileira do Livro (CBL), realizadora do Prêmio Jabuti – o mais tradicional e prestigiado do livro brasileiro, anunciou no mês passado Luiz Armando Bagolin como novo curador da premiação. Consagrado acadêmico da Universidade de São Paulo e responsável pela direção da Biblioteca Mário de Andrade entre 2013 e 2016, Bagolin chega para trazer uma visão atual e assumir novos desafios com o Jabuti.

Nesta edição de 2017, duas novas categorias se juntam às 27 já existentes: “História em Quadrinhos” e “Livro Brasileiro Publicado no Exterior”. Segundo o curador _ foto abaixo _ a criação dessas categorias demonstra esse novo momento que o prêmio e a literatura estão vivendo: “Existem várias formas de contar uma mesma história. Ela pode vir por desenhos, por palavras, em português, em outras línguas. O importante é valorizarmos todas essas formas de contar. Criar essas novas categorias era essencial para mostrarmos a força de nossa produção editorial, representada pela riqueza que o brasileiro produz”.

P1090236-300x300A “História em Quadrinhos”, que anteriormente era contemplada pela “Adaptação”, passa a ter uma categoria dedicada exclusivamente para ela. Poderão ser premiados livros compostos por histórias originais ou adaptadas, contadas por meio de desenhos sequenciais, definidas pela união de cor, mensagem e imagem. Por conta de sua criação, a categoria “Adaptação” deixa de aceitar história em quadrinhos.

Já a categoria “Livro Brasileiro Publicado no Exterior” vem para dar visibilidade à produção editorial brasileira que é promovida no exterior. Poderão ser inscritos livros de autor(es) brasileiro(s) nato(s)/naturalizado(s) publicado no exterior em primeira edição no período entre 1º de janeiro a 31 de dezembro de 2016, em qualquer gênero, ficção ou não ficção.

Para apoiar as definições e próximos passos do prêmio, Bagolin convidou quatro estudiosos do mercado editorial para formar seu conselho curatorial. Farão parte da nova equipe: Jair Marcatti, professor da Escola Superior de propaganda e Marketing (ESPM) e coordenador do Observatório de Economia Criativa da mesma instituição; Luis Carlos de Menezes, professor sênior do Instituto de Física da Universidade de São Paulo e Coordenador Acadêmico da Faculdade SESI/SP de educação; Pedro Almeida, Publisher, jornalista e professor de literatura; e Eduardo Jardim, filósofo, professor, autor, vencedor do Livro do Ano de 2016.

As inscrições para o 59º Prêmio Jabuti começam no próximo dia 18 de maio, e poderão ser realizadas diretamente pelo http://premiojabuti.com.br/.

 

“A menina que viu Deus”

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Fiquei muito feliz ao receber o livro infantil de Henrique Komatsu, que já conhecia como ebook “A menina que viu Deus”. No formato tradicional em papel, o livro vai ser lançado no próximo dia 18 de maio pela Editora Confraria do Vento, às 19 horas, na Livraria Tapera Taperá, Galeria Metrópole, na Av. São Luís, 187 Loja 29, 2º andar, em São Paulo. A obra ganhou ilustrações de James Kudo.

“A menina que viu Deus” é uma história delicada. Filósofo, o autor Henrique Komatsu constrói argumentos muito interessantes para responder à curiosidade infantil: a de uma menina, Aleteia, que quer descobrir quem é o Criador de todas as coisas, já que ela vê todas as coisas, mas não consegue ver Deus.

O autor cria duas montanhas, a Tristeza e a Alegria. Destaca que a maior delas é a Tristeza e com essas duas personagens, além de Aleteia e sua avó, encontra um caminho para mostrar para a criança como é Deus.

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“Existe no Oceano Pacífico uma ilha feita de duas montanhas. É como se alguém tivesse colado dois grandes montes de terra no meio do mar. A maior chama-se Tristeza e a menor, Alegria”.

“Dizem que há muitos anos a Alegrai era maior e mais alta que a Tristeza. Dizem também que, por causa de um terremoto, parte da Alegria caiu no mar e afundou, deixando a montanha do jeito que está hoje.

“Ninguém sabe se isso é mesmo verdade. Verdade é que ao pé desses dois cumes, exatamente, onde eles se encontram, moram uma menina chamada Aleteia e sua avó que são como as montanhas: duas pessoas que estão sempre juntas”.

Como a menina queria ver Deus e descobrir como era, sua avó, então, decide convidá-la para no dia seguinte, pela manhã, escalar a montanha maior, Tristeza, pois ao chegar ao cume certamente Aleteia iria se encontrar com Deus.

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“Aleteia quase não conseguiu dormir, pensando em como seria Deus, sua pele, seu rosto, seu cabelo. Pensou que talvez não fosse gente, fosse bicho, mas achou doidice… Imaginava-o com vários braços e vários dedos para conseguir fazer tudo o que existe no mundo. Deus provavelmente tinha asas e voava”…

Durante a escalada da montanha Tristeza, finalmente, Aleteia aprende a conhecer Deus. Como?

Parabéns, Henrique Komatsu por ter encontrado um caminho tão bonito para explicar Deus para esta menina curiosa. Este caminho vai ajudar muitos pais a fazerem o mesmo com seus filhos.

Projeto “Santa Leitura” na Pampulha

Santa Leitura no BosqueNeste domingo, dia 7 de maio, a partir de 10h, o “Santa Leitura” apresenta uma nova experiência. A convite da Eco Ações Unidas, o projeto estará ao lado da Igrejinha da Pampulha (Igreja São Francisco de Assis), na praça Dino Barbieri, em Belo Horizonte, e recebe o nome de “Santa Leitura no Bosque”. Todos estão convidados a curtir um domingo agradável em um ambiente arborizado e muito bonito.

Este encontro tem como foco as crianças, mas os adultos também poderão aproveitar, e contará com uma variedade enorme de livros de literatura infantil, além de vários contadores de histórias, escritores e educadores, entre eles, Pierre André, Patrícia Cinara, Vânia Bonadio e muitos outros!

Neste dia será inaugurada a lojinha do projeto que disponibilizará para venda algumas lembrancinhas com a logo do “Santa Leitura” como copos, xícaras e canetas. “Para ajudar na continuidade do projeto tivemos a ideia de produzir esses mimos, pois as pessoas, além de ajudarem, poderão levar uma lembrança do “Santa Leitura” para casa”, comenta Estella Cruzmel, idealizadora do projeto.

Sobre o projeto

O projeto “Santa Leitura” nasceu em 2010, no fundo de uma loja de moda feminina, no bairro Ipiranga, que a sua idealizadora possuía. “A biblioteca com o nome “Cantinho do Livro” tinha o intuito de prestar um serviço a mais para o cliente e para que eu pudesse ler nas horas vagas”, conta a artista plástica e idealizadora do projeto.

No início, fazia parte do acervo apenas os livros que ela tinha e cerca de outros cinquenta adquiridos. A biblioteca tomou um rumo repentino e passou a emprestar livros para toda a comunidade dos bairros Palmares, União, Cachoeirinha e Floresta. Com o passar do tempo novas aquisições eram feitas e muitas doações de livros também. “Com isso muitas pessoas, inclusive crianças, passavam na loja todos os dias e ficavam a tarde toda lendo”, comenta Estella.

Em meados de 2012, a convite de uma freira, Estella levou o projeto para a Comunidade Sagrada Família no bairro Taquaril, onde as pessoas mais carentes passaram a ter acesso à literatura. No primeiro domingo de abril de 2013 o projeto “Santa Leitura”, na Praça Duque de Caxias, em Santa Tereza teve início. “Comecei bem tímida, mas já sabendo da aceitação do projeto aluguei um cômodo próximo à praça para guardar todo o material. Em junho, o terceiro evento já era um sucesso absoluto e a praça estava repleta de pessoas”, destaca Estella. Hoje, em dias de “Santa Leitura”, a praça é motivo de orgulho para a comunidade, pois muitas famílias passam as manhãs de domingo com suas crianças contando histórias e incentivando a leitura. E é assim que o “Santa Leitura” cresce cada dia mais.

Uma tentativa de cura pela leitura

A jornalista Juliana Domingos de Lima, do jornal digital Nexo,  explica como funciona a biblioterapia.

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Em atividade desde o dia 1º de março, a clínica lisboeta The Therapist oferece vários tipos de tratamentos alternativos, da medicina chinesa à naturopatia (que engloba homeopatia, nutrição e massagens terapêuticas). Em meio a eles, foram abertas as primeiras consultas de biblioterapia no país. As sessões de biblioterapia são feitas com orientação e prescrição de leituras, segundo o site da clínica. Uma consulta custa € 60 por pessoa, algo em torno de R$ 200.

Para que o tratamento aconteça, o terapeuta precisa ter acesso aos problemas de saúde do paciente e aos seus hábitos de leitura, dos autores e gêneros que está lendo no momento para, a partir dessas informações, criar um plano de leitura personalizado. Segundo uma reportagem do jornal português “Público”, as consultas são particularmente úteis para adolescentes. Elas os ajudam a aprender a ler e a estudar, a tirar um proveito maior dos livros e a descobrir o prazer da leitura, também como uma maneira de encontrar respostas para suas angústias.

untitledO biblioterapeuta e “reading coach” da The Therapist, César Ferreira, disse ao Nexo que, embora cada caso seja único, os dois dos livros mais prescritos por ele são “O cavaleiro preso na armadura”, de Robert Fisher, e “O velho e o mar”, de Ernest Hemingway. A biblioterapia tem sido utilizada em hospitais, penitenciárias, asilos, no tratamento de problemas psicológicos de pacientes de diversas faixas etárias, assim como de pessoas com deficiência física, doentes crônicos e dependentes.

Como a prática ajuda os pacientes

Apesar do ar de novidade trazido pela clínica, a biblioterapia vem sendo estudada pelo menos desde meados do século 20. O estudo “A Leitura Como Função Terapêutica: Biblioterapia”, da professora da Universidade Federal de Santa Catarina Clarice Fortkamp Caldin, reúne definições dadas ao método terapêutico por pesquisadores de diversas épocas, desde os anos 1940.

120813-livro-amigo-intOs componentes da atividade de leitura descritos pelo estudo como “biblioterapêuticos” são a catarse, o humor, identificação, a projeção e a introspecção que ela proporciona. Nas definições de “biblioterapia” apresentadas, alguns dos objetivos e potencialidades do tratamento citados são permitir ao leitor verificar que há mais de uma solução para seu problema, adquirir um conhecimento melhor de si e das reações dos outros, alcançar um entendimento melhor das emoções e afastar a sensação de isolamento. Para César Ferreira, quando o paciente é capaz de assumir o papel das personagens do livro e consegue trazer a história e o aprendizado para a sua própria vida, a terapia cumpriu seus objetivos. “Trata-se de viver a ‘jornada do herói’, como menciona Joseph Campbell. Todos nós somos heróis. E a biblioterapia ajuda-nos a sentir isso”, afirmou.

Para receitar uma leitura, muitos fatores têm de ser equacionados, desde o desafio psicológico a ser ultrapassado pelo paciente até sua capacidade de leitura, o tipo de leitor que é, seu estilo de aprendizagem e limitações físicas, como por exemplo, um eventual problema de visão. Na clínica portuguesa, a consulta funciona em três fases: a fase do diagnóstico, a do plano de leitura orientado (o que ler, como ler, como aplicar) e a da “transformação”, em que o paciente já identifica os frutos do processo.

Quem são os biblioterapeutas

“Os principais requisitos para um biblioterapeuta incluem competências de análise de comportamentos humanos, de hábitos de leitura, de técnicas de rentabilização de leituras e uma grande capacidade em pesquisar e recuperar livros verdadeiramente transformadores”, explicou César Ferreira. O trabalho, segundo ele, consiste em encontrar o livro certo no momento certo para o paciente.