Prêmio para incentivadores da leitura

Instituto Gil Nogueira inicia premiação para crianças e professores da rede pública de Minas Gerais em projeto de incentivo à leitura. Alunos de escolas estaduais da capital e interior receberão prêmios pelo desempenho na interpretação dos livros que leram durante o semestre.

Premiação do ano passado (2017)

De 26 a 29 de junho, o Instituto Gil Nogueira (IGN) vai premiar alunos e professores das escolas da rede pública participantes do projeto “Ler é Viver” de Belo Horizonte e, nos dias 11 e 12 de julho, do interior. Haverá uma confraternização em todas as escolas que fazem parte do projeto e os professores serão presenteados pelo Minas Shopping, um dos parceiros do Instituto.

O projeto “Ler é Viver” tem o intuito de difundir a literatura entre alunos da rede pública de Belo Horizonte e algumas cidades do interior mineiro. No início de cada semestre letivo, cada sala de aula das escolas participantes recebe uma caixa contendo 30 livros de literatura infantil, que podem ser levados para casa ou lidos em sala de aula. As crianças são estimuladas a ler e a interpretar os textos, a partir de incentivos, como as oficinas de contação de histórias e premiação semestral que contempla alunos na interpretação do conteúdo lido, mensurado por meio de uma avaliação pedagógica. Os professores também são premiados, todo semestre, quando alcançam a média de textos lidos e interpretados em sua sala.

Segundo Patrícia Nogueira, presidente do Instituto Gil Nogueira, as crianças são avaliadas por meio de um passaporte de leitura. “Nele os alunos fazem resumos e desenhos para descrever o que entenderam de cada história. Participam do projeto crianças do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental”, comenta.

Ao final do semestre, a equipe pedagógica do IGN faz a correção do passaporte de acordo com a ficha técnica de cada livro e as crianças são premiadas com uma medalha, conforme cada desempenho, nas categorias bronze, prata e ouro. Além disso, os professores também são avaliados pelo empenho de suas turmas e, neste semestre, irão receber presentes do Minas Shopping.

O Instituto Gil Nogueira é uma ONG qualificada pelo Ministério da Justiça como Oscip (Organização da Sociedade Civil de Interesse Público). Foi constituída, em 2006, com o objetivo de reduzir o analfabetismo funcional por meio da leitura, desenvolvendo ações junto à sociedade, como o projeto “Ler é Viver”, que já beneficiou mais de 55 mil crianças do ensino fundamental da rede pública de ensino do Estado de Minas Gerais. Ao longo dos seus 12 anos, mais de 1 milhão de livros foram lidos e interpretados em 50 escolas.

A formação do escritor

Escrever profissionalmente ou escrever por deleite é um talento que precisa ser aperfeiçoado. Onde se forma um escritor? Talvez seja melhor perguntar como se forma um escritor, já que não existe um curso ou uma escola para este fim. Existe o curso de Letras e o de Jornalismo, de onde saem bons escritores. Além de outros, tão tradicionais como os citados, além dos mais recentes e modernos, inclusive voltados para as mídias eletrônicas, que também ajudam a lapidar o talento para a escrita.

Por isso, ser um escritor é um desfio pessoal. Aperfeiçoar o texto, incliná-lo para a literatura, para a pesquisa, para o jornalismo etc é uma busca particular e onde se revela o valor do profissional. Para atender aos leitores do blog, que sempre perguntam sobre o caminho a ser percorrido até chegar à condição de ser reconhecido como escritor, vou dar algumas dicas baseadas nas minhas observações e experiências pessoais, como jornalista de literatura infantil e escritora.

 

  • Não existe apenas um caminho para se formar escritor. Isso depende de cada pessoa, inclusive de suas experiências de vida. Escrevemos sobre o que vivemos, aprendemos e acreditamos, sobre o que nos emocionou e o que registramos interiormente.
  • Há pessoas que se tornam um escritor na maturidade assim como existem aquelas que começam na juventude. Pais e educadores precisam ficar atentos, por que muitos escritores se revelam ainda na infância. Existem muitas crianças que lançam seus livros no mesmo modelo de mercado dos escritores adultos.
  • Pais e educadores da escola fundamental são decisivos na formação das crianças para a escrita. É preciso estar atentos caso filhos ou alunos manifestem interesse ou talento para a literatura e, se este for o caso, logo iniciar a formação dessa criança: incentivando-a para a leitura e a escrita.
  • A leitura é a base da escrita. Ninguém escreve bem se não ler muito. Aliás, a leitura é importante para todas as pessoas, independente da atividade profissional. O interesse da leitura tem que ser despertado, desde o nascimento. Criar o hábito da leitura é condição para a formação de um escritor, pois é a forma verdadeira de adquirir vocabulário, facilidade de expressão, coerência, conhecimento etc.
  • Escritor de textos literários deve estudar literatura e os autores consagrados pelos leitores. Escritor de textos técnicos deve buscar formas de tornar seus artigos e pesquisas o mais compreensível possível, além de estimulante.
  • Quando estiver diante da obra de um autor consagrado, pergunte a si mesmo: “Por que esse cara é tão lido”? Debruce sobre o texto desse autor, descubra o que há por trás do texto, analise o estilo e tente localizar onde está o interesse do leitor para sua obra.
  • Estudar um grande autor não quer dizer copiá-lo e sim aprender com ele. Cada um deve escrever como gosta, de acordo com suas experiências e talento. Há quem tem muita vocação para textos cheios de humor e outros exatamente para o contrário e produzem um texto mordaz.
  • Candidato a escritor de literatura, por exemplo, também precisa responder logo à pergunta: escrever sobre o quê e de que forma: versos e poesia; romances ou biografias; histórias infantis e/ou juvenis? Qual é a tendência para sua criação literária? É preciso descobrir e investir na sua especialidade.
  • Até um texto se transformar num livro, ele passa por algumas transformações para ganhar feição literária e o argumento perseguido por alguma editora.
  • Mesmo sabendo disso, quem gosta de escrever, no entanto, não deve ficar preso à forma. Não deve se inibir na hora que escreve e muito menos se furtar a fazê-lo. Escreva sem medo, sem culpa, sem exigências. Simplesmente escreva. Se for o caso, então, reescreva para fazer as correções e adequações necessárias.
  • Se a leitura é um hábito, a escrita também. Forme o hábito de escrever diariamente ou muito constantemente. Assim como busca certas condições para ler confortavelmente, identifique quais medidas deve providenciar para escrever da mesma forma, ou seja, relaxar, se concentrar, manter o foco, dar coerência ao raciocínio etc.
  • Acredito que ninguém deve ficar esperando inspiração para começar a escrever. Minha inspiração, por exemplo, só surge depois que me atrevo a redigir as primeiras palavras, uma sequência de sentenças e visualizo mentalmente o que desejo transmitir ao leitor. A partir daí, a inspiração brota espontaneamente.
  • Planejar antes de escrever é recomendado principalmente se for um texto grande e demorado. Isso ajuda a alinhar as ideias, a fundamentar o texto, buscar os argumentos e não se perder n o emaranhado das ideias.
  • Depois do texto pronto, acho que é sempre bom mostrá-lo para alguém de confiança, para um leitor crítico. Aceite as críticas, mas se elas forem muito severas, não deixe que derrotem o seu ideal.
  • Quando decidir publicar, certamente, vai enfrentar dificuldades até encontrar uma editora disposta a isso, mas também não se desanime. Se for o caso, qualifique o seu texto. Lembre-se que muitos autores famosos esperaram muitos anos até ter seu texto aceito, publicado e bem sucedido.

“O livro acolhe, abriga e ensina”

Em Belo Horizonte, os passageiros dos 3 mil coletivos BRT Move e BHBus sempre deparam com uma sacola dentro do ônibus para coleta de livros. Este ano, a campanha do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte já ajudou a arrecadar da população 250.367 livros entre obras literárias, didáticas e religiosas, que estão sendo entregues à 329 entidades e instituições cadastradas, beneficiando 151.567 pessoas. A matéria abaixo dá um exemplo de como os livros são entregues a esses locais principalmente  hospitais, creches e escolas.

A Fundação Sara Albuquerque Costa recebeu 500 livros destinados à biblioteca de Belo Horizonte e Montes Claros

Fundação Sara Albuquerque Costa recebeu 500 livros destinados às bibliotecas de BH e Montes Claros

É em clima de animação que a equipe do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Belo Horizonte (SetraBH) é recebida em todas as entidades recebedoras dos livros arrecadados na campanha “O livro acolhe, abriga e ensina”. Durante todo o mês de maio, diversas entregas foram realizadas e a equipe do sindicato, sempre acompanhada por um contador de histórias, fez a alegria de muitas crianças.

Na Fundação Sara Albuquerque Costa, o SetraBH entregou 500 livros que passarão a compor as bibliotecas da entidade em Belo Horizonte e Montes Claros. Criada há 20 anos, a entidade oferece apoio e cuidados a cerca de 300 crianças e adolescentes com câncer, disponibilizando hospedagem, refeições, transporte para hospitais e laboratórios, além de atendimento por profissionais de serviço social, psicologia, pedagogia e nutrição.

Os livros serão utilizados no lazer e nas aulas oferecidas às crianças e aos adolescentes, enquanto estão hospedados nas casas da entidade. “Nós entramos em contato com a escola de origem de nossos pacientes e aplicamos a grade escolar vigente para que os alunos não percam o ritmo de estudo e, quando eles retornarem, não se sintam excluídos didaticamente, por não terem acompanhado as matérias. A intenção é assegurar a continuidade dos processos de desenvolvimento psíquico e cognitivo das crianças e adolescentes com propostas voltadas paras suas necessidades pedagógicas e educacionais, para a preservação do direito à educação e a manutenção dos vínculos escolares”, explica a pedagoga da Casa de Apoio de Belo Horizonte, Paola Reis. Segundo a pedagoga, esta é uma forma de preservar a saúde física, mental e emocional das crianças e adolescentes que passam por tratamento.

 Flagrante das equipes do Setra e do Hospital João Paulo II: a casa de saúde recebeu 1.500 livros

Flagrante das equipes do Setra e do Hospital João Paulo II: a casa de saúde recebeu 1.500 livros

Já o Hospital Infantil João Paulo II, recebeu 1.500 livros da campanha do SetraBH. Durante a entrega, os pacientes puderam se divertir com a apresentação do contador de histórias Pierre André, parceiro voluntário da campanha. Segundo Luís Fernando Andrade de Carvalho, pediatra e diretor do hospital, esse tipo de doação é essencial.

“Estamos muito felizes em receber os livros. O hospital, nas últimas décadas, passou por uma transição das características das crianças que são assistidas. Há 20 anos, recebíamos crianças com quadros mais agudos, que ficavam pouco tempo em internação. Hoje, a maior parte das nossas crianças são portadoras de algum tipo de doença crônica, que os fazem permanecer tempos prolongados dentro do hospital e, às vezes, terem várias reinternações no mesmo ano. Diante desse cenário, temos nos estruturado do ponto de vista pedagógico, com a classe hospitalar, com a brinquedoteca e trazendo equipes vinculadas à Secretaria de Educação para que as crianças consigam fazer as tarefas escolares mesmo estando internadas. Receber essa doação dos livros é de extrema importância pra nós e para as crianças que estão no hospital. Tenho certeza que faremos um bom proveito deles”, comenta.

Na Cidade dos Meninos São Vicente de Paulo, não foi diferente. As crianças também puderam se divertir com contação de histórias, além de receberem a doação de 4.000 livros. “Pelo segundo ano consecutivo temos essa parceria com o SetraBH. A campanha vem ao encontro de uma filosofia nossa de trabalho que é: eu ajudo e faço com que, de alguma forma, a minha participação possa melhorar a sociedade. Esse trabalho construído pelo SetraBH é maravilhoso, então, eu só posso agradecer e parabenizar e, como recebedor desses livros, garantir que será dado a eles o melhor uso possível, esse é o nosso objetivo”, comenta Mário Cenni, presidente do Sistema Divina Providência.

Para Dolores Bertilla, superintendente da Cidade dos Meninos, é uma honra receber os livros da campanha. “Eu acredito na bondade das pessoas e que ainda tem muita gente querendo mudar esse mundo. Fico muito emocionada e lisonjeada em fazer parte disso”, diz.

Na creche Cruzada do Bem Elizabeth Santos, o SetraBH também foi recebido com muito entusiasmo. Foram entregues 180 livros e as crianças puderam se divertir com a história apresentada pela contadora de histórias Adriana Pedrosa Martiniano. Para Elizabeth da Silva, coordenadora pedagógica da creche, a campanha é de grande importância, pois leva os livros para dentro das instituições para incentivar a prática da leitura. “É essencial criar esse hábito desde cedo nas crianças, principalmente quando vivemos em um país onde as pessoas não têm esse costume”, completa.

O contador de histórias, Pierre André, é voluntário da campanha e com suas apresentações encanta a plateia dos leitores presenteados

O contador de histórias, Pierre André, é voluntário da campanha e encanta a plateia de beneficiados

A creche é uma das 193 indicadas pela Secretaria Municipal de Educação (SMED), parceira da campanha desde 2016. O resultado foi tão positivo que este ano realizaram um treinamento com os profissionais da educação infantil para orientá-los na utilização do material entregue pelo SetraBH. De 250 a 300 educadores, dentre coordenadores e demais representantes do ensino público, foram reunidos no auditório do SetraBH para análise aprofundada das obras doadas, além de orientações e palestras com contadores de histórias e equipes responsáveis pelas bibliotecas públicas de Minas Gerais. Este ano, o total de livros de literatura infantil doados às creches conveniadas à SMED somaram 34.740.

Vânia Gomes Michel Machado, gerente de coordenação da educação infantil da Secretaria Municipal de Educação, também acompanhou a entrega. “Receber esses livros através da campanha do SetraBH é fantástico, pois a leitura é a base para as crianças. Estamos percebendo que essa ação que o sindicato desenvolve está tomando uma proporção cada vez maior, está conseguindo ir para outros lugares fora da capital mineira, onde a acessibilidade aos livros é menor. É importante expandir nossos horizontes, pois toda criança precisa ser bem atendida e acolhida, além de ter materiais necessários para que desenvolva seus processos de aquisição da leitura e escrita, onde quer que ela esteja”, conclui.

Sobre a campanha

Na etapa 2018, a campanha “O livro acolhe, abriga e ensina” arrecadou 250.367 livros entre obras literárias, didáticas e religiosas, que estão sendo entregues à 329 entidades e instituições cadastradas, beneficiando assim 151.567 pessoas. A campanha contou com o apoio do sistema de transporte coletivo urbano para a coleta dos livros doados pela população através dos 3 mil ônibus em circulação, das estações do sistema BRT Move e BHBus, das garagens das empresas e da sede do SetraBH.

O SetraBH disponibilizou link para que os doadores da campanha “O livro acolhe, abriga e ensina” e a população possam saber quais entidades ou instituições receberam os livros doados. Para localizar o endereço e o telefone de todas as beneficiadas e o total de livros recebidos por cada uma delas, basta acessar www.olivroacolhe.com.br. Lá também podem ser encontrados o total de obras arrecadas por gênero literário e nível de ensino e a faixa etária dos beneficiados.

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A cobiçada arte de Maurizio Manzo

Trabalho do designer gráfico, que atua em Ouro Preto, Minas Gerais, para um livro infantil a ser lançado no segundo semestre deste ano, foi escolhida por um júri especializado e está entre as melhores de um concurso internacional.

Em 2018, 1500 ilustrações, de 26 países do mundo, concorreram ao concurso de ilustração do "BookILL Fest ", da Sérvia, e o único brasileiro com trabalho selecionado foi Maurizio Manzo

Em 2018, 1500 ilustrações, de 26 países do mundo, concorreram ao concurso de ilustração do “BookILL Fest “, da Sérvia, e o único brasileiro com trabalho selecionado foi Maurizio Manzo

Sempre comentamos sobre o reconhecimento mundial pela qualidade da literatura infantil criada no Brasil e hoje temos um exemplo claro de como os especialistas vêm demonstrando isso. O ilustrador Maurizio Manzo, nascido na Itália e, desde a infância, cidadão brasileiro, atualmente residente em Ouro Preto, pela terceira vez consecutiva, tem o seu trabalho selecionado num festival do qual participam profissionais de diversos países do mundo.

O evento especializado em ilustração Book Illustration Festival ou “BookILL Fest”, realizado no início desse mês, na Sérvia, selecionou  o trabalho de Maurizio Manzo para um livro escrito por Vera Pinheiro, que será lançado no segundo semestre deste ano.

A seguir, uma entrevista do blog com Maurizio Manzo sobre o seu trabalho premiado.

 

Ilustração em nanquim assinada por Maurizio Manzo é uma das selecionadas no festival internacional

Ilustração em nanquim assinada por Maurizio Manzo é uma das selecionadas no festival internacional

Rosa Maria: Como foi sua participação este ano no Book Illustration Festival?

Maurizio Manzo: Na verdade, este é o terceiro ano que participo. Já tive outros trabalhos selecionados em 2016 e 2017. Este ano, participaram 1.500 ilustradores, de 26 países, e foram escolhidos 120 autores. Do Brasil, apenas eu fui selecionado, o que para mim já é um prêmio.

RM: São ilustrações, de fato, belíssimas. Fale sobre a sua criação, a inspiração e a técnica que utilizou para chegar a esse resultado extraordinário?

MM: A história escrita por Vera Pinheiro é muito interessante e fala de dois irmãos: Aqui e Ali. Para você ter uma ideia a história começa assim:

“Aqui e Ali nem pareciam irmãos, tão diferentes eles eram. Aqui gordinho, parado. Ali magrela, agitado”.

“No bairro, onde moravam, todos notavam a diferença e comparavam os dois. Uns gostavam de Aqui e outros preferiam Ali”.

Assim, a história vai se desenvolvendo e nos envolvendo. Optei por ilustrar de uma maneira mais ‘livre’, com poucos esboços, e segui minha intuição. Coisa que faço raramente no meu processo de criação. Geralmente, de início, eu preparo muitos estudos para depois começar a ilustrar. As ilustrações selecionadas são, como poderíamos dizer, mais gráficas, com poucas cores e quase todas feitas em tinta nanquim preto.

Fiquei muito feliz com a seleção por mim e também pela Vera, pois é nosso segundo livro juntos. Somos parceiros em vários projetos e temos muitas afinidades, desde o design até o zen… Vera está com 80 anos, o livro e o prêmio chegam em boa hora.

Outra ilustração destaca no festival, que compõe livro que a Mazza Editora vai lançar este ano

Outra ilustração destacada no festival compõe 0 livro que será lançado este ano

RM: E o festival da Sérvia? Qual a importância dele no cenário da ilustração/literatura?

MM: Livro Ilustrado Festival “BookILL Fest ” está na sua sétima edição e é organizado pelo Centro Cultural Banat e da Novi Sad Fair. Este ano, o Festival foi expandido. Além da programação tradicional, que é realizada na cidade de Novi Sad, pela primeira vez, também teve uma versão em Novo Milosevo. A primeira parte do programa foi realizada em março deste ano, na feira do livro em Novi Sad. A exposição de ilustrações selecionadas e premiadas foi aberta em 2 de junho, em Novo Milosevo, e ainda será exibida na próxima feira do livro em Novi Sad, em março de 2019.
Além da exposição das ilustrações selecionadas, a BokkILL Fest tem uma estreita relação com a Bienal da Bratislava, que terá uma exposição com artistas convidados do “Prêmio da Bienal de Ilustração Bratislava 2017 “, que será realizada em cooperação com a casa internacional de arte para crianças “Bibiana” da Bratislava (Eslováquia) e Fundação  “Babka”, Galeria de Kovačica (Sérvia).
Cerca de 1500 ilustrações, de 26 países do mundo, incluindo a Sérvia, concorreram ao concurso de ilustração do “BookILL Fest “. O júri foi composto por Slobodan Ivkov, Presidente, historiador de arte e crítico, teórico dos quadrinhos de Belgrado; por Sibila Petenji Arbutina, de Novi Sad, e Senka Vlahovic. Coube a eles selecionarem as ilustrações de 120 autores para a exposição e os autores premiados de oito países nas categorias de poesia e prosa, livros para crianças e livros ilustrados com fotografias. A cerimônia de premiação e abertura da exposição foi no dia 2 de junho de 2018, na galeria do Centro Cultural Banat, em novo Milosevo, Sérvia.

A arte de Maurizio Manzo tem reconhecimento mundial

A arte de Maurizio Manzo tem reconhecimento mundial

RM: Maurizio, fale mais sobre você e sua experiência na arte de ilustrar livros infantis. Gostaria de apresentar seu currículo profissional.

MM: Eu trabalho como ilustrador e designer gráfico principalmente no segmento editorial com ênfase em livros infantojuvenis. Já ilustrei mais de 65 livros e participei por seis vezes da feira de Bologna, Itália, Children’s Book Fair, Itália, além de quatro vezes do Books and Rights Catalogue, de Frankfurt, Alemanha.

Também por quatro vezes recebi da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), o Prêmio Altamente Recomendável, sendo que em 2015 fui selecionado para a Bienal Internacional de Bratislava, Section of iBbY, para o Acervo da Fundação Nacional do Livro  e por duas vezes selecionado no importante Catálogo White Ravens – Internationale Jugendbibliothek (IJB) – Selection of International Children’s and Youth Literature, de Munique, Alemanha. Fui ainda selecionado para as edições de 2016, 2017 e 2018 do Book Illustration Festival “BookILL Fest”, International Book Fair in Novi Sad, Sérvia. Desenvolvi mais de 100 projetos gráficos para livros de diversos segmentos.

Sete audiolivros pra curtir na Copa do Mundo

Ubook oferece opções para quem quer entender sobre táticas de jogos, saber histórias de competições passadas, conhecer biografias de jogadores e até aprender algumas expressões em russo e ficar na posição de frente na hora de debater sobre a Copa com os amigos e familiares.

A Copa do Mundo já começou, a seleção já está escalada e vai estrear neste domingo, vuvuzelas estão à postos e as esperanças no hexacampeonato estão renovadas. Os jogadores têm feito bonito em campo nos últimos amistosos em que a seleção canarinho participou e é a hora em que 200 milhões de técnicos brasileiros entram em campo. Afinal, neste período em que, seja nos bares, nos corredores das empresas ou naquele almoço de família aos domingos, todos têm palpites e sugestões para conquistar a Taça, a informação é um diferencial para quem quer driblar o adversário e fazer bonito na frente da torcida demonstrando seus conhecimentos.

Pensando nisso, a equipe do Ubook, maior plataforma de audiolivros por streaming da América Latina, selecionou uma lista de indicações de obras que deixarão você craque para debater sobre o esporte com qualquer pessoa e se destacar entre os amigos por entender detalhes de táticas de jogos, saber histórias de competições passadas, conhecer biografias de jogadores e, até mesmo, falar algumas expressões em russo. Onde ouvir: www.ubook.com

E o melhor é que é possível adquirir todo esse conhecimento, enquanto se faz outra atividade (seja se deslocando de casa para o trabalho, enquanto faz os afazeres domésticos ou mesmo pratica atividade física). Afinal, para ouvir os audiolivros, basta ter um celular por perto. O Ubook funciona como o Netflix para vídeos ou o Spotify para música: com R$ 24,90 por mês é possível ter acesso ilimitado a todo o catálogo da plataforma.

Os audiolivros

 “Estratégias e táticas do futebol”

imagem_release_1320370 Entender os fundamentos é essencial para qualquer técnico. Ouvindo esta obra você irá entender os esquemas táticos, a evolução do futebol, a formação de uma equipe, as modernas técnicas de treinamento em alto nível, montagem de equipes, programação e até o planejamento da temporada. E o mais legal é que quem conta tudo isso é o técnico que levou o Brasil ao tetracampeonato, Carlos Alberto Parreira.

Autor: Carlos Alberto Parreira

Narrador: Carlos Alberto Parreira

Tempo de áudio: 6:44:55

Editora: DB4

 

“Neymar: conversa entre pai e filho”

imagem_release_1320374Neymar é, sem dúvida, não só a estrela do Brasil, mas um dos melhores jogadores que estarão na Copa. Como poucos atletas de sua geração, conseguiu levar para dentro do campo de futebol o fator emoção e trouxe à tona o verdadeiro sentido da palavra família e – sobretudo – pai. “Do trágico acidente aos quatro meses de idade, passando pela infância difícil, a lapidação do talento nas categorias de base do Santos, as rédeas curtas do pai, os bastidores do mundo da bola, o segundo não para um clube europeu em 2010, as emoções dos títulos e premiações conquistadas, a relação com Davi Lucca e, ainda, revelações inéditas sobre a transferência do jogador para o Barcelona e seus planos para o futuro: tudo isso é possível encontrar neste audiolivro. E, para tornar a audição ainda mais interessante, optamos por gravar o enredo com duas vozes de idades diferentes, uma vez que a história é baseada em uma série de entrevistas com o Neymar filho e o Neymar pai no qual cada capítulo alterna o ponto de vista dos dois”, conta Flávio Osso, CEO do Ubook sobre o livro escrito pelos jornalistas esportivos Mauro Beting e Ivan Moré.

Autores: Mauro Beting e Ivan Moré

Narradores: Tarcísio Pureza e Alexandre Araújo

Tempo de áudio: 3:50:54

Editora: Universo dos Livros

 

“O Mundo do Futebol”

imagem_release_1320379A história do Brasil no futebol é repleta de craques. E um dos nomes que certamente figura entre os melhores jogadores que este País já teve é Zico. “Idolatrado como um dos melhores de sua geração, nesta obra, Zico conta sua história, suas vitórias, suas dificuldades e muitos “causos” do futebol. Além de contar com diversos convidados como Roberto Dinamite, Rodrigo Caetano, Parreira, entre outros”, comenta Marta Ramalhete, gerente de produção do Ubook.

Autor: Arthur Antunes Coimbra (Zico)

Narrador: Arthur Antunes Coimbra (Zico)

Tempo de áudio: 9:38:25

Editora: DB4

 

“Nunca fui santo – A biografia Oficial”

imagem_release_1320382Outro grande craque da história da seleção é o goleiro Marcos, ex-Palmeiras. E nada melhor do que ouvir sobre futebol de alguém que tem uma vida de dedicação ao esporte. “Com uma linguagem informal, o leitor vai sentir que está conversando com um amigo, ouvindo ‘causos’ engraçados, confissões e detalhes de sua trajetória profissional. Nesta obra, o grande astro do Verdão homenageia seus próprios ídolos e mentores num um autêntico tratado de devoção à carreira”, esclarece Cristina Albuquerque, gerente de conteúdo do Ubook.

Autor: Mauro Beting

Narrador: Audren de Azevedo

Tempo de áudio: 3:12:53

Editora: Universo dos Livros

 

“#TeveCopa”

imagem_release_1320387Já que recordar é viver e também a melhor jogada para evitar erros do passado, que tal conhecer um pouco mais sobre a edição realizada no Brasil? Uma boa sugestão para isso é ouvir o audiolivro “#TeveCopa”, de um blogueiro e jornalista apaixonado por futebol e pela seleção brasileira que ganha, na última hora, o direito de ir a qualquer jogo da Copa do Mundo no Brasil. Ele narra as aventuras da viagem para acompanhar os melhores jogos e a frustração vivida no 7×1. E, apesar de ainda continuar dolorida, a história daquele 7×1 nunca foi tão divertida, quanto a contada por este autor.

Autor: Rica Perrone

Narrador: Jorge Henrique Piccolli

Tempo de áudio: 2:26:05

Editora: Independente

 

 “Posso crer no amanhã”

imagem_release_1320389Futebol é paixão nacional não apenas por entretenimento. O esporte mexe com a emocional dos brasileiros por todas as histórias de superação conhecidas. Uma delas causou comoção mundial e demonstra o poder do esporte em unir as pessoas ao redor de um sentimento único de compaixão e solidariedade. Por isso, mesmo não estando diretamente ligada à Copa, Anderson Santos, gerente de Direitos Autorais do Ubook, sugere a audição da obra escrita por Helio Zampier Neto, um dos jogadores sobreviventes da tragédia ocorrida com o avião da Chapecoense.

Autor: Helio Zampier Neto

Narrador: Duda Ribeiro

Tempo de áudio: 4:58:02

Editora: MK Editora

 

Podcasts

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Uma forma de consumir informação rápida e que tem conquistado cada vez mais pessoas, de jovens a executivos, são os podcasts. Eles trazem conteúdo de forma ágil, objetiva e sob demanda. Entre as várias opções existentes no Ubook, Diego Bacellar, editor da plataforma, sugere “Rumo à Rússia”, que traz curiosidades sobre todas as Copas do Mundo e a preparação para o Mundial de 2018.

Para quem quer ouvir comentários esportivos, as indicações são: Momento do Esporte – Juca Kfouri; Pelada na net; Fronteiras invisíveis do futebol e Tarja Futebol Clube.

“Temos até podcasts com dicas rápidas para quem deseja aprender idiomas. O “Slow Russian”, por exemplo, é uma ótima e divertida opção para quem quer aprender russo. Mas, é preciso saber inglês, porque é nesta linguagem que as instruções são transmitidas”, aconselha o editor do Ubook.

“O monstro das cores”

A encantadora história da arte-terapeuta espanhola Anna Llenas é lançada pela Aletria Editora. Um monstrinho cativante vive diferentes emoções demonstradas através das cores.

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Fui conferir a novidade na publicação da Aletria ‘Óprocevê!’ deste mês.

“O monstro das cores” é uma referência em educação emocional e bestseller internacional. O carismático monstrinho já ajudou pequenos e grandes leitores ao redor do mundo a mergulharem no mundo de suas emoções.

Não é à toa que esse adorável monstrinho já virou pelúcia, móbile, jogos, cortina de banheiro, pop-ups e até animação. Publicado originalmente em 2012, o livro vendeu mais de 200 mil exemplares na Espanha e foi traduzido para 16 idiomas. A tradução do lançamento da Aletria é de Rosana Mont´Alverne.

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Em entrevista à Aletria, a autora Anna Llenas explica que o monstro colorido já havia sido criado antes do livro. “Ele era o personagem de uma cortina de banheiro que eu havia criado, já fazia parte da família. Então, um dia, surgiu a ideia de fazer o monstro mudar de cor dependendo de seu humor. E foi assim que  veio a ideia de criar o livro “O monstro das cores”.

Anna cria literatura, mas também cria outras novidades, como a referida cortina, através de seu trabalho como designer gráfico.

Sobre o sucesso do livro, ela comenta que não esperava por tamanha repercussão: “Não faço ideia, mas suponho que o sucesso de “O monstro das cores” vem da combinação da parte gráfica, de sua forma e de seu conteúdo ou mensagem. Foi também um trabalho muito pessoal, feito sem pensar em marketing ou com a intenção de sucesso. Eu acho que a autenticidade é o que alcançou as pessoas”.

O livro custa R$ 42,00 e já está em pré-venda no site www.aletria.com.br/home/O-Monstro-das-Cores

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Festival Literário Pop

Existem muitos eventos literários, mas os dedicados exclusivamente a jovens praticamente não acontecem, daí a recente criação do Flipop (Festival Literário Pop) dedicado a uma faixa etária que felizmente está lendo muito.

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FLIPOP é um festival criado pela Editora Seguinte em 2017, após sentir falta de um evento literário totalmente voltado para os leitores jovens. O objetivo é proporcionar uma experiência imersiva ao leitor YA (Young Adult), que poderá interagir diretamente com autores e leitores dos seus livros favoritos.

Não é um evento de estandes, mas sim um grande encontro com bate-papos, atividades, sessões de autógrafos e brindes exclusivos. FLIPOP 2018 será realizado de 29 de junho a 1° de julho,no Centro de Convenções Frei Caneca – 4º andar (Rua Frei Caneca, 569 – Consolação, São Paulo). O evento terá a participação de mais autores, mais mesas e mais dias: serão três dias dedicados totalmente à literatura.

Jeff Zentner, autor de “Dias de despedida”, está confirmado no festival

                     Jeff Zentner, autor de “Dias de despedida”, está confirmado no festival

Dois grandes nomes internacionais foram confirmados: Jeff Zentner, autor de “Dias de despedida”, e Morgan Rhodes,  a autora da série “A queda dos reinos”,  assim como vários outros autores que participarão de palestras, atividades e sessões de autógrafos.

Os ingressos já estão disponíveis e a quantidade é limitada. O ingresso dá direito a participar das sessões de autógrafos e todos pagam meia: seja apresentando carteirinha de estudante (meia-entrada) ou doando um livro em bom estado (meia social). Inscreva-se e acompanhe o evento no site www.flipop.com.br

Morgan Rhodes, a autora da série “A queda dos reinos”, é outro nome confirmado

Morgan Rhodes, autora da série “A queda dos reinos”, é outro nome confirmado

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Fim de semana com muitas histórias

Em Belo Horizonte, neste próximo domingo tem projeto “Santa Leitura” na comunidade Sagrada Família e contação de histórias no Minas Shopping com o projeto “Era uma vez”.

Santa Leitura na Comunidade Sagrada Família.

26219513_10210436704466527_815097049253755168_nNo domingo, dia 10 de junho, a partir de 9h30, o projeto “Santa Leitura” estará na Comunidade Sagrada Família (Estrada Velha de Nova Lima, 365), no bairro Novo Taquaril. Para alegrar ainda mais o ambiente, o evento contará com a participação do contador de histórias, Pierre André, parceiro do projeto desde 2013.

O projeto tem o objetivo de despertar o interesse da criança pela leitura de uma maneira lúdica e bem democrática. Segundo a idealizadora, no projeto “Santa Leitura”, o livro é a estrela maior e a diversão é sempre garantida.

“Nossos encontros são sempre muito agradáveis, as crianças leem, interagem umas com as outras, eu leio para as crianças e com isso elas ganham mais cultura e autoestima. Além disso, levo bolo e refrigerantes e todos cantam parabéns para o aniversariante do mês”, completa Estella Cruzmel.

Os eventos são abertos ao público, com estrada gratuita. Interessados em realizar doações de livros podem entrar em contato através da página do projeto “Santa Leitura” facebook.com/LeituraNaPraca

“Era uma vez”

As contadoras de histórias Roberta Colen e Tatiane Moreira voltam ao Minas Shopping para mais uma edição do projeto “Era Uma Vez”, neste domingo (10 de junho), a partir das 14h, no Piso 1, em frente à Leitura. O projeto é fruto da parceria do Instituto Gil Nogueira (IGN) com o Minas Shopping para incentivar a leitura.

As histórias que serão apresentadas são “Eu tenho um pequeno problema, disse o Urso” e o “Pescador, o Anel e o Rei”. O primeiro conto fala da importância de ouvir, pois o urso tenta, diversas vezes, relatar o que ocorre com ele, mas os outros animais sempre o interrompem, até que surge uma mosca e ajuda o animal. Já a segunda história mostra um pescador simples, que tinha muita fé e alegria, e um rei que achava que podia mais que Deus. Inconformado com a fé e a alegria do pescador, o rei lhe deu uma tarefa e armou ao mesmo tempo uma cilada para que o pescador não conseguisse realizá-la.

As crianças e os responsáveis podem interagir com os contadores e desfrutar de momentos divertidos. Toda a programação é gratuita, com vagas limitadas.

Contadora de histórias capacitada pelo Instituto Cultural Aletria e graduanda em letras pelo Centro Universitário Claretiano, Roberta Cohen atua conscientizando sobre o autismo por meio da contação de histórias, brincadeiras e canções. Integra o grupo Filhas da Terra Contadoras de Histórias desde 2015 e o Projeto Ler é Viver, do Instituto Gil Nogueira, desde 2017.

Narradora de histórias desde 2012, quando iniciou o projeto “Semeando histórias” para atender creches da região leste de Belo Horizonte, Tatiane Moreira é arte-educadora e pedagoga, atuando como professora da rede municipal de Belo Horizonte. Em 2014, criou o grupo Filhas da Terra.

Minas Shopping – Avenida Cristiano Machado, 4000 – União – Belo Horizonte –
Telefone: (31) 3429-3500

“Heroínas”

Clássicos da literatura ganham da Editora Galera versão contemporânea dedicada aos jovens. Como ficaram as tradicionais histórias conhecidas por terem homens como heróis:

“Mosqueteiros”?

“Távola redonda”?

“Robin Hood”?

 

image005Em um mundo não tão distante, três mulheres escreviam suas próprias histórias. Daniela d’Artagnan, Marina Artiaga e Roberta Horácio têm algo em comum:  elas são heroínas, mas não dessas com super poderes. Dentro de suas próprias realidades, elas estão dispostas a ocupar seus lugares de  fala e a fazer a diferença no mundo.

Este mês está chegando às livrarias “Heroínas”, obra que dá uma outra roupagem a clássicos da literatura conhecidos por terem homens no papel principal. Nesta versão contemporânea e feminista, três autoras da nova geração da literatura nacional assinam os contos: Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares.

Em “Heroínas”, as mulheres são protagonistas e conseguem empunhar o escudo para defender os animais, enquanto precisam conciliar as provas do terceiro ano e os estudos para o ENEM. Esse é o caso de Daniela d’Artagnan no conto “Uma por todas e todas por uma”, de Laura Conrado. Nele, “Mosqueteiros” é uma conceituada ONG de defesa dos animais e as veterinárias voluntárias do projeto são apelidadas de “mosqueteiras”. Laura cresceu em uma chácara cheia de bichos e adora tomar conta deles, assim como sua mãe. Seu sonho é ser uma mosqueteira e após uma tentativa frustrada de entrar para a ONG, ela conhece Agnes, uma das voluntárias. E é assim que três mosqueteiras ganham a ajuda de mais uma mulher que não hesita em defender os animais.

A “Távola redonda” de Pam Gonçalves é organizada por Marina Artiaga, líder da comissão de formatura da escola pública Professor José Carlos Ramos. É ela que irá desembainhar sua espada para fazer a festa de fim do Ensino Médio acontecer, mesmo com o sumiço do dinheiro para o evento. A escola foi assaltada e o dinheiro que os pais haviam investido com tanto sufoco, desapareceu. Mas a coragem e o senso de justiça de Marina serão fortes aliados nessa missão.

O “Robin Hood” de Ray Tavares, na verdade, se chama Roberta Horácio, uma habilidosa hacker que invade sistemas para corrigir algumas injustiças. Entre outros crimes cibernéticos, ela desviou R$ 3 milhões de parlamentares, empresários e religiosos, incluindo o senador Arnaldo Nevada, aspirante ao cargo de Presidente da República. O dinheiro é sempre desviado para ONGs. O arco e flecha de Roberta são seu mouse e o teclado. Dessa forma, ela pode ajudar quem precisa sem deixar de pensar nas consequências dos próprios atos.

“Heroínas” é escrito por mulheres para que outras mulheres alcancem o seu protagonismo no dia a dia e percebam que juntas é possível salvar o dia.  Laura Conrado é jornalista, pós-graduada em Educação, Criatividade e Tecnologia. Vencedora do Prêmio Jovem Brasileiro como destaque na Literatura em 2012, Laura é presença constante em eventos literários e escolas.

Pam Gonçalves é autora de “Boa Noite” e “Uma História de Verão”, escorpiana, nascida e criada em Tubarão/SC, se formou em Publicidade e Propaganda e atualmente divide seu tempo entre escrever, manter um canal no Youtube para inspirar as pessoas com recomendações de livros e dicas de escrita. E Ray Tavares tem 25 anos, é formada em Gestão de Políticas Públicas pela USP e sonha em mudar a realidade do Brasil. Sempre amou ler, mas quando começou a escrever fanfics de McFLY aos 13 anos, apaixonou-se por criar histórias e nunca mais parou. Em 2017, publicou o seu primeiro livro pela Galera Record, “Os 12 Signos de Valentina”, que atingiu a marca de mais de 2 milhões de leituras no Wattpad.

“As árvores invisíveis”

Neste sábado, 9/6, a partir de 9:00 horas, tem livro novo chegando no Parque Rosinha Cadar, no bairro Santo Agostinho, em  Beagá. É o dia do lançamento do aguardado “As árvores invisíveis”, selo da Páginas, ambos de Leida Reis: autoria e editora. Hoje, numa entrevista ao blog, a escritora conta tudo sobre o seu novo livro infantil que traz uma história de amor ao verde e ao meio ambiente.  

imagem do livro

Rosa Maria: “As árvores invisíveis” é o seu primeiro livro infantil, mas você já lançou outros livros para adultos. O que lhe atraiu na literatura infantil?

Leida Reis: Há muitos anos faço experimentações com textos para crianças. Cheguei a produzir duas histórias e submetê-las à leitura de especialistas e um delas começou inclusive a ser ilustrada. Mas eu não achei que estivessem prontos aqueles textos. Foi sempre um desafio escrever para os pequenos leitores. Amo livros infantis.

 

Leida Reis criou marcadores para o livro que contêm sementes naturais como forma de estimular as crianças a plantarem

Leida Reis criou marcadores para o livro, que contêm sementes naturais, como forma de estimular as crianças a plantarem

RM: Como foi a adaptação da linguagem?

LR: Estou acostumada à linguagem para adultos, mas com o trabalho na Páginas Editora passei a ler muito mais livros infantis, o que facilitou minha escrita para esse público. Não foi fácil, mas busquei o olhar, a percepção de uma criança de oito anos, como modelo, e arrisquei. Espero que o resultado agrade a todos os públicos, na verdade, inclusive o adulto. O livro foi lido por uma profissional muito competente, a quem agradeço as sugestões, e também pelo Daniel Munduruku, o escritor indígena doutor em Educação pela USP que nos ensina muito sobre a humanidade. Dele é o texto da quarta capa do livro.

 

RM: O que nos conta essas árvores?

LR: “As árvores invisíveis” são tudo o que nos cerca e não enxergamos, porque estamos muito acostumados a padrões. Sebastião é um menino negro, classe média, que ama as árvores da floresta, mas pela cidade vê apenas criaturas estranhas, sem cor e sem forma. Um sonho com um pajé e uma experiência com a avó, num trabalho voluntário, vão abrir os seus olhos para as árvores da cidade.

 

RM: Qual é a principal mensagem do livro?

LR: A principal mensagem é a do olhar e enxergar as coisas como são. Mas também chamo a atenção para o meio ambiente urbano, para as árvores da cidade, tão mal cuidadas e realmente invisíveis a todos nós.

 

RM: Como foi a produção?

LR: Fiz esse livro em poucos meses. Ao contrário das tentativas anteriores, este veio de uma ideia de falar das árvores, apareceu o Sebastião para viver essa história de amor com o verde e me foi passada uma ideia sensacional: a de colocar sementes nos marcadores de página, uma forma de estimular as crianças a plantarem. São sementes de ipê amarelo, ipê roxo, doados pela ONG Boi Rosado, e também de clotalária (planta que é uma arma biológica no combate à dengue) e também de cuité.  Também destaco o trabalho com a Mariana Tavares, que havia ilustrado “Aqui, ali e acolá…histórias em todo lugar”, da Sterlayni Duarte, lançado também pela Páginas Editora. Mariana colocou muita emoção na história, abrindo um novo leque. Foi o seu segundo livro e já a considero uma ilustradora madura.

 

RM: Após o lançamento, quais os demais passos do livro: alguma feira, evento literário ?

LR: “As árvores invisíveis” teve um pré-lançamento na Flipoços, onde a contadora de história e escritora Vanessa Corrêa fez contação de história para duas escolas locais e foi muito bom, pois percebi que as crianças estão atentas às questões envolvendo as árvores. Elas apontavam para as árvores na área externa da Urca, onde aconteceu o evento, e achei aquilo lindo. O lançamento acontece neste sábado, dia 9, num local também com árvores, o Parque Rosinha Cadar, das 9 às 13h. Ainda não tenho outros eventos previstos, exceto lançamento em Patrocínio, minha cidade, em agosto, mas com certeza marcaremos outros. Há possibilidade de uma apresentação no dia 17 deste mês, no Galpão Paraíso. E também faremos uma contação de história do livro na Festa Literária de Parati (Flip), em local a ser confirmado.

 

RM: Como fundadora e diretora da Páginas Editora, explica como é trabalhar acumulando também o papel de escritora?

LR: Na editora tenho muito trabalho, pois, como em todo empreendimento de pequeno porte, assumo muitas funções. Por isso escrever acaba ficando para os domingos e poucas horas de folga. Tenho, inclusive, batalhado um romance histórico que está comigo há 4 anos e ainda não tenho previsão de concluir. Mas sendo menor o texto para crianças, ainda que precise ser burilado bastante, a conciliação das atividades acaba sendo possível.

 

RM: Como o mercado está reagindo para a literatura?

LR: O espaço para a literatura continua restrito. O índice de leitura é baixo, cada vez mais prejudicado pela conjuntura, que obriga a todos a trabalhar mais horas e viver menos o ócio necessário para a arte (produção e consumo). Para quem chega ao mercado como editor ou como autor a exigência de divulgação e esforço para abrir espaços é muito grande. Acredito que fazemos, porque amamos a escrita e nosso prazer em ver crianças e adultos lendo, tendo contato com experiências de outrem, vivendo emoções com as histórias, aprendendo um pouquinho também, é muito, muito grande. Por isso a dedicação vale a pena. Mas o mercado não está fácil, apesar de as escolas hoje trabalharem mais a literatura do que há décadas.