Uma escritora que faz arte

Flávia Savary destaca a alta qualidade da produção literária brasileira  (Divulgação)

30/9/2011 – 20:20

O belo texto de Flávia Savary vem enriquecendo a literatura infantil, desde 1979. Foi nesse ano que ela iniciou sua carreira como escritora e dramaturga _ embora até hoje ela ainda não se reconheça assim. “Não tenho perfil de intelectual”, ela disse sorrindo. Mas Flávia é, sim, uma escritora marcante. Carioca e formada em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro, já publicou 21 livros para as crianças  em editoras do Rio, São Paulo, Belo Horizonte e Curitiba.
Sua alma de artista, porém, não se limita às letras. Antes mesmo de começar a escrever histórias, Flávia Savary atuava como ilustradora. Ela é desenhista e, mais do que isto, plenamente comprometida com os princípios da arte. Por isso, na sua opinião, a literatura precisa humanizar. Afinal, essa é a finalidade de toda expressão artística. “Se não toca, não vibra, não sensibiliza, não é boa literatura. A arte precisa resgatar a condição humana, daí tem que ser bela e criativa”, esclarece a escritora.
Ela também não se prende a fórmulas ou outro requisitos: “Eu escrevo para gente e é nisso que acredito”, frisa. Flávia Savary aponta um dado auspicioso: no Brasil, a literatura infantil tem excelente qualidade em todos os setores de produção. “Escritor, ilustrador e editor devem ser parceiros e, quando isso acontece, reflete muito bem na obra”. Esta postura profissional da escritora é reconhecida dentro e fora do país.
Flávia detém cerca de 80 prêmios literários em todos os gêneros no Brasil e no exterior. Participou de várias coletivas com seu trabalho de ilustradora e artista plástica. Tem poemas, crônicas, contos e peças teatrais em obras voltadas para adultos e crianças, publicadas em mais de 40 antologias. Quem desejar se aproximar um pouco mais de Flávia Savary pode visitar seu site, que ela está produzindo com muita arte: www.flaviasavary.com

A missão da arte

30/9/2011 – 20:00h

Meishu-Sama *

Cada coisa existente no Universo possui uma utilidade específica para a sociedade humana, ou seja, uma missão atribuída pelos Céus. Naturalmente, a arte não constitui exceção. Portanto, uma vez que o artista é um membro da organização social, ele deve conscientizar-se de sua missão e exercê-la plenamente, pois essa é a verdadeira arte e também a responsabilidade que lhe cabe.
Entretanto, quando observo os artistas da atualidade, não posso deixar de ficar decepcionado com as atitudes inconsequentes da maioria. É claro que existem artistas excelentes, mas a maior parte se esquece da sua responsabilidade, ou melhor, não tem nenhuma consciência dela.
Além do mais, eles constituem um problema, pois, tendo-se como criaturas superiores, fazem o que bem entendem sem a menor vergonha. Acham que, agindo de acordo com sua própria vontade, estão manifestando sua personalidade e seu caráter de gênio. A sociedade, por sua vez, os superestima, considerando-os pessoas especiais, e aprova quase tudo que eles fazem. Por isso, sua mania de grandeza torna-se ainda maior.
É preciso, todavia, que o caráter dos artistas seja muito mais elevado que o das pessoas comuns. Explicarei isto com base na minha experiência.
Inegavelmente, nos primórdios da sua história, a humanidade possuía muitas características animais, mas não há dúvida de que, após a era selvagem, ela veio progredindo gradativamente, construindo-se, pouco a pouco, a civilização ideal. Neste sentido, o progresso da civilização consiste na eliminação do caráter animal do homem. Alcançar esse nível é alcançar a verdadeira civilização. Ainda hoje, porém, a maioria das pessoas está sujeita ao terror da guerra, prova de que persiste no homem uma grande parcela de características animais. Assim, cabe ao artista uma grande missão: ele é um dos encarregados da eliminação de tais características.
Torna-se necessário, portanto, elevar o caráter do homem por meio da arte. Naturalmente, esse objetivo será alcançado através da literatura, da pintura, da música, do teatro, do cinema e de outras artes. O espírito dos artistas, comunicando-se por esses veículos, influenciará o espírito do povo. Falando mais claro, as vibrações espirituais emitidas pela alma do artista tocarão a sensibilidade das pessoas através das obras literárias, da pintura, dos instrumentos musicais, dos cantos, das danças, etc.
Em outras palavras: haverá uma sólida ligação entre o espírito do artista e o espírito de quem apreciar suas obras. Se o caráter daquele for baixo, o das pessoas também se degradará; obviamente, se for um caráter elevado, terá o efeito contrário.
Eis a importância da arte. O artista deve funcionar como orientador espiritual do povo. Neste sentido, não seria exagero afirmar que uma parte da responsabilidade do aumento do mal social cabe aos artistas.
Vejamos: erotismo cada vez mais vulgar, literatura cada vez mais grotesca, quadros cada vez mais monstruosos; as opiniões dos artistas, assim como também a música, o teatro e o cinema, cada vez piores. Se analisarem minuciosamente tais fatos, certamente compreenderão que a minha tese não é errada.

* Meishu-Sama é o fundador da Igreja Messiânica

Leitura na tela ou no livro

23/9/2011 – 19:50h

A dúvida persiste. A criança deve ler apenas os livros de papel ou pode utilizar também os gadgets, ou seja, pranchetas, e-books, celulares, além do computador pessoal seja ele de mesa ou portátil? Na minha opinião, o conteúdo é mais relevante que o meio. O hábito da leitura, sim, é fundamental e precisa ser formado nas crianças.

Por outro lado, é importante lembrar que estamos vivendo numa era de avanços significativos no campo tecnológico. No futuro, estas crianças serão adultos e profissionais e, então, já terão que ter adquirido outro hábito tão fundamental para o seu sucesso quanto o da leitura: o raciocínio digital.

As empresas e instituições, cada vez mais, substituem as rotinas analógicas por softwares, que rodam não apenas em computadores, mas também em inúmeros meios eletrônicos; comunicam-se por redes, fazem negócios em ambientes web e adotam a colaboração on line, o trabalho a distância e as videoconferências no lugar de exaustivas reuniões, viagens, papelada em cima da mesa e tarefas solitárias.

Parece simples. Mas nem tanto. Muitos projetos dentro de empresas e instituições não vão para frente ou demoram para decolar simplesmente pela falta de profissionais com raciocínio digital, ou seja, indivíduos preparados para a convivência natural e bem-sucedida com os bytes.

Como formar esse raciocínio digital?

Tem-se observado que os jovens que convivem com os gadgets, jogam no computador, frequentam as redes sociais e conhecem suas manhas, utilizam a internet, mas, acima de tudo, sabem perceber as peculiaridades desta rede e estabelecem intimidade com as ofertas eletrônicas têm sido a salvação de muitos empresários no momento de eles contratarem um profissional para atuar com meios digitais.

As universidades, muitas vezes, cedem seus alunos precocemente para o mercado por uma necessidade imperativa. Antes de graduar, eles já são contratados. Entre as novas carreiras preparadas dentros destas escolas especializadas, boa parte é puro raciocínio digital como é o caso do Analista de Redes Sociais, Comércio Eletrônico, Analista de Palavra-chave, Especialista em Ferramentas de Inovação, Testes de softwares e games, Bioinformata, Biotecnólogo, Nanotecnólogo entre as principais.

Isto sem falar nas empresas tradicionais que continuam se adaptando para a sobrevivência na sociedade eletrônica e sempre precisam encontrar profissionais de carreiras tradicionais, porém, capazes de dominarem a dinâmica ditada pelo advento tecnológico.

O raciocínio digital é um atributo que vale ouro hoje em dia. Não se forma da noite para o dia. Não pode se limitar ao conhecido raciocínio abstrato, pois exige capacidades específicas para um novo ambiente e de diferentes estímulos. Pensar e agir digitalmente é principalmente se comportar com os valores da nova era: deixar realmente por conta da máquina muitas tarefas que ainda teimamos em executar e ainda saber compartilhar, interagir, sintetizar, colaborar; possuir agilidade peculiar, trabalhar com o estado-da-arte e valorizar a ordem exigida por softwares e equipamentos.

Felizmente, toda criança se inclina naturalmente para os meios eletrônicos e ajudá-la a penetrar no cenário digital é quase um dever de pais e educadores.

Por isso, eu acredito que se estes pais e educadores, primeiro, conseguirem desbravar estes recursos para conhecê-los e, em seguida, introduzirem suas crianças com segurança e tranquilidade no uso dos mesmos, estarão no caminho certo. Sendo assim, os livros e as histórias precisam e devem ser apreciados pelo público infantil tanto no papel quanto nos bits e bytes. (por Rosa Maria)

Leo Cunha: “Crianças gostam de mergulhar na história”

Leo Cunha gosta de encantar as crianças (Internet)

14/9/2011 – 22:23h

Atualmente, o nome de Leo Cunha tem aparecido mais ao lado do título “Castelos, princesas e babás”, que a Editora Dimensão lançou no Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais e que também foi  destaque na V Mostra Literária de Contagem. Sobre a sua mais recente obra, o escritor comenta da seguinte forma:
” É uma história bem humorada, na tradição dos contos cumulativos, sobre uma princesa mimada que, um belo dia, resolve que não vai dormir enquanto a babá real não encontrar seu gorrinho rosa de pompom na ponta. E a babá vai ter que rebolar para encontrar o bendito gorrinho, percorrendo mil vezes os caminhos e descaminhos do castelo. Nas entrelinhas, o texto traz uma reflexão sobre as relações de classe, amizade, solidão. A ilustração do Gilles Eduar são muito bem boladas e enriquecem o mundo que eu criei nessa história”.
Este ano, Leo Cunha está completando 20 anos de literatura infantil. O seu primeiro texto foi publicado na revista Alegria (era a revista Recreio, que durante alguns anos mudou de nome). O conto se chamava “Em boca fechada não entra estrela”. Alguns anos depois, em 1994, este texto foi lançado como um livro, ilustrado pelo Roger Mello, na Ediouro.
Nesta trajetória, o escritor já publicou cerca de 40 livros, além de mais de 20 traduções e vários contos e poemas incluídos em coletâneas. A lista completa pode ser vista no seu site http://leocunha.jex.com.br. São livros de crônica, poesia e prosa para crianças e jovens. Leo Cunha nasceu com o dom de criar e escrever e, mais do que isso, passou sua infância se preparando para esta condição:
“Eu cresci praticamente dentro de uma biblioteca (minha mãe tem mais de 20 mil livros em casa) e de uma livraria (minha mãe abriu uma livraria de literatura infantil quando eu tinha 12 anos). Então pude conhecer e me encantar com a grande riqueza da literatura infantil”.
O seu processo de criação não segue nenhuma rotina específica. As primeiras ideias para um poema, conto ou crônica podem surgir em qualquer momento e qualquer lugar. Então, ele costuma rabiscar estas ideias num papel, caderno, guardanapo, folheto, o que estiver disponível. Depois, no computador, começa a construir o texto, reescrever várias vezes, cortar, aumentar, etc.

Livros que emocionam

Leo Cunha explica que seu ideal literário é “fazer livros que envolvam, encantem, divirtam, emocionem e eventualmente assustem (se for uma história de terror, por exemplo) as crianças. Não tenho a menor intenção nem desejo de transmitir ensinamentos, lições de moral, regras de comportamento, nada disso”.
Para ele, o terceiro milênio e suas transformações não mudaram as crianças e ele não vê muita diferença entre as de hoje e as de algumas décadas atrás. “Todas gostam de mergulhar numa história, conhecer personagens e lugares interessantes, gostam de brincar com a linguagem, com a palavra. Cabe a nós criar livros que deem conta disso”.
Leo Cunha é mineiro, nascido em Bocaiúva, norte do Estado, mas vive em Belo Horizonte desde os dois anos de idade. Morou um ano nos EUA e pouco mais de um mês na França. Daí ter enveredado também pelas traduções. Além disso, ele é professor universitário há 15 anos, no curso de jornalismo do UNI-BH e em diversos cursos de pós-graduação, no UNI e na PUC-Minas. Fez Mestrado em Ciência da Informação e Doutorado em Cinema, na UFMG, com uma pesquisa sobre os personagens cômicos no cinema francês contemporâneo.