Leitura na tela ou no livro

23/9/2011 – 19:50h

A dúvida persiste. A criança deve ler apenas os livros de papel ou pode utilizar também os gadgets, ou seja, pranchetas, e-books, celulares, além do computador pessoal seja ele de mesa ou portátil? Na minha opinião, o conteúdo é mais relevante que o meio. O hábito da leitura, sim, é fundamental e precisa ser formado nas crianças.

Por outro lado, é importante lembrar que estamos vivendo numa era de avanços significativos no campo tecnológico. No futuro, estas crianças serão adultos e profissionais e, então, já terão que ter adquirido outro hábito tão fundamental para o seu sucesso quanto o da leitura: o raciocínio digital.

As empresas e instituições, cada vez mais, substituem as rotinas analógicas por softwares, que rodam não apenas em computadores, mas também em inúmeros meios eletrônicos; comunicam-se por redes, fazem negócios em ambientes web e adotam a colaboração on line, o trabalho a distância e as videoconferências no lugar de exaustivas reuniões, viagens, papelada em cima da mesa e tarefas solitárias.

Parece simples. Mas nem tanto. Muitos projetos dentro de empresas e instituições não vão para frente ou demoram para decolar simplesmente pela falta de profissionais com raciocínio digital, ou seja, indivíduos preparados para a convivência natural e bem-sucedida com os bytes.

Como formar esse raciocínio digital?

Tem-se observado que os jovens que convivem com os gadgets, jogam no computador, frequentam as redes sociais e conhecem suas manhas, utilizam a internet, mas, acima de tudo, sabem perceber as peculiaridades desta rede e estabelecem intimidade com as ofertas eletrônicas têm sido a salvação de muitos empresários no momento de eles contratarem um profissional para atuar com meios digitais.

As universidades, muitas vezes, cedem seus alunos precocemente para o mercado por uma necessidade imperativa. Antes de graduar, eles já são contratados. Entre as novas carreiras preparadas dentros destas escolas especializadas, boa parte é puro raciocínio digital como é o caso do Analista de Redes Sociais, Comércio Eletrônico, Analista de Palavra-chave, Especialista em Ferramentas de Inovação, Testes de softwares e games, Bioinformata, Biotecnólogo, Nanotecnólogo entre as principais.

Isto sem falar nas empresas tradicionais que continuam se adaptando para a sobrevivência na sociedade eletrônica e sempre precisam encontrar profissionais de carreiras tradicionais, porém, capazes de dominarem a dinâmica ditada pelo advento tecnológico.

O raciocínio digital é um atributo que vale ouro hoje em dia. Não se forma da noite para o dia. Não pode se limitar ao conhecido raciocínio abstrato, pois exige capacidades específicas para um novo ambiente e de diferentes estímulos. Pensar e agir digitalmente é principalmente se comportar com os valores da nova era: deixar realmente por conta da máquina muitas tarefas que ainda teimamos em executar e ainda saber compartilhar, interagir, sintetizar, colaborar; possuir agilidade peculiar, trabalhar com o estado-da-arte e valorizar a ordem exigida por softwares e equipamentos.

Felizmente, toda criança se inclina naturalmente para os meios eletrônicos e ajudá-la a penetrar no cenário digital é quase um dever de pais e educadores.

Por isso, eu acredito que se estes pais e educadores, primeiro, conseguirem desbravar estes recursos para conhecê-los e, em seguida, introduzirem suas crianças com segurança e tranquilidade no uso dos mesmos, estarão no caminho certo. Sendo assim, os livros e as histórias precisam e devem ser apreciados pelo público infantil tanto no papel quanto nos bits e bytes. (por Rosa Maria)