Leo Cunha: “Crianças gostam de mergulhar na história”

Leo Cunha gosta de encantar as crianças (Internet)

14/9/2011 – 22:23h

Atualmente, o nome de Leo Cunha tem aparecido mais ao lado do título “Castelos, princesas e babás”, que a Editora Dimensão lançou no Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais e que também foi  destaque na V Mostra Literária de Contagem. Sobre a sua mais recente obra, o escritor comenta da seguinte forma:
” É uma história bem humorada, na tradição dos contos cumulativos, sobre uma princesa mimada que, um belo dia, resolve que não vai dormir enquanto a babá real não encontrar seu gorrinho rosa de pompom na ponta. E a babá vai ter que rebolar para encontrar o bendito gorrinho, percorrendo mil vezes os caminhos e descaminhos do castelo. Nas entrelinhas, o texto traz uma reflexão sobre as relações de classe, amizade, solidão. A ilustração do Gilles Eduar são muito bem boladas e enriquecem o mundo que eu criei nessa história”.
Este ano, Leo Cunha está completando 20 anos de literatura infantil. O seu primeiro texto foi publicado na revista Alegria (era a revista Recreio, que durante alguns anos mudou de nome). O conto se chamava “Em boca fechada não entra estrela”. Alguns anos depois, em 1994, este texto foi lançado como um livro, ilustrado pelo Roger Mello, na Ediouro.
Nesta trajetória, o escritor já publicou cerca de 40 livros, além de mais de 20 traduções e vários contos e poemas incluídos em coletâneas. A lista completa pode ser vista no seu site http://leocunha.jex.com.br. São livros de crônica, poesia e prosa para crianças e jovens. Leo Cunha nasceu com o dom de criar e escrever e, mais do que isso, passou sua infância se preparando para esta condição:
“Eu cresci praticamente dentro de uma biblioteca (minha mãe tem mais de 20 mil livros em casa) e de uma livraria (minha mãe abriu uma livraria de literatura infantil quando eu tinha 12 anos). Então pude conhecer e me encantar com a grande riqueza da literatura infantil”.
O seu processo de criação não segue nenhuma rotina específica. As primeiras ideias para um poema, conto ou crônica podem surgir em qualquer momento e qualquer lugar. Então, ele costuma rabiscar estas ideias num papel, caderno, guardanapo, folheto, o que estiver disponível. Depois, no computador, começa a construir o texto, reescrever várias vezes, cortar, aumentar, etc.

Livros que emocionam

Leo Cunha explica que seu ideal literário é “fazer livros que envolvam, encantem, divirtam, emocionem e eventualmente assustem (se for uma história de terror, por exemplo) as crianças. Não tenho a menor intenção nem desejo de transmitir ensinamentos, lições de moral, regras de comportamento, nada disso”.
Para ele, o terceiro milênio e suas transformações não mudaram as crianças e ele não vê muita diferença entre as de hoje e as de algumas décadas atrás. “Todas gostam de mergulhar numa história, conhecer personagens e lugares interessantes, gostam de brincar com a linguagem, com a palavra. Cabe a nós criar livros que deem conta disso”.
Leo Cunha é mineiro, nascido em Bocaiúva, norte do Estado, mas vive em Belo Horizonte desde os dois anos de idade. Morou um ano nos EUA e pouco mais de um mês na França. Daí ter enveredado também pelas traduções. Além disso, ele é professor universitário há 15 anos, no curso de jornalismo do UNI-BH e em diversos cursos de pós-graduação, no UNI e na PUC-Minas. Fez Mestrado em Ciência da Informação e Doutorado em Cinema, na UFMG, com uma pesquisa sobre os personagens cômicos no cinema francês contemporâneo.