Livro eletrônico em boa fase

26/1/2012 – 23:29h

Aos poucos, o e-book vai mostrando a que veio. Os últimos lançamentos a ele destinados, como o “iBooks2” e o “iBooks Author”, da Apple, e outros apresentados durante o “Digital Book World”, mostram que muitos fabricantes continuam investindo em pesquisa e desenvolvimento para aproximá-lo dos usuários.

Inicialmente, é preciso dizer que toda tecnologia, que é disponibilizada para o mercado, se apresenta com um potencial que precisa ser inteligentemente aproveitado. Desde o advento digital, muita coisa surgiu com jeito que iria revolucionar a sociedade, mas acabou não sobrevivendo. Motivo: faltou a segunda parte, ou seja, a indústria não aplicou a tecnologia de modo que a mesma se inserisse na maneira de viver e ser das pessoas e ou das empresas.

Às vezes, a indústria falha em suas avaliações. Vale lembrar que até mesmo Bill Gates, no início da década de 1990, chegou a desdenhar a internet. Na época, ele demorou a desenvolver browser para navegação na “World Wide Web” e sua Microsoft, líder em software, chegou a perder mercado para a Netscape, cujo navegador durante os três primeiros anos da abertura comercial da rede foi o número 1 dos usuários.

Outras vezes acontece de a tecnologia ser perfeita, mas a sua interface com o usuário falhar. Aí, o produto não decola e fica comprometido ou restrito a uma pequena faixa de mercado sem conseguir a popularidade capaz de provocar a revolução pretendida. O próprio microcomputador, o PC, não atingiu a abrangência que a indústria profetizou como, por exemplo, de se tornar uma central do lar a qual estariam interligados os eletrodomésticos _ entre eles, a geladeira com tela touch-screen, conexão com a internet e tráfego de e-mail lançada no mercado por vários fabricantes _ além do hometheater. Da geladeira pouca gente sabe, mas o sonho da central do lar permanece e estão tentando transferi-la, agora, para a televisão digital: será que a nova TV se tornará tão importante dentro do lar como tem sido há tantos anos a analógica?

Por isso, são muito importantes os últimos lançamentos destinados aos e-books. São ferramentas que vão aproximar a indústria de afinidade desta tecnologia que é quem pode contribuir para tornar o livro eletrônico mais atraente e barato. A Apple tem o tablet mais vendido e detém grande experiência com desenvolvimento de softwares para editoração e produção artística, por isso pode contribuir muito para incentivar autores, editores e leitores a produzirem eles mesmos seus conteúdos para e-books.

Quer meio mais eficiente para fazer uma tecnologia ser desejada? Um aplicativo torna a tecnologia capaz, viável. Ou seja, é o aplicativo que atrai e possibilita a interface amigável com o usuário. Por isso, tomara que tanto a Apple como os outros fabricantes que estão desenvolvendo ferramentas para e-books sejam felizes em seus empreendimentos.

Quando o e-book revelar todo o seu potencial para a sociedade, deixará de ser uma ofensa para o livro tradicional. Por que o caminho digital é outro. O livro de papel permanece e o eletrônico vai enveredar para possibilidades que só a inteligência da indústria e a criatividade dos autores vão poder ditar. (Rosa Maria)

A prosa poética de Bartolomeu

Bartolomeu Campos de Queirós em palestra no Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais - Foto: Ignácio Costa/Divulgação

15/1/2012 – 20:42

Uma forma de encontrar bons livros para as nossas crianças é através da pesquisa por autores.

Um grande nome da literatura infantil é o mineiro Bartolomeu Campos de Queirós. Ele escreve com sucesso desde 1974, quando lançou o seu primeiro livro “O peixe e o pássaro”, que logo lhe rendeu um dos mais importantes prêmios literários do país, o Selo de Ouro, outorgado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Bartolomeu nasceu na cidade de Papagaio, Região Metalúrgica, a 151 km de Belo Horizonte, no ano de 1944, e lá viveu sua infância. Veio morar na capital mineira, onde ainda reside.  Formou-se em educação e artes _ as duas vertentes de sua trajetória profissional. Estudou em Paris, no Instituto de Pedagogia, e ainda cursou filosofia e estética. Seu interesse pela literatura e pelo ensino da arte o fez viajar muito por este país.

Desde o lançamento do primeiro livro, vem firmando seu estilo de escrita como uma prosa poética da mais alta qualidade. Fábio Lucas, crítico literário, afirma sobre o autor: “O que há de invulgar no texto de Bartolomeu Campos de Queirós é uma leveza, uma transparência que não se traduz em superficialidade. Antes, constitui abertura para regiões profundas da comunicação poética. Por isso, sua expressão consegue ser, ao mesmo tempo, simples e densa. Ler o seu texto é envolver-se de imediato com a magia das palavras, é seduzir-se com a beleza e a musicalidade da prosa”.

Uma análise publicada no site do Ceale (Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita) da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, diz que vários títulos de Bartolomeu assinalam o caráter exigente, profundamente plástico e sensorial de toda a sua obra: “Entretantos”, “Antes e depois”, “Até passarinho passa”, “Para ler em silêncio”, “A rosa dos ventos”. Outros títulos sublinham a intensa musicalidade de sua literatura, envolvendo os leitores com trocadilhos, aliterações e repetições: “De não em não”, “O guarda chuva do guarda”, “Formiga amiga”, “Pé de sapo e sapato de pato”. Esses nomes já indicam que sua escrita, fruto de exigente trabalho com a linguagem, muitas vezes se aproxima dos ritmos da poesia.

Bartolomeu já publicou 43 livros no Brasil, vários deles traduzidos e editados em outros países. É detentor dos mais importantes prêmios literários nacionais, como o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; da 9ª Bienal de São Paulo; da 1ª Bienal do Livro de Belo Horizonte; do Grande Prêmio da Crítica em Literatura Infantil, pela APCA; do Diploma de Honra da IBBY, de Londres. E das medalhas: Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres (França), Medalha Rosa Branca (Cuba), Grande Medalha da Inconfidência Mineira e Medalha Santos Dumont (Governo do Estado de Minas Gerais).

O autor está indicado para o Prêmio Hans Christian Andersen, conhecido como o Nobel da literatura infantil. O prêmio é realizado a cada dois anos pela International Board on Books for Young People – IBBY. Concorrem a ele um autor e um ilustrador de cada país e as indicações são feitas pela seção do IBBY regional, no Brasil, representada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. O prêmio será confirmado e entregue durante a Feira do Livro Infantil de Bolonha, no dia 19 de março deste ano.

Uma iniciativa cultural do autor foi a criação do Movimento por um Brasil Literário que, entre autores e leitores, tem cerca de 7 mil adeptos. Mas este não é o único projeto de leitura ao qual Bartolomeu vem se dedicando. Ele já participou do Proler e Biblioteca Nacional, foi presidente da Fundação Clóvis Salgado (Palácio das Artes) e membro do Conselho Estadual da Cultura de Minas Gerais.