A prosa poética de Bartolomeu

Bartolomeu Campos de Queirós em palestra no Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais - Foto: Ignácio Costa/Divulgação

15/1/2012 – 20:42

Uma forma de encontrar bons livros para as nossas crianças é através da pesquisa por autores.

Um grande nome da literatura infantil é o mineiro Bartolomeu Campos de Queirós. Ele escreve com sucesso desde 1974, quando lançou o seu primeiro livro “O peixe e o pássaro”, que logo lhe rendeu um dos mais importantes prêmios literários do país, o Selo de Ouro, outorgado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Bartolomeu nasceu na cidade de Papagaio, Região Metalúrgica, a 151 km de Belo Horizonte, no ano de 1944, e lá viveu sua infância. Veio morar na capital mineira, onde ainda reside.  Formou-se em educação e artes _ as duas vertentes de sua trajetória profissional. Estudou em Paris, no Instituto de Pedagogia, e ainda cursou filosofia e estética. Seu interesse pela literatura e pelo ensino da arte o fez viajar muito por este país.

Desde o lançamento do primeiro livro, vem firmando seu estilo de escrita como uma prosa poética da mais alta qualidade. Fábio Lucas, crítico literário, afirma sobre o autor: “O que há de invulgar no texto de Bartolomeu Campos de Queirós é uma leveza, uma transparência que não se traduz em superficialidade. Antes, constitui abertura para regiões profundas da comunicação poética. Por isso, sua expressão consegue ser, ao mesmo tempo, simples e densa. Ler o seu texto é envolver-se de imediato com a magia das palavras, é seduzir-se com a beleza e a musicalidade da prosa”.

Uma análise publicada no site do Ceale (Centro de Alfabetização, Leitura e Escrita) da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Minas Gerais, diz que vários títulos de Bartolomeu assinalam o caráter exigente, profundamente plástico e sensorial de toda a sua obra: “Entretantos”, “Antes e depois”, “Até passarinho passa”, “Para ler em silêncio”, “A rosa dos ventos”. Outros títulos sublinham a intensa musicalidade de sua literatura, envolvendo os leitores com trocadilhos, aliterações e repetições: “De não em não”, “O guarda chuva do guarda”, “Formiga amiga”, “Pé de sapo e sapato de pato”. Esses nomes já indicam que sua escrita, fruto de exigente trabalho com a linguagem, muitas vezes se aproxima dos ritmos da poesia.

Bartolomeu já publicou 43 livros no Brasil, vários deles traduzidos e editados em outros países. É detentor dos mais importantes prêmios literários nacionais, como o Prêmio Jabuti, da Câmara Brasileira do Livro; da 9ª Bienal de São Paulo; da 1ª Bienal do Livro de Belo Horizonte; do Grande Prêmio da Crítica em Literatura Infantil, pela APCA; do Diploma de Honra da IBBY, de Londres. E das medalhas: Chevalier de l’Ordre des Arts et des Lettres (França), Medalha Rosa Branca (Cuba), Grande Medalha da Inconfidência Mineira e Medalha Santos Dumont (Governo do Estado de Minas Gerais).

O autor está indicado para o Prêmio Hans Christian Andersen, conhecido como o Nobel da literatura infantil. O prêmio é realizado a cada dois anos pela International Board on Books for Young People – IBBY. Concorrem a ele um autor e um ilustrador de cada país e as indicações são feitas pela seção do IBBY regional, no Brasil, representada pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil. O prêmio será confirmado e entregue durante a Feira do Livro Infantil de Bolonha, no dia 19 de março deste ano.

Uma iniciativa cultural do autor foi a criação do Movimento por um Brasil Literário que, entre autores e leitores, tem cerca de 7 mil adeptos. Mas este não é o único projeto de leitura ao qual Bartolomeu vem se dedicando. Ele já participou do Proler e Biblioteca Nacional, foi presidente da Fundação Clóvis Salgado (Palácio das Artes) e membro do Conselho Estadual da Cultura de Minas Gerais.