Livros digitais ainda são desconhecidos

31/3/2012 – 20:21h

Brasília – A leitura de livros digitais, também conhecidos como e-books, ainda é pouco disseminada no país. Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada no dia 28 de março, pelo Instituto Pró-Livro, mostram que 70% dos entrevistados nunca ouviram falar dos livros eletrônicos que podem ser lidos em equipamentos como tablets (computadores de prancheta) e e-readers (livros digitais).
Dos 30% que já ouviram falar em e-books, 82% nunca leram um livro eletrônico. De acordo com o levantamento, as pessoas que têm acesso aos livros digitais ou leram pelo computador (17%) ou pelo celular (1%). A maioria dos leitores (87%) baixou o livro gratuitamente pela internet, e desses, 38% piratearam os livros digitais. Apenas 13% das pessoas pagaram pelo download.
Os leitores aprovam o formato eletrônico dos livros digitais, segundo a pesquisa. A maior parte dos entrevistados lê de dois a cinco livros por ano. No entanto, mesmo que muitos sejam adeptos dos livros digitais, a maioria dos leitores acha difícil a extinção do livro de papel.
Os livros digitais são mais populares entre o público de 18 a 24 anos. A maioria dos leitores de e-books pertence à classe A e tem nível superior completo. De acordo com a pesquisa, 52% dos leitores são mulheres e 48% homens.
O levantamento avaliou que a leitura de livros digitais no Brasil é considerada uma tendência. Nos Estados Unidos, a venda de e-books supera a de livros impressos. De acordo com a Associação Americana de Editores, as vendas dos livros digitais cresceram 117,3%, em 2011. Ainda segundo a associação, o mercado cresceu mais de 100% em três anos.

(Daniella Jinkings – Repórter; Aécio Amado – Editor – Agência Brasil)

Maioria dos brasileiros nunca foi à biblioteca

30/3/2012 – 19:47h

Brasília – A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada dia 28 de março, aponta que 75% dos brasileiros nunca frequentaram uma biblioteca. A quantidade de pessoas que não buscam as bibliotecas é a mesma de 2007. No entanto, o uso frequente desse espaço caiu de 10% para 7% entre 2007 e 2011.

A maioria dos entrevistados (71%) sabe da existência de uma biblioteca pública em sua cidade e diz que o acesso a ela é fácil. Os estudantes são os que mais usam esse tipo de equipamento, 64% dos entrevistados disseram que procuram mais pelas bibliotecas escolares. De acordo com a pesquisa, 50% dos frequentadores pertencem à classe C.

A média de livros lidos nos últimos três meses por quem vai às bibliotecas é 3,84 livros. A maioria dos usuários é da Região Sudeste (43%). A Região Nordeste tem 24% de frequentadores assíduos, as regiões Norte e Centro-Oeste, 18% cada, e a Região Sul, 14%.

Além de não ir à biblioteca, a maioria dos brasileiros (33%) disse que não tem nada que o motive a frequentar o espaço de estudo (33%). Para 20% dos entrevistados, no entanto, a existência de livros novos é considerada um atrativo, 17% declararam que frequentariam mais as bibliotecas se elas ficassem perto de onde moram e 13% se elas tivessem livros mais interessantes.

(Daniella Jinkings – Repórter; Aécio Amado – Editor – Agência Brasil)

A pesquisa, segundo os realizadores

Karine Pansa, presidente do Instituto Pro-Livro e da Câmara Brasileira do Livro, comenta os dados de Retratos da Leitura no Brasil - Foto: Divulgação

29/3/2012 – 23:14h

Maior e mais completo estudo sobre o comportamento do leitor brasileiro revela que a média de livros lidos por habitante no País é de quatro obras por ano e que o consumo de livros aumentou consideravelmente.

Foram quatro anos de muitas reflexões sobre os resultados desta importante pesquisa desde a última edição, aplicada em 2007 e divulgada em 2008, e de como novas iniciativas poderiam trazer dados ainda mais precisos acerca do comportamento leitor.

No dia 28 de março deste ano, o IPL (Instituto Pró-Livro), com o apoio das entidades fundadoras (Abrelivros – Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares; CBL – Câmara Brasileira do Livro; e SNEL – Sindicato Nacional dos Editores de Livros), apresentaram, em Brasília, a 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, levantamento que desde 2000 – sua primeira edição – é considerado o maior e mais completo estudo sobre o comportamento leitor do brasileiro em todas as regiões do País.

Para chegar aos indicadores de leitura e traçar o comportamento dos mais de cinco mil entrevistados em 315 municípios nacionais, o IBOPE Inteligência, contratado pelo Pró-Livro, considerou a distribuição da população de mais de cinco anos, pelas regiões brasileiras, baseada nos dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), de 2009, para definir a amostra a ser estudada: Norte (8%), Centro-Oeste (7%), Nordeste (28%), Sudeste (42%) e Sul (15%).

Principais resultados

De acordo com os dados da pesquisa realizada entre junho e julho de 2011, o brasileiro lê em média quatro livros por ano, entre literatura, contos, romances, livros religiosos e didáticos. Deste total, o brasileiro lê 2,1 livros inteiros por ano e dois em partes.

Segundo Karine Pansa, presidente da CBL e do IPL, os dados podem ser considerados bons, uma vez que o mercado brasileiro de livros está aquecido. “Muitos fatores têm contribuído para conscientizar a população sobre a importância do hábito da leitura, como a queda constante nos preços, o aumento do poder aquisitivo (principalmente da chamada nova classe média), que reflete na melhora do percentual de aquisições de obras registrado pela pesquisa _ de 45% em 2007 para 48% em 2011 – e o crescimento das novas tecnologias, como os e-books, que apresentam mais familiaridade com os jovens”, afirma.

Hoje, o Brasil é composto por 50% de leitores ou cerca de 88,2 milhões de pessoas. Neste conceito, foram considerados leitores apenas as pessoas que leram pelo menos um livro, inteiro ou em partes, nos últimos três meses. Há também cerca de 50% de não-leitores. A pesquisa do IPL apontou ainda que é maior o índice de leitoras no País, com 53%, enquanto que o sexo masculino representa esse percentual com 43%.

Considerando-se apenas os últimos três meses entre todos os entrevistados _ período que o IPL determinou como mais fácil para a lembrança no ato da entrevista do que se leu _ o brasileiro lê a média de 1,85 livros, sendo que a maior parte deste número (1,05) são os escolhidos por iniciativa própria e o restante (0,81) os indicados pela escola. Separando apenas os leitores, a média no mesmo período é de 3,74.

Quando abordados apenas os estudantes (64% da população ou 114 milhões de pessoas), o nível chega a 3,41 exemplares nos últimos 3 meses. Do índice total, 2,21 livros são indicados pelas escolas e divididos em 1,72 didáticos e 0,49 de literatura. Os alunos também revelaram que leem 1,20 livros por iniciativa própria, divididos entre literatura (0,47), bíblia (0,15), livros religiosos (0,11) e outros gêneros (0,47).

Outro dado apontado revela que a representação sobre a importância da leitura é positiva, pois para a maioria dos participantes, 64%, ‘ler bastante pode fazer uma pessoa vencer na vida e melhorar sua condição socioeconômica’. “Apesar de os indicadores apresentarem uma redução no número de leitores, se aprofundarmos a análise dos resultados percebemos indicadores que mostram uma melhor qualidade nessa leitura, com um crescimento no número de pessoas que afirmaram ler mais hoje do que em relação à última pesquisa”, reforça a presidente do IPL.

De fato, a Retratos da Leitura no Brasil informa que aproximadamente 49% das pessoas leem mais hoje do que em 2007, quando esse número era de 40%. Sobre o tipo de gênero preferido de nossos leitores, a bíblia ainda aparece em primeiro lugar, seguido de livros didáticos, romances, livros religiosos, contos, literatura infantil, entre outros.

No contexto dos incentivadores à leitura, os professores passaram do segundo para o primeiro lugar, ultrapassando a indicação da mãe como a responsável por despertar o interesse pela leitura. “As mães continuam sendo muito lembradas e quase empatam nessa positiva disputa, mas a subida importante do professor pode ser reveladora em relação a ações que estão dando certo. Na verdade, a pesquisa como um todo promove a oportunidade de que especialistas possam identificar projetos bem-sucedidos”, diz Karine Pansa. Por fim, 55% dos entrevistados afirmaram que a motivação para ler vem da atualização cultural e conhecimentos gerais.

Por região do País

De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, a região brasileira que tem a melhor média de livros lidos nos últimos três meses é a Centro-Oeste, com 2,12 exemplares. Uma importante melhora nesses quatro anos foi identificada nos indicadores de leitura do Nordeste, que aparece na segunda colocação com dois livros nos últimos três meses. “Mostra o resultado de políticas públicas de incentivo e do retorno de muitas pessoas ao ambiente escolar”, afirma Karine Pansa.

As demais regiões do Brasil mantiveram-se praticamente no mesmo patamar apontado pela edição em 2007. O Sudeste registrou 1,84 livros nos últimos três meses, o Sul 1,68 e o Norte 1,51. “Ainda há muito que ser feito para conseguirmos chegar a um patamar considerável ideal para um país como o Brasil, que tem potencial econômico forte e vigoroso, mas carece de melhoria nos indicadores de desenvolvimento humano e, em especial, nos indicadores de educação, para deixar as ultimas posições nas avaliações internacionais. Mas acredito que estamos no caminho certo”, finaliza a presidente do IPL.

Sobre a metodologia da pesquisa

De acordo com Karine Pansa, a metodologia para esta edição foi mantida para garantir a comparação com os resultados da 2ª edição e com indicadores de outros países da América Latina que seguem as orientações do CERLAC (Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe)-UNESCO. Porém, houve aperfeiçoamento no instrumento de coleta de dados buscando maior precisão no entendimento a conceitos e formulação das perguntas. “Invertemos a sequência das questões e acrescentamos outras para aprofundar o estudo e a validação das respostas. Com isso, buscamos melhor compreensão, objetividade e confiabilidade nas respostas dos entrevistados”, revela.

(Texto divulgado pela Câmara Brasileira do Livro)

Hábito de leitura cai no Brasil

28/3/2012 – 20:32h

Hoje, o Instituto Pro-Livro divulgou o resultado da 3ª edição da esperada pesquisa Retratos da Leitura no Brasil. Publicamos uma matéria assinada por Nathalia Goulart e extraída do site da Veja Online com os principais números que apontam os hábitos do leitor brasileiro, especialmente as crianças.

Segundo esta matéria, parcela de leitores passou de 55% para 50% da população entre 2007 e 2011. Até entre crianças e adolescentes, que leem por dever escolar, houve redução.

O Instituto Pro-Livro, no entanto, não considera que houve uma queda no índice de leitura dos brasileiros, já que a metodologia da pesquisa sofreu pequenas alterações para torná-la mais precisa. Em 2008, o instituto divulgou pesquisa semelhante que apontava a leitura média de 4,7 livros por ano.

Leia a matéria:

O brasileiro está lendo menos. É isso que revela a pesquisa Retrato da Leitura no Brasil, divulgada nesta quarta-feira pelo Instituto Pró-Livro em parceria com o Ibope Inteligência. De acordo com o levantamento nacional, o número de brasileiros considerados leitores – aqueles que haviam lido ao menos uma obra nos três meses que antecederam a pesquisa – caiu de 95,6 milhões (55% da população estimada), em 2007, para 88,2 milhões (50%), em 2011.

A redução da leitura foi medida até entre crianças e adolescentes, que leem por dever escolar. Em 2011, crianças com idades entre 5 e 10 anos leram 5,4 livros, ante 6,9 registrados no levantamento de 2007. O mesmo ocorreu entre os pré-adolescentes de 11 a 13 anos (6,9 ante 8,5) e entre adolescente de 14 a 17 (5,9 ante 6,6 livros).

Para Marina Carvalho, supervisora da Fundação Educar DPaschoal, que trabalha com programas de incentivo à leitura, uma das razões para a queda no hábito de leitura entre o público infanto-juvenil é a falta de estímulos vindos da família. “Se em casa as crianças não encontram pais leitores, reforça-se a ideia de que ler é uma obrigação escolar. Se existe uma queda no número de leitores adultos, isso se reflete no público infantil”, diza especialista. “As crianças precisam estar expostas aos livros antes mesmo de aprender a ler. Assim, elas criam uma relação afetuosa com as publicações e encontram uma atividade que lhes dá prazer.”

O levantamento reforça um traço já conhecido entre os brasileiros: o vínculo entre leitura e escolaridade. Entre os entrevistados que estudam, o percentual de leitores é três vezes superior ao de não leitores (48% vs. 16%). Já entre aqueles que não estão na escola, a parcerla de não leitores é cerca de 50% superior ao de leitores: 84% vs. 52%.

Outro indicador revela a queda do apreço do brasileiro pela leitura como hobby. Em 2007, ler era a quarta atividade mais apreciada no tempo livre; quatro anos depois, o hábito caiu para sétimo lugar. Antes, 36% declaravam enxergar a leitura como forma de lazer, parcela reduzida a 28%.

À frente dos livros, apareceram na sondagem assistir à TV (85% em 2011 vs. 77% em 2007), escutar música ou rádio (52% vs. 54%), descansar (51% vs. 50%), reunir-se com amigos e família (44% vs. 31%), assistir a vídeos/filmes em DVD (38% vs. 29%) e sair com amigos (34% vs. 33%). “No século XXI, o livro disputa o interesse dos cidadãos com uma série de entretenimentos que podem parecer mais sedutores. Ou despertamos o interesse pela leitura, ou perderemos a batalha”, diz Christine Castilho Fontelles, diretora de educação e cultura do Instituto Ecofuturo, que há 13 anos promove ações de incentivo a leitura.

Um levantamento recente do Ecofuturo revelou a influência das bibliotecas sobre os potenciais leitores. De acordo com o levantamento, estudantes de escolas próximas a bibliotecas comunitárias obtêm desempenho superior ao de alunos que frequentam regiões sem biblioteca. Nesses casos, o índice de aprovação chega a ser 156% superior, e a taxa de abandono cai até 46%. “Ainda temos uma desafio grande a ser enfrentado, já que grande parte das escolas da rede pública não contam com biblioteca.” Uma lei aprovada em 2010 obriga todas as escolas a ter uma biblioteca até 2020. Na época, o movimento independente Todos Pela Educação estimou que, para cumprir com a exigência, o país teria de erguer 24 bibliotecas por dia.

A pesquisa Retrato da Leitura no Brasil foi realizada entre 11 de junho e 3 de julho de 2011 e ouviu 5.012 pessoas, com idade superior a 5 anos de idade, em 315 municípios. A margem de erro é de 1,4 ponto percentual.