A pesquisa, segundo os realizadores

Karine Pansa, presidente do Instituto Pro-Livro e da Câmara Brasileira do Livro, comenta os dados de Retratos da Leitura no Brasil - Foto: Divulgação

29/3/2012 – 23:14h

Maior e mais completo estudo sobre o comportamento do leitor brasileiro revela que a média de livros lidos por habitante no País é de quatro obras por ano e que o consumo de livros aumentou consideravelmente.

Foram quatro anos de muitas reflexões sobre os resultados desta importante pesquisa desde a última edição, aplicada em 2007 e divulgada em 2008, e de como novas iniciativas poderiam trazer dados ainda mais precisos acerca do comportamento leitor.

No dia 28 de março deste ano, o IPL (Instituto Pró-Livro), com o apoio das entidades fundadoras (Abrelivros – Associação Brasileira de Editores de Livros Escolares; CBL – Câmara Brasileira do Livro; e SNEL – Sindicato Nacional dos Editores de Livros), apresentaram, em Brasília, a 3ª edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, levantamento que desde 2000 – sua primeira edição – é considerado o maior e mais completo estudo sobre o comportamento leitor do brasileiro em todas as regiões do País.

Para chegar aos indicadores de leitura e traçar o comportamento dos mais de cinco mil entrevistados em 315 municípios nacionais, o IBOPE Inteligência, contratado pelo Pró-Livro, considerou a distribuição da população de mais de cinco anos, pelas regiões brasileiras, baseada nos dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), de 2009, para definir a amostra a ser estudada: Norte (8%), Centro-Oeste (7%), Nordeste (28%), Sudeste (42%) e Sul (15%).

Principais resultados

De acordo com os dados da pesquisa realizada entre junho e julho de 2011, o brasileiro lê em média quatro livros por ano, entre literatura, contos, romances, livros religiosos e didáticos. Deste total, o brasileiro lê 2,1 livros inteiros por ano e dois em partes.

Segundo Karine Pansa, presidente da CBL e do IPL, os dados podem ser considerados bons, uma vez que o mercado brasileiro de livros está aquecido. “Muitos fatores têm contribuído para conscientizar a população sobre a importância do hábito da leitura, como a queda constante nos preços, o aumento do poder aquisitivo (principalmente da chamada nova classe média), que reflete na melhora do percentual de aquisições de obras registrado pela pesquisa _ de 45% em 2007 para 48% em 2011 – e o crescimento das novas tecnologias, como os e-books, que apresentam mais familiaridade com os jovens”, afirma.

Hoje, o Brasil é composto por 50% de leitores ou cerca de 88,2 milhões de pessoas. Neste conceito, foram considerados leitores apenas as pessoas que leram pelo menos um livro, inteiro ou em partes, nos últimos três meses. Há também cerca de 50% de não-leitores. A pesquisa do IPL apontou ainda que é maior o índice de leitoras no País, com 53%, enquanto que o sexo masculino representa esse percentual com 43%.

Considerando-se apenas os últimos três meses entre todos os entrevistados _ período que o IPL determinou como mais fácil para a lembrança no ato da entrevista do que se leu _ o brasileiro lê a média de 1,85 livros, sendo que a maior parte deste número (1,05) são os escolhidos por iniciativa própria e o restante (0,81) os indicados pela escola. Separando apenas os leitores, a média no mesmo período é de 3,74.

Quando abordados apenas os estudantes (64% da população ou 114 milhões de pessoas), o nível chega a 3,41 exemplares nos últimos 3 meses. Do índice total, 2,21 livros são indicados pelas escolas e divididos em 1,72 didáticos e 0,49 de literatura. Os alunos também revelaram que leem 1,20 livros por iniciativa própria, divididos entre literatura (0,47), bíblia (0,15), livros religiosos (0,11) e outros gêneros (0,47).

Outro dado apontado revela que a representação sobre a importância da leitura é positiva, pois para a maioria dos participantes, 64%, ‘ler bastante pode fazer uma pessoa vencer na vida e melhorar sua condição socioeconômica’. “Apesar de os indicadores apresentarem uma redução no número de leitores, se aprofundarmos a análise dos resultados percebemos indicadores que mostram uma melhor qualidade nessa leitura, com um crescimento no número de pessoas que afirmaram ler mais hoje do que em relação à última pesquisa”, reforça a presidente do IPL.

De fato, a Retratos da Leitura no Brasil informa que aproximadamente 49% das pessoas leem mais hoje do que em 2007, quando esse número era de 40%. Sobre o tipo de gênero preferido de nossos leitores, a bíblia ainda aparece em primeiro lugar, seguido de livros didáticos, romances, livros religiosos, contos, literatura infantil, entre outros.

No contexto dos incentivadores à leitura, os professores passaram do segundo para o primeiro lugar, ultrapassando a indicação da mãe como a responsável por despertar o interesse pela leitura. “As mães continuam sendo muito lembradas e quase empatam nessa positiva disputa, mas a subida importante do professor pode ser reveladora em relação a ações que estão dando certo. Na verdade, a pesquisa como um todo promove a oportunidade de que especialistas possam identificar projetos bem-sucedidos”, diz Karine Pansa. Por fim, 55% dos entrevistados afirmaram que a motivação para ler vem da atualização cultural e conhecimentos gerais.

Por região do País

De acordo com a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, do Instituto Pró-Livro, a região brasileira que tem a melhor média de livros lidos nos últimos três meses é a Centro-Oeste, com 2,12 exemplares. Uma importante melhora nesses quatro anos foi identificada nos indicadores de leitura do Nordeste, que aparece na segunda colocação com dois livros nos últimos três meses. “Mostra o resultado de políticas públicas de incentivo e do retorno de muitas pessoas ao ambiente escolar”, afirma Karine Pansa.

As demais regiões do Brasil mantiveram-se praticamente no mesmo patamar apontado pela edição em 2007. O Sudeste registrou 1,84 livros nos últimos três meses, o Sul 1,68 e o Norte 1,51. “Ainda há muito que ser feito para conseguirmos chegar a um patamar considerável ideal para um país como o Brasil, que tem potencial econômico forte e vigoroso, mas carece de melhoria nos indicadores de desenvolvimento humano e, em especial, nos indicadores de educação, para deixar as ultimas posições nas avaliações internacionais. Mas acredito que estamos no caminho certo”, finaliza a presidente do IPL.

Sobre a metodologia da pesquisa

De acordo com Karine Pansa, a metodologia para esta edição foi mantida para garantir a comparação com os resultados da 2ª edição e com indicadores de outros países da América Latina que seguem as orientações do CERLAC (Centro Regional de Fomento ao Livro na América Latina e no Caribe)-UNESCO. Porém, houve aperfeiçoamento no instrumento de coleta de dados buscando maior precisão no entendimento a conceitos e formulação das perguntas. “Invertemos a sequência das questões e acrescentamos outras para aprofundar o estudo e a validação das respostas. Com isso, buscamos melhor compreensão, objetividade e confiabilidade nas respostas dos entrevistados”, revela.

(Texto divulgado pela Câmara Brasileira do Livro)