O criador de Mendelévio e Telúria

28/5/2012 – 21:20h

Entrevista

João Marcos Parreira Mendonça

Profissional de Histórias em Quadrinhos

João Marcos, desde criança, aprendeu com as Histórias em Quadrinhos - Fotos: Divulgação

Rosa Maria: Como foi sua participação na Bienal de Minas?

João Marcos: Eu participei do espaço Bienal em Quadrinhos, no dia 19, em três atividades: sessão de autógrafos, Desenho no Painel e o Palestra Desenhada, onde contei a minha trajetória profissional ilustrando ao vivo algumas passagens dela. Nos outros horários, autografei e desenhei no estande da Editora Lê, que publica os meus livros.

RM: O que achou do espaço Bienal em Quadrinhos? É a primeira vez que uma Bienal abre um espaço para HQ?

JM: Achei ótimo! É fruto do bom momento que os quadrinhos vivem no Brasil, tanto em termos de quantidade, qualidade e diversidade, além do reconhecimento como linguagem autônoma, como uma das possibilidades de se contar histórias. Acredito que na Bienal de Minas, como parte da programação, foi a primeira vez. O que tivemos antes foi a presença dos quadrinhos em alguns estandes que publicam essa linguagem, mas de forma isolada. Um espaço como o da Bienal acaba virando um ponto de referência para os leitores de quadrinhos (e para os futuros leitores também).

RM: Atualmente, como é o seu trabalho como cartunista?

JM: Eu divido o meu tempo produzindo o meu trabalho autoral, com livros em quadrinhos para crianças e a produção de roteiros para as revistas infantis da Turma da Mônica, do Maurício de Sousa. Também publico uma charge diária para o jornal Diário do Aço, de Ipatinga.

RM: Quando começou a desenhar?

JM: Desde a infância, eu sempre gostei de desenhar. Fui influenciado pela minha mãe, que pintava roupas para crianças, e pelo meu pai, que gostava muito de ler, inclusive histórias em quadrinhos. Ele colecionava as revistas antes de eu nascer, já pensando no filho que viria. Quando nasci, tinha uma coleção de revistas em quadrinhos me esperando! Profissionalmente, eu comecei a trabalhar com desenhos quando tinha 14 anos, no jornal da cidade onde nasci (Ipatinga), Diário do Aço, pra onde produzo charges até hoje.

RM: Quais os personagens que criou?

JM: Durante a infância criava muitos, muitos personagens. Um pouco antes de entrar para a universidade de Belas Artes, criei uma dupla de irmãos, Mendelévio e Telúria, inspirados na minha infância, principalmente nas minhas irmãs. Eles foram a minha porta de entrada para o mundo dos livros em quadrinhos.

RM: Como é sua parceria com Maurício de Sousa?

JM: Eu faço parte da equipe de roteiristas que produz as histórias das revistas infantis, como Mônica, Cebolinha, Chico Bento entre outros. Nós produzimos as histórias em casa, com o texto e um esboço dos desenhos que vão entrar nas cenas, enviamos para o Maurício que lê todas elas. Se aprovadas, vão para a equipe de desenhistas, que fica em São Paulo. Depois dessas etapas, a história passa pela equipe de arte-finalistas, coloristas, letristas e acabamento, antes de chegar às bancas. Só dois roteiristas ficam no estúdio em São Paulo. Os outros colegas estão espalhados por cidades como Porto Alegre, Florianópolis e até no Amazonas. Pelo menos, umas duas vezes por ano, nos encontramos para uma reunião com o Maurício. Todas as outras coisas são resolvidas por e-mail ou telefone.

RM: Como avalia a produção brasileira de HQ? O que destaca?

JM: Acredito que estamos vivendo o melhor momento em termos de produção de quadrinhos, em vários níveis. Em termos de produção, eu destaco a diversidade de autores de qualidade que escrevem para todos os públicos. Muitas editoras, inclusive tradicionais, têm apostado nessa linguagem e publicados livros em quadrinhos também. Na escola existe uma aceitação maior entre professores (porque entre os alunos, os quadrinhos sempre foram populares) e um conhecimento cada vez maior das possibilidades para o uso dos quadrinhos na aprendizagem de diversos conteúdos e áreas do conhecimento, além da prática de leitura. Desde 2006, o Governo Federal tem incluído livros em quadrinhos no PNBE (Programa Nacional Biblioteca da Escola) e, de forma geral, tem feito boas escolhas nessa área.

RM: O que gostaria de fazer daqui para frente?

JM: Tenho muitos projetos e ideias para publicação nessa área. Várias ideias estão prontas esperando a sua vez de entrar no processo de produção. O que mais gostaria era continuar contando muitas histórias na linguagem dos quadrinhos.

RM: O que acha das HQ serem utilizadas em sala de aula?

JM: Acho uma opção muito importante, porque apresenta o diálogo entre o texto e imagem numa linguagem própria, que valoriza as duas áreas, podendo proporcionar várias leituras a partir de uma história. A partir das HQ, qualquer conteúdo pode ser trabalhado e várias possibilidades metodológicas podem ser colocadas em prática a partir de sua leitura e produção em sala de aula.

RM: Que dicas dá para os professores aproveitá-las de forma eficiente? O que deve ser explorado?

JM: Depende da proposta do professor. Algumas HQ específicas podem proporcionar, a partir de sua temática, um aprofundamento ou uma nova visão sobre um determinado tema. Cito como exemplo a HQ “Santô e os Pais da Aviação”, de Spacca (que foi adotada pelo PNBE). É uma história biográfica sobre Santos Dumont e que permite trabalhar o contexto histórico, social, político e artístico da época, além de muitas outras questões. Isso sem falar do prazer da leitura, porque a história é ótima. O bom é que temos muitos exemplos de produção de qualidade como essa.

“Minha aposta: confiar no poder da palavra para tudo”

20/5/2012 – 21:53h

Entrevista

Ana Maria Machado

Escritora e Presidente da Academia Brasileira de Letras

Ana Maria Machado - Foto: Marcos de Paula/AE

A linguagem fascina a carioca Ana Maria Machado, a ponto de escolher a literatura como profissão depois de passar pelo jornalismo impresso e radiofônico. Logo se tornou referência nacional na literatura infantojuvenil, ao lado de Ruth Rocha e Lygia Bojunga Nunes. Também escreveu livros para adultos, alcançando idêntico sucesso de crítica. O valor do conjunto da obra pode ser observado desde o ano passado, quando a editora Alfaguara iniciou o relançamento de seus títulos – até 2013, serão 20 livros (11 infantojuvenis), a maioria fora de catálogo. Ana é das autoras que mais vendem no País, com mais de 18 milhões de exemplares comercializados.

Eleita em dezembro de 2011 presidente da Academia Brasileira de Letras, ela prega, como meta, espalhar as letras em áreas carentes de leitura, como os morros cariocas. Aos 70 anos, Ana Maria, que já foi orientada pelo semiólogo francês Roland Barthes em sua tese de doutorado defendida na Sorbonne, além de ter sido vencedora do prêmio Hans Christian Andersen, equivalente ao Nobel de literatura para adultos, acredita na força da palavra, mesmo diante dos avanços tecnológicos que já cercam a literatura, como os e-books. Sobre esse e outros assuntos, ela conversou com o Sabático.

A senhora alterou algo nas obras agora reeditadas pela Alfaguara?

Não. Como foram relançadas pela Nova Fronteira há pouco tempo, revi com muita atenção, na época. E, mesmo quando revejo, não altero muito. Mas há curiosidades, como em “O Tropical Sol da Liberdade”: o livro estava na quarta edição, revisado por diversas pessoas, mas um detalhe escapou. Eu dizia que um personagem morava no 4.º andar de um prédio e, ao invés de escrever que não havia elevador, coloquei sem escada. Mas, enfim, o que passam são as pequenas coisas. Basicamente, não mudo o que escrevi.

Como observa hoje seu primeiro romance adulto, “Alice e Ulisses”, publicado em 1983?

Foi um livro que me deu muito trabalho. Na primeira versão, a narração era conduzida pela voz de Alice. Ao revisar, percebi que essa primeira pessoa feminina poderia conferir um tom confessional ao livro, que parecesse autobiográfico. Reescrevi, agora do ponto de vista masculino, reduzindo de 250 para 180 laudas. Mas, ao retrabalhar o texto, aquele ponto de vista não me parecia verdadeiro, pois não se sustentava como uma visão masculina. Percebi que não sabia como se sente um homem naquela situação. Aí, parti para uma nova versão, com um narrador externo. Novamente, reduzi o número de laudas, de 180 para 110. Foram quatro anos trabalhando nesse romance.

Aconteceu algo semelhante com seu primeiro livro de poesia, “Sinais do Mar”?

Não, ali o processo foi diferente, porque inicialmente não tinha intenção de publicar. Eu vinha escrevendo esses poemas ao longo de 20 anos até que a Ruth Rocha, que conhecia esse trabalho, me pediu um. “Você tem vários poemas sobre o mar e gostaria de ter um”, ela disse, o que me alertou para essa particularidade. Foi ao reunir todos que notei um foco único, que era o mar.

O mar é presença marcante na sua escrita.

Sim, na minha vida. Nasci em Santa Teresa, que é um morro no centro do Rio, e, do meu apartamento, tinha visões diferentes da Baía de Guanabara. É uma ligação visceral e era inevitável que influenciasse minha obra. No livro “O Mar Nunca Transborda”, por exemplo, que talvez seja meu livro mais pretensioso por querer embarcar cinco séculos de história do Brasil, a ambientação é à beira-mar.

Pretensioso?

Pretensioso, não. Acho que é a primeira vez que usei esse adjetivo em relação a ele. O mais ambicioso – por conta de sua estrutura. O livro se divide em cinco partes, cada uma ambientada em um século com seu sotaque particular. Não são cinco séculos de história do Brasil, mas de história da língua. Como as pessoas se comunicavam, como construíam a linguagem. O primeiro capítulo é ambientado em uma tribo indígena antes da chegada dos europeus. Daí, corta para o escrivão dentro de uma nau – não é preciso dizer em que época se passa. O que me faz ser escritora é o interesse pela língua. A vontade de explorar o idioma, além do cotidiano, do factual. Nos casos dos livros infantis, explorar uma linguagem familiar brasileira, oralizante, coloquial.

Que é difícil.

Muito difícil, mas fascinante. É o que nos distingue de Portugal. Em determinados registros, nós nos lemos mutuamente com muita facilidade. Em um registro coloquial, familiar, oral, é mais difícil.

E como é hoje, com a internet e a linguagem cada vez mais fracionada da meninada?

Essa linguagem da meninada é muito mais uma anotação, uma maneira de escrever, do que a linguagem em si. E não vejo como diferente ou fracionada: é uma maneira de registrar. Telegrama sempre foi escrito de uma forma específica. Trabalhei em rádio e em jornal e tenho perfeita consciência da diferença entre uma e outra linguagem. São possibilidades de registros com diferenças na exploração da construção sintática.

A internet alterou conceitos de espaço em relação à escrita, não?

Sim. No rádio, eu sabia que uma notícia tinha de durar 10 segundos, o que me obrigava a ser sucinta e transformar esse tempo em um determinado número de linhas, para o locutor ler sem estourar. Já o jornal era o reduto do espaço. Hoje é o contrário: o jornal é a concisão e o espaço ilimitado está na internet.

Essa evolução tecnológica já faz a senhora, ao escrever para crianças, pensar em histórias com sons e imagens?

Não. Quando isso ocorrer, será uma adaptação feita por outra pessoa. Não me vejo fazendo isso nem escrevendo roteiro de filme baseado em livro meu, ou mesmo adaptação teatral ou televisiva, embora tenha vontade de explorar a graphic novel, que me atrai muito. Minha atração pela escrita é realmente a linguagem verbal.

Mas já se arriscou a fazer?

Não, pois não sei por onde começar. É como se tivesse de criar uma coreografia a partir de um de meus livros. Não quero pensar em que momento da história deva entrar o barulho de um rio: meu objetivo é que minhas palavras consigam fazer o leitor evocar o barulho do rio. Minha aposta é confiar no poder da palavra para criar qualquer coisa.

Por falar nisso e aproveitando sua Presidência da ABL: como vê a relação da Academia com a sociedade? É verdadeira a imagem de que se trata de um panteão fechado?

É um assunto complexo, com várias respostas. Primeiro, é um panteão e não tem como não ser, à medida que o País tem quase 200 milhões de habitantes e a Academia tem 40 pessoas. Ou seja, não existe proporcionalidade com a pujança cultural que o Brasil produz. Trata-se da consagração – ou deveria ser – de uma carreira e não há o que se discutir. Agora, a modernidade. Não é função da Academia ser moderna, atual ou de vanguarda. A Academia é uma instituição, portanto lenta, pesada. A vanguarda hoje está nos blogs, nos movimentos que ocupam os teatros em horários alternativos, no cinema, na imprensa alternativa. Uma cultura é feita de experimentalismo, que é feito pelos outros, e experiência, representada pela Academia que, sendo contemporânea da sociedade, obriga-se a refletir sobre as questões atuais.

E sobre sua gestão?

Entrei na Academia em 2003 e vivi cinco gestões até chegar à minha. Percebo uma linha de continuidade para manter uma atuação visível dentro da sociedade. Após várias tentativas, conseguimos a parceria de algumas empresas para projetos específicos, como conferências, bibliotecas, publicações, concertos de músicas de câmara, show de música popular, sessões semanais de cinema, leitura dramática de peças, tudo aberto ao público. Houve também um momento de quebrar a imagem de que vivíamos em uma torre de marfim. Acho que isso foi conquistado, pois já é evidente que a Academia não é mais um grupo fechado, com 40 velhinhos tomando chá e falando de seus pares. Agora, estou desejosa de continuar essa abertura atuando principalmente em duas frentes.

Quais seriam?

Chamaria a primeira de interna profunda e está começando de maneira piloto com comunidades recém-pacificadas do Rio. Antes, um detalhe: a escolha do Rio não é aleatória, pois é a cidade onde a Academia funciona e de onde não pode se mudar – é cláusula pétrea do nosso estatuto. Então, aqui estamos tentando trabalhar com populações carentes. Como janeiro e fevereiro foram meses de recesso, estou no início da minha gestão. Assim, no segundo semestre, terei condições de divulgar mais detalhes dessas parcerias que, agora, encaminham para um trabalho com bibliotecas populares e pontos de leitura na UPPs. Um acordo com a Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) nos permite construir e reformar prédios, como a biblioteca no Morro Dona Marta. Caminhamos também para a Flupp, Festa Literária da UPP, que deve ocorrer em novembro. Organizamos ainda um concurso de contos para moradores e policiais das diferentes comunidades do Rio.

E a segunda?

Essa busca em fomentar a visibilidade da literatura brasileira no exterior e a constituição de uma fortuna crítica sobre os nossos escritores. Assim, estabelecemos parcerias com universidades estrangeiras, que passam a estudar obras de autores brasileiros acadêmicos, e manter críticos e especialistas estrangeiros se debruçando sobre essas obras, fazendo colóquios, conferências e, no fim, publicando material correspondente a esses estudos. É a formação de uma fortuna crítica fora. Já fizemos sobre Machado de Assis, Euclides da Cunha, João Cabral de Melo Neto e, este ano, o foco está em Jorge Amado.

A senhora vê a necessidade de a Academia ter sucursais em outras cidades?

É muito bom ter representantes de outros Estados, mas a questão de se abrir sucursais nunca foi discutida. Não sei se é necessário: entidades estaduais, como a Academia Paulista, são muito atuantes. Talvez o caminho natural seja o fortalecimento de uma rede de Academias locais, cada uma com a responsabilidade de manter os projetos de sua região. Mas sem um centralismo nosso. Seria pretensioso.

Que proveito pode se tirar de momentos de grande visibilidade mundial que se aproximam, como a Copa do Mundo, a Olimpíada e também com o fato de o Brasil ser o País convidado da Feira de Frankfurt de 2013?

Os tempos desses fatos são diferentes. Em termos midiáticos, devemos aproveitar, mas os fenômenos da literatura têm durações distintas: duram mais, mas custam a pegar. Já fomos antes país homenageado em Frankfurt, o que trouxe visibilidade midiática. Mas deveria ter sido acompanhado de outra coisa. Considero que a política de cultural brasileira de apoio à literatura no exterior não está mantendo (nem se preocupando em manter) leitores de literatura brasileira nas universidades. Ao contrário: esses postos vêm sendo fechados, sem apoio do governo brasileiro. Então, é difícil garantir a manutenção, pois o que segura um olhar atento do leitor sobre a literatura é a continuidade. Assim, a questão dos leitores nas universidades mereceria atenção mais cuidadosa da nossa política cultural no exterior. Já a política de traduções, que está se desenvolvendo com mais ênfase agora, é muito boa. Somente assim nossos livros podem circular no exterior. Agora, apenas participar de uma feira não me parece ser o suficiente. É bom em termos de vitrine, mas os interesses vão além disso.

O que poderia ser feito?

Há duas redes interessantes, uma na Espanha e outra na Itália, formadas por empresários locais, interessados no Brasil e em criar uma fundação cultural. Na Espanha existe a Fundação Cultural Hispano-Brasileira e, na Itália, a Fibra, Fundação Itália Brasil. Lá, reúnem-se brasilianistas dos mais diferentes setores, como educação, literatura e ciências humanas. Acredito que procurar o capitalista local para investir na cultura brasileira é uma saída muito interessante.

Ubiratan Brasil – O Estado de S.Paulo – 4/5/2012

Editora Miguilim apresenta “Hikôki”

Lançamento da editora Miguilim na Bienal do Livro de Minas

18/5/2012 – 21:25h

Os lançamentos da editora mineira Miguilim podem ser conhecidos e adquiridos no estande da distribuidora Boa Viagem na 3ª Bienal do Livro de Minas. São vários títulos novos, entre eles, “Hikôki e a mensageira do Sol”, da autoria de Rosa Maria Miguel Fontes e ilustrações de Maurizio Manzo.

O livro conta a história de uma menina, Ana Laura, que queria viver sempre sob a luz do Sol e, de repente, seu sonho tornou-se possível. Graças às aventuras de um pássaro veloz, Hikôki, que conheceu um sábio desejoso de encontrar alguém para ele ensinar os segredos de viver sempre no calor e na claridade do dia. Hikôki levou Ana Laura até ao lugar mágico, onde reinava o sábio, e a menina experimentou uma grande felicidade.

Além dos títulos novos, o visitante da Bienal também vai contar com a promoção de obras clássicas da literatura mineira, inclusive, as do escritor homenageado pelo evento deste ano: Bartolomeu Campos de Queirós. Quem quiser pesquisar estes livros infantis, antes de chegar ao estande da Miguilim/Boa Viagem, pode consultar o site da editora em: www.editoramiguilim.com.br

Bienal do Livro de Minas – 18 a 27 de maio – Expominas

Pais são importantes no desenvolvimento dos leitores

Roberta Ribeiro e Ruth de Souza - Foto: Internet/G1/Divulgação

1/5/2012 – 20:03h

Roberta Ribeiro e Ruth Souza, autoras da coleção “Faça seu mundo melhor”, com seis livros voltados para crianças de todas as idades, numa entrevista ao portal G1, apresentaram dicas para os pais contarem histórias para seus filhos.

“Quando os pais antes da criança dormir, contam história, é um momento de interação, que transmite confiança e segurança, cria uma situação de amorosidade e desenvolve memória afetiva muito boa. A criança vai resgatar este sentimento de conforto e amorosidade, que teve com os pais, quando for estudar os livros da escola.” (Roberta Ribeiro)

“Os pais devem estimular a criatividade da criança na hora de contar uma história. A criança tem conflitos e precisa aprender a se proteger emocionalmente.” (Ruth Souza)

Dicas das escritoras

Foto: Internet

1-      Crie um ambiente favorável

Os pais devem criar um ambiente agradável e acolhedor. Pode ser na sala de casa, na cama, na hora de ir dormir, no carro, na hora de levar criança para a escola. É mais um ambiente emocional do que físico. Às vezes, os pais estão levando os filhos na escola e não aproveitam este tempo para criar um diálogo.

2-     Envolva a criança na leitura

Cada pai tem seu próprio jeito de contar uma história. Alguns são mais expansivos e aproveitam os livros que trazem mais diálogos. É preciso conversar com as crianças durante a leitura, perguntar o que ela compreendeu. É importante envolver a criança no processo.

3-     Não se prenda tanto ao texto

Pergunte à criança que personagem ela gostaria de ser. É provável que a criança e os pais saiam um pouco da história. Não é um problema. A interação é mais importante do que se ater ao texto que está sendo contado.

4-     Use um personagem para assuntos delicados

Contar uma história fictícia envolvendo um personagem pode ajudar a criança a pensar em situações em que ela esteja vivendo. Por exemplo: se a criança está brigando muito na escola, os pais podem contar uma história sobre outro menino ou menina que briga com os colegas. A criança vai participando e criando a história, o que pode fazer para melhorar. Isso pode ajudar a resolver uma questão interna.

Foto: Getty Images

5- Deixe a criança contar a história

Fazer o filho contar a história do livro pode ser interessante para estimular o raciocínio, a memória e a própria imaginação. É possível que não conte a história como está no livro, afinal as crianças são muito imaginativas. Reprimir possíveis fugas ao tema não é a atitude mais adequada. Se a criança está lendo o livro, deixe que ela interaja e permita com que sua imaginação possa fluir. Isso para ela é muito importante.

6-     Entre na brincadeira

O adulto pode estimular a criança a contar história e também pode entrar na brincadeira. Quando estiver com a criança, procure se tornar mais criança e brincar. O ritmo de vida hoje é bem diferente do tempo dos nossos pais ou avós. A TV, a internet e o videogame acabam ocupando a criança e, quando chega a noite, os pais estão cansados e, em vez de brincar, deixam os filhos vendo TV ou mexendo no computador.

7- Use suas habilidades

Os adultos devem usar recursos e habilidades para contar histórias. Se souber, pode tocar uma música, cantar, desenhar. Não precisa ter talentos tão diferenciados; pode, sim, usar seus próprios esforços. O mais importante, além do conteúdo, é estimular a amorosidade entre os membros da família.