Como escolher um livro infantil

5/8/2012 – 20:06h

A educadora Edna Maria Gomes Rosendo expõe, aqui, sobre os cuidados que pais e mestres precisam ter no momento de comprar um livro infantil seja para presentear ou utilizar como ferramenta de aprendizado dentro da escola. Edna tem pós-graduação em psicopedagogia e uma experiência de 40 anos na formação de crianças no Instituto de Educação. Durante dois anos, ela dirigiu a pré-escola desta instituição, que tem sido uma referência dentro de Belo Horizonte. Também foi orientadora do ensino médio e, atualmente, atua junto a alunos e professores do ensino fundamental.

Ela explica que os interesses das crianças pequenas mudam com muita rapidez. Ao mesmo tempo em que estão atentas a uma imagem ou som, já se voltam para outra novidade que esteja ao alcance de seus olhos. Na faixa etária de 2 a 4 anos de idade, elas gostam muito de folhear os livros. Neste caso, são indicados aqueles bastante coloridos, de pouca escrita e de folhas grossas para elas conseguirem passar as páginas. Este hábito ajuda no desenvolvimento da habilidade motora e, por isso, deve ser valorizado pelos pais e mestres.

Os cinco sentidos também devem ser explorados nas histórias dedicadas a essa turminha. Os livros que trazem músicas ou outros áudios; texturas, formas ou contornos para elas passarem as mãozinhas; muitas cores, luzes, apitos; os que incentivam cantos ou imitações de sons variados são todos muito bem-vindos. Ainda nesta fase, a educadora, destaca o interesse infantil pela natureza em si _ Sol, Lua, água, plantas, flores, animais etc. As crianças vão `humanizando´ estes elementos e trazendo-os para o universo familiar ou escolar.

Animismo

Na fase de 4 aos 6 anos de idade, as crianças ainda vivem um pouco o hábito anterior, do animismo e das imitações, mas já podem manusear livros de folhas mais finas e um pouco menores. Edna frisa que elas estão no auge da curiosidade e este potencial precisa ser contemplado pela literatura. Tudo tem que ter figura humana. O Sol, por exemplo, costuma ser apresentado com olhos e boca. É a fase de poder de dar vida ao que é inanimado. Os textos das histórias devem ser apresendados com letras grandes, grossas e salientes.

Na opinião de Edna, história infantil de qualidade é aquela que contém a fórmula tradicional: começo, meio e fim. Mas, o encerramento ideal também é o clássico e deve oferecer um aprendizado, uma lição de vida. Até os 10 anos de idade, todas as crianças precisam da `moral da história´ para a sua formação e os livros não podem deixar de passar uma mensagem positiva no final, o que é visto como uma obrigatoriedade para a educadora. O fechamento deve ser feliz, decente, honesto, correto _ uma característica que vale para leitores infantis de todas as faixas etárias.

No período dos 7 aos 10 anos de idade, as crianças entram na fase dos super-heróis, dos príncipes, princesas e bruxas. Na opinião de Edna, esses personagens são gente na experiência infantil. As revistas com histórias em quadrinhos já podem ser introduzidas e a meninada já pode ler na tela do computador ou do e-book. Estes leitores mirins querem explorar e descobrir além do que está ao redor. Gostam das cores, do belo, do gráfico e estão em condições de ler textos compostos em corpo menor. O livro, então, já pode adotar o papel tradicional.

A educadora também aconselha aos pais e mestres, antes de adquirirem um livro, para lerem o resumo da história, que normalmente é apresentado na contracapa ou orelha, e ainda se informarem a respeito do autor da obra.