Brasileiros valorizam a leitura infantil

14/10/2012 – 21:51h

A Fundação Itaú Social, que de 2010 pra cá já distribuiu gratuitamente 22 milhões de livros infantis para a sociedade brasileira, através do Programa Itaú Criança, está cada vez mais firme no propósito de incentivar a leitura. E, agora, com conhecimento sobre o que pensa este público. Em agosto e setembro deste ano, a Fundação lançou a campanha de doação de livros de 2012 (leia notícia neste blog) e juntamente com o Instituto Data Folha realizou uma pesquisa com o objetivo de medir entre a população a percepção da importância do incentivo à leitura para crianças pequenas.

Foram realizadas 2.074 entrevistas em todo o Brasil, distribuídas em 133 municípios. Para leitura total da amostra, os dados foram ponderados de acordo com os pesos das regiões brasileiras, de forma que representam o universo estudado: Sudeste 42%, Nordeste 28%, Norte e Centro-Oeste 16% e Sul 14%. A amostra contempla 39% da região metropolitana e 61% do interior.

O resultado foi muito bom, revelando praticamente um consenso entre a população brasileira de que é importante incentivar crianças de até 5 anos a gostar de ler. 76% dos entrevistados consideraram a questão muito importante e 20% consideraram importante, ou seja, 96% dos entrevistados reconhecem a necessidade da leitura durante a infância. Apenas 2% responderam que a prática é mais ou menos importante, 1% a considera pouco importante e 1% não a considera nada importante.

Entre os que atribuíram a nota 5, máxima na escala de importância sugerida aos entrevistados durante a pesquisa de campo, a maioria são mulheres, jovens e entrevistados que possuem mais escolaridade e poder aquisitivo. Já entre os que optaram pela nota 4, segunda na escala, na ordem decrescente, destacam-se os mais velhos e menos favorecidos em formação educacional e nível socioeconômico.

As principais razões mencionadas para acreditar na importância do incentivo à leitura são a contribuição com o desenvolvimento intelectual e cultural (54%), a formação educacional e criação do hábito de leitura (36%), o desenvolvimento de valores éticos (10%), a preparação para o mercado de trabalho (9%), a formação e o desenvolvimento pessoal (6%) e a socialização (5%).

A pesquisa também avaliou a experiência pessoal de leitura dos entrevistados na infância. Cerca de quatro a cada dez participantes afirmam que tiveram alguém que costumava ler livros ou histórias para eles nessa fase. Destacam-se nesse grupo jovens de 16 a 34 anos, das classes A/B e com ensino superior completo. Os pais dos entrevistados foram seus principais leitores, com destaque para a mãe.

Quando indagados se costumam ler para crianças no seu dia-a-dia, 37% dos entrevistados disseram que costumam ler livros ou histórias, particularmente as mulheres, adultos entre 25 e 44 anos, das classes A, B e C e com ensino médio e superior.

Conclusões

O levantamento aponta que é praticamente consenso entre a população brasileira a importância de incentivar crianças de até cinco anos a gostar de ler. As principais justificativas para esse posicionamento estão ligadas ao desenvolvimento intelectual e cultural da criança e à sua formação educacional. Os poucos que não valorizam esse hábito entendem que as crianças dessa faixa etária são novas demais e estão na idade de brincar.

Na percepção da população, o incentivo à leitura contribui para o direito que a criança tem à educação e ao aprendizado. Para quase todos os brasileiros com 16 anos ou mais, ler para crianças contribui para o seu melhor desempenho nos estudos e faz com que tenham mais vontade de aprender. Contudo, grande parcela da população acredita que as crianças não são incentivadas à leitura. De forma geral, é alta a correlação entre a escolaridade e o hábito de leitura, tanto na experiência quando criança quanto na fase atual. As mulheres declaram maior hábito de ler para os pequenos, mesmo entre as da classe C e de ensino médio.

O primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira menstruação, a primeira bebedeira etc.

5/10/2012 – 20:02h

Entrevista

Jorge Fernando dos Santos

Escritor, integrante do Coletivo 21 – Coordenador da Antologia “Adolescência & Cia”

Jorge Fernando dos Santos autografa livro no dia do lançamento: Foto: Patrick Azevedo / Divulgação Miguilim

Rosa Maria: Como surgiu a ideia de lançar o livro “Adolescência & Cia”?

Jorge Fernando dos Santos: Alexandre Machado, dono das distribuidoras Fimac e Boa Viagem, comprou a Editora Miguilim há algum tempo e me foi apresentado pela Cleide Fernandes, da Biblioteca Pública Estadual Luís de Bessa. Ele me disse que estava reformulando o catálogo da editora e buscando novos lançamentos. Sugeri uma antologia com autores do Coletivo 21, grupo que ajudei a fundar com outros 22 autores, em 2011. Ele topou na hora e assim começamos a organizar o livro “Adolescência & Cia”, que é a nossa segunda antologia. Ajudei a editar a primeira, que leva o nome do grupo e foi lançada pela Editora Autêntica.

RM: Como foi o processo de produção até o lançamento?

JFS: Pedi aos colegas do Coletivo 21 que me enviassem contos direcionados a leitores adolescentes e pré-adolescentes, de preferência abordando temas delicados como o primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira menstruação, a primeira bebedeira etc. Além de um conto meu, outros oito autores atenderam à nossa convocação e um deles, o Cláudio Martins, fez as belas ilustrações. Além de grande escritor, ele é um dos ilustradores mais premiados do país.

RM: Qual a importância do Coletivo 21 e do grupo de autores destacados no livro?

JFS: O Coletivo 21 foi idealizado por Adriano Macedo, que é jornalista e escritor. Aderi à ideia por enxergar a possibilidade de abrirmos espaço para o autor mineiro no contexto cultural de Minas e do Brasil. Acho também que pode ser uma forma de politizar nossa participação junto a outros artistas no encaminhamento de ideias e reivindicações de interesse cultural e educacional. Nossa primeira ação foi protestar contra o fim Concurso Cidade de Belo Horizonte, o mais antigo do país, que havia sido extinto de forma arbitrária pela Fundação Municipal de Cultura, sem nos consultar. Conseguimos fazer barulho, com adesão de autores também de outros estados. Com isso, o executivo municipal tomou conhecimento dos equívocos que vinham sendo cometidos na FMC e assumiu o compromisso de trazer o concurso de volta após as eleições. Por se tratar de ano eleitoral, seria legalmente impossível fazê-lo no prazo que nós queríamos.

RM: Qual foi sua participação como coordenador de “Adolescência & Cia”?

JFS: Além do convite que fiz aos colegas do grupo, tive a incumbência de ler e rever os originais, escolher entre eles aqueles que tinham mais a ver com a nossa proposta, encomendar a orelha e despachar com o nosso editor. Foi fácil porque todos os textos enviados eram de boa qualidade, já que os autores são “feras”. Foi difícil porque tive que fazer escolhas. Mas acho que o resultado final foi bem satisfatório. Ficou um belo livro e contou ainda com a participação de outros dois autores do grupo: Luís Giffoni, que escreveu o texto da orelha, e Sérgio Fantini, que fez a revisão final dos textos.

RM: Qual sua percepção sobre a literatura infantojuvenil?

JFS: Acho que essa modalidade literária é fundamental para a formação de novos leitores. O Brasil tem dezenas de grandes autores infantojuvenis, alguns deles presentes em “Adolescência & Cia”. Por outro lado, sinto falta de mais espaço para divulgação de nossos livros na mídia nacional. Alguns críticos e jornalistas pensam que escrever para crianças e jovens é fazer uma literatura menor. Discordo dessa opinião. Afinal, o que seria da literatura se não existissem autores como Monteiro Lobato, Lewis Carroll, Angela Lago ou Ziraldo, para citar apenas alguns?