O primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira menstruação, a primeira bebedeira etc.

5/10/2012 – 20:02h

Entrevista

Jorge Fernando dos Santos

Escritor, integrante do Coletivo 21 – Coordenador da Antologia “Adolescência & Cia”

Jorge Fernando dos Santos autografa livro no dia do lançamento: Foto: Patrick Azevedo / Divulgação Miguilim

Rosa Maria: Como surgiu a ideia de lançar o livro “Adolescência & Cia”?

Jorge Fernando dos Santos: Alexandre Machado, dono das distribuidoras Fimac e Boa Viagem, comprou a Editora Miguilim há algum tempo e me foi apresentado pela Cleide Fernandes, da Biblioteca Pública Estadual Luís de Bessa. Ele me disse que estava reformulando o catálogo da editora e buscando novos lançamentos. Sugeri uma antologia com autores do Coletivo 21, grupo que ajudei a fundar com outros 22 autores, em 2011. Ele topou na hora e assim começamos a organizar o livro “Adolescência & Cia”, que é a nossa segunda antologia. Ajudei a editar a primeira, que leva o nome do grupo e foi lançada pela Editora Autêntica.

RM: Como foi o processo de produção até o lançamento?

JFS: Pedi aos colegas do Coletivo 21 que me enviassem contos direcionados a leitores adolescentes e pré-adolescentes, de preferência abordando temas delicados como o primeiro beijo, o primeiro amor, a primeira menstruação, a primeira bebedeira etc. Além de um conto meu, outros oito autores atenderam à nossa convocação e um deles, o Cláudio Martins, fez as belas ilustrações. Além de grande escritor, ele é um dos ilustradores mais premiados do país.

RM: Qual a importância do Coletivo 21 e do grupo de autores destacados no livro?

JFS: O Coletivo 21 foi idealizado por Adriano Macedo, que é jornalista e escritor. Aderi à ideia por enxergar a possibilidade de abrirmos espaço para o autor mineiro no contexto cultural de Minas e do Brasil. Acho também que pode ser uma forma de politizar nossa participação junto a outros artistas no encaminhamento de ideias e reivindicações de interesse cultural e educacional. Nossa primeira ação foi protestar contra o fim Concurso Cidade de Belo Horizonte, o mais antigo do país, que havia sido extinto de forma arbitrária pela Fundação Municipal de Cultura, sem nos consultar. Conseguimos fazer barulho, com adesão de autores também de outros estados. Com isso, o executivo municipal tomou conhecimento dos equívocos que vinham sendo cometidos na FMC e assumiu o compromisso de trazer o concurso de volta após as eleições. Por se tratar de ano eleitoral, seria legalmente impossível fazê-lo no prazo que nós queríamos.

RM: Qual foi sua participação como coordenador de “Adolescência & Cia”?

JFS: Além do convite que fiz aos colegas do grupo, tive a incumbência de ler e rever os originais, escolher entre eles aqueles que tinham mais a ver com a nossa proposta, encomendar a orelha e despachar com o nosso editor. Foi fácil porque todos os textos enviados eram de boa qualidade, já que os autores são “feras”. Foi difícil porque tive que fazer escolhas. Mas acho que o resultado final foi bem satisfatório. Ficou um belo livro e contou ainda com a participação de outros dois autores do grupo: Luís Giffoni, que escreveu o texto da orelha, e Sérgio Fantini, que fez a revisão final dos textos.

RM: Qual sua percepção sobre a literatura infantojuvenil?

JFS: Acho que essa modalidade literária é fundamental para a formação de novos leitores. O Brasil tem dezenas de grandes autores infantojuvenis, alguns deles presentes em “Adolescência & Cia”. Por outro lado, sinto falta de mais espaço para divulgação de nossos livros na mídia nacional. Alguns críticos e jornalistas pensam que escrever para crianças e jovens é fazer uma literatura menor. Discordo dessa opinião. Afinal, o que seria da literatura se não existissem autores como Monteiro Lobato, Lewis Carroll, Angela Lago ou Ziraldo, para citar apenas alguns?