Leitura deve começar com os bebês

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19/1/2013 – 22:29h

Para experimentar a máxima de que é possível aprender se divertindo, basta escolher a opção que melhor lhe convém. Ler é como abrir uma janela para o mundo, seja o real ou o da fantasia. Se a leitura é essencial na formação humana, entrar em contato com ela desde cedo também o é. Quanto antes os pais incentivarem esse hábito, melhor será.

“A leitura é importantíssima, porque traz diversos benefícios para o conhecimento da criança” _ é o que afirma o pedagogo e professor da Universidade Católica de Brasília, Edgard Ricardo Benício. Ler é como abrir uma caixinha de conhecimento, em que o contato com o seu conteúdo possibilita o desenvolvimento e o aperfeiçoamento de várias habilidades, como a fala, a escrita, o raciocínio, a imaginação e a reflexão. A participação dos pais nesse processo pode trazer resultados ainda mais positivos.

Uma dica de Benício é que os responsáveis debatam as histórias com os filhos, perguntem o que eles acham sobre alguns fatos e personagens. Dentro disso, é interessante tirar lições sobre a história, sobre como certo acontecimento foi bom ou ruim e os porquês disso e tentar associá-los à vida da criança para que ela possa aprender com aquilo.

No caso das crianças muito pequenas, esses questionamentos precisam ser mais simples, referindo-se à cor de um determinado desenho ou ao que um personagem está fazendo na ilustração, por exemplo.

Além de ser positiva para o enriquecimento intelectual dos pequenos, a leitura também é benéfica porque fortalece os laços entre os pais e os filhos. Para isso é importante, no entanto, que os responsáveis não imponham esses momentos. Eles devem ocorrer de forma natural e divertida para que a criança desenvolva o gosto pela atividade. Outra indicação do especialista é que a leitura seja feita de acordo com a escrita da obra para que os pequenos se acostumem com os estilos de narrativa.

Para conhecer esse universo não há barreiras de idade, há apenas especificidades que facilitam o interesse dos pequenos. O ideal é que os pais comecem a ler para os filhos o mais cedo possível.

Para não alfabetizados, livros devem ser brinquedos

De acordo com o professor, nos primeiros anos de vida da criança, o mais importante é que os livros sejam apresentados como brinquedos. Nesse momento, os pais devem incentivar os pequenos a interagirem com o livro e a desenvolver o gosto por conhecer histórias.

O ideal é que os enredos sejam bastante simples e felizes e os livros tenham tamanho e peso reduzidos para que as crianças possam carregá-los. Já as opções em tecido e material plástico são boas, porque podem ser manuseadas à vontade e levadas para todos os cantos, às vezes, até mesmo para o banho.

Em geral, os pequenos se interessam mais por livros coloridos e repletos de ilustrações. Formas e texturas diferentes também são apreciadas. Há diversas opções no mercado, inclusive em forma de ou acoplados a bonecos e bichos de pelúcia ou que emitem sons.

Com o desenvolvimento da criança, os pais podem escolher opções mais complexas com temas mais desenvolvidos e que apresentam novos assuntos, como a matemática. O mais importante sempre é que os pequenos participem da escolha, para que a leitura ocorra da forma mais natural possível.

Na fase de alfabetização, prefira letras em tamanho grande

De início, a alfabetização é um processo visto como complicado pelas crianças. Os pequenos balbuciam até mesmo para ler palavras curtas, com três ou quatro letras. Com o tempo, a leitura se torna mais sofisticada, quando uma frase já flui sem hesitação. Seus livros devem seguir esse processo. É importante escolher obras com histórias e frases bastante simples.

Além disso, o ideal é que as letras do texto sejam grandes porque a criança ainda não está habituada com a leitura massiva. Obras sem ilustrações, que contêm só texto, não são indicados nesse momento.

Não vale se limitar aos livros. Na hora da alfabetização, os pais devem incentivar os filhos a lerem o que lhes interessar, seja jornais ou panfletos de propaganda. Nessa fase, eles geralmente têm muita vontade de aprender e se interessam por interpretar todo o amontoado de letras que enxergarem pela frente. Isso é positivo e deve ser incentivado e elogiado pela família.

O desenrolar da aprendizagem da criança propicia, aos poucos, o interesse por obras mais complexas. Isso vai depender do amadurecimento e com a própria relação que o pequeno tiver com a leitura. Se ele já for acostumado desde cedo, é mais provável que queira conhecer novos livros. De acordo o professor, uma opção interessante para incentivar esse processo é criar metas de leitura, como uma obra por bimestre ou mês. O ideal é que a escolha seja do filho ou que o responsável conheça o enredo e comente como a história é legal e vai interessá-lo.

Segundo Benício, há diversas opções de livros infantis de qualidade no mercado. A própria literatura nacional é muito rica. Ele indica obras para crianças de autores como Ana Maria Machado, Vinicius de Moraes, Pedro Bandeira, Elias José, Maria Clara Machado e Ziraldo.

Fonte: Terra Brasil – 15/1/2013