Na hora do conto

20/3/2013 – 10:19h

José Antonio Xavier *

Muitos educadores reclamam de não conseguirem manter a atenção das crianças durante uma contação de história, gerando assim uma frustração para eles e, por consequência, um desânimo para se atreverem a uma nova contação. Todos que trabalhamos ou convivemos com crianças sabemos desta inquietude natural de todas elas que estão sempre buscando encontrar ações que supram as necessidades cognitivas, suas curiosidades e as façam se deleitar em aprender e conhecer melhor o objeto, a ação, “o novo”.

Isso também ocorre com os adultos com a diferença que, durante os anos, vamos aprendendo, muitas vezes contra a vontade, a ficar parados e prestar atenção em um fato que está ocorrendo ou na observação de um objeto que seja novo para o nosso intelecto.

Para aqueles que se proponham a contar histórias para as crianças pequenas, procurem observar o seguinte:
Quanto menor a criança, menos poder de concentração terá;
Para crianças bem pequenas a ilustração, gesticulação, colorido, sonorização são os fatores que conseguem prender a atenção;
Crianças maiores seguem o ritmo da narrativa e a interação com a história ajuda muito manter a atenção das mesmas;
Os adolescentes valorizam mais os conteúdos principalmente se estes estiverem ligados diretamente a sua realidade. Histórias de aventura, romances, ficção ou até mesmo o drama e a comédia são bem aceitos.
Sendo assim cabe aos “contadores de história” buscar adequar a sua história ao seu público ouvinte. Na hora de preparar uma contação para bebês, por exemplo, leve materiais coloridos, com texturas diferentes que eles possam tocar, sentir; leve objetos ou livros que produzam sons.

Atente para não cometer exageros na hora da contação com gesticulações excessivas, evitando assustar os bebês. Vá contando e testando a aceitação dos mesmos.

Histórias curtas faladas, lidas ou cantadas encantam os pequeninos e vão criando o hábito de ouvir e interagir na hora do conto. Crianças habituadas a ouvir histórias, desenvolvem mais a capacidade de atenção do que as outras.

À medida que o seu publico vai tendo mais idade, você pode ir abrindo mão dos recursos visuais (gradativamente) e trabalhando mais com voz, corpo, como se estivesse em cena sem, contudo, esquecer que a ação proposta é uma contação de história.

A Arte-educadora Ana Wou, falando do seu projeto Dramacontação, diz que o contador de histórias precisa conhecer técnicas teatrais para poder dar mais credibilidade ao seu “evento” e assim interagir com seus ouvintes.
Caso você tenha um publico misto, procure adequar o seu evento para atingir a todos de forma satisfatória. Uma dica é inserir músicas, objetos coloridos , dramatização, durante a sua contação, e buscar ações que interaja com o público. Assim você ganhará minutos de atenção. Meia hora a quarenta minutos, acredito, é um bom tempo para uma apresentação de histórias. Mais que isso se torna cansativo e improdutivo.

Para terminar algumas dicas:
Procure sempre mostrar o livro e citar o autor da história que será ou foi contada. As crianças, sobretudo as pequeninas, precisam saber que as histórias estão no conhecimento popular, mas também dentro dos livros e, assim, aprender a valorizá-los como fonte de sonhos e encantamentos;

Não subestime as crianças e evite explicar as histórias. Deixe que a imaginação de cada uma leve-as a embarcar no sonho que cada história propõe;
A história será melhor contada, quando o contador gostar da história que está narrando, por isso escolha boas histórias. Antes de contá-las, leia, releia, traga-as para dentro de si para que assim você possa vivenciá-las no momento da contação.

* Os fios dourados das histórias – Página do Facebook de comunidade de contadores de histórias