A data do Salão do Livro

18/3/2013 – 10:37h

O Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais é um evento muito esperado pelo público especialmente por alunos e professores, por isso já pode ser agendado para 2013: 9 a 18 de agosto, na Serraria Souza Pinto.  Os mineiros têm o Salão num ano e a Bienal em outro. 2012 foi o ano da Bienal e, agora, 2013 é o ano do Salão.

Lançamentos de livros, presença de escritores, livros com preços promocionais, teatro e narração de histórias, muitas palestras e debates, histórias em quadrinhos são as principais atrações esperadas para o Salão. A participação das escolas de Belo Horizonte e do interior também está sendo planejada de forma que o maior número possível de estudantes possa participar deste evento que promove e incentiva a literatura.

Evento sobre o livro digital

15/3/2013 – 19:22h

Estão abertas as inscrições para o 4° Congresso Internacional CBL do Livro Digital, que acontece dias 13 e 14 de junho na Fecomercio, em São Paulo. Acesse www.congressodolivrodigital.com.br.

Com o tema “O livro além do livro”, a edição deste ano apresenta novidades como espaço para painéis e cases e mantém as tradicionais palestras de especialistas nacionais e internacionais sobre livro digital.

Os profissionais confirmados até agora para promover os debates no evento são:

Javier Celaya – Desafios das pequenas e médias livrarias em um mundo digital
David Langridge – Publicando para a área de educação em uma nova era
Magdalena Vinent – Direito autoral no livro digital: o quanto evoluímos?
Lucia Santaella – O livro digital e sua influência no aprendizado
Deonísio da Silva – O livro digital nas universidades
Angela Lago – Conteúdo digital para crianças: livro ou game?

Toni Brandão – O livro digital atrai os jovens para a leitura?

Os interessados podem inscrever trabalhos científicos e acadêmicos ou cases de sucesso relativo ao livro digital pelo e-mail digital@cbl.org.br.

Dica de livro: A viagem de uma carta

14/3/2013 – 23:36h

A Editora RHJ está lançando um livro com uma proposta interessante: resgatar o hábito da carta. Tem muita criança, certamente, que nunca teve a experiência de escrever ou receber uma carta.

A meninada dos tempos dos bits e bytes mal anda e já assenta em frente ao computador ou, então, está constantemente deslumbrada com sons, cores e imagens do celular.

De autoria de Andréa Guimarães e com ilustrações de Feruccio Verdolin Filho, o livro narra as viagens de uma carta e seu destino no fundo de um baú. Incentiva o uso da carta e enfatiza a importância das lembranças na história familiar e pessoal.

“Sempre soube que queria trabalhar com crianças e livros”

11/3/2013 – 20:33h

Entrevista

Anna Cláudia Ramos

Escritora de livros infantis

Anna Cláudia: "Sempre soube que queria ser escritora" - Foto: Divulgação

Rosa Maria: Quando você se despertou para a literatura infantil?

Anna Cláudia: Bem, desde que eu era bem menina despertei pra literatura infantil. Primeiro lendo os livros que meus pais compravam e depois os que a escola indicava. Tive a sorte de estudar em colégios que trabalhavam com leitura e bons livros. Li muita coisa boa na escola. Muita! Mais tarde, já fazendo curso de magistério comecei a estudar literatura infantil e nunca mais parei. Sempre soube que queria ser escritora, sempre soube que queria trabalhar com crianças e livros.  Sabia que um dia passaria de leitora à escritora. Desejo antigo que consegui realizar.

RM: Qual foi o primeiro livro que escreveu? Fale um pouco sobre esta obra.

AC: Meu primeiro livro se chama Pra onde vão os dias que passam? e não foi tão simples publicá-lo. Eu tinha escrito uma história chamada A menina, a princesa e o mar. Na época mandei essa história para algumas editoras. Todas responderam dizendo que o texto era bom, bem escrito, mas que não havia possibilidade de publicação no momento. Até que uma editora acreditou no texto, mas disse que era muito pequeno e denso, ficava sem um público-alvo definido, e que para virar livro eu precisaria aumentar o texto. Acabei escrevendo um livro juvenil e juntando outras coisas que eu nem imaginava que iriam entrar no livro. Essa história ficou sendo o primeiro capitulo do livro. Foi um lindo processo. E a editora publicou. Ainda ganhei de presente um texto lindo de 4ª capa escrito pela Ana Maria Machado e ilustrações do Rui de Oliveira. Em 2010 o livro fez 18 anos, chegou a sua maioridade literária e ganhou uma edição comemorativa pela Editora Escrita Fina, lindíssima, toda reformulada e com novo projeto gráfico! Deixo aqui o link do book-trailer para quem quiser conhecer o livro: http://www.youtube.com/watch?v=Ldhh73W88YE

RM: Quantos livros já publicou? Você trabalha, em especial, com alguma editora?

AC: Até o momento entre edições solo e em parceria são 56 livros. Mas este ano já tenho alguns livros novos para sair. Alguns que já deviam ter saído e atrasaram e outros novos. Se tudo der certo este ano passo dos 65 livros… (rsrsrs). Tenho uma Coleção para sair pela Rideel, com oito títulos.  Outra pelas Paulinas, com quatro títulos. Um livro pela Galpãozinho, Escrita Fina, Planeta, Escala Educacional e mais uma pela FEB.

RM: Você também escreve para teatro?

AC: Não! Nunca escrevi para teatro exatamente, mas já fiz teatro por muitos anos. Mas ano passado, escrevi um livro em parceria com a Sandra Pina que tem uma parte que é em texto teatral. Pronto para ser encenado na escola, por exemplo! O livro se chama Aconteceu na escola: um dia de princesa e foi publicado pela Pallas.

RM: Quando começou a atuar como ilustradora também?

AC: Acabei virando ilustradora meio que “por acidente”. No final de 1996 escrevi a Coleção 4 elementos e queria levar o projeto pronto para mostrar a um editor. Mas que ilustrador iria querer entrar num projeto de risco e fazer tantas ilustrações? Afinal eram 15 ilustrações para quatro livros?  Fora isso, eu queria que o pequeno leitor se identificasse com os desenhos. Na época um amigo me deu a ideia: “por que você não faz as ilustrações? Esse projeto tem tudo a ver com os teus desenhos”. Acabei aceitando o desafio e deu certo. Ao longo dos anos fui aprimorando minhas imagens tanto quanto fui aprimorando meu texto. E este ano em especial estou retomando meu trabalho com as ilustrações!

RM: Além de escrever e ilustrar, você desenvolve outras atividades paralelas à literatura infantil. Fale sobre este trabalho.

AC: Sim. Viajo pelo Brasil afora dando palestras e oficinas sobre minha experiência com leitura e como escritora e especialista em LIJ. Em 2004 fiz uma parceria com Verônica Lessa. Somos sócias do Atelier Vila das Artes, um espaço totalmente voltado para o trabalho com a literatura. Prestamos serviços editoriais para diferentes empresas. De 2009 a 2012, o Atelier Vila das Artes foi responsável pela captação de originais e produção dos livros do catálogo infanto-juvenil da Zit Editora. E desde 2009 o Atelier é responsável pelo manual de participação dos autores da Flipinha. Preparamos o material, damos oficinas para os professores e acompanhamos o trabalho feito com os professores ao longo do ano.

RM: Qual a maior alegria que a literatura infantil lhe trouxe?

AC: Nossa! Que pergunta difícil! Mas uma grande alegria, daquelas que não tem preço na vida é saber que um livro que você escreveu mexeu com a vida de alguém e fez alguém pensar na vida e ter coragem de transformar sua história por ter se inspirado em um personagem que criei. Tenho lindas cartas, depoimentos, e-mails falando sobre isso.  Uma carta em especial me emociona muito.  Isso não tem preço, entende? É especial!

RM: Você tem um trabalho que aponta o que é qualidade em literatura infantil. Em sua opinião, o que é qualidade e o que não é?

AC: Esse tema é longo e já rendeu muitos ensaios e muitas polêmicas. Em 2005 foi lançado um livro organizado pela escritora Ieda de Oliveira com vários ensaios tentando responder essa pergunta. O livro tem como título O que é qualidade em literatura infantil e juvenil? Com a palavra o escritor, pela editora DCL. Participei deste livro com um ensaio no qual aprofundo o assunto. Caso alguém tenha interesse em mergulhar nesse assunto, recomendo a leitura deste livro. Mas fica aqui um trecho do meu artigo: “… falar sobre o que é qualidade em LIJ é falar de livros que permitem a criança ser, viver, experimentar, sentir medos, alegrias, tristezas e conquistas. Falar de qualidade não é falar de livros que os adultos acham que as crianças devem ler porque vão poder aprender muitas coisas. Livros de LIJ de qualidade não são livros cheios de aprendizados forçados, cheios de mensagens educativas ou histórias pedagógicas disfarçadas de literatura. A LIJ de qualidade passa longe destes livros recheados de moral didatizante, que só permite uma leitura única e muitas vezes preconceituosa. Mas também é fato que tudo aquilo que um escritor pensa, sente e acredita está nas entrelinhas de seu texto. (…) Um livro que deixa espaço para seu leitor pensar, sentir, interagir, descobrir sentidos escondidos é um livro de qualidade. Certamente é um livro onde o leitor vai poder ver que o escritor fez um trabalho sério com a linguagem, com a busca da palavra perfeita, da pontuação mais adequada. Fazer LIJ não é fazer um textinho, nem um livrinho para criancinha. Isso não é literatura (…)”

Nome dedicado à literatura infantojuvenil

Anna Cláudia Ramos - Foto: Pallas Editora

11/3/2013 – 20:27h

No Brasil, quando se fala em escritores dedicados à literatura infantojuvenil, alguns nomes são destaque. Um deles, com certeza, é Anna Cláudia Ramos. São 65 livros produzidos para crianças e adolescentes, que são reconhecidos nacionalmente. Além desta rica produção, Anna Cláudia também vem se especializando e desenvolvendo uma série de trabalhos que movimentam bastante o setor no Brasil e no exterior. Esta escritora carioca concedeu uma entrevista ao blog e, assim, hoje podemos conhecer um pouco mais sobre suas opiniões e trajetória profissional.

Ela viaja pelo Brasil afora dando palestras e oficinas sobre sua experiência. Foi coordenadora de sala de leitura escolar e professora de literatura infantil e juvenil (LIJ) por muitos anos. Desde 1989 trabalha com oficinas de LIJ e criação literária. Já foi professora da oficina Escrevendo para Crianças, da Estação das Letras; trabalhou na Biblioteca Infantil Manoel Lino Costa, na Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), na Escolinha de Arte do Brasil e participou do Projeto Leia Brasil. Desde 1996, participa como especialista do projeto de incentivo à leitura PROLER, da Casa da Leitura/ Fundação Biblioteca Nacional.

Em 1997, fez seu primeiro trabalho de ilustração numa coleção de livros de sua autoria. Dessa experiência nasceu o Atelier Vila das Artes. Em 2004 fez uma parceria com Verônica Lessa e as duas juntas estão fazendo do Atelier Vila das Artes um espaço totalmente voltado para o trabalho com a literatura, prestando serviços editoriais para diferentes empresas. De 2009 a 2012, o Atelier Vila das Artes foi responsável pela captação de originais e produção dos livros do catálogo infanto-juvenil da Zit Editora.

Anna Cláudia foi presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (AEI-LIJ) por dois mandatos: de junho de 2007 a junho de 2011. Atualmente faz parte do conselho consultivo da AEILIJ. Foi curadora e mediadora do programa Leitura em Debate: a Literatura Infantil e Juvenil, da Fundação Biblioteca Nacional.  Em 2005, foi homenageada com a Biblioteca Escolar Anna Claudia Ramos, pela Escola Municipal Prof. Sylvio de Castro Galindo, em Angra dos Reis/RJ. Em 2009, foi homenageada com a Sala de Leitura Anna Claudia Ramos, pelo CIEP Tancredo Neves, no Rio de Janeiro. Em dezembro de 2012 foi homenageada com mais uma Sala de Leitura, desta vez na Escola Municipal Messias Teixeira, em Nova Friburgo/RJ.

Os livros de Anna Cláudia Ramos, que estão no mercado, podem ser pesquisados no site oficial da escritora em http://www.annaclaudiaramos.com.br/. Brevemente, ela ainda vai lançar: “Coleção Diários Descobertos: Princesa Isabel – Segredos de Princesa”, Editora Escala Educacional; “Um golfinho e uma menina, uma história de amor”, Editora Galpãozinho; “Coleção Turma da Vila: Hora de brincar, Hora de dormir, Festa do Pijama e Acampamento da vovó”, ilustrações de Marília Pirillo, Editora Paulinas; “Odemar”, ilustrações da Camila Carrossine, Editora Escrita Fina; “Coleção Pensando Diferenças” (oito títulos), Editora Rideel; “Receita para caçar lobo mau”, Editora Planeta; “Que História é essa?”, FEB.

À direita da página, clique em Entrevistas para um bate-papo com Anna Cláudia Ramos.

Razões para ignorar a literatura infantil

O escritor espanhol Gonzalo Moure - Foto: Carlos Briñes/Divulgação

10/3/2013 – 20:46h

Bogotá – A literatura infantil é uma literatura de segunda classe?

A pergunta por si só já soa polêmica, mas a resposta do escritor espanhol Gonzalo Moure pôs fogo nesta discussão durante o 2.º Congresso Iberoamericano de Língua e Literatura Infantojuvenil (Cilelij), realizado pela Fundação SM na Colômbia até sábado, 9. “Há, de fato, razões para ignorá-la ou marginalizá-la. Eles têm razão para não nos enxergar, pelas nossas próprias limitações. Somos como pássaros dentro de gaiolas.” E as grades são a concepção de que um livro infantil tem de servir para educar, para formar, para prevenir. Elas fizeram com que a literatura infantojuvenil, segundo ele, não progredisse nos últimos dez anos.

Para Moure, há dois tipos de escritores hoje: os que escrevem com mais vontade de ensinar e os que querem fazer literatura. Ainda assim, entre esses dois há muita intenção moralizante, quando não função pedagógica. O que está acontecendo, segundo o escritor, é que não há uma preocupação em formar “pessoinhas”, mas, sim, de formá-las à nossa maneira. E, assim, “não estamos sendo sinceros com elas”, defende Moure.

“Na vida cotidiana, poucas vezes somos capazes de nos dirigir às crianças de forma horizontal sem tentar ensinar. A literatura infantil não é infantil nunca e a juvenil poucas vezes é juvenil. São os adultos, possuidores de valores humanos e humanísticos firmes, que escrevem para eles e este “para” é o pecado original da literatura infantojuvenil.” Isso se reflete em obras literárias de cunho pedagógico, com livros destinados à prevenção e que não abordam assuntos considerados tabus, como sexo e religião.

“O editor, disfarçadamente ou conscientemente, publica livros que tenham essa qualidade. E o escritor se submete a essa exigência.” É isso o que faz com que a literatura infantojuvenil seja vista ou classificada como um subgênero literário, explica ele. Segundo Moure, o mundo é ainda muito polarizado nos livros para crianças e jovens, o bem versus o mal está sempre presente nesse tipo de escrita. “Se ela não se desprender do maniqueísmo imperante, será sempre um subgênero.”

Outro problema apontado por ele é que, nas últimas três décadas, houve e ainda há uma tendência realista predominante na literatura infantojuvenil. “Isso não tem de ser a única oferta para as crianças. Sinto que nós, escritores, estamos estancados. Não progredimos na última década.” Para ele, os textos literários ficaram todos muito iguais, na forma de abordagem e nos assuntos. “Precisamos de algum ponto de ruptura”, continua. E este ponto passa, segundo ele, pela entrada de novos autores no circuito editorial. “Quero ver vozes novas que não repetem o que já foi escrito, o que minha geração já fez. Quero encontrar algo que me surpreenda, que escandalize. E isso não tem nada a ver com sexo.”

O que seria, então, a verdadeira literatura? “A verdadeira literatura não responde a nada nem a ninguém. Ela recria o mundo sem se importar se o resultado final é correto ou incorreto.” Moure deixa claro que não há receitas ou fórmulas, apenas acredita que a literatura infantojuvenil não deva ter nenhuma obrigação, como qualquer outro gênero literário. Ela tem de ter apenas qualidade e liberdade. Ele diz, por exemplo, que não pede nada da literatura, só que ela o agrade, que o emocione. “Devemos ensinar a perguntar e não ensinar o que já sabemos. A revolução na educação e na literatura vai se dar por aí.”

Fonte: Aryane Cararo, de O Estado de S. Paulo

Produção não deve se curvar ao mercado editorial

Escritora Maria Teresa Andruetto - Estadão

8/3/2013 – 19:52h

Bogotá – A resistência ao funcionalismo e utilitarismo na literatura infantojuvenil e as tendências da ilustração na América Latina, e sua tentativa de fugir do estereótipo de uma estética visual colorida e exótica, foram alguns dos temas discutidos no 2.º Congresso Iberoamericano de Língua e Literatura Infantojuvenil, que se encerra hoje, dia 9, na Colômbia. O evento, que é realizado pela Fundação SM, reúne cerca de 600 escritores, ilustradores, pesquisadores, editores e educadores e pretende debater os caminhos da língua, leitura e literatura entre as crianças.

Talvez a primeira pergunta a ser feita, neste sentido, seja o que é preciso para ter uma boa literatura infantojuvenil. “Quanto mais diversidade e profundidade tentamos, um melhor leitor teremos”, disse a escritora argentina Maria Teresa Andruetto, prêmio Hans Christian Andersen 2012, o “pequeno Nobel” da Literatura. Ela criticou duramente o utilitarismo, o tecnicismo e a funcionalidade da literatura infantojuvenil, bem como as demandas do mercado editorial que tornam a oferta de livros homogênea e restrita a certos assuntos. “A intensidade da literatura nos permite diferenciá-la de todas as outras funções utilitárias e é o que lhe dá capacidade de ficar entre nós, de resistir ao tempo.”

A diversidade não é um problema quando se trata da produção entre os ilustradores latino-americanos, muito embora paire ainda o preconceito de que aqui só se faz uma arte colorida e exótica. “A diversidade é nossa real identidade, ou seja, nos caracterizamos por ter uma identidade que não é identidade segundo o pensamento europeu”, disse o crítico literário venezuelano Fanuel H. Díaz, que estuda a ilustração dos livros infantojuvenis há 14 anos. Segundo ele, nos últimos dez anos “a imagem tem cada vez mais um inegável protagonismo” e há muita diversidade na produção, mas algumas características podem ser apontadas como tendências entre os ilustradores latinos: a estética europeizada, especialmente nos contos de fadas, e aquela baseada do mundo dos desenhos animados da televisão. “Olhamos ainda mais para fora do que para dentro. Há uma certa vergonha, até porque a estética popular é apontada como pobre. Sentimos que nossa estética não é tão valiosa frente a que se impõe no mercado.”

Díaz também aponta outras caraterísticas cada vez mais presentes, como a das figuras delicadas, com fundo incolor e imagens monocromáticas, a exemplo dos trabalhos de Alba Marina Rivera (nascida na Rússia, mas criada em Cuba) e do colombiano Alekos; o aspecto tridimensional; a tipografia como parte da ilustração; o uso do papel recortado até como técnica para criar volume; a metáfora visual, com influências do surrealismo, como alguns trabalhos do brasileiro André Neves; e uma certa convivência de discursos, como a colagem associada à fotografia. “Há também uma tendência ao mangá, ao desenho com características do grafite e às estéticas periféricas, como a indígena, a afro-descendente, a popular e a marginal.”

Entre os ilustradores latinos que têm apresentado trabalhos diferentes, ele cita os brasileiros Angela Lago, pelo bom manejo com as cores, Ciça Fittipaldi, com influência na cultura primitiva indígena e negra, e Roger Mello, um “artista da pós-modernidade”, além da chilena Paloma Valdivia (autora de É Assim, pela Edições SM), com sua mistura de influências indígena e catalã; da já citada Alba Marina Rivera; da argentina Isol (que ilustrou Pantufa de Cachorrinho, pela Autêntica) e seu experimentalismo; da venezuelana Menena Cottin (ilustradora de O Livro Negro das Cores, pela Pallas, também apontado por Díaz como um bom exemplo de livro digital) com seu abstracionismo geométrico; e do mexicano Fabricio Vanden Broeck.

A ilustração também foi alvo de mesa-redonda da qual participou o brasiliense Roger Mello, que discutia a literatura infantojuvenil e o universo emocional das crianças e jovens. O dia teve ainda palestra da antropóloga francesa Michèle Petit, que falou sobre as novas composições familiares e o individualismo crescente, bem como sobre a importância de apresentar os livros e a literatura às crianças, pois permitem explorar os segredos de seus corações. “É preciso apresentar o mundo às crianças pelos livros e ensinar a amá-lo, porque um dia serão elas que vão cuidar dele.”

Fonte: Aryane Cararo, de O Estado de S. Paulo

Ler é viver

7/3/2013 – 17:07h

Durante a palestra de abertura do seminário “Abrapalavra” sobre literatura infantil, que foi realizado pela Editora Aletria, no último fim de semana, em Beagá, a professora Antonieta Cunha apresentou os pilares sobre os quais se assentam as políticas públicas do livro. É ela quem está à frente do Plano Nacional de Livro e da Leitura (PNLL) e primeiramente apontou a democratização da leitura, ou seja, todo brasileiro tem direito a ter livros disponíveis para ele. “É dever do poder público garantir isso”, afirma a professora. “O brasileiro tem que entender que ler é fundamental para viver, porém, não é um processo natural e sim adquirido”.

Antonieta Cunha também destacou outra forma de garantir acesso à leitura, ou seja, através dos mediadores, que são os professores, pais, autores etc. Por isso, as políticas dirigidas ao livro e à leitura precisam cuidar da formação destes mediadores. O poder público também deve dar atenção à valorização da leitura como experiência individual. A professora ilustrou a importância desta questão com um verso de Fernando Pessoa: “A literatura, como toda arte, é uma confissão de que a vida não basta”.

Segundo ela, o homem precisa de algo a mais para viver, como a arte. “Desde a criança, isso já aparece, ou seja, é a transcendência do ser humano”. “A arte é a melhor experiência de transcendência que o ser humano é capaz”, conclui Antonieta. Outro pilar para a construção das políticas públicas para o livro e a leitura consiste em apoiar quem cria e produz literatura: “Quem sustenta a paixão pela leitura é o autor”, afirmou.

Dica de livro: “O pássaro das sombras”

6/3/2013 – 19:33h

Quem é o pássaro das sombras? Ele é Oreosvaldo. Esta história foi escrita por Pedro Antônio de Oliveira e ilustrada por Maurizio Manzo, que lançam o livro infantil pela Editora Lê. Quer saber que história é essa?

Um avestruz muito tímido tem uma amiga chamada Norbélia que, por sinal, é uma pata. O nome dele é Oreosvaldo, denominação que detesta. Por isso, por conta própria, ele se torna Billy. De onde ele tirou Billy? Ora, esse é o nome do vocalista de sua banda de rock preferida: “Os Inacreditáveis da Rua de Cima”.

Nesta trama, existe um porco-espinho quase vilão, o Antero. Ele é como esses colegas de escola que, por qualquer bobagem, ficam no pé da gente pedindo cola, empurrando, batendo, colocando os mais pacatos contra a parede. Só não faz ideia de que o Billy seja o Pássaro das Sombras, um talentoso escritor para o qual, um dia, terá de pedir ajuda para conquistar seu grande amor.

Já ia me esquecendo, vai haver a festa do ano: o aniversário da macaca Dalila. E a bicharada inteira está em polvorosa, menos o Billy, que gosta mesmo é de ficar na dele. Só há um problema: o avestruz, após se tornar famoso, precisará ir à comemoração de qualquer maneira para agradar a seus seguidores. Será quem vai chegar primeiro: o Billy ou o Pássaro das Sombras? Ah, talvez isso não tenha a mínima importância, pois, no fundo, os dois são a mesma adorável figura.

Quem desejar fazer contato com Oreosvaldo, pode acessar o site criado especialmente para o personagem em www.opassarodassombras.com.br.

Edição dedicada à literatura infantil

5/3/2013 – 19:41h

A Fundação Biblioteca Nacional (FBN), que edita a Revista Machado de Assis – Literatura Brasileira em Tradução, em co-edição com o Itaú Cultural, e parceria com a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo e o Itamaraty, na edição de número 3, anuncia os 20 autores selecionados com 10 ilustradores cujos trabalhos acompanham nove dos textos.

Esta é uma edição especial dedicada à literatura infanto-juvenil de autores brasileiros. Os seus trabalhos serão divulgados internacionalmente com a apresentação da revista, entre os dias 25 e 28 de março, na Feira do Livro para Crianças de Bolonha, que em 2014 prestará homenagem o Brasil. A publicação será lançada e disponibilizada em PDF no seu site no dia 24 de março.

Relevância e qualidade foram os pré-requisitos do Conselho Especial designado pela FBN, com o aval do Conselho Editorial da Machado de Assis, para selecionar os autores entre 183 inscrições recebidas de trechos de obras brasileiras para crianças e jovens. Os textos, como nas edições anteriores, são traduzidos para o inglês ou para o espanhol. Do conjunto de 20 textos, quatro são em espanhol, correspondendo ao percentual de inscrições nessa língua – 85% foram realizadas na língua inglesa.

O número de inscrições cresceu  80% em relação ao primeiro número, lançado em outubro do ano passado na Feira do Livro de Frankfurt e para a qual houve 103 inscritos. A segunda edição, que entrou no ar em fevereiro – com trechos em alemão, além desses dois idiomas, e versão em PDF – também já havia subido para 147.

Diante da alta qualidade e do grande número de material recebido, optou-se por não aprovar autores contemplados em edições anteriores da revista e trechos de obras que já receberam bolsa do Programa de Apoio à Tradução da FBN ou lançadas na língua do trecho inscrito na seleção. Também não foram considerados textos com tamanho acima do limite estipulado na convocatória. As traduções aprovadas pelo Conselho foram analisadas por tradutores literários contratados pelo Itaú Cultural para garantir a qualidade mínima dos textos selecionados.

Os selecionados

1- Ana Maria Machado: Jabuti Sabido e Macaco Metido. Tradução para o inglês de Ana Maria Machado.

2- Carolina Moreyra, ilustrações de Odilon Moraes: O guarda-chuva do vovô. Tradução para o inglês de Carolina Moreyra.

3- Cecília Meireles: poemas de Ou isto ou aquilo. Tradução para o inglês de Telma Franco e Sarah Rebecca Kersley.

4- Celso Sisto: A compoteira. Tradução para o inglês de Fal Azevedo.

5- Gláucia Souza, ilustrações de Cristina Biazetto: Tecelina. Tradução para o espanhol de Leila Mathias Costa.

6- Ivan Jaf: As outras pessoas. Tradução para o inglês de Amanda Silva Leal.

7- Jorge Miguel Marinho, ilustrações e projeto gráfico da Casa Rex: Lis no peito – Um livro que pede perdão. Tradução para o inglês de Robert Brian Taylor.

8- Luis Dill, ilustrações de Rogério Coelho: O estalo. Tradução para o espanhol de Girassol Sant´Anna.

9- Luiz Antonio Aguiar: Sonhos em amarelo – O garoto que não conheceu Van Gogh. Tradução para o inglês de Anthony James Waug.

10- Marcos Bagno: Memórias de Eugenia. Tradução para o espanhol de Girassol Sant´Anna.

11- Nelson Cruz, ilustrações do autor: No longe dos Gerais. Tradução para o inglês de Flora Thomson-Deveaux.

12- Nilma Lacerda: Sortes de Villamor. Tradução para o inglês de Tonia Leigh Wind.

13- Paulo Venturelli: Visita à Baleia. Tradução para o espanhol de Girassol Sant´Anna.

14- Reginaldo Prandi, com ilustrações de Rafael Pedro: Xangô, O trovão. Tradução para o inglês de Laurie Anne Carpenter.

15- Ricardo Azevedo: Uma velhinha de óculos, chinelos e vestido azul de bolinhas brancas. Tradução para o inglês de Laurie Anne Carpenter.

16- Roger Mello, ilustrações de Graça Lima e Mariana Massarani: Vizinho, vizinha. Tradução para o inglês de Laurie Anne Carpenter.

17- Rogério Andrade Barbosa: Histórias Africanas Para Contar e Recontar. Tradução para o inglês de Fernanda Monteiro Catai.

18- Silvana Tavano, ilustrações de Daniel Kondo: Psssssssssssssiu!, Tradução para o inglês de Jay Augusto Silva.

19- Socorro Accioli: O peixinho de Pedra. Tradução para o inglês de Silvia Dussel Schiros.

20- Stella Maris Rezende, ilustrações de Laurent Cardon: A mocinha do mercado central. Tradução para o inglês de Mark David Ridd.