Fórum das Letrinhas vem aí

10/4/2013 – 18:35h

Evento já está estruturado para acontecer de 14 de maio a 1º de junho, em Ouro Preto e Mariana, e este mês lança edital para a participação das escolas.

Alunos da rede municipal de Ouro Preto participam ativamente do Fórum das Letrinhas – Foto: Divulgação

Estimular a formação de novos leitores: este é o objetivo central do Fórum das Letrinhas. A iniciativa, voltada para o público infantojuvenil e realizada dentro do calendário do Fórum das Letras de Ouro Preto, acaba de ter início com a divulgação de uma boa notícia. Em 2013, o projeto espera atingir cerca de 1.500 estudantes da rede estadual, municipal e privada de ensino de Ouro Preto, Mariana e região – um crescimento de 25% em relação ao ano passado. No total, 26 instituições de ensino participarão da ação. A estimativa de público deve ser ampliada ainda por atividades abertas a todos, como a Conversa com o Autor, o Varal Literário e o Sarau: Meu Quintal é Maior que o Mundo. As atividades acontecerão em parceria com o Trem da Vale, onde também será sediada a programação criada para os pequenos leitores.

Os trabalhos pedagógicos também serão ampliados. Em abril, será publicado o edital para participação das escolas nas atividades do evento. A partir de então, terão início capacitações para os professores e trabalhos de leitura e interpretação das obras escolhidas para o Fórum. As ações resultarão em um intenso calendário de jogos literários e bate-papo com autores, realizados entre os dias 14 de maio e 1º de junho – será a primeira vez que as atividades infantis se estenderão por tanto tempo. Já a programação do Fórum das Letras, voltada para o público adulto, será concentrada entre os dias 29 de maio e 2 de junho, com discussões focadas no tema “Literaturas de Origem”.

Entre os autores confirmados para debates com as crianças estão Adélia Prado, Ângela Lago, Antônio Torres, Daniel Munduruku e Fábio Sombra. Eles participarão de conversas abertas ao público em geral, realizadas na Tenda da Vale, um dos diversos locais de ocupados pelo Fórum das Letras durante o período. Na visão da coordenadora Tereza Gabarra, responsável pela curadoria da programação voltada para as crianças e adolescentes, a ideia é trabalhar o imaginário infantil, resgatando histórias antigas e auxiliando a construção de uma realidade permeada pela literatura.

O Fórum das Letrinhas é composto por oito ações diferentes: Um Autor na Minha Escola, Espetáculos Teatrais, Trem Literário, Sarau: Meu Quintal é Maior que o Mundo, Varal Literário, Jogos Literários, Tarde Literária e Conversa com o Autor. O tema da programação principal também estará presente das atividades. “A origem estará representada de diferentes maneiras. O Sarau: Meu Quintal é Maior que o Mundo vai reproduzir um mundo que faz parte da história de todos, com a reprodução de um mundo com cara de ‘casa de vó’. Antônio Torres representará a infância no sertão, ou seja, a cultura popular que vem da literatura de cordel, das lendas de um povo, das festas populares. Já Daniel Munduruku estará presente para mostrar a todos um pouco mais sobre a cultura indígena”, explica Tereza.

A coordenadora antecipa, ainda, que será realizado, a partir de agora, um estudo que visa medir os avanços trazidos pelo Fórum das Letrinhas ao longo de sete edições. A pesquisa contemplará a evolução dos alunos no que diz respeito à leitura e aprendizado, além da percepção, por parte dos professores, dos pontos que ainda podem ser aprimorados.

Atividades programadas

Um Autor na Minha Escola: Realizada em escolas de Ouro Preto, Mariana e distritos, a iniciativa é responsável por levar autores renomados para um descontraído bate-papo com as crianças em sala de aula.

Espetáculos Teatrais: Todos os espetáculos apresentados durante o Fórum das Letrinhas têm relação com os livros trabalhados anteriormente em sala de aula. O objetivo é desenvolver, ainda mais, a interpretação dos alunos, por meio de elementos lúdicos e encenação da narrativa.

Trem Literário: Nesta ação, a literatura se torna, literalmente, uma viagem. A Maria-Fumaça, que faz o trajeto Ouro Preto e Mariana, se transforma em palco para a imaginação e adaptação de histórias escritas por grandes nomes da literatura infantojuvenil.

Sarau: Meu Quintal é Maior que o Mundo: O trecho escrito pelo poeta Manoel de Barros no poema “O apanhador de desperdícios” dá nome à iniciativa que busca recriar um pouco das tradições e histórias do interior. Contação de causos, apresentações musicais e teatrais serão ambientadas em um grande quintal, montado especialmente para a ocasião.

Varal Literário: Sucesso em edições passadas do Fórum das Letrinhas, o Varal Literário volta ao evento. O tradicional espaço para troca de livros será ampliado e realizado entre os dias 25 de maio e 2 de junho, com o objetivo de alcançar um número ainda maior de pessoas.

Jogos Literários: Baseados em livros anteriormente trabalhados em sala de aula, os Jogos Literários consistem em uma saudável competição entre as escolas, com o objetivo de desenvolver a rotina de leitura e a capacidade de interpretação dos alunos. A intervenção, coordenada pelo professor Dr. Marco Antônio Melo Franco (DEEDU/UFOP), será realizada dentro das escolas participantes do projeto e terá início 40 dias antes da abertura oficial do encontro.

Conversa com o Autor: Realizada na Tenda da Vale, a ação tem como objetivo promover debates entre o público e grandes nomes da literatura infantojuvenil.

O Fórum das Letras é realizado pela Universidade Federal de Ouro Preto. O Fórum das Letrinhas, cuja programação é destinada especialmente a crianças e adolescentes, é realizado em parceria com a Tenda da Vale, iniciativa promovida pela Vale.

Mais informações: www.forumdasletras.ufop.br.

O mundo através do livro

Livro de imagem “Cena de Rua”, de Angela Lago, é uma das obras brasileiras do catálogo da Federação Internacional de Bibliotecários

9/4/2013 – 19:46h

Encontra-se disponível no site da The Internacio­nal Federation of Library Associations and Insti­tutions (Federação Internacional de Associações e Instituições Biblio­tecárias, IFLA), o catálogo digital The World Through Picture Book _ “O mundo através do livro para as crianças” _ contendo indicações de dez livros de 30 países, produzido pela instituição, em parceira com o IBBY. O projeto do catálogo on-line foi lançado em 2011, o primeiro resultado com os 300 títulos escolhidos foi divulgado em agosto de 2012. O link para acesso ao catálogo é http://www.ifla.org/files/assets/librar­ies-for-children-and-ya/Picturebooks/PictureBooksCompilation.pdf

No final de 2011, a IFLA solicitou à Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) indicações de livros de autores brasileiros por intermédio de Viviana Quiñones, da Bibliothèque Nationale de France, a pedido da coordenadora do projeto, Annie Everall. Atendendo à solicitação, a FNLIJ selecionou 23 obras de autores brasileiros de literatura infantil e juve­nil, contendo as capas e uma resenha em inglês. O critério seletivo usado para as indicações foram os prêmios conquistados pelos autores com as respectivas obras.

Além do catálogo digital, os livros escolhidos estarão em duas exposições criadas pela IFLA, com o apoio dos editores, a quem a instituição está pedindo o envio de dois exemplares. As duas mostras ficarão em bibliotecas do Japão e da França, disponíveis para empréstimo aos países que queiram exibi-las. Em março, a exposição foi  apresentada ao público da 50ª Feira de Bolonha.

A IFLA é o principal órgão interna­cional que representa os interesses da biblioteca e dos bibliotecários, fundada na Escócia, em 1927. Atualmente, segundo o site da instituição, conta com aproximadamente 1.500 membros, de cerca de 150 países. A IFLA é uma organização não-governamental, sem fins lucrativos, registrada na Holanda desde 1971 e sua sede fica na Biblio­teca Real – a Biblioteca Nacional da Holanda – em Haia, que fornece as instalações para o seu funcionamento.

Os 30 países com livros presen­tes no catálogo “O mundo através do livro para as crianças” são: Argentina, Benin, Brasil, Camarões, Colum­bia, Colômbia, Croácia, Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Haiti, Japão, Coréia, Líbano, Madagascar, Mali, Maurício, Holanda, Nigéria, Noruega, Ilha da Reunião, Romênia, Rússia, Senegal, Cingapura, África do Sul, Suécia, Reino Unido e EUA.

Apresentamos aqui a lista dos 23 títulos indicados pela FNLIJ:

1 – Alice no telhado. Nelson Cruz. Edições SM.

2 – Asa de papel. Marcelo Xavier. Fotografia de Gustavo Campos. Formato.

3 – Até passarinho passa. Bartolomeu Campos de Queirós. Il. Elisabeth Teixeira. Moderna.

4 – Bruxinha Zuzu. Eva Furnari. Moderna.

5 – Cavalhadas de Pirenópolis. Roger Mello. Agir.

6 – Cena de rua. Angela Lago. RHJ.

7 – Chapeuzinho Vermelho e outros contos por imagem. Rui de Oliveira. Il. Luciana Sandroni. Companhia das Letrinhas.

8 – Histórias da Coleção gato e rato. Mary and Eliardo França. Ática.

9 – Lampião & Lancelote. Fernando Vilela. Cosac Naify.

10 – O lobo. Graziela Hetzel. Il. Elisabeth Teixeira. Manati.

11 – Macaquinho. Ronaldo Simões Coelho. FTD.

12 – Menino Marrom. Ziraldo. Melhoramentos.

13 – Menina bonita do laço de fita. Ana Maria Machado. Il. Claudius. Ática.

14 – Noite de cão. Graça Lima. Paulinas.

15 – Obax. André Neves. Brinque-Book.

16 – Ops. Marilda Castanha. Cosac Naify.

17 – Pedro e lua. Odilon Moraes. Cosac Naify.

18 – O que os olhos não vêem. Ruth Rocha. Il. Carlos Brito. Salamandra.

19 – O rei de quase-tudo. Eliardo França. Zit.

20 – Telefone sem fio. Ilan Brenman. Il. Renato Moriconi. Companhia das Letrinhas.

21 – Vizinho, vizinha. Graça Lima, Mariana Massarani e Roger Mello. Companhia das Letrinhas.

22 – Você lembra, pai!. Daniel Munduruku. Il. Rogério Borges. Global.

23 – Livro de Papel. Ricardo Azevedo. Editora do Brasil.

Em busca de novos autores

8/4/2013 – 19:33h

Ainda em comemoração ao Dia Internacional do Livro Infantil, 2 de abril, a matéria abaixo mostra que o crescimento do mercado não abriu oportunidades para novos autores.

Hans Christian Andersen é o autor homenageado no Dia Internacional do Livro Infantil – Foto: Internet

Rio de Janeiro- Autores e especialistas acreditam que, apesar do crescimento do mercado, ainda há poucas oportunidades para novos autores. Por outro lado eles consideram positivo o fato de o mercado editorial estar vencendo a concorrência com os games e a internet.

Consagrado no mercado editorial com diversos títulos para crianças, o escritor José Roberto Torero acredita que, apesar de o mercado ter crescido, a falta de incentivo à leitura pelas famílias impede uma expansão maior da produção nacional. Ele confirma que o mercado editorial acaba orientado para as compras governamentais e pelo marketing da literatura infantojuvenil estrangeira.

“Principalmente no Brasil, [a oferta de literatura para jovens] a partir dos 12 anos de idade, já não é tão farta. Por isso o Harry Potter [livro da escritora britânica J. K. Rowling] faz tanto sucesso”. Torero diz que se produz pouco para essa faixa de idade, no mundo todo e aqui, um pouco menos. Segundo ele, mesmo títulos conhecidos, como Pedro Bandeira, não atraem esse público.

Somente neste ano, o governo federal investirá mais de R$ 1 bilhão em livros didáticos, um aporte significativo. Para atender essa demanda, as editoras são levadas a publicar os livros clássicos, sendo boa parte deles, estrangeiros ou de autores conhecidos, confirma a organizadora da Flipinha, a versão infantil da Feira Literária Internacional de Paraty (Flip), Gabriela Gibrail.

“O governo tem comprado bons livros, a demanda por esses títulos ainda é muito grande. É ainda um começo, é como ir ao supermercado: as marcas conhecidas levam vantagem”, disse. Apesar desse quadro, Gabriela, que também é professora de literatura, acha que a cada ano mais escritores e ilustradores infantis “com excelentes trabalhos” entram no mercado.

Fonte: Isabela Vieira – Agência Brasil

70 anos de “O Pequeno Príncipe”

7/4/2013 – 21:45h

“Somente as crianças sabem o que procuram”.

Uma das mais populares do mundo, a obra foi lançada inicialmente nos Estados Unidos e dia 6/4, completou 70 anos de circulação. Enquadrado pelo site PublishNews na categoria infanto-juvenil, foi o segundo livro mais vendido em fevereiro de 2013 e o quinto no segmento em todo o ano de 2012, segundo o ranking. Desde 2002, quando a editora Agir foi incorporada pela Ediouro, o livro vende uma média de 300 mil exemplares por ano e está na 48ª edição no Brasil.

Um livro de encontros. É assim que a professora de literatura Verónica Galíndez Jorge, da Universidade de São Paulo (USP), define o livro O Pequeno Príncipe, do francês Antoine de Saint-Exupéry. Com temática existencialista, a obra segue uma das mais populares do mundo, mesmo 70 anos após seu lançamento – no Brasil, ela chegou somente em 1945, pela Agir, mas a estreia mundial ocorreu dois anos antes, em 6 de abril de 1943, nos Estados Unidos.

“Exupéry traz o reencontro do adulto com olhar perdido de criança e também o encontro da criança com questões da vida adulta”, analisa Verónica. A temática a um só tempo densa e acessível, que encontra identificação em diferentes faixas etárias, é um dos pontos indicados pela professora para explicar o sucesso persistente da obra. “Também não podemos deixar de lado o fenômeno editorial dos anos 1980, quando o livro chegou a ser lido como autoajuda”, acrescenta.

Definida pelo filósofo alemão Martin Heidegger como uma das maiores obras existencialistas do século 20, O Pequeno Príncipe é um dos livros mais traduzidos do mundo, mas não há consenso sobre o número exato: no site oficial da obra, Le Petit Prince, fala-se em 257 idiomas e dialetos, e há edições no Camboja e no Japão, por exemplo. No país nipônico, o sucesso foi tanto que há um museu dedicado ao Pequeno Príncipe na cidade de Hakone.

Desde a publicação, a trama já foi contada em diversas plataformas, como na série de desenho animado As Aventuras do Pequeno Príncipe, lançada no final da década de 1970. Mais recentemente, o livro inspirou uma animação computadorizada homônima, exibida no Brasil pelo canal de TV por assinatura Discovery Kids, e uma série em quadrinhos publicada pela Editora Amarilys.

O autor

Exupéry, assim como um dos personagens do livro, também foi piloto. No final da década de 1920, o francês, que ficou conhecido como “o poeta da aviação”, foi designado para trabalhar em Buenos Aires e chegou a pousar algumas vezes no Brasil. Um dos pontos de abastecimento estabelecidos pela empresa francesa de correio aéreo Latécoère, onde ele trabalhava, localizava-se na cidade de Florianópolis, em Santa Catarina. Ali, ele ficou conhecido entre os habitantes como “Zeperri”, e passou a fazer parte da história da cidade – hoje, a capital catarinense conta com uma avenida nomeada em homenagem à principal obra do autor, Pequeno Príncipe, na praia do Campeche.

Além da América do Sul, Exupéry participou de missões em diversas localidades, da América do Norte à Europa. Ele foi visto pela última vez em 1944, quando decolou de uma base aérea no Mar Mediterrâneo e não retornou. Um bracelete com seu nome foi resgatado do Mar de Marselha, na década de 1990, e conduziu aos destroços do avião pilotado pelo francês. As circunstâncias da sua morte, contudo, não foram esclarecidas.

Fonte: Cartola – Agência de Conteúdo – Especial para o Terra


Livro infantil não é só educativo

Ilustração de Maurizio Manzo para Hikôki e a mensageira do Sol da Editora Miguilim

3/4/2013 – 18:51h

São Paulo – Monteiro Lobato, Ziraldo e Ruth Rocha são alguns dos grandes escritores que ficaram conhecidos no país por suas histórias destinadas ao público infantil. Mas apesar de tão conhecida, a literatura infantil ainda é um mercado novo no Brasil, na opinião do presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (Aeilij), Hermes Bernardi Jr.

O escritor e ilustrador de livros infantojuvenis acredita que só recentemente o mercado brasileiro entendeu que livro infantil não é sinônimo de livro educativo ou pedagógico. “Livro infantil não é só para educar a criança, mas para envolvê-la, com sensibilidade, a alguns aspectos que fazem parte da vida tais como o jogo, a relação, a brincadeira, o medo e o conflito”, disse.

Bernardi Jr lembrou a descoberta de que o livro infantil não tem que ser especificamente utilitário e pedagógico é recente. “Apesar de termos, lá atrás, escritores como Monteiro Lobato, Ziraldo, Ruth Rocha e Sylvia Orthof, responsáveis por momentos marcantes da literatura infantil e juvenil brasileira, há apenas uns dez ou 15 anos, vivendo esse outro momento, de considerar o livro infantil como lúdico”.

Para o escritor e ilustrador, o livro infantil não é apenas um objeto que tem uma função específica: é um objeto de arte. “Ele lida com dois elementos de narrativa, um deles, a palavra e o outro, a imagem, que qualificam o leitor em seu olhar diante do mundo”. Bernardi Jr lembrou que a literatura infantil não é escrita tão somente para crianças. “A criança para a qual eu escrevo habita um corpo. Mas a idade desse corpo não me interessa. Todos temos, dentro de nós, uma criança. Podemos escrever livros infantis para crianças de qualquer idade”.

Segundo ele, o setor tem se renovado nos últimos anos, favorecido, entre outros fatores, pelo uso da tecnologia. “Isso colaborou para que tivéssemos parques gráficos mais ousados e bem equipados no Brasil. E aí os artistas da palavra e da imagem começaram a ficar um pouco mais ousados e a recriar esse espaço e esse universo do livro, criando, inclusive, esse produto que chamamos de livro-brinquedo, que tem textura, cheiro etc”.

Mas a principal renovação do setor, para ele, está em outro aspecto fundamental: “Como há muitas pessoas do design e da publicidade envolvidas na feitura de um livro infantil e juvenil, ele está começando a virar um produto com muito mais arte”. “Descobrimos há pouco a literatura infantil e juvenil brasileira e todos os recursos que podemos criar ali, principalmente de cor, de encadernação. Há pouco tempo as editoras brasileiras estão fazendo livros com capa dura, o que na Europa já se faz há centenas de anos”, citou.

Reação do mercado

O mercado de livros infantojuvenis cresceu no país nos últimos anos, disse Bernardi Jr. “De fato tem aumentado o número de escritores de livros infantis no Brasil e também de ilustradores. É um mercado que cresceu muito principalmente por causa de todos os programas de governo de aquisição de obras para as bibliotecas escolares e públicas”. Mas apesar desse crescimento, o brasileiro ainda lê e consome poucos livros.

“O Brasil precisa, na verdade, consumir mais livros na livraria. O brasileiro precisa ir à livraria e comprar livros de autores e ilustradores brasileiros”, defendeu. Para ele, esse problema ocorre principalmente “porque o brasileiro não vê o livro como uma necessidade básica” e encara o livro, muitas vezes, como um objeto apenas didático. “O brasileiro precisa pensar melhor no livro, como um objeto de arte, onde ele se descobre, onde vê outro modo de ver e de perceber o mundo”. Outro problema apontado por Bernardi Jr. é o fato de o país ter poucas livrarias e bibliotecas disponíveis nos municípios.

Por essa razão, Bernardi Jr. vê com bons olhos, por exemplo, iniciativas como as que pretendem incluir livros na cesta básica do brasileiro. “Isso seria um grande ganho para a sociedade como um todo. Receber um livro junto com a cesta básica e os alimentos já seria uma possibilidade de acesso”. Outra proposta que ele defende é a comercialização de livros a preços populares.

Para o presidente da associação, o hábito da leitura deve ser incentivado desde cedo. “A primeira relação que se estabelece com o livro, se ela for mediada com sensibilidade, pode fazer a criança estabelecer uma relação muito forte com o livro”. Bernardi Jr considera a mediação uma parte importante na criação do hábito. “Se houver uma boa e bem realizada mediação pela família, em primeiro lugar, e depois na escola e nas relações de amizade, o livro passa a ser um companheiro inseparável na vida de qualquer sujeito”.

Patricia Cruz – Agência Brasil

O dia da literatura

2/4/2013 – 22:50h

Depoimentos de quem atua diretamente com literatura infantil revelam pontos comuns tanto no momento de ressaltar conquistas como no de apontar as dificuldades do segmento.

Intervalo do programa Panorama no estúdio da TV Assembleia : assentados, o apresentador Fernando Gomes (esq), Sandra Bittencourt e Alexandre Machado – Foto: Trupe Maria Farinha

Em Belo Horizonte, o Dia Internacional do Livro Infantil começou com o bate-papo do apresentador do programa Panorama, da TV Assembleia, Fernando Gomes, com Alexandre Machado, Editor da Miguilim, e Sandra Bittencourt, contadora de histórias, especialista em literatura infantil e já indicada para ser a curadora do Salão do Livro InfantoJuvenil de Minas Gerais, que vai acontecer, em Belo Horizonte, de 9 a 18 de agosto deste ano.

O pingue-pongue resultou literalmente num panorama d0 segmento. Falou-se de tudo, durante 30 minutos: produção literária, mercado editorial, vendas de livros, pesquisas, qualidade literária, ilustração e texto, formação do leitor, participação da escola e do professor, livro digital, formato atual das bibliotecas, relacionamento com as crianças, entre outros.

Além da entrevista ao vivo, no estúdio, o programa também exibiu dois depoimentos gravados: o da escritora e contadora de histórias, Rosana Mont´Alverne, que comentou sobre o livro digital sem medo de ele engolir o de papel, e do artista plástico Marcelo Xavier, que mostrou a complexidade do trabalho do ilustrador de livros infantis ao explicar a técnica que utiliza com modelagens seguidas de fotografias.

Por todo o Brasil, o noticiário de agências e portais da internet, além das postagens no Facebook, destacaram a data especialmente através de personagens e projetos que qualificam a literatura infantil. O presidente da Associação de Escritores e Ilustradores de Literatura Infantil e Juvenil (Aeilij), Hermes Bernardi Jr, e o editor da Miguilim, Alexandre Machado, compartilharam da mesma opinião sobre o crescimento do mercado de livros editoriais. Ambos afirmaram que tem aumentado o número de escritores de livros infantis no Brasil e também de ilustradores por causa dos programas de governo de aquisição de obras para as bibliotecas escolares e públicas.

Outra questão debatida no programa Panorama, que também foi destacada na mídia nacional, refere-se à importância das famílias comprarem livros, além dos indicados pela escola, e a escassez de títulos nacionais dedicados aos jovens. Este público continua limitado às aventuras de Harry Potter e Crepúsculo.

No Distrito Federal, a escritora Alessanda Roscoe defendeu o Aletramento Fraterno que consiste em ler para os filhos ainda durante a gravidez. O nome tem uma razão de ser: estimular o hábito da leitura em uma criança é uma tarefa que pode envolver toda a família. Durante a entrevista, Sandra Bittencourt também trouxe esta questão para o debate e ilustrou com sua experiência de contar histórias para o filho durante a gravidez.

O comprometimento de professores em promover a leitura em sala de aula foi outro destaque da comemoração do Dia Internacional do Livro Infantil: em São Paulo, a iniciativa da criação de uma Academia Estadual de Letras, por uma professora de uma escola fundamental, se expandiu para 22 escolas municipais. Os alunos escolhem autores da literatura para representar imitando a dinâmica de uma academia de Letras.

Em Brasília, uma dupla de educadoras criou os personagens Racumim e Racutia, ratos que tornaram defensores dos livros e fazem parte do Projeto Reinventando a Biblioteca, ou seja, são os “ratos de biblioteca” _ uma forma de tornar a experiência da criança na biblioteca mais lúdica, tal como Sandra e Alexandre, durante a entrevista, demonstraram ser um dos desafios a ser vencidos em favor da leitura infantil. Afinal, sem leitura não há vida para a literatura. (Com Agência Brasil).

A partir desta semana, o blog vai reproduzir as matérias originais comentadas neste post.