Segundo ano do blog

31/7/2013 – 19:41h

“Conta uma História”, blog criado com a proposta de fazer jornalismo de literatura infantil, está completando dois anos. Neste tempo que estou dedicando a este trabalho voluntário, tenho aprendido bastante e conhecido pessoas fantásticas, recebido livros que encantam e observado atitudes que emocionam. Sinto-me comprometida com este segmento.

Quando decidi que ia criar este blog, parti da simples constatação que literatura infantil ainda tem pouco espaço na grande mídia e fica sem cobertura no dia a dia. Pode ser pretensão minha pensar em oferecer ao segmento um jornalismo à altura do que os grandes veículos podem praticar. Mas, confesso, foi assim que sonhei.

E assim tenho postado diariamente informações, lançamentos, entrevistas, pesquisas, dicas etc. Sempre com o objetivo de divulgar a movimentação em torno da literatura infantil. Assim pretendo continuar e para isso busco apoio de todos que impulsionam a arte literária dia após dia. O blog foi feito para servir a vocês. Muito obrigada.

Pesquisa revela a venda de livros

30/7/2013 – 12:52h

As editoras brasileiras venderam 434,92 milhões de livros em 2012, representando uma queda de 7,36% em relação aos 469,46 milhões de exemplares de 2011. O faturamento foi de R$ 4,98 bilhões, apontando crescimento de 3,04%, em comparação ao ano anterior, quando o resultado foi de R$ 4,83 bilhões.

Os dados são relativos à pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas da Universidade de São Paulo (FIPE/USP) sob encomenda da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e do Sindicato dos Editores de Livros (SNEL) divulgada nesta terça-feira (30/07), na sede do SNEL, no Rio de Janeiro. O levantamento abrange os segmentos básicos do setor do livro: o mercado (livrarias e outros pontos de venda) e o governo (que compra das editoras por meio de programas como Plano Nacional do Livro Didático – PNLD).

A pesquisa também revela que se for considerada apenas a parcela vendida ao mercado (excluindo o Governo), a queda no número de exemplares vendidos foi de 5,43%, com um total de 283,98 milhões de exemplares em 2011, para 268,56 milhões, em 2012. O faturamento teve um aumento de 6,36%, passando de R$ 3,44 bilhões em 2011, para R$ 3,66 bilhões em 2012, o que significa um aumento real de 0,49%, considerada a inflação do período. Este foi o primeiro crescimento real de vendas ao mercado desde 2008.

Ainda considerando as vendas ao mercado, o preço médio do livro cresceu 12,46%, em 2012. Entretanto, se for levado em consideração o acumulado desde 2004, quando houve a desoneração do PIS e Cofins para os livros, ainda há uma queda real do preço médio do livro de 41%.

As vendas ao governo apresentaram queda acentuada de 10,31% no número de exemplares, com um recuo de 185,48 milhões em 2011 para 166,35 milhões em 2012. Quanto ao faturamento, houve decréscimo de 5,20%. Em 2011, as editoras faturaram R$ 1,38 bilhão, caindo para R$ 1,31 bilhão, em 2012.

Cresce a produção de novos títulos

A produção de novos títulos cresceu 1,89%, em 2012, em relação às reimpressões. Em 2011, foram produzidos 20,40 mil novos títulos, passando, em 2012, para 20,79 mil. Por outro lado, as reimpressões apresentaram queda de 2,93%, com 37,78 mil exemplares reimpressos em 2011 e 36,68 mil, em 2012. A variação da produção de títulos, no total, apresentou queda de 1,24%.

A pesquisa FIPE 2012 sobre o Setor Editorial Brasileiro também constatou queda no número de exemplares produzidos. Em relação a 2011, a produção caiu 2,91%, com 485,26 milhões de exemplares em 2012, comparada aos 499,79 milhões do ano anterior.

A importância da pesquisa

Para a presidente da CBL, Karine Pansa, a realização anual da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro contribui muito para a compreensão do mercado, seu aperfeiçoamento e desenvolvimento. “Com os dados em mãos, é possível visualizar as tendências, dimensionar melhor a produção e trabalhar de modo mais eficaz para cumprir a meta prioritária de disseminar a leitura e ampliar o acesso ao livro no País”, observa Karine Pansa.

“A comparação entre o desempenho do setor editorial, a cada ano, permite analisar tendências e resultados. É importante conseguirmos visualizar qual dos segmentos está obtendo melhores resultados, qual o canal de distribuição está crescendo, qual a área temática está com tendência de crescimento ou de queda”, comenta Sônia Jardim, presidente do SNEL, sobre a importância da pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro.  “As pesquisas ajudam a identificar ou confirmar tendências, fundamental para orientar os editores e livreiros a tomar decisões com menos riscos, ou, pelo menos, assumirem riscos mais calculados”, conclui a presidente do SNEL.

“Literatura, muito prazer”

29/7/2013 – 17:52h

Semana passada (22/7), publicamos uma matéria sobre o Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais _ que será realizado no período de 9 a 18 de agosto, na Serraria Souza Pinto, em Beagá _ mostrando o trabalho da curadora Sandra Bittencourt, que priorizou uma “linguagem de afeto” ao montar uma programação para o evento capaz  de  “abraçar e emocionar” os visitantes a cada dia.

Hoje, vamos comentar m ais detalhadamente sobre esta programação. A começar pelo tema deste ano, “Literatura, muito prazer”. Segundo a organizadora, é possível tratá-lo com múltiplas linguagens e, sendo assim, ela planejou uma programação a partir de sete eixos básicos que distinguem a “palavra em movimento”: oficinas, espetáculos teatrais, narrações de histórias, cinema, pontos de vista, exposição e “O escritor lê para mim”.

“Parte do cronograma de atividades do Salão do Livro visa promover e estimular a leitura literária, explorando os diversos suportes do segmento infantil e  juvenil (editoras e os equipamentos culturais), utilizando, como conteúdo privilegiado de todas as atividades, temas que assegurem a educação literária. O mesmo será tratado com sensibilidade, emoção, colocando em prática o princípio de que é preciso mostrar a arte da palavra’ e suas ‘múltiplas linguagens’ em ação, destacando ideias tão necessárias ainda de que o conhecimento deve necessariamente principiar pelos sentidos”.

A palavra em movimento

Ainda segundo Sandra Bittencourt: “Por que estudar, ler, degustar, viver a literatura? Por que uma notícia de jornal dura apenas o durável e dura enquanto dura o dia? Já esta mesma notícia, transformada em um poema, dura uma eternidade. Que poder tem estas palavras que, praticamente, são as mesmas e têm a eternidade como companheira?  Quando começamos a ler e a escrever, as palavras nos levam para mares nunca antes navegados. A literatura, como toda a arte, é uma transfiguração do real, e a realidade recriada, através do espírito do artista, é retransmitida, através da língua para as formas, que são os gêneros, e com os quais ela toma corpo e nova realidade. No texto literário, a palavra além de informar, esclarecer, iluminar, ela tem outra função, que é de produzir literatura. Neste contexto, a palavra funciona como objeto artístico, capaz de provocar, modificar, iluminar a realidade do mundo e a nossa realidade”.

Próximo post: como os sete eixos básicos entram na programação do Salão do Livro.

A literatura infantil

26/7/2013 – 21:55h

O Portal Educação promove vários cursos online, entre eles, o de literatura infantil. Com base nesta experiência, profissionais do portal produziram um artigo que reproduzimos a seguir.

Os livros lidos na infância influenciam muito na construção do caráter e personalidade de um individuo que vai agregando valores e conceitos à vida através de suas leituras. A literatura infantil é representada por inúmeros escritores de grande talento e prestígio.

Na literatura universal nomes como Hans Christian Andersen, autor de “Soldadinho de Chumbo” e “A Pequena Sereia”, Irmãos Grimm autores de “A gata borralheira”, Jean de La Fontaine com “O Lobo e o Cordeiro” são reconhecidos mundialmente por suas obras que já foram traduzidas para várias línguas e adaptadas para teatros, séries e filmes.

A literatura infantil nacional não fica atrás dos clássicos em questão de qualidade. Monteiro Lobato, considerado o precursor da literatura infantil criou um dos universos mágicos mais conhecidos no Brasil, o Sítio do pica-pau-amarelo. Outros grandes escritores, além de representarem a literatura infantil do país fazem parte da infância de muitas pessoas que cresceram lendo as obras desses autores. Veja agora alguns deles:

Ziraldo: Desenhista, cartunista e escritor. Criou a revista brasileira em quadrinhos “A Turma do Pererê”. Em 1980 lançou o livro infanto-juvenil “O Menino maluquinho”, um sucesso que encanta milhares de crianças e que serviu de inspiração para peças de teatro, filme, quadrinhos e seriado de TV.

Ruth Rocha: Escritora brasileira de livros infantis é membro da Academia Paulista de Letras. Sua obra mais conhecida é “Marcelo, Marmelo, Martelo”. Recebeu o prêmio Jabuti com o livro Escrever e Criar.

Maurício de Sousa: Premiado autor brasileiro de histórias em quadrinhos, com mais de 200 personagens, criou a “Turma da Mônica”, obra que alegra e fascina milhares de crianças em todo o mundo.

Eva Furnari: Escritora e ilustradora de livros infanto-juvenil. No início de sua carreira dedicou-se a livros com ilustrações, sem texto. Personagem mais famosa: “A Bruxinha”.

Ana Maria Machado: Uma das escritoras de maior destaque no Brasil, seu primeiro livro infantil publicado foi “Bento-que-bento-é-o-frade”, que recebeu um prêmio da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil.

Fernando Vilela: Escritor e ilustrador, ganhou com o livro “Lampião e Lancelote”  o primeiro lugar no Jabuti 2007 em duas categorias: Melhor livro infantil e Melhor ilustração de livro.

Mariana Massarani: Escritora e ilustradora de livros infantis. Ganhou o prêmio Jabuti de Literatura em 1997 e 2003 na categoria Melhor ilustração de livro infantil e juvenil.

Angela Lago: Escritora e ilustradora recebeu diversos prêmios Jabuti e da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) e outros internacionais. Sua obra “Cena de Rua” foi incluído em uma coletânea da Abrams Press, de Nova York, selecionado entre os quinze melhores livros de imagens do mundo.

Avós no Museu dos Brinquedos

Ilustração: riozinho/Internet

24/7/2013 – 20:39h

Para celebrar o Dia dos Avós, no dia 26 de julho, o Museu dos Brinquedos está programando um dia bastante especial… A ideia é que as crianças convidem seus avós para um passeio no Museu com gostinho e cheiro de infância, brincadeira e alegria…

Vai ter muitas histórias e casos sobre futebol, brincadeiras, lançamento do livro “Alguém tem que ficar no gol”, do escritor Jorge Fernando dos Santos, que estará presente para um bate-papo com a meninada e com avós. E também rodadas de futebol de botão, futebol de prego e totó.  Ao final, um chá com biscoitos será servido para puxarmos um animado e merecido parabéns!

Especial Dia dos Avós no Museu dos Brinquedos

Local: Museu dos Brinquedos – Av. Afonso Pena, 2564 – Funcionários – BH

Data: 26 de julho de 2013 – sexta-feira

Horário: À partir das 14h.

Valor: R$ 8,00 – gratuito para os avós

Casa do Museu dos Brinquedos de Belo Horizonte

“Sintam-se todos abraçados”

Sandra Bittencourt é a responsável pela programação do Salão do Livro - Foto: Divulgação

22/7/2013 – 21:33h

A curadora do Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais, Sandra Bittencourt,  já concluiu a programação do evento, que foi montada por ela carinhosamente para receber milhares de crianças com suas famílias e/ou professores. “Quero que os visitantes sintam-se abraçados por todos nós que estamos por trás da realização deste evento”, afirmou Sandra numa entrevista exclusiva para o blog Conta uma História.

Este ano, a programação realmente está diferente ao experimentar, acima de tudo, esta “linguagem do afeto”, conforme denominou a curadora. Segundo ela, a  literatura será apresentada através de outras produções culturais e artísticas. “O Salão será tratado com sensibilidade e emoção, colocando em prática o princípio de que é preciso mostrar a arte da ‘palavra’ e suas ‘múltiplas linguagens’ em ação, destacar ideias tão necessárias ainda de que ‘o conhecimento deve necessariamente principiar pelos sentidos”.

O Salão do Livro Infantil e Juvenil de Minas Gerais será realizado no período de 9 a 18 de agosto, na Serraria Souza Pinto, mas já pode ser acompanhado pela internet no link http://www.salaodolivro.com.br/. O tema de 2013 é “Literatura, muito prazer”. A partir de hoje, o blog vai postar mais informações da entrevista com Sandra Bittencourt, destacando a programação e os profissionais selecionados para movimentar o Salão.

Adesão das editoras aos ebooks

19/7/2013 – 22:12h

O levantamento realizado pela Câmara Brasileira do Livro em junho deste ano, no último Congresso do Livro Digital, teve a participação total de 126 pessoas. Diante da questão “A sua editora já comercializa livros em formato digital”:

– 86 pesssoas (68%) responderam que sim.

– Para as 40 pessoas restantes (32%), alguma dificuldade impede a entrada da sua editora no mercado digital

– 20 delas (50%) indicaram que as principais dificuldades residem na dúvida sobre qual formato utilizar e na falta de conhecimento técnico.

– A pesquisa fez um total de 22 perguntas aos entrevistados, que responderam sobre temas como direitos autorais, perspectivas comerciais, relação entre impresso e digital, entre outros. O número de respostas para cada pergunta variou.

– Para os 48 entrevistados que responderam a pergunta “Sua editora investe na divulgação de seus produtos digitais?”, 42 pessoas (87%) afirmaram que já investem na divulgação.

– Outros 54 entrevistados responderam a pergunta “Sua editora tem uma equipe dedicada aos livros digitais?”  e 70% deles afirmaram que sim, dos quais quase a metade tem equipes pequenas, de uma a cinco pessoas.

Fonte: CBL/Revolução eBook

13 apontamentos insolentes

16/7/2013 – 22:13h

Leo Cunha *

• “Pouca gente percebe a diferença entre “livro infantil” e “literatura infantil”. Nas livrarias predomina o livro não-literário. Por exemplo: alguém pega 10 imagens congeladas dos episódios dos Backyardigans, descreve sucinta e pobremente cada uma delas e transforma num livro brilhante e de capa dura. Muito fofo, mas a literatura – arte da palavra – passou longe.

• Nada contra os Backyardigans: já assisti muitas vezes com o meu filho, que tem até a fantasia do Pablo (o pinguim azul de gravatinha). Mas os livros…

• Já escrevi cerca de 50 livros de literatura infanto-juvenil. Entro nas livrarias e encontro 2 ou 3, no máximo. O mesmo ocorre com 90% dos escritores. Tenho um livro que está na 20ª edição e nunca flagrei o danado em nenhuma livraria.

• Por que a maioria dos livros de literatura infanto-juvenil não entra nas livrarias? Será que eles não gostam de ler? Infelizmente, o motivo é mais pragmático: não existe uma “demanda natural” pelos livros, que justificaria sua presença no estoque da livraria. A demanda quase sempre resulta de o livro ser “adotado” numa escola.

• O sonho do escritor de literatura infanto-juvenil é ser adotado. Nossos livros não vivem nas livrarias. Vivem num orfanato.

• Quando aparece a tal “demanda natural”, o problema está resolvido? Nem sempre. Esta semana a minha filha ficou alucinada atrás do livro Jogos Vorazes 2. Ela já tinha lido o primeiro, emprestado por uma colega, e agora queria o segundo. Não encontrei em nenhuma livraria da cidade. A editora não percebeu o potencial de vendas da série – motivado pela exibição do filme nos cinemas. Ou, se percebeu, errou os cálculos. Uma vendedora da livraria Leitura, do Pátio Savassi, me deu o triste veredito: “estamos perdendo venda o dia inteiro, todos os Jogos Vorazes foram pras livrarias de São Paulo”.

• Certa vez, em 1994, na livraria do aeroporto de Congonhas, em São Paulo, o Roberto Drumond, sem se identificar, pediu à atendente: “você tem aquele livro Hilda Furacão?” A moça procurou, trouxe, e o Roberto tratou de deixar o livro num lugar de grande destaque. Em seguida me explicou: “Você está começando agora, Leo, mas te dou essa lição: brigue por seus livros!”

• Diante do desencontro logístico entre editoras e livrarias, muita gente conclui que o escritor é quem vende os próprios livros. Vira e mexe as pessoas me pedem: “Leo, traz seu livro amanhã que eu quero comprar. Quanto custa?” E se assustam quando respondo que eu não vendo meus livros (aliás, costumo ter apenas 2 ou 3 exemplares em casa, de cada livro, não tenho vocação pra estoquista nem talento pra vendedor).

• Como resultado da mesma conclusão, muitas pessoas, escolas, ongs, associações cooperativas etc escrevem para os escritores pedindo doações dos livros. Quase sempre a intenção é nobre – criar uma biblioteca, um cantinho de leitura, um projeto de leitura – mas os escritores simplesmente não têm estoque nem selos suficientes.

• Como já escrevi uma vez  no Facebook, os direitos autorais são o salário do escritor. De cada livro vendido, o escritor recebe 8 a 10%, como direito autoral. Se o livro custa 20 reais, o escritor ganha 2 por livro. Parece pouco? Mas é assim no mundo inteiro. É justo. Injustiça é quando alguém xeroca o livro inteiro e sai vendendo. Aí o escritor não recebe seu salário. Ano passado, o escritor Luiz Antonio Aguiar teve um livro adotado para o vestibular e uma gráfica do centro de Belo Horizonte simplesmente fez cópias xerox, na maior cara de pau do mundo, e vendeu  milhares de “exemplares” (com capa colorida e tudo),  roubando o salário do Luiz.

• Idem ibidem: quando o livro é escaneado e disponibilizado para download na internet, o escritor não recebe seu salário. É inevitável? É a lógica do ciberespaço? Como diria o Raul Seixas, agora é tudo “free”? É mesmo? Então por que muitos sites cobram assinatura ou recebem pagamento de anunciantes, para distribuir “de graça” o  salário do escritor?

• A literatura infanto-juvenil, assim como a arte em geral, não está aí para dar lições de moral, cidadania, ecologia, etc. O que é diferente de dizer que ela não está nem aí para a moral, a cidadania e a ecologia. Esses temas podem perfeitamente aparecer nos livros, como aparecem na vida. O perigo é quando o aspecto literário perde a prioridade para o aspecto didático. O bom livro literário é aquele que encanta, que espanta, que assusta, que diverte, que seduz, às vezes tudo isso junto. Aquele que dá vontade de ler de novo e indicar pros amigos.

• A reforma ortográfica eliminou o hífen do simpático termo infanto-juvenil e criou esse monstrengo infantojuvenil. Cada vez que eu leio essa palavra, me lembro de termos médicos compridos como levomepromazina, imunodeficiência, ou a incrível pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose. Saudades do hífen”.

* O escritor produziu este texto em março de 2012, portanto, há mais de um ano atrás e na época em que se deu o lançamento do filme Jogos Vorazes

Brincadeiras com texto melhoram leitura

14/7/2013 – 21:33h

Incluir exercícios com letras e números na educação de crianças a partir dos três anos de idade melhora o desenvolvimento na alfabetização, afirmam especialistas. A prática, conhecida como letramento, não é novidade em escolas particulares. No entanto, na rede pública, a educação infantil ainda se resume ao cuidado e a brincadeiras sem intenção didática. A proposta não é a de transformar creches em escolas, mas a de colocar as crianças em contato com textos, letras e conceitos como preparação para a alfabetização, explica a psicóloga Tarciana de Almeida, especialista em psicologia cognitiva.

“Assim as crianças podem chegar ao final do 3º ano [do ensino fundamental] como leitoras, escritoras e falantes de sua língua cada vez mais competentes”, afirma a pedagoga Patrícia Moura Pinho, professora da Universidade Federal do Pampa. “É a escola pública que não faz isso com a alegação de que se está ‘escolarizando’ a educação infantil. Isso só aumenta a desigualdade, estamos reduzindo as chances dos alunos de escola pública”, pontua Angela Dannemann, diretora executiva da Fundação Victor Civita.

Para as especialistas, as críticas ao letramento infantil não são pertinentes. “Desde sempre a criança está inserida no mundo da escrita. Tudo depende de como a questão for trabalhada, podemos, por exemplo, trabalhar textos de forma muito rica, sem que a criança seja necessariamente alfabetizada”, considera Tarciana.

Ampliando horizontes

De maneira lúdica, os professores podem tornar familiar as letras, diferentes formas de apresentação de texto ou conceitos. “A comparação entre tamanhos de sapatos ou alturas pode ajudá-las a entender o sistema métrico e até mesmo a compreender dezenas e centenas”, exemplifica Angela. A leitura de diferentes tipos de textos, como livros, cartas e jornais, apresenta a diversidade de registros possíveis para a escrita. “Esta é uma forma de trabalhar linguagem em uso real e não descontextualizada e sem sentido, como a escola costuma fazer” acrescenta Tarciana.

Os pais têm importante papel na introdução das crianças ao mundo das letras, lendo histórias e apresentando os diferentes mundos da escrita. No entanto, é também aí que mora o problema. “As crianças que moram em casas em que os pais têm o hábito de leitura já saem na vantagem e a escola pública não ajuda a mudar esse quadro”, critica Angela.

Educação infantil no país

Em 2012, a educação infantil reunia 7,3 milhões de crianças matriculadas no Brasil, segundo o Censo da Educação Básica. Dessas, 4,7 milhões estavam na pré-escola e os outros 2,5 milhões em creches. Para inserir o letramento nesse período escolar, no entanto, é necessária a capacitação dos professores, que “não têm conhecimento didático”, afirma Angela. Segundo o Censo Escolar de 2012, 35% dos professores da educação infantil têm apenas o ensino médio.

Fonte: UOL Educação

Concepção de uma biblioteca moderna

13/7/2013 – 0:02h

Entrevista

Ivanna Sant’Ana

Subsecretária de Políticas do Livro e da Leitura da Secretaria de Cultura de Brasília

Para Ivanna Sant´Ana, a Biblioteca Nacional de Brasilia deixa de ser apenas um depósito de livros ou sala de estudos e passa a ser um espaço de referência de conhecimento e cultura

Como cidade-sede, Brasília optou por testar o serviço de Centro Aberto de Mídia na Biblioteca Nacional da cidade antes do Copa do Mundo de 2014. “Esperamos que esse trabalho tenha continuidade durante o Mundial e fique como um legado para a população”, afirmou a subsecretária de Políticas do Livro e da Leitura da Secretaria de Cultura, Ivanna Sant’Ana.

Em entrevista ao Portal Brasília na Copa, Ivanna fala da experiência de receber a imprensa na biblioteca e da missão diária de acompanhar e implementar ações voltadas às políticas públicas que têm como meta transformar Brasília na capital do livro e da leitura.

A Biblioteca Nacional tem revelado seu papel multidisciplinar, servindo não apenas como espaço físico que guarda livros. Exemplo disso foi a utilização do espaço, na abertura da Copa das Confederações, como Centro Aberto de Mídia…
Sim. Nós temos uma concepção de biblioteca para o século XXI como um centro de informação e cultura. A biblioteca deixa de ser apenas um depósito de livros ou uma sala de estudos e passa a ser um espaço de referência onde se pode construir conhecimento e cultura. Esse é o espírito da Biblioteca Nacional.

Como foi a experiência de receber a imprensa na biblioteca?
A possibilidade de estabelecer uma parceria com a Secretaria Extraordinária da Copa, no momento da realização da Copa das Confederações, foi fundamental para que esse espaço fosse inserido na dinâmica que a cidade estava vivendo, esse clima de um grande evento esportivo. Foi muito importante termos, aqui, a presença de jornalistas do Brasil e do mundo, que puderam ver que, além de um museu a céu aberto, como dizem, nossa cidade está preparada para oferecer serviços importantes à comunidade e à imprensa. Esperamos que esse trabalho tenha continuidade durante a Copa do Mundo, em 2014, e fique como um legado para a população.

No campo da leitura, quais foram as principais iniciativas da Subsecretaria de Políticas do Livro e da Leitura nos últimos anos?
Entregamos o documento final do Plano do Distrito Federal do Livro e da Leitura, que traçam metas para promoção da leitura, difusão do livro, formação de mediadores de leitura e desenvolvimento da economia do livro. Para aprimorar nossas bibliotecas, firmamos, no final do ano passado, um termo de cooperação técnica com a Colômbia, que é referência internacional no ramo de sistema de bibliotecas. Em julho, receberemos  uma delegação do país para a segunda etapa do termo, o que vai garantir a revitalização dos nossos espaços. Além disso, conseguimos promover, em abril do ano passado, a 1ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura do DF.

Quais serão as próximas ações?
Já estamos preparando a 2ª Bienal, em 2014, durante as comemorações do aniversário de 54 anos de Brasília. Os brasilienses podem aguardar mais um grande evento no ano que vem, às vésperas da Copa do Mundo. E, ainda em julho deste ano, lançaremos o novo projeto para as bibliotecas públicas,  Bibliotecas do Cerrado, que vai contemplar a Biblioteca Nacional e as demais 26 unidades que temos espalhadas em todo o Distrito Federal. Vamos dar vida nova a esses espaços.

Uma passo importante para a Biblioteca Nacional de Brasília foi dado na última quinta-feira com a abertura oficial do acervo da Coleção Popular Geral. O que isso representa para o serviço e para a população do DF?
Foi um marco para a biblioteca, pois, após cinco anos desde que ela foi aberta para a comunidade, conseguimos colocar mais esse serviço tão importante à disposição dos usuários. Abrimos o primeiro acervo físico, composto por 15 mil livros de diversas áreas do conhecimento e da literatura nacional e internacional. Ele é fundamental para oferecermos um espaço com conforto, qualidade e cultura. Essa é uma ação essencial para transformar Brasília na capital da leitura, uma das metas do governador Agnelo Queiroz.

Fonte: Portal Brasília na Copa – O site Brasília na Copa é mantido e atualizado pela Coordenadoria de Comunicação para a Copa da Secretaria de Estado Extraordinária para a Copa 2014