A Bienal dos jovens

15/9/2013 – 20:03h

A Bienal do Livro do Rio de 2013 encerrou com um saldo diferente do que normalmente é revelado nos eventos literários: os títulos dirigidos aos jovens foram os mais vendidos, entre eles, A Culpa É das Estrelas e Cidades de Papel, de John Green, além dos também juvenis Extraordinário, de R.J. Palacio; O Lado Bom da Vida, de Matthew Quick; O Ladrão de Raios, o primeiro livro da saga de Percy Jackson, escrita por Rick Riordan.
Matéria da Revista Veja, de 12/9, aponta os livros mais procurados: os infantojuvenis foram de fato dominantes nesta Bienal. Fenômeno do ramo, Paula Pimenta, puxou o crescimento de sua editora, a Gutenberg, do grupo Autêntica, que quadruplicou seu faturamento. A editora não revela números de receita ou de exemplares comercializados, mas afirma que os livros de Paula, como a série Fazendo Meu Filme, foram responsáveis por 40% das vendas do estande.
Dos trinta títulos mais comercializados pelo grupo Record, que possui um selo voltado só para o público jovem, o Galera Record, 25 eram juvenis, entre eles os das séries Instrumentos Mortais e Assassin’s Creed. Dos brasileiros, os títulos mais vendidos foram A Batalha do Apocalipse, de Eduardo Spohr, e Perdida e Procura-se um Marido, ambos de Carina Rissi. Puxado pela procura do leitor jovem, o faturamento da Record nesta Bienal foi 40% maior do que em 2011.

O que dizem os autores

O escritor e jornalista Zuenir Ventura disse que já procurou entender, mas não chegou a uma conclusão sobre o crescimento do interesse dos jovens pela leitura, mas a explicação pode estar na evolução da literatura de entretenimento, por onde os adolescentes começam a se interessar pela literatura. “As escolas, no meu tempo, não entendiam assim e transformavam a leitura em um dever. Aí ficava uma coisa chata. Quando se revela para a criança e o jovem que a leitura é um prazer, um gozo, uma coisa gostosa de fazer, eles não têm como resistir. É botar na cabeça dos professores e dos pais que a leitura tem que ser um prazer e não um dever”, comentou à Agência Brasil.
O escritor não concorda com afirmações de que o uso da internet provocará o fim dos livros. Ele não tem esta visão apocalíptica. “Reclamava-se tanto que os jovens não leem e aí se descobre que os jovens estão lendo. Achava-se que a internet ia acabar com a leitura, ao contrário, acho que nunca se leu tanto e se escreveu tanto quanto agora”, analisou. Também destacou o trabalho do amigo Ziraldo. “Ele tem uma responsabilidade incrível nisso, porque prepara leitores. As crianças começam a ler por meio do Ziraldo e depois vão embora, porque quando se descobre o prazer da leitura não se abandona mais”, defendeu.
A escritora Thalita Rebouças, autora de 15 livros e que faz sucesso entre os adolescentes, explicou que os jovens estão lendo cada vez mais e a situação agora se inverteu, porque quem não lê é que não está na moda. “Quando eu comecei, há 13 anos, quem lia tinha vergonha de admitir. Hoje, graças a Deus, quem tem vergonha de admitir é o pessoal que não gosta de ler. O mico é não gostar de ler “, disse em entrevista à Agência Brasil. Thalita lembrou que para um autor é muito importante saber que o livro dele vai fazer parte da vida do adolescente. “É muito gratificante saber que você escreve na solidão do seu escritório e de repente aquilo sai da sua cabeça, vai para o seu computador e atinge muita gente. Mexe com muita gente, com as emoções de tanta gente. O adolescente passa por uma fase complicada com espinhas, questões, amores platônicos. Então, saber que os meus livros fazem companhia a eles é maravilhoso”.
A autora destacou que como escreve sobre o cotidiano, sempre quer que os adolescentes se identifiquem com o que vão ler. “A minha preocupação é não passar lição de moral. É fazer com que eles pensem e a partir do que leem, tirem suas próprias conclusões. E tudo com muito humor. É o que eu gosto de fazer. Fazer rir”, acrescentou.

Thalita Rebouças: "É muito gratificante saber que você escreve na solidão do seu escritório e de repente aquilo sai da sua cabeça, vai para o seu computador e atinge muita gente"