Curso de literatura infantil

8/9/2013 – 23:30h

A Escola do Escritor (www.escoladoescritor.com.br) vai realizar o curso “Conhecendo e escrevendo literatura infantil” no próximo sábado, 14/9, de 9:00 às 16:00 horas, em Pinheiros, São Paulo.

A abordagem do curso mostra que o mercado editorial  infantil tem crescido com muitas editoras trabalhando exclusivamente esse segmento. A programação vai falar sobre o que é literatura infantil, quais são suas origens, os preconceitos que cercam o gênero e os vínculos com o conto popular.
A concisão, a oralidade e o vocabulário familiar. Elementos presentes: o viés cômico, a fantasia, a busca da felicidade, os desafios, a procura do autoconhecimento, o velho contra o novo, a magia, o final feliz. Realidade e ficção. O problema da lição e da intenção didática. Os livros ilustrados e os picture books.

De que crianças estamos falando: de três, cinco, sete, nove ou onze anos? Como escrever um texto para elas?

O professor será Ricardo Ramos Filho, carioca, filho e neto de escritores. Cedo se mudou com a família para São Paulo, criando sólidas raízes no bairro de Pinheiros. Ainda muito novo, incentivado e orientado pelos pais, adquiriu o hábito de ler. Esse prazer incorporou-se em sua rotina e não mais o abandonou. A leitura é companheira amiga, escrever foi consequência. Os textos infantis surgiram aos poucos, consolidando-se como especialidade. Nesse gênero pode voltar a ser menino, viver aventuras que remetem a uma infância feliz e deixar a imaginação correr solta.

Ao seu livro de estreia Computador sentimental (1992), ganhador do prêmio Adolfo Aizen/1993 de melhor livro juvenil, seguiram-se: Sonho entre amigos (1995), O pequenino grão de areia (1998), A nave de Noé (2000), O livrinho sem figuras (2002), Olívia (2003), Um, dois, três… Cada um tem sua vez (2007), Sobre o telhado das árvores (2008) e Vovô é um cometa (2008).

Ricardo Filho, em 2011, foi o ganhador do Prêmio da Prefeitura do Estado de São Paulo com o roteiro do curta Paisagem Muda, em coautoria com Daniel Obeid.

O curso tem 25 vagas e o valor da inscrição é R$ 190,00.

Informações: escoladoescritor@escoladoescritor.com.br

Critérios para escolha de livros

6/9/2013 – 20:50h

A escritora e educadora colombiana Yolanda Reyes , que também é  fundadora e diretora do Instituto Espantapájaros, em Bogotá – um projeto cultural de formação de leitores, dirigido não apenas as crianças, mas também a mediadores e adultos _  é uma especialista em fomento à leitura e estabelece critérios muito interessantes para a escolha de livros infantis que realmente empolguem às crianças para a leitura.

Segundo ela, há de se começar observando que cada criança é diferente. Os pais também são e cada pessoa tem seus gostos, suas perguntas, suas maneiras de ler… Isso sem falar nas idades, porque temos incluídos nesse rótulo, que os adultos denominam genericamente “crianças”, desde os bebês até os adolescentes.

Mas essas também são categorias abstratas, porque um bebê pode gostar dos animais, enquanto outro pode preferir flores e uma menina de dez anos pode odiar poemas, que outra criança adora. O mesmo ocorre com os romances de aventura ou os que falam da vida real. O mesmo com os monstros e com as fadas. Alguns gostam de contos e outros, de histórias em quadrinhos. Alguns querem muitas ilustrações, outros, letras pequenas.

E isso sem falar dos momentos, porque há livros para ler à noite e outros para ler durante o dia. Há livros para chorar e outros para rir. Alguns são perfeitos para responder àquela pergunta que não sai da nossa cabeça, enquanto outros  nos deixam um monte de novas perguntas. Às vezes, precisamos de uma resposta e, às vezes, precisamos de mais perguntas. E por aí vai…

1.Ler para as crianças

Quem são e do que eles gostam. O que eles nos dizem todos os dias  e o mais importante: o que eles não nos dizem. O que os faz perder o sono e o que os faz sonhar. De que brincam e com que brincam. Com o que se divertem e o que os faz chorar. O que sentem com os livros que vêm em casa, na biblioteca, na livraria, ou na sala de aula. Quais eles preferem. Eles podem ser totalmente distintos mesmo sendo gêmeos ou sentados numa mesma carteira. Nenhum especialista sabe o que você sabe sobre essa criança concreta que espera aquele livro em particular, em um momento preciso de sua vida. Confie na sua sabedoria instintiva. Seus próprios filhos são o seu primeiro texto de leitura.

2.Ler o livro, panoramicamente

Como você lê o descritivo das vitaminas numa caixa de cereal? Usando seus critérios. Você não compra a caixa de cereais apenas porque é mais colorida ou se tiver um personagem de Walt Disney. Tampouco compra um disco sem olhar a capa e as músicas que ele contém e, muitas vezes, inclusive, pede para ouvir.

Isso que é feito na loja de discos ou na livraria antes de comprar um livro, para você deve ser feito quando se trata dos livros para as crianças. Não compre o primeiro que lhe oferecem. Antes de olhar se tem capa dura ou adesivos, pergunte ao livro:

3.Quem é o autor

Você não compra um livro anônimo. O mercado está cheio de livros infantis assinados por multinacionais. Como em qualquer literatura, um verdadeiro escritor de livros para crianças garante o que escreve com a sua assinatura.

4.Quem é o ilustrador

Nos álbuns ou livros de imagens, a ilustração é uma linguagem tão válida quanto o texto. Aprenda a diferenciar “desenhos” de uma ilustração com caráter e estilo próprios. Aqui também, a assinatura de um ilustrador é uma garantia de que alguém está por trás desse trabalho.

Você está educando o olhar de uma criança. Cuidado com os estereótipos: o sol com rosto feliz ou a típica casinha triangular. Olhe mais longe: peça a ilustração que não se limite a repetir o que dizem as palavras, que as amplie, que brinque com elas; que proponha novas leituras; que deixe um espaço para a imaginação. Os bons livros de imagem podem ser o museu de uma criança.

5.É versão original ou adaptação?

No caso dos contos de fadas, das histórias de tradição oral ou dos clássicos, o livro deve dizer se é uma adaptação ou uma versão original. É diferente ler o “Chapeuzinho Vermelho”, de Perrault ou dos irmãos Grimm, a ler uma adaptação, onde pode ter se perdido a força da linguagem e a carga simbólica das imagens.

Cuidado, também com os romances simplificados.  “Alice no país das maravilhas”, de Carroll; “Pinóquio”, de Collodi; “Peter Pan” e “Wendy”, de Barrie, são novelas complexas e muito lindas e devem ser lidas no seu devido tempo.

Ler essas obras resumidas em continhos de poucas páginas é como ler “A Odisseia” em um resumo de escola. É melhor que a criança possa desfrutar de toda a riqueza da obra quando crescer um pouco mais. Desconfie, também, dos clássicos para adultos em versões infantilizadas. Virá, no devido tempo, o momento de desfrutar a verdadeira voz de Shakespeare ou Cervantes.

6.Qual é a idade sugerida?
A maioria dos editores oferece sugestões de idade. Leve em conta essas recomendações, porém, enriqueça-as com os seus critérios. Existem livros para todas as idades; há outros sem idade. Além disso, nem todos os processos leitores são os mesmos. A idade cronológica de um leitor é apenas uma das variáveis. Coteje a sugestão da editora com o seu conhecimento e o dessa criança de verdade que vai receber o livro.

7.Que editora publica esse livro?
Além do nome, verifique a cidade, o ano da publicação, o nome do tradutor etc. Desconfie se essas informações não estiverem explícitas. Vire as páginas; leia a capa e a contra capa. Você vai encontrar dados sobre o livro e seu autor que lhe darão as primeiras pistas.

8.Envolva as crianças na pesquisa

Leve as crianças a bibliotecas públicas e livrarias. Leia com elas e acompanhe-as em seu processo de crescimento como leitores. Acredite na palavra da criança, mas ao mesmo tempo, ofereça ferramentas para que possa ir educando os seus critérios. Na medida em que uma criança tem contato com literatura de qualidade, ela irá refinando a sua sensibilidade e tornando-se cada vez mais exigente.

Nem sempre o que é fácil, o que está na moda ou o que está no topo da lista dos “mais vendidos” é o melhor. Não se deixe, tampouco, tentar pelas coleções completas que não garantem, por si só, a qualidade de cada título. Dê liberdade de escolha, mas ofereça, também, a riqueza de sua experiência como leitor adulto. E não queira acertar sempre. Ler é também equivocar-se.

9.Busque assessoria

O campo da literatura infantil é enorme. Muitos autores, ilustradores, gêneros e tendências, que não conhecemos, quando éramos crianças, têm enriquecido enormemente as opções de leitura. Não fique limitado ao que você leu na infância. Aproveite as crianças para descobrir novas obras e não pretenda conhecer tudo.

Busque um livreiro ou um bibliotecário que conheça literatura infantil. Consulte as listas de livros recomendados, as publicações sobre o assunto e as instituições que promovem a leitura. Você vai se surpreender com as descobertas e encontrará livros, não só para ler com seus filhos, mas também para você.

10.Não confunda uma obra literária com um livro didático

Assim como você procura muito mais que ensinamentos explícitos quando lê um romance de García Márquez, seu filho busca na literatura muito mais que um ensinamento moral. A literatura se move na esfera do simbólico e apela à experiência profunda dos seres humanos. Desconfie das mensagens explícitas e das morais óbvias.

O mercado está cheio de livros infantis que “disfarçam” – sob o título de “conto” – as intenções didáticas dos adultos. Aprenda a diferenciar os manuais de autoajuda das obras literárias. A literatura não pretende explicar valores, letras do alfabeto, regras de polidez ou mensagens ambientais. Leia nas entrelinhas e não escolha um livro só pelo seu tema, mas pela sua forma e pela maneira como um autor constrói uma voz e um mundo próprios.

Desconfie dessa linguagem pseudo-infantil, cheia de diminutivos e de histórias light, onde os protagonistas são tão perfeitos como ursos de pelúcia. Seu filho vai ser o primeiro a não engolir a história. Os livros infantis podem ser atrevidos, transgressores, irreverentes, sutis, inteligentes, tristes… Todas essas nuances, que constituem a infinita variedade da experiência de um ser humano, alimentarão o mundo interior das crianças e lhes darão as chaves secretas para descriptografar muito sobre sua própria vida e sobre as emoções, sonhos e pesadelos sobre fantasia e realidade.

Quando você for ler literatura para uma criança, deixe-se tocar pela linguagem cifrada e misteriosa dos livros. Todo o resto virá depois.

Fonte: Revista Emília

Lançamento em livraria carioca

5/9/2013 – 16:04h

No post anterior, o blog errou ao informar que o lançamento do novo livro de Anna Cláudia Ramos será na Bienal do Rio.

O correto é que a escritora, no dia 8/9, vai estar presente no lançamento de “A menina e o golfinho”, pela Editora Galpãozinho, no Rio de Janeiro, na Livraria Argumento, no Leblon, das 17:00 às 20:00 horas, para uma seção de autógrafos.

“A menina e o golfinho” foi ilustrado por Rubem Filho e tem 52 páginas. Esta é muito mais do que uma história de amor e aventura entre uma menina e um golfinho. É uma história que fala de sonhos e convida as crianças a pensar suas relações com os animais e com a família.

Lançamentos da Bienal do Rio

4/9/2013 – 22:29h

Domingo, 8/9, vai ter grandes lançamentos na Bienal do Livro do Rio. O último dia do evento tem a escritora carioca Anna Cláudia Ramos, que já publicou 65 livros para crianças e adolescentes. Ela vai apresentar ao público sua nova obra, “A menina e o golfinho”, ilustrado por Rubem Filho, através de uma nova editora, a Galpãozinho. O livro também sai em App.

Ainda, no domingo, tem o lançamento do novo livro de outra escritora carioca, Flávia Savary, o premiado “Histórias de fogo”, no estande da Editora Paulus. A autora também participa do Café Literário junto com Ninfa Parreiras e o mineiro Leo Cunha, que serão mediados por Henrique Rodrigues. O tema deste encontro é “Palavrarias: sarau poético para crianças de todas as idades”.

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A XVI Bienal do Livro Rio reservou uma enorme área de 500 metros quadrados para uma atividade dedicada aos pequenos leitores, por meio da qual prestará uma homenagem lúdica ao Ziraldo, autor que, presente a cada edição, se tornou parte indissociável do evento. No Planeta Ziraldo, seus personagens,  como Menino Maluquinho e Pererê, ganharam vida e estão participando do evento por meio da curadoria e cenografia de Daniela Thomas e Felipe Tassara.

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Na Bienal, também tem um território exclusivo para o adolescente – aquele com fôlego para atravessar milhares de páginas de histórias complexas envolvendo mundos fantásticos, árvores genealógicas intrincadas e superpoderes. Para esse público, que na última década se firmou como grande leitor, foi criado o #acampamento na bienal, onde, sob o comando do historiador e doutor em educação João Alegria (que esteve à frente da Floresta de Livros, em 2009, e da Maré de Livros, em 2011), o visitante terá a oportunidade de encontrar seu ídolo literário em bate-papos animados.

Os temas serão pautados pela tecnologia e a cultura de convergência (o livro que vira filme, que vira game, que vira site, que vira livro), mostrando que a narrativa faz parte do dia a dia de todos.

Projeto online vai estimular a leitura

Ziraldo de Mauricio de Sousa em sessão de autógrafos na Bienal do Livro do Rio - Divulgação

3/9/2013 – 10:58h

Mauricio de Souza e Ziraldo, dois dos escritores e ilustradores de maior alcance com o público infantil, querem usar a internet para ampliar o número de leitores no país, por meio do método Kumon de aprendizagem. Esse método de ensino foi criado na década de 1950, no Japão, pelo professor de matemática Toru Kumon e estimula o aluno a gostar de aprender e a se sentir seguro no processo de aprendizagem.

Ziraldo disse, em entrevista à Agência Brasil, que é preciso fazer algo diferente para que a leitura seja um hábito nacional. “Eu acho que se a gente não tomar providências para fazer um movimento agressivo para transformar o Brasil em um país de leitores, a gente vai ficar nesse rame-rame a vida inteira, botando todo ano uma legião de analfabetos no mercado”, disse o escritor e ilustrador homenageado na 16ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro, que está sendo realizada até este fim de semana.

Para ele, o ser humano só fica pronto depois que sabe ler, escrever e contar (a história que leu). “Não adianta ter os cinco sentidos e ser analfabeto”, argumentou. Ziraldo que acredita que ler dá autonomia às pessoas.

A ideia de lançar um método Kumon de leitura começou a ser alinhavada entre os dois ilustradores e consiste em usar suas personagens principais – a Mônica, de Maurício de Souza, e o Menino Maluquinho, de Ziraldo – em um programa de televisão educativo. “Nós vamos inventar um jeito de usar o sistema online para poder fazer o brasileiro gostar de ler. É um experimento. Temos que juntar os dois caras que lidam com a criança no Brasil há mais tempo. O Maurício já sabe mexer com a televisão e eu vou explorar a competência dele”.

Para o criador do Menino Maluquinho, a escola brasileira não sabe ensinar as crianças a gostar de ler porque, em geral, as próprias professoras não foram habituadas a ler quando crianças. Ziraldo, no entanto, destaca que a educação no Brasil não chega a ser um problema. Por isso, o objetivo dele e do criador da Turma da Mônica, com o projeto do estilo Kumon, é colaborar para a formação de mais leitores no país. “Se o cara não lê, não escreve e não conta, ele não pode ser educado. Não tem condição”.

Alana Gandra – Agência Brasil

“A história deve ser contada suavemente”

2/9/2013 – 10:35h

Entrevista

Vanessa Meriqui – Escritora e narradora de histórias

A escritora Vanessa Meriqui, autora de quatro livros infantis, fala sobre sua experiência como contadora de histórias e dá dicas para os pais apresentarem a literatura para seus filhos desde a gravidez.

Quais os benefícios de ler para a criança desde cedo?
Ler em voz alta, suavemente, propicia o vínculo amoroso e a memória afetiva. O contar histórias tem como matéria-prima o afeto. E quando uma criança é tratada com amor, isso a prepara para o futuro, pois uma pessoa amada tem condições de sentir-se segura e enfrentar situações difíceis, de encarar o futuro com mais coragem. Além disso, ouvir histórias, desde cedo, possibilita que a criança tenha contato com um vocabulário maior, o que é bom para sua formação. E, claro, o ato de contar histórias estimula futuros leitores desde a tenra idade, o que é fantástico para a educação de nossas crianças.

Existe uma idade ideal para começar?
Costumo dizer que histórias são indicadas para pessoas de 0 a 110 anos! Na verdade, uma das coisas mais ternas que uma mãe pode fazer é contar histórias para o bebê ainda na fase de gestação. Engana-se quem acha que o feto não ouve. Ele ouvirá e reconhecerá sempre aquele tom de voz, aquele carinho, aquela entrega.

Então, a contação é indicada para bebês?
Sim e são indicadas principalmente se a mãe contou histórias quando ele ainda estava no seu ventre. Pesquisas revelam que o bebê reconhece a voz da mãe desde o útero, então, ele terá memória afetiva daquele momento. E será um momento muito prazeroso, de encontro, de calma. Mas se a mãe não contou histórias para seu filho enquanto estava grávida, sempre é hora de começar.

Que tipos de histórias devem ser contadas?
Para um bebê pequeno, o que surte efeito é o tom de voz, então, o enredo não é o mais importante. É claro que bom senso é fundamental. Histórias de suspense, por exemplo, não são recomendadas. Não faz sentido provocar sons que causem sobressaltos no bebê. Então histórias curtas, meigas, até com pequenas músicas, são recomendadas. Mas se você não tiver um livro em mãos, vale até o contar um caso, uma cena, ou acontecimentos do seu dia, sempre com palavras suaves, como se estivesse contando um conto de fadas. O que importa é o carinho com que se conta.

É preciso determinar um horário para a atividade?
Associar a hora da história à hora do sono, principalmente para o bebê, é excelente, pois o acalma e o ajuda a dormir. Mas o importante é que a criança saiba que a hora da história é um momento só dela. Então, se tiver que criar uma rotina para isso, crie. Muitas vezes, em alguma situação em que a criança esteja nervosa ou chorando, uma história pode ser um bálsamo. E aí não é preciso esperar a hora – você faz a hora acontecer.

É melhor dramatizar ou ler normalmente?
Ler normalmente já é interessante. Até pode-se dramatizar, dar vozes aos personagens, mas sempre com o cuidado de não provocar sobressaltos. Não grite no ouvido da criança para fazer o lobo mau, por exemplo. Com bebês, não são recomendados movimentos bruscos e vozes assustadoras, nada que cause susto. A história deve ser contada suavemente.

Vale inventar uma história colocando a própria criança como personagem?
Para os bebês, não funciona muito. Mas por volta dos três anos, o recurso é válido. Nessa idade, a criança já se compreende como uma pessoa, um ser independente e gosta de se sentir inserida.

As crianças costumam interagir e mudar o rumo das histórias que você conta?
Sim, o tempo todo! Elas interferem na história e costumo acolher essas intervenções, mesmo que sejam totalmente descontextualizadas. Nesse momento, a criança expressa o que mais a incomoda ou que lhe é importante. Há casos onde as crianças revelam seus medos e dúvidas na hora da história. Então, nada de gritar “me deixa terminar de contar!” É preciso entender que muitas vezes não é a história que importa naquele momento e sim a oportunidade da troca, do afeto.

E se a criança começar a chorar?
É preciso respeitar. Nem sempre é porque ela não gostou da contadora ou da história. É porque aquele momento surtiu alguma reação. Fale com a criança com calma, e se tiver que interromper a história, interrompa.

O jeito de contar histórias muda conforme a faixa etária?
Sim. Para crianças maiores, recomendo histórias que mexam com a criatividade, com o lúdico e com a interatividade. Use livros com ilustrações atraentes, grandes e coloridas, que estimulem a percepção visual. Para os bebês, recomendo utilizar narrativas curtas, rechear com canções como acalantos, inserir adereços e utilizar coisas simples, como tecidos coloridos ou objetos – como bolas. Há livros de tecidos, de plásticos ou cartonados, de fácil manuseio para os pequenos.

Qual história você escolheria para introduzir a criança no mundo da ficção?
Não dá para generalizar, mas acho que toda criança deve ler e ter ouvir histórias, mitos e lendas, contos de fadas e folclore. Digo isso com muita ênfase. É preciso ler. Recomendo Andersen, Grimm, Monteiro Lobato e autores brasileiros contemporâneos. Toda criança deve ser estimulada a conhecer a biblioteca da sua escola, do seu bairro e visitar livrarias. Ler e ter a literatura em sua vida é crescer para o mundo e toda criança tem o direito de ter essa oportunidade desde bebezinho.

Na sua opinião, por que as histórias têm esse poder de encantar crianças e adultos?
Desde sempre e de diferentes formas, o ser humano ouviu e contou histórias. Vivemos tempos, no entanto, em que é preciso restaurar a generosidade do ouvir e ser ouvido, do acolher e do oferecer o bálsamo das histórias. Afinal, conhecer personagens que falem à nossa alma, que nos curem, ou que enfrentem desafios para, ao final, serem felizes para sempre, é buscar a construção de um mundo mais leve. A arte de contar histórias é uma viagem que nos transforma, que nos coloca como contadores e ouvintes, como narradores e protagonistas. Esse é o objetivo do meu trabalho.

Por Ana Paula de Andrade – Site Cara Hands

Como contar histórias para bebês

Foto: Internet

2/9/2013 – 10:32h

A escritora e contadora de histórias Vanessa Meriqui fala para Ana Paula de Andrade, do site Caras Hands sobre os benefícios de ler para as crianças, desde a gestação, e ensina técnicas para encantar os pequenos. Clique à direita na categoria Entrevistas deste blog para ler o bate-papo.

“O contar histórias tem como matéria-prima o afeto. E quando uma criança é tratada com amor, isso a prepara para o futuro, pois uma pessoa amada tem condições de sentir-se segura e enfrentar situações difíceis, de encarar o futuro com mais coragem”.

Vanessa Meriqui fala sobre os benefícios da narração de histórias para bebês e crianças