Os poderes de Nícolas

27/10/2013 – 23:37h

Quem nunca desejou ter super poderes para resolver problemas? Nícolas, com sua imaginação fértil, deseja ser o “Super Nico” para lidar com os contratempos da sua vida. Até que um dia ele percebe que esse super-herói só existe na sua cabeça e que, sim, é possível ser respeitado e querido sendo simplesmente Nícolas.

Entre os lançamentos de 2013, a Editora Aletria apresenta o francês “Nícolas”, escrito por Agnès Laroche e traduzido por Isabelle Gamin e Rosana de Mont´Alverne. Em capa dura, o livro tem 36 páginas preciosamente ilustradas por Stéphanie Augusseau. Leia a resenha do livro produzida pela professora Regina Machado, doutora em arte e educação pela USP, que também se dedica à narração de histórias e, eu tenho certeza, você vai apaixonar por Nícolas.

“Quem nunca se sentiu envergonhado, com medo ou raiva de alguém e não foi capaz, na hora, de responder à altura? Por que será que muitas vezes nos sentimos impotentes para expressar nossa vontade para os outros? Que poder é esse que a esses outros conferimos?

Perguntas assim parecem despontar após a leitura de “Nícolas”. Por serem situações já tantas vezes vividas por todo mundo, acompanhamos com gosto os episódios e os conflitos do personagem. Podemos nos lembrar dos inúmeros enfrentamentos diante das imposições e constrangimentos da vida, do que não faz sentido, do autoritarismo, da falta de sinceridade, da dificuldade de comunicação. O que fazer com o despertar do amor que nos deixa sem fala? Como perder o medo e enfrentar tudo de outro jeito?

Nos contos tradicionais, as possibilidades de transformação acontecem durante o trajeto de aprendizagem de determinado personagem. A mudança é resultado da experiência das decisões, dúvidas e oportunidades para atravessar e vencer diversos desafios. Já nos contos contemporâneos, as crianças e a imaginação se situam no plano psicológico da experiência humana.

Nícolas não é um príncipe. É um menino como tantos outros, que tem medos cotidianos, como cada um de nós. Então sua transformação não se dá num passe de mágica, como obra da arte ancestral da Fantasia, nem por meio dos inúmeros artifícios simbólicos do Encantamento; ela é operada pela força da experiência e do aprendizado do viver.

O livro “Nícolas” é encantador em sua força poética, no desenho de seu horizonte e no sutil e delicado enamorar-se do seu coração. A expressividade das ilustrações conta a história tão bem quanto as palavras. Tons de preto e branco figuram sombras, sustos e deslumbramentos, mas também potencializam uma transcendência, como que dizendo que da adversidade pode-se vivenciar a arrebatadora experiência do afeto.

Mas o vermelho, de uma maneira muito singular, também conta essa história, especialmente quando está ausente nas páginas que antecedem a mais importante descoberta de Nícolas – essa que deve ser também a nossa descoberta!”