Como ler livros em tablet Android

9/11/2013 – 23:40h

Qual o melhor aplicativo para ler eBooks em um tablet Android? Não sei se vou conseguir responder a pergunta sobre o melhor, mas posso contar aqui a minha experiência pessoal. Apresento o “Mantano Reader”, um software pouco conhecido, mas que me surpreendeu positivamente.

Existem muitos softwares para tablets, seja Andoid seja iOS, que permitem ler arquivos ePub e PDF e fazer uma escolha é sempre complicado. Propor um que seja o melhor é impossível, porque cada um possui as suas exigências.

Lendo comodamente um livro no formato ePub ou PDF

Em primeiro lugar, “Mantano Reader” é um software independente ou seja não está vinculado a nenhuma loja específica e isto permite ler livros digitais comprados em quase todas as lojas brasileiras, pois é compatível com o DRM da Adobe, usado por boa parte destas lojas.

Abre comodamente, tanto ePub quanto PDF, permitindo fazer anotações de maneira simples, dando a possibilidade de enviar estas anotações para sua conta no Facebook, Twitter ou por email para seus contatos. É possível evidenciar o texto em várias cores e possui um índice onde você pode encontrar facilmente todas as anotações que feitas no seu eBook.

O sumário do livro é muito prático. Basta clicar na seta no canto inferior direito da tela e você terá acesso a um menu lateral com o sumário do livro, marca páginas usados durante a leitura, os textos evidenciados e as anotações.
Com um toque na tela, você tem acesso a um menu inferior que dá acesso à várias funções práticas e úteis.

Anotar: você pode fazer suas anotações escrevendo um texto ou desenhando o que você quiser na tela.

Destacar: permite destacar o texto de maneira simples enquanto você lê. Obviamente você vai poder depois encontrar facilmente tudo o que destacou em um sumário.

Tema: se quiser, pode modificar o tema de leitura entre normal e sépia ou, então, você pode criar um tema todo seu definindo margens, tamanho de fonte, cor de fundo, entrelinhas alinhamento de texto etc…

Exibir: permite modificar o tamanho da fonte ou a orientação do texto.

TTS: faz com que o software lei para você em alta voz.

Dicionário: dá acesso aos dicionários presentes no programa ou acesso direto ao Google para fazer pesquisas online sem sair do software de leitura.

Procurar: permite fazer buscas por palavras ou frases dentro do eBook.

Info: apresenta as informações sobre o eBook que você está lendo.

Dois detalhes que podem fazer a diferença

O que me convenceu a usar este software para as minhas leituras pessoais foram duas características quase banais, mas que deixam a leitura muito confortável.

a) O controle de luminosidade com o deslizar do dedo no lado esquerdo da página. É um modo muito simples de controlar a luz emitida pelo aparelho e para quem gosta de ler antes de dormir é muito prático porque permite controlar a luminosidade sem ter que clicar em menus com opções várias.

b) Aumento do tamanho das fontes com o deslizar do dedo no meio da página. Se você quer aumentar o tamanho da fonte basta deslizar o dedo no meio da tela de baixo para cima. Se quiser diminuir o texto deslize de cima para baixo. Simples não?

Catalogação da biblioteca pessoal

Obviamente o software possui um ótimo controle e organização da biblioteca, permitindo classificar os eBooks por tags, coleções, livros lidos, não lidos, com anotações, etc…

Além disto, dá acesso logo na abertura do programa a todas as anotações que você fez em todos os teus livros, o que faz destes programa uma ajuda perfeita para livros de estudos.

Grátis, mas compensa pagar.
O “Mantano Reader” vem em uma versão gratuita, o “Mantano Reader Lite”, ou em versão Premium a pagamento, o “Mantano Reader Premium”.

Meu conselho é baixar a versão gratuita lite e usar por um período de teste, mas posso desde já recomendar sem medo a versão a pagamento. Vale a pena.

Fonte: Fernando Tavares – Revolução Ebook

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Todos devem ler para as crianças

7/11/2013 – 22:12h

No Brasil, mais de 16 milhões de crianças estão na faixa etária dos zero a cinco anos, período em aprendem a falar, a andar e a pensar. O que acontece nessa fase é essencial para o desenvolvimento pleno e saudável da criança.

Um gesto bastante simples e transformador, que contribui de maneira positiva para esse desenvolvimento, é o de ler para as crianças. De acordo com a psicóloga e psicanalista Patrícia Bohrer Pereira Leite, uma das coordenadoras da equipe técnica de A Cor da Letra – centro de estudos, pesquisa e assessoria nas áreas de leitura, literatura e juventude – as histórias lidas e as acompanhadas pela presença acolhedora de um adulto, acalmam e ajudam o bebê, a criança e mesmo o jovem a crescer e desenvolver sua capacidade de abstração e pensamento.

“Esta vivência também amplia o vocabulário e a possibilidade de expressão, contribuindo para que, mais tarde, no momento da aprendizagem formal da língua escrita, a criança tenha desejo e interesse de aprender e fique mais envolvida na busca e na construção de sentidos”, explica.
Para Patrícia, realizar um trabalho de mediação de leitura de histórias requer planejamento, preparação, dedicação e algumas vezes formação. “Cada instituição tem características e relações diferentes com a leitura e com os livros. Ler em uma escola é diferente de ler em um hospital, por exemplo. Eu diria que é como preparar uma viagem: temos de saber o que queremos, escolher e conhecer o lugar onde iremos, decidir o que levamos na mala, com quem vamos e quanto tempo pretendemos ficar nesta aventura”.

Muitos outros fatores envolvem a organização de uma ação voluntária de leitura como, por exemplo, a busca por parcerias com organizações sociais, a definição do grupo de voluntários, a construção de um planejamento para a ação, a definição do espaço para a leitura e a escolha dos livros. Segundo Patrícia, não existe o livro certo, mas sim boas literaturas e bons livros.

“O mercado editorial nacional e internacional é vasto e a escolha do que ler passa por aspectos subjetivos e objetivos. É importante que aquele que lê goste de ler e aprecie e conheça a história que está lendo para a criança”, comenta.

Contudo, ela lembra um ponto muito importante: as crianças desde muito pequenas são capazes de fazer escolhas. “Temos sempre de lembrar que elas possuem grande capacidade e curiosidade de explorar e apetite de aprender. Pensar o contrário seria subestimá-las. Elas sabem escolher o que e quando gostariam de olhar, ouvir, ler”.

Fonte: Itaú Social

As sementes de Zélia

3/11/2013 – 21:40h

Vamos falar de “Zélia”: um livro sensível que fala da importância da escuta, do acolhimento e de como podemos transformar tristezas em beleza e poesia. Quem comenta o lançamento da Editora Aletria é Tércia Montenegro, escritora e professora da Universidade Federal do Ceará. Além de livros infantis e juvenis, a escritora também publicou diversos livros de ficção. Seu último volume de conto, O tempo em estado sólido (Editora Grua), foi finalista dos prêmios Jabuti e Portugal Telecom em 2013.  Vamos conhecer o que ela tem a dizer sobre “Zélia”.

“A bela história de Christelle Vallat, com as ilustrações profundamente poéticas de Stéphanie Augusseau, é daquelas que a gente não esquece. Uma narrativa cuja protagonista escuta as aflições e as converte em beleza, por um ato mágico _embora rotineiro _ revela um potencial simbólico que agrada não somente às crianças; dialoga sensorialmente com o que há de mais humano em todas as idades, numa prova do feitio universal da obra.

A personagem de Zélia possui uma presença transformadora, enquanto intermediária dos alívios e felicidades de toda uma cidade. Sua atividade dominical é trocar as aflições das pessoas por balões, maçãs e bolinhos de chocolate, enfim, por pequenas alegrias. A velha senhora escuta cada relato triste e por eles recebe uma semente.

Costurados com acurada sensibilidade, texto e imagem contam juntos de que forma podemos reverter problemas em criações, angústias em alegrias, reclames em deleites. Entrelaçando-se com o preto e o branco, o colorido que povoa as páginas do livro alude a uma vida matizada de felicidade, cheia das alegrias do mundo e de si.

A obra também adquire singular marcação realista ao não excluir a possibilidade, em nossa existência, da tristeza e do revés. Ao mesmo tempo, lembra que muitas delas são reversíveis por nós mesmos.

A experiência do livro se dá em torno de uma partilha. É o afeto proveniente dos gestos de permuta que convida ao rito da amizade e da gentileza. A história de Zélia nos leva a refletir sobre o quanto podemos, com pequenas boas atitudes, modificar a nossa própria história e a dos que estão ao nosso redor.

E não deixemos de pensar que, como livro, “Zélia” é também uma semente, que pode ser oferecida a qualquer um, a qualquer tempo, plantando dias melhores, um mundo melhor”.

Leitura, escrita e cidadania

1/11/2013 – 16:19h

A proficiência em leitura e produção de textos é condição necessária para o exercício da cidadania. A afirmação é da mestra em Linguística pela Universidade de Campinas, Cristiane Mori de Angelis, que vê no uso de sequências didáticas e dos gêneros textuais uma estratégia para auxiliar os professores a despertar o interesse pela leitura e escrita nos alunos. Eis um bom assunto para leitura e reflexão neste fim de semana.

Cristiane Mori de Angelis comenta sobre a contribuição da leitura e escrita para que crianças e jovens possam exercer a cidadania de modo pleno

“Os gêneros devem servir como instrumento para o ensino e, nunca, como uma amarra ou um fim em si mesmo. Os alunos não precisam saber elencar as características temáticas, composicionais ou estilísticas de um gênero; eles devem, sim, dominá-las para serem capazes de ler e de escrever textos deste gênero. O gênero contribui para o ensino de Língua Portuguesa, porque não há um texto único capaz de ensinar a ler e a escrever. Aprender a ler e a escrever implica a leitura e a produção dos variados textos que circulam nas diferentes esferas de atividades e, assim, a proficiência só é possível quando os alunos se apropriam das características e do funcionamento dos gêneros. Além disso, a tão esperada e necessária criticidade – seja na leitura, seja na escrita – decorre da compreensão dos lugares sociais ocupados pelo leitor e pelo escritor, dos interesses envolvidos numa dada esfera de atividade e das finalidades visadas; parâmetros esses contemplados necessariamente num ensino balizado pela noção de gêneros”.

Cristiane de Angelis também comenta sobre a contribuição do hábito da leitura e da escrita para que crianças e jovens no futuro possam exercer a cidadania de modo pleno: “A proficiência em leitura e produção de textos é condição necessária para o exercício da cidadania. As sociedades letradas organizam-se em esferas de atividades que colocam aos seus atores diferentes necessidades de comunicação, as quais demandam, cada vez mais, gêneros diversificados: orais, escritos, impressos, eletrônicos, digitais, verbais, multimodais. Para atuar nesta sociedade, para compreender os conflitos de interesses que nela se dão, para entender e se fazer entender, para opinar, para reivindicar, para protestar, para solicitar, para convencer, para apreciar, enfim, para agir como um cidadão é preciso ser capaz de produzir e ler os gêneros que circulam e, para isso, ao longo da vida, os sujeitos devem ler e escrever textos variados, em gêneros, em mídias, em suportes, sempre reconhecendo e respeitando a situação de produção que os engendraram”.

Ela faz uma advertência aos professores: “A meu ver, mostrar a importância da leitura depende de os professores serem leitores, entendendo que a leitura e a escrita são um compromisso de todas as áreas, ou seja, não é apenas o professor de língua portuguesa que deve ensinar a ler; depende de iniciativas para que o Brasil se consolide como uma sociedade leitora, o que passa, dentre outros aspectos, por uma incorporação das práticas de letramento que já ocorrem, mas não são valorizadas. É preciso olhar para o entorno das escolas e das comunidades e reconhecer as manifestações culturais que ali ocorrem e fazem sentido para seus usuários e trazer tais manifestações para dentro da escola, de modo que alunos e professores possam se reconhecer nelas. Mais uma vez: quando se afirma que a maioria dos professores não lê em seu tempo livre, o que está sendo considerado como “leitura”? Apenas a chamada “alta literatura” ou também outras leituras? Ser uma sociedade leitora também implica políticas de barateamento do livro, abertura das bibliotecas como espaços de lazer e cultura e, evidentemente, de formação de leitores”.

A literatura e a escrita estão sendo bem exploradas nas escolas? Na opinião da especialista, “as escolas vêm se preocupando com a escrita de uma forma adequada, tentando encaminhar um trabalho que considere a situação de produção e os gêneros. Já em relação à literatura, mudanças e aprimoramentos são necessários, pois ainda prevalece um uso escolarizado da literatura, no qual os livros se prestam a ensinar conteúdos, sobretudo morais, bem como impera a crença – equivocada – de que não é possível ou não se deve ensinar a ler literatura. De modo geral, as escolas atuam como se apreciar um bom livro de literatura fosse algo natural, como se fosse evidente ou transparente o que é um livro com qualidade literária. Ao contrário, a estética literária pode e, frequentemente, o faz demandar estratégias requintadas de leitura, para que os recursos estéticos empregados, bem como mundo ficcional criado, possam ser desvendados e compreendidos. Isso demanda mais do que simplesmente ler; é preciso ler junto com os alunos, mostrar o funcionamento daquele texto, desvelá-lo. Também é ampliar o repertório de leitura, diversificando autores, gêneros, temáticas, estilos, contextos, bem como é preciso que as leituras recomendadas obrigatórias convivam com outras práticas de leitura, em que a escolha, cujos critérios também podem e devem ser discutidos e burilados, seja dos alunos e em que diferentes modos de ler sejam experimentados.

Qual é o papel da leitura, do conhecimento da literatura e da escrita na construção do indivíduo em formação em sala de aula? Cristiane de Angelis responde da seguinte forma: “O papel é central. Conhecer e compreender a literatura pode funcionar como a porta de entrada para a arte em geral e ser capaz de compreender, fruir e apreciar as diferentes manifestações artísticas é, sem dúvida, uma das soluções para a banalização da violência e para o fortalecimento de uma sociedade humanizada e comprometida com o bem comum. As competências leitora e escritora, por sua vez, são, como dito acima, a possibilidade de o sujeito agir na sociedade, exercendo plenamente sua cidadania.

Fonte: Notícias em rede do Itaú Social