Ilustrações em forma de arte

10/1/2014- 20:37h

A Mostra de Arte Contemporânea em Literatura Infantil (Macli) leva à capital paulista 70 trabalhos que ilustram livros de vários autores do gênero em exposição até o dia 16 de fevereiro.  “Nós estamos deslocando aquele objeto que foi originalmente criado para ilustrar uma narrativa literária infantil, isolando-o. E fica muito evidente, quando nós o isolamos, que ele tem vida própria e conexão com a arte contemporânea”, explica Favish Tubenchlak, um dos curadores da Macli, sobre os trabalhos que podem ser vistos no Centro Caixa Cultural, no centro da cidade.

As obras foram criadas em diversas técnicas, muitas vezes refletindo pesquisa sobre materiais e procedimentos. “Cada um está buscando a sua técnica, a sua linguagem, seu procedimento. São artistas muito sérios. Às vezes, em um livro, o escritor faz de uma forma, em outro livro faz de outra forma”, diz o curador.
Podem ser vistas ilustrações elaboradas com pintura a óleo sobre madeira, pintura acrílica sobre papel, colagem com fotografia, xilogravura e desenho digital ao som de uma trilha sonora feita especialmente para a mostra.

O ponto principal é perceber a autonomia do texto e da imagem nos livros infantis. “É um refinamento que vem aumentando os seus adeptos. Possivelmente, sempre existiu o artista visual autor do livro infantil, mas na produção contemporânea isso acontece cada vez mais. Ele não está ali simplesmente ilustrando uma narrativa, está criando junto com o escritor”, destaca Tubenchlak.

A mostra foi delineada a partir do conceito do estranho familiar de Sigmund Freud, criador da psicanálise. “Quando a gente foi fazer essa curadoria, levou em consideração um termo cunhado por Freud, que traduzido seria ‘o estranho familiar’. Aquilo que não é você, no entanto, você reconhece de alguma forma. É estranho e também familiar”. O pensamento se apresenta, de acordo com o curador, claramente em algumas obras, como a do brasileiro Fernando Vilela, autor do livro “Lampião e Lancelote”, ilustrado por ele mesmo e no qual o cangaceiro encontra o Rei Arthur, cavaleiro medieval das histórias da Távola Redonda. “São dois estranhos, sob todos os aspectos, de época e pessoalmente. No entanto, se encontram como em um espelho.”

Fonte: Agência Brasil

A menina que sonhava com os pés

7/1/2014 – 21:10h

Ana é uma menina diferente, que demonstra sua alegria e energia por meio de seus sapatos coloridos. Quando começa a frequentar a escola, Ana encontra algumas dificuldades com sua professora. Essa é a história do lançamento da Editora Gaivota, A menina que sonhava com os pés, de Christian David e ilustrações de Martina Peluso, com indicação para a faixa etária de 7 anos.

O livro mostra a delicadeza de Ana ao lidar com seus problemas. Além disso, os pequenos leitores se identificarão com os medos e descobertas da personagem principal em seu primeiro dia de aula. A menina Ana é capaz de ensinar o leitor sobre o poder de sonhar e o desejo de alegrar todos que estão ao seu redor. Os personagens cativantes, como a professora substituta e os pais de Ana, contribuem para esse aspecto da história.

O autor Christian mora em Porto Alegre, onde nasceu e foi criado. É formado em Ciências Biológicas, com ênfase em Licenciatura, pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, e fundador da Confraria Reinações: Confraria da Leitura de Textos Infantis e Juvenis, e vice-presidente administrativo da Associação Gaúcha de Escritores. O autor já publicou outros títulos e participou do Catálogo de Bolonha em 2009.

A ilustradora Martina nasceu em 1980, em Nápoles, na Itália, onde vive e trabalha até hoje. Estudou estamparia no Instituto de Artes de Nápoles e frequentou cursos de ilustração em Sarmede e Pavia, além de participar de diversas exposições na Itália e Espanha.

“Ler para uma criança é compartilhar emoções”

5/1/2014 – 16:35h

Entrevista

Ricardo Azevedo – escritor

Sobre incentivo à leitura. Com a chegada das novas tecnologias, como ipads, smartphones, e-books e do surgimento das redes sociais, a impressão que se tem é que as pessoas têm mais espaços, oportunidades e acesso à leitura. No entanto, uma pesquisa realizada em 2012 pelo Instituto Pró-Livro identificou que o brasileiro lê em média um livro por ano, ou seja, muito pouco. Essas ferramentas não deveriam estar contribuindo para aumentar o número de leitores e o prazer pela leitura? Como você vê isso?

Ricardo Azevedo: Minha sensação é a de que as pessoas estão cada vez mais afastadas das artes e da literatura.  Vivemos num tempo de grande valorização da ciência e da tecnologia. Sinto que nesse mundo técnico e especializado onde, para fazer sentido, tudo precisa ter uma função e uma utilidade, parece que a literatura e a arte estão perdendo espaço. O problema é que as tão valorizadas ciência e técnica são ótimas, mas não dão conta de tudo. De que adianta para um homem morrendo de fome saber que o prato de comida em sua frente contém vitaminas, proteínas e carboidratos? De que adianta para um homem apaixonado saber que sua amada tem rins, fígado, moléculas, átomos e neurônios? A ciência e a técnica são muito boas, mas, em certas instâncias humanas, não interessam e nem vão resolver coisa alguma. Creio que, por meio da ficção, a literatura e a poesia tratam dessas instâncias. Refiro-me a assuntos humanos e subjetivos, banais e complexos, como a busca do autoconhecimento, as paixões, a luta do velho contra o novo, as contraditórias colisões do Bem contra o Bem (que Fernando Pessoa chamou de “a dupla existência da verdade”), a construção da voz pessoal, as experimentações com a linguagem, as incoerências e ambiguidades etc. Se você pegar grandes personagens da literatura de Peter Pan, Alice, Emília, Macunaíma, Dom Quixote, Madame Bovary, Dona Flor, Riobaldo ou Gregório Samsa entre mil outras, vai sempre encontrar pessoas conflitadas e cheias de dúvidas que de alguma forma colocam em discussão a visão que temos da vida e do mundo. A literatura e a arte não existem sem que surja uma contradição, ao contrário da ciência e da técnica que sempre buscam a coerência e a utilidade. Infelizmente, neste ambiente em que vivemos, sufocados pelo politicamente correto, pelo consumismo e pelo utilitarismo, as pessoas têm sido levadas, ou melhor, têm sido condicionadas, a não perceber o caráter humanizador e vital da literatura e da arte.

Há mais de 30 anos você escreve literatura infantil. O que é possível perceber hoje no processo de educação das crianças em relação à leitura? A forma de escrever para crianças mudou? E a forma de interação das crianças com os livros?

RA: Preciso dizer que pouco importa se o moleque brinca de soldadinho de chumbo, bolinha de gude, patinete, jogo de botão, carrinho de rolimã, skate ou vídeogame. O que importa é que ele brinca e gosta de brincar desde que o homem é homem. Quanto à leitura, creio que persiste um mesmo e velho problema: a criança do fundamental associa a literatura à sua professora, com quem costuma ter uma relação calorosa e afetiva. Ela até pode gostar de ler, mas lê também para agradar a professora. Mais tarde, quando passa para as séries mais avançadas, com vários professores e, portanto, quando o ensino torna-se mais impessoal, ela tende a se desinteressar pela leitura. É justamente neste momento que necessitamos de professores melhor capacitados, leitores de verdade que sejam capazes de mostrar ao aluno como a literatura pode ser rica e importante para sua vida. Sobre a interação da criança com o livro, acho indiferente que a leitura seja feita num livro de papel, num e-book, na tela do computador ou sei lá onde. O que importa é que o leitor saiba o que é a literatura, saiba diferenciar os diferentes tipos de livros existentes, enfim, saiba o que está fazendo quando pega um texto para ler.

É comprovado que ler para crianças pequenas é importante para seu desenvolvimento integral. Na sua opinião, pais e familiares estão mais preocupados em ler para as crianças? Que fatores podem ter contribuído para esse envolvimento?

RA: Minha sensação é a de que os pais, independentemente de classes sociais, trabalham tanto que mal têm tempo de conversar com os filhos, quanto mais ler para eles. Nesse mundo especializado de hoje, estamos sendo transformados em peças de engrenagens e precisamos cumprir nosso papel dentro da máquina caso contrário ficamos sem emprego. Parece haver cada vez menos lugar para as relações humanas, sociais, familiares e espontâneas. A filósofa Hannah Arendt, ainda na década de 50, dizia mais ou menos o seguinte: cabe ao adulto apresentar a cultura e as questões humanas aos “recém-chegados” ao mundo. Quem não souber fazer isso, completava ela, não tenha filhos e não seja professor. E perguntava ainda: o que farão no futuro pessoas individualistas, despolitizadas, sem cultura humana e com formação apenas técnica com tanto poder tecnológico nas mãos? Eis um aspecto crucial e civilizatório da educação e da escola!

Como você avalia as políticas públicas para leitura de hoje? Elas são adequadas para o incentivo da leitura de crianças, adolescentes e jovens? E de que forma a iniciativa privada pode contribuir para o avanço e desenvolvimento dessas políticas?

RA: Prefiro não opinar sobre políticas públicas porque é assunto complexo e que só conheço em linhas muito gerais. Sinto que precisamos de mais bibliotecas e bibliotecários competentes. Sinto que a distribuição de livros é muito importante, mas é preciso criar instâncias mediadoras, pois muitas famílias, infelizmente, ainda são muito pouco letradas e não sabem o que fazer com os livros. Por outro lado, creio que nunca se discutiu tanto, como hoje, a necessidade de termos uma escola melhor que saiba formar leitores, o que é um bom sinal. A sociedade parece ter acordado para este grave problema que implica a exclusão social. Numa sociedade de poucos leitores, só estes terão reais oportunidades. A massa de gente que não lê nem sabe usar livros em benefício próprio quase sempre estará condenada a uma vida sem chances de desenvolvimento profissional e intelectual. Vemos agora também, cada vez mais, projetos educacionais e culturais planejados e patrocinados pela iniciativa privada. Tirando aqueles que são apenas ações de marketing e propaganda, creio que essas parcerias são importantes, necessárias e muito bem vindas.

Para concluir, quais dicas você daria para um adulto ler para crianças?

RA: Ler para uma criança pequena é muito mais do que apenas contar uma história. É uma forma de carinho, é uma doação, é dar atenção, é levar em conta, é compartilhar emoções, é como dizer “olha estou aqui porque gosto de você e quero me divertir um pouco junto de você lendo esse livro”. Quer começo melhor para formar um futuro leitor?

Fonte: Notícias em Rede Itau Social

Em defesa da literatura popular

5/1/2014 – 16:26h

Para Ricardo Azevedo, um dos mais premiados escritores infanto-juvenis do Brasil, embora a discussão sobre a formação de leitores tenha ganhado espaço na agenda pública, ainda é preciso investir em instâncias mediadoras, que auxiliem as famílias a incorporar o hábito de ler no seu dia a dia. Na entrevista a seguir, ele explica porque defende uma literatura popular e não segmentada.

“Vou tentar explicar melhor minha posição. Os livros técnicos e didáticos, utilitários por definição, costumam dividir as informações que pretendem transmitir em graus que progressivamente se tornam mais complexos. Neste caso, faz todo o sentido falar num livro feito para tal e tal faixa de idade até porque, como sabemos, as crianças são divididas por faixas etárias dentro da escola. Creio que a literatura e a arte seguem por outros caminhos. Como escritor, prefiro olhar crianças e adultos pelo ponto da vista da semelhança e da identificação. Se olharmos bem, as diferenças entre crianças e adultos são poucas e temporárias. As semelhanças, ao contrário, são estruturais e profundas.

Adoro imaginar um menino de 10 anos que examina o avô de 80 e pensa: “esse cara é muito parecido comigo.” Afinal, convenhamos, na vida concreta todos podemos nos apaixonar, temos dúvidas, buscamos o autoconhecimento, sonhamos, temos medos, adoecemos, apreciamos o conforto, sentimos fomes, dores e prazeres, temos dificuldade de compreender e ser compreendidos pelo outro, somos aprendizes, muitas vezes somos contraditórios, envelhecemos e um dia morreremos. Veja quantos assuntos e quantas histórias poderiam sair só dessa pequena lista!

Acontece que estamos condicionados a chamar de “adulta” uma literatura que tende a abordar temas complexos pelo viés da abstração ou que exige um alto grau de erudição.  Trata-se de uma literatura feita por especialistas tendo em vista a leitura de especialistas. Chamo a atenção para a confusão entre a noção de “adulto” e a de “especialista”. Pergunto: faz algum sentido acreditar que uma mulher iletrada de 50 anos seja necessariamente menos adulta do que uma dentista ou advogada da mesma idade? Fato é que, na verdade, a maioria dos adultos, independentemente de classes sociais e graus de instrução, não está preparada para ler boa parte dessas obras.

Deixo claro: não estou insinuando que essa literatura seja ruim. Tento dizer que muitas obras relevantes da nossa literatura exigem um leitor especializado e, em suma, foram escritas tendo em vista um pequeno e seleto grupo de leitores.

De outro lado, porém, podemos imaginar uma literatura que também aborde temas complexos sobre a vida concreta, mas de forma passível de ser compartilhada por um grande número de pessoas e por meio de uma linguagem clara, pública e acessível.  Trata-se, em outras palavras, de uma literatura popular.  Se pensarmos em termos de Brasil ela, a meu ver deveria ter uma grande importância. Naturalmente, no interior dessa imensa e diversificada literatura popular vão existir livros capazes de gerar mais, ou menos, interesse e identificação entre crianças ou entre jovens. Pois bem, na minha visão, a chamada literatura para crianças que interessa e vale a pena ser lida é, na verdade, uma literatura popular capaz de interessar a crianças, jovens e adultos.

Outra coisa: tanto a literatura para especialistas quanto a literatura popular pode oferecer obras relevantes para a cultura. Ambas também costumam oferecer obras sem qualquer valor. Isso faz parte. Imaginar que apenas a literatura para especialistas tenha valor serve apenas para justificar certas linhas de estudos universitários e, claro, alimentar egos um pouco mais carentes”.

Fonte: Notícias em Rede Itaú Social –

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Histórias para ouvir e baixar

4/1/2014 – 20:30h

O Espaço Educar está oferecendo gratuitamente áudio de 70 histórias infantis, na maioria clássicos da literatura infantil, para serem ouvidas e baixadas. Boa opção para quem está com a meninada de férias, em casa, em busca de recreação.

O endereço é http://espacoeducar-liza.blogspot.com.br/2009/07/65-historias-infantis-para-ouvir-e.html

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