Gêmeos exterminadores

27/2/2014 – 22:10h

Gobledegundo e Balderdixo são dois nomes pra lá de estranhos. Pudera, são os nomes de uma “dupla insuportável”: dois gêmeos exterminadores de um reino que já fora próspero, alegre e palco para os contos de fadas.

Por este reino, existia um cartaz de “Procurados” com as fotos dos temíveis gêmeos e o rei estava disposto a doar metade de suas terras pela captura deles. Dias se passavam e ninguém, por mais corajoso que fosse, conseguia dominar a “dupla insuportável”.

“Nem mesmo todos os cavalos e homens do Rei foram páreo para aqueles monstros. Flechas e lanças apenas roçavam a sua casca grossa. Eles são mesmo uma dupla insuportável; problema em dobro. Podem comer num dia mais que um exército e tudo o que sobra são ratos e guardanapos fedidos! Mas não param depois de comer toda a comida e querem comer os habitantes do reino também. Até agora, as muralhas do castelo haviam mantido os dois afastados, mas é só uma questão de tempo”.

Questão de tempo, porém, para Gobledegundo e Balderdixo. Eles ainda não sabem, mas acaba de chegar ao reino atormentado o menino Jorge e seu dragão adestrado. Esta dupla também é fogo! Jorge e o dragão se comoveram com a história daquele local e resolveram ajudar. Pensaram num jeito de capturarem a tal dupla.

Será que vão conseguir? O que planejaram para render os gêmeos? E a metade do reino prometida pelo rei? Jorge e o dragão merecem o prêmio? Estas respostas estão no livro “O Dragão e a dupla insuportável”, escrito e ilustrado pelo inglês M.P. Robertson, traduzido por Madza Ednir e lançado pela Editora Biruta.

Este é o quarto livro lançado pela editora da série “Aventuras de Dragão”. Os outros títulos da série são “Meu filhote dragão”, “O incrível resgate do dragão” e “O ladrão de dragões”, todos escritos e ilustrados por Robertson.

A sorte da “dupla insuportável” está lançada…

Um carnaval muito especial

26/2/2014 – 19:03h

A Trupe de contadores de histórias Maria Farinha vai realizar um carnaval muito especial no dia 28, a partir de 16:00h, em Vespasiano. Junto com a Casa do Brinquedo e o Colégio Elo, que atuam no município, vão reunir as crianças na alegria do carnaval, nas histórias e marchinhas, com muito confete e serpentina.

A ideia é realizar a concentração na porta do colégio, na Av. Thales Chagas, 451 e seguir pela cidade, ruas Manuel Cunha e Silvino Santos Cruz, até à Praça Lazara Issa. Durante o trajeto, outros pequenos foliões, além dos alunos da escola, podem se juntar ao grupo inicial. A meninada também será guiada por uma equipe pedagógica e de professores.

Sandra Bittencourt e Baboo Xavier, esta semana, deram uma prévia deste carnaval no pátio do colégio (foto). Agora, convidam as crianças a prepararem suas fantasias para esta tarde de folia.

Livros para uma vida

24/2/2014 – 19:52h

O site Educar para Crescer, da Editora Abril, preparou uma relação de livros, que formam as crianças e adolescentes para a vida. Dezoito educadores selecionaram 204 obras essenciais para serem lidas do Ensino Infantil ao Ensino Médio.

Esta biblioteca é apresentada por idade, dando ao pesquisador a oportunidade de clicar diretamente na faixa etária da criança para a qual pesquisa a indicação de livros. O endereço na internet é  http://abr.ai/1dZgbqd

A situação atual das bibliotecas virtuais

23/2/2014 – 20:35h

Os e-books já garantiram seu lugar no mercado editorial e introduziram uma nova modalidade, que precisamos conhecer: as bibliotecas virtuais. Como estão funcionando no Brasil? O artigo abaixo apresenta um retrato do que está sendo utilizado e as estratégias das editoras digitais. Leia e conheça as iniciativas, perspectivas e problemas das bibliotecas virtuais.

Felipe Lindoso *

No dia 13/2, fui assistir à apresentação do modelo de biblioteca pública virtual, que está sendo lançado pela Xeriph. Há duas semanas, Galeno Amorim anunciou o próximo lançamento de um projeto de bibliotecas virtuais para bibliotecas escolares e, nos últimos dias, a joint-venture da Saraiva, GEN (Atlas e Grupo A) anunciou nova versão do modelo de seu programa Minha Biblioteca, que já está com três anos de vida.

Por outro lado, pipocam notícias sobre várias alternativas de aluguel e empréstimo de livros eletrônicos. A Amazon tem um serviço que funciona entre proprietários do Kindle e startups como a Oyster e outros almejam se tornar a “Netflix” dos livros. Como se sabe, a Netflix é um sistema de assinatura que permite o streaming de uma seleção já bastante extensa de filmes, séries de TV e congêneres.

Todas essas iniciativas possuem algo em comum e imensas diferenças entre si.

A Kindle Lending Library está disponível para os que têm conta na Amazon americana e pagam pelo serviço Prime. Nesse caso, podem baixar temporariamente livros da biblioteca de empréstimo e também emprestar seus livros para outro usuário do Kindle. A assinatura anual do Prime custa US$ 79 e oferece algumas vantagens adicionais, como frete grátis (nos EUA). Como tudo na Amazon, é um serviço destinado aos seus clientes e exclusivamente para estes. Ainda não está disponível no Brasil.

A Minha Biblioteca foi imaginada inicialmente como uma grande “pasta do professor” legalizada e editada. As universidades contratam os serviços. Os alunos dessas universidades recebiam um login para acessar o acervo digital da instituição do ensino. Essa montava a biblioteca pagando o preço de capa dos livros escolhidos, que ficavam disponíveis “para sempre” (desde que isso exista na internet…). No modelo de aquisição, cada usuário da instituição pode acessar o título adquirido desde que este não esteja sendo lido por outra pessoa. Ou seja, a instituição de ensino deve calcular pelo menos uma média de exemplares adquiridos de modo a não congestionar o acesso ou fazer filas extensas.

O outro modelo é o de assinaturas, pelo qual a instituição de ensino paga pela quantidade de logins usados. Nesse caso, não há fila de espera.

Recentemente a Minha Biblioteca abriu outro modelo de negócio. Agora, pessoas físicas, sem intermediação da instituição de ensino, podem adquirir ou alugar livros pelo sistema. O aluguel varia segundo o tempo e o preço de capa do livro. O aluguel de um livro por todo o semestre pode chegar a 60% do valor de sua compra.

O Oyster, por enquanto, só funciona com cartões de crédito dos EUA. A Nuvem de Livros funciona no Brasil e é exclusivo para assinantes da Vivo. Só funciona com acesso à internet. Ou seja, além da assinatura (R$ 2,99), há também o custo da conexão e o programa só funciona online.

Nesses vários modelos de bibliotecas com sistema de aluguel, os leitores (pessoas físicas) compram assinaturas que permitem acessar certa quantidade de títulos no período, escolhendo entre acervos que crescem continuadamente. Essas iniciativas são todas muito importantes e ampliam o acesso ao livro de forma exponencial. Ainda são embrionárias e, em muitos casos, experimentais.

O modelo das Bibliotecas Digitais Xeriph tem algumas semelhanças com o da Minha Biblioteca, menos na possibilidade de aluguel direto por pessoas físicas.

A Xeriph foi a primeira distribuidora e agregadora de livros digitais no Brasil. Segundo Carlos Eduardo Ernanny, seu diretor (que continua no cargo depois que a empresa foi adquirida pelo Grupo Abril), a Xeriph surgiu como uma necessidade depois da fundação da livraria Gato Sabido, que se viu com pouquíssimo conteúdo disponível para vender depois de inaugurada. A criação da distribuidora foi o caminho encontrado para solucionar isso. Hoje, a Xeriph distribui mais de 200 editoras e dispõe de um acervo de cerca de 16.000 títulos para distribuição e comercialização.

O projeto de bibliotecas da Xeriph está destinado a bibliotecas públicas (de qualquer tipo) e bibliotecas empresariais. Em ambos os casos, a autoridade responsável (órgão governamental ou o departamento encarregado da administração da biblioteca) adquire o acervo e o programa e recebe o pacote inteiro, que inclui as informações de cada usuário e de cada livro, ferramentas de administração (incorporação de acervo, de usuários, consultas de métricas, etc.) e o link para a app desenvolvida pela Xeriph que é de uso obrigatório para leitura. A Xeriph já desenvolveu apps para iOS e Android (o Windows Phone não foi mencionado) e para computadores pessoais.

Os livros disponíveis podem ser os agregados pela Xeriph ou, no caso de outros agregadores, os que as editoras autorizem participar no programa.

Os livros são vendidos pelo “preço de capa” do e-book (ePUB 2 ou PDF). Nesse sentido, a Xeriph atua como uma loja e se remunera com o desconto que lhe foi concedido pela editora. Isso no modelo de compra dos livros.

Mas a biblioteca pode ser usada também pelo modelo de subscrição. Nesse caso, a empresa (ou o órgão governamental), adquire uma quantidade de logins, o sistema registra quantos livros foram retirados e cobra o preço pactuado por esses acessos (não foi revelado o preço, é claro, segredo de negócio e certamente sujeito a múltiplas negociações). Sessenta por cento do recebido é transferido para as editoras, de modo proporcional aos acessos de seus livros.

No caso de venda dos livros, Carlos Eduardo Ernanny declarou ser favorável a uma venda definitiva, perpétua. Mas os editores podem estabelecer também um limite para downloads de empréstimo (modelo que vem sendo adotado por algumas editoras dos EUA). Ou seja, depois de “x” empréstimos o livro não fica mais no acervo e a biblioteca terá que adquiri-lo novamente.

Quando o acervo é vendido, cada exemplar digital só pode ser emprestado a um usuário por vez. Se o livro estiver emprestado, forma-se uma fila. Se esta cresce muito, pode induzir o bibliotecário a adquirir mais exemplares do livro. No caso de subscrição, tal como na Minha Biblioteca, não existem filas. Em todos os casos os usuários ficam com os livros nas suas estantes por duas semanas, e podem emprestar até cinco títulos por vez.

No modelo de subscrição, para evitar que o usuário permaneça indefinidamente com o livro, a renovação do empréstimo só pode acontecer 45 dias após o final do empréstimo anterior. Em todos os casos, depois de terminado o período de empréstimo, o sistema automaticamente retira o livro da estante do usuário e o devolve para o acervo digital da biblioteca, abrindo espaço para outro usuário emprestar o volume.

Ernanny informou que, no caso de já existir um sistema de bibliotecas, a “biblioteca mãe” pode centralizar o empréstimo para todos os ramais sempre dentro dos mesmos princípios: fila para os usuários, acesso imediato para subscrições, dentro da quantidade de logins adquiridos.

A Xeriph apresentou um modelo das páginas de uma biblioteca. O modelo é fixo, podendo mudar apenas no cabeçalho e na cor da barra superior, que podem incluir o logotipo da biblioteca, empresa, etc.

Logo abaixo dessa barra inicial aparece uma fila de livros (existentes no acervo) recomendados pelo sistema. Perguntado, Ernanny informou que essas recomendações são feitas exclusivamente através de algoritmos do sistema, não havendo possibilidade de cobrança para mudança de posição. Ora, sabemos que as livrarias cobram adicionais das editoras para colocação de livros na entrada, em vitrines, em pilhas, e que a Amazon levou esse processo a extremos, com as promoções ditas “cooperadas”. Diante disso, sugiro às editoras, principalmente as pequenas, que vejam se essas condições estão ou não incluídas nos contratos.

A fila seguinte é a de “Recomendações do Bibliotecário”. Nesse caso, é o administrador da biblioteca que seleciona os títulos que recomenda. Pode haver também uma barra com os títulos “mais emprestados” e haverá também espaço para sugestões de aquisição. Alguns sistemas de administração de bibliotecas, como o Alexandria, por exemplo, permitem que o programa localize de imediato o título sugerido, já que geralmente o leitor informa somente o título, às vezes o autor e quase nunca a editora.

Segundo Ernanny, as editoras terão condições de colocar metadados com informações adicionais sobre seus livros. Mas não foi informado como o sistema irá processar as buscas.

A leitura dos livros será feita exclusivamente através do app desenvolvido pela Xeriph, que já tem incorporado modo noturno e a possibilidade do fundo da página ser sépia, assim como mudar a fonte. Ao entrar no sistema, o usuário pode verificar a lista de todas as bibliotecas que estão na Xeriph, mas deverá escolher aquela para a qual tem acesso. Poderá, se for o caso, ter acesso a duas ou mais bibliotecas, se estiver inscrito em várias.

Ernanny informou que deve entrar no ar a curto prazo um piloto do sistema, para o comprador que está na etapa final das negociações. O sucesso da empreitada, entretanto, depende certamente da quantidade e qualidade do acervo oferecido. Pela reação dos representantes das editoras presentes, percebi que isso não será problema. É mais um negócio que pode ser viável para os livros já digitalizados.

No caso da biblioteca da Xeriph, acredito que ela possa ter sucesso junto a empresas que ofereçam esse benefício a seus funcionários ou clientes. Pode bem ser um benefício de programas de milhagem ou similares.

Tenho minhas dúvidas quanto à sua implantação em bibliotecas públicas por uma razão bem simples: os impedimentos orçamentários e burocráticos que dificultam o crescimento de acervos nas bibliotecas públicas continuam sendo os mesmos na biblioteca digital. As prefeituras, em sua imensa maioria, não destinam recursos para as bibliotecas, que vivem de doações do público ou recebendo acervos proporcionados pelo governo. Nesses casos, o uso de mecanismos das leis de incentivo fiscal para patrocinar bibliotecas pode ser uma saída.

De qualquer maneira, o simples fato de tirar a necessidade de ir à biblioteca (ou a uma livraria) e facilitar o acesso, já é um grande ponto a favor. Programas de incentivo à leitura são fundamentais, mas sem o acesso a acervos atualizados, de pouco adiantam.

* Jornalista, tradutor, editor e consultor de políticas públicas para o livro e leitura – Fonte: Publishnews

História da ilustração no Brasil

18/2/2014 – 21:08h

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ), em janeiro deste ano,  publicou artigo da escritora Laura Sandroni que mostra um pouco da história sobre a ilustração de livros para crianças no Brasil. Aliás, a escritora é fundadora da FNLIJ e tem uma vida dedicada a esta instituição por comprometimento com a literatura infantojuvenil. Laura foi membro do júri do Prêmio Hans Christian Andersen, em 2002 e 2004, além de a primeira especialista da América Latina a receber, em 2006, o título de Membro Honorário do International Board  on Books for Young People  (IBBY), que é representado no Brasil pela FNLIJ.

Laura Sandroni publicou  ensaios nas principais revistas e jornais especializados em literatura infantojuvenil no Brasil e no exterior. Pela Academia Brasileira de Letras produziu  “Acadêmicos autores de literatura  infantil e juvenil”, em 2011. O artigo sobre a ilustração de livros no Brasil é um documento, cujo texto serviu como base para a introdução do Dicionário de Ilustradores Latinoamericano SM, no qual foram citadas histórias e autores de cada país mencionados na publicação.

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No Brasil Colônia – até a chegada do príncipe Dom João acompanhado de sua mãe a Rainha D. Maria 1ª – não havia sequer uma tipografia. Todo o material impresso como livros, jornais ou revistas, era importado da Europa. Mesmo depois quando, nas caravelas que trouxeram a Família Real, chegaram linotipos ou literatura destinada a crianças e jovens, não era sequer considerada e os livros continuaram sendo importados em traduções portuguesas ou diretamente da Inglaterra e da França, na maior parte ilustrados a preto.

Quando finalmente os fundadores de uma literatura infantil brasileira começaram a traduzir ou a escrever numa linguagem a que chamamos “português abrasileirado” nos anos finais do século XIX e início do século XX, os livros tiveram esse tipo de ilustrações feitas por artistas como Calixto Cordeiro, Henrique Cavalleiro e Julião Machado, o mais presente nos livros de Figueiredo Pimentel, um dos fundadores.

Em 1915, quando já está caracterizada a fase de transição, a Weiszflog Irmãos Editora, de São Paulo, lançam uma “Biblioteca Infantil” que se inicia com O patinho feio, de Andersen. O caráter revolucionário dessa Coleção está principalmente em seu aspecto gráfico: ilustrações em cores, de Francisco Richter, da mais alta qualidade, impressão e acabamentos primorosos.

Mas antes ainda, em 1905, uma revista chamada Tico-Tico, um passarinho muito comum no Brasil, cujo objetivo era “encantar e distrair” as crianças, publicava contos, poesias e principalmente histórias em quadrinhos cujos personagens inspirados em figuras bem nossas, viviam divertidas aventuras e seus 10 mil exemplares iniciais esgotavam-se rapidamente.

Nele brilharam, com seus desenhos em cores, nossos primeiros grandes ilustradores como Angelo Agostini, Luiz Sá, Alfredo Storni, Monteiro Filho e Max Yantok entre outros, até o fim da revista em 1958.

Com a publicação de A menina do Narizinho arrebitado, em 1921, José Bento Monteiro Lobato, inaugura-se o que se convencionou chamar de fase literária da produção editorial brasileira destinada a crianças e jovens.

Sua obra foi um salto qualitativo, comparada aos autores que o precederam, expressa em linguagem coloquial, original e criativa, antecipatória do Modernismo. Nela, a ilustração teve importante papel já que ele sabia que a imagem não é apenas um processo narrativo, mas também um modo de influenciar, “fazer a cabeça”, principalmente quando se trata de uma população menos letrada – como era o caso na época – com Voltolino, André Le Blanc, Belmonte, J. U. Campos e Manuel Victor Filho, entre outros que criaram, com seu talento, as figuras marcantes do Sítio do Picapau Amarelo.

Em 1936, o Ministério da Educação, por iniciativa do Ministro Gustavo Capanema, lança um concurso para livros de literatura infantil abrangendo até o que se chamava então “álbum de estampas” para as crianças menores. Dois grandes ilustradores foram premiados, o Santa Rosa, com O Circo, impresso na Bélgica e Paulo Werneck com a Lenda da Carnaubeira.

Já nos anos 60 e 70, a editora Globo, do Rio Grande do Sul, pioneira na tradução de grandes obras de autores famosos, lançou os Contos de Andersen e mais tarde os Contos de Grimm, ambos com suas obras completas ilustradas de forma magistral por Roswita Bitterlich Winger, nascida na Áustria, chegando a Porto Alegre – RS em 1955. Outro grande ilustrador dividiu com ela os volumes dessas obras, além de ter trabalhado em outros títulos: Nelson Boeira Faedrich.

Uma cenógrafa e pintora Marie Louise Nery e uma pintora Anna Letycia Quadros, que trabalhavam com a teatróloga, Maria Clara Machado, no Tablado, no Rio de Janeiro, ilustraram dois livros com peças suas, agora em forma narrativa: O Cavalinho Azul (1969) e Pluft, o fantasminha (1970).

Os anos 80 nos trouxeram novos ilustradores, já que na década de 70 havia surgido grande número de bons autores. Citamos alguns como Flávia Savary, que hoje se dedica ao teatro; Denise Fraifeld e Fernando Azevedo, que abandonaram a ilustração por outras atividades artísticas; assim como Gê Orthof, filho da grande autora Sylvia Orthof, que ilustrou todos os seus primeiros livros e hoje é professor em Universidade de Brasília. O marido de Sylvia, Tato, ilustrou o restante da obra dela até sua morte.

Resta-nos mencionar aqueles autores que também desenharam suas obras como Marina Colasanti e Rubens Matuck. Seguem-se os 96 ilustradores que fizeram e fazem com que os livros brasileiros para crianças e jovens sejam hoje conhecidos e oferecidos em toda a América Latina e em vários outros países do mundo.

“Há alguns anos que podemos falar em produção de grande qualidade no Brasil”

16/2/2014 – 19:57h

Entrevista

Pedro Veludo – Escritor

Pedro Veludo: "Eu escrevo porque gosto de escrever. Não penso assim: agora vou escrever um livro para crianças. Não, nada disso".

Rosa Maria: Descreva a sua trajetória pessoal.

Pedro Veludo: Sou engenheiro de telecomunicações e trabalhei com engenharia alguns anos. No entanto, sempre fui apaixonado por teatro e, no final da década de 70, fiz UNI-RIO (faculdade de teatro). Fiz Formação de Ator e Direção (não completado). Na faculdade fundei um grupo de teatro e começamos a representar. Um dia escrevi uma peça, mostrei-a ao grupo. O grupo gostou e representamo-la. Por coincidência, na plateia estava a dona da Editora Conquista (uma editora carioca) que gostou do nosso trabalho e me perguntou se eu transformaria a peça num conto. Bom, foi assim que nasceu meu primeiro livro “O Sapo ou o Por quê?”.

RM: Como desenvolveu sua carreira de escritor?

PV: Depois do primeiro livro, comecei a escrever e a “correr atrás” de editoras. Acabei pedindo demissão de meu trabalho como engenheiro e os livros foram saindo. Editei também, eu mesmo, alguns livros como, por exemplo, “Joana e o lápis amarelo”, livro adotado em inúmeros colégios cariocas.

RM: Além de “as viagens de Raoni”, do qual falamos na primeira página, apresente-nos os livros lançados e fale um pouco sobre o sucesso de cada um deles.

PV: Seria maçante para quem ler esta entrevista apresentar todos os livros e falar um pouco de cada um deles. São quase 30 livros! Tenho uma coleção denominada “Coleção da Fábrica de Pipas”, que são seis livros que tratam de temas como solidariedade, inserção do deficiente na sociedade, qualidade de vida, etc. Um livro que gosto muito é “A estrela mais brilhante” da Ed. Paulus, a história de um menino que procura uma estrela e “Raul, Bartolomeu e o mago”, um livro que tem mais de uma história dentro dele. O livro que me deu mais trabalho a escrever “Bruno e Amanda – histórias misturadas”, editado pela Ed. Quatro Cantos, acabou de ser selecionado para o PNBE 2014. Estará assim presente em todas as bibliotecas escolares públicas do país. Outro livro da mesma editora que me deu grande alegria e que tenho um prazer especial em mostrar às pessoas é: “Da Guerra dos Mares e das Areias”. Trata-se de um livro-arte (na minha modesta opinião) onde o projeto gráfico e as ilustrações são de primeira. O livro mais “infantil” que tenho, com texto curto e divertidas ilustrações, é “Clara pinta e borda” da Ed. Cuore. Tenho também um romance editado e dois livros de crônicas. Ainda, em e-Book tenho editado “Os sete presságios” (também traduzido para o inglês, com o título de “The seven curses”).

RM: O que acha de escrever para o público infantil e juvenil?

PV: Eu escrevo porque gosto de escrever. Não penso assim: agora vou escrever um livro para crianças. Não, nada disso. A ideia vem e poderá ser mais adequada a um público infantil, juvenil ou adulto. Na verdade, no momento em que me aparece a ideia não imagino a que público se adequará.

RM: Quais são as características mais marcantes de um e outro público?

PV: Creio que o que distingue um leitor de outro são o grau de maturidade e o nível de leitura de cada um.

RM: Como avalia a produção literária no Brasil destinada a esta faixa etária?

PV: Excelente! Já há alguns anos que podemos falar em produção de grande qualidade no Brasil. Tanto em textos, como em ilustrações e projetos gráficos.

RM: Quais são os seus projetos para este ano?

PV: Queria editar um livro de viagens, sobre uma viagem que fiz com a Rô, minha esposa (também crítica e revisora), subindo o Rio Amazonas, parando e ficando algum tempo em quase todos os portos. Entrei também no Rumos Itaú Cultural 2013 e… espero ter a sorte de ser selecionado. E, é claro, continuar a escrever, pois isso me dá um prazer imenso.

PV: Não sei se alguma criança vai ler esta entrevista. Mas se por acaso ler, aqui vai a resposta que costumo dar quando vou a algum colégio e me perguntam o que é preciso para ser escritor. “Peguem num papel e lápis e escrevam, escrevam, escrevam o que vier à cabeça, sem censuras”. Costumo-lhes dizer que as ideias podem nascer de qualquer coisa. E dou-lhes o exemplo de um de meus livros que nasceu de uma pergunta feita por uma criança numa visita que fiz ao colégio da Fundação Bradesco, no Rio. Quando uma criança me perguntou de onde vem as ideias, começou a nascer meu livro: “A Casa das Ideias”. De outra vez perguntaram-me “o que é uma boa ideia?”. Minha resposta: uma boa ideia é aquela que você acha que é boa.

“As viagens de Raoni”

16/2/2014 – 19:48h

Eu conheci Raoni e me apaixonei pela história escrita por Pedro Veludo. Naturalmente, eu o conheci lendo sua história no livro “As viagens de Raoni”, ilustrado pelo artista plástico Demóstenes Vargas, em nova edição da Editora Miguilim.

E quem não se impressionaria com as aventuras de uma criança destinada às viagens em série?

Na Arábia, por exemplo, o personagem encontrou um menino… “curioso quis saber para onde Raoni ia, mas ele disse-lhe que nunca sabia para onde ia. Só lhe poderia dizer de onde vinha”.

A estas alturas, Raoni já tinha passado pela Manchúria, Ceilão, Rio Nilo, Marrakech, Alasca, Lago Titicaca e, em cada lugar, experimentou surpresas e se saiu muito bem de cada situação.

Tantas viagens foram motivadas pelo desejo de “encontrar a coruja dourada que guarda a gruta dos corações encantados”. E por que este encantamento por tal coruja?

Assim começa a história do peregrino e o encantamento dele não é bem pela coruja e sim pelo “ovo azul tão brilhante como o Sol” que esta coruja põe. Este ovo, Raoni conheceu na Manchúria “entre os galhos de um velho tronco de cedro” e então decidiu partir em busca da coruja dourada.

Será que ele encontrou a ave? Como? Onde estaria a famosa coruja? Estas dúvidas eu vou deixar para o leitor descobrir, enquanto lê a história. O livro, que ganhou o Prêmio FNLIJ 1990, pode ser comprado em Belo Horizonte, Editora Miguilim, fone 3194-5000, e nas livrarias que a editora indicar.

Agora, convido você para saber um pouco mais sobre este talentoso autor português, Pedro Veludo, que eu entrevistei especialmente para o blog Conta uma História. Clique à direita, na categoria Entrevistas, para conhecer o autor, que como o personagem também é cidadão do mundo e tem uma bela história de vida para contar.

Na entrevista, Pedro Veludo comenta sobre sua trajetória como escritor

Encontro com as crianças

14/2/2014 – 23:50h

Domingo, dia 16, o Parque Aggeo Pio Sobrinho, no Buritis, vai realizar o famoso encontro cultural “Na Pracinha”. As crianças que normalmente visitam o parque nos fins de semana serão surpreendidas com uma programação que vai lhes proporcionar uma manhã muito especial.

As crianças que ainda não conhecem o parque, além de poder aproveitar este espaço com área livre para correr, prática esportiva, brinquedos e até nascente natural, também vai se divertir com a turma que realiza o encontro.

Para este domingo, está programada a leitura de livros infantis editados pela Miguilim; a realização de oficinas com a Ora Bolinhas, Dinoleta e Faz Bem; contação de histórias com a Cia Arreleque e as famosas brincadeiras cantadas com O Quintal de Guegué.

O Encontro na Pracinha é realizado de 10:00 às 12:00 horas e os promotores recomendam alguns cuidados: uma canga ou toalha para assentar no gramado, chapéu e protetor solar.

E fique atento, pois o horário de verão termina entre sábado e domingo, por isso os relógios devem ser atrasados em uma hora. Sabe o que significa? Uma manhã mais fresquinha para as crianças brincarem mais.

Dia de fazer alguém feliz

11/2/2014 – 19:56h

14 de fevereiro de 2014. Próxima sexta-feira.

Neste dia, podemos fazer uma criança feliz ao doar um livro para ela. Sabe por quê?

Por que esta é uma data mundialmente dedicada à doação de um livro e é celebrada como International Book Giving Day.

O mais interessante desta celebração é o fato de ter sido criada, há dois anos, por uma criança de apenas seis anos de idade, Jack Broadmoore, um menino americano, nascido nos Estados Unidos, em Minesotta.

A imaginação do menino ganhou asas e hoje voa por várias instituições, escolas, editoras, escritores etc ao redor do mundo, que incentivam a data e a generosidade das pessoas para doarem um ou mais livro para instituições, hospitais, escolas, bibliotecas, vizinhos, parentes, ou simplesmente esquecer um livro numa sala de espera.

Mas o participante pode doar pra quem quiser e da forma que desejar. O importante é aderir a este movimento cultural e ao mesmo tempo solidário.

Faça alguém feliz com um livro de história!

Gibis estimulam o senso crítico

10/2/2014 – 21:54h

A leitura de histórias em quadrinhos, conhecidas nacionalmente como gibis, incentiva crianças e adultos para que o hábito se torne prática prática diária. Este é o caso de Paulo Guilherme Mattos Edwards, 11, estudante e atleta, do estudante do curso de Letras – Língua Portuguesa Jan Santos, 20 (foto), e do estudante de engenharia Renato Costa Oliveira, 20, que são apaixonados por boas histórias e também são colecionadores de gibis.

De acordo com Bero Vidal, do Clube dos Quadrinheiros de Manaus, os gibis contribuem e sempre contribuíram para estimular o senso crítico dos leitores, fazendo com que os jovens adotassem sua leitura como hábito. Ele lembra ainda que os gibis eram tidos como literatura proibida nos anos 1960, quando o governo americano determinou que publicações fossem ‘caçadas’. “Eles acreditavam que os quadrinhos alienavam as pessoas e que tinham conteúdo perigoso. Lembro que na minha infância era proibido ler gibis nas escolas, as professoras confiscavam”, relembra Dero.

Mas as publicações aumentaram de lá para cá e o número de leitores apaixonados também. “Hoje, as pessoas entendem a contribuição das histórias em quadrinhos como uma porta. Sim, através dos gibis, as pessoas se interessam pelas artes, pelo teatro, pelo cinema e outras literaturas”, afirma Dero.

Apaixonado por gibis

Paulo Guilherme, o PG, lê gibis desde a alfabetização. Gosta de histórias que falem de aventura, amizade, disputas, brincadeiras e até paqueras. “Além destes temas, ele também se interessa pelos quadrinhos que tratam de questões sociais, como deficiência física de alguns personagens”, contou Michele Mattos, mãe de PG e engenheira. De acordo com Michele, ela tinha a intenção de incentivar o filho a ler, mas precisava ser algo que ele gostasse, sem pressões. “O gibi é uma leitura agradável por conta das imagens e linguagem com temas infantis, por isso ele se apaixonou”, disse a engenheira.

PG dedica cerca de uma hora à leitura das histórias em quadrinhos, sempre após as atividades escolares ou à noite, antes de dormir. A paixão pela leitura de gibis ultrapassou os limites da casa, Paulo Guilherme leva os quadrinhos para as aulas de inglês e espanhol. “Leio gibis com versões em outros idiomas para exercitar a pronúncia”, revela Paulo Guilherme. Ele revelou ainda que faz questão de ir às bancas e escolher as revistas que lerá, mas também baixa na internet e lê no tablet ou até no celular. Mas sempre sob os olhares atentos da mãe. “Controlo a quantidades que ele vai comprar, pois quer levar tudo”, contou Michele. Michele garante que os gibis influenciaram o interesse do filho pela leitura de livros volumosos e destaca que os pais devem apoiar os filhos a lerem quadrinhos. “Geralmente, ele escolhe temas infantis, historinhas e sempre quer ler toda a coleção daquela obra”, disse.

Gibis literários

Jan Santos começou a ler gibis há 13 anos e começou com histórias da turma da Mônica e da Disney, mas também era ‘viciado’ em ler as tirinhas que saíam nos jornais de domingo. Com o tempo, o interesse pelos gibis aumentou, inclusive por temas mais reflexivos.
“Histórias em quadrinhos, muitas vezes, apresentam conceitos diferentes, envolvendo filosofia, mitologia e até mesmo moral e ética. Ler esse tipo de histórias com certeza aguça o apetite por outras modalidades de leitura”, revela Jan. O universitário, que ano passado lançou um livro intitulado ‘Evangeline – Relatos de um mundo sem luz’, afirma que a leitura de gibis contribui significativamente para a profissão dele. “Os gibis são ótimos para aprendermos formas diferentes de dinamizar uma história, mesmo que não seja em quadrinhos”, revela.

Como a leitura e escrita fazem parte da rotina de Jan, ele revela que já pensou muitas vezes em fazer seu próprio gibi, que segundo ele deve ser o sonho de todos os colegas que se interessam pelo gênero. “Idealizo uma história alternativa sobre algum personagem que gosto muito, bem como o Sandman, o Batman ou algum dos X-Men, por exemplo. Com um enredo curto, seria mais para mostrar o quanto alguns desses caras podem ser nos bastidores, quando não estão lutando contra o crime ou salvando o mundo”, contou o jovem.

Quadrinhos japoneses

No caso de Renato Costa Oliveira, o incentivo pela leitura de mangás, como são conhecidos os gibis japoneses, ocorreu há seis anos. “Uma amiga me emprestou alguns, eu fiquei curioso porque ela só falava neles”, disse. As histórias japonesas são conhecidas pelas fantasias e mundos desconhecidos, mas, para Renato, as publicações vão muito além do lúdico, orientações sobre moral e caráter fazem parte do estilo oriental. “São cativantes por falar de vários assuntos como força de vontade, responsabilidade, honra e relacionamentos interpessoais. Tem papel educativo”, disse. Para o estudante, o hábito de ler outras publicações sobre outros gêneros aumentou após ele ter começado a ler mangás. “O hábito de ler aumentou, junto com a vontade de ler algo mais completo. Hoje leio livros, que talvez não leria se não fosse os mangás”, acredita Renato.

Fonte: Diário do Amazonas