“Há alguns anos que podemos falar em produção de grande qualidade no Brasil”

16/2/2014 – 19:57h

Entrevista

Pedro Veludo – Escritor

Pedro Veludo: "Eu escrevo porque gosto de escrever. Não penso assim: agora vou escrever um livro para crianças. Não, nada disso".

Rosa Maria: Descreva a sua trajetória pessoal.

Pedro Veludo: Sou engenheiro de telecomunicações e trabalhei com engenharia alguns anos. No entanto, sempre fui apaixonado por teatro e, no final da década de 70, fiz UNI-RIO (faculdade de teatro). Fiz Formação de Ator e Direção (não completado). Na faculdade fundei um grupo de teatro e começamos a representar. Um dia escrevi uma peça, mostrei-a ao grupo. O grupo gostou e representamo-la. Por coincidência, na plateia estava a dona da Editora Conquista (uma editora carioca) que gostou do nosso trabalho e me perguntou se eu transformaria a peça num conto. Bom, foi assim que nasceu meu primeiro livro “O Sapo ou o Por quê?”.

RM: Como desenvolveu sua carreira de escritor?

PV: Depois do primeiro livro, comecei a escrever e a “correr atrás” de editoras. Acabei pedindo demissão de meu trabalho como engenheiro e os livros foram saindo. Editei também, eu mesmo, alguns livros como, por exemplo, “Joana e o lápis amarelo”, livro adotado em inúmeros colégios cariocas.

RM: Além de “as viagens de Raoni”, do qual falamos na primeira página, apresente-nos os livros lançados e fale um pouco sobre o sucesso de cada um deles.

PV: Seria maçante para quem ler esta entrevista apresentar todos os livros e falar um pouco de cada um deles. São quase 30 livros! Tenho uma coleção denominada “Coleção da Fábrica de Pipas”, que são seis livros que tratam de temas como solidariedade, inserção do deficiente na sociedade, qualidade de vida, etc. Um livro que gosto muito é “A estrela mais brilhante” da Ed. Paulus, a história de um menino que procura uma estrela e “Raul, Bartolomeu e o mago”, um livro que tem mais de uma história dentro dele. O livro que me deu mais trabalho a escrever “Bruno e Amanda – histórias misturadas”, editado pela Ed. Quatro Cantos, acabou de ser selecionado para o PNBE 2014. Estará assim presente em todas as bibliotecas escolares públicas do país. Outro livro da mesma editora que me deu grande alegria e que tenho um prazer especial em mostrar às pessoas é: “Da Guerra dos Mares e das Areias”. Trata-se de um livro-arte (na minha modesta opinião) onde o projeto gráfico e as ilustrações são de primeira. O livro mais “infantil” que tenho, com texto curto e divertidas ilustrações, é “Clara pinta e borda” da Ed. Cuore. Tenho também um romance editado e dois livros de crônicas. Ainda, em e-Book tenho editado “Os sete presságios” (também traduzido para o inglês, com o título de “The seven curses”).

RM: O que acha de escrever para o público infantil e juvenil?

PV: Eu escrevo porque gosto de escrever. Não penso assim: agora vou escrever um livro para crianças. Não, nada disso. A ideia vem e poderá ser mais adequada a um público infantil, juvenil ou adulto. Na verdade, no momento em que me aparece a ideia não imagino a que público se adequará.

RM: Quais são as características mais marcantes de um e outro público?

PV: Creio que o que distingue um leitor de outro são o grau de maturidade e o nível de leitura de cada um.

RM: Como avalia a produção literária no Brasil destinada a esta faixa etária?

PV: Excelente! Já há alguns anos que podemos falar em produção de grande qualidade no Brasil. Tanto em textos, como em ilustrações e projetos gráficos.

RM: Quais são os seus projetos para este ano?

PV: Queria editar um livro de viagens, sobre uma viagem que fiz com a Rô, minha esposa (também crítica e revisora), subindo o Rio Amazonas, parando e ficando algum tempo em quase todos os portos. Entrei também no Rumos Itaú Cultural 2013 e… espero ter a sorte de ser selecionado. E, é claro, continuar a escrever, pois isso me dá um prazer imenso.

PV: Não sei se alguma criança vai ler esta entrevista. Mas se por acaso ler, aqui vai a resposta que costumo dar quando vou a algum colégio e me perguntam o que é preciso para ser escritor. “Peguem num papel e lápis e escrevam, escrevam, escrevam o que vier à cabeça, sem censuras”. Costumo-lhes dizer que as ideias podem nascer de qualquer coisa. E dou-lhes o exemplo de um de meus livros que nasceu de uma pergunta feita por uma criança numa visita que fiz ao colégio da Fundação Bradesco, no Rio. Quando uma criança me perguntou de onde vem as ideias, começou a nascer meu livro: “A Casa das Ideias”. De outra vez perguntaram-me “o que é uma boa ideia?”. Minha resposta: uma boa ideia é aquela que você acha que é boa.