Literatura para o mercado exterior

25/3/2014 – 20:19h

Brazilian Publishers, projeto da Câmara Brasileira do Livro, é o principal apoio das 39 editoras brasileiras participantes da Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha. Expectativa é de vender US$ 330 mil em livros e direitos autorais.

Capa do catálogo de livros brasileiros selecionados este ano pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil para a Feira de Bolonha

Editoras brasileiras de livros infantis e juvenis apostam na Feira Internacional de Bolonha, que está sendo realizada até o dia 27, na Itália, para expandir seus negócios. A expectativa da Câmara Brasileira do Livro (CBL) é que sejam vendidos US$ 330 mil em livros e direitos autorais. Em 2013, foram negociados na feira, pelo mercado brasileiro, US$ 273 mil. Em todo o país, o volume de exportações do setor aumentou 143% em três anos. Números da CBL, que consideram 66 editoras integrantes do projeto Brazilian Publishers (BP), da câmara, junto com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex), mostram que as vendas saltaram de US$ 495 mil, em 2010, para US$ 1,2 milhão, em 2012. Tradicionalmente, as nações que mais importam a literatura brasileira são Portugal, o México e a Argentina.

Desde o início do projeto Brazilian Publishers, em 2008, os principais destinos dos livros brasileiros foram a Alemanha, Argentina, Angola, o México, a Colômbia, Portugal, o Japão, Peru e os Estados Unidos. Os países mais interessados no direito autoral brasileiro foram a Coreia do Sul, Itália, Argentina, o Reino Unido, os Estados Unidos, o México, Portugal, a Espanha e Colômbia. Para concorrer no mercado editorial mundial, os escritores precisam respeitar vários fatores, destaca Karine Pansa, presidenta da CBL. “O livro tem que ser internacional a ponto de não ter preconceitos locais ou regionalismos. Se quiser vender um livro, por exemplo, na Índia, tem que pensar que lá a vaca é sagrada. Você não pode colocá-la no meio de uma história, em uma festa de churrasco”, disse.

Karine explica que as editoras brasileiras estão presentes, anualmente, em feiras literárias como a de Frankfurt e a de Guadalajara. “Dependendo de como está o mercado, a gente vai se adaptando. No momento, o projeto está focado em vender nessas feiras”. O principal objetivo, acrescentou, é promover a profissionalização do setor. “Cada vez mais, você começa a ver produto nacional no mesmo patamar de qualidade [internacional]. Então, a gente aprendeu a negociar, aprendeu a vender. Um processo que se desenvolveu muito rapidamente”, disse ela. Esta é a sexta participação dos membros do Brazilian Publishers, com 39 editoras dividindo um estande, além das editoras que cresceram e conseguiram montar estande próprio. Em 2013, estavam presentes 17 editoras e, em 2009, quando o projeto começou, foram seis editoras. O investimento para 2014 foi estimado em R$ 340 mil.

Editoras presentes em Bolonha

A Editora Melhoramentos é a mais antiga participante brasileira da feira de Bolonha. Neste ano, está comercializando direitos autorais de cerca de 40 títulos, entre eles, Flicts, Benjamin, Poemas com Desenhos e Música, O Meu Pé de Laranja Lima, Sonhos em Amarelo, O Menino Quadradinho e Dima, o Passarinho que Criou o Mundo. Mas a grande expectativa da editora é o lançamento, em Bolonha, do livro Sonhos em Amarelo, de Luiz Antonio Aguiar, pela editora italiana Giunti. “Esta feira é uma das principais fontes para negociarmos direitos autorais, observar as tendências do mercado global e conhecer novos autores e ilustradores”, destaca Claudia Morales, diretora editorial da Melhoramentos. “E para este trabalho também contamos com o BP, que tem contribuído sobremaneira na infraestrutura de apoio às empresas que já atuavam no exterior, bem como na capacitação daquelas que não possuem esta experiência”, destaca.

Este é o caso da Editora Dedo de Prosa que participa, pela primeira vez, da Feira de Bolonha. “Inauguramos nossa participação em feiras internacionais no ano passado, em Frankfurt, para conhecer o mercado externo”, diz Sílvia Dinucci Fernandes, da Coordenação Editorial e Direitos Estrangeiros.  Ela conta que a Dedo de Prosa não estaria presente nas feiras sem o apoio do BP. “Nossa editora é recente e ainda muito pequena. Temos 11 títulos publicados e esta é uma oportunidade única de expor nossas obras, conhecer novos profissionais, além de estarmos ao lado de grandes editoras brasileiras”, observa Sílvia Fernandes.

Também estreante em Bolonha, a Editora Napoleão decidiu estar presente na feira da Itália para conhecer melhor o mercado de livros infantis. O objetivo é tanto vender quanto comprar direitos autorais. A Ledur Serviços Editoriais  também participa pela primeira vez desta feira e, segundo Rudimar Bernardes, gestor Comercial e de Marketing, a expectativa é conhecer o mercado internacional e apresentar títulos da editora, como o Dicionário Psicológico para Crianças, a Aventura dos Bichos, A Viagem dos Bichos e a A Tabuada na Ponta dos Dedos.

Pela primeira vez em Bolonha, a Editora Peirópolis decidiu participar da Feira por conta da homenagem ao Brasil. A maior parte do catálogo da editora estará disponível para a venda de direitos autorais. Sergio Alves, gerente editorial de Literatura Infantil e Juvenil e Paradidáticos da Editora Lafonte, diz que a editora tem olhado o mercado internacional com muito cuidado e interesse. Estamos investindo agora para colher resultados consistentes no futuro”, diz o gerente sobre sua expectativa com Feira de Bolonha.

A Mauricio de Sousa Editora também optou, este ano, por integrar o estande coletivo do BP na Feira de Bolonha. Tradicionalmente, ela participava com estande próprio, mas desta vez quiz estar junto com outras editoras para reforçar a imagem do país, que é o homenageado do evento. A Mauricio de Sousa Editora, que no ano passado vendeu dois milhões de exemplares e dobrou o faturamento, está bastante otimista com o mercado. Na Feira de Bolonha está divulgando e comercializando direitos autorais da Turma da Mônica, além de vários outros títulos.

Outra editora que quer aproveitar a homenagem ao país é a Panda Books. “Nosso catálogo tem 96 obras, entre literatura infantil e juvenil. Como o Brasil é o convidado de honra, acredito que haverá mais interesse das editoras estrangeiras em nossa produção”, avalia a sócia-diretora Tatiana Fulas.

Para a Editora SM, o mercado de livros está bastante aquecido e a literatura infantojuvenil vem sendo valorizada, novas casas editoriais estão surgindo e o mercado internacional está de olho no Brasil como um grande nicho de oportunidades neste segmento. “Esta é uma excelente oportunidade de apresentarmos o catálogo de autores brasileiros para potenciais negociações de direitos autorais”, diz otimista Mariana Zanácoli, da área de Marketing e Eventos. As editoras Ática e Scipione também direcionarão seu foco de atuação ao licenciamento de direitos autorais para publicação no exterior.

A FTD apresenta na Feira de Bolonha 37 obras de seu novo catálogo internacional. Entre elas, está o livro infantil A ilha do Crocodilo, terceiro colocado em sua categoria no Prêmio Jabuti 2013. Associada ao projeto Brazilian Publishers há cinco anos, a editora estará presente no estando coletivo do BP. “Nesses anos, temos acompanhado a contribuição do projeto no reconhecimento e profissionalização de venda e prospecção de negócios”, avalia Tassia R. S. Oliveira, da área de Projetos Especiais e Literatura.

Grandes são as expectativas da Editora Cuca Fresca com a Feira de Bolonha. Segundo Marta Astroarte, gerente de Direitos Estrangeiros, as publicações brasileiras estão no centro das atenções de agentes, editores e distribuidores estrangeiros. Entre as obras que a editora levará à feira, estão Animais de Nossa Terra, Brincar de Verdade, Maricota e Cocota, Casa de Vó é Gostoso que Só e Futebol de A a Z – para ler e jogar.

A Companhia Editora Nacional gostou muito da experiência de participar do estande coletivo do BP na Feira de Frankfurt do ano passado e, agora na feira de Bolonha, irá repetir a experiência. “Foi muito gratificante ver nossos livros expostos, os contatos que fizemos foram muito bons e o trabalho da CBL foi excepcional. A oportunidade de poder participar das feiras internacionais é excelente e estar no estande coletivo, juntamente com outras editoras, nos dá uma visibilidade ainda maior”, observa Silvia Tocci Masini, diretora Editorial Adjunta. De acordo com ela, as obras que estão sendo enviadas para a feira têm boas possibilidades de vendas de direitos autorais.

O trabalho de prospecção da Editora Viajante do Tempo está a todo o vapor. “Estamos em contato com várias editoras e esperamos boas negociações com empresas da América do Sul e da Ásia”, diz a editora Regina Gonçalves. “Há discussões em andamento, com boas possibilidades de venda para uma editora na China, de nossa série Caio Zip, o viajante do Tempo, informa. Já a expectativa da Brinque-Book Editora de Livros é divulgar a marca internacionalmente.

A Companhia das Letras fez uma seleção de cerca de 20 títulos com apelo internacional para a Feira de Bolonha, entre obras lançadas recentemente e clássicos do catálogo. Segundo a editora, o segmento de livros infantis e juvenis vem ganhando maior destaque em todos os espaços, seja na mídia, mercado, escolas e governo. A Cosac Naify participa todos os anos da Feira de Bolonha, tanto para vender quanto para adquirir diretos autorais. Este ano, a editora estará mais focada na venda de direitos autorais.

Com Agência Brasil