Internet e literatura

Espetáculo cênico musical “Crianceiras”, inspirado nas obras do poeta Manoel de Barros, que faz parte da programação dedicada ao público infantil pela Bienal de Brasília – Foto: Divulgação

14/4/2014 – 19:35h

A internet tem sido celebrada como espaço democrático de divulgação de trabalhos literários. Através de blogs, redes sociais e outras plataformas, jovens autores têm conseguido publicar seus trabalhos e, muitas vezes, conquistar editoras para levar a obra ao formato de livro impresso. Mas a amplitude da internet interfere também na estética da literatura? Esta e outras questões estiveram em foco no debate A internet e os espaços democráticos, que na tarde do domingo, dia 13/4, reuniu os escritores Daniel Galera (RS), Joca Terron (MT), Alexandre Marino e André Giusti (ambos do DF) para um debate na 2ª Bienal do Livro e Literatura de Brasília, que será realizada até o dia 21.

A conversa começou com o depoimento do jornalista e escritor André Giusti, que relatou a experiência de cinco anos com um blog no qual publica seu trabalho. “Todo dia, coloco um poema e já tive até 60 curtidas numa só poesia”, contou.

O escritor Joca Terron, ao contrário, começou a publicar em 1998, portanto, quatro anos antes do efeito blogger chegar ao Brasil. “Imediatamente aderi”, revelou. Na época, Terron  já tinha vivido a experiência de publicar em fanzines. “Mas no blog eu sentia imensa liberdade de publicar textos em prosa de forma descompromissada de qualquer ideia de publicação, desprovido de ambição, a não ser fazer experiências com a linguagem”.

Para o escritor mato-grossense, a possibilidade de ter os textos comentados por outros internautas lhe deu a medida do que acredita ser a literatura, um processo coletivo. No entanto, Joca Terron faz suas ressalvas: “Hoje, a comunicação é bem mais intensa, mas me parece que a gente vive um grande processo em que muita gente fala e pouca gente ouve. Estamos numa espécie de Torre de Babel, com um processo de repetição que retira o interesse pela literatura”, confessou. Segundo ele, plataformas como o Facebook são contrárias à literatura de uma forma mais profunda: “Ler um romance te faz mergulhar num tempo que te tira da urgência da web”.

O jornalista e escritor mineiro-brasiliense Alexandre Marino relembrou o tempo do começo de sua carreira, quando ainda escrevia na Revista Protótipo, de contos e poesias, uma publicação feita ainda no mimeógrafo, mas que alcançou repercussão nacional. Só veio a criar um site quando tinha já três livros publicados. “É um veículo incrível, de alcance muito maior, que permite e facilita a impressão de livros. Mas que literatura a velocidade da internet vai criar daqui a alguns anos? Afinal, a poesia não exige a sua velocidade e sim a sua concentração”.

O gaúcho Daniel Galera tinha 16 anos de idade quando a internet começou a se popularizar, portanto, para ele, não existe prática de literatura sem a internet. E ele tem escrito muito: quatro romances e um livro de contos. Galera comentou as previsões feitas quando do advento da internet, de que a rede iria mudar a literatura. “Decretou-se a morte do romance e que o conto seria o gênero dominante”, lembrou. “Acreditava-se que a literatura incorporaria a velocidade da época, incluiria links em sua narrativa. Hoje, já com 15, 16 anos de perspectiva, está claro que isso não existiu. A literatura ainda é a mesma, não houve uma revolução em termos estéticos e sim de difusão. As novas tecnologias consolidaram a revolução da difusão. E essa é a revolução mais importante da internet para a literatura”.

ABC da infância com livros

13/4/2014 – 20:25h

Durante o processo de alfabetização das crianças, incentivar a leitura é fundamental para o bom desenvolvimento.

Para bebês e crianças que ainda estão aprendendo a falar, os melhores livros são os que chamam a atenção com sonoras e texturas diferenciadas como a coleção “Livro Fantoche” da Editora Vale das Letras

Antigamente, quando se falava no processo de alfabetização e letramento, imediatamente se pensava em aprender a ler e escrever, isto é, decodificar o código linguístico. Mas, com o passar do tempo, a função foi ampliada na busca de encontrar sentido nas palavras e conhecimentos necessários para o exercício da prática da leitura e os livros se tornaram ferramenta de extrema importância.

Na fase de alfabetização e letramento, as crianças ficam curiosas diante de um mundo desconhecido, cheio de possibilidades, fantasias e conhecimentos. De acordo coma a pedagoga da Editora Vale das Letras, Adriana Battisti, é principalmente nessa fase que os pais e educadores precisam encontrar diversas maneiras de estimular a alfabetização utilizando os recursos propícios ao perfil de cada criança. “O livro de literatura infantil é um recurso essencial nesse processo, pois permite que a criança tenha um encontro prazeroso com o mundo das letras, preparando-a para descobri-lo”, explica.

Battisti destaca que quando a alfabetização e a literatura são abordadas, rapidamente se chega ao letramento, ou seja, ao exercício contínuo e integrado das práticas de leitura e escrita dentro da sociedade. O letramento acontece com a interação da criança e da cultura em que vive. Portanto, o objetivo não se limita a oferecer somente informações ou apenas a ler e escrever, mas saber fazer uso das informações de forma crítica e autônoma. “A partir de atividades de letramento é possível desenvolver habilidades e conhecimentos que tornem a criança mais ativa, participativa, reflexiva e autônoma.”

Durante o processo de alfabetização, é fundamental que o contato com a leitura seja prazeroso. Quando os pais conseguem inserir na vida diária situações agradáveis envolvendo os livros de história, a criança se apaixona por esse universo desconhecido. Battisti dá a dica de como usar o livro para trabalhar em casa o aprendizado da leitura e escrita: “Ao ler um livro, os pais podem escolher palavras que a criança domina e pedir para que ela a leia. Outra maneira é escolher de três a cinco palavras de um livro, copiá-las numa folha e pendurar na geladeira. Então, de vez em quando, questionar com a criança sobre as tais palavras. “O que está escrito?”, “Quem escreveu?”, “Onde elas estavam escritas?”.”

Aproximação com os livros

Existem inúmeras formas de incentivar as crianças a se interessarem por livros, e que devem ser feitas, principalmente, durante o processo de alfabetização e letramento. Confira algumas dicas e ideias da pedagoga:

– Para a leitura ter significado para a criança é necessário que ela tenha seus pais como exemplos, ou seja, veja seus pais lendo revistas, jornais, livros, propagandas, receitas, bulas e etc.
-Desde bebê os pais devem ler diariamente histórias para seu filho. Criança ama ouvir histórias e o tempo de aconchego nos braços dos pais ouvindo faz com que ela desenvolva vínculo positivo com o universo das letras.
– Presenteie a criança com livros em datas comemorativas, como aniversário, Natal e Dia das Crianças.
– Leve a criança em livrarias e bibliotecas para que se familiarize com outros acervos literários e escolha o livro que deseja comprar ou alugar.
– Desenvolva atividades a partir da leitura de um livro. Por exemplo: após ler uma história com o tema praia (menina que colecionava conchas), planeje um passeio na praia para vocês coletarem conchas.
– Transforme uma história lida em uma peça teatral. Os pais e o filho se transformam nos atores principais com atém mesmo improvisação de figurino. É diversão garantida!
– Após lerem um livro, faça uma aula de artes onde cada membro da família deve desenhar uma parte da história.
– Proponha à criança a dramatização de uma das histórias lidas e depois a incentive a apresentá-la para os avós, tios ou primos. Imagine a alegria que os avós sentirão ao verem seu neto faz um teatro só para eles. É uma maneira singela de honrá-los e, com certeza, a criança será valorizada pelos elogios que receberão.
– Procure usar a leitura no dia a dia ressaltando sua importância. Leia uma placa e demonstre surpresa com a informação destacando o quanto aquela informação foi útil para você.
– Crie uma mini biblioteca em sua casa (pode ser num pequeno canto da sala ou do quarto). Assim a criança perceberá que os livros são valorizados pelos pais e que devem ser bem cuidados e conservados. Além disso, sempre que ela quiser um livro saberá onde encontrar.
– Mesmo que a criança ainda não saiba ler, estimule-a a fazer o relato oral da história a partir das figuras. Escolha um bom livro e planeje uma apresentação para o pai ou irmãos.
– Quando a criança já estiver lendo, leia um livro em família. Cada dia um de vocês lê uma parte ou fazem a leitura intercalada num mesmo dia.

Observe na capa deste livro que o personagem principal da história, o animal, está em forma de fantoche

Literatura na escola

11/4/2014 – 19:18h

Assim como o Blog do Galeno, o Blog Conta uma História também está apoiando uma iniciativa muito oportuna da Associação de Leitura do Brasil que incentiva a leitura do e-book Literatura na Escola e, através dele, mostra a importância não apenas de ter livros nas escolas mas também professores-leitores.

Galeno Amorim

Livros são essenciais nas políticas públicas de leitura. Mas escolas boas requerem educadores bem formados. Convencida disso, a Associação de Leitura do Brasil (ALB) está ajudando a propagar – o Blog do Galeno também! – o livro “Literatura na Escola: da concepção à mediação do PNBE”, de Flávia Brocchetto Ramos.

Diz a ALB:”uma política pública não pode alcançar êxito apenas com a distribuição de livros às escolas; é necessário também que se formem professores-leitores, capazes de instrumentalizar os estudantes para a vivência da leitura autônoma de obras literárias, respeitando as especificidades do gênero literário em questão.

As estratégias mencionadas pelas escolas para apresentar o acervo recebido sinalizam um grande potencial de incentivo à leitura. Entretanto, não é evidenciada uma articulação entre os diferentes segmentos responsáveis pela educação como também pelos mediadores de leitura. Se há apenas divulgação entre alunos, como os professores poderão planejar atividades com o acervo? E se a divulgação ocorre apenas entre docentes, como incentivar a autonomia de
escolha pelos alunos?

Daí a importância da divulgação para toda a comunidade escolar e o caráter essencial da integração entre o trabalho do professor
das turmas e daquele que atua na biblioteca. Como muitas escolas possuem recursos humanos e financeiros escassos, constatamos a necessidade de articulação entre os diversos governos (federal, estaduais e municipais), a fim de planejar estratégias de capacitação profissional que auxilie a construção de ações eficientes, nesse caso, para a leitura literária.

Para quem quiser baixar o livro citado em formato de eBook, de graça, eis o endereço:
http://www.ucs.br/site/midia/arquivos/literatura_escola_ebook_2.pdf

De volta com o “Mágico de OZ”

9/4/2014 – 21:05h

A Primavera dos Livros de São Paulo começa amanhã e vai do dia 10 até 13, nos jardins da Praça Dom José Gaspar, no centro de São Paulo. A programação conta com diversas atividades como palestras, debates, lançamentos, ações interativas e uma programação especial para o público infantil.

O evento é promovido pela Libre (Liga Brasileira de Editoras) em prol da bibliodiversidade e da edição independente. A entrada da Primavera dos Livros é franca e as editoras fornecerão até 50% de desconto nas vendas.

Muitos serão os lançamentos de livros e, aqui, vamos comentar o que vai acontecer no dia 12, através da editora carioca Vermelho Marinho: o clássico mundial da virada do século XX, “O Mágico de OZ”. Na Primavera dos Livros serão lançados “O Maravilhoso Mágico de Oz” e “A Maravilhosa Terra de Oz”, volumes 1 e 2 da série de L. Frank Baum.

Ao todo são 14 volumes. O terceiro volume, “Ozma de Oz”, também já está sendo anunciado pela editora e brevemente vai chegar ao mercado.

Os dois volumes da série foram traduzidos por Carol Chiovatto, escritora e publicitária, que comenta a respeito da obra: “O Mágico de Oz dispensa apresentações, não é? O que boa parte das pessoas não sabe é que o autor, L. Frank Baum, fez tanto sucesso (especialmente após a adaptação teatral), que recebeu milhares e milhares de cartinhas de crianças pedindo mais aventuras. Bem, ele escreveu A Maravilhosa Terra de Oz (o segundo volume da série). Como continuou recebendo cartinhas pedindo mais e escreveu outros doze livros depois”.

A edição da Vermelho conta com ilustrações da Dandi (que fez a capa), posfácio de Bruno Anselmi Matangrano, diagramação de Marcelo Amado. Segundo Carol, o lançamento duplo dos dois primeiros volumes da série Mundo de Oz marca também o lançamento de “O Melhor de Cada Tempo”, coleção de clássicos da Editora Vermelho Marinho, cujos diretores são Bruno Anselmi Matangrano e Annie Gisele Fernandes.

“Os vestidos de Frida”

8/4/2014 – 19:12h

A história da mexicana Frida Kahlo, em especial sua estética pessoal e estilo de vestir, gerou um projeto interessante que, atualmente, demanda por patrocínio para cair no mercado.

“Os vestidos de Frida” é um livro infanto-juvenil, escrito por Christine Azzi e ilustrado por Juliana Fiorese que, de forma lúdica e educativa, tem tudo para despertar o interesse das crianças pela arte e pela cultura através da história da pintora, suas obras e sua relação com a moda. “As roupas de Frida refletiam seu pensamento estético e político, compondo uma extensão de sua fala e de sua arte”, afirma Christine.

“Frida criou, em sua arte, um estilo excêntrico e marcante, pleno de cores vibrantes e imagens simbólicas, que se refletiu também em seu vestuário. Para a artista, as roupas eram uma forma de se comunicar e mostrar ao mundo o que ela pensava. As roupas e a arte de Frida se misturavam, pois ambos eram sua forma de expressão e de criatividade. Como grande parte de sua obra é composta de autorretratos, o vestuário de Frida ganha destaque, seja através de seus vestidos étnicos, suas jóias artesanais ou mesmo de seus incríveis penteados”.

Frida passou por acidentes trágicos, ao longo de sua vida, que afetaram seu corpo. E, por isso, se tornou um símbolo de força, de resistência e de criatividade diante dos problemas. “Os vestidos de Frida” é um convite ao leitor para entrar na vida, na obra e no armário de Frida Kahlo.

O projeto do livro está disponível na internet, na forma de blog Catarse em http://catarse.me/pt/osvestidosdefrida e como página no Facebook  https://www.facebook.com/pages/Os-vestidos-de-Frida/355861054556699 . Falta pouco para as produtoras alcançarem a cifra que precisam para colocarem em prática este projeto. Quem quiser contribuir vai encontrar todas as informações nos endereços de internet que estamos divulgando.

Pólen lança seus primeiros títulos

7/4/2014 – 21:04h

Em 23 de abril, em São Paulo, o lançamento de três títulos marca a inauguração da Pólen Livros, uma editora independente, que deseja provocar os leitores com livros instigantes, voltados a promover a reflexão e a contribuir para uma sociedade brasileira livre de preconceitos, com um olhar crítico e de valorização do ser humano.

Para cumprir essa missão, a Pólen Livros parte dos 13 anos de experiência da Pólen Editorial na prestação de serviços para editoras como Summus, Publifolha, Larousse, Globo, Mundo Cristão, HSM, Ática, Abril, entre outras, em todas as etapas do processo de criação e produção editorial – do desenvolvimento de conteúdo inédito à tradução e à criação de projetos gráficos, passando pela diagramação, preparação de texto e revisão.

Com uma equipe apaixonada por livros e cultura, a Pólen Livros acredita que é possível reinventar a maneira de trabalhar os títulos, de forma mais próxima dos autores, com ênfase nos recursos atuais das redes sociais. A intenção é explorar a internet para construir uma ponte sólida entre autores, livros e seu público.

A editora pretende promover uma série de lançamentos e eventos com os autores e enfatiza a venda por seu próprio site, que em breve estará no ar.  São três as linhas editoriais:

Selo Lizbélula: livros infantis que têm algo a dizer. Uma aposta em novos autores e ilustradores de obras infantis com alta qualidade gráfica e conteúdo provocativo, irreverente, poético, atual.

Selo Casa de Héstia: livros de ficção e não ficção que abordam questões do feminino – de culinária saudável a grandes discussões sobre direitos humanos, especialmente os de gênero.

Selo Frátria: A língua portuguesa como fonte de inspiração, expressão e deleite estético. A língua-amiga, a língua-irmã, língua frátria.

Os lançamentos

“Joãozinho Quero-Quero”, dos publicitários Lúcio Goldfarb e Pedro Menezes, é o livro de estreia da dupla de redator e ilustrador e conta a história de um menino que quer tudo; “O legado das deusas”, da psicóloga Cristina Balieiro, apresenta 20 mitos de deusas das mais diversas tradições culturais, a partir das quais a autora discute aspectos do princípio feminino e “Manifesto do Sonhador”, da poeta, pintora e escultora Regina Gulla, apresenta essa figura que está em dentro de cada um de nós, mas do qual muitas vezes nos esquecemos: o sonhador. Com aquarelas da própria autora, o livro é todo ilustrado – um presente delicado e inesquecível.

O livro infantil “Joãozinho Quero-Quero” conta a história de um menino muito legal. Ele gosta de todas as coisas que uma criança costuma gostar, mas principalmente de brinquedos. Seus pais trabalham muito e, sempre que percebem Joãozinho um pouco triste, tratam de dar a ele algum presente. Só que com o menino acontece uma coisa engraçada: seus brinquedos só são legais no começo, depois de um tempo acabam todos esquecidos pelos cantos. Até que um dia a família vai passar as férias no sítio da prima Rita e, nesse novo mundo, Joãozinho descobre que também pode existir muita diversão longe dos botões, luzes, pilhas e controles remotos de seus brinquedos. Em companhia da prima, o menino percebe que mais legal do que ter brinquedos é brincar.

O livro serve como alerta a pais e filhos sobre o problema do consumo excessivo e propõe, de forma divertida e leve, que a família crie momentos de qualidade para que todos possam brincar juntos.

Os lançamentos estarão à venda no site da editora a partir da data do lançamento.  Informações: 11 3675-6077

Por dentro do livro

6/4/2014 – 20:32h

Escola do Livro está com as inscrições abertas para o curso “Do Original ao Livro – Práticas do Processo Editorial”

Como é a produção de um livro? Esta pergunta a gente está sempre ouvindo de leitores de todas as idades e de profissionais que querem desvendar os segredos deste tipo de produção. Por isso, acho importante informar que a Escola do Livro, programa da Câmara Brasileira do Livro (CBL), está com inscrições abertas para o curso “Práticas do Processo Editorial”, que será ministrado no dia 24/04, das 10h00 às 18h00, por três palestrantes, Agnaldo Lima (administrador de Empresas e pós-graduado em Gestão de Marketing, tem mais de 20 anos de experiência no mercado editorial), Fernando Alves (consultor editorial, editor, tradutor e redator ) e Pedro Almeida (atua em gestão de editoras de pequeno e médio portes e como publisher em editoras de grande porte, nas áreas de ficção, não ficção e autoajuda).

O curso irá abordar, em três blocos, as etapas de uma produção editorial. No primeiro bloco, será demonstrado como avaliar a originalidade do projeto e a importância do autor no contexto do trabalho. Já no segundo bloco, tanto questões burocráticas do projeto quanto as práticas serão abordadas, como a realização de um contrato, os cuidados com a tradução e a preparação do texto, qual o projeto gráfico ideal, como selecionar a gráfica, entre outras. No terceiro e último bloco do curso, o objetivo é mostrar a importância das áreas de Marketing e Venda e outras ferramentas de comunicação na fase de distribuição do livro.

Os interessados em fazer o curso, e que forem associados da CBL, farão um investimento de R$ 250,00; para os associados de entidades congêneres, professores e estudantes o valor é de R$ 400,00; não associados pagam R$ 500,00. Consulte sobre parcelamento em três vezes no cartão de crédito. O curso será realizado na sede da Câmara Brasileira do Livro, localizada à Rua Cristiano Viana, 91 – Pinheiros – São Paulo/SP. Mais informações podem ser obtidas pelo e-mail escoladolivro@cbl.org.br ou pelo telefone (11) 3069-1300.

Bagagem da Feira de Bolonha

4/4/2014 – 20:49h

A Revista “Crescer” perguntou aos escritores e ilustradores brasileiros que foram à Feira do Livro Infantil de Bolonha (foto), realizada durante a semana passada, na Itália, quais livros eles adquiriram e colocaram na bagagem de volta ao Brasil. Afinal, foi a primeira edição em que uma livraria é montada para vender as obras expostas nos estandes.

A lista ajuda a mostrar o pensamento dos artistas brasileiros, suas influências e é uma ótima indicação de literatura para dar para os filhos. Mesmo que elas sejam em outras línguas, não há barreiras para inventar histórias a partir das imagens – e os sites de compras estão aí para facilitar muitas dessas aquisições agora ou assim que forem lançadas.

A autora Marilda Castanha vai colocar na mala Henri é Matisse e io… chi sono?, um presente da autora Eva Montanari. Mas também levará Um Leone a Parigi (de Beatrice Alemagna), que queria comprar há bastante tempo. “É um livro que me arrebatou desde a primeira vez que vi e não pode faltar na minha estante.” Ela também comprou Le Ballon Rouge, um livro de imagens, por causa da narrativa. “Todos os livros, de certa forma, são para consulta, para ter mais ousadia nessa volta para casa”.
Eva Furnari também levará sacolas de livros para casa. Alguns, ela sequer consegue ler o título, pois os caracteres são indecifráveis para ocidentais. Outros são no idioma natal de Eva, que é italiana, mas criada no Brasil, como o Cimpa la Parola Misteriosa, de Catarina Sobral. “Escolhi livros pela imagem, só coisas que me alimentam e me levam, talvez, a modificar meu trabalho ou ter ideias ou estéticas que me acrescentam algo”, conta. Outro critério que Eva adotou para escolher o que levar foi perguntar o que as crianças estavam lendo e comprando. Além disso, ela adquiriu obras do leste europeu, mais difíceis de encontrar em sites de compras de livros.
O casal de autores Stela Barbieri e Fernando Vilela chegará ao Brasil com mais de 30 livros adquiridos na Feira de Bolonha. Entre seus principais achados, eles destacam La Chica de Polvo, de Jung Yumi, que ganhou o Bologna Ragazzi Award categoria New Horizons, Coleurs du Jour, de Kveta Pacovska, e Fiume Lento un Viaggio Lungo il Po, de Alessandro Sanna. “Para a gente, tem uma coisa do livro como obra de arte. Procuramos obras com recursos gráficos, intencionalidade de cores, os recursos usados para contar as histórias”, explica Stela.
O ilustrador Eloar Guazzelli levará na bagagem o livro Minhas Primeiras 80 mil Palavras, da editora espanhola Media Vaca. A obra é um apanhado das palavras favoritas de 333 artistas de 33 países.

O cartunista e autor infantil Dálcio Machado veio com um objetivo: levar todos os livros de Oliver Jeffers e da argentina Isol que não tem em casa. “O Oliver tem uma pegada de cartunista, um humor refinado. E é um bom artista plástico, ele pega tudo o que sabe de trabalho acadêmico e simplifica para o desenho infantil. É uma simplicidade enganadora”, explica Dálcio. Sobre o trabalho de Isol, ele diz que já gostava dela desde quando era só música, mas que ficou encantado depois do livro Ter um Patinho é Útil. “Não é só a história ou o desenho, é a maneira como eles são mostrados, o formato.”
Odilon Moraes saiu da feira cheio de sacolas. Além de ilustrador, ele dá aulas de história do livro ilustrado e procurou raridades como 2 Quadrados, publicado pela MeMo, que é um livro construtivista russo de 1922. “Por conta das aulas, procuro comprar os livros que não têm no Brasil e que nunca vão ter.”

Fonte: Crescer

Viva o livro infantil

1/4/2014 – 19:30h

Em todo o mundo, 2 de abril é o Dia Internacional do Livro Infantil (DILI). Quem comanda esta celebração, desde 1967, é uma entidade chamada Internacional Board on Books for Young People (IBBY), que é representada no Brasil pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Para marcar a data, a cada ano, um país associado ao IBBY fica responsável por escolher uma dupla, de escritor e ilustrador, para a criação de uma mensagem, com texto e imagem. Em 2014, a escolha coube à seção da Irlanda, que elegeu a escritora Siobhán Parkinson para escrever “Carta para as crianças do mundo” e a ilustradora Niamh Sharkey para criar a imagem acima. Ambas residentes na capital Dublin.

Importante lembrar que a escolha de 2 de abril foi para homenagear o grande escritor de livros infantis Hans Christian Andersen, que nasceu neste dia. A mensagem do DILI 2014 propõe uma reflexão sobre a criação de histórias:

Os leitores sempre perguntam aos escritores como é que eles escrevem suas histórias — de onde surgem as ideias? Da minha imaginação, responde o escritor. Ah, sim, poderiam dizer os leitores. Mas onde está a sua imaginação, e do que ela é feita, e todo mundo tem uma?

Bem, diz o escritor, ela está na minha cabeça, é claro; e ela é feita de imagens e palavras e memórias e vestígios de outras histórias e palavras e fragmentos de coisas e melodias e pensamentos e rostos e monstros e formas e palavras e movimentos e palavras e ondas e arabescos e paisagens e palavras e perfumes e sentimentos e cores e rimas e pequenos cliques e sibilos e gostos e explosões de energia e enigmas e brisa e palavras. E tudo fica girando lá dentro e cantando e caleidoscopiando e flutuando e se moldando e sedimentando e coçando a cabeça.

É claro que todo mundo tem uma imaginação: caso contrário, não poderíamos sonhar. Porém, nem todas as imaginações têm as mesmas coisas dentro delas. A imaginação dos cozinheiros provavelmente só tem sabor dentro dela, e a imaginação dos artistas tem principalmente cores e formas. A imaginação dos escritores, no entanto, é quase cheia só de palavras.

A imaginação dos leitores e ouvintes de histórias também é movida por palavras. A imaginação do escritor dá cambalhotas e rodopia e dá forma às ideias e sons e vozes e personagens e eventos em uma história; e a história é feita só de palavras, batalhões de rabiscos manchados pelas páginas.

Aí chega o leitor e os rabiscos ganham vida. Eles ficam na página, ainda parecem batalhões de rabiscos, mas também estão brincando com a imaginação do leitor, e o leitor está agora moldando as palavras giratórias, de modo que a história agora está dentro de sua cabeça, como já esteve na cabeça do escritor.

É por isso que o leitor é tão importante como o escritor para a história. Há apenas um escritor de cada história, mas há centenas ou milhares ou talvez até milhões de leitores, na língua nativa do escritor ou talvez até mesmo em muitas línguas traduzidas. Sem o escritor, a história nunca teria nascido, mas sem todos os milhares de leitores em todo o mundo, a história não viveria todas as vidas que poderia viver.

Todo leitor de uma história tem algo em comum com todos os outros leitores dessa mesma história. Separadamente, e ainda de forma compartilhada, eles recriaram a história do escritor em suas próprias imaginações: um ato que é ao mesmo tempo público e privado, íntimo e coletivo, nacional e internacional. Esse ato pode muito bem ser aquele que os seres humanos fazem melhor.