“Minhas histórias estão ligadas ao sentimento humano”

29/5/2014 – 21:27h

Entrevista

Lúcia Hiratsuka – Escritora e Ilustradora

Rosa Maria: Fale um pouco de sua trajetória profissional.

Lúcia Hiratsuka: Rabisquei no quintal de terra, busquei professores de desenho no interior, não encontrei. Então, vim para São Paulo perto dos 16 anos. Além da faculdade, sempre continuei estudando, não apenas desenho ou técnicas de pintura, fui assistir aulas de Literatura na USP, participava de oficinas de roteiros para cinema, fiquei muito tempo em laboratórios literários, durante um tempo estive num curso de tradução de poesia, que também me ajudou bastante.

RM: Quantos livros já publicou?
LH: Que eu escrevi e ilustrei acho que tenho 20 em catálogo, mas tenho alguns que gostaria de relançar.

RM: E quantos já ilustrou?
LH: Ilustrei também para livros didáticos, por isso não consegui guardar quantidade. Sempre que encontrava um tempo, eu me dedicava aos projetos autorais.

RM: Tem trabalhos fora do Brasil?
LH: Sempre quis ser lida aqui no Brasil. Tem hora que me perguntavam se eu tinha vontade de publicar no Japão e eu respondia, apenas “Os livros de Sayuri”, pois tem a ver com a época em que os imigrantes no Brasil tiveram que esconder seus livros, proibidos de estudar em japonês, uma história inspirada num depoimento da minha mãe.  Foi traduzido e publicado numa revista literária da Universidade de Osaka.  Agora que lancei Orie (Pequena Zahar), história inspirada na infância da minha avó, começo a querer publicar em outros países, em especial na América Latina. Quem sabe chegou o momento? Mas, lembrei que tenho uma, sem palavras, que foi para Equador.

RM: Descreva sua técnica para desenhar e seu estilo de ilustração.
LH: A técnica é uma ferramenta para expressar uma ideia, contar uma história. A partir da essência da história eu busco o material, seja aquarela, grafite, guache ou algo diferente.  O que marca o meu trabalho é o tipo de composição, a predominância de áreas brancas, ou os vazios; gosto da pausa; se for o caso, gosto de marcar os pontos altos de uma narrativa. Tudo faz parte de uma linguagem.

RM: Comente um pouco sobre o Salão do Livro para crianças e jovens, organizado pela FNLIJ e do qual você está participando, no cenário da literatura infantil.
LH: Por ser menor que as Bienais, é muito mais fácil para os leitores se concentrarem nos livros, conhecer cada editora, os catálogos, ouvir autores e especialistas da Literatura Infantojuvenil. Para os autores, um espaço para conversa com leitores, apresentar seus trabalhos, confraternizar com os colegas, trocar ideias.

RM: Seu sobrenome é japonês. A cultura japonesa influencia seu trabalho? De que forma?
LH: Lembro das cantigas, em especial a do entardecer.  Falava dos sinos do templo, da volta pra casa junto com os melros, quando os passarinhos dormiam, as estrelas brilhavam no alto. E quando era lua cheia, minha avó dizia que tinha coelhos lá, fazendo bolinhos. Esses encantos influenciam o meu trabalho. E, se for resumir, acho que as minhas histórias estão ligadas ao sentimento humano, seja lenda, seja ficção.

RM: Após o Salão do Livro, quais são seus planos?
LH: Após o Salão, participo do projeto SESI de Literatura Viva. Vou para quatro cidades do interior de São Paulo. Depois quero me concentrar um pouco nas criações que estão em processo e também dar uma oficina de ilustração e narrativa.

Uma artista encanta

“Eu crio pensando na criança que fui um dia. Esperava minha mãe terminar seus afazeres e ler para mim. Esperava o pai voltar da cidade com um pacote de livro. Eram momentos mágicos”.

29/5/2014 – 20:51h

Lúcia Hiratsuka é o nome da artista. O nome é brasileiro e o sobrenome é japonês. Os trabalhos da escritora e ilustradora são o resultado desta mistura cultural. Os opostos de Ocidente e Oriente se cruzam dentro de Lúcia Hiratsuka e quem vem ganhando com isso é a literatura infantil.

Artista de talento reconhecido no Brasil, ela é um destaque na programação do Salão do Livro para crianças e jovens, que está acontecendo no Rio de Janeiro e lança quatro livros, como autora e ilustradora: “Orie”, Editora Zahar; “Terra costurada com água”, Edições SM; “Na janela do trem”, Editora Cortez; “A venda”, Global Editora.

O blog conversou com Lúcia Hiratsuka, que comentou sobre técnica e estilo de seu trabalho e a influência da infância e do Japão na sua produção literária. Clique à direita na categoria Entrevistas para saber mais sobre a autora.

Participação especial dos ilustradores

Performance de ilustradores é um evento integrante do Salão do Livro

28/5/2014 – 20:18h

Teve início o Salão do Livro para crianças e jovens, que é promovido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) até o dia 8 de junho.

Num espaço especial, o público poderá conferir exposições de ilustradores, entre elas, a do ilustrador Roger Mello, vencedor do prêmio Hans Christian Andersen de 2014, concedido pelo International Board on Books for Young People (IBBY), com indicação da Fundação Nacional do Livro. O Salão FNLIJ apresenta também a exposição sobre os 40 anos do Prêmio FNLIJ, reunindo os mais de 420 livros já premiados pela Fundação em todo esse tempo.

As crianças e jovens poderão ainda se divertir e aprender um pouco mais sobre ilustração por meio das performances de ilustradores. A artista argentina Isol é um dos nomes confirmados, assim como do também argentino Istvansch.

Isol foi vencedora do prêmio ALMA (Astrid Lindgren Memorial Award), concedido pela Suécia e considerado um dos maiores da literatura infantil mundial. A brasileira Lúcia Hiratsuka é outro nome já confirmado. Além desta participação, amanhã e dia 30/5 ela ainda participa de lançamentos de quatro livros.  Acompanhe a programação do 16º Salão FNLIJ do Livro pelo site www.salaofnlij.org.br

Os promotores do Salão

A Seção brasileira do International Board on Books for Young People (IBBY), a FNLIJ é pioneira no país em promover os livros de qualidade para crianças e jovens, defendendo o direito dessa leitura para todos por meio de bibliotecas escolares, públicas e comunitárias. Entre seus valores, está a valorização da leitura e do livro de qualidade; a divulgação da produção brasileira de livros de qualidade para crianças e jovens e, em particular, os livros de literatura e informativos; a contribuição para a formação leitora dos educadores, sejam professores, bibliotecários ou pais; e a valorização da biblioteca da escola e a pública.

Entre suas ações de destaque está a participação da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha e o Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens realizado anualmente, no Rio de Janeiro, desde 1999. É a única feira de livros dedicada exclusivamente a obras de literatura infantil e juvenil, com lançamentos de livros, encontros com autores, performances de ilustradores e um seminário dirigido ao público adulto.

“A literatura, se construída de fantasia, é feita do que não temos. Só fantasiamos sobre o que sonhamos. Fantasiar é noticiar ao mundo que ainda tenho desejos. Fantasiar é festejar a vida”.Bartolomeu Campos de Queirós – “Para Ler em Silêncio”

Seminário debate sobre “A fantasia”

A literatura indígena é tema do segundo dia do Seminário FNLIJ Bartolomeu Campos de Queirós, que acontece durante o 16º Salão do Livro

27/5/2014 – 19:59h

Contagem regressiva para o Salão do Livro para crianças e jovens, que começa dia 28, no Rio. Destaque da programação, o 16º Seminário FNLIJ Bartolomeu Campos de Queirós vai ser realizado entre os dias 2 e 4 de junho e terá “A fantasia” como tema geral. Apoiado pelo Instituto C&A, o encontro tem por objetivo refletir com profissionais e interessados das áreas de educação e cultura a necessidade e a importância  da leitura de livros de qualidade.

O primeiro dia será dedicado à literatura na Argentina. Já no dia 3, ocorre o XI Encontro de Autores Indígenas com o tema “Literatura indígena, a bola da vez” e o terceiro dia, 4 de junho, propõe uma reflexão sobre a literatura por meio de temas tratados no 14º Congresso do IBBY, realizado pela FNLIJ no Rio de Janeiro há 40 anos, em 1974.  As inscrições podem ser feitas através do email seminario@fnlij.org.br.

“Nesse ano em que a FNLIJ comemora o 40º aniversário da realização do 14º Congresso do IBBY no Brasil, cujo tema foi ‘O Livro Como Instrumento na Formação e no Desenvolvimento da Criança e do Jovem’, convidamos a todos que se interessam pela formação de leitores por meio da literatura, professores ou pai,s para participar dessa discussão. Essas e outras ações trouxeram indiscutível repercussão para a o desenvolvimento de nossa literatura infantil e juvenil”, ressalta a secretária-geral da FNLIJ, Elizabeth Serra.

Além da programação dos três dias do seminário, a FNLIJ inaugura no espaço do Salão um momento de Comunicações Acadêmicas para pesquisadores interessados em expor trabalhos sobre “A Fantasia na Literatura”. A iniciativa visa destacar a produção acadêmica sobre a literatura para infância e juventude.

Entre os dias 4 e 6 de junho, pesquisadores farão apresentações de até 10 minutos de suas pesquisas em andamento ou já concluídas sobre o livro infantil, sua criação, produção e promoção; a aproximação criança-livro; a formação e preparação do adulto para fazer a aproximação entre a criança e o livro; o trabalho internacional com o livro infantil. A FNLIJ compõe a comissão científica que irá julgar os trabalhos selecionados.

Lançamentos do Salão do Livro

26/5/2014 – 21:01h

Entre os 170 lançamentos previstos, o 16º Salão do Livro para crianças e jovens, que começa dia 28, no Rio, estão os títulos como os de Ziraldo, “Festa do Pijama”, no dia 31 de maio, às 15h, e “Feio, bonito”, no dia 7 de junho, às 15h. “O tesouro das cantigas para crianças – vol. 1 e 2”, de Ana Maria Machado, também terá lançamento no Salão FNLIJ, no dia 7 de junho, às 16h.

Dia 2 de junho é o momento de o público conhecer a obra de Graça Lima, “Sai da lama, jacaré”, às 13h20m. Rui de Oliveira lança “A Bela e a Fera: conto por imagens”, no dia 3 de junho, às 10h. Já Thalita Rebouças aposta em “Por que só as princesas se dão bem?”, em lançamento que ocorre dia 7 de junho, às 13h. Laurentino Gomes inaugura a adaptação “Lançamento do livro: 1889 – edição juvenil ilustrada”, (foto) no dia 29 de maio, às 13h20m.

A FNLIJ irá lançar o catálogo “A Arte de Ilustrar Livros para Crianças e Jovens no Brasil”, no dia 5 de junho. O livro destaca 120 ilustradores brasileiros e seus trabalhos. A obra, editada pela Fundação, tem como objetivo valorizar a ilustração e os autores que trabalham para crianças e jovens.  O projeto conta com uma lista diversificada de artistas.

O critério de escolha se baseou no livro de Regina Yolanda, de 1977, “O Livro Infantil e Juvenil Brasileiro: Bibliografia de Ilustradores”, nos catálogos produzidos pela própria FNLIJ e na inclusão de artistas de safras mais recentes da ilustração. Sendo assim, o catálogo traz uma divisão em três blocos: ilustradores pioneiros, considerados Hours Concours pela FNLIJ; indicados ao Prêmio Hans Christian Andersen; e ilustradores selecionados para outros prêmios no cenário nacional e internacional.

Salão das crianças e jovens

25/5/2014 – 22:21h

Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, organizado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil, chega à sua 16ª edição com homenagem à Argentina e seminário sobre fantasia. Serão 27 lançamentos de livros de autores como Ziraldo e Thalita Rebouças (na foto), Ana Maria Machado e Laurentino Gomes.

Promover o livro e a leitura como agentes formadores é o principal objetivo do Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, que chega esse ano à 16ª edição, entre os dias 28 de maio e 8 de junho, no Centro de Convenções SulAmérica, no Rio de Janeiro.

Com uma homenagem dedicada à Argentina, o evento contará com o 16º Seminário FNLJ Bartolomeu Campos de Queirós, além de encontros com escritores, lançamentos de títulos, leituras de livros, performances de ilustradores, exposições e palestras com autores e especialistas para o público adulto.

Patrocinado pela Petrobras desde 2001 e com apoio da Prefeitura do Rio, por meio das Secretarias Municipais de Educação e de Cultura, além do Instituto C&A e da Unimed, o Salão FNLIJ terá ainda quatro bibliotecas específicas para cada público, além do Espaço de Leitura e do Espaço do Ilustrador.

A partir de hoje, o blog vai comentar sobre os principais eventos preparados para o Salão.

“Maria e seu sorriso na janela”

23/5/2014 – 19:26h

Caio Riter lança seu primeiro livro pela Editora Gaivota: “Maria e seu sorriso na janela”. Inspirado no poema “As meninas”, de Cecília Meireles, o autor, de maneira sensível e delicada, trabalha com os temas do amor e da perda.

O pequeno Marcelo está sempre andando de skate por aí; a alegria de seu passeio é ver Maria sorrindo, com suas tranças negras esvoaçando pela janela. Tinha vontade de convidar a menina para sair à rua e brincar com ele, mas sempre lhe faltava coragem. Até que um dia não vê mais a menina debruçada na janela…

Com uma linguagem simples e poética, que mostra a perda de Marcelo e o seu arrependimento por nunca ter trocado uma palavra com Maria, o autor Caio Riter consegue sensibilizar o leitor. As ilustrações em tons pastéis do espanhol Rafael Antón contribuem para a beleza do livro, assim como o projeto gráfico, que remete à janela de Maria.

“Maria e seu sorriso na janela” traz a ternura da paixão, ao mesmo tempo em que mostra ao leitor a dura dor da perda.

Novos autores se dedicam às crianças

21/5/2014 – 19:57h

Miriam Leitão, Marina Colasanti, Ferreira Gullar e Adriana Calcanhoto estão entre os vencedores do Prêmio FNLIJ 2014, concedido pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil há 40 anos. A seleção, referente à produção de 2013, contemplou 18 categorias, entre elas, “Poesia”, que teve como premiada Adriana Calcanhoto.

A cantora e compositora é organizadora do livro “Antologia Ilustrada da Poesia Brasileira: Para Crianças de Qualquer Idade”, que reúne poemas de clássicos autores brasileiros. A jornalista Miriam Leitão foi escolhida como escritora revelação, por seu primeiro livro infantil, “A perigosa vida dos passarinhos pequenos: baseada em fatos reais”.

Considerada um dos maiores nomes da literatura, Marina Colasanti foi agraciada na categoria “Criança”, como Hors Concours, com a publicação “Breve história de um pequeno amor”. Também Hors Concours, Karen Acioly venceu na categoria “Teatro”, com o livro “A excêntrica família Silva”.

Ferreira Gullar e Caio Riter foram os premiados da categoria “Criança”, pelas obras “Bichos do Lixo” e “Sete Patinhos na Lagoa”, respectivamente. A cerimônia de entrega dos certificados será no dia 28 de maio, durante abertura do 16º Salão FNLIJ do Livro para Crianças e Jovens, que acontece de 28 de maio a 8 de junho, no Centro de Convenções SulAmerica, no Rio de Janeiro. Para consultar a lista completa de premiados, acesse: www.fnlij.org.br.

Fonte: O Girassol

Panorama da Bienal de SP

20/5/2014 – 18:31h

A Câmara Brasileira do Livro (CBL) e o Sesc-SP apresentaram hoje, no Sesc Vila Mariana, um panorama cultural da 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo, que será realizada de 22 a 31 de agosto próximo. Com o tema Diversão, Cultura e Interatividade – tudo junto e misturado, o evento contou com a presença de profissionais do mercado editorial e parceiros que conheceram as novidades da próxima Bienal do Livro.

Na ocasião, foram apresentados os espaços: Salão de Ideias, Espaço Imaginário, Anfiteatro, Bibliosesc, Escola do Livro, Espaço de Negócios / Brazilian Publishers e Arena Cultural.

A 23ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo já conta com quatro autores internacionais confirmados. São eles: Harlan Coben (sábado 23/8, às 11h) – premiado autor norte-americano, mestre dos romances de mistério e número um na lista de mais vendidos do jornal The New York Times.  Cassandra Clare (sábado, 23/8 e domingo, 24/8 às 14h), a autora da saga Os Instrumentos Mortais. Ken Follett, autor de famosos thrillers, é a terceira confirmação internacional que comporá a programação cultural no sábado, 30/8, às 10h30. A inglesa Sally Gardner, best-seller com mais de 2 milhões de exemplares vendidos, é a quarta escritora que conversará com seus fãs no sábado, 30/8 às 15h.

Mais uma novidade é a realização do 5º Congresso Internacional CBL do Livro Digital, que antecederá a Bienal – dias 21 e 22 de agosto, com o tema Conteúdo em Convergência. Para saber mais sobre a programação acesse os sites: www.bienaldolivrosp.com.br e www.congressodolivrodigital.com.br.

“O espelho das diferenças”

18/5/2014 – 22:39h

João Leonardo era um menino perguntador. Se tinha uma dúvida, perguntava mesmo. E a história do ovo deu pano pra manga. Cresceu, deu cria na cabeça do João e levou-o a muitas outras perguntas, que trouxeram mais dúvidas, que viraram outras tantas perguntas para as quais ele foi buscar as respostas.

A história de João Leonardo é um estímulo para reflexões de natureza filosófica e dá conta de uma necessidade que as crianças também têm: refletir para resolver seus problemas.

Fábio Gai Pereira resgata esta capacidade de reflexão no lançamento de “O espelho das diferenças”, Editora Edelbra. A filosofia na sua expressão mais pura está presente neste livro ilustrado por Martina Schreiner. Bom para fazer pensar. Bom para aprender a buscar respostas e soluções.