“Como encontrar uma linda princesa”

30/6/2014 – 20:01h

Em seu terceiro livro, Ricardo Viveiros retrata uma princesa especial, que enfrenta adversidades e luta pela inclusão no reino.

O jornalista e escritor Ricardo Viveiros lança seu terceiro livro infantojuvenil. Na obra “Como encontrar uma linda princesa” (Editora Gaivota, 32 páginas), ele revela a força da menina que, gentil e delicada como toda garota deve ser, demonstra coragem para enfrentar um problema físico e lutar pela inclusão mesmo em um “reino perfeito”. As ilustrações são assinadas por Alexandre Rampazo.

A história reúne todos os elementos de um reino encantado: terra distante, justos governantes, povo feliz, um mago e uma bruxa em eterno confronto. A princesa, porém, é alguém “especial”. “Além da luta entre o bem e o mal, o livro aborda a superação de um problema físico e o dilema de um casal de reis na preconceituosa torcida entre ter um menino ou uma menina”, comenta o autor.

O livro “O poeta e o passarinho”, o primeiro do autor no gênero, com ilustrações de Rubens Matuck, está na quarta edição e foi um dos selecionados pelo programa do Itaú Social. Viveiros escreveu também “Saudade”, com ilustrações de Zélio Alves Pinto, que também teve grande repercussão de crítica e público.

O autor

Ricardo Viveiros nasceu no Rio de Janeiro em 1950, mas mora em São Paulo desde 1976. Sua infância foi de um típico garoto carioca, brincando na rua, andando de bicicleta, jogando bola, subindo em árvores e namorando. O gosto pelos estudos só era superado pelo encantamento por histórias lidas em livros ou ouvidas dos mais velhos, o que sedimentou o caminho para a carreira de jornalista e escritor. Viveiros trabalhou em jornais, revistas, rádios e TVs, e atuou ainda como ator, professor, diretor de museu, palestrante e produtor artístico. Escreveu 32 livros em vários gêneros, como: Poesia, Reportagem, Biografias, História, Arte, Crônicas além dos já citados infantojuvenis.

O ilustrador

Alexandre Rampazo é formado pela Faculdade de Belas Artes de São Paulo. Atuou por muito tempo como diretor de arte para publicidade e também desenvolveu capas de livros e projetos editoriais. A partir de 2007, passou a se dedicar integralmente à ilustração e à literatura infantil. Rampazo abusa das pinceladas, texturas e colagens. Ele localiza na infância o despertar pelo gosto de desenhar, fazendo suas próprias histórias e as ilustrando. Aos poucos, o que começou como uma brincadeira com amigos ficou sério. Atualmente, ilustra livros próprios e de outros autores.

Indicação de jurados

25/6/2014 – 19:50h

Como ocorre a cada ano, chegou a hora da escolha dos jurados para a 56ª edição do Prêmio Jabuti. Para esta etapa é solicitada a indicação de profissionais, de acordo com as regras dos promotores para a láurea literária. Marisa Lajolo, Curadora, pede a sugestão de profissionais, via internet, de nomes reconhecidos para as diferentes categorias contempladas pelo prêmio. As sugestões deverão ser enviadas até dia 30 de junho de 2014.

O júri deverá ser composto por profissionais habilitados, indicados pelos associados da Câmara Brasileira do Livro e escolhidos pelo Conselho Curador juntamente com a Comissão do Prêmio. Os profissionais indicados para serem jurados não poderão ter vínculo com editora ou obra inscrita em qualquer categoria do prêmio.
As obras inscritas serão analisadas por uma equipe de três jurados especialistas em cada categoria. Os jurados serão responsáveis por selecionar, em duas fases, os vencedores de cada uma das 27 categorias do Prêmio Jabuti 2014.

“Nosso Prêmio Jabuti – o mais prestigioso e prestigiado prêmio da área – se por um lado compartilha o prestígio de que desfruta com o júri que o outorga, também se enriquece com o prestígio e reconhecida competência de seus jurados, o que torna de crucial importância a escolha deles”, afirma Marisa Lajolo.

Afinal, quem descobriu o Brasil?

24/6/2014 – 20:27h

Todo brasileiro que passou pelo ensino formal brasileiro sabe que o descobridor do Brasil foi Pedro Álvares Cabral, certo? Errado, segundo a protagonista e narradora do mais novo título da escritora mineira Nara Vidal. “Pindorama de Sucupira” (Pennina – Mazza Edições) dá voz à índia que relata seu estranhamento ao avistar homens diferentes com nomes esquisitos: Pedro, Manoel, Joaquim.

Nara relata através de Sucupira, o olhar nativo diante de uma invasão que passou para a História com o nome de “descobrimento”. Segundo a autora, natural de Guarani, a ideia do livro é exatamente dar às crianças a possibilidade de perguntas. Questionamentos que podem ocorrer depois de ouvirem um ponto de vista diverso daquele com o qual nos acostumamos.

“Os tais homens de roupa não sabiam muita coisa. Para começar, só conseguiam se comunicar através de gestos e não sabiam nada da nossa língua.”

Se os índios não sabiam muita conta, segundo os portugueses, os portugueses também não era lá tão bem informados, segundo os índios. Exóticos e estranhos para a indiazinha Sucupira, ela conta sobre surpresas vividas por ela, sua família e amigos com a chegada e eventual familiarização dos homens barbudos e malcheirosos.

“Temos muitos relatos sobre a chegada dos portugueses em Pindorama. Mas pouco sabemos sobre o que sentiram os índios, os nativos e donos da terra invadida. Posso imaginar que houve, medo, horror, surpresa, encantamento e acima de tudo, estranhamento. Tentei contar com os olhos simples, mas ricos de uma criança que observa toda a transformação história de forma lúdica. Fico impressionada como sabemos e falamos pouco sobre o nosso povo nativo. É de cortar o coração a forma cruel e humilhante com a qual o nosso país tratou os indígenas. É um capítulo que tráz pena na História do Brasil e que ainda é pouco falado,” acredita Nara.

Mas “Pindorama de Sucupira”, 16 páginas, que veem ilustradas ricamente pela Bruna Assis Brasil, não é uma história de pena e lamentos. Afinal, nós brasileiros perdemos e ganhamos com toda essa movimentação histórica.

“Se pelo menos uma criança questionar o descobrimento através do meu livro, já estou satisfeita. É importante dar a elas ferramentas para observações variadas e de pontos de vista diferentes em relação à invasão portuguesa no século XVI. E essa é a minha ínfima contribuição.”

Minas de Histórias

21/6/2014 – 20:06h

Sandra Franco Bittencourt, Curadora da Programação de Atividades Infantil e Juvenil do Espaço Minas de Histórias da Bienal do Livro de Minas Gerais 2104  (Expominas, de 14 a 23 de novembro), envia o texto abaixo com exclusividade para o blog Conta uma História para revelar suas expectativas em relação ao evento e seus planos para o espaço que vai comandar. Leia:

Foto: Divulgação Trupe Maria Farinha

“Um espaço cheio de histórias e estórias. Um lugar de cantos e contos, imagens, onde palavra tem sons, cor, cheiro, sabores e juntas se misturam. Há um trem, montanhas, rios, ventos, minas, tesouros, passos, pedras, uma boa prosa, nos mostrando a liberdade de estar em Minas de Histórias.

Na Bienal do Livro em Minas Gerais- 2014, no espaço Minas de Histórias, a leitura será tratada, não como obrigação, mas como um objeto de prazer e uma via de inserção no mundo das ideias e das emoções.

Professores, alunos, pais, juntos, poderão descobrir e explorar esse universo infantil/juvenil desde sua interação com o livro e o texto até o teatro, a música e os bonecos. Propondo aos que por ali passarem que a leitura seja cotidiana, intuitiva, pessoal, prazerosa e emocional.

Para concluir, quero dizer que falar sobre a Bienal do Livro de Minas Gerais 2014 no espaço Minas de Histórias (crianças e jovens), significa falar com pessoas que um dia vão nos substituir e que para isso precisarão receber informações de todo o tipo. Mas não apenas isso.

Crianças e jovens são artífices do novo, das ideias que ninguém teve, das concepções que vão suplantar as que temos atualmente. Para tanto elas precisam ter uma formação livre e criativa. Precisam saber lidar com a ambiguidade, precisam aprender a se expressar, precisam aprender a ter a coragem de dizer a palavra nova, o pensamento que ainda nunca foi pensado.

Neste aspecto, a Bienal do Livro de Minas Gerais 2014 no espaço Minas de Histórias pode dar uma grande e insubstituível contribuição.

Sejam bem-vindos!”

Jovem vence o bullying

18/6/2014 – 19:39h

Livro põe o bullying no devido lugar. Em “Dançando com o inimigo”, o escritor, jornalista e ator Vinicius Campos mostra como esta prática assustadora pode ser interrompida numa história que retrata o surgimento de uma bela amizade entre dois jovens que vivem em universos completamente opostos. As ilustrações são de Marcelo Masili.

Até começar a ler o mais recente livro lançado pela Editora Terceiro Nome, pensei que teria em mãos mais uma leitura de crítica ao bullying com um personagem maltratado por amigos ou familiares egoístas, mal educados e violentos. Mas fui surpreendida pela maneira que o autor Vinícius Campos conduziu a história que criou a partir de sua experiência pessoal na infância e agora transformou pela maneira amadurecida de encarar a vida.

Há muitas formas de evitar o bullying e até mesmo de não deixar esta prática se concretizar.  As crianças e os adolescentes precisam saber disso, daí a razão de ser do livro em questão “Dançando com o inimigo”. Nesta história, a arte transformou o agressor e o desprendimento poupou a vítima.

Bruno e Xande são garotos da mesma idade que moram na mesma rua e freqüentam a mesma escola. Só que as semelhanças acabam aí. Bruno pratica balé e tem uma família descontraída que vive da arte no dia a dia: cinema, música, dança e todos sabem festejar a vida.  Já Xande, fã de lutas e artes marciais, mora em uma casa que lembra um quartel onde só se ouve ordens e gritos de guerra.

Mas, um dia, o destino dos dois colegas se cruza e provoca a violência. Como conseqüência, Bruno terá que aprender a gostar de si mesmo do jeito que é e Xande descobrirá como respeitar as diferenças. Apesar da aproximação traumática no início, eles acabam se tornando amigos e ingressando no mundo da tolerância.

Embora seja uma ficção, “Dançando com o inimigo” traz à tona uma realidade ainda muito presente no Brasil e no mundo. “Sofri gozações em uma época em que nem existia a palavra bullying. Então decidi escrever uma história bacana para que menos pessoas sintam na pele esse tipo de brincadeira desagradável e sem sentido”, revela o autor.

Ele acredita que pais, educadores e as próprias crianças e adolescentes, ao receberem o livro, possam conversar naturalmente sobre respeito e tolerância.

Vinicius Campos, brasileiro radicado em Buenos Aires desde 2005, tem livros publicados no Brasil e na Argentina. Também faz palestras para jovens e crianças sobre processo criativo literário.

A cara da Bienal de Minas

13/6/2014 – 18:47h

Mineiro gosta de uma boa história. E pensando nessas “muitas histórias para contar”, é que a Bienal do Livro de Minas Gerais abriu concurso para escolher a identidade visual da sua edição de 2014, marcada para acontecer no Expominas, (Avenida Amazonas, 6.030 – Bairro Gameleira – Belo Horizonte, Minas Gerais), entre os dias 14 e 23 de novembro e com expectativa de reunir mais de 250 mil pessoas e 160 expositores. A vencedora foi a agência carioca Tuut que criou ilustrações que criam “uma conexão com a fantasia presente no universo literário fazendo a ponte com as mais diferentes idades”, como explica Theo Carvalho, diretor da Tuut.

Fonte: PublishNews

Site do duende Lucas

10/6/2014 – 19:58h

O cartunista carioca Léo Valença lançou o site do seu personagem, o duende Lucas e o endereço é www.duendelucas.com.br

Lucas é um duende ecológico que ama e protege as plantas e os animais sempre ajudando a mantê-los saudáveis e felizes. Ele é um defensor da natureza, com um jeito irreverente, perspicaz e com ações totalmente voltadas para a ética, a consciência ecológica e a sustentabilidade.

Lucas busca sensibilizar as crianças e jovens para que adotem atitudes corretas em relação às questões do meio ambiente, da sustentabilidade e uma vida mais saudável. O duende é o personagem principal do livro “Almanaque Ecológico do Lucas”, lançado no final de 2012 por Léo Valença.

O site utiliza uma galeria virtual de cartuns ecológicos que busca conscientizar as crianças sobre questões ligadas ao meio ambiente e podem ser aplicados em atividades pedagógicas, dentro e fora da “sala” de aula. Também podem ser utilizados para passar o conceito de sustentabilidade na educação, estimulando a percepção ambiental, quanto para a discussão de temas diversos e questões atuais, como o respeito à natureza, o aquecimento global, o destino do planeta, poluição, reciclagem.

“A menina que desenhava com amoras”

8/6/2014 – 21:39h

Aqui está um romance, uma ficção, tem como referência fatos reais. O que interessa é explicitar as experiências de uma criança que deseja resgatar os momentos felizes vividos com a família, mas é vencida pelo medo, pânico e solidão em tempo de chumbo no Brasil.

É um implacável desejo de reviver brincadeiras, alegrias e fantasias de sua vida infantil, porém, é bloqueada e atormentada pela tortura que sofreu. Através da ficção, a autora desnuda fatos que se passaram nos porões da Ditadura Militar no Brasil, de 1964 a 1985.

Lançamento: dia 10/6, 19h, na Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa.

Livros e gols

1/6/2014 – 21:05h

Karine Pansa*

Em 1990, quando se iniciou a série histórica das estatísticas relativas ao desempenho do setor editorial brasileiro e, na Copa do Mundo da Itália, a Alemanha Ocidental foi a campeã, nosso país produziu 239,3 milhões de livros e 22,4 mil títulos. Em 1994, ano em que a Seleção Canarinho conquistou o tetra nos gramados dos Estados Unidos, foram 246 milhões de exemplares e 38,2 mil títulos.

Neste 2014 em que o Brasil sedia o maior evento esportivo internacional, já ultrapassamos os 450 milhões de exemplares e nos aproximamos de 60 mil títulos anuais. A evolução dos números aferidos pela FIPE, na Pesquisa de Produção e Vendas do Mercado Editorial, mostra a crescente profissionalização do setor e o avanço na luta para que o País tenha cada vez mais leitores.

Algo importante nesse processo — e daí a analogia que fiz com a Copa do Mundo — é o quanto o mercado editorial deve aproveitar as oportunidades para conquistar mais público. De janeiro a maio de 2014, o volume de títulos relativos à competição e ao futebol cresceu 400% em relação a igual período do ano anterior. Gol de placa, bradariam os locutores esportivos!

Tais estatísticas também suscitam uma ponderação: é preciso diagnosticar, cada vez mais, os temas de ficção e não-ficção que sensibilizam e atraem a atenção do público, inclusive do ponto de vista da segmentação. Nem todos os assuntos são tão óbvios como a Copa do Mundo, mas sempre é possível entender o mercado, perceber suas nuanças, tendências, gostos e possibilidades.

Nesse sentido, pesquisas como Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Instituto Pró-Livro, têm fornecido subsídios ao mercado e até mesmo à formulação de políticas públicas. Em sua última edição, o estudo demonstrou que metade da população brasileira com cinco anos ou mais (cerca de 175 milhões de pessoas) é constituída por leitores tecnicamente definidos como aqueles que leram pelo menos um livro nos últimos três meses.

O dado é positivo por um lado, pois mostra uma sensível evolução, mas também deixa claro haver um imenso espaço de crescimento: ainda precisamos conquistar 50% do mercado em potencial. E é aí que entram oportunidades como a Copa do Mundo, um tema atraente e lúdico para parcela expressiva da população, incluindo as crianças. O sucesso dos álbuns de figurinhas das seleções, verdadeira febre a cada quatro anos, sinaliza uma tendência que não pode ser ignorada. Em 2014, a editora que detém os direitos da FIFA para produzi-los distribuiu 8,5 milhões de exemplares em todo o mundo.

Eventos de tamanha proporção e atratividade, mesmo quando permeados de polêmica, como está ocorrendo com a Copa do Mundo do Brasil, representam oportunidades para a formação de leitores. Numa obra sobre futebol, as pessoas podem descobrir os encantos de um livro, as infinitas possibilidades de aprender, emocionar-se e conhecer lugares como se estivessem viajando. É paixão à primeira vista, que invariavelmente se torna um relacionamento duradouro.

Por isso, mais importantes do que os cinco títulos mundiais da Seleção Brasileira (tomara que ganhemos o sexto em 2014!) são os cerca de 60 mil títulos de livros a que estamos chegando   e quantos mais pudermos produzir nos próximos anos. Para isso, não podemos perder oportunidades de conquistar leitores como as que se apresentam nesta Copa do Mundo. Quando campeões em leitura, seremos quase imbatíveis no campeonato do desenvolvimento.

*Karine Pansa, empresária do setor editorial, é a presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL)