Afinal, quem descobriu o Brasil?

24/6/2014 – 20:27h

Todo brasileiro que passou pelo ensino formal brasileiro sabe que o descobridor do Brasil foi Pedro Álvares Cabral, certo? Errado, segundo a protagonista e narradora do mais novo título da escritora mineira Nara Vidal. “Pindorama de Sucupira” (Pennina – Mazza Edições) dá voz à índia que relata seu estranhamento ao avistar homens diferentes com nomes esquisitos: Pedro, Manoel, Joaquim.

Nara relata através de Sucupira, o olhar nativo diante de uma invasão que passou para a História com o nome de “descobrimento”. Segundo a autora, natural de Guarani, a ideia do livro é exatamente dar às crianças a possibilidade de perguntas. Questionamentos que podem ocorrer depois de ouvirem um ponto de vista diverso daquele com o qual nos acostumamos.

“Os tais homens de roupa não sabiam muita coisa. Para começar, só conseguiam se comunicar através de gestos e não sabiam nada da nossa língua.”

Se os índios não sabiam muita conta, segundo os portugueses, os portugueses também não era lá tão bem informados, segundo os índios. Exóticos e estranhos para a indiazinha Sucupira, ela conta sobre surpresas vividas por ela, sua família e amigos com a chegada e eventual familiarização dos homens barbudos e malcheirosos.

“Temos muitos relatos sobre a chegada dos portugueses em Pindorama. Mas pouco sabemos sobre o que sentiram os índios, os nativos e donos da terra invadida. Posso imaginar que houve, medo, horror, surpresa, encantamento e acima de tudo, estranhamento. Tentei contar com os olhos simples, mas ricos de uma criança que observa toda a transformação história de forma lúdica. Fico impressionada como sabemos e falamos pouco sobre o nosso povo nativo. É de cortar o coração a forma cruel e humilhante com a qual o nosso país tratou os indígenas. É um capítulo que tráz pena na História do Brasil e que ainda é pouco falado,” acredita Nara.

Mas “Pindorama de Sucupira”, 16 páginas, que veem ilustradas ricamente pela Bruna Assis Brasil, não é uma história de pena e lamentos. Afinal, nós brasileiros perdemos e ganhamos com toda essa movimentação histórica.

“Se pelo menos uma criança questionar o descobrimento através do meu livro, já estou satisfeita. É importante dar a elas ferramentas para observações variadas e de pontos de vista diferentes em relação à invasão portuguesa no século XVI. E essa é a minha ínfima contribuição.”