O retorno de uma obra inesquecível

29/7/2014 – 19:16h

Há gerações, o livro “As mais belas histórias”, escrito pela educadora Lúcia Monteiro Casasanta (1908-1989), encanta os pequenos leitores. Tanto que, na vida adulta, eles ainda se recordam de muitas das histórias e até mesmo da capa do livro, desejando que seus filhos ou alunos também possam ter a mesma oportunidade de leitura. São raras as obras que conseguem esta façanha.

A de Lúcia Casasanta foi adotada principalmente nas escolas públicas, em quatro volumes, sendo que o primeiro era a famosa cartilha “Os Três Porquinhos”. Despretensiosamente, “As mais belas histórias” fazem surgir, de vez em quando, um ou outro movimento de reedição, já que a obra foi lançada em Minas Gerais há mais de 60 anos atrás pela Editora do Brasil. Temos notícia, no entanto, que a última edição foi em 1994.

Através das histórias de Lúcia Casasanta, muitas crianças aprenderam a ler. Enquanto educadora, Lúcia era especialista em métodos de leitura, entre eles o Método Global que ensinava ler a partir de pequenas histórias que aos poucos iam se desfragmentando em sentenças, palavras, sílabas e letras. Os métodos mudaram, no entanto, permanece o interesse pelas histórias escritas pela educadora mineira.

Atualmente, quando alguém deseja comprar “As mais belas histórias” o caminho tem sido os sebos, onde é possível encontrar alguns volumes. Outra opção são os sites Submarino/Livros Raros e Mercado Livre/Livros Raros. Também tenho notícias de quem procura diretamente pela família da autora, que dirige em Belo Horizonte a Escola Lúcia Casasanta localizada em Belo Horizonte, no Bairro Sion, à Rua Rio Verde, 379 ou www.escolaluciacasasanta.com.br

Numa entrevista por e-mail ao blog, a diretora da escola e filha de Lúcia Casasanta,  professora Coli, nos informou do desejo de reeditar os livros e das suas tentativas neste sentido”:

“Queremos reeditar os livros mas precisamos de uma editora que se interesse pela obra que encantou tantas gerações. As que eu procurei não se interessaram. As histórias de Lúcia foram escritas num período bem anterior ao “politicamente correto”. Lúcia escrevia numa linguagem clara, sem fazer uso de subterfúgios. E, cá entre nós: entendia de crianças! Seus livros despertaram e despertam ainda o prazer em ler. Continuaremos na procura! Precisamos também de algumas orientações sobre isto. Por exemplo: gostaríamos de repetir a mesma capa de antigamente… Coisas assim”, afirmou a professora Coli.

A obra de Lúcia Casasanta ainda não tem versão digital. É revolucionária por outro motivo: o poder insuperável de despertar crianças e adultos para a leitura. “As mais belas histórias” continuam vivas dentro de seus leitores.