“Biblioteca da Turma” e a Bienal

30/8/2014 – 23:14h

No término da 23ª Bienal do Livro de São Paulo, a Editora FTD presenteou os visitantes com uma sessão de autógrafos com Mauricio de Sousa. A  obra que o cartunista autografou é  a “Biblioteca da Turma”, da Editora FTD.

Composta de seis livros multidisciplinares, a coleção é indicada para crianças a partir do 4º ano do Ensino Fundamental e traz informações, infográficos e almanaque, entre outros elementos. Cada livro aborda um tema diferente: Floresta Amazônica, museus brasileiros, antigas civilizações, crianças do mundo todo, animais pré-históricos e esportes olímpicos. Tudo ilustrado com os personagens da Turma da Mônica.

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Em vez de intelectuais na plateia, há multidões de crianças e adolescentes

A Bienal Internacional do Livro de São Paulo termina neste domingo, 31/8. Para entender o significado deste evento para a literatura, em especial, a infantil, vou citar o jornalista Danilo Venticinique, que tem uma coluna sobre literatura na Revista Época. Semana passada, o tema dele foi a Bienal. Aliás, ele  apresentou suas “razões para amar a Bienal de São Paulo”, um evento que ele conheceu quando ainda era uma criança e, portanto, visitante, mas que continua programando em sua agenda, agora, adulto e jornalista. Abaixo, publicamos trechos do seu artigo:

“Não contem com o fim da Bienal. Desde a criação da Festa Literária Internacional de Paraty, em 2003, e o surgimento de inúmeros eventos semelhantes em várias cidades, há quem questione o futuro da Bienal do Livro de São Paulo. Alguns dizem que o modelo está esgotado. Ao contrário da Flip e de festas semelhantes, a Bienal está longe de ser um evento glamouroso. Grandes estrelas da literatura internacional costumam preferir o charme de cidades históricas a enfrentar os tumultuados corredores do Pavilhão de Exposições do Anhembi. Debates entre grandes pensadores dão lugar a encontros com autores best-sellers. Em vez de intelectuais na plateia, há multidões de crianças e adolescentes. Apesar disso tudo – ou exatamente por isso –, a Bienal sempre foi meu evento literário favorito”.

“Por mais charmosos que sejam os novos eventos literários, nenhum é tão bem-sucedido quanto a Bienal no desafio de atrair o público jovem. Desde a primeira edição, em 1970, várias gerações de leitores descobriram a leitura graças a ela. Não há leitor na cidade que não se lembre de sua primeira Bienal. Eu, pelo menos, não me esqueço da minha. Foi em 1994, na última edição da feira no Ibirapuera. Lembro de ter me perdido várias vezes pelos corredores, em busca de gibis da Turma da Mônica. Voltei à Bienal em 1996, no Expo Center Norte, com metas um pouco mais ambiciosas. Perambulei um bocado até encontrar o estande da Ediouro, que vendia com desconto obras de Júlio Verne e aventuras de Sherlock Holmes. Também comprei uma Ilíada, incompreensível para os meus 11 anos de idade, que só li um bom tempo depois. Novato de Bienal, não levei nenhuma sacola. Tive de carregar minhas compras debaixo do braço. Mesmo assim, passeei pelos corredores por horas. Só fui embora porque meu pai insistiu”.

Kiera Cass, autora da trilogia “A Seleção”, atraiu uma multidão de jovens e crianças à Bienal de 2014 – Foto: Leonardo Benassatto/Futura Press/Estadão Conteúdo