Romance juvenil enaltece cultura russa

27/8/2014 – 10:24h

A Editora Biruta, de São Paulo, com foco em literatura infantil e juvenil, lança uma grande produção: o romance estoniano “Primavera”, do autor Oskar Luts. Escrito no início do século XX, a matéria-prima da obra foi compilada de experiências pessoais do próprio escritor e reminiscências do tempo em que ele freqüentou uma pequena escola paroquial em Palamus, um vilarejo no sudeste da República da Estônia, país que recebeu forte influência da Rússia.

“Primavera” chega ao Brasil traduzida diretamente do idioma estoniano, o que enriquece ainda mais os aspectos culturais da obra e lança o leitor em narrativas carregadas de influências herdadas da região, como lendas populares, músicas, a língua e o modo de vida no campo, no início do século XX.

Em uma cidade do interior da Estônia, Arno Tali e seus amigos fazem incríveis descobertas enquanto aguardam a chegada da estação mais esperada do ano: a Primavera.  Entre aulas de matemática, histórias de terror, festas de batizado e batalhas de bolas de neve, o livro contará o dia a dia desses meninos e meninas que levam um estilo de vida simples e muito divertido.

A história sensível, detalhada e escrita em 432 páginas, se passa em um colégio paroquial. Apesar de ser uma história temporal, as crianças de hoje em dia conseguem facilmente criar relações com os personagens, mediante o contato entre os jovens, as brincadeiras e travessuras, as relações familiares e as semelhanças das dificuldades em crescer. Por isso, este é considerado um romance universal, abrangendo temas de todas as culturas.

“Primavera” é um clássico da literatura estoniana comparado a Charles Dickens (Oliver Twist) e Mark Twain (As Aventuras de Tom Sayer).  O autor Oskar Luts é o maior nome da literatura infantojuvenil estoniana e é o preferido de várias gerações. Seu primeiro e mais famoso livro é Primavera, escrito em 1912-1913. O romance tem desempenhado um papel importante em reavivar o sentimento de identidade nacional nos estonianos.

As ilustrações do livro foram feitas em preto e branco para caracterizar o estilo rural da época da narrativa e são assinadas por Sandra Jávera. A artista gráfica nasceu em 1985 e formou-se em Arquitetura na Universidade de São Paulo, em 2011. Ilustra livros para diferentes editoras e, além disso, já colaborou com jornais como a Folha de S. Paulo e com revistas como Pesquisa FAPESP, Bravo! e TPM. O tradutor Paulo Chagas de Souza é professor no Departamento de Lingüística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo, onde fez sua graduação, além do mestrado e doutorado em Lingüística. Durante o doutorado, Souza passou um ano estudando na Stanford University, em Palo Alto, na Califórnia, e em 2008 e 2009 fez pós-doutorado na Universiteit Leiden, na Holanda.