“Irerê da Silva”

23/9/2014 – 19:11h

Quem é Irerê da Silva? Ou melhor: o que é irerê? E por que Silva, um dos sobrenomes mais populares no Brasil?

A história de “Irerê da Silva”, 62 páginas, responde a todas estas perguntas. O livro foi lançado no início deste mês pela Editora Terceiro Nome e já está nas livrarias pronto para saciar a curiosidade de desvendar o intrigante personagem Irerê da Silva.

A produção da obra é belíssima. Página a página, um primor. Pura arte, que encanta a leitura. Além das muitas descobertas que encontrarão na história, as crianças ainda vão poder explorar ao máximo as criações em preto e branco da dupla Flávia Mielnik e Laura Gorski.

A dupla de escritores Silvia Zatz e Michel Gorski criou um jeito muito especial de explicar como é a vida dos irerês, uma espécie de pato de asas negras, bico e pés escuros e que parecem usar um lenço preto em volta da cabeça branca. Como todos os marrecos e patos selvagens, logo que aprendem a voar, os irerês sonham em conhecer o mundo. Quando chega o inverno, eles partem em revoada à procura de calor, comida e aventuras.

O livro conta a história de uma dessas aves migratórias, que sai com seu bando do Rio Grande do Sul e, depois de passar por lugares “tão lindos que dá vontade de ficar”… “em outros nem tanto: nenhuma árvore, muito barulho, rios cheios de lixo, fábricas soltando sujeira e carros gerando poluição” encontra um local cheio de bichos, com lagos para nadar e comida farta.

Se irerê é um pato, por que carrega um sobrenome de gente? Para provar sua identidade comum. “Sou um sujeito simples. Um cara comum. Normal, ordinário, corriqueiro até. Não tenho crista real e nem rabo de pavão. Não tenho bico de tucano e nem garras de gavião. Não sou grande feito avestruz e nem vôo rápido como um falcão. Meu nome é Irerê. Meu sobrenome é da Silva”.

Irerê da Silva, portanto, é o personagem que será apresentado em sua essência: como nasce, onde vive, seus voos e aventuras, o que canta em suas jornadas pelos céus, o que encontra pelo caminho, a vida num zoológico, seus amigos _ gambá, urso de óculos, lagartixa pintada e o condor _ e o amor por uma irireia, a mais linda que já conheceu e por isso se apaixonou.

Na hora de ir embora, o irerê descobre que sua amada está de asas cortadas e não podem partir juntos. Surge, então, o dilema: acompanhar o bando ou ficar no zoológico com sua amada? Afinal, para continuar a história será preciso nascer novos irerês e irireias.

A produção

O livro ainda traz textos informativos sobre o Parque Zoológico de São Paulo, dados científicos e curiosidades sobre essa espécie de ave migratória e dos demais animais com os quais convive.

A autora Sílvia Zatz é paulistana de 1969. Já foi cineasta e designer de jogos, profissões nas quais a criação e o lúdico estiveram sempre presentes. Publicou seu primeiro livro, O clube dos contrários, em 1999, e desde então não parou mais. Pouco a pouco a literatura foi se tornando sua principal atividade. É autora de mais de dez livros infantis e infantojuvenis, vários deles recomendados pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil). Entre os seus títulos estão Planeta corpo, O porquê dos por quês e Por um triz, que deu início à sua parceria com Michel Gorski.

O outro autor, Michel Gorski, é paulistano de 1952. Arquiteto, designer e escritor, trabalha com arquitetura do entretenimento e é co-editor do site www.arquiteturismo.com.br. Desenvolveu o passeio “Rondando pela Avenida São João”, do guia Dez roteiros a pé em São Paulo. Escreveu o livro infantil A menina da placa (ilustrado por Fernando Vilela) e o livro infantojuvenil Por um triz, em parceria com Sílvia Zatz.

Laura Gorski, ilustradora, é paulistana de 1982. Artista plástica e educadora participou de diversas exposições nacionais e internacionais. Seus trabalhos integram as coleções do Ministério das Relações Exteriores do Brasil (Itamaraty), do Banco Santander e do Centro Cultural Dannemann (São Felix, Bahia). Participou das residências artísticas ZKU em Berlim, Alemanha (2013) e Fundação Bienal de Cerveira (2012), em Vila Nova de Cerveira, Portugal. Suas ilustrações para o livro A noiva do condutor (Terceiro Nome), opereta de Noel Rosa, renderam-lhe o prêmio Jabuti em 2011 (2º lugar).

Flavia Mielnik é paulistana de 1982 e também é artista plástica e ilustradora. Participou de diversas exposições nacionais e internacionais e seus trabalhos integram as coleções do Instituto de la Juventud Injuve (Espanha), do Acervo SESC de Arte Brasileira e do Museu de Arte de Ribeirão Preto. Desenvolveu projetos especiais de intervenções site Specific entre os quais se destacam “Alagamento” (13º Salão de Arte de Itajaí), “Ocupação *Ruínas+” (SESC Araraquara, 2013) e “Sobre labirintos, o silêncio e o que está para ser construído” (Semana de Arte de Londrina, 2014). Ilustra semanalmente a coluna Ombudsman da Folha de S. Paulo.