“Piscina, já”

6/10/2014 – 19:30h

A Ditadura Militar é contada neste livro por uma menina de 11 anos e, de uma forma muito natural, o autor traz para as crianças da atualidade, um episódio sombrio da História do Brasil.


Através da atitude firme de um grupo de crianças para fazer prevalecer seus direitos de usarem a piscina de um condomínio fictício, em pleno Rio de Janeiro, desenvolve-se outra muito mais aguerrida de uma família sedenta de justiça para libertar um preso político.

Esta é a trama de Luiz Antônio Aguiar em “Piscina, já”, 104 páginas, lançamento da Editora Biruta para marcar os 50 anos do Golpe Militar e contar para as crianças da atualidade sobre o tempo sombrio da Ditadura.  Enquanto a menina protagonista, Lara, sofre junto com a família os horrores da perseguição política seguida da prisão e sumiço do querido Tio Zeca, além da constante luta para tentar libertá-lo, também experimenta outra ditadura, neste caso, de um dos moradores do Condomínio da Colina, na Serra das Araras _ onde costuma curtir passeios e férias _ que vai dominar o lugar e secar a piscina.

“Tio Zeca era nosso herói. Daí, quando ele chegava lá em casa, com aquelas camisetas com estampas de Che Guevara, barba tipo eu sou comuna e seus cabelos bagunçados, pedindo xampu e um pente, a gente fazia a festa. Ele sempre tinha histórias ótimas para contar”…

“Aconteceu que, um dia, pediram pra gente parar de falar nele. Principalmente na frente de vizinhos, de pessoal de fora de casa. Ele deixou de passar na nossa casa aos domingos para comer a lasanha que minha avó fazia _ que ele adorava; tinha um apetite monstro para aquela lasanha, a bocona dele era um buraco sem fundo! E também nunca mais apareceu por lá, assim de surpresa, como costumava fazer, sempre com alguma novidade”…

“Quem apareceu foi a polícia. Meteram o pé na porta, entrou uma dúzia de caras, cada um com uma arma mais medonha na mão, abanando no nosso nariz. E berrando. Diziam tudo berrando. Não paravam de berrar!”

Assim começa a história do Tio Zeca, seus sobrinhos, sua irmã e mãe _ uma família carioca como outra qualquer, na década de 1970. O autor consegue mostrar como muita naturalidade para as crianças da atualidade como a Ditadura Militar conseguiu desestabilizar lares e famílias, instituições e o Brasil. E ainda ajuda os pequenos leitores a experimentarem uma pitada do que foi viver nesta época, através de um fato aparentemente simples.

Nas férias de verão, o centro de todas as brincadeiras era a piscina comunitária abastecida com a água vinda diretamente do alto da serra. Mas, o General Pimenta, que tinha acabado de se mudar para uma casa enorme do condomínio, vivia reclamando que a água do riozinho mal chegava a sua casa para abastecer sua piscina particular. Foi aí então que a grande confusão começou, pois o general usou sua influência para desviar toda a água até sua própria piscina. E a turma do Condomínio da Colina agiu, quebrando a obra que o General Pimenta construiu disposta a brigar contra a repressão: “Piscina Já”! E foram vitoriosos.

Sobre o livro

No posfácio, “Para entender, um pouquinho, o Brasil dessa época”, os editores apresentam um panorama mais detalhado sobre como foi implantada a Ditadura, quais foram as consequências e em que momento aconteceu a campanha das Diretas Já, que deu origem ao nome do livro.

Luiz Antônio Aguiar é autor de cerca de 90 títulos. Ganhou diversos prêmios pelo mundo, o Jabuti (1994); várias menções do Prêmio Altamente Recomendável, da FNLIJ; inscrito na lista de honra do IBBY (2007); o White Ravens (2008), a maior biblioteca de literatura infantil e juvenil do mundo – na Alemanha. Mestre em Literatura Brasileira pela PUC RJ. Colaborador em jornais. Costuma ministrar oficinas de leitura e de criação literária por todo o país. Para conhecê-lo melhor, acesse: www.luizantonioaguiar.com.br

O ilustrador Tiago Lacerda nasceu em 1979 em Volta Redonda. Formou-se em Design e trabalhou como cartunista, fazendo animações para TV e Cinema. Desde 2012 ilustra uma coluna semanal da Revista sãopaulo; em 2013 tornou-se colaborador da revista VIP. Além disso, é editor da revista Beleléu, um importante selo de quadrinhos na cena independente do Rio de Janeiro.