“De repente, Ana” é destaque na Bienal

18/11/2014 – 19:26h

Li avidamente o livro “De Repente, Ana”. A autora é a mineira Marina Carvalho.

Os personagens por ela criados parecem reais; são consistentes, nos surpreendem muito e, por isso, parecem mesmo de carne e osso. A trama é encantadora tal como é tudo que se relaciona ao mundo das princesas e, mais ainda, quando esta princesa existia simplesmente como uma plebeia que, de repente, vai brilhar na Corte. A princesa torna-se mais emblemática, por ter vivido na mesma cidade que eu vivo, Belo Horizonte. A princesa Ana é mineira.

Marina Carvalho criou nomes de pessoas e lugares, uma história e ambientes fictícios, eu sei, mas que são como existissem nos fatos por ela narrados e no mapa sugerido. O livro “De repente, Ana” é uma seqüência de “Simplesmente Ana”.  Mas a trama da princesa ainda não acabou. Estamos esperando mais.

Este projeto da Editora Novas Páginas tem sido um sucesso e já foram vendidos mais de 35 mil livros, desde a Bienal de São Paulo deste ano. Agora, os mineiros também vão conhecer a saga de sua conterrânea, Ana, na Bienal do Livro de Minas. Hoje, dia 19/11, às 11:00h e às 15:00h, e no domingo, dia 23/11, às 11:00h, Marina Carvalho vai falar de sua princesa no espaço Minas de Histórias, sob  coordenação da curadora Sandra Bittencourt.

Aqui, deixo uma resenha do Blog da Mari, que eu sei foi aprovada pela Marina Carvalho, por ter sido escrita por uma de suas beta readers,  Mirelle Candeloro.

Parabéns, Marina.

A história de Ana

“Pouco mais de dois anos se passaram e Ana e Alex continuam vivendo a plenitude do seu amor. Durante uma viagem ao Brasil, Ana tem um terrível pesadelo onde seu pai, Andrej, morre. Teria sido apenas um triste sonho, ou uma premonição?

Infelizmente as angústias de Ana se mostraram verdadeiras. Dias depois, Andrej sofre um acidente de helicóptero e fica à beira da morte. Ana entra em desespero e literalmente voa para Krósvia ao encontro do seu querido pai.

“Afundei no banco de couro, ciente até demais de que a vida não avisa a hora em que vai dar uma bela rasteira na gente.”

Mal sabia ela todos os desafios pelos quais teria que passar dali para frente. Com o rei em coma, de acordo com a política de sucessão, Ana seria obrigada a assumir o trono e ser preparada para dar continuidade aos trabalhos realizados por Andrej.

Do dia para a noite, Ana se viu bem no meio do olho do furacão. Em instantes, teve que aprender não só a se vestir e a falar como um líder de uma nação, mas também a se familiarizar com as leis da Krósvia, participar de reuniões chatíssimas das quais ela não entendia uma palavra, bem como tomar decisões delicadas que poderiam prejudicar o futuro do país.

A vida de Ana se tornou uma confusão. Diariamente passou a ser atacada pela oposição que exigia sua destituição do cargo. Se isso não bastasse, um fantasma do passado voltou para assombrá-la. Laika passou a rondar Alex novamente estremecendo a relação do casal de forma quase que definitiva.

Ana não tinha tempo mais para si, ou para o namorado, ou para fazer as coisas que mais gostava: como passear na praia com Bruce ou visitar o Lar Irmã Celeste. Tudo que ela mais queria era ver o seu pai acordar e tornar a viver uma vida como antigamente, sendo “simplesmente” Ana.

Mas nem todas as princesas têm uma vida de contos de fadas, e Ana irá aprender que os seus piores pesadelos podem se tornar realidade.

“Por mais semelhante que minha vida fosse aos contos de fadas tradicionais, eu duvidava muito que meu final se daria como nas histórias de princesas: eu, resgatada no último minuto por meu príncipe encantado.”

Querem descobrir se finalmente Ana conseguirá alcançar o seu “felizes para sempre“? Então leiam!

***

Preciso começar dizendo que o livro inicia com um prólogo de tirar o fôlego. Meu coração saiu pela boca e eu fiquei com os olhos arregalados. Sim, Marina, você me pegou direitinho! Que maldade. Em “De repente, Ana”, a protagonista continua a mesma: meiga, mas geniosa, curiosa, mas extremamente teimosa, e o que mais gosto, irônica. Porém, encontramos Ana extremamente fragilizada devido aos novos acontecimentos. Se o acidente do pai não fosse o bastante para deixá-la mortificada, as tarefas assumidas no governo foram suficientes para deixarem Ana do avesso. Apesar de, algumas vezes, apresentar crises de imaturidade e ciúmes, totalmente compreensíveis, diga-se de passagem, Ana está mais madura e extremamente resignada a enfrentar o seu destino.

Desta vez tivemos uma surpresa mais do que agradável no texto, pois ele não é mais somente narrado em primeira pessoa por Ana. Marina deu voz a Alex. Sim, meninas, podem ir ao delírio! Vocês não imaginam o quão divertido foi entrar na cabeça desse personagem, compartilhar suas angústias e sentimentos tempestuosos. Ele chega a ser tão intenso quanto Ana e, algumas vezes, me deixou muito braba por ser tão infantil e por vezes cego. Céus, por que os homens sempre têm que ser assim? hehe

“Dei uma fuzilada nele com o olhar, quando o que queria mesmo era testar a sua resistência com um soco bem no meio da cara.”

Na primeira resenha comentei que senti falta de um contexto mais político, vendo Ana finalmente assumir o seu lugar de direito na realeza. Bem, Marina cumpriu o prometido. De repente, Ana foi criado num contexto completamente diferente do primeiro livro. Aqui, nos deparamos com as reais dificuldades de administração de uma nação, as responsabilidades da monarquia e as consequências de quando não se agrada a todos.

Apesar de o livro conter boa parte de romance, marca registrada de “Simplesmente Ana”, vai muito mais além. Marina conseguiu encontrar uma receita perfeita que envolve ação, mistério, intriga, traição, amizade, amor e muito mais. O livro foi capaz de me deixar atônita do início ao fim. Quando eu imaginava que as coisas iam se acalmar um pouco, lá vinha a autora para dar mais um sacode. Foi impossível me desgrudar das páginas, assim como foi impossível não me apaixonar cada vez mais por cada um dos personagens.

Durante o texto todo fiquei desconfiada: Andrej sofreu um acidente ou um atentado? Tinha alguém no reino conspirando contra a sua vida e fazendo de tudo para que Ana fracasse na sua empreitada? Foi divertido, pois realizei um trabalho investigativo olhando torto para cada personagem, vendo se encontrava indicativos de desvio de caráter e más intenções por trás. Gente, o final.. ai, o final. Chorei tanto juntamente com Ana em um dos seus choros mais sentidos e depois ri tanto, e depois chorei e ri, tudo ao mesmo tempo.

Impossível explicar em palavras o quanto a escrita da Marina é perfeita. Seus textos são divertidos, bem-humorados, irônicos, românticos e envolventes. A autora consegue fugir das técnicas de escritas rígidas e formais ao criar uma narrativa leve, fluida e contemporânea, utilizando-se de gírias e figuras de linguagem, aproximando o texto do seu leitor. Sem sombra de dúvidas, depois de ler três livros escritos pela Marina, posso afirmar que ela definitivamente conquistou um lugar no meu coração como uma das melhores autoras nacionais da nossa época. Preparem-se, pois “De repente, Ana” é incrível e tenho certeza de que vocês irão amar”.