Novo personagem da Turma da Mônica

31/1/2015 – 21:37h

No dia seguinte às comemorações do Dia Nacional dos Quadrinhos, celebrado em 30/1, o mais importante cartunista do Brasil, Maurício de Sousa, anunciou um novo personagem para a Turma da Mônica. Ele se chama Marcelinho e, como aconteceu com os anteriores, também foi inspirado em seu filho, o caçula, que tem 16 anos de idade. As tirinhas brincam com números, incentivam consumo consciente e atitudes sustentáveis. Marcelinho vai dar bons exemplos.

Estreia hoje (31/1) o mais novo personagem da Turma da Mônica: Marcelinho. O caçula da Turminha é também o mais novo dos 10 filhos do desenhista Mauricio de Sousa, Marcelo Sousa. Entre suas principais características, o jeito econômico, seja na hora de comprar (ou não comprar nada), seja na hora de usar água. “O Marcelinho nasceu com esse chip da economia. Usa o tênis até gastar, sempre apagou a luz ao sair do quarto e não pode ver uma torneira aberta sem necessidade”, conta Mauricio.

A ideia de criar o personagem já tem alguns anos, mas contava com a resistência do homenageado. “Eu queria chamar o novo membro da Turma de ‘Marcelinho, O Certinho’, mas o Marcelo não queria pagar mico com os colegas de escola. Então concordei em tirar o ‘certinho’. Mas que ele é certinho, é”, conta Mauricio.

O tempo passou, Marcelinho cresceu, e o cenário se alterou. “Meus amigos no colégio diziam que não acreditavam como eu podia não querer ser personagem. Eu sou bem desse jeito mesmo, as características estão corretas”, diz Marcelinho, que este ano já pensa no vestibular: algo ligado a artes, publicidade ou administração. Marcelinho desenha e muito bem, inclusive sua versão em quadrinhos, seguindo os passos do pai e da irmã Marina, que, também divide o trabalho de aprovação de roteiros com Mauricio.

As tirinhas ligadas a finanças são inspiradas em situações reais vividas pelo cartunista com o filho. “As histórias passam uma mensagem de cuidado com economia e finanças. Ele tem esse cuidado naturalmente. Quando vamos ao shopping e pergunto para ele: ‘precisa de alguma coisa?’ quase nunca ele diz que sim. Aí eu insisto: ‘mas esse sapato já deu’. E ele: ‘não, ainda dura um pouco mais’.” Dentro do universo dos números, as tirinhas trarão contas curiosas, como a que mostra que, se dormirmos 8 horas por dia, aos 40 anos teremos dormido 13 anos.

Unir arte, divertimento e educação faz parte do DNA da Turma. “Se os quadrinhos podem sugerir comportamentos, maravilha. Já fazemos isso em nossas historinhas e queremos, cada vez trabalhar com educação, aqui no Brasil e no mundo. Nossos gibis são publicados em mais de 30 países sem qualquer adaptação, apenas traduzidos”, diz o pai da Turma.

As tirinhas começam em nosso site, mais adiante irão para os jornais e os gibis da turminha, e podem se expandir para outras plataformas, como já aconteceu com os irmãos. Afinal, Mônica, Magali, Maria Cebolinha, Marina, Nimbus, Do Contra, Professor Spada/Dr. Spam e as gêmeas Vanda e Valéria são todos filhos de Mauricio de Sousa. Na vida real, porque nos quadrinhos essa família já passa de 400 integrantes. “Agora, é esperar a cobrança dos netos”, diz Mauricio, que completa 80 anos em outubro e tem 11 netos. “Por enquanto”.

A publicação será inicialmente exclusiva no site da Turma da Mônica com uma nova tira semanal sendo postada a cada quinta-feira. Depois, poderá entrar nas tiras publicadas em jornais pelo Brasil e nas historinhas das revistas mensais da Turma da Mônica.

O novo personagem

Marcelinho é um garoto de 7/8 anos que adora jogar futebol e vive às voltas com a Turma do Bermudão. Apesar de aparentar ser um garoto como qualquer outro da sua idade, Marcelinho tem a mania de ser extremamente certinho. Não gosta de desperdício, dobra todas as suas roupas, presta atenção nos seus gastos e se dá muito bem com números.

Curiosidade: O personagem foi baseado no filho caçula do Mauricio de Sousa que, quando pequeno, era realmente preocupado em ser certinho. Certo dia, ao ver que o pai usava mais água do que o necessário para escovar os dentes, Marcelinho disse “Pai, assim a água do mundo vai acabar!”. Daí nasceu o personagem.

Fonte: Site da Turma da Mônica

Preparação de mestres no incentivo à leitura

30/1/2015 – 19:39h

Portal Brasil divulga as 11 obras literárias e didáticas, que abordam diferentes métodos de ensino para aplicação em sala de aula, que foram destaque na edição 109 do jornal on-line produzido pelo Portal do Professor.

Projetos escolares de estimulo à leitura, reconhecidos pelo Prêmio Vivaleitura, foram abordados na última edição do Jornal on-line elaborado pelo Portal do Professor (portaldoprofessor.mec.gov.br). Além de reportagens sobre métodos premiados, a edição 109 da publicação eletrônica oferece sugestões de livros aos professores e educadores interessados em estimular o hábito de leitura aos alunos da educação básica. A edição especial também seleciona experiências que recorrem à tecnologia para auxiliar o trabalho em sala de aula. Outros utilizam o recurso poético e literário como força motriz para incentivar o gosto pela leitura.
O Portal do Professor é um espaço on-line no qual educadores têm acesso a sugestões de planos de aula, conteúdos multimídia, notícias sobre o panorama geral da educação no País, iniciativas governamentais, podendo até mesmo interagir em fóruns de discussão com outros profissionais da área. Confira abaixo os 11 livros indicados para quem deseja se aprofundar no tema e/ou levar os conhecimentos adquiridos para a sala de aula:

A Arte de Ler
Émile Faguet – Editora Casa da Palavra – Brasil

Escrito no início do século XX, o livro permanece atual quase 100 anos após sua primeira publicação (1911), principalmente quando se leva em conta o excesso de informação dos dias atuais, em que a otimização da leitura se faz oportuna. “A arte de ler é a arte de pensar com um pouco de ajuda”, disse Faguet. Dessa forma, o autor sugere o primeiro passo para um melhor aproveitamento de qualquer livro: identificar os objetivos da leitura e os diferentes tipos de livros, bem como suas particularidades.

O Incentivo à Leitura
Cláudia Stocker – Editora – Brasil – 2014

É na infância que se adquire o hábito de ler; é na criança que estão todas as potencialidades e disponibilidades para o prazer da leitura. E é evidente, também, que se torna necessário abrir para elas as janelas desse mundo maravilhoso. Ler e contar história são formas de desenvolver o gosto pela fantasia, incentivando nos pequeninos aspectos que dizem respeito ao seu potencial criativo. Ao ouvir histórias narradas por contadores que transformam palavras e gestos em pura magia e encanto, é que queremos mostrar ao leitor, como o despertar para a leitura pode ser iniciado nas primeiras etapas da vida através da tradição oral.

Incentivando o Amor pela Leitura
Eugene H. Cramer, Marrietta Castle – Editora Artmed – Brasil – 2001

A obra “faz uma análise do professor e do papel crítico que ele desempenha na tarefa de ajudar as crianças a tornarem-se leitores motivados, ativos e envolvidos, que leem tanto por prazer como pela necessidade de manterem-se informados.”

Estratégias de Leitura
Isabel Solé – Editora Artmed – Brasil – 1998 – 6ª edição

O livro escrito por Isabel Solé aborda diferentes formas de trabalhar com o ensino da leitura. Seu propósito principal é promover nos alunos a utilização de estratégias que permitam interpretar e compreender de forma autônoma os textos lidos. Enfatizando sempre que o ato de ler é um processo complexo, a autora, utilizando um texto simples e agradável de ser lido, explicita-o dentro de uma perspectiva construtivista da aprendizagem. Estratégias de Leitura, 6ª edição, é uma obra que certamente contribuirá para o desempenho docente, principalmente dos profissionais que atuam no Ensino Fundamental e na Educação Infantil.

Por que Ler?
Tânia Dauster, Lucelena Ferreira – Editora Lamparina, Coed. FAPERJ – Brasil – 2010

Neste livro, pesquisadores abordam questões que são objeto de discussão no campo educacional – a formação de leitores e de mediadores de leitura; a importância da leitura literária na construção da subjetividade; a relação entre literatura e oralidade; os desafios à formação de professores, tendo em vista diferentes concepções sobre o ensino da língua, entre outras temáticas.

Os Jovens e a Leitura: Uma Nova Perspectiva
Michèle Petit – Editora 34 – Brasil – 2008

Partindo de dezenas de entrevistas com leitores da zona rural e jovens de bairros marginalizados na periferia das grandes cidades francesas, bem como do testemunho de escritores e suas obras, a autora demonstra – com exemplos que se adequam perfeitamente à sociedade brasileira – a importância das bibliotecas públicas e de bibliotecários, mediadores de leitura e educadores de modo geral na luta contra os processos de exclusão e segregação.
Sem receitas mágicas, mas com profundo conhecimento de causa, Petit ilumina por vários ângulos as relações entre os jovens e o livro no mundo globalizado, apostando no papel fundamental que a leitura pode representar para a construção e reconstrução do sujeito, particularmente em contextos de crise ou de grande violência social.

A Arte de Ler
Michèle Petit – Editora 34 – Brasil – 2010

“Aquele livro me deu a força necessária para enfrentar a virada decisiva de minha vida, aceitar que eu não era mais o mesmo, suportar sê-lo com meus amigos que não compartilhavam o que eu pensava e que tive que enfrentar para defender minha nova maneira de ver a vida…” O depoimento acima, de um jovem morador de um dos bairros mais pobres de Bogotá, na Colômbia, é apenas um entre as dezenas de testemunhos sobre a importância da literatura — tomada aqui num sentido amplo, que inclui histórias em quadrinhos e relatos orais, além dos gêneros tradicionais da poesia, do conto e do romance — na formação do sujeito, e o papel que ela desempenha em contextos de crise.

O Prazer do Texto
Roland Barthes – Editora Perspectiva – Brasil – 2008 – 4ª edição

Em um escrito caleidoscópico, quase um bloco de anotações, Roland Barthes busca aqui a análise do prazer sensual do texto, tanto por parte de quem escreve – sem medo de expor seu desejo, sob pena de cair na tagarelice – quanto de quem lê (normalmente situado como objeto, ser passivo e sem defesas frente ao texto, e que aqui é revelado em sua plenitude criativa da fruição). Descartando a frigidez do texto empolado e político, evocando ao fio dos argumentos tanto Proust, Flaubert, Stendhal como Sade e Bataille, ou ainda Lacan e Freud, ‘O Prazer do Texto’ apresenta, de forma profunda e lúdica, – costumeiro prazer dos leitores de Barthes – um tema fundamental em semiologia e literatura.

A Importância do Ato de Ler
Paulo Freire – Editora Cortez – Brasil – 2011

“Este livro busca abordar a questão da leitura e da escrita encaradas por Paulo Freire sob o ângulo da luta política com a compreensão científica do tema. A obra pretende mostrar sua presença no desafio pelos direitos da alfabetização, pronunciados ao mundo sobre a importância do ato de ler.”

Leituras: do Espaço Íntimo ao Espaço Público
Michèle Petit – Editora 34 – Brasil – 2013

Qual o papel da leitura na construção do indivíduo? Em que medida ela pode desempenhar uma função reparadora em casos de danos psíquicos e sociais? Como pensar o lugar da leitura em bibliotecas e no contexto educacional? Estas são algumas das perguntas levantadas neste livro pela antropóloga francesa Michèle Petit – já conhecida no Brasil por Os jovens e a leitura (2008) e A arte de ler (2009). Os textos reunidos no livro são o resultado de conferências realizadas em países da América Latina e voltadas, entre outros, para bibliotecários, professores, mediadores de leituras e profissionais dedicados à formação de leitores de modo geral. Em comum, estes ensaios destacam a leitura como atividade de resistência e indagação, a qual permite a muitas pessoas em circunstâncias desfavoráveis tornarem-se agentes de seus destinos.

Como Incentivar o Hábito da Leitura
Richard Bamberger – Editora Ática – Brasil

O livro aborda o panorama do ensino da leitura em várias partes do mundo.

MEC distribui 150 milhões de livros

29/1/2015 – 9:36h

Na última semana, a Agência Brasil informou que o Ministério da Educação, este ano, vai distribuir 150 milhões de livros didáticos para 147 mil escolas do país.

Até o fim de fevereiro, 147 mil escolas públicas de todos os municípios do país receberão mais de 150 milhões de livros didáticos para o ano letivo de 2015. Eles serão utilizados por 37 milhões de alunos dos ensinos fundamental e médio.
As obras serão distribuídas no âmbito do Programa Nacional do Livro Didático (PNDL), do Ministério da Educação (MEC), e distribuídas pelos Correios.

Segundo Marcos Silveira, gerente corporativo de Operações dos Correios, a operação de distribuição dos livros envolve seis mil funcionários, transportando 90 mil toneladas de carga em caminhões, vans, aviões e barcos. “O processo se inicia quando o FNDE [Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação] contrata as gráficas que produzem os livros. Este ano recebemos pacotes de 32 gráficas e, a partir daí, começamos a entrega”, explicou Silveira.

Ele acrescentou que os livros são entregues diretamente nas escolas das zonas urbanas e nas secretarias de educação locais, quando têm de ser redistribuídos para as zonas rurais. “A operação, sob responsabilidade dos Correios há 21 anos, envolve mais de 120 mil viagens. Em algumas regiões, como na Amazônia, utilizamos até barcos para que os livros cheguem antes do início das aulas”.

Conforme a empresa, metade dos livros já foi entregue. De acordo com o MEC, as escolas decidem, entre os títulos disponíveis, os que melhor atendem ao projeto pedagógico. A cada três anos, diferente ciclo do ensino recebe livros novos, alternando os anos iniciais do ensino fundamental com os finais do ensino fundamental ou ensino médio.

Carreiras atualizadas

26/1/2015 – 19:25h

A Câmara Brasileira do Livro, através da sua Escola do Livro e de sua abrangente experiência como entidade que representa o mercado editorial e produção literária, anualmente promove uma vasta programação de cursos, seminários e congressos para especialização ou aprimoramento profissional.

Veja abaixo, as ofertas para este início de ano e aproveite para se atualizar.

São Paulo inspira leitores

23/1/2015 – 20:01h

A Editora FTD tem sugestões para aqueles, especialmente paulistas, que estão sempre em busca de oportunidades para estimular a leitura. Vejam só que ideia legal para este período de férias: um roteiro literário para celebrar o aniversário de 461 anos de São Paulo, no próximo domingo, dia 25.

A editora indica alguns de seus livros, cujas histórias ou personagens, passam por lugares conhecidos da cidade. Quem conhece o local e mora (ou não) na cidade tem mais um motivo pra curtir. Quem é de outra cidade, ainda aproveita a leitura dos livros para conhecer um pouco mais da terra da garoa. E se tem  alguém planejando férias ainda pode reunir as duas coisas: livros e turismo.

Algumas das sugestões da editora:

Parque do Ibirapuera

Em meio à agitação paulista, o Parque Ibirapuera é uma excelente opção para quem quer relaxar ou praticar atividades físicas. Além disso, é o espaço ideal para se divertir com as crianças perto da natureza. “Brinquedos e Brincadeiras”, de Roseana Murray, pode servir de guia para atividades super divertidas. A obra reúne poemas sobre cabra-cega, amarelinha e pular corda, entre outras.

O parque também abriga o Museu Afro Brasil, que conta com um acervo de mais de 5 mil obras da cultura africana e afro-brasileira. Mas antes de visitá-lo, vale a pena conferir o livro Histórias Africanas, de Ana Maria Machado, para entrar no clima. A renomada autora reconta quatro histórias que revelam um pouco da riqueza cultural dos povos africanos.

Museu da Língua Portuguesa

Amantes ou não do nosso idioma, o Museu da Língua Portuguesa não deveria faltar no roteiro de nenhum morador da cidade ou visitante. O espaço traz uma proposta diferente e interativa que agrada a todas as idades. Por isso, a dica é o lançamento de “A namorada de Camões”, de Márcia Kupstas.

Bairro da Liberdade

Exemplo claro da diversidade de São Paulo é o Bairro da Liberdade conhecido como o maior reduto da comunidade japonesa na cidade. A decoração oriental e o comércio dão a impressão de que de fato se está em outro país. E uma boa opção de leitura para o trajeto até lá é “O Pequeno Samurai”, de André Kondo. Na obra, Yuji narra como descobriu, com a ajuda de seu avô, que era um pequeno samurai, e como isso o ajudou em sua longa jornada rumo ao Brasil. De forma sensível e emocionante, o menino descreve como foi a despedida de sua terra natal, a aventura de viajar de navio até o outro lado do mundo e a descoberta de que no Brasil também existiam samurais.

Museu do Futebol

Parada obrigatória para os amantes de esporte, o Museu do Futebol tem atrações multimídia e interativas que contagiam qualquer um. E a sugestões da FTD, neste caso, é o livro “Quadradomingo”, de Flavio de Souza, que retrata o esporte a partir do personagem Mingo, um garoto que gosta tanto de futebol que até criou um dicionário terminológico futebolístico, apresentado ao longo da narrativa.

Um norte para o livro brasileiro

22/1/2015 – 19:03h

Karine Pansa*

Foi muito importante a retomada, em 2014, do Prêmio VivaLeitura, realizado entre 2006 e 2011 e depois interrompido. O seu significado está expresso com clareza no objetivo de estimular e fomentar a leitura e enfatizar a sua decisiva missão no ensino. Por isso, é necessário que os responsáveis por sua realização adotem todas as medidas necessárias para garantir sua periodicidade anual regular. Como se sabe, trata-se de uma iniciativa dos ministérios da Cultura e da Educação e da Organização dos Estados Ibero-americanos para Educação, a Ciência e a Cultura (OEI), com apoio do Conselho Nacional de Secretários de Educação (Consed), da União dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) e da Fundação Santillana.

Apesar de respaldado por todos esses órgãos, a importante iniciativa sofreu interrupção por alguns anos. Tal problema mostra que as políticas públicas para o setor precisam contar com bases fortes de sustentação institucional. Daí o significado de se converter em lei o Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL), do qual o prêmio faz parte, assim como numerosas outras ações e medidas muito relevantes. Projeto de lei nesse sentido, de iniciativa do Executivo Federal, encontra-se em análise na Casa Civil.

O projeto conta com o consenso das entidades do setor editorial e estabelece um norte para o livro em nosso país. Sua acolhida seria muito boa no Congresso Nacional, considerando as numerosas manifestações espontâneas de apoio e a existência de frentes parlamentares de defesa da leitura. Assim, esperamos que, logo no início do segundo mandato da presidente Dilma Rousseff e da nova Legislatura federal, o PNLL transforme-se em lei, constituindo-se em poderoso instrumento para o sucesso da meta de transformar o Brasil num país de livros e leitores.

É nesse contexto que comemoramos a retomada do VivaLeitura, cuja cerimônia de entrega realizou-se em Brasília, dia 16 de dezembro último, quando o vencedor em cada categoria (“Bibliotecas Públicas, Privadas e Comunitárias”; “Escolas Públicas e Privadas”; “Promotor de leitura – pessoa física; e “ONGs) recebeu R$ 25 mil. Mais do que o valor em dinheiro, o prêmio é relevante em função das áreas e forças da sociedade que congrega, ou seja, escolas do Ensino Fundamental, academia, bibliotecas e instituições sociais. Tais organizações reúnem grande parte do universo do mercado editorial no Brasil, abrangendo pessoas físicas e jurídicas cujo trabalho é decisivo para o incentivo à leitura.

Na promoção do livro, o prêmio, assim como todas as medidas previstas no PNLL, soma-se às bienais e feiras realizadas em vários estados brasileiros, aos programas de compras do setor público, certames literários e do mercado editorial, como o Jabuti, ao permanente trabalho das editoras, incluindo a descoberta de novos autores, livrarias, distribuidores e creditistas e outras iniciativas focadas no estímulo à leitura. Esse esforço deve ser permanente!

Para a CBL, responsável pelo Jabuti, a Bienal Internacional do Livro de São Paulo e várias outras ações de fomento ao livro, o VivaLeitura 2014, além de seus importantes objetivos, teve um significado singular: a homenagem a Lúcia Jurema Figueirôa, diretora da entidade e gerente de Relações Institucionais da Editora Moderna,  falecida em janeiro de 2014. Em sua retomada, o prêmio teve o nome da brilhante pessoa e profissional, cuja carreira foi um exemplo de dedicação ao estímulo da leitura.

Sem dúvida, homenagem muito pertinente, pois todos os objetivos do prêmio coincidem com os propósitos defendidos e praticados por Lúcia Jurema Figuerôa ao longo de sua vida. Que seu legado imortal torne perenes o PNLL e o VivaLeitura, ao qual ela empresta a força de seu nome.

*Karine Pansa, empresária do setor editorial, é a presidente da CBL (Câmara Brasileira do Livro)

“Para onde vamos quando desaparecemos?”

21/1/2015 – 17:03h

Este é o título de um livro dedicado às crianças, que trata de um assunto que normalmente nem os adultos sabem abordar com naturalidade: a morte e a vida espiritual. A Editora Tordesilhinhas lança o título mês que vem.

As autoras Isabel Minhós Martins e Madalena Matoso tratam a morte e a perda com analogias leves e sensíveis. Mostram, assim, que a ausência de respostas definitivas, em vez de angustiante, pode ser a oportunidade certa para que a imaginação infantil ganhe asas e explore inúmeras possibilidades.

Os mistérios da vida são tratados com poesia: já parou para pensar aonde vão as meias sem par? A areia da praia levada pelo vento? E o barulho, quando tudo fica em silêncio? Para onde vão as coisas, e as pessoas, quando não estão mais aqui? As dúvidas podem, sim, dar asas à imaginação e inventar mil e uma possibilidades.

Ou ajudar os adultos a iniciarem, de verdade, às crianças num tema carregado de tabus.

Uma visão do futuro do livro infantil na AL

19/1/2015 – 12:02h

María Osório

Durante quinze anos trabalhei em Fundalectura na Colômbia. Conheci a literatura infantil e juvenil de perto. Fui testemunha do início da edição contemporânea deste gênero na Colômbia, assisti ao nascimento das primeiras editoras e dos primeiros autores e personagens: do Chigüiro, de Ivar da Coll e das bruxas de Olga Cuéllar; das primeiras histórias da escola de Yolanda Reyes, das primeiras irreverências de Triunfo Arciniegas e do amor aos animais de Celso Román; dos primeiros traços de Alekos e da varinha mágica de Irene Vasco; e de Espantapájaros, a primeira revista literária para crianças e sua maravilhosa livraria.

E com este conhecimento acumulado, faz quinze anos, fundei a editora Babel, com a intenção de me dedicar à edição de livros para crianças, com a ideia de dar novos ares a esse movimento que se iniciara tão pouco tempo antes. Mas, ao colocar os pés fora do protegido e cômodo lugar da promoção da leitura, me encontrei com o monstro que me levaria a refletir e a repensar meus projetos dali em diante: o mercado.

Foi incrível constatar – rapidamente – o pouco interesse que este assunto ocupa na cadeia do livro. Uma cadeia que não confia em si mesma, que não começa no autor e termina no leitor; um círculo que se fecha e que se isola cada vez mais, e cujo principal objetivo não é inserir-se no mercado nem fazer parte dele, nem obter ou outorgar algum benefício. Dedica-se a uma única coisa: comprar e vender, em busca de um único benefício: econômico.

E esse mercado – que é um tema amplo, de oportunidade, de divulgação e acesso, que não se limita à produção, à transação e ao consumo, e do qual todos os interessados em livro e leitura deveriam fazer parte – é o que motiva estas palavras. O objetivo delas é despertar o interesse de todos os envolvidos, mesmo que o tema esvazie auditórios; é convencer, ou ao menos deixar a dúvida de que é importante, muito mais do que parece.

Esta análise está baseada na prática diária das atividades de que se ocupa Babel, espaço em que produzimos o conjunto da cadeia, na medida em que nossos interesses e necessidades variaram e cresceram; no estudo das leis do livro na América Latina; na observação da maneira como circula e se comercializa o livro para crianças em nossa região, e no estudo da teoria e das reflexões que algumas pessoas fizeram sobre o tema: pesquisadores, editores e livreiros, estes últimos, sobretudo independentes, ao redor do mundo e na região. Esta não é uma visão pessoal – a maior parte da observação é local, colombiana – mas faz parte de uma reflexão mais ampla promovida por um grupo de editoras em encontros casuais, em feiras e congressos, em qualquer lugar do mundo em que nos encontremos e que nos acolha.

Para começar, insistirei em uma característica que reitero em diferentes espaços quando falo sobre literatura infantil e juvenil na América Latina: a “clandestinidade”. É claro que esta condição não é inerente à literatura para crianças e jovens, mas, sem dúvida, essa é sua condição atual e todos nós atuamos, de alguma forma, para chegar a isto: os editores produzindo mais do é possível ler, produzindo livros descartáveis ou no mínimo com data de vencimento; abandonando a responsabilidade aos professores e à escola, uma vez que estes intervieram na produção editorial reclamando aos editores que fizessem livros baseados em temas necessários para seu trabalho em sala de aula; e apoiados também, nas listas de recomendação dos promotores de leitura, que depois de uma análise superficial dos títulos em circulação, publicados no país ou nos de língua espanhola, selecionam anualmente uma quantidade mínima de títulos que se tornam referência e camisa de força para as compras públicas; compras estas, por sua vez, que, baixo a premissa da inclusão, recorrem à adoção massiva e, com a ideia de baratear custos, leva coleções iguais a populações diferentes, limitando seu acesso real à diversidade e à riqueza da cultura escrita. Dessa maneira, a sociedade deixou nas mãos da escola a responsabilidade pela leitura e nas mãos do Estado e das entidades especializadas, a seleção das leituras de seus filhos; livros ausentes das livrarias, espaços em que se confundem os produtos comerciais em formato de livro com os livros infantis; espaços cada vez mais ausentes do imaginário das pessoas e sem nenhuma perspectiva futura que não seja desaparecer.

Agora, passarei a explicar esse desastre, pois apesar de não se ver grandes perspectivas, não é uma situação irreversível e não seria difícil redirecionar e discutir os padrões de toda a cadeia e chegar a acordos, mas, nesta economia de mercado atual, existe alguém interessado?

A produção

Para que queremos um mercado cheio de livros se não vamos lhes dar a possibilidade de que alguém os leia? De quem é a responsabilidade pela leitura do que se produz: do editor, do livreiro, do bibliotecário, do professor, dos pais, dos leitores, do Estado? Ou seria uma tarefa de todos? Apesar de ser uma tarefa de todos, é muito provável que estejamos delegando sempre uns aos outros esta responsabilidade; tranquilizando nossa consciência pensando que alguém está fazendo algo.

Uma das maiores dificuldades dos livros é a circulação. Os livros para crianças estão, nesse sentido, no pior dos mundos. Poucos livreiros e livrarias especializadas, zero crítica, zero imprensa, pouco espaço nas livrarias de maneira geral. Ao mesmo tempo, temos o melhor dos mundos: todo o interesse do Estado. Isto é, os livros para crianças têm pouca repercussão na vida pública, mas todo prestígio nas compras públicas, sobretudo, na América Latina. Todos os editores, inclusive os de adultos, e os independentes, com um completo e importante catálogo – todos – querem fazer livros para crianças. Há, repentinamente, um interesse diferente em relação ao negócio dos livros para crianças? Isso despertou, inclusive, o interesse de editoras superespecializadas, dedicadas aos livros técnicos e de arquitetura, que criaram um fundo especial de livros infantis, não necessariamente sobre esses temas, o que seria muito interessante. Que editor pode ser insensível ante a possibilidade de vender um milhão de exemplares ao Banco Itaú? De ser premiado (como na loteria) e ter dois ou três títulos nas compras da SEP [Secretaria de Educação Pública] do México, ou do governo da cidade de Buenos Aires (ainda que os dividendos sejam difíceis de recuperar)? Ou quem não quer vender pouco, mas constantemente, na Colômbia ou no Chile?

Estas compras governamentais na América Latina influenciaram o mercado em dois aspectos: por um lado, em alguns países, a produção local cresceu, mas de uma maneira artificial e frágil; na maioria das vezes, sustentada exclusivamente por essas compras, surgem pequenos projetos editoriais e desaparecem no mesmo ritmo desse mercado artificial. Em outros países, se despreza a produção local e floresce a distribuição, como flor de um dia: acabou a compra, os livros somem do mercado. Por outro lado, conseguiram deformar o mercado, criar a ideia de que há muitos livros disponíveis, criar a ilusão aos editores de que seus livros estão em toda parte, quando estão, somente, nas mesas dos avaliadores além de alguns poucos em livrarias especializadas, que são poucas nas regiões. A maior parte da quantidade enorme dos livros colocados nas mesas dos avaliadores desaparece rapidamente do mercado. E a maior diversidade dos livros disponíveis para compor as bibliotecas, para a maior parte da população, se transformam em bibliotecas mínimas, com mínima quantidade de livros, todas iguais.

E estes livros – digamos – que “sobram” vão, finalmente, parar nas livrarias., E a que preço… Quando não há possibilidade de que compradores diferentes dos institucionais tenham interesse nos livros, quando os espaços dedicados aos livros para crianças não são suficientes para abrigar toda essa diversidade que se colocou no mercado, as quantidades que se importam por títulos são mínimas e são trazidas a preços altíssimos, que devem ser assumidos pelos poucos cidadãos que ainda visitam as livrarias; um custo muito diferente daquele obtido pelo Estado em suas compras massivas e que fazem pensar que são os livreiros os que lucram nesse mísero mercado.

Nós, editores, fazemos livros pensando que são indispensáveis, que esse livro que estamos preparando vai encontrar um leitor – ao menos um – que se interesse e que o recomende a outro leitor e esse a outro e assim por diante. Mas, que oportunidades têm, nas livrarias, os nossos livros que precisam de mais tempo para ingressar no sistema e serem devolvidos aos distribuidores, para recomendar e dar possibilidade a cada um deles? O trabalho do livreiro é incomensurável, difícil, quase impossível. Tem que se inventar diariamente, tem que desconstruir sua livraria a cada dia, destacar, do tsunami impossível de livros, um, com qualquer desculpa, para lhe dar uma oportunidade… Ou que livreiro está seguro de que um leitor vai lhe perguntar sobre um livro que ele tem há meses ou anos, na terceira estante, na última prateleira à direita, de pé, entre outros milhões? Além disso, em um momento da comercialização e das livrarias em que o baixo consumo de livros implica abandonar-se às leis de mercado, deixar a responsabilidade de sua sobrevivência aos best sellers, aos livros que alcançaram um pouco de mídia, aos outros produtos que não são livros… E recorrem aos cafés, somente para pagar as contas e seguir adiante.

Coloquemos, agora, o dedo na ferida das editoras. Como se pode notar – ou talvez não – não quis discriminar muito entre as editoras multinacionais e as independentes, porque me parece que a irresponsabilidade, na hora de publicar, é de todos. Se fazem livros “porque sim”, porque é possível, porque talvez alguém decida colocá-los em uma lista… Ou porque não importa se estão ou não na lista, talvez sejamos capazes de convencer a um professor ou a um bibliotecário, ou talvez a presença viva de um autor garanta (o que acontece). Levamos um autor a uma escola e vendemos muito. E nos dedicamos a publicar livros que talvez não. Livros que não se confrontam com outros, nem no país nem na região, livros medíocres, de autores vivos e dispostos a viajar de escola em escola. Livros que se comprometem somente com suas próprias vendas, vendas essas mediadas e conduzidas por professores e editores, que não só compram e vendem, como recebem todas as categorias de prêmios e honrarias por ter publicado.

E como se isto fosse pouco, acrescentamos a autoedição. O editor está tão ausente que ninguém sabe muito bem para que ele serve. Pode-se prescindir dele. O editor se vê como aquele que publica, alguém que além de tudo não quer publicar tudo o que todo mundo já escreveu, de maneira que a única saída é publicar-se a si mesmo.

A transação

Vou começar com um tema que não é muito popular: como os professores e os bibliotecários compram e selecionam livros? Eles possuem alguma possibilidade real de compra e de seleção? Quando a produção editorial era incipiente na América Latina, os editores descobriram a escola, e, com ela, o potencial de venda de livros, um livro: 30 ou 40 exemplares. Mas, quem, qual professor tinha condição de ler a produção editorial completa? Nenhum. Assim, pediram ajuda às editoras: fazer listas temáticas, classificar por idade, construir tabelas de valores e, finalmente – e por que não? – também pedir um pouco, exigir a inclusão dos supostos problemas dos jovens: sexo, drogas, “cultura adolescente”. Muito rapidamente, a literatura infantil se produziu na medida das necessidades da escola, o tema se tornou o mais importante; e, para quando essas crianças crescessem, criaram-se as coleções libertárias: Ala Delta, Gran Angular, Zona Libre, Espacio Abierto… todas elas, sem exceção, relegando a literatura aos supostos interesses dos leitores.

Os bibliotecários, ao menos no meu país, tem cada vez menos possibilidade de escolher os livros para seus leitores. Já existem vários grupos de especialistas que destacam entre os livros em circulação os que “devem” ser lidos por crianças e jovens. Crianças e jovens genéricos. O bibliotecário tem poucas possibilidades – para não dizer nenhuma – de ir a uma livraria, percorrer suas estantes e descobrir aquele livro que faz falta para esse leitor especial que existe em sua biblioteca. Ou procurar livros de um tema específico que represente os interesses de sua comunidade. Há um ano, visitei a biblioteca do município de Santa Helena, perto de Medellín; o município de onde descem os famosos carregadores de flores – hoje transformados em espetáculo – e em suas épocas boas foram os provedores das flores da cidade. Nesta pequena biblioteca, pequena, mas com grande quantidade e diversidade de títulos, a bibliotecária nos mostrava encantada uma pequena estante.  Aqui, dizia, estou montando a coleção de livros que interessam à comunidade, livros sobre flores, sobre o cultivo delas, sobre arranjos florais… E na estante, até o momento, havia somente três livros, os três produzidos por instituições. Ela só pode aspirar a que os livros cheguem em alguma das caixas de alguma doação, enviadas por algum ministério e que apareça um livro que possa fazer parte dessa estante e que ajude a colaborar com esse sonho genuíno.

Essa maneira de realizar as transações conduziu a um mercado desordenado e fragmentado. Distribuidores – à caça de compradores institucionais – vendem diretamente, na maioria das vezes com descontos que superam os oferecidos às livrarias. Instituições de todo tipo, desde as organizações familiares até os departamentos de responsabilidade social dos bancos, compram dos distribuidores com descontos altíssimos, para vender às crianças sem o desconto, para que essa “responsabilidade social” saia mais barata. A ideia de que os livros para crianças e jovens devem ser mediados, selecionados, levou à proliferação de mediadores, pessoas das quais se espera que colaborassem com a difusão das ideias e da leitura, mas ainda que involuntariamente, se transformaram em censores do mercado. As bibliotecas públicas e escolares devem esperar que alguém diga que um livro é melhor que outro para comprá-lo, inclusive para lê-lo.

O consumismo

O problema do consumo é que se fazem produtos para ele. A literatura para a escola, enfim perecível, se produz para seu uso e consumo. Editam-se conteúdos, em formato de livro, para o consumo “por impulso”, em supermercados. Procuram-se, desesperadamente, livros que produzam um efeito de consumo, como fez Harry Potter, e livros que se esperam que entrem bem nas livrarias. E nas livrarias se vendem café, serviço de internet, jogos e bonecos. Ou seja, para além dos livros que são feitos, há livros que são feitos para vender, e, como livros não são vendidos, comercializam outras coisas… dá para entender?

Não sei se é falta de fé ou de critério, mas enquanto a própria cadeia produtiva do livro não confiar no que faz, que esperança poderemos ter? Definitivamente não se acredita que a leitura seja – realmente – algo que a sociedade necessita.

Finalmente

Nem tudo o que acontece neste planeta dos livros, porém, é negativo. Há exemplos que vale a pena resgatar e falar deles, e sobre os quais está construída a proposta final deste longo texto, que vai em busca de saídas. Projetos que procuram formar comunidades de leitores e que oferecem acesso aos livros de diversas e criativas maneiras. Espaços de leitura e reflexão que deveriam ser imitados, que como exemplo deveriam dar lugar a novas propostas. Em cada um dos países da região há propostas como estas. Para não cair em omissões, vou me limitar aos livros da Colômbia, meu país.

Em primeiro lugar, os Clubes de leitores de Asolectura. Este projeto consistia em grupos de jovens de diferentes profissões, que durante uma década se dedicaram a ler em conjunto; liam basicamente literatura, conversavam sobre o que liam, e refletiam sobre o tema, complementando com ensaios sobre leitura e literatura. Liam-se os livros disponíveis nas bibliotecas públicas, às vezes compravam uns livros, de maneira que, em espaços não convencionais, os jovens podiam oferecer alguns livros para a leitura. Liam-se poucos livros, mas liam de verdade, discutiam e conversavam sobre o que se tinha lido. No entanto, essa ação não colaborou para aumentar os “índices de leitura”, que os governos amam medir. Por outro lado, semearam interesse pelos livros e, seguramente, muitas dessas pessoas ainda são usuárias fieis das bibliotecas e, a maioria dos jovens que participaram como acompanhantes, continuam, hoje, de alguma maneira, no mundo do livro. Isto é, estes grupos compartilharam seus livros e permitiram que se conhecesse uma oferta mais ampla e possível de boas leituras, ao contrário do que acontece com as listas, limitadas e não justificadas apenas  pela autoridade de sua procedência. As leituras compartilhadas expõem e confrontam, e os leitores encontram leituras em comum, e, o mais importante: criam espaços de dissidência.

Outro projeto é o da Acli (Associação Colombiana de Livreiros Independentes), um grupo de 25 livreiros colombianos que trabalha há sete anos para encontrar meios de sobreviver. Nesse tempo, não sé foi o coletivo que mais desenvolveu projetos, mas talvez o único que, em Colômbia, refletiu em conjunto sobre a problemática do livro no país. Gostaria de destacar que a Acli promoveu feiras itinerantes, que percorrem o país levando livrarias à cidades onde – se existe alguma livraria – sua presença é marginal. O que as diferencia de uma feira comum é a curadoria que se faz da mostra, a atividade cultural que a acompanha, e a atenção especializada que oferecem os livreiros. É que a possibilidade de acesso aos livros é uma condição intimamente ligada às possibilidades da leitura. A Acli considera que, para que isto aconteça, não só devemos ter algumas poucas livrarias de sucesso, como deveria existir uma comunidade livreira forte e comprometida com os livros e sua divulgação, não só com as vendas, que dessa maneira, pensamos, seriam uma consequência. Faz pouco tempo, criamos com a secretaria de Cultura de Medellín, pela primeira vez nessa cidade, uma livraria especializada em livros para crianças e jovens de mais de 200 metros quadrados, com mais de 6 mil títulos disponíveis, que funcionou, exclusivamente, durante os 9 dias da Festa do livro da cidade. A proposta não só teve muito sucesso comercialmente como colocou em evidência a necessidade de espaços como este, e que uma mostra com curadoria e inclusiva, além de respeitosa com o público, será sempre um sucesso.

* * *

Tenho um sonho…Uma visão positiva do futuro do livro infantil na América Latina.

Para dar uma visão positiva do nosso futuro, para imaginá-lo de maneira diferente da situação atual, não vejo outra alternativa que recorrer aos sonhos, um sonho, porque, como diz Clarice Lispector: “Sonhar desperta para a realidade”.

Vou imaginar esse futuro, imaginando a transformação de três aspectos fundamentais: a edição, a circulação do livro na região e a construção de alianças.

Sobre a edição

No futuro

• As editoras produzirão livros para crianças por pressão de um público exigente que pedirá qualidade, e não atenderão às pressões do mercado.

• Os catálogos vão “encolher”, como gosta de dizer a área comercial, graças à edição exclusiva de livros fortes que valerá a pena manter por gerações, de tal maneira que o investimento que se fará em sua promoção na criação de leitores permaneça e se transmita de pais para filhos.

• As coleções obedecerão a critérios de qualidade, em detrimento de exigências externas e artificiais. As cores serão uma seleção dos ilustradores e obedecerão a critérios estéticos e não conterão mensagens subliminares sobre idade, sexo ou conteúdos da moda. Não excluiremos os adultos da apreciação dos livros ilustrados. Não produziremos livros que possam ser descartados depois de seu “uso” na escola.

• A crítica – porque haverá crítica – será profissional, e primará pela construção de um corpo literário sólido. O crítico escolherá livremente o que ler, pois haverá canais de informação sobre os livros que circulam em cada país, de maneira independente, inclusiva e suficiente.

Sobre a circulação

No futuro

• Os livros para crianças não dependerão do circuito escolar para sobreviver, estarão disponíveis e serão acessíveis nos espaços comerciais dos livros: as livrarias.

• Os pais de família comprarão os livros de seus filhos – com seus filhos – nas livrarias.

• As livrarias não só terão espaços dedicados aos livros para crianças, mas estes espaços terão atendimento – como o resto da livraria – dos livreiros, pessoas que conhecem os livros, que os indicam, que ajudam o público a encontrar os livros adequados a seus gostos.

• Encontraremos, ainda, diversos livros, escritos em línguas de diferentes países, livros que não nos parecerão estranhos porque aprenderemos a enriquecer nossa linguagem com as particularidades de nossos vizinhos.

• Os professores, reunidos em grupos de leitura, selecionarão livre e adequadamente os livros para suas aulas, com um panorama amplo, posto à nossa disposição em livrarias e bibliotecas. Apostarão também em livros desafiadores, nos livros que não menosprezam a inteligência do leitor.

• Os livros para crianças estarão nos mesmos circuitos da imprensa que os livros para adultos, porque o abismo que os separam não será tão visível, tão permanente.

• Nossos autores transcenderão as fronteiras, sobretudo aqueles que têm a sorte de serem publicados por empresas multinacionais.

• Haverá livros para crianças nas vitrines e nas mesas das novidades das livrarias.

• Haverá livros latino americanos nas livrarias e bibliotecas espanholas.

Sobre as alianças

No futuro:

• Os editores de livros para crianças aprenderão que o inimigo não é a concorrência, mas a desconfiança no livro como meio e nas crianças como leitores.

• Os distribuidores e os livreiros trabalharam em equipe, para que a oferta que circule em cada país seja mais diversa. Serão aliados naturais dos editores e intermediários qualificados do mercado.

• Haverá em toda região leis para os livros que favoreçam a todos os que compõem a cadeia, começando pelo autor e ilustrador, sem esquecer, claro, do leitor.

Finalmente, todas essas alianças criarão um grande tecido e abrirão novas oportunidades ao livro para crianças, e para que isso aconteça somente bastaria que os editores deixassem de produzir livros: para que sejam incluídos nos planos de governo para a leitura; para que sejam adotados por professores nas escolas; para que apareçam nas listas de recomendados. Que se produzam livros de boa qualidade para crianças e jovens, poucos, mas suficientes, para que os promotores já não se dediquem à produção indiscriminada de listas, mas que concentrem seus esforços em promover o encontro entre os livros e as crianças; para que os bibliotecários deixem de ler resenhas e se dediquem a ler os livros que recomendarão a seus usuários; para que os professores deixem de ler guias de leitura e se dediquem a ler os livros que lerão com seus alunos. Livros que os livreiros não se neguem a receber em suas livrarias, livrarias essas que deveriam ajudar a todos: os professores, em vez de esperar a visita de alguns editores no conforto da escola; os bibliotecários, em vez de revisar catálogos físicos e online; os promotores de leitura, em vez de esperar as mostras, que tenham propostas para entregar aos editores; e os pais, com as crianças, em vez de chegar ao atendente para, exclusivamente, pedir o que está na lista do material escolar.

Para terminar, parecerá simplista o que vou afirmar, mas, como diria Paulo Freire, as grandes transformações são feitas de pequenos e inéditos possíveis – e de inédito, sabemos nós, os editores – assim me atrevo a dizer que este é um sonho realizável, que está ao nosso alcance e que, para atingi-lo, temos que começar por contar com a vontade dos envolvidos. Para esta construção, que não é mais que um presente desejado, estamos, ainda, a tempo e temos, ainda disponível, uma das mais sofisticadas tecnologias inventadas pela humanidade: o livro. E deveríamos aproveitá-lo agora que podemos, antes que chegue o futuro de verdade e nos agarre desprevenidos com jogos tecnológicos, mas sem conteúdos e sem leitores.

………………………

Texto escrito em outubro de 2014 e apresentado no Congresso de Bibliotecários no Chile.
Traduzido por Thais Albieri
Publicado na Revista Emília e Blog do Galeno Edição 381
* María Osório é arquiteta pela Universidad de los Andes de Bogotá. Desde 1986 se dedica à edição de livros para crianças. Primeiro como diretora editorial da Associación Colombiana para el Libro Infantil y Juvenil, Aclij, depois como uma das diretoras de Fundalectura desde sua fusão com Aclij en 1990 até finais do ano 2000. Em abril de 2001 fundou Babel Libros, inicialmente como distribuidora, depois como livraria e desde 2005 como editora. É membro do Conselho Consultivo da Revista Emília.

A força do “Pequeno Escritor”

16/1/2015 – 12:37h

Mais escolas precisam aderir ao projeto, que incentiva crianças redigirem histórias com grandes chances de vê-las publicadas na forma de livros com direito à festa de lançamento e sessão de autógrafos.

Editora Edelbra vem impulsionando o talento de muitas crianças com seu projeto que em 2014 teve a participação de quase cinco mil estudantes de quatro Estados brasileiros

A Editora Edelbra, do Rio Grande do Sul, anualmente, vem promovendo o Projeto Pequeno Escritor do qual sou fã número 1. Pra começar, por que já senti na pele, enquanto aluna do curso Fundamental, a força de uma promoção do gênero. Tive uma ‘composição’ premiada e isso foi determinante para minha afirmação como estudante e persistência na leitura e redação. Cheguei à idade adulta convicta que me dedicaria ao jornalismo.

Outro fator que me tornou fã do projeto da Edelbra é ter presenciado na vida de uma das participantes, Amanda Rosendo de Oliveira, que já foi notícia no blog, a repercussão positiva de sua história “Meu Brasil solidário” ter sido publicada em formato de livro e ela começar a ser vista, a partir daí, como uma pequena escritora.

Agora, imaginem o que não está acontecendo na rotina de 4.800 estudantes de 86 escolas do circuito São Paulo/Rio/Minas, além do Rio Grande do Sul, que participaram em 2014 do referido projeto e como elas podem estar sendo impulsionadas para se aprimorarem em suas redações depois de participarem da promoção.

A editora gaúcha, ao comentar sobre o projeto, afirma que “ler e escrever são conquistas importantes na vida de uma criança. São certificados de autonomia, de autoconfiança. A criança que lê desenvolve a criatividade e a imaginação, adquire conhecimentos, cultura e aprende valores. Também se familiariza com a palavra escrita, aprende a entender melhor o mundo e a si mesma.

O desenvolvimento das competências de ler e escrever requer trabalho constante, comprometido com a melhor qualidade e capaz de competir com os inúmeros recursos da mídia e da comunicação. Que tal se a criança visse seu nome escrito na capa de um livro? E se esse livro fosse realmente escrito por ela?

É essa a ideia do Projeto Pequeno Escritor. Uma forma de levar às escolas a oportunidade de transformar suas crianças em autores de uma obra própria. Uma iniciativa que a Edelbra tomou para promover a criatividade, o interesse pela leitura e o aperfeiçoamento da escrita nos anos iniciais.

O Projeto Pequeno Escritor se propõe a auxiliar a escola no seu compromisso de desenvolver as competências de leitura e de escrita. Temas contemporâneos são sugeridos para trabalho, supondo leitura e produção textual. Para subsidiar a atividade é apresentada uma metodologia de leitura e produção de textos. À medida que a escola se engajar no projeto, terá acesso aos roteiros pedagógicos que subsidiam cada tema, bem como às pranchas ilustradas que servirão de suporte às produções individuais. No final, cada criança receberá seu livro personalizado, com a mais alta qualidade de impressão.

O Projeto Pequeno Escritor sugere a adoção de uma metodologia, disponibilizada passo a passo, para auxiliar a escola na tarefa de formar leitores e produtores de texto. A metodologia é flexível, ajustando-se a alguns dias, se o objetivo for singelo, ou pode durar vários meses e agregar diferentes componentes curriculares, numa ação interdisciplinar.

Depois que os textos são produzidos, são digitados pelos próprios alunos em um sistema interativo, revisados pelos responsáveis pelo projeto na escola e enviados de forma automatizada para a Edelbra, que vai produzir cada um dos livros. Ao final do projeto, cada criança receberá seu livro em um evento especial. A Edelbra oferece suporte para todas as etapas do projeto através da Central Pedagógica Edelbra”.

Contato: (51) 2118-4403 | centralpedagogica@edelbra.com.br

Aos 11 anos de idade, a estudante Amanda Rosendo de Oliveira experimentou a emoção de uma sessão de autógrafos para o lançamento de seu primeiro livro “Meu Brasil Solidário”


Férias animadas em Ouro Preto e região

14/1/2015 – 20:22h

Com atividades gratuitas e programação especial, festival traz espetáculos teatrais, show, piquenique literário, gincana e muitas brincadeiras.

A 4ª edição Festival Diversão Arte Verão vai agitar Ouro Preto, de 16 a 24 de janeiro, com atrações culturais para todos os gostos. As crianças têm direito a uma programação especial, com muitas brincadeiras e diversão.

As crianças do distrito de Antônio Pereira, por exemplo, vão poder se encantar com o mundo dos livros, no Piquenique literário. É uma atividade do Programa Sempre Viva Leitura, organizado por Heloísa Davino, Filipe Lage e Aishã Coracy, que buscam o incentivo e estimulo à leitura a partir da interação com livros organizados em cestos, toalhas no chão e malas. Um espaço de inspiração pra fazer brotar sonhos, ideias, aspirações e a paixão pela leitura/literatura.  Será no dia 16, às 14h, na Quadra de Esportes do distrito.

A seguir, às 15h, é a vez da Gincana com Brincadeiras de Verão com diversão, pipoca e algodão doce para a criançada.

A Turma da Nana traz ao Circuito Brincando de Brincar o resgate de brincadeiras e cantigas de roda. A Nana se apresenta em um pocket-show com diversos instrumentos (violão, ukelelê, pandeiro e acordeom) e convida ao público para cantar junto canções como Cabra Cega, Aquecimento, Mamãe posso ir, Peixe Vivo, Borboletinha, Alecrim e Sambalelê.

Nana traz, também, a macaca Lica, em um número de ventriloquia que arranca risos da plateia. Brincadeiras, diversão em família e interação a todo o momento com o público é a marca registrada do show. Serão duas apresentações: no dia 17, sábado, das 14h às 18h, na Quadra de Esportes do distrito de Antônio Pereira; e no dia 18, domingo, às 15h, no Largo Marília de Dirceu, no bairro Antônio Dias.

O teatro é uma das principais atrações do Festival Diversão Arte Verão. No dia 16, o marionetista Catin Nardi leva a Caixa de Teatro Lambe-lambe ao distrito de Antônio Pereira. Catin é diretor da Cia. Navegante de Teatro de Bonecos, da cidade de Mariana também inserida na região. O espetáculo acontece às 16h.

Se tamanho não é documento, Miniteatro Moto-Expresso de Bonecos vai mostrar, com um mini espetáculo de bonecos com a técnica de Lambe-lambe, dentro de um baú de moto: Cirk In! Cenas independentes. O Grupo Caixa 4 traz uma peça criada especialmente para o Festival,“A Cena com o Poema, Meu Sonoro Passarinho de Tomás Antônio Gonzaga”, que se apresenta no dia 18, domingo, a partir das 18h,no Largo Marília de Dirceu, no bairro Antônio Dias.

No Teatro do Centro de Artes e Convenções da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP) acontecem dois espetáculos infantis. No dia 19, segunda-feira, às 19h, tem a peça A menina que entra em livros, da Lima Produções Culturais. É a história de Júlia, uma menina, filha única, que se desespera ao saber que vai ganhar um irmãozinho e em função disso terá que dividir seu quarto com ele. Enquanto o quarto é reformado, a menina é obrigada a dormir na biblioteca, onde acaba entrando em um livro para encontrar a solução de seus problemas, e redescobrindo o mundo mágico da literatura.

No dia 20, terça-feira, às 19h, é a vez da estreia do espetáculo Romeu e Julieta na Era dos Recicláveis, da Lima Produções Culturais. Com a trilha feita por músicos, cenário mágico e figurino de cores vibrantes em uma grande brincadeira de criança, as embalagens dos produtos de uma despensa dão vida ao clássico romance trágico de Shakespeare. A rixa entre os metais e os plásticos tornará impossível o amor entre a latinha de refrigerante e a garrafa pet. Mas será que eles precisam ter o mesmo fim? O espetáculo homenageia os 450 anos aniversário de Shakespeare, comemorados em 2014, apresentando sua mais famosa história como uma releitura para o público infantil.

Nesta 4ª edição, os espetáculos do Festival Diversão Arte Verão serão apresentados no Teatro do Centro de Artes e Convenções da UFOP. As peças têm a curadoria do ator, diretor, iluminador e produtor Marcelo Carrusca. As senhas para os espetáculos devem ser trocadas por um item de higiene pessoal ou de limpeza, na portaria do Teatro, uma hora antes do espetáculo.

A programação é gratuita. Para os espetáculos no Centro de Artes e Convenções é necessário retirar a senha com uma hora de antecedência, na portaria do Teatro. As senhas serão trocadas por um item de higiene pessoal ou de limpeza.

Informações: (31) 3551-3546

Programação completa e mais informações:

festival.diversaoarteverao@gmail.com

festivaldiversaoarteverao.blogspot.com.br