A maioridade de “O pequeno príncipe”

12/1/2015 – 13:35h

Desde o primeiro dia de 2015, no Brasil, a obra do escritor francês Antoine de Saint-Exupéry, com destaque para o mais famoso de seus livros, “O pequeno príncipe”, passou à condição de domínio público. Apenas as  traduções para o português permanecem protegidas pela Lei de Direitos Autorais.

O que isso significa? Que cai a obrigatoriedade de responder à Lei de Direitos Autorais e, assim, a obra poderá ser usada livremente, por qualquer pessoa, sem que haja restrições ou pagamento destes direitos ao autor e/ou familiares.

No Brasil, a Lei de Direitos Autorais, em seu Artigo 41, diz que “os direitos patrimoniais do autor perduram por 70 anos contados de 1° de janeiro do ano subseqüente ao de seu falecimento, obedecida a ordem sucessória da lei civil”. O escritor e piloto Antoine de Saint-Exupéry desapareceu, durante uma missão, num vôo pela região do Mar Mediterrâneo, em 31 de julho de 1944. Há, portanto, 70 anos atrás. Ele nasceu em 29 de junho 1900, em Lyon, na França.

Ainda segundo a lei brasileira, além das obras em que o prazo de proteção aos direitos excedeu, pertencem ao domínio público também as de autores falecidos que não tenham deixado sucessores; as de autor desconhecido, ressalvada a proteção legal para os conhecimentos étnicos e tradicionais.

A data de 1° de janeiro passou a ser chamada de Dia do Domínio Público. Em geral, os países tornam uma obra pública no primeiro dia do ano seguinte em que se completam 50 ou 70 anos da morte do autor e, neste caso, em 2015, caem em domínio público obras de outros autores, das letras e artes, além Saint-Exupéry.

Livro encantado

A notícia de que “O pequeno príncipe”, agora, começa a vigorar como Domínio Público tem repercutido de diferentes formas, predominantemente,  pelo temor de que seu conteúdo possa sofrer com o novo status. E faz sentido: o livro é a paixão de milhares de leitores; é uma obra irretocável. Quem suportaria vê-la mutilada ou mal usada? Existe o risco.

Mas, por enquanto, vamos pensar que a nova fase de “O pequeno príncipe” e, vale frisar, alcançada por raros livros, venha a garantir, acima de tudo, a sua maioridade. E que o encanto que o livro vem provocando em cada leitor, em todos os cantos do planeta Terra, torne-se agora a sua “redoma” de eterna proteção tal como na história é o desejo do personagem em relação à sua rosa amada…

O sucesso de “O pequeno príncipe” pode ser comparado a um grupo seleto de obras, onde se inclui A Bíblia. O clássico foi lançado em 6 de abril de 1943, nos Estados Unidos. Na França, somente em 1946, após a morte de seu autor, que não chegou a conhecer o sucesso de sua criação, que envolve texto e ilustração.

O livro já teve aproximadamente 500 edições ao redor do mundo, vendeu 143 milhões de exemplares e foi traduzido para 250 idiomas.  As pesquisas apontam que atualmente são vendidos 5.000 exemplares na França e 3.500 no mundo. Isso por semana. Segundo dados do site PublishNews, que monitora as vendas de 25% a 35% das livrarias do Brasil, o livro foi o 9º mais vendido em 2014, com 123.576 exemplares.

Outros autores

Ainda segundo o PublishNews, em 2015, também são classificados de domínio público, o poeta, pintor e escritor francês Max Jacob (1876-1944); o Nobel de Literatura Romain Rolland (1866-1944) e o poeta húngaro, judeu sobrevivente do Holocausto, Miklós Radnóti (1909-1944). Pelo que apurou o site, há um único brasileiro na lista de autores cujas obras também entraram em domínio público em 2015. É o jornalista, escritor, político e acadêmico da Academia Brasileira de Letras, Alcides Maya (1878-1944). Nascido no Rio Grande do Sul, Maya foi autor do romance “Ruínas vivas” e dos livros de contos “Tapera” e “Alma bárbara”.

Para além da literatura, artistas plásticos importantes como Edvard Munch (1863-1944), Piet Mondrian (1872-1944) e Wassily Kandinsky (1866-1944) também têm suas obras em domínio público a partir de 2015. Nem bem começou 2015 e já tem editores ansiosos pela chegada de 2016. É que no ano que vem, as obras de Mario de Andrade (1893-1945) e de Anne Frank (1929-1945) entram em domínio público. Não demora muito, chegará a vez de Monteiro Lobato em 2018.

Onde acessar as obras

O conteúdo dessas obras, agora, vai ficar disponível no site http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.jsp que é o espaço na internet do Portal Domínio Público, da Secretaria de Educação a Distância do Ministério da Educação. Em 2014, o acervo do portal chegou a 198 mil títulos (182 mil em arquivos de texto e 15 mil em outras mídias) e registrou mais de 20 milhões de visitas _ é a maior biblioteca virtual do Brasil lançada em 2004. No site, o interessado acessa de graça a obras literárias, artísticas e científicas (na forma de textos, sons, imagens e vídeos), já em domínio público, como é o caso de “O pequeno príncipe” ou que tenham a sua divulgação autorizada.

“O amigo de Praga”

9/1/2014 – 22:34h

Se você acredita que a Terra é, sim, visitada por seres de outros planetas ou galáxias, vai se entusiasmar com a aventura criada pelo escritor Francisco Cabral. Se você não acredita em extraterrestres, vai começar a pensar que pode estar vivendo ao lado de um deles e nem se dá conta disso.

Objetos voadores não identificados, ou simplesmente óvnis, existem ou não? Extraterrestres arriscam contatos com a Terra? Seriam eles do bem ou brutos exploradores?

Com essas dúvidas, começamos a leitura de “O amigo de Praga” (223 páginas, lançamento da Editora Quatro Cantos), uma aventura dirigida ao público juvenil, ambientada numa fazenda da bela e mística região da Chapada dos Veadeiros, ao nordeste de Goiás, uma destas regiões famosas pelos inúmeros relatos de avistamentos de óvinis.

O texto objetivo de Francisco Cabral prende o leitor. À medida que a trama se desenvolve, descobrimos também uma intimidade do autor com o tema. Aí descobrimos que ele, além de jornalista experiente, é também especialista na causa. Produz histórias em quadrinhos sobre ficção científica e “O amigo de Praga” é fruto de suas observações e conhecimento sobre alienígenas.

Na história, o ET se passa por um atleta, Ernst, em passeio no Brasil, vindo da Tchecoslováquia, mais precisamente da capital, Praga. Assim, ele convive, durante meses, com a família do personagem Dennis, seu protetor e amigo, além de outros fazendeiros e trabalhadores da região. Mas até chegar a esta condição, a dupla, Ernst e Dennis passa por muitos perigos e peripécias.

Dennis é um adolescente de Goiânia que adora passar férias escolares na propriedade rural do avô, em Alto Paraíso, Chapada dos Veadeiros, onde pode curtir a natureza e cavalgar. Mas o que parecia ser mais um pacato período de férias acaba se transformando em uma aventura eletrizante a partir do momento em que, durante uma de suas costumeiras cavalgadas, o rapaz presencia a queda de um objeto voador não identificado.

A trama é construída com muita ação e suspense. Dennis é obrigado a tomar decisões importantes em relação ao incidente do qual foi testemunha, enfrentando impasses junto às Forças Armadas e aos personagens locais, alguns destes retratados nos diálogos com o característico linguajar regional.

A perspectiva de seres de outro planeta invadirem a Terra e a inevitável comparação de nossa sociedade com outra supostamente mais avançada, tanto em valores tecnológicos quanto humanos, acabam proporcionando aos personagens da trama importantes questionamentos e podem levar o jovem leitor a refletir sobre o próprio papel do homem no mundo e a maneira com que a sociedade se comporta.

Em 1999 o texto de “O amigo de Praga” foi o vencedor do Prêmio Coleção Supernova, promovido pelo governo do estado de Goiás. Francisco Cabral nasceu em1969, em Jataí, Goiás. Formou-se em jornalismo pela Universidade Federal de Goiás e atuou como repórter e editor em jornais de seu estado natal. É autor de “A confraria dos homens de bem” (Papel e Virtual Editora, 2006).

Livro provoca a opinião dos estudantes

8/1/2015 – 13:03h

Os problemas da sociedade, do Brasil e do mundo são mostrados diariamente para os jovens na internet e na mídia em geral. Mas o que estes jovens entendem e pensam a respeito destes acontecimentos? A Coleção “Conversas sobre cidadania”, dirigida para o Ensino Fundamental II, estimula jovens à reflexão e debate sobre os temas da atualidade.

A coleção paradidática “Conversas sobre Cidadania”, de Edson Gabriel Garcia, (Editora FTD), acaba de crescer, com o lançamento de dois novos volumes: ‘Dinheiro Público’ e ‘Empreendedorismo e Sustentabilidade’. Contendo histórias desenvolvidas a partir do cotidiano escolar, a obra objetiva estimular a reflexão e o debate de questões recorrentes entre os estudantes.

“São temas atualíssimos, presentes no cotidiano de todos nós, como o dinheiro público, tão mal usado no País, problema em evidência no momento, abordado em dos novos livros da coleção; e o outro novo volume aposta em saídas sociais que respeitem as individualidades, o meio ambiente e o crescimento econômico. Ambos são assuntos inéditos em obras para jovens, com abordagem bem próxima do nosso cotidiano”, destaca o autor.

‘Dinheiro público’: o que é, de onde vem e para onde vai conta a história dos habitantes do bairro Nova Esperança. Ao perceberem que a chuva no local não para, os moradores passam a temer o pior, o que de fato acontece: um córrego, há muito tempo acomodado, transborda. Sem ter aonde ir, as pessoas procuram abrigo na escola local. A prefeitura, além de não resolver o problema, construía um viaduto caríssimo. Dessa forma, a comunidade mobiliza-se para exigir o bom uso do dinheiro público.

O volume ‘Empreendedorismo e sustentabilidade’: valores, escolhas e projeto de vida acompanha a iniciativa de uma diretora de escola que incentiva mães de alunos a criarem um negócio próprio com seu talento para trabalhos artesanais. O livro fala do empreendedorismo social, movimento que considera gerar rendimentos, ao mesmo tempo em que muda a vida de pessoas de comunidades pobres. O tema ganha foco ainda mais atual ao tratar também da sustentabilidade.

Garcia explica que o cenário de quase todos os livros  da coleção é formado por duas bases: um núcleo na comunidade e outro na escola. “Nesta, porque é o local da aprendizagem por excelência, da discussão e da construção do conhecimento. Muitas escolas  abrem-se à comunidade e fazem excelente parceria com ela. Comunidade, porque, para além da escola, é nela que a vida acontece, os problemas aparecem e as soluções também. E, claro, por eu ter sido professor e diretor de escola – por opção profissional –, este é um cenário que conheço muito bem. E sua relação com a comunidade também”.

Edições renovadas

Além dos dois lançamentos, a coleção “Conversas sobre Cidadania” conta com sete outras obras: ‘Uma conversa de muita gente’, ‘De olhos bem abertos’, ‘A febre do planeta’, ‘O jeito de cada um’ e’ No mundo do consumo’, destinadas ao Ensino Fundamental I; e ‘As caras da violência’ e ‘Vivemos juntos’, para o Ensino Fundamental II. Todas elas ganharam edições renovadas, com novos projetos gráficos, seções, glossário e fotos.

“Atualizamos os textos, quando necessário, acatando sugestões, de olho nas questões mais urgentes da atualidade. Foi um processo longo, pois são muitos livros, mas muito prazeroso”, explica Edson. Para ele, crianças e jovens têm prazer em debater os temas propostos pelas obras. “Não é raro eu ouvir relato dos leitores que os seus pais gostaram muito do livro. Crianças e jovens adoram literatura e, não tenho dúvidas, gostam muito desse tipo de livro, cuja temática o introduz na cidadania real, ativa”, observa.

O autor

Edson Gabriel Garcia nasceu em Nova Granada (SP). Foi para São José do Rio Preto, onde fez o curso de Pedagogia. Em São Paulo, onde mora até hoje, foi professor, coordenador e diretor de escolas. Cursou pós-graduação em Educação e Comunicação. É autor de livros didáticos de Língua Portuguesa e de paradidáticos sobre cidadania e valores para alunos das séries iniciais do Ensino Fundamental.

Escreveu diversos livros para crianças e jovens, dentre eles “O diário de Biloca”, “Treze contos”, “O tesouro perdido do Gigante Gigantesco”, “Sete gritos de terror” e as coleções “Tantas histórias” e “Meninos & Meninas”.

O mundo fascinante da literatura infantil

5/1/2015 – 20:08h

Sei que grande parte dos leitores acessa o blog em busca de conteúdo sobre literatura infantil e juvenil. Para eles, vai uma dica de leitura: “Nos bastidores do imaginário”, de Anna Cláudia Ramos, 222 páginas, editado pela Difusão Cultural do Livro. Li e aprendi bastante com a argumentação da autora, aliás, uma especialista, escritora de dezenas de livros infantis.

Segundo ela, o livro é fruto de sua dissertação de mestrado em Ciência da Literatura/Poética, defendida em 2005, na Universidade Federal do Rio de Janeiro. Anna Cláudia Ramos fala e defende a existência de uma literatura infantil e juvenil, LIJ, conforme gosta de chamar; comenta sobre mercado e produção e aborda sobre criação com muita riqueza e a partir de sua experiência como autora.

Outra experiência, que utiliza para inserir o leitor definitivamente no cenário da LIJ, é a da escritora de referência,  Ana Maria Machado. O livro contém uma entrevista sobre o tema com Ana Maria e a análise de algumas de suas obras: “Bisa Bia, Bisa Bel”, “De olho nas penas”, “O canto da praça” e “Raul da ferrugem Azul”, além de citações sobre a criação literária da escritora Lygia Bojunga.

“Todas as ideias são frutos de anos de pesquisa e trabalho em relação à LIJ e seus mistérios criativos, bem como anos de trabalho com oficinas de criação literária em LIJ. Não há pretensão de trazer uma resposta pronta, mas, sim, de levantar questões que permeiam os processos criativos na LIJ, categoria singular dentro da literatura, mas, ao mesmo tempo, totalmente inserida em seu universo”, afirma Anna Cláudia Ramos.

Livros infantis são realmente inocentes?

3/1/2015 – 11:03h

Na infância, a história pode ter um significado. Mas se fizermos uma  releitura, na idade adulta, encontraremos outros significados e certamente bem mais profundos.

As aventuras de Alice no País das Maravilhas já foram interpretadas de várias formas: de uma ode à lógica matemática a uma sátira de guerra

Hephzibah Anderson – BBC Culture

Quando eu era criança, muitos dos meus livros favoritos tinham como tema a comida. Um deles contava a história de um menino que ajudou a salvar uma pequena lanchonete ao se tornar um detetive gourmet que conseguiu recuperar um ingrediente secreto perdido.

Muito tempo depois de ter esquecido do livro e seu título, estive em Edimburgo para entrevistar Alexander McCall Smith. Ele já era o autor campeão de vendas por trás da série Agência No 1 de Mulheres Detetives, mas, anos antes, tinha escrito alguns livros infantis. E em uma prateleira de sua estante lá estava The Perfect Hamburger (O Hambúrguer Perfeito, em tradução livre).

Era o meu livro. Só que não exatamente. Sim, os hambúrgueres ainda eram descritos com detalhes de lamber os beiços, mas dessa vez ficou claro para mim que, na realidade, The Perfect Hamburger é um conto sobre a ganância corporativa e o destino de pequenas empresas obrigadas a competir com as grandes redes.

Leitura aprofundada

Reler livros infantis na idade adulta pode gerar todo o tipo de mensagens subentendidas, algumas mais evidentes do que outras. O clássico Como o Grinch Roubou o Natal, de Dr. Seuss, é uma parábola sobre o consumismo. E por que não parece óbvio que a série As Crônicas de Nárnia, de C.S. Lewis, é uma fantástica reinvenção da teologia cristã?

Da mesma maneira, uma leitura mais atenta transformou os livros do urso Paddington em fábulas sobre a imigração e as histórias do elefante Babar em um endosso do colonialismo francês.

As aventuras de Alice no País das Maravilhas já foram interpretadas de várias formas – de uma ode à lógica matemática a uma sátira à Guerra das Duas Rosas, ou ainda a uma viagem psicodélica à base de drogas. Quanto a O Mágico de Oz, ora, evidentemente, trata-se de uma representação alegórica do debate em torno da política monetária americana no fim do século 19.

“Nunca é demais tentar buscar um significado mais profundo”, afirma Alison Waller, professora de Literatura Infantil da Universidade de Roehampton, na Grã-Bretanha. Sua aula favorita é dedicada à análise psicológica do clássico infantil britânico The Tiger Who Came to Tea, sobre um tigre que aparece na casa de uma menina para jantar com ela e sua mãe.

Os alunos de Waller costumam enxergar algo edipiano na relação do felino com a família. “Só porque não captamos essas mensagens na infância não significa que não estejamos absorvendo-as”, alerta a professora.

É claro que, muitas vezes, os duplos sentidos parecem estar escondidos porque estamos muito ligados na trama ou porque somos jovens demais. Só depois de adulta, Waller entendeu o motivo pelo qual a mãe de Max o mandou para a cama sem jantar em Onde Vivem os Monstros, de Maurice Sendak.

Essas camadas de significados são fundamentais para a longevidade de histórias que se tornam clássicas. Os contos de fadas são o melhor exemplo disso.

O teórico da psicanálise austro-americano Bruno Bettelheim costumava dizer que João e Maria é muito mais do que o relato de pais que abandonam seus filhos e de uma bruxa malvada que quer matar os pequenos. Para ele, trata-se de um estudo da regressão infantil e da gula, assim como da ansiedade de separação e do medo da fome.

No livro A Psicanálise dos Contos de Fadas, de 1976, Bettelheim explica a importância terapêutica desse tipo de história na educação infantil. Aplicando análises neo-freudianas a histórias como Cinderela e Branca de Neve, ele mostra como essas narrativas falam ao subconsciente em uma linguagem semelhante à dos sonhos, ajudando as crianças a lidar com uma gama de medos e desejos não verbalizados, como a rivalidade com irmãos e a ambivalência que sentem em relação aos pais.

Permitido para maiores

A chamada literatura infantil tem muito a oferecer aos adultos, segundo Sheldon Cashdan, professor de psicologia da Universidade de Massachusetts em Amherst, nos Estados Unidos. Em seu livro Os 7 Pecados Capitais nos Contos de Fadas, Cashdan explica que essas histórias ajudam as crianças a reconhecer a luta entre o bem e o mal – uma luta que elas vivenciam internamente –, com o bem vencendo o mal invariavelmente encontrando um final assustador.

Essas batalhas perduram por toda a vida. “Noções de ganância, de querer mais do que se precisa… Você pode ver isso nos bônus dos executivos do mercado financeiro e nas pessoas que têm casas com cinco banheiros. Ou ainda na maneira sutil com que as pessoas contam mentiras, omitem fatos ou cometem pequenas malandragens.

Só quando somos adultos cometemos o erro de pensar que os livros infantis, assim como os contos de fadas, são essencialmente escapistas. Ao nos depararmos com eles décadas mais tarde, ficamos surpresos ao perceber algo que pressentíamos quando crianças, mesmo que não tivéssemos vocabulário suficiente para verbalizar: que essas histórias abordam a força e a fragilidade humanas, falam de como existir no mundo.

A natureza oculta de suas mensagens são essenciais para sua magia. Como Bettelheim escreveu, explicar para uma criança o que torna uma história tão cativante significa estragá-la. Seu poder de encantar “depende consideravelmente do fato de a criança não saber muito bem por que a adora”.

Fonte: BBC Brasil

A narrativa de As Crônicas de Nárnia pode ser entendida como uma fantástica reinvenção da teologia cristã?