Muitas histórias no Shopping Del Rey

27/2/2015 – 19:21h

Para quem está em Belo Horizonte, um programa super legal para os próximos dias: contação de histórias na Feira do Livro do Shopping Del Rey.

Entre 20 de fevereiro e 25 de março, o Shopping Del Rey recebe a Feira de Livros promovida pela editora Bom Senso, de Juiz de Fora. O evento, que acontece na Praça de Eventos, recebe milhares de títulos infantis e adultos com preços acessíveis.

Pierre André se apresenta sábado no shopping: histórias atraem as crianças

A feira receberá, nos finais de semana, apresentações gratuitas de contação de histórias. Serão duas sessões aos sábados, às 15h e 17h, com Paulo Fernandes e Pierre André, e uma aos domingos, às 16h, com a contadora Aline Medeiros e o músico Túlio Rocha.

Neste domingo, será a vez da narradora Aline Medeiros

Sobre a Feira de Livros

Funcionamento: Segunda a sábado das 10h às 22h e domingos e feriados das 12h às 20h

Contação de Histórias: Sábados às 15h e 17h e domingos às 16h

Shopping Del Rey – Av. Presidente Carlos Luz, 3001 – Caiçara
Informações: (31) 3479 2000

“A grande sorte na vida são os melhores amigos”

26/2/2015 – 19:39h

Entrevista

Heloisa Prieto – Escritora e tradutora

Heloisa Prieto: a arte de narrar consiste em aprisionar o leitor num jogo de descoberta e criação

Rosa Maria: Conte-nos como foi que surgiu a ideia de escrever “O livro da sorte”, da Terceiro Nome Editora.

Heloisa Prieto: Durante os anos 60, quando eu era adolescente, minha melhor amiga era uma prima chamada Rosana. Muitas mudanças aconteceram em nossas famílias naquele período e nos apoiávamos muito. Nossa amizade era um espaço de aventuras, descobertas e muito humor. Como éramos e ainda somos muito diferentes, com caminhos de vida totalmente diversos, havia sempre um estranhamento que imprimia muita leveza às coisas. Problemas perdiam o manto do perigo ou da seriedade quando compartilhados. A grande sorte na vida são os melhores amigos, eu creio. Então desloquei o histórico da amizade para o tempo presente e criei circunstâncias problemáticas próprias dos tempos de hoje: a mãe que se recusa a assumir a idade e compete com a filha, a reviravolta da fortuna devido aos maus negócios na bolsa de valores, por exemplo.

RM: As duas personagens, Rosana e Dadá, foram inspiradas em algum jovem da realidade?

HP: Gosto de escrever para jovens e percebo que minha geração, nossos ídolos na música, na política, são muito apreciados pelo pessoal de hoje. A escrita flui muito facilmente. Mas há um diferencial no meu trabalho: mesmo quando insiro um foco narrativo de alguém de 17 ou 18 anos, recorro a recursos literários muito sofisticados. No caso de “O livro da sorte”, trabalhei com dois pontos de vista sempre, não apenas das amigas, como também o eixo oriente e ocidente.

Há um conto de Joseph Conrad, chamado Juventude, que traduzi para uma antologia para a Cia das Letras intitulada De Primeira viagem. Nele, o marinheiro naufraga, quase morre, sofre loucamente e sai de sua primeira viagem felicíssimo, pois viveu a maior aventura que se pode imaginar. Essa percepção dos acontecimentos da vida como possibilidade de vivência de experiências máximas é muito clara na juventude, justamente, mas jamais deveria ser esquecida. Portanto, meus textos contemplam a grande aventura da juventude em sua densidade e complexidade, mas com direito a muito suspense, perigo e diversão, pois isso também é próprio do espírito jovem, o que é muito diferente do “juvenil”, um termo que não gosto porque rima com “pueril”, leia-se tolo e superficial.

RM: Durante a narração de “O livro da sorte”, encontramos sempre alguns pontos que você deixa para o leitor refletir. Aliás, logo que abrimos o livro encontramos uma destas dicas através de uma frase linda: “Todo amor é amizade. Amizade é sempre amor”.

HP: Esta frase foi escrita por Tatiana Belinky e a considero como um lema para a vida. Sim, seu comentário é perfeito, deixo muito espaço para o leitor co-autor. Outro dia fiquei trocando e-mails com uma leitura que questionava essa premissa, justamente. Ela gostava mais de histórias nas quais tudo é totalmente explicado. Comentei que isso era um estilo norteamericano de escrita marcado pela influência dos roteiros de cinema ou TV. Quando se pega um manual de roteiro é preciso justificar tudo, inclusive os objetos que surgem em cena.

Mas minha escola é outra, adoro cineastas que não explicam absolutamente nada, pelo contrário, lançam desafios belíssimos, como o russo Andrei Tarkovisky. A prosa quando é generosa com o leitor e não está presa à camisa de força de um narrador que sabe tudo de seus personagens, se transforma num jogo lúdico celebrando a tríade: autor;livro;leitor, a união de dois imaginários. Finalmente, na vida real, os fatos vão se desvendando ao longo dos anos. A vida é uma obra em aberto.

RM: Poderia destacar outros livros de sua autoria destinados a este público jovem?

HP: Publiquei a série Mano, em parceira como jornalista Gilberto Dimenstein, nove livros, pela editora Ática, que foram adaptados para o cinema pela cineasta Laís Bodanski e inspiraram o filme As Melhores Coisas do Mundo.

A Cidade dos Deitados, Uma Noite no Cemitério, publicado pela Cosac Naify, foi minha primeira homenagem ao rock and roll. Nesse caso, o grupo homenageado foram os Ramones, que adoro.

Lenora, publicado pela editora Rocco, se passa em dois tempos, os anos 60 e o mundo contemporâneo. Nesse caso, celebrei a música, os mistérios e a magia. O livro gira em torno de um pacto sobrenatural que acontece no réveillon de 1970 e cujas consequências transformam por completo a vida dos três personagens principais: Lenora, Ian e Duda. O segundo volume, intitulado Ian, no qual os segredos do polêmico mestre do rock e da magia serão revelados, está no prelo da editora. Aprovei a capa recentemente. A ideia é montar uma trilogia. Gabi Mancini, roteirista, pretende transformá-lo em longa metragem.

Escrita Secreta, editado pela Escrita Fina, apresenta um exercício raro nos livros, mas que a gente encontra em tumblrs e blogs. A combinação de fotos e fragmentos de contos e poemas. Entreguei a duas jovens fotógrafas e uma artista gráfica, textos que eu tinha na gaveta, sem término. O resultado da leitura delas gerou um livro cuja beleza me espantou. Esse trabalho foi muito elogiado pela crítica e me deixou feliz.

No ano passado lancei O Jogo dos Tesouros, pela editora Edelbra, em forma de graphic novel. Os desenhos ficaram maravilhosos, criados por Jan Limpens, um artista austríaco, radicado no Brasil. Em breve, O Caso Dominó, o segundo volume do diário de Marinês será ilustrado também por Jan.

Em “O livro da Sorte”, a protagonista encontra um namorado incrível, criativo, original e solidário. Nos momentos mais terríveis, ele é o refúgio da personagem. Mas no Caso Dominó, inverti a situação e criei um jovem incrivelmente talentoso, lindo, mas com tormentos íntimos.

RM: Muitas pesquisas apontam que os jovens têm lido mais.  O que tem motivado? O que pode ser feito para este interesse crescer?

HP: Creio que os novos suportes abrem possibilidades para outras formas de narrar. Tudo se soma e a leitura cresce a cada descoberta. Mas nada supera esse portal incrível que é um livro de papel. Há algo de mágico em abrir essas páginas e arrancar de dentro uma história, dizia também Tatiana Belinky. Um livro que atravessa décadas, marcado por dedos que o manusearam, contendo dedicatórias, é algo muito inspirador. Não por acaso, em plena era digital, os sebos voltaram à moda. Além disso, o livro de cabeceira é como um amigo que acompanha a vida de alguém. O livro da mochila, o livro que se gosta de reler, dobrar as páginas, rabiscar. A relação táctil com o papel é bem diferente do suporte digital e ocupa outro lugar na vida de um leitor.

RM: O que pensa dos e-Books e da migração da literatura para as plataformas digitais?

HP: Recentemente usei um pseudônimo e abri uma página no tumblr. Adorei a comunicação por imagens, música, verbetes. O espaço coletivo de criação é uma delícia, algo que inspira retirando a escrita e o autor do lugar divino e solitário que caracterizou a figura do escritor no século dezenove. Todos têm inspirações, a criação é democrática por excelência. Entre algumas culturas indígenas as crianças desenham coletivamente. O mundo digital não apenas ajuda a descoberta da literatura como também abre espaço para a escrita pessoal, mesmo que anônima.

RM: Comente sobre sua experiência com literatura infantil. O que destaca para você na hora de escrever um livro para crianças?

HP: Hoje, justamente, sai da gráfica da Companhia das Letrinhas, um lançamento para crianças: “O estranho caso da massinha fedorenta”. Meus livros para crianças contém humor, magia e brincadeiras. Este, em especial, foi inspirado por crianças que conheci. Quando eu era professora de pré-escola me divertia muito ouvindo conversa de criança.

RM: Atualmente, diante de uma vasta produção literária, o que surpreende uma criança? E o adolescente?

HP: A arte de narrar, já desde as mil e uma noites, consiste em aprisionar o leitor num jogo de descoberta e criação. Uma boa história exige sinceridade, um mergulho nos segredos mais íntimos e coragem por parte de quem a escreve. Mas também um piscar de olhos de quem sabe que a literatura é a arte de mentir para dizer as grandes verdades. Um jogo eterno e sempre surpreendente.

Um diálogo com jovens

26/2/2015 – 19:31h

A consagrada escritora brasileira Heloisa Prieto, em “O livro da sorte”, Editora Terceiro Nome, conta a história de uma adolescente que vê sua vida virar de cabeça para baixo após a morte do pai. Em meio à tristeza e ao sofrimento, ela passa a escrever suas experiências e compartilhá-las com sua melhor amiga. O diário das adolescentes ajuda ambas a lidar com os sentimentos e a pensar sobre o significado da amizade.

Sorte ou azar?  Como entender certos acontecimentos das nossas vidas? Na sorte, tudo bem; é certeza que estaremos sempre bem acompanhados. Mas e no azar, quem estará do nosso lado? Neste caso, só quem ama de verdade. Certa disso, Heloisa Prieto destaca em “O livro da sorte” uma linda frase de Tatiana Belinsky: “Todo amor é amizade. Amizade é sempre amor”.

Se é sorte ou azar certas experiências de vida, a história de duas adolescentes, Rosana e Dadá, faz o leitor pensar sobre a questão. Mas o que certamente vai motivar este leitor para a leitura, página por página, é a amizade sincera das duas personagens e a forma que encontraram de uma ajudar a outra vencer as adversidades repentinas.

Dadá é uma adolescente de 17 anos. A protagonista da história resolve registrar suas impressões numa espécie de diário e trocá-las com Rosana, sua melhor amiga. Além de aproximá-las ainda mais, a escrita ajuda Dadá a lidar com os sentimentos que afloram com a perda e a faz pensar sobre o significado da amizade.

Ao construir sua narrativa a partir da troca dos escritos entre Dadá e Rosana, a autora Heloisa Prieto levanta questões que permeiam a vida dos adolescentes, ajudando-os certamente a entender a convivência com os amigos e com a família, suas angústias e descobertas. E aí: realmente existe diferença entre a sorte e o azar?

“O livro da sorte” traz ilustrações do cartunista Francisco França.

A autora é apaixonada por livros desde a infância. Quando morava em Marília, interior de São Paulo, ouvia histórias da tradição local e se encantava com as lendas portuguesas, baianas e espanholas que lhe contavam. Iniciou sua carreira de escritora alguns anos depois, quando, já morando em São Paulo, contava histórias para crianças na Escola da Vila. Doutora em literatura francesa (USP) e mestre em semiótica (PUC-SP) tem mais de 50 obras de literatura infantojuvenil publicadas e coleciona prêmios, entre eles dois Jabutis. A série de livros “Mano descobre”, escrita em parceria com Gilberto Dimenstein, inspirou o filme As melhores coisas do mundo, dirigido por Laís Bodanzky. Seu livro Mil e um fantasmas, adaptado pela Cia. do Grito, recebeu o prêmio Alpha.

Heloisa Prieto concedeu entrevista ao Blog Conta uma História. Clique à direita, na categoria Entrevistas, para conhecer mais sobre “O livro da sorte” e o trabalho desta cativante escritora.


Livro inspira o filme “Big Game”

25/2/2015 – 10:26h

A Editora Seguinte, selo juvenil da Companhia das Letras, promete para março o lançamento do livro “A grande caçada”, de Dan Smith, cuja capa reproduzimos logo abaixo.  História inspirou o filme “Big Game”, que ainda não tem data de estreia no Brasil. Portanto, primeiro leia o livro e depois veja o filme.

O livro narra a aventura de um garoto de treze anos, que precisa provar sua coragem ajudando um dos homens mais poderosos do mundo, o presidente dos Estados Unidos, a escapar de um inimigo mortal.

“Um menino entra na floresta, mas é um homem que retorna.” É o que todos os garotos de uma aldeia isolada na Finlândia ouvem do líder ancião na véspera de seu décimo terceiro aniversário. Eles devem passar uma noite e um dia na mata e caçar algum animal — mas não um animal qualquer, pois aquilo que trouxerem simbolizará o tipo de homem que realmente são.

Por mais que Oskari tivesse treinado e se esforçado nos dias que antecediam seu teste, as perspectivas não eram nada boas. Ele era um dos garotos mais fracos entre seus colegas e, para piorar carregava a responsabilidade de ser filho de um dos melhores caçadores do vilarejo, que trouxera nada menos do que um urso em seu próprio teste, mostrando-se forte e corajoso. Com esse peso nas costas, como é que Oskari poderia começar a prova confiante?

Tudo se complica quando o jovem se torna testemunha de cenas esquisitas, como o pouso de um helicóptero com a tripulação altamente armada seguido do lançamento de mísseis e da queda estrondosa de um avião. Os acontecimentos só começam a fazer sentido quando ele encontra um sobrevivente no meio dos escombros: o presidente dos Estados Unidos. Sua aeronave havia sido sabotada e derrubada por terroristas, que empreendiam uma verdadeira caçada a um dos homens mais poderosos do mundo.


Antes caçador e agora caça, Oskari se vê pela primeira vez no comando enquanto ele e o presidente se embrenham pelas árvores para fugir dessa ameaça terrível. Afinal, apesar da insegurança, o garoto conhece aquela paisagem inóspita como a palma da mão, e caberá a ele garantir a sobrevivência dessa dupla tão improvável.

O sonho de matar um cervo para provar a todos na aldeia que era rápido e inteligente parece distante… Agora o jovem Oskari precisa, antes de tudo, dar um jeito de sair dali vivo.

O autor de “A grande caçada”, Dan Smith, nasceu em 1970 e é autor de obras para o público adulto e infantojuvenil. Morou em diversos países que o inspiraram a escrever, como Serra Leoa, Indonésia, Espanha e Brasil. Hoje vive em Newcastle com a esposa e dois filhos.  Leia mais em www.dansmithsbooks.com

Lançamentos da Callis para este mês

23/2/2015 – 19:39h

Livros de Martin Widmark, um dos principais autores europeus de ficção para crianças, chegam ao Brasil. As obras “O mistério da escola” e “O mistério do hotel” fazem parte da coleção “Agência de detetives de Marco e Maia”.

A editora Callis lança este mês dois grandes enigmas para o público infantojuvenil. Os livros “O mistério da escola” e “O mistério do hotel”, do famoso escritor europeu de ficção científica Martin Widmark, estão chegando às livrarias. Ambos têm 84 páginas e estão em primeira edição.

Em “O mistério do hotel”, os detetives Marco e Maia saem em busca do cachorro da importante família Akero, que desapareceu durante a ceia de Natal na hospedaria onde estavam. No decorrer da história, os personagens passam a desconfiar do comportamento estranho dos funcionários do local e começam uma interessante investigação.

Na obra “O mistério da escola”, a dupla tem a missão de descobrir o responsável por falsificar e utilizar notas de “cem coroas”, moeda usada na cidade de Valleby, lugar onde vivem os protagonistas. As narrativas apresentam várias pistas no decorrer da trama e levam o leitor a fazer deduções lógicas que o ajudam a solucionar os casos junto com os personagens.

O autor Martin Widmark é considerado um dos grandes escritores de ficção do segmento infantojuvenil da Europa, possui livros traduzidos para mais de 15 idiomas e sempre atuou na área de educação. Já a ilustradora Helena Willis nasceu na Suécia e estudou arte e publicidade em Estocolmo.

A história de Sofia

Outro livro infantil, da Editora Callis, mas lançado no final do ano passado, fala sobre a rotina matinal da criança e suas dificuldades. A escritora Taline Schubach aborda os problemas e as possíveis soluções por meio da personagem Sofia.

Acordar cedo, trocar de roupa, tomar café, são muitos os preparativos antes de ir para a escola, não é verdade? E eles parecem se tornar ainda mais difíceis quando o sono está agarrado na gente. Essa é a história de Sofia, que sempre estudou de manhã. Gostava da escola, dos professores e dos seus amigos, mas acordar cedo não era a parte favorita do seu dia. Seu pai sempre a ajudava em todo o processo, mas chegou o dia, em que ela já estava crescida e precisava fazer tudo sozinha. Será que as coisas funcionaram bem?

Essa encantadora história vai apresentar as dificuldades enfrentadas pelos pequenos quando o assunto é levantar cedo. As divertidas ilustrações vão entretê-los, além de contribuir com a identificação com a personagem.

Papel está em queda

20/2/2015 – 19:27h

Matéria produzida pela equipe do Portal do Jornal Bem Paraná, em destaque no site Brasil que Lê, mostra o avanço da tecnologia digital em três segmentos: editorial, jornalismo e monetário. Pra início de conversa, afirma: “o papel está em queda e rumo à extinção; é questão de tempo”.

E você o que acha? Reproduzimos a matéria abaixo para sua leitura e reflexão.

Uma pergunta que há anos ronda as redações jornalísticas agora começa a também tomar de assalto outros setores, como o editorial e o monetário: o jornal em papel, os livros e o dinheiro físico (a moeda) sobreviverão aos avanços tecnológicos? Se sim, quais mudanças acontecerão (e também quais já estão acontecendo) nas formas de consumo desses bens?

De fato, é difícil imaginar um mundo onde não existam livros que possamos folhear ou onde ganhamos e gastamos dinheiro sem nunca termos tocado nele. Contudo, essa realidade (que alguns chamariam de apocalíptica) não parece tão distante.

Hoje, por exemplo, o total de dinheiro que circula apenas pelos meios eletrônicos é cerca de 74 vezes a quantidade de papel-moeda em posse dos bancos e de 14 vezes a quantidade total de papel-moeda existente, segundo o Instituto Ludwig von Mises-Brasil — uma associação voltada à produção e à disseminação de estudos econômicos e ciências sociais.

Já no mercado editorial brasileiro, os e-books ganham cada vez mais espaço. Segundo a Câmara Brasileira do Livro (CBL), em dois anos, a receita da venda de livros digitais cresceu 14 vezes. Hoje, eles representam praticamente 3% do total de vendas das principais editoras.

Revistas e jornais impressos também sangram por conta das mudanças nas formas de comunicação. Em 2012, em um editorial antes de um debate ao vivo, o jornalista Alberto Dines, criador do site Observatório da Imprensa, destacou que a mídia vive tempos de angústia.

“A pujança da nossa civilização nos últimos milênios apoiou-se paradoxalmente num produto extremamente  frágil, vulnerável, perecível: o papel. E o papel, segundo anunciam as ‘cassandras’, está com os dias contados. O que antes funcionava no espaço e medido em centímetros, agora foi transformado em bits, bytes, impulsos armazenados em chips microscópicos ou nas nuvens.”

O mesmo movimento é visto na educação, onde há escolas que aos poucos vão reduzindo a necessidade do caderno e livros físicos e os trocando por meios digitais, como tablets e notebooks.

Mas acabar com o papel ainda é um pensamento distante. Embora aconteça uma migração natural para os meios eletrônicos — dinheiro se transforma em cartão de plástico, livro em e-books e jornal em sites noticiosos — a celulose ainda é uma das grandes invenções da humanidade e vai estar presente no nosso dia a dia por muito tempo ainda, embora com redução no futuro.

Mas em tempos de preocupação ambiental, essa redução gradativa, quando acontecer, fará um bem para o meio ambiente, já que a matéria prima do papel é a celulose extraída das árvores.


Linha do tempo

Livros X e-books, com o passar dos anos

1400
Na Idade Média, ter um livro era um luxo. As obras — em geral manuscritos, feitos com grande quantidade de pergaminho e com o trabalho dos copistas (artesãos que copiavam os manuscritos) — custavam caro, muito caro. Em Paris, o “preço médio” de um livro correspondia a sete dias de “salário e pensão” de um notário ou secretário do rei, equivalente aos conselheiros do Parlamento e os professores da universidade. Uma das mais importantes e maiores bibliotecas da época, a do escrivão do parlamento Nicolas de Baye, possuía 198 volumes.

1450
O surgimento da Bíblia de Gutenberg marcou o início da produção em massa de livros. Uma verdadeira revolução. Hoje, a maior biblioteca do mundo é a do Congresso norte-americano, localizada em Washington, nos Estados Unidos. O local hospeda mais de 155 milhões de itens, sendo mais de 32 milhões de livros catalogados e mais de 63 milhões de manuscritos.

2005
Há uma década a internet vem mudando a cara do mercado editorial. Nos Estados Unidos, as editoras atuam mais em lojas online e vendas de e-books do que em varejistas físicas. Em 2013, as vendas “virtuais” somaram US$ 7,54 bilhões, contra US$ 7,12 bilhões dos livros tradicionais, de acordo com estatísticas da BookStats. Foram 512 milhões de e-books vendidos, um aumento de 10,1% na comparação com os números de 2012.

2013
No Brasil, os livros digitais começam a se consolidar como uma realidade. De 2012 para 2013, a venda de e-books registrou um crescimento de 225,13%, segundo a Pesquisa FIPE/CBL-SNEL 2013. Em 2012, a mesma pesquisa já havia apontado um crescimento de 343,44% sobre o ano anterior. Além disso, no ano retrasado, o mercado do Brasil movimentou R$ 12,7 milhões contra R$ 870 mil em 2011. Contudo, a venda dos e-books ainda representa somente 3% do faturamento das editoras. Algo que em breve deve mudar.


Uma opinião:

“É inegável o avanço rápido e assertivo dos livros digitais em nosso país com as livrarias virtuais atraindo, de modo progressivo e constante, leitores de todas as idades e classes sociais. As editoras também têm investido para se adequar a esse novo mercado. Houve avanços em relação ao formato e distribuição, assim como no desenvolvimento de conteúdo. A tendência é de que os formatos convivam. Se por um lado há os recursos tecnológicos que atraem certo público, por outro há pessoas que gostam de folhear o livro, do contato com o papel, de manusear, fazer anotações. Não acredito que o livro impresso acabará”. Karine Pansa, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL).

Dicas para formar filhos leitores

18/2/2015 – 11:42h

1. Comece a ler desde a gestação. Pode parecer estranho fazer a leitura de textos em voz alta para a barriga, mas está provado que, desde os primeiros meses de vida, os bebês são capazes de ouvir. E mais importante do que a escuta, é a criação do vínculo que pode se estabelecer entre pais, filhos e livros.

2. Defina um tempo para leitura no dia a dia.Torne essa experiência algo que faça parte da rotina da família. Não é preciso criar grandes rituais, mas a frequência ajuda na construção do hábito.

3.Deixe a vergonha de lado. Não tenha medo de resgatar o ator/atriz que há em você. Faça vozes, crie brincadeiras, divirta-se.

4. Fique atento à escolha de livros. O mercado está repleto de livros para crianças que não possuem qualidade literária e que subestimam a inteligência do leitor. Deixe de lado critérios como idade e gênero. Procure indicações que contemplem a experiência leitora, os interesses do seu filho e os temas que gostaria de apresentar a ele.

5. Frequente bibliotecas e livrarias. Acompanhe blogs e sites especializados, como A Taba. Garimpe, procure além dos livros que estão expostos nas prateleiras. Aprenda a escolher, escolhendo.

6. Mantenha os livros ao alcance, mesmo no caso das crianças muito pequenas. Não tenha medo que eles se danifiquem. Livro bom é livro lido.

7. Ajude seu filho a formar uma biblioteca pessoal. Ela poderá ajudá-lo a contar a sua história de leitor. Invista uma parte do seu orçamento para compra de livros. Os serviços de assinaturas, como o Clube de Leitores – A Taba – podem ser uma ótima forma de fazer isso, com obras selecionadas por especialistas e entregues mensalmente em casa.

Fonte: Denise Guilherme, Site A Taba – Clube de leitores


Cinco dias de alegria e leitura

13/2/2015 – 20:31h

O Carnaval está aí, oferecendo cinco dias de lazer, que pode variar entre a alegria da folia e o prazer de uma boa leitura. Aqui, ficam nossas sugestões: são lançamentos recentes para o pequeno leitor curtir nestes dias de folga.

“Joana e o pé de feijão”

Por meio de imagens, em 44 páginas, a autora e ilustradora Silvana de Menezes faz uma releitura bem-humorada do clássico “João e o pé de feijão”, lançamento da Abacatte Editorial.

As expressões da galinha dialogam com a inusitada da situação, ludicamente percebidas pela menina Joana, que plantou um pé de feijão e por ele subiu até as nuvens. Do alto, ela e a galinha  avistam um castelo e para lá se dirigem. Abrindo a porta, as duas se veem num castelo assombrado, como aqueles reproduzidos em parques de diversão. A corrida desabalada no carrinho n.13 acaba justamente aos pés de um homem muito estranho.

Com o susto, a galinha bota um ovo, que é prontamente digerido e apreciado pelo homem.  Não deu outra. O homem quer trocar a galinha por um bauzinho cheio de joias e dinheiro. Haverá negociação ou teria sido apenas um sonho?

“A coragem de Leo”

Um simples trabalho proposto em sala de aula faz com que um garoto ganhe coragem para enfrentar seu passado e descobrir suas origens. Este é o mote da obra “A Coragem de Leo”, 104 páginas, lançamento de Sônia Barros pela Editora FTD e ilustrações de Sandra Javera.

O livro conta a história de Leonardo, menino de 13 anos e filho adotivo que desde a infância se esforça para ser o melhor em tudo o que faz. Inseguro diante de novas situações, ele não gosta de falar sobre seu passado, que lhe parece cheio de perguntas sem respostas. Um dia, porém, um trabalho escolar – fazer a árvore genealógica da família – faz com que o garoto tenha que enfrentar o medo e descobrir em si mesmo a coragem para ir em busca do passado.

A obra aborda temas como preconceito, relacionamento familiar, formação pessoal e convivência em sociedade.

“O que eu vi por aí”

“Aí, eu vi o Sol”, que acordava lá onde o céu faz uma curva. Abria seu olho enorme para ver se ainda restavam algumas sombras da noite nos passos da madrugada”.

Essa é a história de uma criança sonhadora passeando pelo mundo. Aquilo que seus olhos enxergam pode se transformar em um cenário magnífico, onde as ondas do mar são leões com jubas brancas e os raios de sol são as pernas finas e compridas de uma aranha dourada.

Em “O que eu vi por aí”, da Editora Biruta, é indicado para crianças a partir de 8 anos. O autor Cyro de Mattos aproxima os pequenos (e grandes) leitores de um universo mágico e divertido, com direito às ilustrações vivas e coloridas da polonesa Marta Ignerska. Cada página traz um novo ângulo de visão, onde o texto se mistura com a arte e conduz o leitor como se fosse o guia de um city tour.

“Cantos para os meus netos”

Este livro recentemente lançado pela Editora Gaivota reúne oito poemas do escritor francês, Victor Hugo (1802-1885; considerado um dos maiores poetas e escritores da literatura universal de todos os tempos), retratando o universo infantil. No primeiro deles, o leitor poderá acompanhar um diálogo de três crianças, de 5, 6 e 7 anos, discutindo sobre os animais de um zoológico. Em outro, acompanhará a relação entre um neto e um avô, transmitindo a infância com a imagem da felicidade.

Tratando de aspectos comuns ao universo infantil da época, os poemas advêm da convivência de Victor Hugo com seus dois netos. Mas, ao contrário do que se pode pensar, as crianças dos dias de hoje conseguem se identificar com o texto, pois tratam de temas frequentes, como as dúvidas frente às pequenas coisas da vida. Um exemplo disso é o poema “Deus faz as perguntas e as crianças respondem”:

Os dois bichos mais engraçados desse mundo,

O gato e o rato, se odeiam. Mas por quê?

Explique-me isso, Jane’. E sem saber por quê,

Frente à sombra e ao espaço misterioso,

Jane começou a rir.

A linguagem poética transporta os leitores para um cenário lúdico, onde o romantismo é recriado pelo ilustrador Laurent Cardon em tons pastéis. Além da versão em português, a segunda parte do livro também traz os poemas originais, em francês e uma análise de cada um deles.  A organizadora da obra e tradutora é Marie-Hélène Catherine Torres, professora de Literatura Francesa e de Tradução na Universidade Federal de Santa Catarina.

“O rei careca”

A adaptação teatral do livro homônimo de Ângelo Machado, publicado pela Editora Nova Fronteira, em 2003, foi feita pelo autor. A peça conta a história do rei Baldônio II, que se viu um dia com apenas um fio de cabelo. Aceitar-se como careca seria algo extremamente penoso, pois na família não havia ninguém assim.

Após inúmeras tentativas para recuperar os cabelos, o rei Baldônio II resolveu casar-se, para deixar herdeiros. Procurou princesas carecas de todos os lugares, mas foi uma exigência inútil. Finalmente, encontrou a bela princesa Margarida que, para grande surpresa, só se casaria com o rei se ele cortasse seu único fio de cabelo, ficando completamente careca, sem o fingimento da peruca.

64 páginas. Esta edição é um lançamento da Editora Lê.

“O gigante do Maracanã”

11/2/2015 – 21:36h

Pais torcedores estão sempre dispostos a levarem seus filhos para os estádios nos dias de jogos. As experiências destes pais com seus filhos são muitas e rendem boas histórias. Livro infantil, lançado pela Editora Biruta, narra uma destas histórias, porém, do auge do futebol brasileiro, quando a estrela era o craque Garrincha.

Em O Gigante do Maracanã, é possível assistir a uma grande partida, onde está em jogo muito mais que um placar. Lá estão uma menina e seu pai. Qual a distância entre eles? Hoje, estão bem próximos, no meio de uma torcida. É a primeira vez que o pai a leva pra ver um jogo de futebol e essa aventura acontece na arquibancada daquele estádio imenso, o grande Maracanã. Não, o gigante!

A narrativa situa-se entre o final dos anos 50, início dos 60; acompanhamos as jogadas de futebolistas que entraram para a história do nosso futebol, como Garrincha, Amoroso e Carlos Alberto. Apesar da final fictícia, apresenta-se um clássico do esporte. Mas a emoção maior acontece nas arquibancadas, onde pai e filha assistem e sofrem juntos pelo seu time do coração. A primeira vez no estádio foi marcante para a narradora. Teve que aprender a lidar com a dor de ver seu time perder e, principalmente, aprofundou a relação com seu pai e viveu um momento muito especial ao seu lado.

“Foi gostoso ver de novo aquele verde todo, que tinha fim, mas parecia que não tinha. E eu já sabia o nome de todo mundo, menos dos palhaços. Quer dizer dos palhaços eu sabia só o ‘Garrincha! Garrincha! Garrincha’. Mas não falava não. E a gente continuava gritando e só parava quando vinha o Garrincha, pra eu fechar um olho e o Altair-Magrinho derrubar ele.”

O livro tem 56 páginas. As ilustrações e o projeto gráfico seguem as cores do time dos protagonistas: branca, vermelha e verde, do Fluminense. Forte e marcante, o projeto dá vida ao universo do futebol.

O autor César Cardoso, escritor e fotógrafo, é formado em Letras pela Universidade Federal do Rio de Janeiro. É colunista da revista Caros Amigos, e para a tevê já criou roteiros para os programas TV Pirata, Sai de Baixo, A Grande Família e Toma Lá Dá Cá, da Rede Globo. A ilustradora, Larissa Ribeiro, é formada em Arquitetura, mas também atua com esta atividade. Já morou na Itália, na Inglaterra e na Espanha para estudar ilustração.

O belo, sim, é fundamental

9/2/2015- 10:25h

Ilustradores brasileiros já podem inscrever seus trabalhos para a 25ª Bienal de Ilustração de Bratislava de 2015.

A beleza dos livros infantis é incontestável. As produções cada vez mais ousam em criatividade. As imagens, antes mantidas em segundo plano, vêm ganhando papel de protagonista e são tão importantes quanto o texto. Isso sem falar nas produções sem texto que utilizam apenas de ilustrações para narrarem uma história: são os livros de imagem.

Sendo assim, os profissionais gráficos e ilustradores têm recebido atenção especial do mercado e das diversas instituições que atuam no segmento, através de eventos e premiações, defesa dos direitos autorais, formação, etc. Um bom exemplo é a Bienal de Ilustração de Bratislava (BIB), que vai acontecer em outubro, na Eslováquia. Aqui, no Brasil, os preparativos para este evento internacional já estão na pauta da Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ).

Como seção brasileira do International Board on Books (IBBY) e parceira da Bienal, a fundação está convidando os ilustradores brasileiros de livros para crianças e jovens para participarem do evento. Eles devem enviar seus livros publicados entre 2013 e 2015 para seleção das obras até o dia 23 de fevereiro.

A FNLIJ retomou a parceria com a BIB e fará a seleção dos ilustradores e ilustrações. Assim, cada ilustrador selecionado será comunicado pela FNLIJ e deverá enviar seus trabalhos diretamente para a BIB até 1° de abril, arcando com os custos de remessa de livros e das artes, bem como o retorno das ilustrações.

Para participar da seleção, envie seus livros para:

Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil – FNLIJ

Assunto: BIB 2015

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