A vez das crianças e jovens

31/3/2015 – 12:15h

Na Itália, está sendo realizada a maior feira mundial de livros dedicados ao segmento infantil e juvenil. Até 2 de abril, a Feira de Bolonha vai mostrar o que há de melhor e o Brasil está lá com um grupo de 23 editoras e um catálogo preparado pela Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) _ veja abaixo imagem da capa _ destacando uma impecável seleção de livros, editoras, autores e ilustradores brasileiros. Quem quiser acompanhar o evento pela internet, o site é http://www.bookfair.bolognafiere.it/home/878.html

O segmento de livros infantojuvenis é um dos pilares da produção editorial nacional. A maioria das editoras que trabalha com o segmento CYA (Children and Young Adults) tem a preocupação de adequar os conteúdos ao mercado internacional, ganhando cada vez mais visibilidade e força no exterior. Esses esforços fazem do Brasil um dos destaques na Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Itália, que acontece de 30 de março a 2 de abril. Através do projeto setorial Brazilian Publishers (BP), realizado em parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), 23 editoras nacionais participarão da edição de 2015.

Para este ano, estima-se a realização de negócios imediatos em torno de US$ 120 mil e de mais US$ 280 mil nos 12 meses seguintes ao evento, somando-se o auferido com direitos autorais e livros impressos.

“Desde que começamos nossa participação em Bolonha, computamos números que demonstram crescimento de vendas. O editor brasileiro está cada vez mais bem preparado e há uma mudança do posicionamento estratégico utilizado pelo grupo de empresários”, afirma o presidente da CBL, Luís Antonio Torelli. “Um importante diferencial para a realização dos negócios é a possibilidade das empresas obterem a bolsa tradução subsidiada pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN)”, completa Torelli.

A Feira Internacional do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha é o maior evento mundial em negócios e em valor conceitual e simbólico para o segmento infantojuvenil. Organizada há 50 anos, é formadora de tendências editorais e de imagem para os CYAs. O Brasil é visto como uma potência emergente nessa produção, com autores e ilustradores reconhecidos mundialmente. Na última edição, Roger Mello foi o vencedor do prêmio Hans Christian Andersen, o principal reconhecimento de ilustração literária. Neste ano, as indicadas são Marina Colasanti e Ciça Fittipaldi.

“É fundamental ter uma boa participação na Feira de Bolonha. O segmento é extremamente competitivo, com concorrentes fortes como México, Colômbia, Canadá, Portugal, Argentina e Coreia. Entram nessa lista ainda os líderes de mercado EUA, França, Inglaterra e Alemanha”, analisa Torelli. Isso sem falar no papel desempenhado pela literatura infantojuvenil na criação do hábito de leitura. Hoje, no Brasil, a média de leitura entre os adultos é de 1,3 livros por ano, bem abaixo da dos jovens, correspondente a 3,3. “A boa literatura oferecida à infância e à juventude tende a consolidar o hábito de leitura nas demais fases da vida. Ou seja, o futuro é promissor – acredito que as novas gerações serão mais ‘leitoras’ do que aquelas que as antecederam”, conclui Torelli.

Neste ano, outro destaque serão as obras em formato digital, nicho no qual o Brasil já possui importantes iniciativas. “As editoras apresentarão projetos comerciais tanto para livros impressos como digitais. Nos dias atuais, as empresas brasileiras já têm seus contratos atualizados, podendo propor ou não a venda de direitos autorais para os diferentes formatos”, explica a gerente executiva do BP, Dolores Manzano.

“O Brasil está passando de país comprador de direitos autorais para vendedor de conteúdo. Um evento deste porte oferece inúmeras oportunidades e temos que aproveitá-las todas”, afirma Manzano. “O trabalho do BP tem promovido a bibliodiversidade do nosso mercado, inserindo também as pequenas editoras e as editoras independentes em feiras no exterior, com treinamento especial para cada evento”. (Fonte: Câmara Brasileira do Livro)

Este ano, a Croácia é o país convidado da feira.

Um clássico e suas interpretações

29/3/2015 – 21:35h

A história romântica de “Cinderela” volta à cena com a exibição do filme em cartaz em todo o País, o segundo produzido pela Disney. Mas não é apenas no cinema que existe mais de uma versão do conto de fadas. Há variações bem mais antigas em diferentes países.

Em reportagem para o Estado de Minas, o jornalista Helvécio Carlos fala do novo filme Cinderela, em cartaz em todo o Brasil: produção da Disney, lançada em 1950, o clássico ganha nova releitura dirigida por Kenneth Branagh, ator, cineasta e roteirista britânico. O elenco reúne Lily James (a lady Rose MacClare da série Downton Abbey), no papel da heroína; Cate Blanchett (que levou o Oscar 2014 por sua atuação em Blue Jasmine) como a madrasta; Richard Madden (da série Game of thrones) como o príncipe; e Helena Bonham Carter (Os miseráveis) no papel da fada madrinha. Trata-se do primeiro longa a seguir a versão original da borralheira. Versões do clássico da literatura infantil foram lançadas na TV – Cinderela (1957), estrelado por Julie Andrews, e A Cinderela (1997), com Brandy Norwood, primeira atriz negra no papel principal – e no cinema: Para sempre Cinderella (1998), com Drew Barrymore, e Outro conto da nova “Cinderela” (2007), com Selena Gomez.

O Portal Tag It http://portaltagit.ne10.uol.com.br/cultura/19181/historias-de-cinderela/ traz matéria sobre outras concepções de Cinderela em “Um conto com variantes em diversas culturas”, como mostra a imagem acima, e faz o relato:

Cendrillon, França, 1697: esta é conhecida por ter sido a história que realmente inspirou o conto da Disney – é a origem de tudo. Escrita por Charles Perrault, foi baseada em um conto popular italiano chamado “La gatta cenerentola” (“a gata borralheira”) e trazia muito dos aspectos da história que conhecemos hoje, inclusive a abóbora e a fada madrinha.

Cinderella (Aschenputtel) dos Irmãos Grimm, 1812: que os irmãos Grimm tem contos para lá de sombrios, isso a gente já sabe  e não poderia ser diferente com a Cinderella. Na versão dos alemães, as meias-irmãs cortam os próprios dedos dos pés para tentar calçar o sapatinho da gata borralheira. Terrível! A história foi publicada no livro Contos de Grimm, em 1812, ao lado de outras histórias conhecidas, como João e Maria.

Chinye, Quênia, 1994: na versão africana da história, a personagem Chinye também é órfã e mora com a madrasta e a meia-irmã, mas não há príncipe nenhum na história. Na verdade, a heroína ganha uma fortuna como presente dos deuses por suas sábias decisões, enquanto sua invejosa família fica com nada. No final da história, ela compartilha o ouro com toda a sua vila e vive feliz para sempre. Bem melhor que príncipe encantado.

Rhodopis, Egito, Século 1 A.C.: conhecida como a versão mais antiga da “Cinderela”. Neste conto egípcio, Rhodopis, nascida na Grécia, é capturada por piratas e levada ao Egito, onde é escravizada. Um dia, dançando na floresta, é vista por um senhor que decide presenteá-la com sapatos, o que causou ciúme e inveja entre as outras servas. Um dos sapatos é roubado e levado até o Faraó, que decide que a dona dos calçados seria sua nova rainha. O final da história vocês já sabem.

Yeh-Shen, China, Século IX: a versão chinesa da “Cinderela” é bem mais antiga do que a que conhecemos hoje. E também bem mais sombria. Nesta história, Yeh-Shen tem um único amigo, um peixe dourado, que é morto pela madrasta. Ainda, tanto a madrasta quanto a meia-irmã má morrem no final da história por conta de uma chuva de pedras.

Em rede social, o carioca Laerte Vargas, que atua como contador de histórias, comentou a matéria do Portal Tag It, indagando: “Bem menos romântico que o conto da Disney, hein?” Para Laerte, “contar é resgatar um legado da humanidade que sucumbiu à falta de tempo…” “Com isso, os mais velhos, detentores de um rico repertório de histórias tradicionais foram se calando e perdendo, cada vez mais, espaço… o silêncio chegou”. Por isso, contar histórias torna-se tão importante.

Junto com a reportagem sobre o filme “Cinderela”, o jornal Estado de Minas, no caderno Divirta-se, também publica uma análise muito interessante sobre o conto de fadas e filme assinado por Manuela Ribeiro Barbosa, Doutora em teoria da literatura e literatura comparada pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. A reprodução online você lê no link: http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/cinema/2015/03/22/noticia_cinema,165927/classico-cinderela-ganha-nova-releitura-dirigida-por-kenneth-branagh.shtml

Prêmio Cidade de Belo Horizonte

28/3/2015 – 11:00h

O prêmio literário mais antigo do país está com inscrições abertas até maio.

A Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura (FMC), abriu inscrições para a edição 2014 do Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte. Essa é a mais antiga premiação literária do país. A edição deste ano irá contemplar obras em duas categorias: conto e poesia. As inscrições são gratuitas e ficam abertas até o dia 18 de maio de 2015.

A obra vencedora em cada categoria receberá um prêmio de 50 mil reais. Podem participar do concurso apenas pessoas físicas brasileiras, natas ou naturalizadas. O regulamento do Concurso foi publicado no Diário Oficial do Município e está disponível para consulta nos sites www.bhfazcultura.pbh.gov.br e www.pbh.gov.br/cultura.

Como se inscrever
As inscrições podem ser realizadas até o dia 18 de maio de 2015, de terça a sexta (exceto feriados), das 9h às 17h, pessoalmente na Biblioteca Pública Infantil e Juvenil de Belo Horizonte, ou enviadas via Correios para a Rua Carangola, 288, térreo, Santo Antônio, Belo Horizonte/MG – CEP: 30330-240. A ficha de inscrição e a relação de toda a documentação solicitada aos candidatos estão disponíveis nos sites www.bhfazcultura.pbh.gov.br e www.pbh.gov.br/cultura.

Avaliação e resultado
As obras que forem habilitadas a participar do concurso serão avaliadas por uma Comissão Julgadora formada por três especialistas de reconhecido prestígio em cada categoria. As obras vencedoras, bem como as possíveis menções honrosas serão conhecidas até o dia 26 de outubro de 2015.

Prêmio de tradição
Criado em 1947, na comemoração do cinquentenário da capital, o Concurso Nacional de Literatura Prêmio Cidade de Belo Horizonte é o concurso literário mais antigo do país. Um de seus principais atributos é o fato de o concurso premiar apenas obras inéditas. A cada edição, o Prêmio Cidade de Belo Horizonte contribui para o surgimento de novos escritores e obras. Autores como Carlos Herculano Lopes, Antônio Barreto, Luis Giffoni, Roseana Murray, Maxs Portes, entre outros, integram a galeria de vencedores do concurso. A última edição do Prêmio Cidade de Belo Horizonte recebeu número recorde de inscritos (1712), com a participação de autores de todas as regiões do país e até de brasileiros que moram no exterior.

Ainda sobre o Salão do Livro de Paris

27/3/2015 – 11:17h

Encerrado o evento literário que homenageou o Brasil, é chegado o momento de analisar tudo o que aconteceu em Paris, com a delegação brasileira e apontar os resultados colhidos. O blog do Galeno Amorim normalmente faz um clipping do que é publicado na imprensa semanalmente e dele selecionamos alguns artigos que podem transmitir para o leitor, inclusive em números, o que, de fato, representou o Salão do Livro de Paris (20 a 23/3) para a literatura brasileira.

O escritor Fernando Morais em entrevista durante o Salão do Livro

A literatura brasileira em Paris

Jéferson Assumção *

O Brasil, homenageado na 35ª edição do Salão do Livro de Paris que ocorreu de 20 a 23 de março na capital francesa, é um país com uma literatura cada vez mais presente no cenário internacional. Isso se deve a pelo menos três fatores, entre outros: isenção de impostos sobre livros, aumento do interesse mundial pela literatura brasileira e forte investimento público na tradução de obras nacionais para outros idiomas.

Conforme dados da Câmara Brasileira do Livro (CBL) e Sindicato Nacional de Editores de Livros (SNEL), somente em 2013 o setor editorial brasileiro produziu 467 milhões exemplares de livros e teve um faturamento total de R$ 5, 3 bilhões. Foram 480 milhões de livros vendidos. Deste total, o mercado comprou R$ 3,8 bi e o governo, principalmente o Ministério da Educação (MEC), adquiriu R$ 1,4 bilhão.

A cada ano, o Brasil tem em média mais 21 mil novos títulos lançados, o que totalizou, em 2013, 90 milhões de livros inéditos e 376 milhões de reimpressões.

O crescente interesse mundial em relação ao Brasil vem aumentando nossa presença e nossa relevância nas feiras internacionais. Nos últimos anos, o Brasil foi o país homenageado em alguns dos principais eventos do setor, como a Feira de Frankfurt 2013, a maior do mundo, e de Bolonha 2014, a mais importante feira de literatura infanto-juvenil.

Antes disso, o Brasil foi homenageado em Santiago do Chile, em 2007, Santo Domingo em 2009 e Bogotá em 2012, além de participar de diversas outras ações internacionais, cujo objetivo é mostrar a qualidade da literatura que se faz aqui e a importância de nosso setor editorial. Com o Salão do Livro de Paris, mais uma rodada de oportunidades se coloca para autores e editores brasileiros.

O expressivo crescimento do número de bolsas de tradução concedidas no período 2011 a 2014, pela Fundação Biblioteca Nacional (FBN) também tem sido um incentivo para a literatura brasileira. O Programa de Traduções concedeu 770 bolsas de 1991 a 2014, sendo que destas 543 entre os anos de 2011 e 2014 (70% do total). Trata-se de um enorme impulso à presença da nossa literatura no Exterior, o que acontecia muito pouco até então. Basta procurar o que havia de livros nossos no mercado internacional para perceber o quanto esta realidade era restrita.

Hoje, apenas pelo programa da FBN, 290 autores brasileiros estão publicados em 47 países, num total de investimentos do Ministério da Cultura de cerca de R$ 4,5 milhões de reais (apenas se contar o investido a partir de 2011).

Os cinco países que mais se interessaram em participar do programa são Alemanha, Espanha, França, Itália, Argentina e os dez principais autores traduzidos: Clarice Lispector, Jorge Amado, Machado de Assis, Rubem Fonseca, Moacyr Scliar, Alberto Mussa, Adriana Lisboa, Daniel Galera, Chico Buarque e Michel Laub.

Numa ação articulada entre Ministério da Cultura, Ministério das Relações Exteriores e Câmara Brasileira do Livro (CBL), 43 autores representaram o País na França. Para a seleção dos nomes foi escolhida uma curadoria externa e estabelecidos critérios que certamente ajudarão a dar um bom panorama da literatura produzida no Brasil de hoje. Foram levados em consideração a representatividade regional, o equilíbrio de gênero (masculino e feminino), a diversidade étnica e cultural, de gêneros literários e ciências humanas, equilíbrio entre autores consagrados e novos e preferencialmente com obras traduzidas para o francês.

Com decisão política, articulação, visão estratégica, todas contidas no Plano Nacional do Livro e Leitura (PNLL) e investimento, o Brasil tem mostrado ao mundo, de maneira cada vez mais estruturada, a qualidade de sua literatura. Será assim, novamente, no Salão do Livro de Paris.

Publicado na Folha de S. Paulo – 21/03/2015
* Jeferson Assumção é escritor; diretor de Livro, Leitura, Literatura e Bibliotecas do Ministério da Cultura

Ao centro, Ministro da Cultura Juca Ferreira fala durante a abertura do evento francês

Análises da imprensa brasileira

“Para ser mais lida e comentada na França, falta à literatura brasileira contemporânea “uma locomotiva, uma estrela, um autor a um só tempo popular e de estatura, como é hoje o moçambicano Mia Couto” – e foi décadas atrás Jorge Amado (1912-2001), com os 100 mil exemplares de seu “Bahia de Todos os Santos” vendidos no país de Baudelaire.

O diagnóstico é do livreiro e editor francês Michel Chandeigne, veterano entusiasta da lusofonia, em entrevista publicada pelo “Figaro” na quinta-feira (19), dia da abertura para convidados do Salão do Livro de Paris, que neste ano faz um tributo às letras brasileiras. A lista de lançamentos recentes sugere que as editoras locais estão ativamente à procura da “vedete” preconizada por Chandeigne”.

Folha de São Paulo 20/3/2015

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“Se os elogios à “diversidade” e à “riqueza” dos autores brasileiros têm sido uma constantes na França nesta semana, na imprensa, entre críticos e autoridades, o discurso não entusiasma o ministro da Cultura, Juca Ferreira, que é realista. Segundo ele, ainda há muito a ser feito para abrir espaço e garantir uma presença perene dos escritores do País nas prateleiras de livrarias de mercados como a Europa e os Estados Unidos. “Temos uma política de financiar a tradução das obras literárias brasileiras. Isso tem permitido que os escritores cheguem a mercados na França, na Alemanha, nos Estados Unidos e aumentado em muito o interesse pela literatura brasileira”, disse ao Estado. Juca Ferreira reconheceu, porém, que ainda há problemas estruturais, como a falta de um Instituto Machado de Assis, para divulgar a língua, e políticas de estímulo à formação de tradutores do português brasileiro – um dos grandes gargalos apontados por acadêmicos e editores estrangeiros. “Quando se vai subir a escada, sempre há um primeiro degrau”, ponderou, destacando o sucesso da política de traduções”.

Estado de São Paulo 19/3/2015

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“Tradicional, aberto e estável, o mercado editorial francês é estratégico no projeto de internacionalização da literatura brasileira. Homenageado no 35º Salão do Livro de Paris, o Brasil vê o evento como uma oportunidade única de despertar o interesse pelos autores nacionais, ainda pouco difundidos na França. Para a delegação do país, que divulga o trabalho de 43 escritores presentes ao evento, o objetivo é se afirmar como um vendedor de direitos autorais.

_ A França ainda conserva seu estatuto de promotora e legitimadora de produtos culturais – avalia Leonardo Tonus, professor da Universidade de Paris-Sorbonne (Paris IV) e um dos curadores brasileiros no evento. – Penetrar no mercado editorial francês significa ter a certeza de poder ser publicado em outros países. Daí a importância de um evento como este Salão do Livro. Talvez o número de negócios seja menor do que em Frankfurt, mas a carga simbólica é muito maior”.

O Globo 22/3/2015

Literatura brasileira no exterior

26/3/2015 – 12:18h

O Brasil esteve muito bem como país homenageado no Salão do Livro de Paris, que se encerrou dia 23/3. O mercado francês é considerado um grande consumidor de livros, inclusive os dirigidos às crianças e jovens. A expectativa, agora, recai sobre a Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Itália, (foto abaixo) que será realizada nos próximos dias.

Como país homenageado pela segunda vez, a participação do Brasil no Salão do Livro de Paris de 2015 foi considerado pela Câmara Brasileira do Livro como um sucesso não só de público como também de vendas. Além dos auditórios lotados durante os debates entre autores nacionais, a livraria da Fnac, principal varejista francesa do setor, que ocupou 200m² do estande, esteve sempre cheia desde o início do evento.

Foram 1,2 mil títulos e 14 mil exemplares em exposição. Segundo Mansur Bassit, diretor-executivo da Câmara Brasileira do Livro (CBL), foram vendidos 8 mil livros de escritores brasileiros durante os quatro dias de evento, metade deles em português e a outra metade traduzida para o francês. As obras mais procuradas foram de Machado de Assis e Milton Hatoum, com destaque para o título “Dois irmãos”.

O estande do Brasil recebeu importantes autoridades políticas durante o evento. Estiveram presentes Juca Ferreira, ministro da cultura do Brasil, Fátima Bezerra, senadora, François Hollande, presidente da França, Alain Juppé, ex-primeiro ministro, Fleur Pellerin, ministra da cultura  e Alex Giacomelli, ministro conselheiro da Embaixada do Brasil na França. Com curadoria de Guiomar de Grammont, a programação brasileira contou com 43 autores, todos com livros traduzidos na França ou em negociações para isso.

O que vem por aí

A internacionalização da literatura brasileira, no entanto, não começou com o evento francês nem vai acabar junto com ele. O Brasil já foi homenageado em outros eventos literários, como a Feira do Livro de Frankfurt 2013, (foto) e o país ainda tem muitas homenagens acertadas até 2020 com programa de tradução, apoio à circulação de autores brasileiros, revista trilíngue, entre outros. Quem cuidou desta agenda foi o ex-presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Galeno Amorim, na gestão da Ministra de Cultura, Ana de Hollanda, em 2011, com a criação do Programa de Internacionalização da Literatura Brasileira.

A expectativa, agora, recai sobre a Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, na Itália, que será realizada nos próximos dias, de 30/3 a 4 de abril.  Através do projeto setorial Brazilian Publishers (BP), realizado em parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), 23 editoras nacionais participarão da edição de 2015. Brevemente, vamos comentar com mais detalhes sobre esta feira.

Além dos negócios, o evento italiano é um marco especialmente para a literatura infantil e juvenil. A cada edição, autores e ilustradores brasileiros têm seus talentos reconhecidos e três deles já receberam a premiação máxima da literatura mundial, o Prêmio Hans Christian Andersen, que é entregue a cada dois anos, no primeiro dia da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha. São: Lygia Bojunga, em 1982, e Ana Maria Machado, em 2000, na categoria escritor; Roger Mello, em 2014, como ilustrador. Para o prêmio, em 2016, já estão inscritas duas brasileiras: a escritora Marina Colasanti e a ilustradora Ciça Fittipaldi.

Projeto de literatura da Faber-Castell

25/3/2015 – 12:42h

Contos de fadas em formato acessível para crianças e adultos com deficiência visual serão distribuídos para escolas, bibliotecas e instituições de apoio à inclusão em todo o País.

A Faber-Castell do Brasil está patrocinando o projeto Coleção Clássicos Acessíveis, uma iniciativa desenvolvida pela Fundação Dorina Nowill para Cegos que visa aumentar o acesso das pessoas com deficiência visual à leitura.

Chapeuzinho Vermelho, Branca de Neve, Bela Adormecida, Cinderela, João e Maria, João e o Pé de Feijão, Os Três Porquinhos, Peter Pan, Robin Hood e Rapunzel foram os títulos selecionados para serem impressos seguindo o conceito de livro inclusivo. Os exemplares são impressos em braille e fonte ampliada, possui relevos nas imagens, além de serem ilustrados de maneira caprichada e com cores vibrantes.

Foram produzidas 3 mil unidades, que chegarão gratuitamente às bibliotecas, escolas públicas e instituições que atuam com o público com deficiência visual em todo o Brasil. Os kits são compostos por 10 exemplares (um de cada título) acompanhados por um CD com a leitura da história em versão com e sem audiodescrição. Em breve os livros também estarão à venda no site da Fundação Dorina e no Dona Dorina Outlet.

O projeto Coleção Clássicos da Literatura Infantil, em formato acessível, foi viabilizado por meio do Programa Nacional de Apoio à Cultura (Pronac). A realização e iniciativa são da Fundação Dorina Nowill para Cegos em parceria com o Ministério da Cultura e Governo Federal.

Vale lembra que a marca Faber-Castell é líder mundial na produção de EcoLápis de madeira plantada e sua história, que começou na Alemanha. em 1761, se confunde com a própria criação do lápis. A empresa possui escritórios em mais de 100 países. No Brasil, onde está presente desde 1930, três fábricas (São Carlos-SP, Prata-MG e Manaus-AM) e 9.600 hectares de floresta cultivada (também em Prata-MG) são as responsáveis pela produção de 1,9 bilhão de EcoLápis por ano.

O livro ilustrado

23/3/2015 – 20:09h

Angela Lago *

“Acredito que o livro ilustrado nunca foi tão claramente uma mídia. E a minha busca, desde 1980, foi compreender esse objeto cuja arquitetura pressupõe a passagem das páginas.

Uso esse movimento de passagem e também a interrupção que ele pressupõe para acelerar ou prolongar uma ação, para acentuar o ritmo, para marcar o tempo. É relativamente simples. Considero que, cada vez que viramos uma página, colocamos pelo menos uma vírgula na leitura visual.

Também uso a passagem da página para atravessar o espaço, como se o livro fosse uma casa inteira cujas portas vamos abrindo uma a uma. Ou toda uma cidade. Cada vez que viramos uma folha, dobramos uma esquina para uma nova paisagem.

Desenhamos no espaço plano da folha de papel, que é um espaço de representação onde há apenas duas dimensões e nada tem realidade. Posso inclusive desenhar imagens impossíveis. Aqui, tudo é ficção.

Em 1990 desenhei um livro sobre a ilusão amorosa e tratei de acentuar esse aspecto ilusório do desenho na folha de papel. A partir do trabalho de Escher e dos estudos de percepção visual, desenhei um livro que pode ser lido de cabeça para baixo, ou de trás para frente e ainda assim fazer sentido.

Mas ainda que a página seja plana, temos de considerar que o livro tem três dimensões. E que a composição das ilustrações pode usar esse fato a seu favor.

Ao virar a página, variando os ângulos de leitura, o leitor interferirá na composição da ilustração. Como usar isso a nosso favor? Por exemplo, colocando o ângulo mais profundo de uma perspectiva na dobra da folha e aumentando assim a sensação de profundidade.

Todo o livro “Le petit marchand des rues” é um exercício de ir além do plano da página. Muitas das imagens desse livro ganham mais inteligibilidade graças à perspectiva criada por esse ângulo. O menino entre os carros, colocado justo na dobra da página, parece ainda mais comprimido, com a página no ângulo da leitura. A utilização desse ângulo agrega não só ênfases, mas sentido.

Acredito ainda que a técnica utilizada pode muitas vezes ser uma metáfora, e constantemente troco de estilo para acompanhar um tema ou texto.

Também tenho mudado de técnica e de layout para fazer o meu elogio à permanência deste objeto, o livro. Por isso retornei a composições que lembram os primeiros livros em códices ou cadernos. Volto a usar margens maiores nos cantos externos da folha. Com a proporção de ouro o olhar fica no interior do livro. Essa construção ajuda a concentração, barra o mundo de fora.

Por algum motivo, cada vez com mais frequência retorno à fotografia como base para minhas ilustrações. Talvez seja a minha maneira de responder a essa compulsão atual de fotografar. Mas a mania de fotografar parece congelar a vida em simulacros. A viagem apressada e cansativa fica linda na foto. E a visita aborrecida parece festejada e querida.

A fotografia tem cumprido a tarefa de refazer o cotidiano com a sua ficção. Busco o contrário. Com o uso da fotografia e das alucinações que ela me ajuda a criar, quero conferir realidade à fantasia.

Trabalho também com os novos suportes, mas espero seguir pensando esse objeto que nos fascina”.

Escritora e ilustradora * – Tema de apresentação no Salão do Livro de Paris – 20 a 23 de março 2015

O imaginário da criança aqui e lá

Angela Lago *

23/3/2015 – 20:03h

“Já começo nossa conversa com um relato pessoal. Participo, como aluna, de uma oficina de tradução em uma comunidade virtual. Recentemente a líder propôs a seguinte questão: os personagens que cercam o Pequeno Príncipe são masculinos, o que torna a Rosa ainda mais especial na sua feminilidade. Em português, muitos desses personagens, como a raposa, são substantivos femininos.

Conversando sobre o problema com uma amiga também virtual de língua espanhola, me vi perguntando se seria possível traduzir a nova expressão da nossa poeta Adélia Prado, “a árvore ginecológica”, para o seu idioma. Estranho que a amiga trate no masculino um símbolo tão maternal como a árvore. Mas ela tinha argumentos plausíveis para defender um outro gênero para o vegetal.

A base da cultura humana é a língua. E essa simples questão de gênero de substantivos nos mostra como as diferenças entre culturas podem ser sutis, sofisticadas, profundas.

Imagino que o estudo comparativo dessas nuances linguísticas deva ser iluminador. Aliás, aprofundar o conhecimento das diferenças culturais por qualquer método possível só poderá nos acrescentar. É o diferente que possibilita encontros que nos modificam. Que nos fazem pensar e crescer.

No entanto, confesso que reconheço semelhanças mais facilmente que diferenças. Talvez pelo fato de, como autora, estar mais preocupada com singularidades que com generalizações. Mais além das etnias e nacionalidades, é a pessoa no singular quem delineia nossa humanidade em comum.

Até o conto folclórico, material do meu trabalho, que supostamente deveria me apontar dessemelhanças, vem me mostrando convergências e desfazendo fronteiras.

As assombrações, por exemplo, são capazes de percorrerem enormes distâncias. Sei disso desde menina. Era o que ouvia do meu pai quando me queixava de que a assombração que nos orgulhávamos de ter na família era conhecida também na distante cidade de uma colega.

Quero lembrar ainda que adultos e crianças somos todos um vir-a-ser. E também entre as diferentes idades as fronteiras se esgarçam.

A estrutura do imaginário da criança não difere da que todos partilhamos. Temos necessidade de beleza e humor. E recorremos à fantasia para estruturar as ansiedades ou desejos que nos assustam. Por isso a permanência dos contos tradicionais ou do folclore, incluindo os contos de fada, cujas características se assemelham mundo afora. Esses contos se mantiveram vivos graças ao interesse que despertam em diferentes idades.

Participei menina das rodas de história e cantorias na fazenda do meu avô, onde as crianças eram bem-vindas. Todos, crianças e adultos, maravilhados com as rimas espontâneas que surgiam nos desafios entre os boiadeiros. Encantados e crédulos com as mesmas histórias. Conheço esse lugar onde animais, homens simples e crianças estão em harmonia.

Tinha talvez seis anos e, estimulada a caminhar pelo campo sozinha, experimentei então uma sensação de profunda liberdade e um enorme prazer no exercício da solidão e do devaneio. Essa época, acredito, deixou marcas mais intensas que a vivência nas cidades pelas quais passei, no Brasil e no exterior. A ausência dos pais, que permaneciam em casa com os outros filhos, intensificava meu sentimento de autonomia. À noite ia com meu avô desligar o gerador. A luz amarela desenhava sombras. Desligávamos as sombras e lá se iam as assombrações. Sem as luzes e sombras trêmulas, oscilantes, caíamos rendidos na imensidão da abóbada de estrelas.

Faz um ano mudei para uma pequena vila numa região belíssima, embora uma das mais pobres do Brasil, e reconheço em mim os mesmos sentimentos que vivi na minha infância. Com uma grande alegria volto a me assentar com homens simples e ouvir histórias. Volto a entrar campo afora sozinha e me aproximar desse prazer que só é possível na apreciação da natureza.

Será meu imaginário de criança diferente do de agora? E afinal, o que faz o imaginário? A singularidade da minha vida e dos meus encontros, a terra em que nasci ou que escolhi, a minha língua e as que tento aprender, tudo que sei e não sei, minha memória, meu esquecimento?

Aqui e lá em algum momento são o mesmo lugar?”

Angela Lago é escritora e ilustradora. Participou dia 23/3/2015, último dia do Salão do Livro de Paris, do painel “O imaginário da criança aqui e lá” juntamente com Marina Colasanti e Beatrice Tanaka.

Um clique no Salão do Livro de Paris

21/3/2015 – 10:48h

O Brasil é o país homenageado na 35ª edição do Salão do Livro de Paris, um dos mais importantes eventos literários do mundo, que está sendo realizado até  segunda-feira, dia 23 de março. Aproveite o fim de semana para acompanhar o evento pela internet: http://www.salondulivreparis.com/

Com um espaço de 500m², o estande do Brasil contempla uma área de negócios para os editores, um auditório para 77 pessoas,  uma livraria de 200m² com livros dos autores brasileiros e uma praça para eventos.

O Salão do Livro de Paris será palco de encontros literários entre escritores consagrados e novatos no cenário nacional e mundial. Com curadoria de Guiomar de Grammont, a programação contará com 43 autores, todos com livros traduzidos na França ou em negociações para isso.

Além disso, 28 editoras associadas ao Brazilian Publishers, projeto da CBL em parceria com a Apex-Brasil, participam da feira, tendo como objetivo principal impulsionar a venda de direitos autorais na França, ampliando a presença do livro nacional no exterior.

A França é um grande consumidor de livros, em especial de títulos literários, infantojuvenis, didáticos, de ciências humanas e sociais, quadrinhos. Em 2013, o volume de negócios no país foi de € 2.687 milhões, somando vendas de livros (91,3%), direitos autorais (4,7%) e digitais (4%), este último com um crescimento de 28,8% se comparado a 2012, acompanhando uma tendência global. O período apresentou um aumento de 10,6% no número de títulos, totalizando mais de 95 mil novos livros e reimpressões.

Confira aqui a programação do estande do Brasil. Estão participando do Salão 48 escritores brasileiros oficialmente convidados.

Eu conto, ele conta, nós contamos

20/3/2015 – 13:21h

Neste momento, por todos os cantos do mundo, em especial, na Europa, tem gente espalhando histórias, ensinando às crianças o amor pelos livros e ganhando sorrisos, beijos e muitos merecidos aplausos. Essa gente feliz é formada por narradores que, hoje, comemoram o Dia Internacional do Contador de Histórias.

No Brasil, a arte de narrar é muito difundida. Por isso, em todo o País, está sendo comemorad. O Ministério da Educação fez questão de marcar o dia com a hashtag ‪ ‪#‎DiadoContadordeHistórias e explica que a data surgiu em 20 de março de 1991. A contação de histórias, no entanto, “existe há muito tempo, antes mesmo de surgir a escrita. Era através dos contos e causos que os adultos passavam seus conhecimentos e cultura para seus filhos ou se divertiam em boas rodas de conversas com os amigos e comunidade. Podemos dizer que a evolução da humanidade está diretamente ligada à arte de contar histórias”.

Eventos de contação de histórias são promovidos em várias cidades e, por isso, com certeza, os ilustres homenageados estão a espalhar a sua arte de encantar assim como tem feito a professora Lucrécia Georgia Leite, de Belo Horizonte. Em rede social, ela comentou sobre o ofício que abraçou:

“Hoje é um dia muito especial! Dia do contador de histórias, dia de celebrar a arte da palavra, da narrativa de forma bendita! Sinto- me honrada e feliz, em proporcionar a alegria nos corações de crianças,  jovens e adultos. Pode dizer que minha vida foi transformada, curei mágoas, venci medos e principalmente pude mostrar a mim mesma e a todos que me cercam, que as histórias me fortalecem, me fazem acreditar a cada dia, que a melhor coisa que me aconteceu foi me tornar encantadora das palavras”!
“Agradeço pelo carinho de cada amizade conquistada de narradores, por cada oportunidade recebida de trabalho e o apoio de toda a família, pois sempre acreditaram no meu talento. Minha hora chegou, estou vivenciando esta magia como se fosse única e, com certeza, meu maior inspirador, contador de histórias, meu pai, José Batista Leite Neto, está me iluminando no céu, lugar que pode ser comparado à casa dos contadores de histórias. Cada qual tem seu brilho especial, como as estrelas que nos ilumina neste trilhar das histórias”!

Movimento ‪#‎euconto

Os narradores brasileiros, entre eles, a paulista Tatiana Félix, criaram o Movimento ‪#‎euconto para compartilhar a data com a sociedade. É um convite para as pessoas viverem um dia como contador de histórias e, em seguida, compartilharem fotos e experiências na hashtag. Nas lembranças dos contos ouvidos na infância, ela dá as dicas para uma narração se tornar inesquecível pela criança e acompanhá-la pelo resto da vida:

“Bom narrador mesmo era meu pai, que me fazia em todos os domingos viajar pelo mundo da imaginação. Ele nunca havia feito um curso de contação, mas era verdadeiro; nunca havia feito workshops de entonação, mas sua voz era ritmada com todos os tons, notas, exclamações, sotaque de beleza… Ele não sabia quem eram os Grimm, Perrault, Andersen, porém, se apropriava de seus contos com amor, fazendo, assim, com que eu amasse essas histórias com todo meu coração de menina. Ele fazia com que os personagens saíssem de sua boca e ganhasse vida num contar e recontar sem fim. Muitas vezes as histórias eram inventadas e ele  jurava que tinha mesmo acontecido. E mesmo quando eu já havia aprendido a ler,  preferia as histórias que ele inventava…  Afinal a arte é a mentira que revela a verdade”, ressalta Tatiana.

Ela acrescenta que o repertório de seu pai era vasto:” lendas, causos, contos, rimas, parlendas, poemas, tudo ele conhecia mesmo não sabendo os nomes. Usava objetos, massinha, palitos; a voz mudava ora de um velhinho, ora de um menininho… E a menininha ficava apaixonada por sua paixão, apaixonada por suas narrações. Tempo, pausa, improviso, carisma _ ele tinha tudo que um contador precisa. Talvez por conhecer tão bom contador eu seja tão exigente comigo.”
“Hoje sua voz pouco conta, mas suas vozes todas elas moram aqui comigo.E cada vez que abro os lábios para o “Era uma vez”,tudo que ouvi, tudo que eu aprendi , está aqui comigo. Leitura é contágio de amor, que pega de jeito e gruda para sempre”, conclui Tatiana.

Valor dos pais narradores

Se a contadora de histórias Tatiana Félix viveu momentos mágicos com o pai, o mesmo aconteceu com Nadja Calábria que aprendeu esta arte com a mãe Izabel Calábria, o que relata em seu perfil no Facebook:  “ela não era profissional, mas encantou minha vida, tornou minha infância mais colorida e linda. Não lembro a primeira vez que me contou uma história, devia ser muito pequena, mas lembro de muitas tardes e noites de contação no quintal ou na calçada da frente de casa, com lua cheia, cadeiras e banquinhos espalhados, filhos e amigos escutando… E lá aparecia de tudo: alma penada, bunda de couro, vestidos cor do mar com todos os peixinhos e demais moradores_ tudo bordado com fios de ouro… Mouras Tortas e tudo mais.  Me incentivou a ler meus livros de contos clássicos que, na época, tinham poucas ilustrações. Então, aprendi a ler só para descobrir tudo aquilo que ela me contava com meus próprios olhos e imaginação”.
As histórias narradas fizeram a diferença na minha vida e, assim, podem fazer na vida de muita gente, quiçá na vida de todo mundo… “Então, contei para meus filhos e conto até hoje. Agora vou por aí contando histórias para quem quiser ouvir… Agradeço a essa contadora, encantadora e amorosa, por ter me ensinado essa arte antes mesmo que assim fosse considerada. E a ela dedico esse dia e todas as histórias que conto com todo amor que tenho”.

Nadja Calábria: as histórias narradas fizeram a diferença na minha vida e, assim, podem fazer na vida ode muita gente, quiçá na vida de todo mundo - Foto: Angela Lago