Eu conto, ele conta, nós contamos

20/3/2015 – 13:21h

Neste momento, por todos os cantos do mundo, em especial, na Europa, tem gente espalhando histórias, ensinando às crianças o amor pelos livros e ganhando sorrisos, beijos e muitos merecidos aplausos. Essa gente feliz é formada por narradores que, hoje, comemoram o Dia Internacional do Contador de Histórias.

No Brasil, a arte de narrar é muito difundida. Por isso, em todo o País, está sendo comemorad. O Ministério da Educação fez questão de marcar o dia com a hashtag ‪ ‪#‎DiadoContadordeHistórias e explica que a data surgiu em 20 de março de 1991. A contação de histórias, no entanto, “existe há muito tempo, antes mesmo de surgir a escrita. Era através dos contos e causos que os adultos passavam seus conhecimentos e cultura para seus filhos ou se divertiam em boas rodas de conversas com os amigos e comunidade. Podemos dizer que a evolução da humanidade está diretamente ligada à arte de contar histórias”.

Eventos de contação de histórias são promovidos em várias cidades e, por isso, com certeza, os ilustres homenageados estão a espalhar a sua arte de encantar assim como tem feito a professora Lucrécia Georgia Leite, de Belo Horizonte. Em rede social, ela comentou sobre o ofício que abraçou:

“Hoje é um dia muito especial! Dia do contador de histórias, dia de celebrar a arte da palavra, da narrativa de forma bendita! Sinto- me honrada e feliz, em proporcionar a alegria nos corações de crianças,  jovens e adultos. Pode dizer que minha vida foi transformada, curei mágoas, venci medos e principalmente pude mostrar a mim mesma e a todos que me cercam, que as histórias me fortalecem, me fazem acreditar a cada dia, que a melhor coisa que me aconteceu foi me tornar encantadora das palavras”!
“Agradeço pelo carinho de cada amizade conquistada de narradores, por cada oportunidade recebida de trabalho e o apoio de toda a família, pois sempre acreditaram no meu talento. Minha hora chegou, estou vivenciando esta magia como se fosse única e, com certeza, meu maior inspirador, contador de histórias, meu pai, José Batista Leite Neto, está me iluminando no céu, lugar que pode ser comparado à casa dos contadores de histórias. Cada qual tem seu brilho especial, como as estrelas que nos ilumina neste trilhar das histórias”!

Movimento ‪#‎euconto

Os narradores brasileiros, entre eles, a paulista Tatiana Félix, criaram o Movimento ‪#‎euconto para compartilhar a data com a sociedade. É um convite para as pessoas viverem um dia como contador de histórias e, em seguida, compartilharem fotos e experiências na hashtag. Nas lembranças dos contos ouvidos na infância, ela dá as dicas para uma narração se tornar inesquecível pela criança e acompanhá-la pelo resto da vida:

“Bom narrador mesmo era meu pai, que me fazia em todos os domingos viajar pelo mundo da imaginação. Ele nunca havia feito um curso de contação, mas era verdadeiro; nunca havia feito workshops de entonação, mas sua voz era ritmada com todos os tons, notas, exclamações, sotaque de beleza… Ele não sabia quem eram os Grimm, Perrault, Andersen, porém, se apropriava de seus contos com amor, fazendo, assim, com que eu amasse essas histórias com todo meu coração de menina. Ele fazia com que os personagens saíssem de sua boca e ganhasse vida num contar e recontar sem fim. Muitas vezes as histórias eram inventadas e ele  jurava que tinha mesmo acontecido. E mesmo quando eu já havia aprendido a ler,  preferia as histórias que ele inventava…  Afinal a arte é a mentira que revela a verdade”, ressalta Tatiana.

Ela acrescenta que o repertório de seu pai era vasto:” lendas, causos, contos, rimas, parlendas, poemas, tudo ele conhecia mesmo não sabendo os nomes. Usava objetos, massinha, palitos; a voz mudava ora de um velhinho, ora de um menininho… E a menininha ficava apaixonada por sua paixão, apaixonada por suas narrações. Tempo, pausa, improviso, carisma _ ele tinha tudo que um contador precisa. Talvez por conhecer tão bom contador eu seja tão exigente comigo.”
“Hoje sua voz pouco conta, mas suas vozes todas elas moram aqui comigo.E cada vez que abro os lábios para o “Era uma vez”,tudo que ouvi, tudo que eu aprendi , está aqui comigo. Leitura é contágio de amor, que pega de jeito e gruda para sempre”, conclui Tatiana.

Valor dos pais narradores

Se a contadora de histórias Tatiana Félix viveu momentos mágicos com o pai, o mesmo aconteceu com Nadja Calábria que aprendeu esta arte com a mãe Izabel Calábria, o que relata em seu perfil no Facebook:  “ela não era profissional, mas encantou minha vida, tornou minha infância mais colorida e linda. Não lembro a primeira vez que me contou uma história, devia ser muito pequena, mas lembro de muitas tardes e noites de contação no quintal ou na calçada da frente de casa, com lua cheia, cadeiras e banquinhos espalhados, filhos e amigos escutando… E lá aparecia de tudo: alma penada, bunda de couro, vestidos cor do mar com todos os peixinhos e demais moradores_ tudo bordado com fios de ouro… Mouras Tortas e tudo mais.  Me incentivou a ler meus livros de contos clássicos que, na época, tinham poucas ilustrações. Então, aprendi a ler só para descobrir tudo aquilo que ela me contava com meus próprios olhos e imaginação”.
As histórias narradas fizeram a diferença na minha vida e, assim, podem fazer na vida de muita gente, quiçá na vida de todo mundo… “Então, contei para meus filhos e conto até hoje. Agora vou por aí contando histórias para quem quiser ouvir… Agradeço a essa contadora, encantadora e amorosa, por ter me ensinado essa arte antes mesmo que assim fosse considerada. E a ela dedico esse dia e todas as histórias que conto com todo amor que tenho”.

Nadja Calábria: as histórias narradas fizeram a diferença na minha vida e, assim, podem fazer na vida ode muita gente, quiçá na vida de todo mundo - Foto: Angela Lago