Um clássico e suas interpretações

29/3/2015 – 21:35h

A história romântica de “Cinderela” volta à cena com a exibição do filme em cartaz em todo o País, o segundo produzido pela Disney. Mas não é apenas no cinema que existe mais de uma versão do conto de fadas. Há variações bem mais antigas em diferentes países.

Em reportagem para o Estado de Minas, o jornalista Helvécio Carlos fala do novo filme Cinderela, em cartaz em todo o Brasil: produção da Disney, lançada em 1950, o clássico ganha nova releitura dirigida por Kenneth Branagh, ator, cineasta e roteirista britânico. O elenco reúne Lily James (a lady Rose MacClare da série Downton Abbey), no papel da heroína; Cate Blanchett (que levou o Oscar 2014 por sua atuação em Blue Jasmine) como a madrasta; Richard Madden (da série Game of thrones) como o príncipe; e Helena Bonham Carter (Os miseráveis) no papel da fada madrinha. Trata-se do primeiro longa a seguir a versão original da borralheira. Versões do clássico da literatura infantil foram lançadas na TV – Cinderela (1957), estrelado por Julie Andrews, e A Cinderela (1997), com Brandy Norwood, primeira atriz negra no papel principal – e no cinema: Para sempre Cinderella (1998), com Drew Barrymore, e Outro conto da nova “Cinderela” (2007), com Selena Gomez.

O Portal Tag It http://portaltagit.ne10.uol.com.br/cultura/19181/historias-de-cinderela/ traz matéria sobre outras concepções de Cinderela em “Um conto com variantes em diversas culturas”, como mostra a imagem acima, e faz o relato:

Cendrillon, França, 1697: esta é conhecida por ter sido a história que realmente inspirou o conto da Disney – é a origem de tudo. Escrita por Charles Perrault, foi baseada em um conto popular italiano chamado “La gatta cenerentola” (“a gata borralheira”) e trazia muito dos aspectos da história que conhecemos hoje, inclusive a abóbora e a fada madrinha.

Cinderella (Aschenputtel) dos Irmãos Grimm, 1812: que os irmãos Grimm tem contos para lá de sombrios, isso a gente já sabe  e não poderia ser diferente com a Cinderella. Na versão dos alemães, as meias-irmãs cortam os próprios dedos dos pés para tentar calçar o sapatinho da gata borralheira. Terrível! A história foi publicada no livro Contos de Grimm, em 1812, ao lado de outras histórias conhecidas, como João e Maria.

Chinye, Quênia, 1994: na versão africana da história, a personagem Chinye também é órfã e mora com a madrasta e a meia-irmã, mas não há príncipe nenhum na história. Na verdade, a heroína ganha uma fortuna como presente dos deuses por suas sábias decisões, enquanto sua invejosa família fica com nada. No final da história, ela compartilha o ouro com toda a sua vila e vive feliz para sempre. Bem melhor que príncipe encantado.

Rhodopis, Egito, Século 1 A.C.: conhecida como a versão mais antiga da “Cinderela”. Neste conto egípcio, Rhodopis, nascida na Grécia, é capturada por piratas e levada ao Egito, onde é escravizada. Um dia, dançando na floresta, é vista por um senhor que decide presenteá-la com sapatos, o que causou ciúme e inveja entre as outras servas. Um dos sapatos é roubado e levado até o Faraó, que decide que a dona dos calçados seria sua nova rainha. O final da história vocês já sabem.

Yeh-Shen, China, Século IX: a versão chinesa da “Cinderela” é bem mais antiga do que a que conhecemos hoje. E também bem mais sombria. Nesta história, Yeh-Shen tem um único amigo, um peixe dourado, que é morto pela madrasta. Ainda, tanto a madrasta quanto a meia-irmã má morrem no final da história por conta de uma chuva de pedras.

Em rede social, o carioca Laerte Vargas, que atua como contador de histórias, comentou a matéria do Portal Tag It, indagando: “Bem menos romântico que o conto da Disney, hein?” Para Laerte, “contar é resgatar um legado da humanidade que sucumbiu à falta de tempo…” “Com isso, os mais velhos, detentores de um rico repertório de histórias tradicionais foram se calando e perdendo, cada vez mais, espaço… o silêncio chegou”. Por isso, contar histórias torna-se tão importante.

Junto com a reportagem sobre o filme “Cinderela”, o jornal Estado de Minas, no caderno Divirta-se, também publica uma análise muito interessante sobre o conto de fadas e filme assinado por Manuela Ribeiro Barbosa, Doutora em teoria da literatura e literatura comparada pela Faculdade de Letras da Universidade Federal de Minas Gerais. A reprodução online você lê no link: http://divirta-se.uai.com.br/app/noticia/cinema/2015/03/22/noticia_cinema,165927/classico-cinderela-ganha-nova-releitura-dirigida-por-kenneth-branagh.shtml