Não basta ser pai e mãe, tem que ler junto

11/4/2015 – 9:50h

Isabel Clemente *

Tenho uma pequena leitora voraz em casa. Letícia, minha filha mais velha, está com 9 anos e se interessa por gibis, livros seriados infanto-juvenis e crônicas. Ela é capaz de reler o livro o mesmo livro três vezes, rindo e absorvendo tiradas para seu acervo pessoal de piadas. Sim, isso me enche de orgulho. Sim, isso também é mais do que eu mesma fazia na minha infância rodeada por livros. Confesso que vê-la tão absorvida pela leitura reduz bastante minha preocupação com o excesso de tecnologia, desafio para o qual ainda estamos nos municiando como pais de uma geração hiperestimulada por smartphones. Ninguém sabe ao certo onde isso vai dar. A única constatação imediata que se tira olhando ao redor é que já não se conversa à mesa do restaurante como antigamente. Por isso, toda minha ojeriza aos celulares durante refeições e reuniões de família e amigos.

A leitura – junto com conversas de verdade e atividades físicas _ me parece, até que me apresentem argumento mais convincente _ o melhor antídoto para os males da tecnologia. Não à toa esse foi o tema de um dos debates da Feira do Livro Infantil de Bologna, na Itália, na semana passada, o maior evento do tipo no mundo. Recém-chegada de lá, a promotora de Justiça e escritora Ariadne Cantu, autora de 16 livros infantis e mãe de três, me contou que escritores e educadores estavam debatendo até que ponto o imediatismo digital irá afetar a construção dos pensamentos. Não por outro motivo, Gianna Vitalli, uma simpática senhora de cabelos grisalhos que integrava o júri do Hans Christian Andersen, o maior prêmio de literatura infantil, propôs, em sua fala de abertura na feira, que a educação infantil nesses tempos de alta tecnologia atente para o valor da leitura e “reformate a cabeça dos professores”. “As crianças precisam de tempo livre para aprender. Elas precisam reaprender a ler”, disse.

Como vocês, estou também muito interessada nessa investigação. Converso com amigos, procuro ouvir e ler o que os especialistas têm a dizer, enquanto observo, na minha casa, o impacto disso tudo nas duas crianças, sobretudo na caçula, que, aos 5 anos, não está alfabetizada, descobriu os joguinhos muito antes da irmã e outro dia verbalizou de forma singela uma reivindicação que volta e meia reaparece. “Estou cansada de não ter um ipad!” E nem adianta eu dizer que também não tenho, porque além de celular, uso um leitor digital de livros, o que, para ela, dá no mesmo. É tudo tecnologia. Se eu uso para ler ou jogar, não faz a menor diferença. Vá explicar.

Com a baixinha, a gente tem que sentar e ler. Pegar pela mão e convidá-la para uma viagem pelas letras ou apenas pelas imagens dos livros silenciosos, sempre uma ótima aposta para instigar a curiosidade dos iletrados. Isso dá trabalho. Precisa fazer questão, às vezes até brigar com a televisão, lançar argumentos infalíveis e contar com um autor inspirado, lógico. As prateleiras de livros infantis para ela estão quase rentes ao chão. É o tipo de produto que precisa estar ao alcance das crianças. No meio do caminho, entre nós e os livros, entram não só os atrativos da tecnologia, mas o cansaço, a falta de tempo, a necessidade de dar atenção para todo mundo aqui e agora.

Não basta olhar feliz para a criança que resolve folhear sozinha um livro. Tem que desligar as notificações desnecessárias da tela do celular, sentar e dizer “está na hora da nossa leitura” e não deixar ninguém se intrometer. A exclusividade é o toque especial para coroar esse hábito que, como pais, temos a obrigação de ajudar a construir.

E depois que eles aprenderem a ler, passada a fase inicial de dificuldades, qual será o nosso papel? Ler junto, de vez em quando, pode apostar. A missão não termina na alfabetização nem quando eles adquirem fluência na leitura. “É legal ler junto, todos saem lucrando. Você se aproxima afetivamente da criança e ela de você. Milhares de coisas não escritas no livro podem ser ditas”, afirma Ariadne.

Ler junto significa levar para dentro de casa o que muita gente acredita ser responsabilidade apenas da escola. Influência é a arte de contagiar esses pequenos aprendizes com nossos hábitos. Apesar de reclamar a falta de um ipad, a verdade é que Carolina, minha filha menor, está cada dia mais ansiosa para ler como todo mundo da casa, pedindo para digitar no computador a frase que eu pretendo escrever quando sento para trabalhar (foi ela que escreveu “enquanto Carolina”). A obra segue em construção.

Letícia propõe que eu leia o livro que ela terminou de ler. Quer saber a minha opinião, conversar comigo sobre a história.  Eu também tenho essa curiosidade. Afinal, que tanto ela lê e gosta? Estará entendendo tudo? O significado das novas palavras? O dicionário está lá, ao alcance das mãos, mas querer que a criança o consulte toda hora é exigir demais. Que lições tira das histórias? Se for um livro da minha infância, fica fácil interagir, mas há muitos títulos novos. A demanda é constante e crescente. Mal tenho tempo para dar conta dos títulos e dos autores que me interessam. Que horas vou ler o livro infanto-juvenil que já não se consome numa única tarde de tão grande, eu me pergunto. E o que faço com a outra filha que me cerca em busca de atenção nessa tarde propícia à leitura? Vida em família é assim: pontuada por negociações nem sempre frutíferas. Mas as soluções são sempre individuais, variam de casa para casa, e eis que temos uma chance. É tarde, a pequena ouve histórias do pai no quarto enquanto eu e Letícia sentamos para ler um gibi.

Estamos lado a lado, ela apoiada no meu ombro. Alternamos os personagens. Seguimos nessa leitura dramatizada e em voz alta. Tenho chance de perguntar se ela entendeu o significado de uma palavra ou outra. Ela fica feliz de me ver rindo das cenas que ela também achou engraçadas. E eis que na última página da revistinha, não encontramos o “fim” mas um “continua”. Ela me olha com os olhos apertados e séria conclui: “Detesto quando isso acontece. Agora vou ter que esperar a revistinha do mês que vem e ainda estamos no início de abril!”

“Putz, é mesmo”, digo, solidária.

Fechamos o gibi. A hora voou, a irmã chegou toda animada e acesa no meu quarto, o pai veio atrás com cara de quem desistiu da empreitada, mas Letícia ainda está com a cumplicidade esculpida no olhar. Sorri, já despreocupada com o fim da história que não veio.

“Adoro ler com você”, digo. “Precisamos fazer mais.”

“Eu também”, ela retruca, sorridente. “Mãe, eu acabei de ler um ótimo livro e posso te emprestar também”, completa, sustentando o assunto, antes que a noite acabe.

Eu sei. E vou dar um jeito de ler. Ah se vou…

* Isabel Clemente é escritora
Fonte: Publicado originalmente na revista Época – 5/4/2015 e no Blog do Galeno

Quem não gosta de “Carol”?

9/4/2015 – 12:49h

Conheci “Carol”, personagem criada pelo cartunista paulista Laerte Coutinho. Li o livro, que conta várias histórias da personagem no formato quadrinhos, lançado pela Aletria Editora. Anteriormente, foi lançado também pela Editora Noovha América e Sete Luas. “Carol” encanta qualquer adulto, quanto mais crianças. A menina é divertida, aventureira e está sempre surpreendendo o leitor.

Muitas vezes, encontramos detalhes na obra que chama a nossa atenção de uma forma positiva: em “Carol” é o fato dos títulos das histórias surgirem no topo da página, porém, em formato de HQ e texto dentro de balões com imagem da personagem _ veja na primeira imagem, que publicamos acima. São 32 páginas e, com cada uma delas, o pequeno leitor vai se identificar, pois tratam da infância, da relação das crianças com a escola, amigos, família.

Por trás das histórias, personagens, tirinhas existe o experiente Laerte, que já criou tantos personagens interessantes e, por isso, é respeitado como um dos melhores quadrinistas do Brasil. A sua “Carol” nasceu bem antes do livro. Foi em 1997, na revista Zá, onde tinha uma página chamada O Grito para publicação de tirinhas com personagens infantis. Assim ela ficou conhecida e ganhou o interesse das editoras. O livro pode ser adquirido na loja virtual www.aletria.com.br

Família e escola juntas pela redação

7/4/2015 – 19:32h

Concurso de redação Tempos de Escola abre inscrições com o tema “Grandes Atitudes pela Educação”.

A Votorantim Cimentos e o Instituto Votorantim, com parceria do Ministério da Educação (MEC), Canal Futura, Todos pela Educação e Comunidade Educativa abrem as inscrições para o concurso de redação Tempos de Escola 2015 do Programa Parceria Votorantim pela Educação. O concurso está na 7ª edição e o tema deste ano é “Grandes Atitudes pela Educação”. As inscrições podem ser feitas pelo site www.blogeducacao.org.br até 17 de julho. Os vencedores serão conhecidos em setembro.

Serão quatro categorias: Categoria 1: Alunos do 4º, 5º e 6º ano do ensino fundamental; Categoria 2: Alunos do 7º, 8º e 9º ano do ensino fundamental; Categoria 3: Alunos do 1º ao 3º ano do ensino médio; Categoria 4: EJA (Educação de Jovens e Adultos): Alunos inscritos no segmento ensino fundamental (modalidade EJA), ou no ensino médio (modalidade EJA).

O Concurso Tempos de Escola é uma das ações de mobilização da sociedade do Programa Parceria Votorantim pela Educação (PVE), que foi lançado em 2008 e já beneficiou mais de 40 municípios, com atividades conjuntas com as Secretarias Municipais de Educação, gestores das escolas públicas e a comunidade em geral.

Para 2015, as metas do PVE estão relacionadas a aumentar a sinergia entre a educação escolar e a familiar e o programa assume o tema “Família e Escola Juntas: uma atitude que transforma”, em linha com a proposta do movimento Todos pela Educação, do qual o Instituto Votorantim passou a ser parceiro este ano. Ainda sobre o concurso, em 2014 houve mais de 3.400 inscrições, com o recorde de 249 por município.

“Vó Leninha” tem a receita

6/4/2015 – 12:21h

Livro infantil é dedicado às crianças que enfrentam restrições alimentares e coloca a personagem Vó Leninha em ação para ajudá-las com receitas sem glúten, sem soja, sem açúcar refinado e sem lactose. Por trás desta história, tem uma chef da gastronomia funcional para garantir a saúde da meninada e mais tranqüilidade para os pais.

O livro “Vó Leninha em o aniversário de Isabela”, lançamento da Editora Viajante do Tempo, destaca a importância da boa alimentação para as crianças e todas as receitas nele apresentadas foram cuidadosamente elaboradas pela chef em gastronomia funcional Lidiane Barbosa. Conta a  história da festinha de aniversário de Isabela, neta da Vó Leninha, a personagem do primeiro livro da escritora blumenauense Ana Paula de Abreu.

A peculiaridade das receitas é que todas são livres de  glúten,  lactose e soja, alimentos que podem causar alergias. A ideia do livro é poder abraçar todas as crianças para que nenhuma tenha que ficar fora da mesa. O preparo dos quitutes para a festa aparece em um caderno especial dentro do livro que ainda traz dicas de como fazer uma horta, um glossário sobre os alimentos (é importante que a criança saiba o que está comendo) e bandeirinhas para recortar e enfeitar as receitas depois de prontas!

A escritora Ana Paula de Abreu é formada em marketing e sempre adorou escrever e fazia isso como hobby, escrevendo pequenas histórias que ficavam esquecidas nas gavetas de casa. Acabou trilhando outro caminho e trabalhou em diversas áreas, até que, com o nascimento da filha, um mundo encantador se revelou para ela – o dos livros infantis. Foi aí que teve coragem para publicar suas próprias histórias e fez sua estréia em 2014 com o livro “O Mistério da Sopa da Vó Leninha” ilustrado por Bruna Assis Brasil. A escritora também lançou no mesmo ano “Julião Tico e o Balão”. Saiba mais em www.amosercrianca.com.br

A chef Lidiane Barbosa, especialista em gastronomia funcional, ministra cursos e dá consultoria em todo o Brasil. Tem como objetivo oferecer alternativas saudáveis e nutritivas para adultos e crianças. Mãe de duas filhas, Laura, de 9 anos e Maria Clara, de 8 anos, pensa na saúde e no futuro delas ao elaborar suas receitas. Sua maior satisfação está em mostrar para as pessoas que os alimentos funcionais, além de saudáveis, podem ser deliciosos. Saiba mais em www.lidianebarbosa.com.br

A ilustradora Bruna Assis Brasil é formada em Jornalismo e Design Gráfico. Sempre adorou arte, livros, desenhar e fazer trabalhos manuais. Descobrindo que queria ser ilustradora, Bruna foi atrás do seu sonho e fez pós-graduação em ilustração criativa e técnicas de comunicação visual pela Escola de Disseny i Art de Barcelona. A ilustração do primeiro livro foi em 2010 e, desde lá, são mais de trinta livros ilustrados e muitos outros trabalhos com direito a indicações e prêmios reconhecendo seu grande talento. Quando não está desenhando adora entrar na cozinha e dar vida às mais apetitosas receitas. Saiba mais em www.brunaassisbrasil.com.br

Cartas pelo Brasil

3/4/2015 – 10:42h

Projeto incentiva a troca de cartas entre crianças de diferentes estados brasileiros. Mais uma escola adota o recurso para motivar a leitura e redação, o que também pode ser feito entre parentes e amigos.

Em um momento em que o uso da tecnologia é cada vez mais constante, a iniciativa Cartas pelo Brasil, do Sistema de Ensino Poliedro, busca o resgate da comunicação escrita entre estudantes de todo o país.

“Querido amigo. Como você vai? Meu nome é Elisa, tenho sete anos, e moro na cidade de Poços de Caldas, em Minas Gerais. Estudo no 1º ano. O que eu mais gosto na minha escola é da aula de Ciências. Estou muito feliz por escrever essa carta. Espero que goste! Com carinho, Elisa.”

A carta da menina foi elaborada no ano passado e destinada a uma criança de idade semelhante de outro estado brasileiro, que a aguardava com ansiedade. Ambas participaram do projeto Cartas pelo Brasil, que tem como foco primordial o incentivo à comunicação escrita.

Cartas pelo Brasil é parte do projeto Poliedro Infância, criado em 2014 pelo departamento pedagógico do Sistema de Ensino Poliedro (SEP), visando ajudar no aprendizado e no desenvolvimento dos alunos. Seis escolas da Educação Infantil e 21 escolas do Ensino Fundamental I em todo o País aderiram à iniciativa nesse primeiro ano, possibilitando a troca de cartas e a interação entre cerca de 3,3 mil crianças.

Neste ano, a expectativa sobre a participação de instituições de ensino no Cartas pelo Brasil é ainda maior. Crianças de escolas de diferentes regiões do País relatam em cartas suas brincadeiras preferidas, costumes regionais, coisas de que mais gostam, datas festivas, enfim, aspectos variados de suas vidas.

A carta é um dos 57 gêneros textuais trabalhados pelas coleções do SEP. “Uma coisa é as crianças verem em jornais ou na televisão como é a vida em outras regiões do Brasil. Outra é a possibilidade de esse conhecimento ser disseminado por meio de mensagens de estudantes da mesma idade, o que gera interesse, expectativas e, até mesmo, um significado emocional entre eles”, afirma Loise Rizzieri, consultora pedagógica do SEP e coordenadora do Cartas pelo Brasil.

Crianças que estão em fase inicial da alfabetização também podem participar com a ajuda de pais e professores e por meio de desenhos que ilustrem os temas escolhidos pelas escolas para a troca. “A carta é um instrumento que ajuda os estudantes a desenvolverem a escrita”, ressalta Loise.

O projeto prevê ainda a interação entre os professores das Unidades Parceiras (UPs) do Sistema de Ensino Poliedro, a celebração da chegada das cartas e a criação de uma coletânea das mensagens recebidas em um livro virtual. As inscrições começaram em março e vão até o dia 10 de abril. Após confirmarem a participação, as escolas têm até a data de 30 de outubro para concluir a troca de cartas.

O Poliedro Infância foi criado em 2014 junto com o lançamento das Coleções Gressus e Phases, do Sistema de Ensino Poliedro, respectivamente para a Educação Infantil e Ensino Fundamental I. Além do Cartas pelo Brasil, o SEP promove também outras ações e eventos que estimulam a criatividade e a interação entre os estudantes ao longo do ano, como o Mensagens de Férias (no retorno das férias escolares, as crianças reúnem e mostram para os colegas itens como fotografias e objetos que representam os passeios realizados no período) e, em outubro, a Semana da Criança, quando estudantes desenvolvem diversas atividades ligadas ao tema da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco).

Fonte: Maxpress

Hoje é o dia!

2/4/2015 – 10:50h

Em homenagem ao nascimento de Hans Christian Andersen, em 2 de abril de 1805 _­ pioneiro em criar histórias com linguagem adaptada para as crianças _ o mundo celebra hoje o Dia Internacional do Livro Infantil.

O IBBY (International Board on Books for Young People), desde 1967 vem comemorando a data e, desde então, uma seção nacional do IBBY se candidata para criar uma mensagem e ilustração que é divulgada pelas seções em seus países, buscando chamar a atenção para a importância da literatura infantil na formação de leitores.

A mensagem de 2015 “Muitas Culturas Uma História” veio dos Emirados Árabes Unidos, através da escritora Marwa Al Aqroubi, com o texto abaixo, e a ilustradora Nasim Abaeian, que assina o desenho que publicamos a seguir.

“Falamos muitas línguas, temos diferentes origens e ainda partilhamos das mesmas histórias.

Histórias internacionais… histórias folclóricas

É a mesma história contada para todos nós

Em diversas vozes

Em diversas cores

Ainda permanece inalterada…

Começo…

Enredo…

E final…

Ainda a mesma história que conhecemos e amamos

Escutamos todos ela

Em diversas versões por diversas vozes

Permanece ainda inalterada

Há um herói… uma princesa… e um vilão

Não importa suas línguas

Seus nomes

Ou suas faces”.