Duas boas notícias para começar a semana

30/8/2015 – 19:41h

Presente da Aletria Editora para os professores

1-      Recebemos uma boa notícia da Aletria: em Belo Horizonte, a editora está realizando mais um curso de narração de histórias e, como esta arte é muito importante nas salas de aula, decidiu promover o evento em benefício dos mestres, ou seja, a Aletria faz 10 anos e quem vai ganhar o  presente são eles.

“Todos sabem que em outubro se comemora o Dia dos Professores. O Instituto Cultural Aletria está antecipando o presente para essa categoria profissional tão importante para a formação de leitores. Por isso, em cada uma das oficinas a serem ministradas no módulo
Avançado do Curso “A Arte de Contar Histórias”, reservamos 10 (dez) vagas para professores, que terão 50% (cinquenta por cento) de desconto”.

O preço normal de cada oficina isolada é de R$ 150,00. Os professores pagarão apenas R$ 75,00. Para inscrição e seleção, o interessado deve enviar e-mail para aletria@aletria.com.br dizendo por que se interessa pela oficina, informando o local de trabalho, telefone pessoal e do trabalho e endereço eletrônico.

2-     Livros lideram no Vale-Cultura

Carlos Paiva, secretário de fomento e incentivo à cultura do Ministério da Cultura informou que, desde sua implementação, o Vale Cultura alcançou 376 mil trabalhadores, num valor aportado de R$ 377 milhões. Os itens mais consumidos pelo Vale-Cultura são: livros,  jornais e revistas, com 69%, seguido de cinema, com 21%.

Carlos Paiva ressaltou que o programa possui pontos fortes, como a não incidência de encargos sociais e trabalhistas sobre o valor dispendido, item essencial à adesão de empresas beneficiárias. Assim como a isenção fiscal oferecida a empresas tributadas com base no lucro real, fator que contribui para o crescimento do programa e possibilidade o acúmulo de créditos do Vale-Cultura ao longo dos meses, permitindo a aquisição de produtos/serviços culturais com preço acima de R$ 50,00 pelos trabalhadores beneficiados.

No entanto, ressaltou também desafios a serem ultrapassados, como uma possível interoperabilidade entre cartões e a diminuição da taxa de administração das máquinas das operadoras, além da necessidade de estimular a adesão do poder público.

28/8/2015 – 11:11h

Faltam poucos dias para começar a Bienal do Livro do Rio de Janeiro marcada para o período de 3 a 13 de setembro, no Riocentro. Muitos autores importantes já divulgam sua agenda para o evento.

Flávia Savary, por exemplo, está convidando para o bate-papo que participará no dia 4, às 15:30h, com educadores e interessados em literatura infantil, no estande da FTD Educação, que fica no Pavilhão 3, cor Azul, Avenida Clarice Lispector, entre as ruas F e G.

Espaço inédito para jovens

Falando em Bienal do Rio, destacamos o Cubovoxes _ veja foto abaixo _  espaço totalmente voltado para adolescentes e jovens adultos. Com curadoria do historiador e diretor do Canal Futura, João Alegria, o Cubovoxes será uma atividade dinâmica e interativa que vai conectar, incluir e compartilhar tendências de pensamento e as manifestações culturais do momento, reunindo o público para bate-papos com personalidades do cotidiano e ídolos literários.

O espaço é composto por um auditório em formato de cubo, que dá voz aos adolescentes e expande suas ideias. Ao seu redor haverá duas áreas expositivas: a galeria das luzes – que vai expor grandes obras que inspiraram transformações e revoluções – e o jardim imaginário, onde o visitante terá acesso a livros criados por jovens ou que encantaram diversas gerações.

Com duas sessões diárias, além de programações especiais às 19h, o Cubovoxes vai promover encontros do público com nomes que têm se destacado tanto na literatura quanto em outras áreas, como o Gregório Duvivier, Rafael Dragaud, Eduardo Spohr, Affonso Solano, o coletivo Mídia Ninja e Karina Buhr, entre outros.

Palmas para o projeto Ler é Viver

26/8/2015 – 19:19h

O Instituto Gil Nogueira mantém o projeto “Ler é viver”. Há quase dez anos, o instituto é dirigido pela esposa e filhas do empresário mineiro Gil Nogueira, que esteve à frente dos supermercados Epa, Via Brasil e Mart Plus. Este mês saiu o último balanço do projeto: cerca de 5 mil alunos de escolas públicas mineiras leram e interpretaram mais de 110 mil livros no primeiro semestre de 2015. Isso dá uma média de 22 livros por semestre ou 3,66 livros por mês. Uma média muito superior à nacional, o que mostra a eficácia do projeto. De acordo com a 3º edição da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo IBOPE Inteligência e encomendada pelo Instituto Pró-Livro (IPL), o brasileiro lê quatro livros por ano e completa a leitura de apenas 2,1 livros.

O Projeto Ler é Viver visa promover o acesso de crianças do ensino fundamental da rede pública de Belo Horizonte à leitura de qualidade. Nasceu da constatação de que um dos principais geradores de desigualdade social e violência no Brasil é o analfabetismo funcional. Através de pesquisas é comprovado que boa parte dos cidadãos brasileiros está privada de uma leitura com capacidade de interpretação, o que interfere diretamente em seu aprendizado, expressão, produção cultural e desenvolvimento intelectual. Reverter esse cenário é o objetivo primeiro do projeto.

Como funciona

No início de cada semestre letivo, cada sala de aula das escolas participantes recebe uma caixa contendo 50 livros de literatura infantil que podem ser levados para casa ou lidos em sala de aula. As crianças são estimuladas a ler e a interpretar os livros, através de incentivos como as oficinas semanais de contação de histórias e a premiação semestral, que contempla alunos com melhor desempenho na interpretação dos livros lidos, mensurado através de uma avaliação pedagógica. E assim, nos meses de junho e novembro, festas com atração cultural são promovidas nas escolas para entrega de prêmios aos alunos e professores.
Os prêmios serão distribuídos da seguinte forma: Ouro, para todas as crianças que leram e interpretaram acima de 40 livros; Prata, para todas as crianças que leram e interpretaram de 25 a 39 livros; Bronze, para todas as crianças que leram e interpretaram de 8 a 24 livros.Também são premiadas as professoras que alcançaram médias acima de 15 livros.

Evolução do projeto

Os dados abaixo mostram como o projeto vem evoluindo, através dos anos. Os livros interpretados e os alunos premiados correspondem ao somatório do 1º e do 2º semestre de cada ano. Mais de 30.000 alunos já foram beneficiados pelo projeto e mais de 396.000 livros lidos e interpretados.

Para conhecer mais o projeto acesse http://ign.org.br/plus/

Fliaraxá atrai mais de 40 escritores

24/8/2015 – 18:03h

Autores de renomes nacional e internacional participam do Festival Literário, que também comemora os 150 anos de Araxá. Debates, oficinas, lançamento de livros, exposição fotográfica, concurso literário, teatro e música estão na programação, que ocorre, esta semana, de 26 a 30 de agosto, na Fundação Cultural Calmon Barreto – Praça Arthur Bernardes, 10 – Centro.

A quarta edição do Festival Literário de Araxá – Fliaraxá se realiza no ano em que o município celebra150 anos. Durante cinco dias – de quarta a domingo – renomados autores do cenário literário nacional e internacional vão apresentar o que há de mais recente e os desafios no processo de construção da literatura para crianças, jovens e adultos. A programação traz também as possibilidades de diálogos com outras formas de linguagem, como o teatro, a música, a fotografia e o cinema. A curadoria é de Afonso Borges, idealizador do Fliaraxá e do Sempre Um Papo, projeto de incentivo à leitura e criado há 29 anos. Toda a programação é gratuita e as principais atividades ocorrem na Fundação Cultural Calmon Barreto.

A abertura oficial do evento acontece no dia 26 de agosto, quarta-feira, às 19h, com um “Cortejo Literário”, unindo os tambores do multi-instrumentista Maurício Tizumba e músicos de Araxá, com saída da Capela São Sebastião até a Fundação Cultural Calmon Barreto. “A ideia é que a população possa participar desse cortejo, onde o Festival pede licença e convida para a grande festa da literatura”, afirma Afonso Borges.

A escritora Lya Luft é a homenageada desta edição. A autora gaúcha publicou seu primeiro romance aos 41 anos, em 1980. Desde então, são mais de 30 livros, incluindo “Perdas e Ganhos”, que, em 2015, completa 12 anos da sua primeira edição. De sua geração, um destaque do Festival, é a prosadora Nélida Piñon, premiada nacional e internacionalmente, imortal da Academia Brasileira de Letras, sendo a primeira mulher a presidir a instituição, em 1996. Amigas, as duas estarão juntas em uma mesa que abordará a carreira literária de ambas.

Programação infantil e juvenil

Nesta edição, a programação para o público infantil cresce, atendendo a demanda das escolas, que são grandes parcerias do Festival. O evento traz um grande ilustrador, o pernambucano Jô Oliveira, que tem mais de 100 livros publicados e comemora no Fliaraxá os 40 anos de carreira. Há também a premiada pelo Jabuti e uma das maiores escritoras do gênero, Marina Colasanti. O escritor mineiro Leo Cunha, poeta de primeira linha.

Como Araxá é uma estância hidromineral, uma cidade onde as águas têm papel fundamental, a curadoria foi buscar a autora do premiado ABC da Água, Selma Maria, que através de verbetes plenos de poesia, revela a importância de sua preservação. Selma, que também é ilustradora e arte-educadora e trabalha no setor educativo do Museu da Casa Brasileira, em São Paulo, fará oficina para os professores e se apresentará para as crianças.

Paulo Netho, um poeta e declamador, que deixa sempre uma legião de fãs por onde passa. Sua poesia bebe na fonte da cultura popular e ele será presença constante no Sarau do Tamanduel, uma novidade para o público infantil, que mistura teatro, literatura e música junto com o músico Salatiel Silva. O mascote Tamanduel (fotos) tem presença garantida no Fliaraxá 2015. O personagem é uma alusão ao Tamanduá Bandeira, animal em risco de extinção. Com uma língua grande e fome de letras, ele tem música própria e uma bela fantasia e muitas novidades para os leitores infantis, incluindo o Sarau do Tamanduel, uma atividade que reúne diversos autores apresentando música, poesia, contação de histórias e brincadeiras.

O cordelista e folclorista baiano Marco Haurélio também é um dos convidados. Ele tem mais de 80 livros sobre cordel e cultura popular e fará mesas e oficinas. O poeta José Santos trará suas releituras de clássicos para o público jovem, misturando futebol com a Ilíada de Homero e a Divina Comédia de Dante, além de adaptar para literatura de cordel, uma comédia de Shakespeare. José Otavio Lemos, araxaense, embora resida em Uberaba, vem lançar seus livros e fazer atividades junto com seu filho Pedro, de seis anos. E finalizando, Miriam Leitão, que lança seu livro adulto, também falará de seus lançamentos para o público infantil. Vários desses autores realizarão oficinas para professores e estudantes, incentivando a criação literária na cidade.

O Fliaraxá 2015 preparou um encontro mais que especial e que promete arrebatar as emoções dos leitores adolescentes. As mais consagradas autoras da literatura juvenil da atualidade, Paula Pimenta, Thalita Rebouças, Bruna Vieira e Babi Dewet estarão juntas no palco do Festival para falarem sobre suas obras e lançarem o livro de contos “Um ano inesquecível”. Elas dividem a autoria desse livro, que reúne quatro histórias adolescentes vividas, cada uma, em uma estação do ano. Paula Pimenta ambienta seu conto no inverno, Bruna Vieira narra sua história na primavera, Babi Dewet, no outono, e Thalita Rebouças tem o verão como pano de fundo de sua narrativa. Juntas as autoras já venderam quase 3 milhões de livros. Se separadas elas já arrastam e encantam multidões de fãs, juntas esse efeito deverá ser elevado à última potência. E o Fliaraxá proporciona esse encontro inédito em Minas Gerais.

Outra presença que promete deixar os jovens leitores bastante felizes é a do escritor Pedro Gabriel, autor do aclamado “Eu Me Chamo Antônio”, livro de poemas, desenhados em guardanapos. Ele nasceu em N’Djamena, capital do Chade, em 84. Filho de pai suíço e mãe brasileira, chegou ao Brasil aos 12 anos — até os 13 não formulava uma frase completa em português. A partir da dificuldade na adaptação à língua portuguesa, que lhe exigiu muita observação tanto dos sons quanto da grafia das palavras, Pedro desenvolveu talento e sensibilidade raros para brincar com as letras. No Fliaraxá ele participa de uma mesa e também dará a oficina “Novas formas de escrita – Quais suportes nos colocam no mundo literário”.

O cartunista Mauricio de Sousa fará palestra e também receberá homenagem por seus 80 anos de idade e pela trajetória de sucesso de sua Turma da Mônica.

Concurso de redação
O festival mantém firme a missão de formar escritores entre os estudantes araxaenses. O IV Fliaraxá promove entre as escolas de ensino médio e fundamental o Terceiro Concurso de Redação. Assim como nas edições anteriores, o objetivo é revelar novos talentos, promover a literatura nacional e incentivar o hábito da leitura e da escrita. O tema abordado este ano é “Imagina o Livro. Imagina a Cidade”, no qual o participante pode narrar suas experiências reais ou imaginárias, que relacionam o poder da literatura com a cidade. Vale lembrar que em 2015 são comemorados os 150 anos de Araxá. A entrega dos prêmios aos cinco primeiros colocados ocorrerá no sábado, dia 29 de agosto, pela escritora homenageada, Lya Luft.

A programação completa do Festival está no site: www.fliaraxa.com.br

O adulto no mundo da literatura infantil

Federico Ivanier *

O que poderia ser melhor que isso?

Quando publiquei o meu primeiro romance, me faziam recorrentemente a mesma pergunta: por que tinha decidido escrever para crianças? Não importava o que, nem se era bom ou medíocre, mas o que pegava era esse para “crianças”. Acho que a pergunta tinha duas conotações:

a) por que eu tinha decidido escrever para crianças, no sentido de como eu tinha conseguido fazer algo tão complicado/pouco comum.

b) por que eu tinha escolhido algo tão absurdo, a meio caminho da verdadeira literatura.

Acabei inventando uma resposta, não uma verdadeira, mas uma que resolvesse a questão: sou como um pediatra, ou seja, um médico, mas especializado em crianças. Observem como eu me abrilhantava com a palavra “médico” e “especializado”. E percebam como iludia o porquê.

Mas, afinal, por que é que eu escrevo para crianças? Por que eu não escrevo para adultos? O que é escrever LIJ (Literatura Infanto-Juvenil)? Um dia, conversando com uma colega escritora, ela fez uma referência a uma frase de sua filha. As duas estavam falando sobre os livros que a menina lia na escola e a filha de minha colega, ávida leitora, se referiu a eles como “livros para professoras”.

A frase ficou na minha cabeça  – “livros para professoras”. Mas o que seriam? Minha mãe foi professora, o que exatamente significa essa frase? O que diz dos livros? Qual o sentido de “para professoras”?

Como toda generalização é injusta e falsa, mas mesmo considerando isto, é interessante aprofundar o significado da frase, sem ignorar suas limitações óbvias. Especialmente por ser a opinião de uma menina. É apenas uma opinião de uma leitora. Ainda assim, é um elemento atraente para se pensar.

O que são “livros para professoras”? Claro que, desde meu lugar, como escritor de LIJ, a interpretação da frase é subjetiva: o que eu percebo dessa frase é algo assim como que são livros ok, mas que não vão além disso. “Livros para professoras” me soa como comida de hospital. É saudável, sim, mas ninguém te convida para jantar em um hospital. Não existem restaurantes especializados em comida de hospital. Talvez até fosse o caso, mas não.

Na verdade, essa discussão e analogia não se referem tanto às professoras, mas àqueles a que esta menina resolveu chamar de “livros para professoras”. Ou talvez eu  pense assim por ser um escritor. Seja lá o que for, a frase contém a presença do adulto na  LIJ, este parâmetro de tensão onde, embora os destinatários da LIJ sejam almas menores de idade, ela é dirigida (escrita, editada, publicada, selecionada, orientada, explicada, mediada) por adultos.

O problema é que “os livros para as professoras” levam as coisas a um limite incômodo. O que acontece se, finalmente, o destinatário, o adolescente, essa criança, é praticamente esquecido? O que acontece se os livros de LIJ acabam tendo também como destinatários finais adultos? O que acontece se os adultos realmente,  inadvertidamente,  fecham o círculo, ainda que com as melhores intenções? Ao chegar tão filtrada a LIJ ao menino ou menina, quem acaba sendo o seu leitor final?

Parece que estou em desacordo com as professoras. De maneira nenhuma. Que culpa teriam as professoras se elas não escreveram nenhum livro? Também não sou contra aqueles que selecionam os livros. Nem contra as editoras que trabalham orientadas para as instituições educativas. Ao contrário. Acho que falta uma editora, falta uma seleção, falta uma mediação. E tem mais, agradeço que tudo isto exista. Admiro muito tudo o que é feito. Aliás, se as crianças pudessem escolher o que comer todos os dias, certamente escolheriam hambúrgueres e batatas fritas. Não se alimentariam bem. Não experimentariam sabores distintos. É necessária a intervenção dos adultos, também nessa dieta, a dieta cultural.

Façamos a análise ao contrário. Se a minha posição pessoal de escritor é pouco favorável a produzir textos como os que essa menina descreveu como “livros para professoras”, então como fica? Sou contra a alimentação saudável? Quero escrever junk food? Obviamente não é isso. Não sou contra a comida de hospital. Digo isso como pai. E, no entanto, compro sorvetes aos meus filhos, doces, biscoitos recheados, refrigerantes e quando saio para comer fora, deixo que eles comam de tudo. Claro que eu sei que muito do que eles comem não é a coisa mais saudável. Mas tem outras virtudes: o prazer, por exemplo. E não se pode ter tudo. Sempre é preciso abrir mão de alguma coisa.

Fat is flavor [A gordura é sabor], me disse um dia um chef em Los Angeles. A gordura é o sabor. Quanto mais sabor você procura, mais riscos você corre. Não quero utilizar a palavra “gordura” para descrever qualquer forma de literatura. O que quero dizer com isso é que, por vezes, um elemento que não é perfeitamente saudável também pode trazer vantagens. E surge um dilema: mais saboroso ou mais saudável, quanto mais sabor você procura, mais riscos você corre.

Acho que isso também é assim com a literatura. A boa literatura costuma não ser inócua, ou se ajustar a ideais preconcebidos, mas ao contrário. Geralmente nos coloca em lugares pouco confortáveis, costuma provocar angustia, costuma propor uma reflexão sobre o mundo desde alguém frágil, costuma mostrar o que nós não gostamos de ver.

Potencialmente, gera incômodo? ? desde todos os lugares possíveis: a sexualidade, a violência, a morte, os desejos inadmissíveis de vingança e sentimentos destrutivos e autodestrutivos. E também desde o riso, mesmo do riso fácil e barato, e por que não? Ler um livro, pelo menos, um de ficção, é expandir seu mundo, é recorrer um espectro de emoções que não excluam as pouco recomendadas pelos médicos, mas todas. Pelo menos é assim que eu penso.

Se nos limitarmos a esses supostos “livros para professoras” (e neste ponto já deve estar claro que a frase não se refere a livros “para professoras” em si, mas ajustados a um ideal de saúde emocional, a uma temática etc.) enfrentamos algo complexo: a ideia de autocensurarmos, de conceber um mundo cuidadosamente vigiado por um cabeleireiro e por um maquiador. Um mundo limitado, que não expande o do leitor, mas que o reduz. Existem problemas que não podem ser abordados na LIJ? Devemos fazer com que o leitor se sinta confortável ou que se incomode, ainda que seja pouco?

Em suma, o que esta frase traz à minha mente de escritor? A ideia de alienação do mundo infanto-juvenil e adulto.

Obviamente, a idade adulta e a infância-adolescência são partes da vida humana, com muito em comum, mas também com certa exclusão mútua. Não vejo a idade adulta como uma fase que contenha a infância e a adolescência, mas uma diferente. Talvez seja um truque que faço comigo mesmo para escrever. É evidente que para ser adulto é necessário ter passado por uma infância e uma adolescência, mas há músculos emocionais que esquecem e é lógico que assim seja. É preciso esquecer. É preciso se sentir diferente para seguir adiante. E assim como para nós é quase incompreensível, em algum momento, haver estado apaixonado por uma determinada pessoa e nos perguntamos (sem respostas) o que nos aconteceu  para acreditar que essa pessoa seria tão importante, o mesmo acontece quando somos adultos em relação à infância e à adolescência. Até certo ponto, é inevitável olhar esse momento com incompreensão e isso é saudável. Pois se trata de mundos diferentes. E até é diferente ser criança ou adolescente hoje que quando nós fomos.

Mas quando eu digo alheios, refiro, acima de tudo, a que nenhum é superior a outro, nenhum tem mais “experiência” que o outro. Cada um tem coordenadas diferentes e vê desde o seu lugar.

E isso é importante para mim no momento da escrita. Partir desse lugar: da ignorância, da curiosidade. Essa alienação me convém para escrever LIJ. Esquecê-la, significaria escrever como o adulto, desconsiderando o adolescente ou criança que fui. E o que me interessa é o contrário. Estou interessado em resgatar quem eu era e comparti-lo.

Para escrever, pelo menos para escrever LIJ, preciso me mexer, me lembrar, voltar sobre mim, sabendo que minha adolescência ou infância foi um terreno meu quando caminhei por ele, mas sobre o qual não posso mais voltar. Só me restam cartas e recordações, como quando meus avós emigraram da Romênia para o Uruguai e nunca mais retornaram à sua terra natal. Me virar para ver o mundo desde quem eu já não sou é sempre o meu grande desafio. E meu grande fascínio com este trabalho.

Esta alienação não é um sentimento de hoje. É um sentimento presente desde meus treze anos, quando escrevi meu primeiro conto. Odiava literatura e língua espanhola na escola, porque me dava conta do imperialismo do mundo adulto que eu percebia na seleção dos textos, na visão deles, no lugar de mero receptor em que me colocavam. Escrevi, aos meus 13 anos, para me rebelar contra tudo isso.

Ainda assim, eu adorava que alguém fizesse um esforço para construir pontes. Nessa época, eu lia vorazmente Stephen King, cujas novelas estavam cheias de personagens que se masturbavam, se alcoolizavam e queriam matar a seus filhos, ou abusar sexualmente deles e depois morriam despedaçados. Era um mundo grotesco. E Stephen King parecia entreter-se com ele. E eu adorava. Cumpria um papel. Permitia que certas emoções minhas se canalizassem.

Queria ser Stephen King. Queria escrever como ele. No começo pensei que seria pelo lado sangrento. Depois descobri que não. Queria conseguir o mesmo que ele: ser um escritor que se colocava ao lado do leitor e lhe contava tudo o que podia, sem censura, sem nenhum plano, para além de contar e que essa histórias me leve a me integrar com os sentimentos e emoções  do outro/a.

Em uma palavra, não alienação, e sim cumplicidade. Isto parece uma contradição. Afinal, não acabei de dizer que a alienação era algo bom na hora de escrever? Claro. É porque preciso da alienação para depois construir a cumplicidade. Uma precisa da outra.

Então eu adorava Stephen King, porque ele se punha do meu lado. Não queria me ensinar nada. Não tinha uma agenda. O que ele queria era conectar. Ser meu cúmplice. Compartilhar algo. Não sei que comida era, mas tinha um sabor muito humano. Enchia o estômago, te deixava satisfeito. Te deixava sonhando com mais.

Pode parecer uma grande defesa de Stephen King. Mas o que eu quero é lembrar o que um livro me produzia ao vincular-se comigo. Porque a  menina, dos “livros para professoras”, creio que não se sentia muito conectada com os livros. Ou não tudo o que podia.

Portanto, lembrar o que acontecia comigo quando eu ficava fissurado em um livro é a única resposta que tenho. O que King fazia era escrever desde um certo panorama que se abria em minha direção. E por isso, quando escrevi, percebi que o que eu queria era gerar o mesmo em um leitor. Um vínculo. Mesmo que doloroso. Em uma novela, Stephen King descreve o mundo como um lugar que tem dentes. E se tinham que morder-me, que me mordessem, mas que se vinculassem comigo.

Assim, comecei a escrever com aspirações para publicar, tudo isso vinha desde os meus treze anos… quando o mundo adulto me parecia alienante e incompreensível. Não sempre, mas muitas vezes era um mundo injusto, autoritário, egoísta que pretendia que eu me adaptasse a ele, para o meu próprio bem. E nunca fazia o inverso, nunca considerava que você pudesse saber mais, ainda que tivesse menos idade, que você pudesse ter razão ainda que conhecesse menos coisas.

Essa estrutura mental e emocional do “para teu próprio bem” não faz parte dos meus romances. Naturalmente, saiu assim. Não sei se este é o melhor terreno onde fincar os pés, mas acho que está implícito na maioria dos contos de fadas, onde os adultos costumam ser atrozes. Roald Dahl também escreveu mostrando adultos vorazmente cruéis.

Seja como for, esta plataforma me permite respeitar o leitor dando-lhe minha honestidade muito mais do que a minha visão, minhas dúvidas muito mais do que minhas respostas, meus medos muito mais do que minhas certezas, minhas vulnerabilidades muito mais do que meus pontos fortes. Se fosse para contar histórias como um adulto, acabaria ministrando palestras. Ou sendo
inócuo. No entanto, se posso escrever desde o adolescente que fui, a coisa muda. Posso ser eu de outra forma. Posso conectar de outra maneira.

Bem, afinal, a questão inicial se torna relevante. Por que, sendo um adulto, eu escrevo LIJ?

Já disse: minha cumplicidade se dirige a um leitor que não é ninguém mais do que eu, antes. Escrevo para ele. E mais, escrevo honestamente. Sem fingimentos, nem segundas intenções. E sem oferecer-lhes comida de hospital porque esse adolescente (e criança) que fui não tinha doença alguma.

Para ilustrar tudo isso gostaria de dar um par de exemplos, um sobre como contar e outro sobre o que contar. São simples, mas importantes para mim. Começo com aquele que tem que ver com a linguagem. Em uma das minhas novelas eu queria contar a história de um menino tímido que queria conquistar a garota mais bonita da classe e ser o titular do time de futebol de sua série. Entre as coisas que mais me atraiam nessa história era como uma coisa influenciava a outra, o futebol como estratégia do amor. A novela é narrada em primeira pessoa e é um romance muito autobiográfico. A revisora pretendia que eu mudasse várias coisas, porque eram gramaticalmente incorretas. Minha resposta inicial foi que meu personagem falava com erros gramaticais (que, vamos ser claros, eram relativamente a questão menor). Era ele quem narrava a história. Com esses erros. E quando ela insistiu mais uma vez, aparentemente brava, dizendo que os jovens nunca falariam corretamente se não lhes déssemos o exemplo, minha resposta foi que não me interessava dar exemplo a ninguém.

Escrever LIJ implica, para mim, deixar o lado adulto de fora. Abrir mão dele de verdade. Abandoná-lo com suas ideias de controle de tudo, deixar suas ideias de certo/errado, até mesmo as suas boas intenções. No meu caso, isso faz parte da minha agenda e me incomoda.

E isso também se aplica ao enredo das histórias. Falando um dia com uma escritora de LIJ uruguaia, ela argumentava que era artificial pensar que o mundo adulto ficasse excluído da resolução dos problemas das crianças. Que na vida cotidiana os adultos participavam do que acontece e que seria inevitável que isso ocorra na vida de ficção. Costumavam ser os adultos os que resolvem as coisas e, portanto, era desejável que o mesmo acontecesse na LIJ.

Respeito o ponto de vista e compreendo a sua lógica, mas não estou de acordo com ele. O mundo de ficção não é o mundo cotidiano, onde as coisas funcionam ou devem funcionar de uma certa maneira. O mundo ficcional não é uma imitação da vida. Se fosse, seria muito pouco interessante. Não seria uma criação. O mundo ficcional é um lugar onde se reflete o mundo cotidiano. E muitas vezes a ficção é como os espelhos distorcidos onde nos olhamos para ver como seriamos. Quanto mais deformado for o espelho, mais interessante, mais incisiva a faca no momento de cortarmos e mais nos obriga a nos perguntar quem somos e qual é nosso mundo cotidiano.

Ou seja, o mundo ficcional é anárquico. Na literatura, os personagens podem voar, ser imortais, estar em Montevidéu e ali encontrar uma rua que não está nos mapas. O que isso importa? O mundo ficcional é um lugar de liberdade, onde não colocamos limites, como se as crianças ou os jovens não pudessem resolver os seus problemas por sua conta.

Que os resolvam por sua conta. Que nos ignorem. Por que não? Uma novela não é o mundo cotidiano. O valor da ficção não é o testemunho, a descrição histórica. Ou pelo menos, não é o seu valor fundamental. Se a missão da ficção fosse ser testemunhal, por que falaríamos sobre o “teste do tempo”? Que importa que algo “resista” ao tempo? Romeu e Julieta é testemunhal?

Não, o seu valor é outro. É simbólico. E mesmo que tenha sido escrito séculos atrás, continua explicando, de alguma forma, como amamos, o que é esse sentimento, até onde pode nos levar e o confuso e o cruel que costuma ser o destino quando se cruza com os amantes.

A ficção não precisa ser verossímil, precisa ser fidedigna. Verossímil é semelhante a verdadeiro. Fidedigno é usado para descrever algo que é certo, no sentido profundo do termo. Espero, como escritor, me aproximar da veracidade (ou de uma veracidade) e não da verossimilhança.

Portanto, nesta terra fértil da ficção, onde tudo é possível, creio que as crianças e os jovens podem enfrentar e resolver qualquer coisa sem a ajuda de nos, os adultos. Que façam isso. Não vai acontecer nada de errado se imaginar que não precisam de nos. E depois, também, sejamos cuidadosos com o que pensamos sobre o mundo cotidiano. Quem diz que no mundo cotidiano não pode acontecer tal ou tal coisa? Às vezes, pensamos de acordo com a média mental que existe sobre a realidade. Posso dizer que em um grupo de pessoas, a idade média é de 30 anos. Essa média pode me fazer pensar que a maioria tem 30, mas talvez ninguém neste grupo tenha 30. E que haja uma média de 30, não significa que não possa haver um bebê de meses e uma mulher idosa de noventa no mesmo grupo.

Comecei esta reflexão me perguntando por que escrevo para crianças e jovens. As razões são simples. Pelas mesmas razões que escreveria qualquer ficção. Para descobrir. Para compartilhar. Para ser livre. Para remexer. Para sentir prazer. Para ser estrangeiro. Para me adaptar. Para me desafiar. Para me modificar. Para saber que não sei. Para ser eu. E não sou doutor em nada, afinal de contas não curo ninguém. Nem mesmo diagnostico. Tampouco sou um especialista. Só faço o que posso, o melhor que posso, contar o que anda pela minha cabeça sem guardar nada.

Como é dito no filme Beleza americana, olhemos mais de perto. E deixemos a ideia das médias preconcebidas, do que se pode ou não se pode na ficção. Se pode tudo. Em LIJ também, se pode ser tudo, se encontrarmos a maneira de conectar. É disso que se trata. Conectar-se. Conectar com o alheio. Com nós mesmos e com os outros.

Honestamente, o que poderia ser melhor que isso?

* Federico Ivanier nasceu em Montevidéu, Uruguai, em 1972, estudou roteiro na UCLA e literatura criativa na Escola Tai de Madrid. Publicou mais de 15 novelas  infantis e juvenis já lançadas na Argentina, Paraguai e Colômbia.  Ganhou o Premio Nacional de Literatura del MEC e o Bartolomé Hidalgo da Cámara Uruguaya del Libro. Também trabalhou como roteirista em rádio e escreveu o roteiro do filme animado Anina (2013). Estudou Sociologia na UDELAR.
Texto apresentado no 4° Foro Teórico de Literatura Infantil Juvenil – Mesas de reflexão _ promovido pela Biblioteca Pública de Las Misiones – Parque del Conocimiento, maio de 2015.Tradução de Dolores Prades.

Inspiração da filha

19/8/2015 – 10:00h

O autor Ilan Brenman, através de rede social, comenta a respeito de seu próximo lançamento:

Há muitos anos, minha filha mais velha ficou observando a barriga da mãe (grávida) e disse: “Quero Nascer de Novo!”

Depois de dizer isso, enfiou a cabeça dentro da blusa da mãe e ficou por lá um tempinho.Dessa observação tocante nasceu o livro: ” Quero nascer de novo!”

Em 2015 o livro foi reeditado de forma belíssima pela editora Saber e Ler e nesse sábado faremos o lançamento do livro em Campinas, São Paulo, às 10h30, no endereço: R. Cristovão Colombo, 366 .

Filme para “Alice através do espelho”

19/8/2015 – 9:59h

Disney inicia produção com equipe e elenco premiados. Cineastas retornam às adoradas histórias de Lewis Carroll para aventura inédita no País das Maravilha.

Burbank, Califórnia – Alice Através do Espelho (Alice In Wonderland: Through the Looking Glass) da Disney começa a fotografia principal nesta semana com uma equipe de produção premiada e elenco estelar, incluindo Johnny Depp, Anne Hathaway, Mia Wasikowska, Helena Bonham Carter e Sacha Baron Cohen.

James Bobin (Os Muppets, Muppets 2: Procurados e Amados) dirige o filme que revisita as adoradas histórias de Lewis Carroll em um conto inédito que retorna no tempo e ao País das Maravilhas. Alice Através do Espelho é produzido por Joe Roth (Malévola, Alice no País das Maravilhas), Jennifer Todd (Alice no País das Maravilhas, Amnésia), Suzanne Todd (Alice no País das Maravilhas, Amnésia) e Tim Burton (Alice no País das Maravilhas, Frankenweenie).

John G. Scotti (Muppets 2: Procurados e Amados, Os Muppets) é o produtor executivo; Linda Woolverton (Malévola, Alice no País das Maravilhas, A Bela e a Fera) escreveu o roteiro. Filmado em locações e no Estúdio Shepperton na Inglaterra, o filme será lançado em 27 de maio de 2016.

O filme traz de volta vários dos principais profissionais da equipe de Alice no País das Maravilhas (Alice In Wonderland), incluindo o compositor premiado Danny Elfman (50 Tons de Cinza, Big Eyes, O Lado Bom da Vida), a figurinista três vezes ganhadora do Oscar® Colleen Atwood (Memórias de uma Gueixa, Chicago), ganhadora do Oscar, do BAFTA e do Satellite, entre outros, por seu trabalho em Alice no País das Maravilhas, e o supervisor de efeitos especiais, cinco vezes vencedor do Oscar Ken Ralston (Forrest Gump – O Contador de Histórias, Star Wars Episódio 6: O Retorno de Jedi), ganhador do prêmio Satellite de melhor efeito visual por Alice no País das Maravilhas (Alice In Wonderland).

A equipe de produção premiada de Bobin também inclui o desenhista de produção ganhador do Oscar® Dan Hennah (King Kong, trilogia O Hobbit, trilogia O Senhor dos Anéis, vencedor Oscar por O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei), e Stuart Dryburgh (A Vida Secreta de Walter Mitty, O Diário de Bridget Jones, indicado ao Oscar por O Piano) como diretor de fotografia. Também na equipe o maquiador e cabeleireiro ganhador do Oscar Peter King (O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei, indicado ao Oscar por O Hobbit: Uma Jornada Inesperada), e o supervisor de efeitos visuais ganhador do Oscar Neil Corbould (Gravidade, Gladiador). Andrew Weisblum (Noé, indicado ao Oscar por Cisne Negro) é o montador.

Divinópolis faz a sua festa

Pés de livro na Festa Literária de Divinópolis, a Flid 2015 - foto: Divulgação

16/8/2015 – 23:10h

A Secretaria Municipal de Cultura (SEMC), em parceria com Gulliver Editora e Boutique do Livro, promove a 2° Festa Literária de Divinópolis (FLID), de 20 a 23 de agosto. O evento, viabilizado por meio da Lei de Incentivo à Cultura, acontece no Teatro Municipal Usina Gravatá e conta com a presença de nacionalmente renomados autores. A proposta do evento é inserir Divinópolis no circuito nacional de festas literárias.

O secretario municipal de Cultura, Bernardo Rodrigues, disse que o projeto busca difundir a literatura e pensar um pouco sobre a produção literária, não apenas com autores locais, mas também com escritores de renome nacional.

“Esse é um projeto que está em seu segundo ano e já se consolida no município pela qualidade. Ainda vem ao encontro de outro importante projeto da Secretaria de Cultura, o “Livro, Leve e Solto”, que rompe os limites da biblioteca como espaço para pensar como uma cidade leitora. A Flid vem para coroar esse momento”, pontua Bernardo.

Entre os convidados, são destaques os autores Elisa Lucinda, Leila Ferreira, Leo Cunha, Cris Guerra, Marina Carvalho, Denise Emer, Ana Elisa Ribeiro e o poeta Chacal, além de três grandes nomes da charge mineira: Son Salvador, Duke e Quinho.

O evento também contará com inúmeras atrações artísticas, entre as quais o palhaço Rodrigo Robleño, que atuou por anos com o “Cirquedu Soleil”, e Elisa Lucinda, que, além de participar como autora, fará uma apresentação em homenagem a Adélia Prado.

O evento oferece uma ampla programação com entrada gratuita para todas as idades e para os mais diferentes interesses. A programação completa está no site www.flid.com.br. Mais informações com Joubert Amaral, Editor da Gulliver Editora, em (37) 3511-1120 / (31) 9234 2774 ou pelos e-mails joubertamaral@gullivereditora.com.br e imprensa@flid.com.br.

A arte de contar histórias

15/8/2015 – 10:51h

Jacqueline Machado Carteri/Bibliotecas do Brasil *

Ouvir e contar histórias é sem dúvida uma das melhores coisas da vida. É inegável que crianças e adultos se encantam com uma história bem contada, seja ela retirada de um livro de histórias ou uma narrativa pessoal de um fato.
A arte de contar histórias é um ato milenar, que reúne pessoas em torno de mensagens, conhecimento e informação desde o tempo onde apenas a oralidade era possível. As histórias aproximam pessoas, desvendam mistérios, compartilham aventuras, medos, angústias e finais felizes. Quando nos reunimos em torno de uma história e seu narrador, compartilhamos sentimentos, nos tornamos sensíveis aos sonhos alheios e dividimos não apenas um espaço, mas as imagens, os pensamentos e as emoções.
Essa introdução confirma muitas das vantagens e a importância da “contação de histórias” nos espaços de educação formal e não formal e que tem como objetivo desenvolver ou incentivar o gosto pela leitura. Vamos salientar e reforçar essa importância através de algumas reflexões.

– Quando contar histórias?
Sempre que quisermos mexer com a imaginação e com os sentimentos de um grupo, podemos contar histórias para aproximar o livro do leitor, divulgar as narrativas escritas de nossa biblioteca ou do nosso espaço de leitura. Na escola podemos contar histórias para abordar um assunto específico, mas, nesse caso, todo cuidado é pouco, pois essa prática não pode se tornar didática demais e causar enfado nos ouvintes ou tirar o prazer da atividade. Podemos contar histórias quando queremos tornar sensível um grupo, aproximar pessoas com um mesmo objetivo, ou que frequentem um mesmo espaço, pois através das histórias as pessoas se identificam e se abrem para ouvir e compartilhar particularidades.
As histórias podem ser contadas como atenuantes de uma dor, de um sofrimento ou de um momento triste. Elas são um bálsamo para os sentimentos mais profundos das pessoas que estão em situação de risco e têm o poder de amenizar a realidade.
As histórias são sempre um momento de prazer, de lazer, de introspecção, de reflexão e por isso é muito importante que os objetivos na hora da contação estejam claros. O contador de histórias precisa ter sempre em mente o que pretende e quais passos irá seguir para a realização de seus objetivos. O planejamento nesse caso é fundamental.

– Onde contar histórias?
O local é importante, pois a atenção deve ser dedicada exclusivamente ao contador e sua narrativa. O local deve ser aconchegante, arejado e limpo, que acolha o ouvinte e transporte-o para o mundo da história, para um cenário particular que será criado a partir da voz do narrador. A imaginação é poderosa e deixar que ela flua livremente é imprescindível. Por isso quando nos deparamos com um contador de histórias e um grupo de ouvintes ao seu redor é comum vermos olhinhos faiscantes e as mais variadas expressões cravadas em suas faces.

– Quem pode contar histórias?
Qualquer pessoa pode contar histórias desde que goste de ler, tenha uma boa dicção, goste de inovar, não tenha medo de errar e tenha sempre em mente que suas palavras terão uma importância enorme, darão vida aos pensamentos de um autor e poderão motivar mudanças significativas tanto para crianças quanto para adultos.
As palavras tornam-se poderosas quando saem dos lábios de um contador, esses maravilhosos profissionais que não medem esforços para dar sentido a uma narrativa. E para que isso aconteça, a pessoa interessada em contação de histórias tem que estar preparada, estudar muito, conhecer seu público, acreditar naquilo que está contando, aprimorar-se constantemente através de cursos, oficinas e da observação de outros profissionais da área que atuam nos mais diferentes espaços. É preciso muita leitura, pesquisa e principalmente a prática, pois a cada vez que contamos uma história nos tornamos mais “donos” dela e fazemos com que ela seja melhor absorvida pelos ouvintes.
Cada um, depois que tiver claro o que deseja do ato de contar histórias, vai criar o seu perfil, vai desenvolver o seu jeitinho e irá encantar de uma maneira só sua. Deixo aqui algumas dicas para quem pretende se aprofundar no tema e desenvolver essa atividade em seu espaço de leitura, em sua escola, em seu grupo, associação, comunidade, etc. A arte de contar histórias tem uma vasta bibliografia e existem diversos cursos oferecidos por profissionais da área, instituições particulares, organizações não governamentais e instituições públicas a fim de formar um número cada vez maior de contadores de história e disseminadores da leitura. Aqui vão alguns títulos, mas é só uma pequena amostra do vasto material que você poderá encontrar na rede. Boas leituras, boas pesquisas e boas histórias!
Livros para se aprofundar na arte de contar histórias:

Contar histórias: uma arte sem idade – Betty Coelho

Metodologia do ensino da literatura infantil – Marta Morais da Costa

Contando histórias, formando leitores – Ana Maria Machado e Ruth Rocha

O ofício do contador de histórias – Gislayne Matos e Inno Sorsy

Contar histórias: a arte de brincar com as palavras – Fabiano Moraes

Em busca do leitor literário: um passeio com chapeuzinho vermelho – Cleber Fabiano da Silva

Textos e pretextos sobre a arte de contar Histórias – Celso Sisto

Manual de reflexões sobre boas práticas de leitura – Daniela B. Yunes, Eliana Versiani e Gilda Carvalho

A leitura e o ensino da literatura – Regina Zilberman

*Jacqueline Machado Carteri é pedagoga e trabalha com projetos de incentivo à leitura há 15 anos.