História antiga com final moderníssimo

29/9/2015 – 21:20h

Está rodando nos intervalos comerciais da televisão, desde a semana passada, a nova campanha do Itaú “Leia para uma criança #issomudaomundo”. Desta vez, o comercial é longo e se inspira na saga do Rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda e a espada Excalibur. A mesma campanha está nos jornais e na internet com um convite para o público entrar na página do Itaú Criança https://www.itau.com.br/crianca/ para solicitar os livros que estão sendo doados: “Dorme, menino, dorme” de Laura Herrera e “Tatu Balão”, de Sônia Barros.

O primeiro livro conta a história de um menino acordado na noite escura e que não consegue dormir. Para ele, trazem música e canções, cobertores quentinhos e leite morno, mas só uma coisa o levará suavemente ao mundo dos sonhos. O que será?  “Tatu Balão” foi destacado neste blog recentemente com a aventura de um tatu-bola que tinha um sonho na cachola: não ser bola, ser balão.

Mais uma vez, a campanha do Itaú está sendo muito elogiada pelo público. Hoje, a Câmara Brasileira do Livro divulgou nota para enaltecer sua importância no estímulo à leitura. O filme, que está no centro desta nova ação do Itaú Criança, se fundamenta na história de Arthur que um dia tirou a espada Excalibur da pedra e se tornou rei e comandou uma das mais maiores sagas contadas em livros de história. A saga foi escrita pelo romancista inglês Thomas Malory, quando cumpria mandato de prisão em Londres.

Mas a beleza do filme está no fato de mostrar que a imaginação da criança pode criar e recriar qualquer história. E principalmente de destacar o valor de quem narra uma história para a criança. Em vez de ser fiel à saga de Malory, o filme dá outro destino à espada Excalibur. A saga original diz que quem tirasse a espada da pedra ganharia o título de Rei. Do livro “O rei Arthur e os Cavaleiros da Távola Redonda” quem consegue tirar esta espada da pedra e da bigorna é por direito o rei de toda a Inglaterra. Duas pessoas, que queriam o título tentam a façanha: Key que confiava em Sir Ector e Arthur que confiava no Mago Merlin. Arthur conseguiu tirar a espada, mas Key, com inveja, tirou-a de Arthur e mostrou-a para Sir Ector.

No filme da campanha é diferente: todos estes personagens se esforçam muito e tentam em vão arrancar a espada da pedra, mas quem consegue é somente um personagem do mundo moderno, nada menos que o narrador da história para a criança que o acompanha na aventura de tomar o lugar do Rei Artur. No sentimento da criança é assim: quem lhe conta uma história é um verdadeiro herói.

“Leia para uma criança. E inspire mais pessoas a fazerem o mesmo. Esta é uma responsabilidade de todos nós. E pode acreditar: ler para uma criança é um ato capaz de provocar efeitos transformadores na vida delas e na nossa também”, diz a campanha.

Músicas para ler

Editora Salamandra lança a coleção infantil Músicas para Ler baseada em canções de compositores brasileiros: “Oito anos” de Paula Toller e “Família” de Tony Bellotto e Arnaldo Antunes.

“Família”

Gravada em 1987 pelos Titãs, a música Família é uma das composições mais conhecidas da banda e, agora, esse clássico do rock brasileiro também está na versão impressa. No enredo são exibidas várias situações rotineiras que se passam com cada integrante da família, como papai, mamãe, titia, seguidas pelo refrão Família ê, família á, família!

“Apesar de a música ser crítica em relação a vários aspectos da família, com suas morais, medos e manias, tem também um certo humor afetuoso”, diz Arnaldo Antunes. “Eu e meu ‘irmão’ Arnaldo quisemos ao mesmo tempo criticar e homenagear essa instituição maluca, que vive se transformando, e sem a qual nossa sociedade não existiria. Quando eu vi o livro, pensei: esse livro poderia ter sido feito antes, mas ainda bem que foi feito agora”, revela Tony Bellotto. As ilustrações dessa obra são de Loro Verz.

“Oito Anos”

Escrita pela cantora e compositora Paula Toller, com a ajuda de Dunga, músico da banda Kid Abelha, “Oito Anos” virou um hit infantil na voz de Adriana Calcanhoto. No enredo, Gabriel, que tem apenas oito anos faz perguntas difíceis de serem respondidas até por gente grande.

A música foi inspirada no filho da cantora que se chama Gabriel: “Ele me perguntava sobre todos os assuntos, desde o mais simples até o mais complicado. Inspirei-me nele e em sua vontade de explorar o mundo e aprender sobre as pessoas ao seu redor. O livro pegou a música e levou para outro universo poético, que eu acho muito lindo”, diz Paula Toller. As ilustrações ficam por conta de Bruna Assis Brasil.

Os títulos ainda trazem uma cartela de adesivos com os personagens e objetos da história para a garotada se divertir. Leia abaixo, matéria de Marcela Assis e Pedro Siqueira publicada no Diário de Pernambuco com entrevistas com Paula Toller e Tony Bellotto sobre o lançamento.

Por que os dedos murcham quando estão no banho?

Por que a Lua é branca?

Por que a rua enche quando está chovendo?

Foi com perguntas como essas que Gabriel, filho da cantora e compositora Paula Toller, inspirou a canção Oito anos. Com vários questionamentos típicos da infância, a música ganhou as páginas de um livro voltado para o público infantil com ilustrações lúdicas. A publicação faz parte da coleção Músicas para ler (Editora Salamandra), que também conta com uma adaptação de Família, de Tony Belloto e Arnaldo Antunes, sucesso da banda Titãs.

Gravada em 1987, a canção reúne várias situações comuns entre parentes, como o costume de fazer refeições em conjunto, e críticas a tradições familiares. “A letra é uma crítica bem-humorada à essa instituição peculiar, repleta de cenas cômicas e cotidianas, com as quais todos nos identificamos. Qual pai não se preocupa com a segurança da sua família, por exemplo?”, resume Tony Belloto. Oito anos se tornou conhecida na voz de Adriana Calcanhoto, no álbum Adriana Partimpim. A composição foi lançada originalmente em 1998, no primeiro álbum solo de Paula Toller, que na época já fazia parte do grupo Kid Abelha.

Se fosse apontar outra canção para o universo da literatura infantil, Paula não saberia qual escolher. “São muitas músicas… Todas?”, brinca. Tony Belloto já tem uma sugestão para a continuação da coletânea. “Bichos escrotos, que não é minha, mas é dos Titãs, daria um belo livro”, polemiza.

Entrevista com Paula Toller

P: Em Oito anos são feitos questionamentos típicos da infância a partir da experiências que você passou com seu filho Gabriel. O que ele achou da canção quando a ouviu pela primeira vez?
R: Oito anos é sobre os questionamentos que começamos a fazer quando pequenos e continuamos a fazer durante toda a vida, mesmo sendo adultos. Quando estava gravando, levei Gabriel no estúdio, ele colocou o fone de ouvido e deu uma gargalhada que está registrada na música.

P: A música já ganhou várias versões, uma delas ficou conhecida na voz de Adriana Calcanhoto. Você acha que o livro tem chance de se tornar a releitura favorita do público infantil? Por quê?
R: A música é um hit, as crianças adoram, e espero que gostem do livro também, porque é muito bem editado. As ilustrações da Bruna Assis são divertidas e dão respostas interessantes às perguntas, estimulam a imaginação, essa pedra bruta que passamos a vida toda lapidando.

P: Como surgiu a ideia de publicar um livro com a letra de Oito anos?
R: Recebi o convite do Danilo Belchior, editor de texto da Editora Salamandra, e fiquei muito feliz por ser o primeiro fascículo da coleção.

P: Se fosse escolher outra canção sua para ganhar as páginas de um livro, qual seria?
R: São muitas músicas… Todas?


Entrevista com Tony Belloto

P: Em Família, são exploradas situações típicas da família, mas na época em que foi lançada, a música foi vista por muitos como uma crítica aos diversos modelos de família. Você acha que o livro pode mudar a percepção das pessoas sobre a letra?
R: Acho que não. A letra é uma crítica bem-humorada à essa instituição peculiar, repleta de cenas cômicas e cotidianas, com as quais todos nos identificamos. Qual pai não se preocupa com a segurança da sua família, por exemplo?

P: Ultimamente, projetos como o Rockabye Baby, por exemplo, tentam iniciar as crianças na música, especialmente no rock, desde cedo. O que você acha dessas iniciativas?
R: Isso é ótimo! Vamos salvar-lhes as almas enquanto é tempo!

P: Quais diferenças você cita na visão que tinha no modelo familiar de 1986 para o dos tempos atuais?
R: A família continua muito parecida, e algumas coisas não mudam. Por exemplo, meus pais viviam no meu pé e eu, como pai, também vivo enchendo o saco dos meus filhos. Houve avanços, mas houve também um aumento do conservadorismo. Então, a família permanece igual ao que era desde a idade da pedra.

P: Se fosse escolher outra canção sua para ganhar as páginas de um livro, qual seria?
R: Bichos escrotos, que não é minha, mas é dos Titãs, daria um belo livro.

TV Cultura exibe clássico infantil

24/9/2015 – 19:24h

A história de João e Maria em Os Melhores Contos de Grimm e Andersen, na TV Cultura, sábado, às 15:00 horas.

Na tarde do próximo sábado (26/9), às 15h, a TV Cultura exibe o clássico infantil João e Maria, da série Os Melhores Contos de Grimm e Andersen. O programa é uma adaptação alemã dos contos dos irmãos Jacob e Wilhelm Grimm e algumas histórias do dinamarquês Hans Christian Andersen, escritas no século 19.

Neste conto, um pai vivia com sua família em uma grande pobreza. Então, a madrasta, malvada, decide que as crianças João e Maria devem desaparecer e, por isso, são deixadas sozinhas na floresta. Para surpresa dos meninos, eles topam com uma casa incrível, onde tudo é comestível. Atraídos pelos doces, acabam nas garras de uma bruxa muito má.

Outros clássicos que serão exibidos na série são: Rapunzel, Cinderela, Branca de Neve, A Roupa Nova do Imperador, O Gato de Botas e Chapeuzinho Vermelho.

Mineiros aderem à maratona de leitura

22/9/2015 – 10:03h

42 cidades de Minas já aderiram à manifestação nacional do dia 1° de outubro. Mas ainda é pouco e espera-se que outras regiões também se inscrevam e participem ativamente.

Em Minas Gerais, 42 municípios já aderiram à manifestação proposta para o dia 1° de outubro, “DIA DE LER.TODO DIA!”: Belo Horizonte, Alagoa, Albertina, Alpinópolis, Capim Branco, Carmo da Cachoeira, Carmo de Minas, Chalé, Conquista, Conselheiro Pena, Contagem, Cel. Fabriciano, Cel. Pacheco, Córrego Fundo, Gonçalves, Ibiraci, Ibirité. Ipanema, Ipatinga, Itabira, Itajubá, Itamarati de Minas, Itamonte, Itanhandu, Itapagipe, Nova Era, Passos, Patos de Minas, Piranguçu, Pitangui, Pouso Alegre, Prados, Ressaquinha, Ribeirão das Neves, Rio Espera, Rio Novo, São Brás do Suaçuí, S. Geraldo do Baixio, São Miguel do Anta, Turvolândia, Viçosa e Vieiras.
Assim como aconteceu na cidade paulista de Barueri, em abril _ onde nasceu a manifestação através da Secretaria de Cultura e Turismo _ os mineiros querem viver uma maratona de 12 horas de duração durante as quais alunos e professores, profissionais liberais e operários, donas de casa e policiais, religiosos e não crédulos leiam, mesmo que por alguns segundos, seja uma pequena poesia, a Bíblia ou um volumoso clássico da literatura, em sistema de revezamento.
Envolver o maior número de pessoas em todo o território nacional em prol da leitura é a proposta do “DIA DE LER.TODO DIA”! Livros, jornais, revistas, gibis são as principais plataformas que podem ser utilizadas para a leitura, mas nada impede que sejam lidas bulas, receitas e manuais. A coordenação do “DIA DE LER.TODO DIA!” quer chamar a atenção de pais, professores, governantes e da sociedade como um todo para a importância do ato de ler.
Em todos os locais de realização, a dinâmica da mobilização para o dia 1° de outubro também é uma maratona de 12 horas de duração. Em Barueri, participaram 93 mil pessoas. A experiência foi tão bem-sucedida que se decidiu por uma edição nacional. Cidades de todo o país estão sendo convidadas por e-mail a participarem e no site do movimento tem um mapa que mostra como está a adesão em todo o território nacional: www.diadelertododia.com/
A coordenação da mobilização afirma que não tem sido fácil conseguir uma forma de contato com os serviços municipais de educação e de cultura para que somem esforços pela leitura. Não é preciso gastar absolutamente nada a não ser muita disposição para convidar a comunidade local para ler.

Flagrante de leitura na cidade de Barueri - Foto Reginaldo Faria/Divulgação

“O Brasil lê o mundo. O mundo lê o Brasil”

20/9/2015 – 21:30h

O Brazilian Publishers (BP) vai apresentar a nova campanha “O Brasil lê o mundo. O mundo lê o Brasil”, que representará o Brasil em feiras e eventos literários mundo afora, na Feira do Livro de Frankfurt marcada para o período de 14 a 18/10 deste ano. O slogan foi escolhido pelo projeto resultado da parceria entre a Câmara Brasileira do Livro (CBL) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil).

“Essa campanha é a nossa forma de dizer ao mercado editorial internacional, de maneira simples e objetiva, que a nossa diversidade cultural aliada ao profissionalismo e ao talento da indústria do livro brasileiro nos tornaram uma nação exportadora de livros e de direitos autorais para qualquer lugar do mundo. O Brasil é um país que merece ser lido”, explica Luiz Alvaro Salles Aguiar Menezes, gerente de relações internacionais da CBL.

A nova comunicação visual estará presente em todos os estandes de feiras, catálogos e demais peças promocionais usadas pelo BP.

A foto abaixo mostra como será o estande do Brasil  na Feira do Livro de Frankfurt, que dará o pontapé inicial na campanha “O Brasil lê o mundo. O mundo lê o Brasil”. O espaço coletivo, que deverá abrigar cerca de 40 editoras brasileiras, terá 240 m² para mostrar a representatividade, a diversidade e a qualidade do mercado brasileiro. Além de um projeto especial de arquitetura e montagem, o estande oferecerá toda a infraestrutura de atendimento e serviço de internet, permitindo aos editores que se dediquem a fazer bons negócios.

“Tatu-Balão”

18/9/2015 – 11:29h

Ler histórias infantis em versos rimados é encantador. Quando estes versos são suaves, como os escritos por Sônia Barros, a leitura se torna muito prazerosa.

Assim, eu folheei o recente lançamento da Aletria Editora, “Tatu-Balão”. A história assinada por esta escritora paulista, autora de quase 20 livros infantis, e ilustrada por Simone Matias, é uma obra de arte, capaz de envolver crianças e adultos.

A delicadeza dos versos, a beleza das ilustrações e a edição primorosa da Aletria fazem, sim, deste lançamento uma obra de arte. A arte de convidar para a leitura, a arte de descobrir uma mensagem bonita, a arte de emocionar.

“Conheci um tatu-bola

Que não era feliz, não.

Tinha um sonho na cachola:

Não ser bola, ser balão!”

“Mas em vez de ele voar

Como havia planejado,

Começava a despencar,

Rolando desenfreado!”

“Depois de tanto tentar

Subir e voar em vão,

Tatu-bola encontrou

O menino Damião.”

“Pois muito mais importante

Que o voo de verdade

É que dali em diante

Começou uma amizade.”

Para a autora, Sônia Barros, o nascimento de  um livro é sempre uma grande alegria. “Tatu-Balão’ é o meu décimo nono, mas parece ser o primeiro, pois a emoção se renova a cada livro, a cada nascimento”.

Ainda segundo ela, “este é um livro especial. Conta a história de um tatu, mas também a minha e a de muita gente. História de um sonho e, principalmente, da luta e persistência para realizá-lo. História de amor e de amizade. E de partilha.”

O livro custa R$ 41,00 e pode ser adquirido na loja virtual da Aletria:

http://www.aletria.com.br/lojavirtual/interna.php?cod=63

“E o pequeno Grou migrou”

16/9/2015 – 18:54h

A designer Elle Pei estreia na literatura com conto infantil sobre o respeito às diferenças culturais. Em sua primeira incursão na literatura, ela aborda o tema por meio das aventuras do Pequeno Grou, ave migratória que descobre novos modos de vida em sua jornada pelo mundo. A obra reúne trilha sonora, livro de colorir e é inspirada na história da própria autora, que fala 11 idiomas e já visitou 30 países.

Com ilustrações autorais e uma viagem pelo universo das aves repleta de curiosidades, a paulista Elle Pei lança, dia 3 de outubro, seu primeiro livro, o conto infantil “E o Pequeno Grou Migrou”, com o qual busca mostrar, por meio das aventuras do carismático personagem, a importância do respeito às diferenças culturais. O lançamento será na Livraria Blooks, instalada no Shopping Frei Caneca, região central de São Paulo, das 15h às 18hs. Na oficina de origami (arte de dobrar papel) que será realizada, a criançada aprenderá a fazer grous em várias cores.

Ave migratória, o Pequeno Grou parte para sua primeira jornada solo, com o objetivo de fugir do inverno severo que anualmente castiga a região em que vive com a família.  Durante a viagem, ele cruza com oito espécies de aves (pelicanos, flamingos, pinguins, papagaios-do-mar, tucanos, corujas, beija-flores e queleas), até então desconhecidas por ele. E descobre que, apesar de os novos amigos viverem em habitats e terem costumes bastante distintos, cada um é feliz a seu modo.

A estória do Pequeno Grou, que sai pela editora Atitude Terra, é inspirada na trajetória da própria escritora, de 27 anos, que desde pequena transita por várias culturas, incentivada pelos pais.  Nascida em uma família de imigrantes taiwaneses, ela tem rodado o mundo. Dos 30 países que já visitou, morou em Coventry (Inglaterra), Copenhague (Dinamarca), Taipei (Taiwan) e Istambul (Turquia), e fala 11 idiomas (mandarim, taiwanês, inglês, francês, japonês, turco, alemão, italiano, espanhol e coreano, além do português).

As vivências multiculturais a fizeram perceber,  desde cedo, a importância do respeito às diferenças de costumes nas relações interpessoais. Por entender que esse respeito deve ser trabalhado desde os primeiros anos de vida de toda criança é que Elle Pei optou por uma obra dirigida a esse público.

Designer de produtos, Elle também faz sua estreia como ilustradora em “E o Pequeno Grou Migrou”. Para produzir à mão os personagens e seus habitats nas 48 páginas do conto infantil, ela desenvolveu uma técnica própria, utilizando como base folhas de jornal, pastel oleoso e um mix de colagem manual e digital.

A partir da obra principal, produzida em três meses, Elle criou novas peças para acompanhá-la. Faz parte do projeto uma trilha sonora, que permite à criançada conhecer a sonoridade do ambiente de cada uma das aves, e um livro de colorir, com informações e curiosidades sobre as oito espécies.

Grou é uma ave em extinção, com apenas 14 espécies no mundo e pouco conhecida na América do Sul. É facilmente encontrada na Ásia, Europa, África, Austrália e América do Norte.  Para sua obra, Elle escolheu o grou do Japão, ou tsuru (nome da ave em japonês). No arquipélago, está presente em Hokkaido, região localizada ao norte do país.

Após o lançamento no Brasil, Elle planeja novos voos para o Pequeno Grou. Seu projeto para o próximo ano é traduzir o livro para cinco idiomas: inglês, japonês, turco, alemão e mandarim.

14/9/2015 – 18:08h

Em “Inácio – o cantador-rei de Catingueira”, a autora cearense Arlene Holanda (que já escreveu mais de 50 livros de variados gêneros como literatura adulta e infantojuvenil, didáticos e obras complementares) traz ao público jovem o rico universo da cultura do sertão nordestino, pouco conhecido em outras regiões do país.

O enredo conta a trajetória de um escravo que viveu na fazenda Bela Vista, interior da Paraíba, em meados do século XIX, até o momento em que seu talento para a cantoria chamou a atenção do senhor da fazenda, Manoel Luiz, que achou mais lucrativo tirar o menino da lavoura e mandá-lo para cantar pelos povoados vizinhos. Inácio troca a enxada pela fama de repentista e seu nome cai no conhecimento popular do sertão, onde realizou duelos memoráveis com seus repentes, sendo o mais conhecido deles com o Romano, um famoso cantador da época na região. Os versos dessa batalha são conhecidos até hoje.

A tradição dos repentes é essencialmente oral, por isso a autora foi buscar a história de Inácio em diversas fontes e a apresenta de maneira romanceada. Ao final do livro, textos complementares ajudam a contextualizar a história. O detalhe final fica por conta das ilustrações de Alexandre Teles, que utilizou a técnica da xilogravura, muito comum no nordeste do país. 76 páginas. Preço: R$ 36,50 disponível no site da editora em www.gaivota.com.br

O outro livro da Editora Gaivota traz uma novela policial: “Duas vezes na floresta escura”:

“Lá no final da rua, a floresta densa, fechada, escura, que me mete medo e, ao mesmo tempo, me convida a desvendá-la. Desde que cheguei aqui, me paro olhando para aquelas árvores grandes que apontam pro céu e se aproximam umas das outras, feito gigantes a impedir passagem. Parecem esconder mistérios. Parecem.”

Nesse lançamento, o professor e autor gaúcho, Caio Riter, leva uma novela policial ao interior do Rio Grande do Sul, onde vive Susana, uma adolescente cheia de dúvidas sobre o futuro. Sua mãe está temporariamente morando no exterior para terminar o doutorado e seu pai recebeu uma nova proposta de emprego em uma cidadezinha pequena e aparentemente monótona, para onde os dois acabaram de se mudar. Agora, a protagonista terá que se adaptar à nova rotina, à nova escola e aos novos amigos. No entanto, sabia que isso iria demorar e, num primeiro momento, a vida lhe pareceu insuportável e sofrida.

Mas, aos poucos, vai se modificando, quando conhece Bethânia, Caetano, Nicole e César, um garoto estranho que adora espionar os outros. Começa a aceitar o fato de que a vida seria assim mesmo, pacata e quieta, como a floresta no fim da rua. Até que uma tragédia se abate sobre a cidade, bem próximo de Susana e de seus novos amigos. Agora, a solução de um bárbaro crime depende somente deles.

A trama é envolvente e carrega em si muito mais do que um mistério, ao tratar da relação entre pais e filhos, amigos e paixões. Dividida em duas fases, a narrativa é feita primeiramente por Susana. A partir do prólogo II, a ordem se inverte e o suspense ganha a voz de um novo narrador. Para completar, o projeto gráfico ambienta o leitor e o transporta para a cena do crime: uma floresta escura e sombria. 164 páginas. R$ 34,00.

Os jovens e seus escritores favoritos

13/9/2015 – 12:25h

A Bienal do Livro do Rio vai acabar hoje. Mas com o dever cumprido, ou seja, atraiu um grande público, disseminou o livro e especialmente manteve acesa a chama dos jovens pela literatura e os aproximou de seus autores favoritos, que também deixaram dicas preciosas para pais e professores. Participaram escritores de quase 30 países e muitos deles com livros e artigos voltados para o público jovem.


“As redes sociais, tão presentes na vida dos jovens, são um canal que conecta essa galera à literatura. Eles leem os livros e voltam para a rede para procurar e seguir os autores, para comentar, para curtir. Não é a toa que os livros juvenis têm hoje uma fatia bem grande do mercado editorial brasileiro”, diz o post do Portal G1 durante a cobertura do evento.

Autor de best-sellers infanto-juvenis como “A Droga da Obediência” e especialista em letramento e técnicas de leitura, Pedro Bandeira (foto abaixo) comparou as profissões de professor e médico, na sua palestra na Bienal. A uma plateia cheia de fãs e professores, ele sugeriu que os docentes se atentem às diferenças entre os alunos, diz o jornal A Crítica.


“Cada aluno é diferente do outro. Você tem que ter a habilidade de cuidar de diferentes”, disse ele, que comparou: “Quem precisa mais de médico? É quem está mais doente. Quem precisa mais de você? É o seu pior aluno. O seu bom aluno não precisa de você, ele anda sozinho. Mas se você não cuida do seu mau aluno, ele vai embora”.

O autor deu dicas a professores que querem estimular a leitura, afirmando que alunos que têm mais dificuldades de ler podem ser incentivados, inicialmente, com trechos menores e textos ritmados. Bandeira criticou os professores que cobram que todos os alunos comecem por livros do mesmo tamanho e entendam de forma igual.

“Não existe isso. É a mesma coisa que o médico receitar o mesmo remédio para todos os pacientes”, afirmou ele, que reforçou a necessidade de cuidar dos alunos com dificuldades de aprendizado: “Nossa política sempre foi essa, a de excluir. o mau aluno não interessa, eu expulso da classe. Sempre foi assim. Mas no hospital vou expulsar quem está pior?”


Outro ponto criticado pelo autor foi a preocupação com as notas. Mais uma vez comparando com o universo da medicina, ele disse que as notas são os exames de laboratório que só interessam ao médico, já que o importante é que o paciente saia curado e que o aluno aprenda.

“A nota não é importante. A nota é para você, a prova é para você, assim como o exame de laboratório é para o médico”, disse ele, que ironizou: “Se você for procurar um emprego, não vão perguntar qual foi foi sua nota de ciências na 3ª série. O que importa é o que você é hoje”.

Já a crítica literária e autora de “Ofício de Penélope”, Ronize Aline, comentou a falta de hábito de leitura da maioria dos brasileiros e dá dicas de livros. “Como eu trabalho fazendo crítica literária, eu leio por prazer e muitos livros também por trabalho. Acho que a questão não é só o preço do livro, tudo é uma questão de opção. No momento de crise que estamos vivendo, é complicado as pessoas deixarem de adquirir alguma coisa que seja necessidade básica, mas isso vem porque faltou estímulo desde o início. Se a pessoa desde criança se acostuma que livro é algo importante; que a leitura faz bem pra ela, ela vai enxergar isso como uma primeira necessidade”, opina ela, que contabiliza mais de 30 títulos lidos só este ano.

Tiradentes faz cortejo literário

12/9/2015 – 11:54h

Enquanto Belo Horizonte vive o fim de semana da Virada Cultural, a cidade de Tiradentes, a 190 Km da capital, realiza o “Fluxo Literário”, que reúne 60 artistas nas ruas da cidade com intervenções teatrais, números circenses e muita música como parte da programação da sua Festa Literária. É durante toda a tarde deste sábado, 12 de setembro.

Os artistas tratam de temas pertinentes à sociedade e ao cotidiano dos moradores da cidade histórica (Foto: Divulgação)

Tendo como ponto de encontro a frente do Centro Cultural Arte em Construção, mais de 60 artistas de Cidade Tiradentes promovem uma festa pelas ruas do bairro. São intervenções teatrais, números circenses e muita música no cortejo “Fluxo Literário”, que acontece neste sábado, 12 de setembro. O evento integra uma das 70 atividades oferecidas na 1ª Flict – Festa Literária de Cidade Tiradentes, no Centro de Formação Cultural de Cidade Tiradentes (CFCCT), entre outros espaços da região.

Cortejos como esse existem no bairro desde o surgimento de o Pombas Urbanas no loca , instituição que está promovendo a atividade, há 11 anos. Uma das organizadoras, Natali Santos, conta que os eventos surgiram para ser uma opção amigável aos jovens, que já se reuniam nas ruas para se divertir. “Quisemos dar continuidade a algo que já estava presente, mas que acontecia de uma forma muito violenta”, lembra.

Além de ser uma opção de lazer, a ideia deste encontro é divulgar o trabalho artístico desenvolvido na comunidade e mostrar a realidade local. Uma das novidades é a quantidade de artistas da região, o que reforça a sua potencialidade cultural. As encenações procuram dialogar com temas pertinentes à sociedade e o cotidiano dos moradores. “Pensamos em algo que pudesse agregar as pessoas de uma forma popular, além de ser uma ocupação do espaço público. Queremos tocar em muitos assuntos, um deles é a redução da maioridade penal”, explica Natali.

Pombas Urbanas nasceu em São Miguel, em 1989, como coletivo cultural. Em 2004, os oito integrantes se instalaram na Cidade Tiradentes para formar o Instituto, que realiza projetos em diversas áreas artísticas com foco no teatro. Hoje, eles são reconhecidos por diversas instituições como Funarte e Itaú-Unicef. Em outubro, para comemorar os 11 anos de atividades no local, os fundadores preparam o espetáculo “Cidade Desterrada”, que resgata toda essa memória.

Tiradentes está localizada no sudeste Mineiro, na micro região do Campo das Vertentes, e está inserida no circuito Turístico da Estrada Real. A cidade histórica possui fácil acesso aos grandes centro pelas rodovias BR 040 e BR 381 (Fernão Dias) que são interligadas pela BR 265 , principal via de acesso a nossa cidade.

Anote aí: concentração em frente ao Centro Cultural Arte em Construção. Avenida dos Metalúrgicos, 2100. Dia 12, das 14h às 19h. Grátis. Livre

Fonte: Portal da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo – Por Letícia Andrade