Músicas para ler

Editora Salamandra lança a coleção infantil Músicas para Ler baseada em canções de compositores brasileiros: “Oito anos” de Paula Toller e “Família” de Tony Bellotto e Arnaldo Antunes.

“Família”

Gravada em 1987 pelos Titãs, a música Família é uma das composições mais conhecidas da banda e, agora, esse clássico do rock brasileiro também está na versão impressa. No enredo são exibidas várias situações rotineiras que se passam com cada integrante da família, como papai, mamãe, titia, seguidas pelo refrão Família ê, família á, família!

“Apesar de a música ser crítica em relação a vários aspectos da família, com suas morais, medos e manias, tem também um certo humor afetuoso”, diz Arnaldo Antunes. “Eu e meu ‘irmão’ Arnaldo quisemos ao mesmo tempo criticar e homenagear essa instituição maluca, que vive se transformando, e sem a qual nossa sociedade não existiria. Quando eu vi o livro, pensei: esse livro poderia ter sido feito antes, mas ainda bem que foi feito agora”, revela Tony Bellotto. As ilustrações dessa obra são de Loro Verz.

“Oito Anos”

Escrita pela cantora e compositora Paula Toller, com a ajuda de Dunga, músico da banda Kid Abelha, “Oito Anos” virou um hit infantil na voz de Adriana Calcanhoto. No enredo, Gabriel, que tem apenas oito anos faz perguntas difíceis de serem respondidas até por gente grande.

A música foi inspirada no filho da cantora que se chama Gabriel: “Ele me perguntava sobre todos os assuntos, desde o mais simples até o mais complicado. Inspirei-me nele e em sua vontade de explorar o mundo e aprender sobre as pessoas ao seu redor. O livro pegou a música e levou para outro universo poético, que eu acho muito lindo”, diz Paula Toller. As ilustrações ficam por conta de Bruna Assis Brasil.

Os títulos ainda trazem uma cartela de adesivos com os personagens e objetos da história para a garotada se divertir. Leia abaixo, matéria de Marcela Assis e Pedro Siqueira publicada no Diário de Pernambuco com entrevistas com Paula Toller e Tony Bellotto sobre o lançamento.

Por que os dedos murcham quando estão no banho?

Por que a Lua é branca?

Por que a rua enche quando está chovendo?

Foi com perguntas como essas que Gabriel, filho da cantora e compositora Paula Toller, inspirou a canção Oito anos. Com vários questionamentos típicos da infância, a música ganhou as páginas de um livro voltado para o público infantil com ilustrações lúdicas. A publicação faz parte da coleção Músicas para ler (Editora Salamandra), que também conta com uma adaptação de Família, de Tony Belloto e Arnaldo Antunes, sucesso da banda Titãs.

Gravada em 1987, a canção reúne várias situações comuns entre parentes, como o costume de fazer refeições em conjunto, e críticas a tradições familiares. “A letra é uma crítica bem-humorada à essa instituição peculiar, repleta de cenas cômicas e cotidianas, com as quais todos nos identificamos. Qual pai não se preocupa com a segurança da sua família, por exemplo?”, resume Tony Belloto. Oito anos se tornou conhecida na voz de Adriana Calcanhoto, no álbum Adriana Partimpim. A composição foi lançada originalmente em 1998, no primeiro álbum solo de Paula Toller, que na época já fazia parte do grupo Kid Abelha.

Se fosse apontar outra canção para o universo da literatura infantil, Paula não saberia qual escolher. “São muitas músicas… Todas?”, brinca. Tony Belloto já tem uma sugestão para a continuação da coletânea. “Bichos escrotos, que não é minha, mas é dos Titãs, daria um belo livro”, polemiza.

Entrevista com Paula Toller

P: Em Oito anos são feitos questionamentos típicos da infância a partir da experiências que você passou com seu filho Gabriel. O que ele achou da canção quando a ouviu pela primeira vez?
R: Oito anos é sobre os questionamentos que começamos a fazer quando pequenos e continuamos a fazer durante toda a vida, mesmo sendo adultos. Quando estava gravando, levei Gabriel no estúdio, ele colocou o fone de ouvido e deu uma gargalhada que está registrada na música.

P: A música já ganhou várias versões, uma delas ficou conhecida na voz de Adriana Calcanhoto. Você acha que o livro tem chance de se tornar a releitura favorita do público infantil? Por quê?
R: A música é um hit, as crianças adoram, e espero que gostem do livro também, porque é muito bem editado. As ilustrações da Bruna Assis são divertidas e dão respostas interessantes às perguntas, estimulam a imaginação, essa pedra bruta que passamos a vida toda lapidando.

P: Como surgiu a ideia de publicar um livro com a letra de Oito anos?
R: Recebi o convite do Danilo Belchior, editor de texto da Editora Salamandra, e fiquei muito feliz por ser o primeiro fascículo da coleção.

P: Se fosse escolher outra canção sua para ganhar as páginas de um livro, qual seria?
R: São muitas músicas… Todas?


Entrevista com Tony Belloto

P: Em Família, são exploradas situações típicas da família, mas na época em que foi lançada, a música foi vista por muitos como uma crítica aos diversos modelos de família. Você acha que o livro pode mudar a percepção das pessoas sobre a letra?
R: Acho que não. A letra é uma crítica bem-humorada à essa instituição peculiar, repleta de cenas cômicas e cotidianas, com as quais todos nos identificamos. Qual pai não se preocupa com a segurança da sua família, por exemplo?

P: Ultimamente, projetos como o Rockabye Baby, por exemplo, tentam iniciar as crianças na música, especialmente no rock, desde cedo. O que você acha dessas iniciativas?
R: Isso é ótimo! Vamos salvar-lhes as almas enquanto é tempo!

P: Quais diferenças você cita na visão que tinha no modelo familiar de 1986 para o dos tempos atuais?
R: A família continua muito parecida, e algumas coisas não mudam. Por exemplo, meus pais viviam no meu pé e eu, como pai, também vivo enchendo o saco dos meus filhos. Houve avanços, mas houve também um aumento do conservadorismo. Então, a família permanece igual ao que era desde a idade da pedra.

P: Se fosse escolher outra canção sua para ganhar as páginas de um livro, qual seria?
R: Bichos escrotos, que não é minha, mas é dos Titãs, daria um belo livro.