Os jovens e seus escritores favoritos

13/9/2015 – 12:25h

A Bienal do Livro do Rio vai acabar hoje. Mas com o dever cumprido, ou seja, atraiu um grande público, disseminou o livro e especialmente manteve acesa a chama dos jovens pela literatura e os aproximou de seus autores favoritos, que também deixaram dicas preciosas para pais e professores. Participaram escritores de quase 30 países e muitos deles com livros e artigos voltados para o público jovem.


“As redes sociais, tão presentes na vida dos jovens, são um canal que conecta essa galera à literatura. Eles leem os livros e voltam para a rede para procurar e seguir os autores, para comentar, para curtir. Não é a toa que os livros juvenis têm hoje uma fatia bem grande do mercado editorial brasileiro”, diz o post do Portal G1 durante a cobertura do evento.

Autor de best-sellers infanto-juvenis como “A Droga da Obediência” e especialista em letramento e técnicas de leitura, Pedro Bandeira (foto abaixo) comparou as profissões de professor e médico, na sua palestra na Bienal. A uma plateia cheia de fãs e professores, ele sugeriu que os docentes se atentem às diferenças entre os alunos, diz o jornal A Crítica.


“Cada aluno é diferente do outro. Você tem que ter a habilidade de cuidar de diferentes”, disse ele, que comparou: “Quem precisa mais de médico? É quem está mais doente. Quem precisa mais de você? É o seu pior aluno. O seu bom aluno não precisa de você, ele anda sozinho. Mas se você não cuida do seu mau aluno, ele vai embora”.

O autor deu dicas a professores que querem estimular a leitura, afirmando que alunos que têm mais dificuldades de ler podem ser incentivados, inicialmente, com trechos menores e textos ritmados. Bandeira criticou os professores que cobram que todos os alunos comecem por livros do mesmo tamanho e entendam de forma igual.

“Não existe isso. É a mesma coisa que o médico receitar o mesmo remédio para todos os pacientes”, afirmou ele, que reforçou a necessidade de cuidar dos alunos com dificuldades de aprendizado: “Nossa política sempre foi essa, a de excluir. o mau aluno não interessa, eu expulso da classe. Sempre foi assim. Mas no hospital vou expulsar quem está pior?”


Outro ponto criticado pelo autor foi a preocupação com as notas. Mais uma vez comparando com o universo da medicina, ele disse que as notas são os exames de laboratório que só interessam ao médico, já que o importante é que o paciente saia curado e que o aluno aprenda.

“A nota não é importante. A nota é para você, a prova é para você, assim como o exame de laboratório é para o médico”, disse ele, que ironizou: “Se você for procurar um emprego, não vão perguntar qual foi foi sua nota de ciências na 3ª série. O que importa é o que você é hoje”.

Já a crítica literária e autora de “Ofício de Penélope”, Ronize Aline, comentou a falta de hábito de leitura da maioria dos brasileiros e dá dicas de livros. “Como eu trabalho fazendo crítica literária, eu leio por prazer e muitos livros também por trabalho. Acho que a questão não é só o preço do livro, tudo é uma questão de opção. No momento de crise que estamos vivendo, é complicado as pessoas deixarem de adquirir alguma coisa que seja necessidade básica, mas isso vem porque faltou estímulo desde o início. Se a pessoa desde criança se acostuma que livro é algo importante; que a leitura faz bem pra ela, ela vai enxergar isso como uma primeira necessidade”, opina ela, que contabiliza mais de 30 títulos lidos só este ano.