Brasil, Nação Leitora

10/9/2015 – 19:38h

A campanha  “Brasil,  Nação  Leitora” está em curso com o  objetivo  de  mobilizar  toda  a  sociedade  em  nome  da educação através da leitura, pela manutenção das políticas públicas de inclusão da literatura no âmbito da Educação Infantil e dos ensinos Fundamental e Médio.

Na Bienal do Livro do Rio de Janeiro, que está sendo realizada até o dia 13/9, no Riocentro, a campanha lançou uma petição pública pela manutenção dos programas de incentivo à leitura e alfabetização com o objetivo de sensibilizar o Governo Federal no sentido de rever a decisão do veto e assumir o compromisso de manter a frequência anual de distribuição de livros de literatura nas escolas públicas de todo o Brasil. http://tiny.cc/nacaoleitora

A Praça Nação Leitora, espaço dedicado à campanha na Bienal do Rio, disponibiliza  acesso  ao site  da  petição  para  assinatura  de  todos  os  presentes  no  evento  e  ressalta  a  gravidade  desse retrocesso para a educação de base no Brasil.

A campanha, no entanto, é anterior à Bienal. Na última edição da Feira Literária de Paraty, em julho, as entidades do livro já apresentaram o “Brasil, Nação Leitora”. Na época, programas como o das compras para escolas e bibliotecas do governo de São Paulo já estavam suspensas e o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) estava no balança-mas-não-cai.

A Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil (FNLIJ) também apresentou um apelo ao Ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro, pedindo que o governo preservasse de possíveis cortes orçamentários a compra de livros de literatura para escolas públicas.

Pouco tempo depois, em agosto, o secretário-executivo do Ministério da Educação (MEC, Luiz Cláudio Costa anunciou que este ano o programa estava suspenso e que o PNBE Temático 2013, estimado em R$ 26 milhões, e o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic) 2014 (R$ 100 milhões), ambos já contratados, mas ainda não executados, não deverão deslanchar na sua totalidade.

Esse cenário levou as entidades a criarem a petição pública para manutenção dos programas governamentais de incentivo à leitura e alfabetização. Visitantes da Bienal ainda podem assinar digitalmente o documento na Praça Nação Leitura, instalada no Pavilhão Verde (ruas N26/O22). Até o momento desta redação, o manifesto tinha 1.260 assinaturas.

Um giro pelos lançamentos

8/9/2015 – 11:20h

Coleção “O Pequeno Príncipe em HQ”

A Amarilys Editora – selo do grupo Manole Conteúdo voltado para a publicação de literatura infantil e juvenil _ lança na Bienal do Livro, no Rio de Janeiro, a coleção “O Pequeno Príncipe, As Novas aventuras a partir da obra-prima de Antoine de Saint-Exupéry”, que adapta para as histórias em quadrinhos a série de desenho animado do personagem para a TV paga.

O jovem protagonista loiro e franzino de “O Pequeno Príncipe”, clássico da literatura infantil publicado por Antoine de Saint-Exupéry em 1943, conquistou fãs em todo o mundo por conta de suas reflexões sobre a vida. Décadas após seu lançamento, o jovem vive novas aventuras, desta vez em formato de graphic novel.

O primeiro lançamento foi em 2013.  Na Bienal do Livro os destaques são “O Pequeno Príncipe no planeta do Gehom – Volume 16”; “O Pequeno Príncipe no planeta do Bubble Gob – Volume 17” e “O Pequeno Príncipe no planeta do tempo – Volume 18”. Ao todo serão 24 obras, edições de colecionador, com capa dura e papel especial. A Bienal acontece no Riocentro até o dia 13 de setembro.

“Théo, o Menino Vermelho”

O livro de autoria do jornalista e escritor Leonardo Neves, um dos autores da peça “Os Ruivos”, conecta a literatura à arte. As aventuras do garoto de sardas são ilustradas pelo artista naïf Dalvan Silva. O livro tem orelha do educador José Pacheco, da Escola da Ponte, com publicação da editora REC Comunicação. Com 77 páginas, a literatura infantojuvenil vai proporcionar ao leitor uma reflexão sobre o preconceito e a falta de respeito com pessoas que têm características diferentes ou que possuem algum tipo de deficiência.

O livro aborda a importância da amizade, do trabalho em grupo e a determinação para a realização dos sonhos. O autor faz um link das situações encaradas pelo menino ruivo com questões sociais enfrentadas no mundo real. Através da solidariedade do seu amigo Gugu, um menino com Síndrome de Down, Théo consegue aniquilar um ciclo de pesquisas maldosas com crianças ruivas. O enredo do livro utiliza a ciência, a tecnologia e as aventuras para atrair os jovens para uma discussão sobre literatura, solidariedade e igualdade.

“O leão e o pássaro”

O livro da Editora Positivo recebeu o prêmio “30 Melhores Livros Infantis do Ano”, da Revista Crescer, especializada em família e educação. A obra, escrita e ilustrada por Marianne Dubuc e traduzida por Ana Caperuto, conta a história de um leão que, num dia de outono, encontra um pássaro machucado, começando assim uma comovente amizade. Um texto delicado, em que os ritmos da natureza e as estações do ano moldam o curso da vida e influenciam a relação entre os dois animais, por meio de uma mensagem que remete aos sentimentos de bem-querer e desapego. A obra está disponível no e-commerce da Editora Positivo, www.loja.editorapositivo.com.br.

Ebooks da Fiel Carteiro

O Fiel Carteiro é uma editora 100% digital e entende que a leitura, em meio eletrônico, tem de ser curta, direta e oferecer preço acessível. Começou a apostar em literatura infantil, também, por entender que as crianças – os verdadeiros nativos digitais – transitam com extrema facilidade na nova mídia.

A autora principal dos seus ebooks é Raquel Durães. Ela se dedica à música, é graduada em piano, é compositora, cantora, diretora e educadora musical, daí, começou a escrever para crianças através das canções. Saiba mais em http://ofielcarteiro.net/quem-somos/.

“Sete cartas de outro planeta” e “O menino, o bilhete e o vento”

Na contramão da crise, a Editora Bambolê chega ao mercado apostando em conquistar leitores com livros que despertem o prazer da leitura, por meio de textos criativos e cheios de imaginação.

Dois textos de Ana Cristina Melo inauguram o catálogo de 2015: “Sete cartas de outro planeta” (36 pp., R$ 25), ilustrado por Patrícia Melo, aborda o tema da falta de tempo da família moderna e da busca por atenção da filha caçula, uma menina criativa que, entediada, encontra apoio num amigo extraterrestre com quem divide problemas muito parecidos. Já “O menino, o bilhete e o vento” (36 pp., R$ 28), ilustrado por Fabio Maciel, por meio de colagens, traz um menino curioso que adora observar as singularidades do mundo, mas, diante da brincadeira de um personagem inusitado (o vento), vai ter a oportunidade de descobrir que a solução de um problema pode vir do que parecia ser um contratempo.

Mais informações no site www.bambole.com.br e na página do Facebook: www.facebook.com/EditoraBambole.

Duas iniciativas pra você apoiar

1-      Gesto de incentivo à leitura

No Facebook, uma página muito interessante: “Tem mais gente lendo” (TMGL), que festeja, cultua e apoia o gesto da leitura nos espaços públicos. Além do apoio institucional da Câmara Brasileira do Livro, milhares de pessoas já curtiram.

Deixo, aqui, o link para você clicar e conhecer https://www.facebook.com/temmaisgentelendo

A ideia é registrar flagrantes de pessoas lendo em espaços públicos.

Quem sabe, você não aproveita o feriadão para clicar um leitor, especialmente se for criança, se dedicando à leitura. Aproveite os passeios ou a viagem deste fim de semana prolongado e observe ao seu redor. Melhor ainda: quem sabe não escolhe um livro e vá até um local tranqüilo para ler e, assim, integrar a nova comunidade digital: “Tem mais gente lendo”.

O que acha de apoiar esta iniciativa?

2-     Mobilização nacional pela leitura

E esta? Pense nela também.

Outra iniciativa que começa a ganhar força na mídia digital é “Dia de ler, todo dia”, que está programado para o próximo dia 1° de outubro em todo o território nacional.
Livros, jornais, revistas, gibis são as principais plataformas que podem ser utilizadas para a leitura, mas nada impede que sejam lidas bulas, receitas e manuais. A coordenação do DIADELER.TODODIA! quer chamar a atenção de pais, professores, governantes e da sociedade como um todo para a importância do ato de ler.
A dinâmica da mobilização para o dia 1° de outubro é uma maratona de 12 horas de duração durante as quais alunos e professores, profissionais liberais e operários, donas de casa e policiais, religiosos e incrédulos leiam, mesmo que por alguns segundos, seja uma pequena poesia, a Biblia ou um volumoso clássico da literatura, em sistema de revezamento.
A população brasileira não tem o hábito da leitura, quando comparada com outros países. O brasileiro lê, na média, 4 livros/ano sendo que apenas
1,5 livro é lido por inteiro. O resultado é sentido no ranking internacional dos exames que avaliam desempenho dos alunos brasileiros, como o Pisa, onde o Brasil sempre ocupa as últimas colocações.


No dia 9 de abril último, a Secretaria de Cultura e Turismo de Barueri, cidade da Grande São Paulo, promoveu o DIADELER.TODODIA! e conseguiu que bombeiro lesse debaixo d´água e que policiais rodoviários promovessem uma blitz da leitura num dos pedágios da rodovia Castello Branco, uma das mais importantes estradas paulistas. Ao final da maratona de 12 horas (das 9 da manhã às 21 horas) foram computados mais de 93 mil participantes, incluídas crianças não alfabetizadas e que participaram de sessões de leitura.
A experiência foi tão bem sucedida que se decidiu por uma edição nacional. Cidades de todo o país estão sendo convidadas por email a participarem. A coordenação da mobilização afirma que não tem sido fácil conseguir uma forma de contato com os serviços municipais de educação e de cultura para que somem esforços pela leitura. Não é preciso gastar absolutamente nada a não ser muita disposição para convidar a comunidade local para ler.
Informações mais detalhadas como respostas a possíveis dúvidas, ficha cadastral e até vídeos-depoimento de diversas personalidades sobre a importância de ler estão no www.diadelertododia.com. No site, um mapa mostra a relação das cidades já inscritas. Outras formas de contato: diadeler@barueri.sp.gov.br ou ainda pelo telefone 11 4199 1600.

“Os peixes, o vovô e o tempo”

2/9/2015 – 23:34h

Alguns temas são difíceis de serem tratados com as crianças, mas a literatura sempre encontra um caminho criativo para conseguir isso. É o caso deste recente lançamento da Editora Libretos: “Os peixes, o vovô e o tempo”, de autoria da gaúcha Letícia Möller, que narra uma história real, que ela mesma viveu na infância.

O livro trata de perdas. Da perda de um bichinho de estimação pela morte. Do afeto da criança, que não consegue se separar dele. O que fazer neste momento?

“Lady e Silver eram o presente mais incrível que Helô já ganhara na vida. Lady era um peixinho dourado e Silver, prateado. Eles viviam num aquário redondo em cima da escrivaninha de Helô e a primeira coisa que ela fazia todas as manhãs, ao acordar, era espiar os dois amigos”.

“Naquela manhã foi diferente”.

“De volta ao quarto… Helô sentiu seu coração parar. Lady estava boiando na superfície da água, a barriga para cima”.

Depois do susto com a morte do peixinho, da perplexidade, a menina se pergunta: o que fazer? Seu coração lhe dá uma resposta rápida.

“Helô olhou a estante, pegou a caixinha de bijus favorita, deitou a pequena Lady em seu interior, fechou a tampa bem fechada, escondeu a caixinha dentro da gaveta da escrivaninha”…

A notícia da morte de Lady chegou a toda família _ pais e o irmão da menina, que até se mostrava conformada com a perda do peixinho, mas intimamente apegada à presença do corpinho guardado em segredo na caixinha.

A história se desenvolve com a descoberta deste segredo e a tentativa de fazer a criança repensar a sua atitude. Quem conseguiria este feito: o pai, a mãe, o irmão, a professora, algum amigo? Numa hora assim, só o vovô encontraria as palavras certas, o tempo adequado e o carinho na medida para ajudar Helô a superar a perda.

_“Eu tenho medo de me esquecer da Lady. De crescer e não lembrar mais como ela era”.

_ “É por isso que você a guardou na caixinha?”

A pergunta do avô inquietou a menina.

“Helô não sabia”…

“Vô Emílio continuou: Não se preocupe, a gente não se esquece das pessoas especiais. Ou dos peixinhos especiais. Você poderá até não se lembrar exatamente de como eram seus olhos ou a cor da sua escama. Mas não se esquecerá do que sentia por ela. De como ela foi importante para você, de alguma maneira. Mesmo sendo apenas um peixinho”.

Mas, afinal, o que fez o vovô, o que disse para a neta conseguir se desapegar do bichinho? Uma história assim precisa ser lida, sentida, com a emoção que o tema sugere. São 40 páginas, onde o leitor também vai encontrar as ilustrações da craque Carla Pilla. O livro custa R$ 20,00 e pode ser adquirido na loja virtual da editora: http://www.libretos.com.br/

A psicóloga e psicanalista Luciana Wickert observa a importância de tratar este tema com as crianças desde cedo. “O luto é a experiência de perda inevitável no percurso de vida e a literatura é uma forma de compartilhar experiências, permitindo que a criança se identifique com a história. É necessário compreender como a criança internaliza a morte e perceber suas capacidades para gerir o sentimento de perda. Conversar sobre o assunto com a criança e escutá-la é fundamental para que ela elabore a questão”, analisa.

A autora Letícia Möller nasceu em Porto Alegre, em 1979. É escritora, professora universitária no Centro Universitário Metodista – IPA e na UniRitter, e advogada formada pela PUCRS. É Mestre em Direito pela Unisinos e Doutora em Sistemas Jurídicos e Político-Sociais Comparados pela UniversitàdelSalento, em Lecce/Itália, onde viveu por 3 anos. É autora do livro Direito à morte com dignidade e autonomia (2007) e de ensaios sobre Bioética e Direito.

Em 2010, publicou seu primeiro livro para crianças, “Eu e você, aqui e lá”, e no ano seguinte lançou “Corre, Pedro, corre”. Pela Editora Libretos, já publicou “Fidalgo, Finório e Firula”, seu terceiro livro infantil. Participa do Projeto Autor Presente, do Instituto Estadual do Livro do RS, e realiza regularmente palestras, bate-papos e hora do conto, em escolas públicas e particulares.

Carla Pilla já ilustrou mais de vinte livros infantis para editoras de Porto Alegre, São Paulo e Rio de Janeiro, além de ilustrações para revistas e jornais. “Os peixes, o vovô e o tempo” é o primeiro livro que ilustra para a Editora Libretos. Também desenha os quadrinhos Filé de Gato, inspirada em seus dois bichanos.

Criança escreve junto com o autor

1/9/2015 – 10:57h

O livro “O autor é você”, de Palmira Heine, publicado pela Editora Scortecci, pretende possibilitar que os pequenos leitores sejam autores de suas próprias histórias, a partir de um contexto interativo. A criança será colocada no centro da produção de sentidos. Assim, o livro traz páginas em branco que devem ser preenchidas com textos criados pelos leitores/autores, indicando pistas para que cada um possa construir seu enredo.

Para criar esta obra, a autora observou que “os leitores são levados a reproduzir histórias prontas, mas possuem pouco espaço para criação de histórias novas ou “geração de sentidos diversos daqueles esperados nas escolas. Esse livro quer, portanto, fornecer o espaço necessário para que o leitor seja autor de seus próprios sentidos e de sua própria história, tornando-se também coautor do livro”.

Palmira Heine não acredita que as crianças vão encontrar dificuldades para preencherem os espaços vazios, “pois há pistas que fazem com que as crianças possam construir suas próprias histórias. Elas são levadas a imaginar uma história, um lugar, personagens, situações complicadoras e a resolução dessas situações, além de elaborarem um final para a história. Ocorre que, nas práticas de leitura, na maioria das vezes, as crianças têm acesso a histórias prontas, tendo pouco espaço para deixar fluir a criatividade e se integrarem, num processo de interação direta com os livros que leem”.

A autora que é baiana e doutora em Letras pela Universidade Federal da Bahia, afirma que “a infância é o período em que a criatividade é mais aflorada, por isso, a criança não precisa de um empurrão para despertar a criatividade, mas precisa de práticas que permitam que essa criatividade possa se manifestar. Assim, um livro que propõe a interação direta entre autor e leitor, pode ser o espaço necessário para que a criança, a partir do processo de leitura e escrita, se sinta parte da produção dos sentidos, se sinta inserida no processo de construção de histórias e tenha sua voz valorizada”.

O livro custa 26 reais e está disponível no site da editora Scortecci para a venda.

http://www.asabeca.com.br/detalhes.php?prod=7413&friurl=_-O-AUTOR-E-VOCE–Palmira-Heine-_&kb=1442#.VcylxMvH_IV