Pediatras “receitam livros”

20/10/2015 – 17:57h

Pediatras de todo o país estão sendo orientados a “receitar livros” para seus pacientes de zero a seis anos de idade. A medida, anunciada nesta semana pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), visa a estimular o aumento das conexões cerebrais nos pequenos por meio da leitura feita a eles pelos pais ou por pessoas próximas.

A campanha diz o seguinte: os primeiros anos da vida de uma criança são fundamentais para seu desenvolvimento. É nesse período que a formação de conexões cerebrais é mais propícia. Além disso, há cada vez mais evidências de que a arquitetura do cérebro é construída a partir das experiências vivenciadas. Por isso, é muito importante oferecer cuidado, afeto e estímulos o mais cedo possível à criança, até mesmo durante a gestação, para que ela possa desenvolver de forma plena habilidades como pensar, falar e aprender.

Um dos principais estímulos que pais e cuidadores podem oferecer à criança, desde a gestação até os 6 anos, é a leitura. Ela é tão importante que se tornou uma recomendação médica no exterior e no Brasil. O objetivo da campanha “Receite um Livro” é mobilizar os médicos pediatras a estimularem a leitura parental para – e com – as crianças de zero a seis anos como forma de promover o desenvolvimento infantil integral.

Como parte da campanha será distribuída aos pediatras a publicação “Receite um livro: fortalecendo o desenvolvimento e o vínculo”, que traz conteúdo atualizado e baseado em evidências científicas sobre os impactos da leitura no desenvolvimento infantil, bem como orientações de como incluir o estímulo à leitura na prática clínica. Juntamente com a publicação, os pediatras ganharão um kit de livros do Programa Itaú Criança. Essa é uma iniciativa que distribui livros gratuitamente para famílias por meio do site: www.itau.com.br/crianca.

Os pediatras também receberão por um ano newsletters bimestrais “Receite um livro”, com exemplos de profissionais e/ou instituições que já realizam o estímulo à leitura em sua rotina, dicas de acesso a livros, conteúdo científico, entre outras informações relevantes sobre o tema. Essa campanha é uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Pediatria, em parceria com a Fundação Itaú Social e a Fundação Maria Cecília Souto Vidigal.

Ler para as crianças em voz alta ativa regiões do lado esquerdo do cérebro associadas, entre outras coisas, à compreensão narrativa. Essa é a conclusão de uma pesquisa recente intitulada “Home reading environment and brain activation in preschool children listening to stories”.

“Apesar de estudos comportamentais já terem demonstrado os benefícios para linguagem oral da leitura para crianças pequenas, os efeitos sobre o cérebro não haviam sido ainda quantificados”, observou o artigo, publicado em agosto de 2015 na Pediatrics, uma das principais revistas sobre pediatria do mundo. A pesquisa quantificou, por meio de ressonância magnética funcional, os efeitos da leitura sobre a atividade cerebral de 19 crianças de 3 a 5 anos de idade. Crianças cujos pais reportaram ler mais para seus filhos e ter mais livros em casa apresentaram uma ativação significativamente maior de áreas do hemisfério esquerdo do cérebro.

O artigo, em inglês, pode ser conhecido no site http://pediatrics.aappublications.org/content/early/2015/08/05/peds.2015-0359

Duas vezes por dia, uma equipe de voluntários entra na Unidade de Terapia Intensiva Neonatal do Instituto Fernandes Figueira (IFF), no Rio de Janeiro, para ler histórias para bebês prematuros. O hospital é referência para doenças infantis crônicas. E a iniciativa faz parte do Núcleo de Apoio a Projetos Educacionais e Culturais (Napec), que desde 2001 desenvolve junto aos pacientes e familiares da instituição oito ações que têm como mola mestra a leitura de histórias. “O livro é a ligação do hospital com a realidade da qual as crianças estão afastadas em virtude do momento de internação”, explica a idealizadora e coordenadora do Napec, a pedagoga Magdalena Oliveira. Fonte: SBP

Para conhecer mais sobre a importância desta campanha, clique na categoria Entrevistas deste blog para ler a opinião do presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Eduardo da Silva Vaz. Nessa entrevista, ele fala sobre como essa prática vem sendo estimulada nas consultas médicas e quais as maiores dificuldades que os pediatras encontram para incluir essa recomendação no seu dia a dia.

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria