Prepare-se: esta é a semana das HQ em BH

9/11/2015 – 19:08

De quarta-feira, dia 11/11, a domingo, dia 15, Belo Horizonte vai manter a sua tradição e se transformar na capital dos HQ ao sediar mais uma vez o Festival Internacional dos Quadrinhos, FIQ 2015. A Fundação Municipal de Cultura, realizadora do festival, explica como vai funcionar o evento que é aberto à população.


Em sua nona edição, o Festival Internacional dos Quadrinhos – FIQ 2015 vai promover entre os dias 11 e 15 de novembro, na Serraria Souza Pinto, encontros, exposições, oficinas e um grande número de lançamentos. O evento, realizado pela Prefeitura de Belo Horizonte, por meio da Fundação Municipal de Cultura, é pioneiro nas discussões sobre representatividade e continua trabalhando para tornar o universo dos quadrinhos um espaço mais acolhedor, e, por isso, mais rico e diverso. A programação completa do FIQ-BH 2015 está disponível no site www.fiqbh.com.br.

Para o presidente da Fundação Municipal de Cultura, Leônidas Oliveira, “as políticas culturais e as artes devem atuar também de forma crítica. A arte tem um papel transformador. Essa edição do FIQ procura ser ousada nesta proposta, ao discutir temas como a questão de gênero e a diversidade, sempre com o objetivo de promover o respeito ao outro e contribuir para a mudança de paradigmas e quebra de preconceitos, sobretudo, no momento crítico em que vive o país. A aposta pelo respeito, proposta pelo festival, é uma forma de expressão cultural no seu mais amplo e contundente sentido”, pondera.

Afonso Andrade, coordenador de quadrinhos da Fundação Municipal de Cultural, assina a coordenação geral do evento, que tem curadoria de Ana Koehler e Daniel Werneck. Ana destaca que o caminho seguido por esta edição no que tange às questões de gênero é orgânico e reflete a produção de quadrinhos no país. “Por ser um festival profundamente conectado e observador do cenário brasileiro de quadrinhos, o FIQ não poderia deixar de acompanhar a mudança que este está passando, ou seja, a presença crescente de mulheres atuantes no meio. Que elas tenham o seu espaço no festival é apenas natural e pela envergadura do evento isso tem uma mensagem muito forte de abertura e respeito à diversidade”, analisa a curadora.

“É um festival multifacetado, que sempre buscou convidados que representem o cenário do Brasil, tanto com nomes já conhecidos quanto com novos talentos, fugindo do eixo RJ-SP. O FIQ também, pela primeira vez, tem uma mulher compondo a curadoria, a Ana Koehler, que é uma das pessoas mais importantes no debate sobre a presença feminina nos quadrinhos”, afirma Afonso Andrade.

Uma das convidadas de destaque internacional é Marguerite Abouet, da Costa do Marfim. Ela se torna a primeira costa-marfinense a participar do festival. “A presença de autoras, pesquisadoras, editoras e leitoras, está criando espaços de visibilidade e criação que, por sua vez, estão gerando mais projetos e criando um público leitor mais diversificado. Tudo isso, por sua vez, também incentiva que outras mulheres possam sentir-se acolhidas no cenário dos quadrinhos”, completa Ana Koehler.

O Festival Internacional dos Quadrinhos, correalizado pela Associação dos Amigos do Centro de Cultura de Belo Horizonte (AMICULT) também entrou de cabeça na campanha “Que diferença faz?” concebida pelo Ministério Público de Minas Gerais em conjunto com movimentos sociais, universidades e sociedade civil com o objetivo de combater todas as formas de preconceito.

Homenagem

Como já é de costume, o FIQ-BH elege uma figura representativa do universo dos quadrinhos como homenageado e, para esta edição, o escolhido foi o baiano Antonio Cedraz. Nascido em 1945, na cidade de Miguel Calmon, Antonio Luiz Ramos Cedraz começou a criar histórias aos 16 anos e conciliou a vida inteira os quadrinhos com a carreira de bancário, produzindo diversas séries de histórias, como “Lúbio”, “Zé Bola”, “Joinha”, “Ana” e “Pipoca”. Sua criação mais popular, a “Turma do Xaxado”, explora a cultura do nordeste, em especial da Bahia em suas histórias. Falecido em setembro de 2014, em Salvador, Cedraz teve seu trabalho reconhecido em vida. Recebeu seis prêmios HQMIX, a principal premiação dos quadrinhos brasileiros e foi consagrado com o título de Mestre Nacional dos Quadrinhos, categoria do Prêmio Angelo Agostini, concedido pela Associação dos quadrinistas e caricaturistas de São Paulo, AQCSP.

“O Cedraz foi convidado como nosso homenageado ainda no ano passado, depois veio a notícia da morte dele”, comenta Andrade. A obra do baiano será celebrada na exposição “Cedraz: Mestre dos Quadrinhos”, que vai reunir dezenas de quadrinistas reinterpretando personagens criados por ele, sob a curadoria de Lucas Pimenta.

Capital dos quadrinhos

Não é exagero dizer que o FIQ-BH chega a sua nona edição colocando Belo Horizonte como a capital dos quadrinhos e como o maior evento de quadrinhos do país, posição já conquistada anteriormente e que agora se expande ainda mais. Os números explicam: serão quatro grandes exposições, além das oficinas e atividades paralelas. Os lançamentos anunciados já mostram, em relação à edição anterior, um aumento considerável de novas publicações.

Toda a programação é gratuita. “Entre convidados e expositores, vamos ter mais de 500 quadrinistas, já são 112 convidados confirmados”, conta Afonso, citando, entre eles Mauricio de Sousa, Jeff Smith (EUA), Gail Simone (EUA), Cameron Stewart (Canadá), Amy Chu (EUA), Howard Chaykin (EUA) e muitos mineiros de destaque nacional e internacional, como Eduardo Pansica, os irmãos Vitor e Lu Caffagi, Laura Athayde, Duke, Lelis. Além dos renomados artistas nacionais como Marcelo D’Salete, Shiko, Fernanda Nia e Bianca Pinheiro.

“As mesas de artistas, nos moldes dos artists’ alleys que acontecem no exterior, pularam de 34 em 2013 para 123 neste ano, sendo que em cada uma delas temos pelo menos dois quadrinistas”, destaca Afonso Andrade. “O festival acompanha o que vem acontecendo no mercado dos quadrinhos. Desde 2006 esse mercado está em crescimento, estimulado por fatores diversos. Uma série de ferramentas online otimizam a capacidade dos artistas de dar visibilidade ao trabalho e ter o contato com o público. A produção gráfica de alta qualidade tornou-se mais acessível e as formas de publicação estão se multiplicando. Além da compra de quadrinhos pelos governos federais, estaduais e municipais, há o surgimento de novas editoras, assim como um aumento nas formas de se publicar. Boa parte dos lançamentos que serão realizados durante o FIQ-BH foram financiadas através de financiamento colaborativo online. Essa forma de publicação vem crescendo muito desde 2011, quando o primeiro quadrinho publicado através de uma plataforma de financiamento colaborativo foi lançado na edição daquele ano do FIQ-BH. “O evento é estimulado por isso tudo e também estimula. Acaba sendo essa grande vitrine,  mas não seria tão grande se não tivéssemos de fato uma farta e boa produção acontecendo”, avalia Andrade.

Destaques

Como já é tradição, a programação do evento apresenta uma série de atividades para públicos diversos. “Temos uma variedade de estilos e podemos destacar que há grande força da produção autoral”, afirma Afonso Andrade. Entre os destaques da vasta programação, ele cita as quatro grandes exposições do evento. Em “Cedraz: Mestre dos Quadrinhos”, o artista baiano é homenageado. A exposição “Alves: Cerrado em Quadrinhos”, apresenta uma reunião da produção do artista mineiro sobre um dos nossos grandes biomas. “Heroica” vai reunir cinco ilustradoras reinterpretando cinco personagens femininas, heroínas e vilãs, do universo da Marvel e da DC Comics. Foram reconstruídas as personalidades e os uniformes das personagens. Com uma proposta de interatividade, essas personagens serão representadas por cosplayers que circularão pelo evento vestidos com os uniformes reimaginados. Na exposição “A Ciência dos Super-Heróis”, cinco desenhistas e uma equipe de cientistas se reúnem para redesenhar os personagens Hulk,  Flash, Homem de Ferro e Mulher Invisível sob a luz do conhecimento científico atual.

“Também teremos pela segunda vez a rodada de negócios em parceria com o SEBRAE/MG, que vai possibilitar o encontro de artistas com representantes de 12 editoras nacionais. Foi um sucesso na edição anterior e por isso trazemos novamente”, conta Andrade. Outros destaques, segundo ele, são a mesa inédita que tem como tema os quadrinhos inclusivos, o Duelo HQ, experiência realizada na Gibicon (Curitiba) e que agora ganha Belo Horizonte, além das oficinas que trazem oportunidades de ampliar conhecimentos tanto para iniciantes quanto para quem já tem experiência em quadrinhos.

Bate-papos, debates e atividades vão acontecer no Auditório Mateus Gandara. A cada edição, o espaço para esses encontros é batizado em homenagem a um artista que deixou sua marca nos quadrinhos. Desta vez, o auditório reverencia Mateus Gandara, que foi artista plástico e coordenador do grupo de estudos de desenho com modelo vivo da Universidade de Brasília, UnB. Mateus faleceu em 2015, aos 28 anos. No auditório Mateus Gandara, vão marcar presença nomes como Ricardo Tokumoto, Luís Felipe Garrocho, Chantal, Birgit Weyhe, Phillippe Ôtié, Cris Peter, entre outros. Haverá também um bate-papo com os curadores Ana Koehler e Daniel Werneck, com mediação de Afonso Andrade, abrindo o processo e os desafios da curadoria.

Destaca-se, ainda, uma programação paralela com dois eventos: O Faísca – Mercado Gráfico, feira que contempla não apenas quadrinhos, mas as artes gráficas de maneira geral, e que vai acontecer sob o Viaduto Santa Tereza no sábado, dia 14, e o Traço – Desenho e Música Ao Vivo, no Sesc Palladium.