Registros de 2015

30/12/2015 – 17:14h

Fim de ano é o momento de retrospectivas e avaliações.

O Livrômetro, relógio da leitura  lançado pelo Blog do Galeno Amorim, “Brasil que lê”, mostra que em 2015 os brasileiros leram 800 milhões de livros, ou seja, cada brasileiro leu quatro livros. Na realidade, alguns leram mais e no lugar de outros que ainda não se despertaram para a importância da leitura e continuam sem abrir um livro sequer durante o ano.

O site PublishNews afirma que as vendas de livros cresceram 5% em 2015. Matéria assinada por Leonardo Neto informa que o “mercado editorial brasileiro ganhou, em 2015, mais uma importante ferramenta para acompanhamento de suas vendas. É o Painel das Vendas de Livros no Brasil realizado pela Nielsen a pedido do Sindicato Nacional dos Editores de Livros. Desde abril, o Painel vem monitorando as vendas de livros no País, apontando tendências e trazendo dados fundamentais para tomadas de decisões mais racionais. O último painel, apresentado no fim de novembro, trouxe a informação de que, no acumulado do ano, houve um crescimento 5,01% no faturamento apurado por livrarias e supermercados brasileiros com a venda de livros. Índice bem abaixo da inflação. Em termos absolutos, nas 44 primeiras semanas de 2015, o varejo de livros no Brasil bateu agora R$ 1,244 bilhão versus R$ 1,185 bilhão no mesmo período do ano passado. O Painel conseguiu mostrar numericamente também a ascensão e queda dos livros de colorir. Se em agosto, de cada 100 livros vendidos nas livrarias brasileiras, 17 eram de colorir, essa relação caiu para 2 em outubro. A participação dos livros de colorir no faturamento bateu 14,5% em agosto e, em outubro, caiu para 1,41%.”

PublishNews fala ainda de “outra pesquisa importante apresentada em 2015: a Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro – essa já velha conhecida do mercado editorial – demonstrou a pior queda no faturamento das editoras desde 2002. O faturamento dos editores em 2014 alcançou R$ 5,409 bilhões, o que representa um crescimento nominal de apenas 0,92% em relação aos R$ 5,359 bilhões de 2013. Mas como a inflação ficou muito acima disto no ano passado, houve uma queda brusca em valores reais. Aplicada a taxa do IPCA de 2014, de 6,41%, chega-se aos 5,16%. Trata-se da maior queda do mercado desde 2002, quando o faturamento caiu, em termos reais, 14,51%, agravado pela alta inflação daquele ano. Essa queda se deu graças à diminuição nas compras governamentais que sofreram corte de 15,98% em comparação com 2013.”

Ajude crianças com o Imposto de Renda

28/12/2015 – 23:35h

Os brasileiros não estão satisfeitos com a forma que o governo utiliza os impostos que paga, por isso divulgamos uma oportunidade de o próprio contribuinte fazer isso. A Fundação Itaú Social explica como o cidadão pode contribuir socialmente com destinação de até 6% do Imposto de Renda aos Fundos dos Direitos das Crianças e Adolescentes até 31 de dezembro. Os projetos beneficiados por essa atitude simples podem promover a literatura e até mesmo a diminuição de iniquidades sociais. Entenda como:

Em 2015, o Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei 8.069/90) completou 25 anos. Desde sua elaboração, a legislação introduziu na sociedade brasileira uma nova dimensão e um olhar mais cuidadoso sobre a infância e a adolescência no Brasil. Esse marco histórico norteou a formulação dos Fundos da Infância e da Adolescência (FIA), que servem para apoiar ações de promoção e defesa dos direitos de crianças e adolescentes. Todo cidadão pode contribuir com destinações de até 6% do Imposto de Renda devido (desde que o contribuinte realize a declaração pelo modelo completo). Pessoas jurídicas, tributadas pelo lucro real, também podem destinar até 1% do IR devido.

Quem administra os Fundos são os Conselhos dos Direitos da Criança e do Adolescente (CDCA) que, assim como os Fundos, podem ser municipais, estaduais ou nacionais. Os Conselhos são formados de forma paritária, metade por representantes governamentais e a outra metade por representantes da sociedade civil. A partir de diagnóstico local eles são responsáveis por realizar um plano de ação para aplicar com qualidade os recursos do Fundo em iniciativas que garantam os direitos da população infantojuvenil.

A destinação de parte do IR devido é um ato simples que pode contribuir para a vida de crianças e adolescentes e, dada a sua natureza, é considerado um exercício de cidadania tributária. “Esta é uma excelente porta de entrada para quem quer garantir uma vida melhor para as crianças. Pagar impostos é uma obrigação, mas contribuir com o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes é uma escolha cidadã”, explica Fábio Ribas, Diretor Executivo da Prattein, consultoria técnica parceira da Fundação Itaú Social para a coordenação do Edital de apoio ao FIA.

No caso das empresas do Grupo Itaú Unibanco as propostas elegíveis a receberem os recursos da destinação passam por processo de edital, sendo avaliadas quanto à qualidade e classificadas conforme temas previstos na legislação que trata dos direitos de crianças e adolescentes. As ações selecionadas em 2015 abrangem iniciativas que contribuem para a Educação Integral. A proposta é que o dinheiro arrecadado por meio do Fundo permita a ampliação dos programas e políticas existentes, fortalecendo o atendimento à crianças e aos adolescentes em situação de vulnerabilidade social.

Para a pessoa física, a opção pela destinação de até 6% deve ser feita até 31 de dezembro do ano-calendário. Isso significa que quem destinar uma porcentagem do imposto devido de 2015, tem até 31 de dezembro de 2015 para realizar o crédito ao Fundo escolhido. Na Declaração de Imposto de Renda, em 2016, deverá informar o valor destinado no campo “Doações Efetuadas”. Para saber o montante a ser destinado, o contribuinte pode simular sua declaração em itau.com.br/crianca. A dedução só é realizada se a doação foi feita especificamente para um FIA e não funciona para doações diretas a entidades.

É possível doar também no ato da declaração, até 30 de abril do ano de exercício, desde que o percentual de 6% não tenha sido atingido. Nesse caso, o limite é de até 3% do IR devido. O cálculo do que pode ser deduzido é feito pelo próprio programa da Receita Federal. O contribuinte, então, seleciona o valor na ficha “Doações Diretamente ao Estatuto da Criança e do Adolescente” e paga o Documento de Arrecadação de Receitas Federais (DARF) emitido.

A pessoa física deve destinar, de preferência, a um Fundo da cidade ou região em que reside, para que o contato com o Conselho e com os projetos beneficiados seja mais próximo. Segundo Ribas, é muito importante acompanhar o desenvolvimento dos projetos apoiados, de forma que se estabeleça um envolvimento efetivo que extrapole a destinação dos recursos. “É necessário verificar os resultados dos programas inscritos constantemente, consultando as organizações beneficiadas e os relatórios dos Fundos”, conclui.

Adote um leitor

O projeto Oficina de Leitura e Escrita Palavra Mágica é uma opção para o contribuinte  financiar a formação de um jovem leitor. E custa só R$ 80,00 por mês (R$ 960,00 por ano) do seu Imposto de Renda.

A Oficina de Leitura e Escrita Palavra Mágica é constituída por cursos gratuitos de formação para adolescentes da periferia, nos quais eles aprendem, durante um ano inteiro, a escrever melhor, ler bons livros e a criar e exercer uma consciência cidadã, crítica e participativa, criando, assim, novas perspectivas para seu futuro pessoal e profissional, para suas famílias e a comunidade.

Uma tecnologia social experimentada e certificada há mais de 10 anos. O contribuinte pode acompanhar os resultados do seu investimento social pelo nosso site e no Facebook.

Dois passos para investir na formação de um leitor com seu Imposto de Renda:

1- Calcule o valor que deseja doar. O limite é entre 4% e 6% do IR devido para destinação até 30.12.2015.

Dica: tenha como base o montante pago nos últimos anos e, então, faça a estimativa do imposto devido e do valor que deseja doar (se preferir, utilize o simulador da Receita Federal, que é bem simples).

2-  Acesse o site do Conselho Municipal da Criança do Adolescente e emita sua Guia, que deverá ser paga até 30.12.2015; depois, entregue ao seu contador para dedução. Não esqueça de selecionar, no campo Sensibilizado por, a Fundação Palavra Mágica.

Em caso de dúvidas, escreva para fundacao@palavramagica.org.br ou telefone para (16) 3610-0204.

Conheça a Fundação Palavra Mágica e veja o que é feito para ajudar a construir cidades e um país com mais leitores e cidadãos.

Mensagens de aniversário viram livro

24/12/2015 – 18:03h

Notícia enviada da Cidade do Vaticano, através da Agência Ecclesia, informa que o Papa Francisco autorizou a publicar na forma de livro as mensagens de aniversário que recebeu este ano das crianças.

As ‘cartinhas ao Papa Francisco’ que chegaram aos correios do Vaticano, com textos e desenhos de crianças, foram recolhidas e publicadas num único volume de 150 páginas. Francisco deu pessoalmente o consentimento para a realização desse livro, cujas receitas vão apoiar 500 crianças assistidas no Estado da Cidade do Vaticano, os pequenos pacientes do Dispensário pediátrico de Santa Marta, que oferece cuidados médicos, alimentos e roupas às famílias necessitadas.

“As crianças têm a capacidade de sorrir e de chorar”, disse o Papa Francisco na audiência de 18 de março de 2015, intervenção que serve como um dos prefácios do livro.

“Querido Papa Francisco desejamos-te muitas felicidades pelo teu aniversário. Esperamos que gostes do nosso presente e que a tua missão sacerdotal continue magnificamente. Por isso, os melhores votos: muitos parabéns”, refere uma das mensagens agora recolhidas.

“Meu bisavô”

21/12/2015 – 19:12h

Livro infantojuvenil aborda a morte de forma delicada e ajuda a explicar com naturalidade a perda de entes queridos.


Cedo ou tarde, as crianças têm que lidar com a perda de um parente, amigo ou animal de estimação. Por isso os adultos devem prepará-las com clareza e honestidade. Quando protegidas desse forte impacto emocional, elas tendem a crescer em um mundo de ilusão e, mais tarde, terão dificuldades em assimilar o luto.

Em “Meu bisavô”, lançamento da Editora Terceiro Nome, a autora Sílvia Zatz, inspirada pela convivência com os bisnetos do avô dela, que viveu até os 100 anos de idade, ajuda os pequenos leitores a perceberem como é possível, em um momento de dor e tristeza, preservar a memória de uma pessoa querida.

“Quando meu avô faleceu, as crianças, bisnetas dele, apareceram com muitas dúvidas e cada uma tentava entender a perda à sua maneira. As questões que partiam deles e para as quais eu não tinha respostas, me despertaram a vontade de tratar do tema”, revela Sílvia.

A autora, de forma aberta, sem conceitos pré-estabelecidos, também reflete sobre a efemeridade da vida ao questionar se 100 anos é muito ou pouco já que tudo tem um tempo de duração. A árvore mais antiga do mundo, por exemplo, tem 4 mil anos. No entanto, a primavera dura apenas três meses. E o Sol, por sua vez, já ilumina e aquece o planeta Terra há mais de 4 bilhões de anos.

As ilustrações sensíveis e alegres de Paula Juchem acompanham o texto poético de Sílvia Zatz. “Quis seguir o espírito do texto para tratar desse tema sem tristeza e da maneira mais natural possível.”, conclui Paula.

Sílvia Zatz é paulistana de 1969. Já foi cineasta e designer de jogos, profissões nas quais a criação e o lúdico estiveram sempre presentes. Publicou seu primeiro livro, O clube dos contrários, em 1999, e desde então não parou mais. É autora de mais de quinze livros infantis e infantojuvenis, vários deles recomendados pela FNLIJ (Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil). Entre os seus títulos estão Planeta corpo, Quem sou eu e O porquê dos por quês. Mantém uma parceria literária de quase dez anos com Michel Gorski tendo escrito também ivros a quatro mãos para diversos públicos, dos quais publicaram o juvenil Por um triz (Rocco, 2012), os infantis Irerê da Silva e A mão livre do vovô, além do romance O soprador, os três últimos lançados pela Editora Terceiro Nome.

A ilustradora Paula Juchem é formada em desenho industrial e comunicação visual pela Universidade Federal de Santa Maria (RS), onde nasceu. Trabalhou por 15 anos na Itália, onde produziu ilustrações e projetos de design para marcas europeias como Conran Shop, Cassina, Feb Design, Diamantini & Domeniconi, Dovetusai, Lia di Gregorio Studio, Shop Saman e Non Sans Raison. Em 2012, a Design Gallery Milano apresentou uma coleção de pratos de porcelana assinados pela designer brasileira. De volta ao Brasil nesse mesmo ano, a artista se fixou em São Paulo e estreou no mercado nacional com uma linha de pratos em porcelana, únicos e autorais.

“Livro impresso dá permanência à obra”

17/12/2015 – 18:08h

Entrevista

Rodrigo Lacerda – escritor, professor, jornalista, tradutor e editor

Rodrigo Lacerda: “Todo livro e todo personagem são resultados de uma grande mistura de experiência e observação”

P: Você escreve romance, contos e obras para crianças e jovens. O que pulsa mais forte?

R: O romance, sem dúvida. A sensação de mergulhar bem fundo, prender a respiração e só respirar mais adiante é a que mais gosto como leitor e, por consequência, como escritor também. Tudo o mais é um pouco acidental. Faço ou por encomenda ou porque nem sempre controlamos o formato daquilo que produzimos. No entanto, meu livro mais bem sucedido é um livro juvenil, “O Fazedor de Velhos”. Mas considero isso uma pequena ironia do destino.

P: Quando começou a escrever?
R: Aos 25 anos, ao fazer um curso de pós-graduação sobre as fronteiras entre literatura e história, fui instado a transformar meu projeto de tese sobre a concepção de destino em Shakespeare em um conto. Assim escrevi o primeiro livro, “O Mistério do Leão Rampante”, e desisti de seguir a carreira de historiador.

P: Você foi uma criança leitora?
R:
Eu diria que fui sobretudo uma criança que gostava de ler e que gostava dos livros. Mas hoje acho que li até pouco e gostaria de ter lido muito mais.

P: De onde vem a inspiração?
R:
De tudo, pessoas, lugares, lembranças, diálogos, histórias etc. Todo livro e todo personagem são resultados de uma grande mistura de experiência e observação. Sem esse liquidificador emocional tanto o livro quanto o personagem soam artificiais, duros e esquemáticos.

P: Você ganhou vários prêmios. Premiação vende livros no Brasil?
R:
Não, não vende. É um mistério, mas não vende. O prêmio serve ao escritor como currículo, como carta de recomendação para convites, bolsas etc, mas não como impulsionador de venda ou da popularidade.

P: Qual é o maior desafio: traduzir ou escrever?
R:
Escrever, disparado, é bem mais difícil. A tradução, por mais complicada que seja, não envolve o enfrentamento da página em branco, o que diminui drasticamente a ansiedade e o desafio. Na tradução, a história, a psicologia dos personagens, já está tudo lá. Enquanto que, ao escrever, você precisa encontrar a emoção dentro de você e a história.

P: Quem são seus escritores preferidos?
R:
João Ubaldo Ribeiro, Eça de Queiroz, William Shakespeare e William Faulkner. Em diferentes momentos da vida, todos eles mudaram minha visão de mundo, minha compreensão das coisas. É mais do que gostar dos livros, eles tiveram um impacto real na minha vida como um todo.

P: Como incentivar crianças e jovens, nativos digitais para a leitura?
R:
O primeiro passo é não ter preconceitos contra o que eles gostam de ler para que eles não nos devolvam o mesmo preconceito. O segundo passo é não apresentar a literatura como um jogo de cartas marcadas, regido por um cânone rígido e sim apresentá-la como o que ela realmente é: um território fluido de afinidades eletivas, no qual eles terão sempre a liberdade de dizer “Não gostei”, mesmo que se trate de um grande autor consagrado ou de um clássico.

P: Acha que essa nova geração vai deixar o livro impresso de lado?
R:
Duvido muito. Há anos se fala disso, mas continuamos produzindo mais e mais livros impressos. Acho que para se acreditar nisso teríamos de ser um pouco autistas. Basta ver que mesmo os autores que nascem e constituem leitores nos seus blogs veem como um ritual de passagem importante o momento em que têm seu primeiro livro impresso. O livro dá uma permanência à obra.

P: A escola ou a família influencia mais o hábito de leitura?
R:
Ambos influenciam e, ao mesmo tempo, ambos são impotentes, caso o jovem não tenha vocação para ler. Mas é um trabalho conjunto. O que não dá é pai e mãe que dizem ser importante ler, mas eles mesmos não lerem. Assim como não dá para a escola tentar impor hierarquias literárias muito rígidas, que não guardam espaço para as afinidades eletivas de que falei.

P: O que acha da literatura infantil e juvenil brasileira?
R:
Acho boa. No caso da juvenil, contudo, acho que subestima um pouco o fôlego leitor dos nossos jovens. Jamais um autor brasileiro faria um Harry Potter, com 500 páginas, centenas de personagens, dezenas de tramas embricadas etc. Subestimamos a inteligência dos jovens apesar de todas as demonstrações de que poderíamos exigir mais deles.

P: Como você vê o interesse despertado pela ilustração de livros infantis agora até como categoria do Jabuti? Como foi a experiência de participar da última Bienal como curador do Café Literário?
R:
Foi divertido. Vivo muito sozinho, trabalhando em casa, e foi bom entrar em contato com tantas pessoas, fazer convites a artistas que eu admirava sem conhecer pessoalmente etc. Foi uma boa experiência.

P: Para você, escrever é uma tarefa solitária ou você consegue escrever durante a rotina diária?
R:
Sim, é solitária. Mas eu gosto disso. Enquanto trabalhava dentro de editoras, sempre tive a sensação de que a parte mais desgastante não era o trabalho em si, mas lidar com as neuroses alheias – a competição, as inseguranças etc. E também prefiro trabalhar em casa, porque jogo com o tempo com mais liberdade, trabalhando nos meus livros na hora em que bate a vontade e não nos restos do dia após o expediente.

P: Qual é o seu grande sonho na literatura?
R:
Meu grande sonho? Acho que já tive grandes sonhos. Agora não mais, quero só me divertir e me desafiar sempre. Gosto de mudar meu jeito de escrever constantemente.

Fonte: Ivani Cardoso – Fonte: Publishing Perspectives/Contec Brasil

Literatura não é jogo de cartas marcadas

Rodrigo Lacerda

17/12/2015 – 18:02h

Ivani Cardoso – Fonte: Publishing perspectives/Contec Brasil

“O bom professor é aquele que diverte enquanto ensina. Sem humor, clareza, leveza, simpatia e um olhar prático (mostrar para que serve o conteúdo ensinado) não há salvação. Mas para brincar com o conteúdo é preciso dominá-lo profundamente”.

A definição é do escritor, professor, jornalista, tradutor e editor carioca Rodrigo Lacerda. Quando comenta o que é preciso fazer para incentivar a leitura na escola para os jovens, a resposta vem bem rápida: “O primeiro passo é não ter preconceitos contra o que eles gostam de ler, para que eles não nos devolvam o mesmo preconceito. O segundo passo é não apresentar a literatura como um jogo de cartas marcadas, regido por um cânone rígido, e sim apresentá-la como o que ela realmente é: um território fluido de afinidades eletivas, no qual eles terão sempre a liberdade de dizer Não gostei, mesmo que se trate de um grande autor consagrado ou de um clássico”, analisa.

Nascido no Rio de Janeiro em 1969, mas morando atualmente em São Paulo, Rodrigo venceu duas vezes o Prêmio Jabuti, além de ter sido ganhador dos prêmios da Academia Brasileira de Letras, Portugal Telecom, FNLIJ e Biblioteca Nacional. Seus projetos para o próximo ano são um livro de contos, que se chamará “Reserva Natural, e a continuação do livro juvenil “O Fazedor de Velhos.

Como tradutor, verteu para o português autores como William Faulkner, Alexandre Dumas, Raymond Carver, entre outros, tendo recebido o Prêmio Jabuti de Melhor Tradução de Língua Francesa, em 2009, e de Melhor Tradução, em 2010. Trabalhou em algumas das mais importantes editoras do Brasil, como a Nova Fronteira, a Editora da Universidade de São Paulo e a Cosac Naify. Atualmente, é membro do conselho editorial da Zahar. É doutorado pela Universidade de São Paulo em Teoria Literária e Literatura Comparada.

Clique à direita na categoria Entrevistas deste blog para ler um bate-papo muito legal com Rodrigo Lacerda.

Projeto literário busca parceiros

15/12/2015 – 23:35h

Três jovens talentosos e altruístas _ o autor Pedro Daher, a ilustradora Gabriela Barenco e a designer Bia Barbosa _ que se dedicam à literatura infantil e à promoção da felicidade das crianças, estão em busca de parceiros para levarem adiante um projeto de comprovada eficácia para os pequenos internados em hospitais: a narração de histórias. Os médicos reconhecem a influência positiva da literatura infantil no tratamento das crianças em especial o poder que a leitura interpretada dos textos têm na recuperação delas.

Pedro Daher, que é voluntário de um trabalho deste gênero num hospital, já deram o primeiro passo. Junto com Gabriela e Bia, criou uma personagem, a Jujuba, e suas próprias narrativas: uma coletânea de histórias curtas que narram as descobertas e aventuras da menina ao lado do pai, da professora, dos amigos e do gatinho. Agora, esses jovens querem iniciar a narração de histórias para as crianças:

“Uma oportunidade de falar sobre assuntos importantes do cotidiano de forma lúdica”, afirma Pedro Daher.

A primeira delas “Jujuba e a porta secreta” (imagem acima) está disponível para download gratuito no site http://www.camillejujuba.com/. Quem acessar vai conhecer a personagem, a história e como fazer contato com esta turma.

“A primeira aventura é mais contemplativa e um pouco abstrata, mas a próxima vai tratar da diferença e a importância dela para construirmos uma sociedade inclusiva. A terceira será sobre diferentes estilos de vida e sociedade, passando das mais utilitárias para as mais ponderadoras. A quarta tratará da necessidade de entendermos que alguns sentimentos, como o medo, a ansiedade e as lágrimas, fazem parte de nós e precisamos liberá-los e não enterrá-los em nosso interior, deixando-os esquecidos. E assim por diante”, explica o autor.

Agora, vem o próximo passo do projeto e dele você pode participar.

“Nosso projeto é de longo prazo e temos planos para o próximo ano, como imprimir versões físicas de nossas histórias para distribuirmos em orfanatos e comunidades carentes e levar as aventuras da Camille para as escolas. Entretanto, ainda estamos começando nossa caminhada e estamos buscando parceiros que nos ajudem, incentivando e divulgando o projeto”, conclui Daher.

Miguilim conquista o mercado externo

11/12/2015 – 18:14h

Uma das feiras literárias mais importantes do mundo é a Feira do Livro de Guadalajara, no México, que se encerrou semana passada. Este evento foi a porta de entrada de vários títulos da editora mineira, Miguilim, no mercado internacional. O editor Alexandre Machado contratou em Belo Horizonte uma pessoa especializada e atuante em todos os países principalmente onde existe verba para compra de livros literários pelo governo local.

Daí, foram selecionados alguns títulos do catálogo da Miguilim e traduzidos para o espanhol. Estes livros, então, chegaram até os distribuidores presentes na Feira de Guadalajara e atualmente estão sendo trabalhadas no mercado editorial do México. Segundo o editor Alexandre Machado, além da oportunidade da feira, “há também os programas de governo mexicano de compra de livros literários e as amostras dos livros traduzidos são apresentadas aos órgãos competentes por estes distribuidores, que mantêm a editora informada sobre o resultado da seleção e concretização da compra”.

Entre os livros da Miguilim estão dois de minha autoria: “Hikôki e a mensageira do Sol” (2011), ilustrado por Maurizio Manzo e “O abraço das Cores” (2013) ilustrado por Nelson Tunes.  Ambos continuam sendo vendidos em Belo Horizonte nas livrarias da rede Leitura e Quixote.

“Hikôki e a mensageira do Sol”, no caso, “Hikôki y la mensajera del Sol”,  conta a história de um pássaro (tão veloz quanto um avião), que voa alto e para muito longe da Terra. Ele sempre visita um lugar mágico habitado por um velho sábio que deseja contar uma novidade para todo mundo: o Sol nunca mais vai embora. Este sábio, no entanto, não sabe como falar para as pessoas sobre o Reino do Sol.

Hikôki conta para este sábio sobre uma menina, Ana Laura, que ama os raios da luz do dia e que, por isso, pode ajudá-lo. O pássaro, então, convida a menina para conhecer o sábio e o lugar mágico. Curiosa, a menina aceita e descobre a alegria de viver num lugar constantemente iluminado e capaz de transformar as pessoas. A história é baseada numa vivência real: a menina Ana Laura que sempre sonhou com um Sol permanente em sua vida.

“O abraço das Cores” ou “El abrazo de las colores” é a história da menina Camila, que adora colorir. Certo dia, ela decide ignorar o Vermelho e sua atitude tem repercussão no arco das cores: a cor acorda irritada e acaba importunando as demais. O Laranja tenta acalmar o Vermelho, mas não consegue. O Amarelo também e é humilhado. O Violeta pede tolerância e é mais uma cor que fracassa. Chega o momento de o Verde entrar em ação, porém, ele acaba brigando com o Azul e o Anil. A discórdia se generaliza dentro do arco das cores.

Uma forte tempestade interrompe a briga entre as cores. Assustadas com o vento forte, raios e trovões, as cores decidem se abraçar e, neste momento, relembram como era bom viverem unidas. Em seguida, o tempo muda e elas são banhadas pelos raios de Sol. A luz do astro-rei revela para as cores que  juntas formam o admirado arco-íris e que todas elas são belas e importantes.

Vamos aguardar a repercussão destas duas histórias e dos demais livros da Editora Miguilim entre os mexicanos.

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Voltando à Feira do Livro de Guadalajara, vale registrar que o estande do Brasil ficou entre os 10 imperdíveis do evento. Esse ano o espaço foi de 90 m² e a temática mostrou a representatividade, a diversidade e a qualidade do mercado editorial brasileiro.
“Fizemos uma área muito funcional para os negócios internacionais, onde diferentes editores puderam expor seus livros com uma área reservada para fazer negócios. Tudo dentro de uma proposta sustentável e colorida. O mais encantador é que a arquitetura simples atraiu bastante público desejoso de nos conhecer e visitar.” destaca Luiz Álvaro, gerente de Relações Institucionais da Câmara Brasileira do Livro.

Luan, do Galo, lança livro infantil

8/12/2015 – 0:34h

Atacante Luan, do Clube Atlético Mineiro, lança o seu primeiro livro infantil “Luanzinho, Sonho de Criança”, em parceria com o escritor Caio Ducca, dia 9 de dezembro, às 18h, na Livraria Leitura do BH Shopping.

Fonte: Victor Martins – UOL

Luan Madson Gedeão de Paiva tem apenas 25 anos e uma personalidade forte. O jogador do Atlético-MG é marcado pelo estilo de jogo dentro de campo, daquele tipo que encanta o torcedor pela raça e também pela qualidade técnica. Nas entrevistas é franco. Espontâneo, nunca escondeu a vontade de escrever um livro. Sonho que está perto de ser realizado.

Dia 9, quarta-feira, o meia atacante do Atlético vai lançar em Belo Horizonte o livro ‘Luanzinho, Sonho de Criança’, em parceria com o escritor Caio Ducca. A obra é inspirada na infância e na carreira do jogador, o idealizador do projeto.

“É uma ideia do próprio Luan. Ele sempre teve esse sonho de escrever um livro e sempre teve um carinho especial pelas crianças. Não é hipocrisia e nem marketing, é verdade. Percebo nas vezes que estou com ele a paciência que ele tem com crianças e com os cachorros” disse ao UOL Esporte o escritor Caio Ducca, escolhido por Luan para escrever e ilustrar o livro.

Parceira que começou por causa das recentes conquistas do Atlético. Autor de outros livros infantis, Caio Ducca também escreveu sobre os títulos alvinegros da Copa Libertadores de 2013 (A América é do Galo) e da Copa do Brasil de 2014 (A Maior Emoção do Brasil).

“Já conhecia o Luan por causa do livre sobre a Libertadores. Inclusive ele esteve presente no lançamento, foi muito legal. Na Copa do Brasil ele também deu um belo depoimento para o livro. E sempre brincava comigo que um dia ele também escreveria um livro. Em março ele conversou com o Atlético, renovou o contrato e depois me procurou”, conta Ducca.

A história do livro é baseada na infância de Luan, em São Miguel dos Campos, em Alagoas, na fazendo em que foi criado pelos avós. Luanzinho tem um companheiro de aventura, o cachorro chamado Bola. Assim, tudo o jogador mais gosta está retratado na obra: futebol, criança e cachorros.

“Depois que ele falou que a ideia era escrever um livro infantil, eu levei muito material para ele, para conhecer formatos. Inclusive ele já tinha um livro meu, sobre a história da Copa do Mundo (Uma História das Copas – A Conquista da Taça Jules Rimet). A partir de então ele começou a contar a história da vida dele para mim, tenho até material para fazer uma biografia. Tanto que ele considera que o livro retrata a infância dele”, completou o autor.

Devoto de ‘São Victor’, o atleticano Caio Ducca revela o prazer de trabalhar ao lado de outro ídolo. “Saber que o Luan tinha um sonho e eu realizei é muito legal”, comentou Ducca, que ficou sem escrever sobre o clube do coração em 2015, mas espera completar ‘a trilogia’ no ano que vem.

“Imaginava escrever a trilogia: Libertadores, Copa do Brasil e Campeonato Brasileiro. Mas eu não desisti. E nem faço questão que seja só o Brasileiro. O importante é fazer cada vez mais e melhor. Tive a oportunidade de escrever sobre a Libertadores mais emocionante e a Copa do Brasil do impossível. Quando ficamos oito pontos atrás do Corinthians eu até pensei que viria outro livro. Mas eu fico apenas no aguardo, apenas coloco no papel. Fico na expectativa, pois o Atlético é o time mais emocionante que tem”.

“A arte de colecionar arte”

1/12/2015 – 17:40h

Uma nova experiência em arte contemporânea chega ao mercado editorial infantil com a missão de estimular pais e crianças a construírem, juntos, o próprio universo da estética da arte. Próximo lançamento: 5 de dezembro, em Porto Alegre.

Mais do que pintar o sete, a série “Minha Primeira Coleção – A arte de colecionar arte”, primeiro lançamento da Nankin Edições e Arte, tem patrocínio do banco Itaú, por meio da Lei Rouanet, e visa a formação de pequenos apreciadores de Arte Contemporânea. Para isso, a coleção traz um box que reúne livro com atividades e gravuras de artistas brasileiros da atualidade, como Carolina Martinez, Danielle Carcav, Fabrício Lopez, Pedro Varela e Tatiana Blass.

A “Minha Primeira Coleção” convida pais e adultos responsáveis a se transformarem em mediadores de leitura e mentores nas atividades dos pequenos, convidando a se aventurarem, juntos, nas propostas trazidas pelo livro a partir das obras criadas pelos artistas especialmente para o projeto.

As obras encartadas, as informações sobre os artistas e seus processos criativos e técnicos e as atividades lúdicas sugeridas têm como finalidade facilitar um diálogo interativo e lúdico sobre como produzimos, apreciamos, exibimos e colecionamos arte. Dessa forma, ‘Minha Primeira Coleção’ quer se transformar em uma ponte entre as memórias afetivas e a construção de um olhar estético e apreciativo, materializado em forma de gravuras de Arte Contemporânea.

“A obra proporciona momentos de troca entre pais e filhos por meio da arte. É um ponto de partida para uma relação inspiradora e prazerosa com a arte. É um valor, nascido e criado em família e mantido com zelo entre gerações (pais e filhos, avôs e netos etc). O investimento é no vínculo da criança com a arte, desenvolvendo o seu olhar estético desde cedo. Queremos incentivar a viverem com arte, colecionar e construírem em casa o seu primeiro ateliê,” explica a idealizadora/organizadora do projeto, Camilla Bloisa. A obra se propõe ainda a dar acesso à arte por meio de obras contemporâneas; divulga e permite acompanhar o crescimento de artistas brasileiros e levar os ateliês para a parede de casa.


Criação do projeto

A Nankin Edições e Arte contou com a expertise do Instituto LER no desenvolvimento do conteúdo da obra. O desafio da equipe multidisciplinar do LER – formada por jornalistas, designers e pedagogos – foi criar um projeto que falasse diretamente às crianças, deixando aos pais um papel de escuta ativa para proteger a produção dos pequenos e sua liberdade de expressão ainda que mediadas.

Cada detalhe da obra foi pensado minuciosamente. À medida que as ideias surgiam, iam sendo testadas. O Instituto LER realizou entrevistas com os artistas e desenvolveu as propostas das atividades do livro. O resultado: tornar as crianças capazes de escolher que papéis querem para si no mundo das Artes: admiradores, colecionadores, artistas.

Com a proposta, o LER trouxe a segurança de se misturar, na dose certa, os ingredientes deste projeto, planejando como extrair o melhor de cada obra em sua vivência. Assim, o livro de atividades não é um mero passatempo, é uma construção de um tempo único com a família. É o momento da presença, da troca, do vínculo, da emoção, da produção livre e do afeto. A finalidade não é colecionar gravuras, mas sim significados. O LER pensou “Minha Primeira Coleção” como um instrumento que permite um encontro, repleto de respeito, ousadia e delicadeza entre Arte e Educação.

A Nankin Edições e Arte chega ao mercado editorial com uma proposta inovadora: ser reconhecida pelo pioneirismo na formação estética infantil por meio da arte de colecionar Arte, despertando e inspirando as famílias a construir, juntas, um patrimônio afetivo repleto de significados. O projeto “Minha Primeira Coleção’ é o primeiro lançamento da editora e reúne em um box com livro de atividade e gravuras de artistas brasileiros contemporâneos.


Uma exposição

Uma exposição “Minha Primeira Coleção” foi pensada para acontecer junto com o lançamento do livro com o objetivo de explorar o universo infantil e lúdico. A primeira exposição foi em São Paulo, no mês passado.

A próxima será realizada em Porto Alegre, dia 5 de dezembro, de 15:00 às 19:00 horas, no Histórias na Garagem,  Rua Félix da Cunha, 1167.

Partindo da ideia de ser um grande ateliê para crianças, a mostra é composta por painéis em altura mais baixa, área de atividades e conteúdo didático. A utilização de materiais e processos sustentáveis são destaques na cenografia. O mobiliário foi produzido em papelão com tinta orgânica exclusiva da Zebu Mídias Sustentáveis. Assim como no livro, a interatividade entre pais e filhos está presente na exposição. A área de atividades contará com espaços para adultos e crianças interagirem e aprenderem juntos.